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sexta-feira, 9 de setembro de 2022

O Ciclo das Rochas

O ciclo das rochas é uma série de processos que criam e transformam os tipos de rochas na crosta terrestre.


Vulcão da Ilha da Reunião

Vulcões ativos como este na Ilha da Reunião – a leste de Madagascar, no Oceano Índico – formam um tipo de rocha ígnea. Rochas ígneas extrusivas ou vulcânicas são formadas quando o material quente derretido esfria e solidifica.

FOTOGRAFIA POR STEVE RAYMER
Vulcões ativos como este na Ilha da Reunião – a leste de Madagascar, no Oceano Índico – formam um tipo de rocha ígnea.  Rochas ígneas extrusivas ou vulcânicas são formadas quando o material quente derretido esfria e solidifica.

Existem três tipos principais de rochas: sedimentares, ígneas e metamórficas. Cada uma dessas rochas é formada por mudanças físicas – como fusão , resfriamento , erosão, compactação ou deformação – que fazem parte do ciclo das rochas .

Rochas Sedimentares

As rochas sedimentares são formadas a partir de pedaços de outra rocha ou material orgânico existente . Existem três tipos diferentes de rochas sedimentares clásticas , orgânicas (biológicas) e químicas . Rochas sedimentares clásticas , como arenito, formam-se a partir de clastos, ou pedaços de outra rocha. Rochas sedimentares orgânicas , como o carvão, formam-se a partir de materiais biológicos duros, como plantas, conchas e ossos que são comprimidos em rocha. 

A formação de rochas clásticas orgânicas começa com o intemperismo , ou quebra, da rocha exposta em pequenos fragmentos. Por meio do processo de erosão , esses fragmentos são removidos de sua fonte e transportados pelo vento, água, gelo ou atividade biológica para um novo local. 

Uma vez que o sedimento se deposita em algum lugar, e uma quantidade suficiente dele se acumula, as camadas mais baixas ficam tão compactadas que formam rocha sólida. Rochas sedimentares químicas como calcário, halita e sílex, se formam a partir de precipitação química . Um precipitado químico é um composto químico – por exemplo, carbonato de cálcio, sal e sílica – que se forma quando a solução em que é dissolvido, geralmente água, evapora e deixa o composto para trás. Isso ocorre à medida que a água viaja pela crosta terrestre, desgastando a rocha e dissolvendo alguns de seus minerais, transportando-a para outro lugar. Esses minerais dissolvidos são precipitados quando a água evapora. Rochas metamórficas Rochas metamórficas são rochas que foram alteradas de sua forma original por imenso calor ou pressão. Rochas metamórficas



têm duas classes: foliadas e não foliadas. Quando uma rocha com minerais planos ou alongados é colocada sob imensa pressão, os minerais se alinham em camadas, criando foliação . A foliação é o alinhamento de minerais alongados ou platiformes, como hornblenda ou mica, perpendicularmente à direção da pressão aplicada. Um exemplo dessa transformação pode ser visto com o granito, uma rocha ígnea . O granito contém minerais longos e platiformes que não estão inicialmente alinhados, mas quando pressão suficiente é adicionada, esses minerais se deslocam para todos os pontos na mesma direção enquanto são espremidos em folhas planas. Quando o granito sofre esse processo, como no limite de uma placa tectônica, ele se transforma em gnaisse (pronuncia-se “nice”).

As rochas não foliadas são formadas da mesma maneira, mas não contêm os minerais que tendem a se alinhar sob pressão e, portanto, não têm a aparência estratificada das rochas foliadas. Rochas sedimentares como carvão betuminoso, calcário e arenito, com calor e pressão suficientes, podem se transformar em rochas metamórficas não foliadas, como carvão antracito, mármore e quartzito. Rochas não foliadas também podem se formar por metamorfismo, que acontece quando o magma entra em contato com a rocha circundante.

Rochas Ígneas
As rochas ígneas (derivadas da palavra latina para fogo) são formadas quando o material quente derretido esfria e solidifica. Rochas ígneas também pode ser feito de duas maneiras diferentes. Quando se formam dentro da terra, são chamadas de rochas ígneas intrusivas ou plutônicas Se eles são formados fora ou no topo da crosta terrestre, eles são chamados de rochas ígneas extrusivas ou vulcânicas .

Granito e diorito são exemplos de rochas intrusivas comuns. Eles têm uma textura grosseira com grandes grãos minerais, indicando que passaram milhares ou milhões de anos se resfriando dentro da terra, um curso de tempo que permitiu o crescimento de grandes cristais minerais.

