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quarta-feira, 26 de junho de 2024

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O esqueleto de um mamífero do Cretáceo de Madagascar reflete a insularidade de longo prazo

Abstrato

O registro fóssil de mamíferos (mamíferos e seus parentes mais próximos) da era Mesozóica do supercontinente meridional Gondwana é muito menos extenso do que o de sua contraparte norte, Laurásia. 1 , 2 . Entre as formas mamíferas do Mesozoico, Gondwanatheria é um dos clados menos conhecidos, anteriormente representado por apenas um único crânio e mandíbulas e dentes isolados. 1 , 2 , 3 , 4 , 5 . Como resultado, a anatomia, a paleobiologia e as relações filogenéticas dos gondwanatherianos permanecem obscuras. 

 

Aqui relatamos a descoberta de um esqueleto articulado e muito bem preservado de um gondwanatheriano da idade mais recente (72,1-66 milhões de anos atrás) do período Cretáceo de Madagascar que atribuímos a um novo gênero e espécie, Adalatherium hui . Até onde sabemos, o espécime é o esqueleto mais completo de uma forma mamífera do Mesozóico Gondwana que foi encontrado e inclui o único material pós-craniano e ramo ascendente do dentário conhecido por qualquer gondwanatheriano. Uma análise filogenética incluindo o novo táxon recupera Gondwanatheria como grupo irmão de Multituberculata. O esqueleto, que representa uma das maiores formas de mamíferos mesozóicos de Gondwana, é particularmente notável por exibir muitas características únicas em combinação com características que são convergentes com as dos mamíferos Therian. Esta singularidade é consistente com uma história de linhagem de isolamento de A. hui em Madagascar por mais de 20 milhões de anos.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Fósseis revelam gigantesco mamífero carnívoro que viveu na África

Animal era maior que um urso polar, e tinha um crânio tão grande quanto o de um rinoceronte
Ilustração de Mauricio Anton.

Paleontólogos da Universidade de Ohio descobriram uma nova espécie de mamífero carnívoro, maior do que qualquer grande felino existente hoje no mundo hoje. Maior que um urso polar, com um crânio tão grande quanto o de um rinoceronte e dentes caninos enormes e penetrantes, esse enorme carnívoro teria sido um assustador habitante dos ecossistemas do leste da África, onde viviam então os antepassados dos macacos e dos grandes primatas de hoje.

Em um novo estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, os pesquisadores o batizaram de Simbakubwa kutokaafrika. Tratava-se de um gigantesco carnívoro, identificado  graças a sua mandíbula, partes de seu crânio e partes de seu esqueleto. Os fósseis de 22 milhões de anos de idade foram desenterrados no Quênia décadas atrás, quando um grupo de pesquisadores examinava a região em busca de evidências de antigos primatas. Na época, os espécimes foram guardados em uma gaveta nos Museus Nacionais do Quênia, e não receberam muita atenção até que os pesquisadores da Universidade de Ohio, Nancy Stevens e Matthew Borths, os redescobriram e reconheceram seu significado.

“Ao abrirmos uma gaveta do museu, vimos uma fileira de dentes gigantescos destinados a mastigar carne e claramente pertencentes a uma espécie nova para a ciência”, diz o principal autor do estudo, Borths. Borths foi pesquisador de pós-doutorado juntamente com Stevens no Departamento de Ciências Biomédicas da Universidade de Ohio quando a pesquisa foi conduzida, e agora é curador da Divisão de Primatas Fósseis no Duke Lemur Center da Universidade Duke.

Simbakubwa é um termo em suaíli para “leão grande” porque o animal estava provavelmente no topo da cadeia alimentar na África, como os leões estão nos ecossistemas africanos modernos. No entanto, o Simbakubwa não estava intimamente relacionado com grandes felinos ou qualquer outro carnívoro mamífero vivo hoje. Em vez disso, a criatura pertencia a um extinto grupo de mamíferos chamados hyaenodonts.

Os Hyaenodonts foram os primeiros mamíferos carnívoros na África. Por cerca de 45 milhões de anos após a extinção dos dinossauros não-avianos, os hyaenodonts foram os predadores mais importantes da África. Então, após milhões de anos de quase isolamento, os movimentos tectônicos das placas da Terra conectaram a África com os continentes do norte, permitindo a troca de flora e de fauna entre as massas de terra. Na época do Simbakubwa, os parentes dos gatos, hienas e cachorros começaram a chegar da Eurásia à África.

Quando os parentes dos gatos e cachorros estavam indo para o Sul, os parentes do Simbakubwa estavam indo para o Norte. “É um momento fascinante na história biológica”, diz Borths. “As linhagens que nunca tinham se encontrado começam a aparecer juntas no registro fóssil.”

O nome da espécie, kutokaafrika, é um termo suaíli que significa “vir da África” ​​porque Simbakubwa é o mais antigo dos gigantes Hyaenodonts, sugerindo que essa linhagem de carnívoros gigantes provavelmente se originou no continente africano e se mudou para o Norte para florescer por milhões de anos.

Por fim, os hyeenodonts em todo o mundo foram extintos. Os ecossistemas globais estavam mudando entre 18 e 15 milhões de anos atrás, quando pastagens substituíram florestas e novas linhagens de mamíferos se diversificaram. “Nós não sabemos exatamente o que levou os hyaenodonts à extinção, mas os ecossistemas estavam mudando rapidamente à medida que o clima global se tornava mais seco. Os gigantescos parentes de Simbakubwa estavam entre os últimos hyaenodonts do planeta”, observa Borths.

