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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Cinco perguntas sobre o zika vírus

Para pesquisadores brasileiros, respostas mais conclusivas deverão ser dadas dentro de alguns anos.
Cinco perguntas sobre o zika vírus
No Brasil, o principal transmissor do zika é o 'Aedes aegypti'. Mas há casos de outras vias de transmissão, inclusive sexual. O diagnóstico é problemático; sintomas lembram os da dengue e do chikungunya. (foto:James Gathany/Flickr CC BY-NC-ND 2.0)
Zika, microcefalia, Guillain-Barré. Se essas palavras não faziam parte do vocabulário dos brasileiros, recentemente tornaram-se recorrentes nos noticiários e nas redes sociais. Nos últimos dias, muito se alardeou sobre as relações entre a infecção pelo zika vírus e suas complicações, notadamente a síndrome de Guillain-Barré e, em mulheres grávidas, a gestação de bebês com microcefalia. O que a ciência diz sobre isso? Por enquanto, há mais perguntas que respostas. Para dois pesquisadores ouvidos pela CH Online, além tomar as medidas preventivas cabíveis, é preciso ter paciência.

1) Como o zika vírus chegou ao Brasil?
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, uma das hipóteses é que o vírus tenha começado a circular no país por meio de turistas estrangeiros durante a Copa do Mundo de 2014. Outra é que o vírus tenha chegado durante o Campeonato Mundial de Canoa Polinésia, ocorrido em agosto do ano passado no Rio de Janeiro. O evento contou com a participação de diversos atletas da Polinésia Francesa, região da Oceania que viveu um surto recente de zika.
O vírus foi identificado pela primeira vez no Brasil no fim de abril de 2015 e a análise de amostras de sangue de pacientes de Camaçari (BA), publicada em outubro na revista Emerging Infectious Diseases, revelou a semelhança da cepa com a encontrada na Polinésia Francesa, o que reforça a segunda hipótese. Além disso, pesquisas da Fiocruz com o líquido amniótico de duas gestantes na Paraíba detectaram o genótipo asiático do vírus – o outro genótipo conhecido é o africano.

2) Há pesquisas em andamento sobre este vírus no país?
Diversas instituições de pesquisa brasileiras tentam desvendar desde a interação do zika vírus com o Aedes aegypti e com o organismo humano até as complicações neurológicas associadas à doença. “Está todo mundo trabalhando em busca de explicações. São muitas perguntas a serem respondidas”, diz o infectologista Kleber Luz, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, um dos estados mais afetados pelo surto. Ele faz parte de uma equipe de especialistas que tentam entender melhor a correlação do vírus com a microcefalia. “Vamos analisar materiais recolhidos de crianças que morreram após nascer com microcefalia”, detalha Luz. Além de uma recém-nascida cearense, o Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira passada (30/11) que investiga seis mortes por suspeita de microcefalia causada pelo zika vírus.
“Esperamos compreender sua biologia e criar ferramentas rápidas de detecção dentro de um ou dois anos”
Outra proposta de estudo é liderada pelo virologista Rafael Franca, do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco. O projeto, financiado por um convênio entre Reino Unido e Brasil, é desenvolvido em parceria com o Center of Virus Research da Universidade de Glasgow (Escócia) e conta com a colaboração da Universidade de São Paulo. “Cada centro vai abordar um aspecto, do desenvolvimento de novas ferramentas de análise e técnicas moleculares à criação de métodos de detecção de vírus e testes sorológicos, já que ainda não existe um kit específico para seu diagnóstico”, explica Franca. Entre os planos está o desenvolvimento de modelos animais para compreender a interação do vírus com os organismos e testar alternativas terapêuticas. “A gente tem o vírus isolado no laboratório e pode usá-lo para infectar neurônios cultivados em laboratório e tentar entender a ação do zika”, diz o pesquisador, que analisa o vírus desde as primeiras notificações de contágio no Brasil. “Esperamos compreender sua biologia e criar ferramentas rápidas de detecção dentro de um ou dois anos”, prevê.
Macaco Rhesus e o zika vírus
O zika vírus foi isolado pela primeira vez em um macaco Rhesus ('Macaca mulatta') que vivia na floresta de Zika, em Uganda, em 1947. Na década de 1960, o contágio por humanos se espalhou pela África e pela Ásia. Entretanto, a literatura sobre o vírus ainda é escassa. (foto: J.M.Garg/Wikimedia)
3) O que já se sabe sobre a relação entre o zika vírus e a microcefalia e por que essa relação não foi descoberta em surtos anteriores?
Até o momento, o que se sabe é que a presença do vírus está relacionada ao aumento de casos de microcefalia. “Algumas perguntas já começaram a ser respondidas, mas só teremos respostas mais consolidadas em dois ou três anos”, acredita Luz. A princípio, o período crítico para o desenvolvimento da doença é o contágio no primeiro trimestre da gravidez, mas a recomendação do Ministério da Saúde é adotar medidas preventivas durante toda a gestação, uma vez que ainda não se sabe exatamente como o zika atua no organismo.
“Algumas perguntas já começaram a ser respondidas, mas só teremos respostas mais consolidadas em dois ou três anos”
“No primeiro trimestre, o vírus pode cruzar a barreira placentária e infectar o feto em um momento crucial”, explica Franca. “Toda a maquinaria celular que deveria estar trabalhando para o desenvolvimento do das células do feto é subvertida pelo vírus para produzir partículas virais, ocasionando por exemplo um desenvolvimento deficiente das células neuronais, o que pode estar por trás dos casos de malformação dos bebês”, analisa o virologista.
Complicações graves associadas ao vírus zika foram registradas pela primeira vez em 2013, durante um surto na Polinésia Francesa com mais de 10 mil casos diagnosticados. Foram detectados cerca de 70 pacientes com problemas neurológicos (síndrome de Guillain-Barré e meningoencefalite) ou doenças autoimunes (leucopenia e púrpura trombocitopênica). Um relatório divulgado no dia 26 de novembro deste ano revelou que pelo menos 17 casos de fetos e recém-nascidos com má-formação do sistema nervoso central foram registrados após a epidemia. “É preciso considerar que na Polinésia o aborto é permitido e geralmente a gravidez é interrompida caso uma má-formação seja detectada durante o pré-natal. A pergunta que precisa ser feita é se aumentou o número de abortos nesse período”, acredita Luz.