Alternativamente, rochas como basalto e obsidiana têm grãos muito pequenos e uma textura relativamente fina. Isso acontece porque quando o magma entra em erupção em lava, ele esfria mais rapidamente do que se permanecesse dentro da terra, dando aos cristais menos tempo para se formar. A obsidiana esfria em vidro vulcânico tão rapidamente quando ejetada que os grãos são impossíveis de serem vistos a olho nu.

Rochas ígneas extrusivas também podem ter uma textura vesicular ou “esburacada”. Isso acontece quando o magma ejetado ainda tem gases dentro dele, então, quando esfria, as bolhas de gás ficam presas e acabam dando à rocha uma textura borbulhante. Um exemplo disso seria a pedra-pomes. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2019


Um pouco mais sobre rochas sedimentares


Rochas Sedimentares

Os sedimentos e as rochas sedimentares formadas são produzidos durante os estágios de superfície do ciclo rochas. Essas se formam depois que as rochas formadas no interior da crosta terrestre ficam expostas na superfície devido à tectônica e antes de retornarem a níveis mais profundos, devido ao soterramento.

 Intemperismo e o Ciclo Sedimentar

Intemperismo: é um conjunto de modificações de ordem física (desagregação) e química (decomposição) que as rochas sofrem ao aflorarem na superfície da Terra. O intemperismo físico desagrega as rochas, enquanto o intemperismo químico transforma minerais e rochas em sólidos alterados, soluções e precipitados.

Erosão: A erosão mobiliza as partículas produzidas pelo intemperismo, remoção de detritos. Tipos de erosão: pluvial, fluvial, marinha, eólica, glacial.

Transporte: Carreamento ou remoção dos produtos do intemperismo e da erosão. Movimentos de massa (fluxos gravitacionais), ação da água (chuva e rios), ação do vento, geleiras, ondas, marés, correntes marítimas.

Deposição: Quando as as partículas sedimentares depositam-se, essas partículas formam camadas de sedimentos nos continentes ou no leito marinho. No oceano ou nos ambientes aquáticos continentais, formam-se precipitados químicos que depositam, e conchas de organismos mortos são quebradas e depositadas.

Diagênese: Refere-se às mudanças físicas e químicas incluindo pressão, calor e reações químicas – pelas quais os sedimentos soterrados são litificados e adquirem uma nova identidade como rochas sedimentares.

Origem e Natureza das Rochas Sedimentares

Rochas  clásticas, siliciclásticas

As rochas clásticas são formadas a partir de partículas de fragmentos de rochas fisicamente transportados e produzido pelo intemperismo de rochas preexistentes. Os sedimentos clásticos são acumulações de partículas clásticas. Essas partículas variam em tamanho e forma. A ruptura ao longo de juntas, planos de acamamento e outras fraturas na rocha-matriz determina a forma desde matacão e seixo até areia, silte e argila derivada da rocha matriz.
Os sedimentos clásticos são também chamados de siliciclásticos porque são produzidos pelo intemperismo de rochas compostas predominantemente por silicatos. A mistura de minerais nos sedimentos clásticos varia. Minerais como o quartzo são resistentes ao intemperismo e, assim, são encontrados inalterados nos sedimentos clásticos. Podem existir fragmentos parcialmente alterados de minerais, como o feldspato, que são menos resistentes ao intemperismo e, portanto, menos estáveis.
Além disso, outros minerais dos sedimentos clásticos podem ser neoformados, como os argilominerais. Onde o intemperismo é pouco intenso, muitos minerais que são instáveis em condições superficiais sobrevivem como partículas elásticas.
Figura 01: Esquema Ciclo sedimentar

Rochas químicas / bioquímicas
Os produtos dissolvidos pelo intemperismo são íons ou moléculas em solução nas águas dos solos, rios, lagos e oceanos. Essas substâncias dissolvidas são precipitadas como reações químicas e bioquímicas. Os sedimentos químicos formam-se no ou próximo ao local de deposição, geralmente na água do mar. Os sedimentos bioquímicos constituem-se de minerais não-dissolvidos de restos de organismos, bem como de minerais precipitados pelos processos biológicos.
Figura 02: Formação das Rochas Bioquímicas.

