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sábado, 17 de novembro de 2018

As mais belas orquídeas

De: Marciely Faria 

Bióloga da FHO-Fundação Hermínio Ometto - Araras-SP





As orquídeas são todas as plantas que fazem parte da família Orchidaceae, pertencente à ordem de Asparagales, uma das maiores famílias de plantas. Representam muitas formas, cores e tamanhos diferentes e existem em todos os continentes, exceto a Antártida, que prevalece nos trópicos. Em geral, epífitas, orquídeas crescem em árvores, usando-as apenas como suporte para a busca de luz; eles não são plantas parasitas, alimentados apenas pela decomposição do material, que cai de árvores e se acumula quando se enredam nas raízes. Existem muitas formas de reprodução.Na natureza, principalmente pela dispersão de sementes, mas no processo de cultivo por arbustos, culturas in vitro ou meristemas. Existem mais de 700 gêneros de orquídeas e  250.000 híbridas (cruzamento ). 

Apesar da grande variedade de espécies, pouco uso foi identificado para a orquídea, além do uso decorativo. Entre as poucas aplicações, a única generalizada é a produção de baunilha dos frutos de algumas espécies do gênero Vanilla, mas isso é limitado a produzir um composto artificial com muito menos custo. Ainda sim mesmo para a decoração, apenas uma pequena parte da espécie é usada, pois é que a grande maioria tem flores pequenas e folhagem pouco atraente. Por outro lado, de espécies espetaculares, os produtores de orquídeas recebem milhares de híbridos diferentes com grande efeito e atrativo comercial.

Embora a grande maioria das espécies não sejam brilhantes, a forma intrigante de suas flores é muito atraente para os amantes que observam as pequenas espécies. Como outras famílias de plantas, as orquídeas são de interesse basicamente para colecionadores (conhecidos como orquidófilos) que se reúnem em associações de orquídeas encontradas na maioria das cidades ao redor do mundo. Essas sociedades frequentemente frequentam palestras e exposições de orquídeas periódicas, o que contribui muito para a disseminação do interesse nessas plantas e incentiva os produtores profissionais a reproduzir artificialmente espécies pares que poucos consideram qualquer valor decorativo, reduzindo assim a pressão sobre a coleção de plantas ainda presentes na natureza.

A orquídea é um tipo de planta que é difícil às pessoas não gostarem, ela possui uma beleza única o que leva muitos a quererem aderir à planta.  Apesar de seu encanto, para cuidar de uma orquídea é necessário um pouco mais de atenção, por ela ser bastante sensível é preciso de cuidados certos para que ela floresça e se mantenha bonita e saudável.

As orquídeas são plantas da família orquidáceas que se encontra em quase todos os continentes do mundo, exceto na Antártida devido ao seu clima.  Ela costuma se encontrar em florestas e matas, inclusive o Brasil é um dos países no qual encontramos uma grande quantidade de orquídeas.
Algumas pessoas acham que para manter uma planta bonita e saudável são necessários muitos produtos químicos para ela sobreviver, mas o problema é exatamente esse, muitas pessoas acabam prejudicando a planta por intoxicá-la com produtos de mais e não prestarem atenção nos cuidados certos que por sua vez, são mais simples do que aparenta.

Outro erro muito comum é a falta de conhecimento da planta. A compulsão em comprar a planta naquele momento, leva as pessoas a não procurarem informações sobre ela que são essenciais para saber a maneira certa de zelá-la.  Mesmo que você saiba um pouco sobre como cuidá-la, procure se informar sobre ela, pois cada planta tem sua característica única e quanto mais você souber, irá conseguir abrir o horizonte e mantê-la cada vez mais bonita e saudável.
Manter atenção aos sinais que planta oferece também é bastante importante, porque assim você vai conseguir saber como ela está respondendo aos seus cuidados. Então fique sempre atento as cores das folhas, e se ela está em crescimento.

O maior segredo para ter uma linda orquídea é criando um laço com ela. Quando vocês se tornarem íntimos, terá mais detalhes e começará a cuidar com mais prazer e dedicação, tornando isso mais especial. E como retribuição, além de você criar um afeto pelas plantas, vai ter flores lindas no qual poderá apreciar toda manhã.