4) Existe risco de transmissão para o feto no caso de mulheres que foram infectadas pelo vírus antes da gravidez?
Como não sabemos exatamente como o vírus age no organismo, os pesquisadores ainda buscam uma resposta precisa para esta pergunta. “O ideal é que a mulher infectada pela doença e que queira engravidar espere um pouco, até que a medicina conheça melhor a doença”, afirma Luz. “Tudo leva a crer que o período virêmico (tempo de circulação do vírus pelo organismo) é de dez dias, mas esperar alguns meses provavelmente é mais seguro”, completa Franca.
“O ideal é que a mulher infectada pela doença e que queira engravidar espere um pouco, até que a medicina conheça melhor a doença”
Entretanto, o pesquisador ressalta que ainda não se sabe se a pessoa se torna imune após a infecção ou se pode haver complicações em contágios futuros. “Como só existe uma cepa em circulação no país, é possível que ela fique protegida pelos anticorpos que o corpo desenvolve”, acredita. “No caso da dengue, por exemplo, a infecção por um tipo de vírus torna a pessoa imune àquele tipo, mas pode piorar infecções por outros tipos, levando a complicações mais graves”, lembra o infectologista.

5) É possível desenvolver uma vacina contra o zika vírus?
A imunização contra o zika vírus, em tese, seria mais simples do que ocorre com o vírus da dengue, que demanda o desenvolvimento de uma vacina tetravalente contra os quatro sorotipos em circulação no país. “Como a zika não tem sorotipos documentados, acreditamos que uma vacina monovalente contra a cepa padrão, que é a asiática, seja eficiente”, pondera Franca. “De qualquer forma, essa vacina levaria anos para chegar à população, pois o processo é demorado e inclui diversas fases de testes de segurança. Além disso, precisamos entender se uma eventual vacina contra a dengue prejudicaria a imunização contra o zika”.

Simone Evangelista
Especial para a CH Online

quinta-feira, 3 de março de 2016

Pesquisadores criam método que permite detectar Zika em sangue de transfusão

Hemocentro de São Paulo usará teste desenvolvido com apoio da FAPESP para triar bolsas destinadas a gestantes e a transfusões intrauterinas 

KARINA TOLEDO | Edição Online 0:43 6 de fevereiro de 2016

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Sangue destinado a gestantes deverá ser testado
Sangue destinado a gestantes deverá ser testado
Agência FAPESP

Um método para detectar a presença do vírus Zika no sangue usado em transfusões foi desenvolvido no âmbito de um projeto apoiado pela FAPESP e coordenado por José Eduardo Levi, chefe do Departamento de Biologia Molecular da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo – instituição ligada à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