“Este é um fóssil crucial, demonstrando a importância das coleções de museus para o entendimento da história evolutiva”, observa Stevens, professor da Faculdade de Medicina Osteopática da Universidade de Ohio e co-autor do estudo. “O Simbakubwa é uma janela para uma era passada. À medida que os ecossistemas mudaram, um predador-chave desapareceu, anunciando transições faunísticas de Cenozóicas que eventualmente levaram à evolução da moderna fauna africana.”

Essa descoberta ressalta a importância de apoiar usos inovadores de coleções fósseis, bem como a importância de apoiar a pesquisa e o desenvolvimento profissional de talentosos jovens cientistas de pós-doutorado como Borths”, disse Daniel Marenda, diretor de programas da National Science Foundation, a agência que financiou a pesquisa. “Este trabalho tem o potencial de nos ajudar a entender como as espécies se adaptam – ou não se adaptam neste caso – a um clima global em rápida mudança.”

Universidade de Ohio

domingo, 30 de outubro de 2016


Fósseis de pacas gigantes descobertos em Minas Gerais são atribuídos a espécie extinta

Achado ajuda a compreender melhor a fauna que viveu na América do Sul há mais de 30 mil anos
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 12:49 17 de outubro de 2016
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© JORGE BLANCO
Pacas00
Apesar das semelhanças, espécie de paca extinta (acima) era muito maior que a paca que conhecemos hoje. Alguns indivíduos poderiam ter mais de 17 kg
Em 2006, durante escavações na Gruta Cuvieri, em Lagoa Santa, Minas Gerais, o biólogo Elver Mayer se deparou com centenas de fragmentos de dentes e ossos fósseis, incluindo crânios e mandíbulas. Ele os encontrou no fundo de um abismo de oito metros de profundidade em meio aos restos mortais de outras espécies de mamíferos. À época aluno de iniciação científica no curso de ciências biológicas do Centro Universitário Fundação Santo André, em São Paulo, Mayer pensou ter encontrado os esqueletos de uma espécie comum de paca. Somente em 2014, já no doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), reavaliou melhor os fragmentos, verificando que os fósseis, na verdade, pertenciam a uma espécie extinta de paca de grande porte, chamada Cuniculus rugiceps.

A conclusão se deu após o pesquisador comparar os fragmentos encontrados a partir de 2006 com os exemplares de pacas extintas descritos entre 1837 e 1839 pelo naturalista dinamarquês Peter Lund. Em colaboração com o biólogo Leonardo Kerber, da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que visitou a coleção de Lund na Dinamarca e coletou dados sobre as espécies extintas, Mayer pôde comparar as amostras e descrever os crânios, mandíbulas e dentes encontrados na Gruta Cuvieri, verificando que se tratava da espécie C. rugiceps.

No mesmo período, o biólogo descobriu na coleção paleontológica da Fundação Museu do Homem Americano, no Piauí, dois dentes que pertenciam à mesma espécie de paca encontrada em Lagoa Santa. O achado permitiu a ele fazer o primeiro registro da espécie fora da região de Lagoa Santa, ampliando em mais de 1.500 quilômetros ao norte a distribuição da espécie identificada, conforme descreveu em um artigo publicado na revista Acta Palaeontologica Polonica, junto com o bioantropólogo Walter Neves, coordenador do Laboratório de Estudos Evolutivos e Ecológicos Humanos do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).
© JORGE BLANCO
Crânios Final Color
Representação artística de fósseis de pacas de grande porte encontrados na Gruta Cuvieri, em Lagoa Santa, Minas Gerais
A espécie extinta assemelha-se muito às pacas conhecidas hoje. Ambas têm câmaras formadas pelos arcos zigomáticos — contato entre ossos que formam a parte inferior da órbita ocular, na região da bochecha — que lhes permitem se comunicar com o interior da boca. Dessa forma, os sons emitidos pelos animais eram amplificados ao ressoarem nessas cavidades ósseas, tornando-se ainda mais intensos. “É possível também que essas estruturas fossem usadas como reservatório para o transporte de alimentos”, diz Mayer.
No entanto, a característica que mais chamou a atenção dos pesquisadores diz respeito ao tamanho dos bichos. Os ossos da espécie extinta eram até 30% maiores do que os da paca atual. “Fizemos uma estimativa do peso da espécie extinta e o resultado indicou que os indivíduos poderiam superar os 17 quilogramas (kg), enquanto que o peso das espécies viventes chega, no máximo, a 12 kg.” Os pesquisadores não sabem exatamente o período em que essa espécie habitou aquela região. “Com a datação que temos dos sedimentos é possível dizer que os indivíduos que encontramos na Gruta Cuvieri viveram há mais de 30 mil anos”, afirma Mayer.

Outro aspecto interessante relacionado à descoberta é que os fósseis encontrados possivelmente eram de animais que morreram em razão de acidentes. Os pesquisadores suspeitam que eles entravam na caverna à procura de abrigo, água e sais minerais depositados nos sedimentos. Nessas ocasiões, devido à topografia irregular da caverna e à falta de luz, os bichos provavelmente se acidentavam. Em muitos casos os animais caiam em abismos ou fissuras. Assim, a topografia da Gruta Cuvieri funcionava como uma armadilha natural. “O fato de termos encontrado no fundo da caverna esqueletos de pacas extintas e de outros mamíferos de médio e grande porte relativamente completos é uma forte evidência da ocorrência deste processo”, diz Mayer.

Segundo ele, os achados contribuem para um melhor entendimento da fauna do final Quaternário (desde 2,5 milhões de anos atrás até os dias de hoje), um período de grandes mudanças ambientais, extinções e marcada pela chegada dos seres humanos na América do Sul.

Artigo científico
 
MAYER, E.L. et al. Taxonomic, biogeographic, and taphonomic reassessment of a large extinct species of paca from the Quaternary of Brazil. Acta Palaeontologica Polonica. 2016.