Tipos de Transporte 

Fluxo de baixa viscosidade

Mecanismo de transporte em função da granulometria, densidade e morfometria. Em um fluxo de baixa viscosidade, os grãos pesados tendem a ser transportados mais devagar que os leves. Dividem-se:
A suspensão é o carreamento ou sustentação do grão acima da interface sedimento/fluido (superfície deposicional).
A saltação é a manutenção temporária do grão em suspensão, em trajetória aproximadamente elíptica, entre seu desprendimento inicial e o impacto na interface fluido/sedimento ou entre dois impactos sucessivos.
O arrasto é o deslocamento do grão subparalelo e rente à interface sedimento/fluido, em contato duradouro ou tangencial com esta interface.
O rolamento é a rotação do grão em torno de um eixo, por sobre outros grãos da interface.

Figura 03: Fluxo de baixa viscosidade

Fluxo denso / alta viscosidade

Grande concentração de sedimentos, com maior coesão e atrito. A matéria-prima do transporte gravitacional é uma mistura de fluido (liquido ou gás) e sólido, cujo comportamento não é próprio de nenhum deles. Dividem-se em:
Escorregamento e deslizamento constituem os tipos mais comuns de fluxo gravitacional rúptil, em encostas ou bacias submersas.
Fluxo de lamas e detritos, a interação intergranular que garante o comportamento de fluxo gravitacional é dada pela matriz pelítica. Fluxo laminar devido à alta viscosidade e matriz pelítica sustenta os clastos grosseiros.
Corrente de Turbidez constituem misturas de água com sedimentos que se movem junto ao fundo sedimentar, claramente distintas do corpo de água circundante.
Figura 04: Fluxo de alta viscosidade

Classificação das Rochas Sedimentares
Textura

Textura refere-se ao aspecto físico e ao arranjo dos componentes das rochas sedimentares, no que diz respeito ao tamanho, à forma, à disposição dos grãos ou partículas, tratando-se do aspecto físico da rocha.

Granulometria

O tamanho da partícula é um importante parâmetro da textura das rochas detríticas, porque fornece informações das condições de transporte, seleção e deposição do sedimento. Utiliza-se a escala granulométrica de Wentworth (1922) para sedimentos terrígenos. No caso de calcários, dolomitos e evaporitos, mede-se o tamanho dos cristais. A granulometria reflete a energia hidráulica do ambiente.
Figura 05: Classificação dos sedimentos segundo  de Wentworth (1922), com as denominações das classes dimensionais dos sedimentos clásticos

Seleção 

Significa a redução do tamanho dos grãos ao longo do transporte e uma conseqüente homogeneização granulométrica, formando um sedimento com poucas classes granulométricas.

Maturidade Textural
O grau de seleção, arredondamento e conteúdo de matriz indicam a maturidade textural. Exemplos:
  • Arenito imaturo – pobremente selecionado, grãos angulares, alguma matriz.
  • Arenito maturo – bem selecionado, grãos arredondados, poucas classes granulométricas, não possui matriz.
A maturidade de um sedimento detrítico é uma medida do quanto o sedimento foi intemperizado, transportado e retrabalhado, até atingir o produto final. Para um arenito, o produto final ideal é a areia quartzosa pura.
Exemplos: Relevo íngreme e próximo com erosão rápida = sedimento imaturo
Relevo moderado e plano = sedimento maturo
Figura 06: Estágio de maturidade textural.

Forma, arredondamento e esfericidade das partículas
Forma, arredondamento e esfericidade são feições importantes na compreensão de processos de transporte das partículas clásticas e de suas seleções com suas áreas-fontes. Um fragmento originalmente anguloso pode ter suas arestas suavizadas pela abrasão durante o transporte.
Forma – razões entre os eixos longos, intermediário e curto.
Esfericidade – relação entre a forma do grão e uma esfera.
Arredondamento – Curvatura das arestas do grão. Reflete o tempo/distância do transporte.


Figura 07: Grau de arredondamento e esfericidade dos grãos.

Componentes Deposicionais
Arcabouço, matriz e cimento
O arcabouço corresponde à fração clástica principal (que dá nome a rocha ou deposito) e às frações mais grossas que esta. A matriz corresponde ao material clástico mais fino. Cimento é o  material precipitado (ortoquímico) formado em estagio diagenético (pós-deposicional).

Figura 08: Componentes deposicionais de uma rocha sedimentar.