De acordo com o pesquisador, inicialmente, a metodologia seria indicada apenas para a triagem de bolsas de sangue destinadas a gestantes ou a transfusões intrauterinas (nas quais o sangue é transfundido diretamente no feto). A iniciativa é medida de precaução, já que não existe confirmação de que a transmissão transfusional do vírus represente risco ao feto.
“No caso do Zika, a grande preocupação é com grávidas e fetos. Achamos que não seria boa ideia, nesses casos, usar sangue com risco de ter o vírus. Nossa proposta foi fazer um teste para ser usado em um pequeno número de bolsas de sangue – 0,16% do estoque do banco de sangue – destinado a esse público-alvo. Pretendemos começar a aplicar o teste no Hemocentro de São Paulo logo após o Carnaval”, afirmou.

Desde o início da epidemia de Zika no Brasil, em 2015, pelo menos dois casos de transmissão por meio de transfusão sanguínea foram confirmados no Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo.

Em relação à dengue, já é conhecida a possibilidade de ocorrer transmissão transfusional. Segundo Levi, estima-se que até 1% dos doadores de sangue – nos períodos de pico epidêmico – sejam positivos para o vírus da dengue no momento da doação, mas não é feita nenhum tipo de triagem laboratorial.
“Isso nunca foi considerado um problema, pois, na maioria das vezes, o receptor do sangue nem sequer chega a desenvolver a doença. No Brasil, nunca foi detectado um caso grave de dengue transfusional. Esse primeiro receptor contaminado com Zika em Campinas também não apresentou sintomas da doença, embora tenha sido confirmada a presença do vírus em seu sangue (o segundo paciente morreu em decorrência dos ferimentos por arma de fogo que levaram à necessidade de transfusão). De maneira geral, ainda não há evidências de que o vírus Zika seja algo problemático do ponto de vista transfusional, com exceção das grávidas”, explicou o pesquisador. “Não temos evidência, por exemplo, de que o Zika adquirido pela via transfusional possa causar microcefalia, mas acreditamos que exista uma alta probabilidade de que isso ocorra.”

Levi também é professor do Instituto de Medicina Tropical da USP e integra a chamada Rede Zika – grupo articulado de maneira emergencial no último mês de dezembro, sob a coordenação do professor Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, para tratar de questões relacionadas à epidemia de Zika e aos crescentes casos de microcefalia associados.
“Já estava em andamento um projeto, apoiado pela FAPESP, dedicado à prevenção da transmissão transfusional da malária no Estado de São Paulo. Em dezembro, solicitamos um recurso adicional que foi usado no desenvolvimento do teste para detectar o vírus Zika”, contou Levi.

A metodologia alia um método de biologia molecular conhecido como PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real a protocolos desenvolvidos no Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para detecção do vírus Zika.

“O protocolo do CDC sugere alguns reagentes específicos, primers e sondas, já testados e aprovados para detecção do vírus Zika usando PCR em tempo real. Fizemos algumas adaptações nesse protocolo aqui no Hemocentro de São Paulo”, contou.
A validação do método foi feita com controles positivos (isolados do vírus cultivados em laboratório que servem para confirmar se o que está sendo detectado é de fato o vírus Zika) fornecidos por pesquisadores da Rede Zika.

“Depois validamos também no plasma do receptor contaminado por transfusão – gentilmente cedido pelo dr. Marcelo Addas, do Hemocentro da Unicamp. Como obtivemos sucesso, já distribuímos o método para a Rede Zika, para quem quiser usar”, contou Levi.

Diante da falta de evidências sobre a importância de triar todo o sangue doado para a presença do vírus Zika, avaliou Levi, não h

“Estamos observando atentamente a evolução dos casos e, se forem surgindo evidências de que isso é necessário, vamos batalhar para obter mais recursos. Por enquanto o que entendemos prudente é triar apenas essa pequena parcela”, avaliou.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Pesquisadores criam método que permite detectar Zika em sangue de transfusão

05 de fevereiro de 2016

Karina Toledo | Agência FAPESP – Um método para detectar a presença do vírus Zika no sangue usado em transfusões foi desenvolvido no âmbito de um projeto apoiado pela FAPESP e coordenado por José Eduardo Levi, chefe do Departamento de Biologia Molecular da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo – instituição ligada à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

De acordo com o pesquisador, inicialmente, a metodologia seria indicada apenas para a triagem de bolsas de sangue destinadas a gestantes ou a transfusões intrauterinas (nas quais o sangue é transfundido diretamente no feto). A iniciativa é medida de precaução, já que não existe confirmação de que a transmissão transfusional do vírus represente risco ao feto.