Bom, vou te contar quais cuidados você deve ter para ter um excelente cultivo de orquídeas. Juntei as melhores dicas e curiosidades de forma simples, mas não se esqueça que não basta você apenas anotar todas essas informações, você precisa de tamanha dedicação e carinho com elas para assim, conseguir o que tanto almeja.


Conhecendo a planta! Quais os elementos que precisamos para cultivar orquídeas?


Quando você começa a entender e conhecer a planta que você tem que cuidar, ela se torna algo simples, então saber quais os elementos que ela precisa e para que serve cada um vai te ajudar a mantê-la mais saudável. Assim você vai saber exatamente onde está o problema e como vai resolvê-lo. A orquídea é uma planta que necessita de 13 tipos de elementos. Alguns são necessários em maior quantidade para seu desenvolvimento enquanto outras não, mas apesar dessa divisão todos eles são importantes. Com essa divisão os nutrientes são divididos em macronutrientes, sendo aqueles que são fundamentais para a planta e os micronutrientes, que são entendidos como vitaminas. Procure manter ela sempre saudável para evitar a utilização de fertilizantes, pois a falta dos nutrientes pode causar a desnutrição gerando dificuldades no desenvolvimento da planta. Abaixo estará descrito todos os elementos necessários para cultivar orquídeas.

Os treze elementos necessários para o cultivo da Orquídea são:

Fósforo
– Ele é um elemento rico em energia que consegue se distribuir bem pela planta. É muito importante para o florescimento e o crescimento da raiz. Quando há falta dele, o primeiro sinal é a cor da planta, em tons verdes e azuis.
Nitrogênio
– O nitrogênio é de extrema importância para o crescimento da planta. Sua deficiência pode causar o amarelamento das folhas até elas caírem. Já o seu excesso, pode prejudicar o florescimento da orquídea.
Potássio
– Esse elemento é importante na produção do açúcar e amido e principalmente no crescimento das raízes. O excesso dele pode ser prejudicial à planta, pois pode gerar deficiência em outros elementos.

Esses três primeiros elementos são os mais essenciais para o desenvolvimento da planta, por isso eles devem ter total atenção. Os outros elementos são:
Boro
– Ele é importante na transportação do açúcar. Se existe a falta de boro na planta, isso resultara no florescimento.
Cálcio
– O cálcio atua na permeabilidade da parede celular.  A carência desse elemento pode levar ao mau crescimento das orquídeas. Alguns sinais que podem ser observados são os tons escuros nas extremidades da planta.
Cobre
– Ele é um elemento com proteínas cheio de elétron no cloroplasto.  A carência dele é fácil de ser identificada através das novas folhas, podendo apresentar manchas, murchando-a e também apresentando uma cor de azul esverdeada.
Cloro
– O cloro é um composto que deve existir para o processo da quebra de moléculas orgânicas da água. A falta dela resultará nas folhas murcharem.
Enxofre
– O enxofre é um elemento com um forte papel na fotossíntese, o metabolismo do oxigênio e também nas proteínas. As raízes podem não se desenvolver adequadamente caso haja carência de enxofre.
Ferro
– É um alimento que ajuda na síntese da clorofila, logo sua deficiente leva a falta da clorofila em suas folhas.
Magnésio
– O magnésio é um elemento muito importante para a produção das proteínas e as clorofilas. A falta dele pode apresentar algumas manchas nas folhas.
Manganês
– Já o Manganês é importante para ativar o metabolismo do nitrogênio. Você consegue identificar a falta dele com manchas amareladas e as bordas na cor verde.
Molibdênio
– Ele é importante no metabolismo do potássio e nitrogênio. A ausência do florescimento é o resultado quando a planta está com deficiência desse elemento.
Zinco
– O zinco é bastante importante para ativar as enzimas. Por sua vez, a carência desse elemento pode resultar em seu florescimento.