Porosidade e Permeabilidade
Porosidade é a porcentagem de espaços vazios da rocha, quando comparada com seu volume total. Importante na prospecção de petróleo, gás e água subterrânea.
Porosidade Primária é a origem deposicional e pode ocorrer mais comumente entre as partículas (intergranular).
Fatores que influem na porosidade primária:
  • Porosidade aumenta com a diminuição da granulometria;
  • Porosidade aumenta com o grau de seleção;
  • Porosidade diminui quando aumenta o grau de arredondamento e esfericidade;
  • Porosidade diminui quanto maior a compactação e cimentação;
Porosidade Secundária é o conjunto de espaços que se formamdentro da rocha após a sua consolidação ou litificação.
Permeabilidade de uma rocha é sua capacidade de transmitir fluidos.
Fatores que favorecem a permeabilidade:
  • Permeabilidade aumenta com o aumento da granulometria e grau de seleção;
  • Esfericidade e empacotamento dos grãos.

Classificação  de Rochas Sedimentares

Os processos intempéricos atuam nas rochas gerando vários produtos detríticos ou em solução, os quais, quando transportados e depositados, formam depósitos de lama, areia, cascalho, dentre outros, além de depósitos químicos. Esses sedimentos, ao serem litificados durante a diagênese, darão origem às rochas sedimentares. Se dividem em 4 grupos principais:

1- Rochas terrígenas (clásticas/siliciclásticas) ou detríticas.
São definidas como aqueles em que as partículas clásticas ou detríticas  – fragmentos de rochas e minerais – são originarias de rochas silicicosas preexistentes, formando mais de 50% do sedimento ou da rocha. São também designados como terrígenos, no sentido de terem sua origem na parte terrestre ou continental da crosta.
São constituídas por grãos detríticos (quartzo, feldspatos, argilo-minerais e fragmentos de rocha) que incluem ruditos (psefitos), arenitos (psamitos) e lutitos (pelitos).

Ruditos

São rochas cuja maioria dos seus fragmentos apresentam dimensões acima de 2mm e diferem entre si pelo grau de arredondamento de seus detritos ou clastos. Dividem-se: Conglomerados que são formados por clastos predominantemente arredondados, e Brechas que apresentam clastos angulosos.
Conglomerados e brechas podem, ainda, ser subdivididos em duas categorias texturais do arcabouço, que contudo, mostram conotações genéticas: ortoconglomerados/ortobrechas e paraconglomerados/parabrechas.
Ortoconglomerados e ortobrechas mostram um arcabouço suportado por clastos, ou seja, os fragmentos maiores se tocam. Exibem menos de 15% de matriz, material composto por detritos arenosos que ocupam os interstícios entre os fragmentos maiores, podendo ser ainda cimentado por um agente químico.
Paraconglomerados e parabrechas o arcabouço é sustentado pela matriz, são também chamados de diamictitos e apresentam um arcabouço onde podem coexistir materiais com dimensões acima de areia grossa, com materiais detríticos inferiores, formando 15% ou, às vezes, até 70 a 80% em volume da rocha.

Arredondamento dos seixos é um bom índice do grau de maturidade do conglomerado.
Seixos de abrasão eólica = ventifactos
Faces estriadas = glacial

Tipos de conglomerados
Figura 09: Figura: Paraconglomerado Polimítico, onde o arcabouço é sustentado pela matriz.

Figura 10: Parabrecha, onde o arcabouço é sustentado pela matriz.

Arenitos ou Psamitos
Arenitos siliciclásticos contêm mais de 50% de fragmentos de rochas siliciclásticas com dimensões entre 2mm e 1/15 mm.
Arenitos mostram uma grande variedade de constituintes detríticos, o que se reflete em variações mineralógicas, litológicas e geoquímicas, heranças advindas de suas áreas-fontes ou áreas de proveniências. À parte a influencia do clima e do tipo de transporte, áreas áreas-fontes diversificadas em termos litológicos produzem arenitos poliminerálicos, áreas-fontes, com proveniência de rochas como quartzo-arenitos induzem à formação de novos quartzo-arenitos, reciclando os grãos, principalmente os de quartzo, em vários ciclos de transporte e sedimentação.

Petrologia de arenitos:
  • Mineralogia: minerais detríticos e químicos (cimento).
  • Textura: arredondamento, granulometria, seleção.
  • Estruturas sedimentares: indicam processos deposicionais
  • Estruturas de correntes (hidrodinâmicas).
-Estratificação cruzada
-Marca ondulada
-Marca de sola
-Estratificação gradacional
  • Estruturas deformacionais
Sobrecarga, escape de fluidos, etc.
  • Estruturas biogênicas
Pistas, pegadas e tubos atividade orgânica, icnofósseis
  •  Estruturas químicas
Concreções
Descrição de arenitos mais freqüentes
  1. A) Arenito ortoquartzítico (Qzo-arenitos)
>95% grãos de quartzo
Alto grau de arredondamento, excelente seleção granulométrica
Maturidade textural e mineralógica
Geralmente marinhos – origem multicíclica.
Figura 11: Quartzo-Arenito