“No caso do Zika, a grande preocupação é com grávidas e fetos. Achamos que não seria boa ideia, nesses casos, usar sangue com risco de ter o vírus. Nossa proposta foi fazer um teste para ser usado em um pequeno número de bolsas de sangue – 0,16% do estoque do banco de sangue – destinado a esse público-alvo. Pretendemos começar a aplicar o teste no Hemocentro de São Paulo logo após o Carnaval”, afirmou.
Desde o início da epidemia de Zika no Brasil, em 2015, pelo menos dois casos de transmissão por meio de transfusão sanguínea foram confirmados no Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo.
Em relação à dengue, já é conhecida a possibilidade de ocorrer transmissão transfusional. Segundo Levi, estima-se que até 1% dos doadores de sangue – nos períodos de pico epidêmico – sejam positivos para o vírus da dengue no momento da doação, mas não é feita nenhum tipo de triagem laboratorial.
“Isso nunca foi considerado um problema, pois, na maioria das vezes, o receptor do sangue nem sequer chega a desenvolver a doença. No Brasil, nunca foi detectado um caso grave de dengue transfusional. Esse primeiro receptor contaminado com Zika em Campinas também não apresentou sintomas da doença, embora tenha sido confirmada a presença do vírus em seu sangue (o segundo paciente morreu em decorrência dos ferimentos por arma de fogo que levaram à necessidade de transfusão).

De maneira geral, ainda não há evidências de que o vírus Zika seja algo problemático do ponto de vista transfusional, com exceção das grávidas”, explicou o pesquisador. "Não temos evidência, por exemplo, de que o Zika adquirido pela via transfusional possa causar microcefalia, mas acreditamos que exista uma alta probabilidade de que isso ocorra."
Levi também é professor do Instituto de Medicina Tropical da USP e integra a chamada Rede Zika – grupo articulado de maneira emergencial no último mês de dezembro, sob a coordenação do professor Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, para tratar de questões relacionadas à epidemia de Zika e aos crescentes casos de microcefalia associados.
“Já estava em andamento um projeto, apoiado pela FAPESP, dedicado à prevenção da transmissão transfusional da malária no Estado de São Paulo. Em dezembro, solicitamos um recurso adicional que foi usado no desenvolvimento do teste para detectar o vírus Zika”, contou Levi.
A metodologia alia um método de biologia molecular conhecido como PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real a protocolos desenvolvidos no Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para detecção do vírus Zika.

“O protocolo do CDC sugere alguns reagentes específicos, primers e sondas, já testados e aprovados para detecção do vírus Zika usando PCR em tempo real. Fizemos algumas adaptações nesse protocolo aqui no Hemocentro de São Paulo”, contou.
A validação do método foi feita com controles positivos (isolados do vírus cultivados em laboratório que servem para confirmar se o que está sendo detectado é de fato o vírus Zika) fornecidos por pesquisadores da Rede Zika.

“Depois validamos também no plasma do receptor contaminado por transfusão – gentilmente cedido pelo dr. Marcelo Addas, do Hemocentro da Unicamp. Como obtivemos sucesso, já distribuímos o método para a Rede Zika, para quem quiser usar”, contou Levi.

Diante da falta de evidências sobre a importância de triar todo o sangue doado para a presença do vírus Zika, avaliou Levi, não haveria possibilidade e/ou necessidade de incluir o teste na rotina de todos os bancos de sangue do país.
“Estamos observando atentamente a evolução dos casos e, se forem surgindo evidências de que isso é necessário, vamos batalhar para obter mais recursos. Por enquanto o que entendemos prudente é triar apenas essa pequena parcela”, avaliou.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O que é Febre Zika?

Sinônimos: zika vírus
Febre Zika é uma infecção causada pelo vírus ZIKV, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue da febre chikungunya. O vírus Zika teve sua primeira aparição registrada em 1947, quando foi encontrado em macacos da Floresta Zika, em Uganda. Entretanto, somente em 1954 os primeiros seres humanos foram contaminados, na Nigéria. O vírus Zika atingiu a Oceania em 2007 e a França no ano de 2013. O Brasil notificou os primeiros casos de vírus Zika em 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia.
Apesar de a doença ter chegado ao Brasil, ela não é uma preocupação tão grande quanto a dengue, uma vez que seus sintomas são brandos e duram pouco tempo. Os maiores incômodos são febre é baixa, coceira e comichão na pele, além de manchas avermelhadas. É necessário, contudo, ficar atento com as contaminações combinadas – dengue, febre chikungunya e Zika vírus – uma vez que os efeitos dessas infecções em conjunto ainda não são conhecidos.