Algumas sugestões de substratos para orquídeas:

  1. Fibra de coco;
  2. Pedra britada;
  3. Carvão vegetal;
  4. Esfagno;
  5. Argila expandida;
  6. Caroço de açaí.

domingo, 30 de outubro de 2016

As aparências enganam

Uma combinação de estudos genéticos e ecológicos revela processos evolutivos
MARIA GUIMARÃES | ED. 248 | OUTUBRO 2016
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© BÁRBARA LEAL/UNESP
Partes vegetativas típicas de C. brevipedunculata
Partes vegetativas típicas de C. brevipedunculata

Flores de um vermelho-vivo penduradas às árvores podem premiar a visão de quem passeia pelo Parque Estadual de Ibitipoca, no sudeste de Minas Gerais. São orquídeas de um gênero muito comum até em supermercados. O curioso é que especialistas atentos veem ali algo como bonecos com peças intercambiáveis: folhagens características de uma espécie com flores mais assemelhadas a outra. É sinal de que, apesar de chamativas e por isso sujeitas a serem coletadas para comércio, ainda resta muito a descobrir e compreender sobre essas plantas.

Não é novidade que a natureza misture partes de organismos diferentes, em geral por meio da formação de híbridos. Era essa a expectativa quando a bióloga Bárbara Leal decidiu investigar o enigma durante o mestrado sob orientação do botânico Eduardo Borba, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A partir de identificações anteriores, ela esperava encontrar as orquídeas Cattleya coccinea e C. brevipedunculata, além de híbridos entre as duas. Não foi o que ela encontrou por meio de análises genéticas, e por um motivo simples. Apenas a segunda dessas espécies existe em Ibitipoca e tem uma aparência variável conforme o ambiente, como ela e colegas descrevem em artigo publicado em agosto na revista Botanical Journal of the Linnean Society.

© BÁRBARA LEAL/UNESP
Ibitipoca: partes vegetativas típicas de C. coccinea
Ibitipoca: partes vegetativas típicas de C. coccinea

A proposta de que a presença de plantas com características misturadas das duas espécies poderia ser explicada pela formação de híbridos veio de trabalho coordenado pela botânica Samantha Koehler, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), parte do doutorado da ecóloga Jucelene Rodrigues na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), orientada pela engenheira-agrônoma Elizabeth Veasey.

Ao investigar a delimitação das espécies C. coccinea e C. mantiqueirae, usando dados genéticos, o grupo detectou que a população de Ibitipoca, no município de Lima Duarte, parecia ter maior parentesco com C. brevipedunculata, conforme mostraram em artigo publicado no ano passado na revista Plant Systematics and Evolution. “Vários estudos florísticos mostram que a vegetação dali tem semelhanças com a da serra do Espinhaço”, diz Samantha. Segundo ela, a composição do solo define um ambiente de campo rupestre propício à vegetação do interior do estado. “A distribuição de C. brevipedunculata se expandiu e chegou à Mantiqueira, onde achou um ambiente favorável.” É curioso porque C. coccinea ocorre numa região bem mais próxima, na serra do Mar no Rio de Janeiro. “Em uma hora se chega a Lima Duarte”, conta a botânica. Surgiu daí a sugestão de uma possível zona de hibridação, um processo que pode levar ao surgimento de uma nova espécie (ver Pesquisa FAPESP nº 212), em seguida investigada e refutada por Bárbara.