  1. B) Arenitos feldspáticos (arcoseanos)
>25%  grãos de feldspatos e placas micas detríticas
Seleção pobre; arredondamento variável
Coloração rósea
Deposição rápida próximo da fonte granítica.
  1. C) Arenito lítico
>25% grãos de fragmentos de rochas (sedimentares/metamórficas/vulcânicas)
Pouca ou nenhuma matriz
  1. D) Wackes (grauvacas)
Arenitos de cor cinza, ricos em matriz argilosa (>10%)
Mal selecionada
Arcabouço: quartzo, feldspatos, fragmentos líticos.
Grãos angulosos com pouca seleção.

Figura 12: Grauvaca

Figura 13: A Mineralogia dos quatros principais grupos de Arenito. Fonte: Para Entender a Terra

Lutitos (Pelitos)

Lutitos ou pelitos, também designados de lamitos,são rochas formadas por misturas de são rochas formadas por misturas de silte (fragmentos entre 1/256 mm e 1/16 mm) e argila (fragmentos menores que 1/256mm).

Tipos 
Argilito – rocha maciça, argila litificada
Folhelho – rocha argilosa com fissilidade
Lamito – silte, argila e areia fina
Siltito – silte litificado
Ritmito – rocha laminada, com alternância silte/argila
Mineralogia: quartzo (silte), argilo-minerais (caolinita, montmorilonita, ilita, clorita), carbonatos, matéria orgânica, óxidos de ferro, pirita, etc.
Figura 14: Amostra de Folhelho.

Figura 15: Amostra de Siltito Verde.

Tipos de pelitos mais comuns:
  1. A) Folhelho: quartzoso, micáceo, clorítico, caoliníco
  2. B) Folhelho carbonoso (folhelho negro): 3 a 15% mat. carbonosa formado em condições anaeróbicas (pirita)
  3. C) Folhelho silicoso
  4. D) Folhelho calcítico / carbonático
Rochas Carbonáticas
Sedimentos carbónaticos são constituídos predominantemente por carbonato de cálcio na forma de calcita e aragonita; podem apresentar impurezas como argilas, fragmentos de rochas, quartzo, feldaspato etc.
A aragonita é abundante em sedimentos carbonáticos marinhos recentes, podendo ainda compor esqueletos de animais marinhos.
Calcários e dolomitos, assim como os membros intermediários, os calcários dolomíticos e dolimíticos calcíticos, constituem a maior parte das rochas sedimentares não terrígenas, sendo constituídos pelos minerais calcita e dolomita.

Mineralogia

Calcita / Aragonita (CaCO3)

→ precipitação direta

Aragonita → Calcita

Transformações diagenéticas
Mudança sistema cristalino – neomorfismo

Dolomita – CaMg(CO3)2

Gerada por substituição diagenética: entrada de fluidos Mg+2
Dolomito com presença de pseudofóssil

Siderita (FeCO3) e anquerita Ca(Mg,Fe)(CO3)2
→carbonatos em sedimentos ferríferos.

Magnesita (MgCO3)

Sílica → calcedônia (quartzo microcristalino)
→ quartzo, feldspatos autigênicos
→  argilo-minerais: ilita, glauconita

Sulfatos → gipsita e anidrita (CaSO4)
Fosfatos → colofano: fragmentos fosfáticos
Sulfetos → pirita, blenda (Zn), galena (Pb)
Óxidos → hematita

Classificação químico-mineralógica
Figura 16: Diagrama triangular para classificação composicional de rochas carbonáticas cálcio-magnesianas. Fonte: Texeira et. al , 2003. Decifrando a Terra.

Componentes principais das rochas carbonáticas

Aloquímicos

Oólitos (2 mm), com estrutura interna
Bioclastos (fósseis) – materiais esqueletais, algas, foraminíferos, corais, braquiópodes, etc.
Intraclastos – fragmentos de sedimentos carbonáticos
Pellets – partículas pequenas (até 0,1mm), ovóides, sem estrutura interna

Ortoquímicos

Micrito – calcita microcristalina típica de calcários afaníticos (calcilutitos)
Águas tranqüilas – vasa / lama calcária matriz deposicional ou singenética
Calcita espática – calcita cristalina grosseira (0,02 a 0,1 mm), com limites entre cristais. Ocorre como cimento, que preenche espaços porosos e interstícios entre oólitos, fósseis, intraclastos e pellets.

