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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pteridófitas

 
As pteridófitas também são conhecidas como plantas vasculares sem sementes. São consideradas plantas vasculares por possuírem um tecido condutor eficiente constituído por xilema e floema, o que foi viabilizado pelo surgimento de um composto muito resistente, a lignina, que é depositada na parede dos elementos traqueais do xilema e das células do esclerênquima. 

A capacidade de sintetizar lignina foi um passo fundamental para a evolução das plantas pois permitiu que os esporófitos adquirissem grande porte e se tornassem a geração dominante do ciclo de vida. Como a fecundação se dá via gametas masculinos flagelados, que necessitam da água para atingir os arquegônios, os gametófitos permaneceram estruturas de pequeno porte e que ocorrem em ambientes com água em abundância. O grande porte e a ramificação dos esporófitos fizeram com que estes pudessem produzir um número de esporos superior ao das briófitas, com sua dispersão facilitada.

Os esporófitos das primeiras plantas vasculares eram eixos dicotomicamente ramificados com esporângios em suas extremidades, mas que não apresentavam raízes e folhas, o que fazia dessas plantas dependentes de associações micorrízicas. Os cilindros vasculares dos caules das primeiras plantas vasculares apresentavam o tipo de estelo protostelo, o qual também passou a ocorrer nas raízes a partir de sua diferenciação e foi mantido ao longo da evolução nas raízes de todas plantas vasculares. No curso da evolução um outro tipo de estelo, denominado sifonostelo, se desenvolveu nos caules de algumas pteridófitas. Em pteridófitas podemos encontrar dois tipos de folhas: as microfilas, que geralmente estão associadas com caules que possuem protostelo, e as megafilas que estão associadas a caules sifonostélicos.
Quando as primeiras plantas vasculares surgiram, elas produziam apenas um único tipo de esporo, por isso tais plantas eram consideradas como homosporadas, condição que se manteve na maioria das pteridófitas. A condição homosporada faz com que a maior parte dos gametófitos seja bissexuado, de forma que a fecundação cruzada pode ser viabilizada pela maturação de arquegônio e anterídio em diferentes épocas. A heterosporia é encontrada em alguns representantes das pteridófitas e em todas as plantas com sementes. Nas plantas heterosporadas há dois tipos de esporos, micrósporos e megásporos, que são produzidos em microsporângio e megasporângio, respectivamente. As plantas heterosporadas sempre originam gametófitos unissexuados realizando obrigatoriamente a fecundação cruzada. A heterosporia é acompanhada pela endosporia, que consiste no desenvolvimento dos gametófitos feminino e masculino no interior da parede do esporo.
As pteridófitas são consideradas um grupo artificial composto por quatro filos extintos e dois filos atuais de plantas vasculares sem sementes. Dentre os filos extintos, Rhyniophyta, Zosterophyllophyta e Trimerophytophyta não possuíam diferenciação de folhas e raízes, sendo os dois primeiros formados por caules de ramificação dicotômica e o último com uma ramificação mais complexa formando sistemas de ramificação lateral. Esses filos eram homosporados com os esporângios formados nas extremidades dos ramos, sendo que em Zosterophyllophyta estes são formados lateralmente em pedicelos curtos enquanto que em Rhyniophyta e Trimerophytophyta são sempre terminais. As Progymnospermophyta possuíam uma ramificação ainda mais complexa, estruturas semelhantes a folhas, crescimento secundário e espécies homosporadas e heterosporadas, o que leva a crer que este filo esteja relacionado com o ancestral das plantas vasculares com sementes. Dentre os filos atuais, Lycopodiophyta foi reconhecido por diversos sistemas de classificação e foi mantido como um grupo monofilético após os estudos de sistemática molecular, enquanto o filo Pteridophyta assimilou os antigos filos Psilotophyta e Sphenophyta, agora tratados como as ordens Psilotales e Equisetales, respectivamente.

Referências Bibliográficas

GONÇALVES E. & LORENZI. H. 2007. Morfologia vegetal: organografia e dicionário ilustrado e morfologia das plantas vasculares. Instituto Plantarum, SP.

JUDD W. S., CAMPBELL C. S., KELLOGG E. A., STEVENS, P.F. & DONOGHUE M. J. 2009. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. 3ª ed. ArtMed,  SP.

RAVEN P.H., EVERT R.F. & EICHHORN S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Guanabara Koogan, RJ.

Fonte: http://www.criptogamas.ib.ufu.br/node/554 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Em dia com a Ciência

Árvores transgênicas podem contribuir para a bioeconomia (13/01/2014)
Alamo300x200Testes de campo com árvores de álamo geneticamente modificadas (GM) realizados em Zwijnaarde, Bélgica, mostram que estas plantas são mais eficientes na conversão de madeira em açúcar. O processo de bioconversão é facilitado em virtude da quantidade alterada de lignina – molécula que confere rigidez, impermeabilidade e resistência às árvores – nos vegetais transgênicos. Os açúcares obtidos a partir deste processo podem ser usados como matéria-prima para produtos como biopásticos e bioetanol.
Os resultados dos testes foram publicados na edição online da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) de 30 de dezembro de 2013. Neste experimento, os cientistas “desligaram” o gene que codifica a enzima CCR, fundamental para a produção da lignina. Essa modificação genética resultou na supressão da molécula de maneira distinta nas árvores. Segundo um dos pesquisadores do projeto Wout Boerjan, as plantas modificadas de cor mais avermelhada possuem maior potencial para a bioconversão. “A biossíntese de lignina é muito complexa e nosso objetivo agora é estabilizar a supressão desta molécula em todas as árvores”, revela Boerjan.
Em 2014, novos testes de campo serão realizados em Wetteren, também na Bélgica, nos quais serão avaliados álamos geneticamente modificados para a supressão de outra enzima. O objetivo é conseguir um desempenho mais uniforme em todas as plantas. A expectativa dos cientistas é que a produtividade de etanol por árvore aumente entre 50 a 100%.
Fonte: PNAS e Science Daily, Janeiro de 2014