Versatilidade
 
As catleias vermelhas de Ibitipoca são na verdade da espécie C. brevipedunculata, habitante dos tórridos campos rupestres da serra do Espinhaço. “A espécie era conhecida apenas em ambientes abertos e não havia indícios de que desenvolvesse características similares às da outra espécie quando posta à sombra”, diz Borba. A sombra enriquecida de umidade é o ambiente natural de C. coccinea, da Mata Atlântica. Além da cor, rosa para as orquídeas afeitas ao sol e vermelho para as de floresta, a característica mais marcante para diferenciar as duas espécies é o pseudobulbo, uma estrutura de armazenamento de água que fica na base das folhas. Em C. coccinea eles são alongados e em C. brevipedunculata são esféricos, um formato mais eficaz em situações de escassez hídrica. As plantas que vivem nas áreas mais ensolaradas também têm folhas mais espessas e duras, muitas vezes com uma coloração avermelhada graças a pigmentos que protegem da luz solar, em oposição a folhas longas e flexíveis. Mais uma estratégia de defesa a condições adversas.
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Encontrar uma espécie disfarçada de outra foi uma surpresa que deixa bem claro que se fiar apenas na aparência pode levar a equívocos, uma constatação que pode ser óbvia, mas é com frequência ignorada. “Centenas de híbridos são inferidos apenas com base na morfologia”, afirma Borba. “A lição que se tira é que as diferenças podem ser produto de plasticidade fenotípica.” Ele se refere a características cuja variação é uma resposta às condições ambientais, independentemente da genética. Ibitipoca, na serra da Mantiqueira, é um terreno fértil nesse caso, por seu mosaico de áreas pedregosas com vegetação típica de campos rupestres entremeadas por manchas de floresta densa e úmida de Mata Atlântica.

Para Borba, os resultados chamam a atenção para a necessidade de se expandir os procedimentos de classificação das plantas para além de uma técnica. Não basta estudar as características visíveis, ou fenótipo. Também não basta considerar a distribuição geográfica. Para plantas fica claro que várias fontes de informação, como a genética, a fisiologia e a química, se somam para chegar a uma delimitação melhor das espécies, e o mesmo vale para a maior parte dos organismos.

O que pode ser chamado de taxonomia integrativa está longe de ser uma ideia nova, mas com grande frequência não é o procedimento adotado, como tinha acontecido até agora com as catleias de Ibitipoca. O professor da UFMG alerta para a preocupação com conservação no caso das orquídeas, frequentadoras habituais das listagens de espécies ameaçadas de extinção – seja por destruição de hábitat ou coleta excessiva para o comércio de plantas ornamentais. Ou, ainda, uma soma dos dois fatores. “Uma delimitação mais adequada das populações e das espécies nos permite elaborar planos para conservar e preservar as orquídeas, em bancos de germoplasma ou in situ”, explica.
© CÉLIO HADDAD / UNESP
De sul para norte: manchas amarelas em P. burmeisteri paulista
De sul para norte: manchas amarelas em P. burmeisteri paulista

Encontros e desencontros
 
A situação taxonômica de C. coccinea também está passando por uma análise mais aprofundada, de acordo com Samantha. O estudo de 2015 mostrou uma divergência acentuada entre as populações do Rio de Janeiro, nos municípios de Petrópolis e Nova Friburgo, e uma já no estado de São Paulo, em São José do Barreiro. Pode significar que sejam linhagens já completamente separadas.

Mais ou menos na mesma região, uma perereca verde com manchas amarelas na lateral do corpo e na parte traseira das coxas azuis também parece esconder uma nova espécie, de acordo com a bióloga Tuliana Brunes, atualmente em estágio de pós-doutorado na USP. Análises genéticas feitas durante o doutorado na Universidade do Porto, em Portugal, sugerem que Phyllomedusa burmeisteri é restrita a uma região na serra do Mar do Rio de Janeiro onde se supõe ter havido um refúgio de floresta por volta de 1,3 milhão de anos atrás. “A população dessa área teria se diferenciado dos indivíduos no restante da distribuição”, explica. Ela afirma que são necessários estudos mais aprofundados, tanto do ponto de vista genético como reprodutivo (o canto específico é essencial para que as fêmeas encontrem os machos correspondentes), para confirmar que as pererecas atualmente classificadas como P. burmeisteri em São Paulo, em Minas Gerais, no Espírito Santo e no sul da Bahia na verdade correspondem a uma espécie distinta.
© TULIANA BRUNES/USP
As coxas azuis de P. bahiana
As coxas azuis de P. bahiana

Outro aspecto curioso dessas pererecas, que permite traçar mais um paralelo com as orquídeas, é uma variação no padrão de coloração da parte posterior das coxas entre P. burmeisteri e P. bahiana, duas espécies muito aparentadas, que ocorrem desde São Paulo até Sergipe. A observação tem quase 25 anos, quando os zoólogos José Pombal Jr., do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e Célio Haddad, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, descreveram uma tendência sul-norte nessas pererecas.