Estrutura dos carbonatos

Calcários clásticos
Estratificações e laminações cruzadas, marcas onduladas

Estruturas de crescimento
Biohermas → edifícios preservados com estruturas de crescimento. Ex: estromatólitos
Edifícios bioconstruídos →   organismos (corais e algas vermelhas) formadores que deixaram carapaças. Recife
Edifícios bioinduzidos →  construções calcárias (fosfáticas) formadas pelo metabolismo fotossintetizante de cianobactérias

Estruturas químicas (pós-deposicionais)
Nódulos, estilólitos, cone em cone.

Classificação das rochas carbonáticas

Calcários aloquímicos espáticos  →  (intraclastos, oólitos, fósseis, pellets) + calcita espática. Rocha bem selecionada

Calcários aloquímicos microcristalinos →  componentes aloquímicos com matriz de lama calcária (micrito).

Calcários microcristalinos →  consistem apenas de vasa microcristalina (micrito).

Texturas e nomenclatura de calcários

Componentes aloquímicos

Oólitos (< 2mm) e pisólitos (>2mm): fragmentos esferoidais, com estrutura concêntrica e núcleo.

Bioclastos (fósseis): restos orgânicos fragmentados (algas, foraminíferos, esponjas, corais, etc.).

Intraclastos: fragmentos líticos calcários. Pellets: partículas pequenas (até 0,1mm), ovóides, calcíticas, sem estrutura interna.

Componentes ortoquímicos

calcita microcristalina < 0,050mm

Calcita espática (0,02 a 0,1mm)

Figura 17: Quadro de classificação de rochas calcárias, baseado no tipo de grão e de carbonato intersticial.
Evaporitos (Rochas Evaporíticas)
Conceito: são rochas formadas pela evaporação de uma massa de água ou da água contida nos sedimentos.
Sais contidos na água do mar (média)
Cl- 19.400 ppm            Ca++ 410 ppm
Na+ 10.500 ppm           K+ 390 ppm
SO4 — 2.600 ppm         SiO2 2 ppm
Mg+1 1.300 ppm
 Princípios fundamentais
1 – As fácies obedecem uma ordem de precipitação: os menos solúveis primeiro
CARBONATOS → SULFATOS → CLORETOS
Anidrita                Halita, Silvita,
Gipsita                 Carnalita, Taquidrita
2 – Uma bacia evaporítica sempre sofre refluxo, controlado pelo abaixamento e levantamento do nível do mar.
3 – Fatores complicadores da seqüência ideal:
Grande número de elementos traços no resíduo de água do mar → mineralogia complexa.
Reações pós-deposicionais entre os sais precipitados e águas conatas trapeadas.
Influxo e refluxo (retorno de salmouras para o mar aberto e não precipitando a seqüência de topo).
OBS – Evaporitos constituem importante fonte mineral para a indústria química. São desconhecidos no Pré-Cambriano, provavelmente devido a fragilidade e dificuldade de preservação.
Evaporitos constituem fonte de: sal (Na,Cl) gipsita, anidrita; enxofre nativo; K, Mg, Br, I, Rb, Sr. Gipsita deposita diretamente da água do mar (CaSO4.2H2O), mas a anidrita é o mais comum mineral em sedimentos evaporíticos.
Assim, acredita-se que gipsita é primário e anidrita (secundário → desidratação pós deposicional).
Anidrita CaSO4; Halita NaCl; Carnalita KMgCl3.6H2O; Silvita KCl; Taquidrita Ca0,5MgCl3.6H2O
Rochas sedimentares ricas em ferro
jaspilitos e formação ferrífera bandada (bif)
Minerais (Fe) – principais minerais com ferro e ocorrência
Magnetita (Fe3O4) – rochas ígneas, metamórficas
Hematita (Fe2O3) – rochas sedimentares (itabiritos)
Goethita (FeO.OH) – produto do intemperismo (lateritas)
Siderita (FeCO3) – formações ferríferas
Pirita (FeS2) – ocorrência variada
Chamosita (Mg,Fe)3 Fe3 (AlSi3) O10 (OH)6 – formação ferrífera, ironstone
Jaspilito
 Classificação dos depósitos de ferro
1 – Magmáticos (Kiruna – Suécia)
2 – Pirometassomáticos (Iron Springs – E.U.A.)
3 – Depósitos sedimentares (2 tipos principais):
Formações ferríferas (BIF) com itabiritos + hematita
Ex: Lago Superior (EUA) Hamersley (Austrália) Labrador (Canadá) Transvaal (África do Sul) Krivoi Rog (URSS) Q. Ferrífero, Serra dos Carajás (Brasil).
Ironstone: oólitos de limonita, hematita ou chamosita em matriz ferruginosa. Idade: Fanerozóico.
Ciclo sedimentar do ferro: Fonte, transporte e deposição.
Fonte: erosão continental
Atividade vulcânica (exalações submarinas)
Transporte:
Como atividade hidrotermal: Cl-, SO4 –, CO3–
Em solução: lixiviação do FeII nos minerais e transporte em solução por águas subterrâneas neutras a ácidas (pH
Em suspensão: transporte mecânico como finas partículas adsorvido em argilominerais.
Deposição: depende do Eh, pH, do ambiente de sedimentação e de possíveis alterações diagenéticas.
Tipos de depósitos de ferro sedimentar
Formação ferrífera (BIF) sedimento químico, bandado ou laminado, contendo no mínimo 15% de ferro de origem sedimentar, com camadas de chert.

Tipos 
ALGOMA → associado a rochas vulcânicas, em “greenstone belts”
SUPERIOR → associado a rochas sedimentares (Prot. Inf.)
Itabirito é a fácies óxido de uma formação ferrífera bandada metamorfizada.
Jaspilito é o sedimento original, não metamórfico.
Gênese controvertida:
  1. A) Fonte do ferro
Erosão do continente
Vulcanismo submarino
“Up-welling” de águas do mar
  1. B) Fonte da sílica vulcanismo ácido
Erosão do continente = clima diferente
Vulcanismo ácido
Atividade biológica c/ sílica de origem vulcânica
  1. C) Estrutura bandada
Precipitação conjunta de hidróxido de ferro e sílica da água do mar (bandamento é diagenético).
Precipitação alternada de sílica e ferro a partir de emanações vulcânicas.
Variação sazonal de sílica e ferro.
Substituição diagenética de calcários.
Ironstones→ minério de ferro oolítico.
Camadas intercaladas em folhelhos, arenitos e calcários, com hematita – chamosita – siderita e textura oolítica.
TIPOS:
Clinton (Siluriano – EUA)
Minete (Mesozóico – Europa, principalmente na Inglaterra)
Sedimentos Silicosos
Existem três principais:
Diatomitos
Porcelanitos
Silexitos / chert
Diatomitos → Acumulação de carapaças de diatomáceas (algas).
Organismos planctônicos de mares de águas frias / lagos de água doce. Idade: Mesozóico → Recente.
Porcelanitos → Mistura de argila com sílica (opala) cor cinza/ preto, com matéria orgânica. Rocha porosa, leve, com textura de porcelana vitrificada. Formada por acumulação de vasas de radiolários /diatomáceas e intercalada com folhelhos e margas.
Silexito (chert) → quartzo micro a criptocristalino com rara impureza de argilominerais,
calcita, hematita, que não ultrapassam 10%.
Ocorrência: concreções em calcários / arenitos; interestratificada com folhelhos e margas.

Origem do sílex / chert

1) Precipitação química [1] origem singenética / química sílica coloidal precipita em pH ácido;

2) Bioquímica → origem singenética bioquímica, com acumulação de carapaças silicosas de diatomáceas e radiolários;

3) Silicificação diagenética (pós – deposicional) → migração de fluidos silicosos diagenéticos.
Ex: dissolução do quartzo detrítico em pH alcalino; sílica dissolvida no fluido diagenético; precipitação na forma de sílica coloidal em pH ácido.

Referências 

GIANNINI, P.C.F. & RICCOMINI, C. Sedimentos e processos sedimentares. In: TEIXEIRA, W.; FAIRCHILD, T.R.; TOLEDO, M.C.; TAIOLI, F. ed. Decifrando a Terra (capítulo 9). São Paulo, Oficina de Textos. 2000.

PRESS, F.; SIEVER, R.; GROTZINGER, J.; JORDAN, T. H. Para entender a Terra. 4. ed. Bookman. Porto Alegre: , 2006. SGARBI, G.N.C,  Rochas Sedimentares. In: Petrografia macroscópica das rochas Ìgneas, sedimentares e metamórficas. Sgarbi, G.N.C (Organizador). Editora da UFMG,pg. 273-446.2007.