As de São Paulo tinham as coxas muito manchadas de amarelo, enquanto as baianas não tinham manchas. Entre as duas pontas da distribuição, uma gradação de intermediários que sugeria uma zona de hibridização no meio do caminho. Por meio de uma amostragem mais extensa e mais intensiva, Tuliana e colegas, Haddad entre eles, agora verificaram que a distribuição do padrão de coloração não respeita os limites das espécies. Ao contrário do que se verificou com as orquídeas, as pererecas de fato formam híbridos, conforme mostra artigo publicado em 2014 na Zoologica Scripta. Tuliana encontrou sinais genéticos de uma hibridação antiga no Espírito Santo, ao sul do rio Doce, e outra atual no sul da Bahia.
O surpreendente foi que essas zonas híbridas não parecem ser responsáveis pela coloração considerada intermediária nas coxas dos animais: o estudo indica que é um padrão comum nas duas espécies.

Mais uma vez, a aparência não ajuda. “Acreditamos que a seleção natural seria responsável, as bolas amarelas serviriam como aviso a predadores de que aquela perereca tem toxinas na pele”, explica. E são muitas toxinas – uma série de substâncias químicas com potencial farmacológico já foram isoladas nesses animais (ver Pesquisa FAPESP nº 133). Uma cobra pode chegar a engolir a perereca e regurgitar o bicho ainda vivo ao sentir as substâncias nefastas na boca. Segundo Tuliana, a coloração fica em uma parte das coxas normalmente escondida, mas as pererecas Phyllomedusa têm um sistema de comunicação visual em que esticam as pernas traseiras e expõem as cores. As vantagens para a sobrevivência explicariam uma tendência para o padrão amarelo tomar conta, uma proposta que ainda requer mais estudos que a corroborem.

Tomando os estudos em conjunto, orquídeas e pererecas estão chamando  a atenção para um aspecto que muitas vezes não recebe atenção em tempos de se sequenciar material genético para organizar animais e plantas em compartimentos: adaptações ao ambiente acontecem com frequência, são essenciais à sobrevivência e não necessariamente dão origem a novas espécies.

Projetos

1.
Sistemática molecular, padrões de diversificação e conservação de orquídeas brasileiras (nº 2006/55121-3); Modalidade Programa Jovem Pesquisador; Pesquisadora responsável Samantha Koehler (Unicamp); Investimento R$ 266.360,99.

2. Filogeografia, genética de populações e delimitação de espécies do complexo Cattleya coccinea (Orquidaceae) (nº 2011/18532-3); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Elizabeth Ann Veasey (USP); Investimento R$ 112.022,18.

3. Biogeografia, filogeografia e diversificação de anuros endêmicos da Mata Atlântica do Brasil (nº 2005/52727-5); Modalidade Programa Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável João Alexandrino (Unifesp); Investimento R$ 307.302,27.

4.Especiação de anfíbios anuros em ambientes de altitude (nº 2008/50928-1); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Célio Haddad (Unesp); Investimento R$ 1.407.985,13.

Artigos científicos
 
LEAL, B. S. S. et al. When hybrids are not hybrids: A case study of a putative hybrid zone between Cattleya coccinea and C. brevipedunculata (Orchidaceae). Botanical Journal of the Linnean Society. v. 181, n. 4, p. 621-39. ago. 2016.

RODRIGUES, J. F. et al. Species delimitation of Cattleya coccinea and C. mantiqueirae (Orchidaceae): Insights from phylogenetic and population genetics analyses. Plant Systematics and Evolution. v. 301, n. 5, p. 1345-59. mai. 2015.

BRUNES, T. O. et al. Species limits, phylogeographic and hybridization patterns in Neotropical leaf frogs (Phyllomedusinae). Zoologica Scripta. v. 43, n. 6, p. 586-604. nov. 2014.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A verdadeira origem das orquídeas

Fóssil de abelha contendo parte da planta revela que sua existência data da época dos dinossauros
Por: Fabíola Bezerra
Publicado em 29/08/2007 | Atualizado em 01/10/2009
Um grande passo foi dado para desvendar a verdadeira história da evolução das orquídeas, que formam a maior de todas as famílias botânicas, com 24 mil espécies espalhadas atualmente pelo mundo. A análise de parte de uma orquídea que estava ligada a um fóssil de abelha encontrado na República Dominicana em 2000 revela que essas complexas plantas surgiram há mais tempo do que imaginavam os biólogos. O estudo, publicado esta semana na revista Nature , indica que as orquídeas podem ter coexistido com os dinossauros.

“Esse foi o primeiro fóssil inequívoco de orquidácea já encontrado”, afirma em entrevista à CH On-line um dos autores do artigo, o biólogo argentino Rodrigo Singer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Singer, que fez parte do estudo junto com pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e da Universidade Leiden, na Holanda, foi um dos responsáveis pela interpretação morfológica, taxonômica e funcional da espécie de orquídea fóssil.

O fóssil encontrado consiste em um polinário, isto é, um pacote de pólen aglutinado, a forma pela qual a maior parte das orquídeas libera seu pólen. Esse polinário está ligado à região dorsal (mesoscutelo) de uma abelha fóssil da espécie extinta Proplebeia dominicana . Ambos estão preservados em âmbar e datam do período Mioceno (entre 20 e 15 milhões de anos atrás).

Fóssil de abelha carregando parte de uma orquídea – o polinário – preservado em âmbar. À direita, é possível ver as unidades de pólen aglutinadas no polinário. (Crédito: Nature ). 

A análise do polinário permitiu inferir alguns atributos morfológicos das flores e a forma como eram visitadas e polinizadas pelos insetos. O fóssil de orquídea foi descrito com o nome científico Meliorchis caribea , pertencente à subtribo Goodyerinae, agrupamento que ainda tem representantes vivos na flora atual.

Singer ressalta que as orquidáceas têm alto grau de especialização. Trata-se do grupo mais diversificado de angiospermas (plantas com flores). Segundo ele, a maior parte das orquídeas apresenta seus órgãos reprodutores masculinos e femininos fusionados em uma estrutura chamada coluna. Além disso, têm uma pétala mediana geralmente maior e mais colorida ou destacada, chamada de labelo, cuja função principal é atrair e direcionar os polinizadores.

A evolução dessa interação entre orquídeas e agentes polinizadores, fundamental para a dispersão das plantas, ainda era desconhecida dos biólogos. A descoberta do fóssil de abelha associado ao polinário de uma orquídea permitiu demonstrar a antiguidade dessa relação. “Desde a época de Darwin, os biólogos evolucionários foram fascinados pelas adaptações da polinização por insetos exibidas pelas orquídeas”, diz Santiago Ramírez, pesquisador do Museu de Zoologia Comparada de Harvard e também autor do artigo.

Segundo Ramírez, a descoberta é de grande importância, pois é muito difícil obter o registro fóssil dessas plantas. Elas não florescem freqüentemente e estão concentradas em áreas tropicais, cuja umidade impede o processo de fossilização. Além disso, seu pólen só é disperso por animais – e não pelo vento – e se desintegra em contato com o ácido usado para extraí-lo das rochas.

A equipe também comparou a idade da orquídea com a de fósseis de outras plantas monocotiledôneas para investigar suas relações evolutivas e montar a árvore filogenética do grupo Orchidaceae. Os resultados indicam que o ancestral comum mais recente das orquídeas existentes viveu no período Cretáceo posterior, entre 84 e 76 milhões de anos atrás. “Devido à complexidade da estrutura morfológica das orquídeas, acreditava-se que elas tinham se desenvolvido mais recentemente, em uma época contemporânea à do homem. Diante da idade desse fóssil, percebemos que as orquídeas surgiram muito antes, no período dos dinossauros”, conta o biólogo.

Segundo os pesquisadores, a família das orquídeas era razoavelmente jovem na época da extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos. Eles acreditam que a grande diversificação das orquídeas tenha ocorrido logo após esse evento de extinção em massa que dizimou muitas das espécies do planeta no período entre o Cretáceo e o Terciário.


Fabíola Bezerra
Ciência Hoje On-line