UHLEIN. A. et. al. Apostila de Sedimentologia e Petrologia Sedimentar. UFMG

sexta-feira, 1 de março de 2019

The Geology of Mount Everest

The History of the World's Tallest Mountain

Mountain

The sedimentary and metamorphic rock layers on Mount Everest gently tilt northward while granite basement rocks are found on Nuptse and below the mountain. Pavel Novak/Wikimedia Commons
The Himalayan range, topped by 29,035-foot Mount Everest, the tallest mountain in the world, is one of the largest and most distinct geographic features on the earth's surface. The range, running northwest to southeast, stretches 1,400 miles; varies between 140 miles and 200 miles wide; crosses or abuts five different countries—India, Nepal, Pakistan, Bhutan, and the People's Republic of China; is the mother of three major rivers—the Indus, Ganges, and Tsampo-Bramhaputra; and boasts over 100 mountains that exceed 23,600 feet.

Formation of the Himalayas

Geologically speaking, the Himalayas and Mount Everest are relatively young. They began forming over 65 million years ago when two of the earth's great crustal plates—the Eurasian plate and the Indo-Australian plate—collided. The Indian subcontinent moved northeastward, crashing into Asia, folding and pushing the plate boundaries until the Himalayas were eventually over five miles tall. The Indian plate, moving forward about 1.7 inches per year, is being slowly pushed under or subducted by the Eurasian plate, which obstinately refuses to move. As a result, the Himalayas and the Tibetan Plateau continue to rise about 5 to 10 millimeters each year. Geologists estimate that India will continue moving northward for almost a thousand miles over the next 10 million years.

Peak Formation and Fossils

As two crustal plates collide, heavier rock is pushed back down into the earth's mantle at the point of contact. Meanwhile, lighter rock such as limestone and sandstone is pushed upward to form the towering mountains. At the tops of the highest peaks, like that of Mount Everest, it is possible to find 400-million-year-old fossils of sea creatures and shells that were deposited at the bottom of shallow tropical seas. Now the fossils are exposed at the roof of the world, over 25,000 feet above sea level.

Marine Limestone

The peak of Mount Everest is made up of rock that was once submerged beneath the Tethys Sea, an open waterway that existed between the Indian subcontinent and Asia over 400 million years ago. For the great nature writer John McPhee, this is the most significant fact about the mountain:
When the climbers in 1953 planted their flags on the highest mountain, they set them in snow over the skeletons of creatures that had lived in the warm clear ocean that India, moving north, blanked out. Possibly as much as twenty thousand feet below the seafloor, the skeletal remains had turned into rock. This one fact is a treatise in itself on the movements of the surface of the earth. If by some fiat I had to restrict all this writing to one sentence, this is the one I would choose: The summit of Mt. Everest is marine limestone.

Sedimentary Layers

The sedimentary rock layers found on Mount Everest include limestone, marble, shale, and pelite; below them are older rocks including granite, pegmatite intrusions, and gneiss, a metamorphic rock. The upper formations on Mount Everest and neighboring Lhotse are filled with marine fossils.

Main Rock Formations

Mount Everest is composed of three distinct rock formations. From the mountain base to the summit, they are: the Rongbuk Formation; the North Col Formation; and the Qomolangma Formation. These rock units are separated by low-angle faults, forcing each one over the next in a zigzag pattern.
The Rongbuk Formation includes the basement rocks below Mount Everest. The metamorphic rock includes schist and gneiss, a finely banded rock. Intruded between these old rock beds are great sills of granite and pegmatite dikes where molten magma flowed into cracks and solidified.

The complex North Col Formation, which begins about 4.3 miles up the mountain, is divided into several distinct sections. The upper section is the famous Yellow Band, a yellow-brown rock band of marble, phyllite with muscovite and biotite, and semischist, a slightly metamorphosed sedimentary rock. The band also contains fossils of crinoid ossicles, marine organisms with skeletons. Below the Yellow Band are alternating layers of marble, schist, and phyllite. The lower section is composed of various schists made of metamorphosed limestone, sandstone, and mudstone. At the bottom of the formation is the Lhotse detachment, a thrust fault that divides the North Col Formation from the underlying Rongbuk Formation.

The Qomolangma Formation, the highest section of rock on the summit pyramid of Mount Everest, is made of layers of Ordovician-age limestone, recrystallized dolomite, siltstone, and laminae. The formation starts about 5.3 miles up the mountain at a fault zone above the North Col Formation, and ends at the summit. The upper layers have many marine fossils, including trilobites, crinoids, and ostracods. One 150-foot layer at the bottom of the summit pyramid contains the remains of microorganisms, including cyanobacteria deposited in shallow warm water.