Causas

O vírus ZIKV não é transmitido de pessoa para pessoa. O contágio se dá pelo mosquito que, após picar alguém contaminado, pode transportar o ZIKV durante toda a sua vida, transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ele.
O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de 3 a 12 dias para o vírus Zika causar sintomas.

A transmissão do ZIKV raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 32° C - por isso ele se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É importante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito transmissor da febre Zika podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes e esperando um ambiente úmido para se desenvolverem. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em média. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos.

O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte. No entanto, mesmo nas horas quentes ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento. Por ser um mosquito que voa baixo - até dois metros - é comum ele picar nos joelhos, panturrilhas e pés.

Sintomas de Febre Zika

Os sintomas de infecção pelo vírus Zika começam de 3 a 12 dias após a picada do mosquito e são:

  • Febre baixa (entre 37,8 e 38,5 graus)
  • Dor nas articulações (artralgia), mais frequentemente nas articulações das mãos e pés, com possível inchaço
  • Dor muscular (mialgia)
  • Dor de cabeça e atrás dos olhos
  • Erupções cutâneas (exantemas), acompanhadas de coceira. Podem afetar o rosto, o tronco e alcançar membros periféricos, como mãos e pés.
Sintomas mais raros de infecção pelo vírus Zika incluem:

  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Constipação
  • Fotofobia e conjuntivite
  • Pequenas úlceras na mucosa oral.
  •  

Diagnóstico de Febre Zika

Se você suspeita de febre chikungunya, vá direto ao hospital ou clínica de saúde mais próxima. O diagnóstico deverá ser feito por meio de análise clínica e exame sorológico (de sangue).
A partir de uma amostra de sangue, os especialistas buscam a presença de anticorpos específicos para combater o vírus Zíka no sangue. Isso indicará que a doença está circulando pelo seu corpo e que o organismo está tentando combatê-lo. A técnica RT-PCR, de biologia molecular, também pode ser usada para identificar o vírus em estágios precoces de contaminação.
Para diferenciar o vírus Zika da febre chikungunya e da dengue, outros exames podem ser feitos:

  • Testes de coagulação
  • Eletrólitos
  • Hematócrito
  • Enzimas do fígado
  • Contagem de plaquetas
  • Raio X do tórax para demonstrar efusões pleurais.

Tratamento de Febre Zika

O tratamento para o vírus Zika é sintomático. Isso que dizer que não há tratamento específico para a doença, só para alívio dos sintomas. Para limitar a transmissão do vírus, os pacientes devem ser mantidos sob mosquiteiros durante o estado febril, evitando que algum Aedes aegypti o pique, ficando também infectado.

Pacientes afetados com a febre Zika podem usar medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos. Entretanto, assim como na dengue e febre chikungunya, os medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou que contenham a substância associada devem ser evitados. Eles têm efeito anticoagulante e podem causar sangramentos. Outros anti-inflamatórios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) também devem ser evitados. O uso destas medicações pode aumentar o risco de sangramentos.
Os sintomas se recuperam espontaneamente após 4-7 dias. Se você sentir incômodo por mais tempo, volte ao médico para investigar outras doenças.

Prevenção

O mosquito Aedes aegypti é o transmissor do vírus e suas larvas nascem e se criam em água parada. Por isso, evitar esses focos da reprodução desse vetor é a melhor forma de se prevenir contra o vírus Zika. Veja como:

Evite o acúmulo de água

O mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso é importante jogar fora pneus velhos, virar garrafas com a boca para baixo e, caso o quintal seja propenso à formação de poças, realizar a drenagem do terreno. Também é necessário lavar a vasilha de água do bicho de estimação regularmente e manter fechadas tampas de caixas d'água e cisternas.

Coloque areia nos vasos de plantas

O uso de pratos nos vasos de plantas pode gerar acúmulo de água. Há três alternativas: eliminar esse prato, lavá-lo regularmente ou colocar areia. A areia conserva a umidade e ao mesmo tempo evita que e o prato se torne um criadouro de mosquitos. Ralos pequenos de cozinhas e banheiros raramente tornam-se foco de febre Zika devido ao constante uso de produtos químicos, como xampu, sabão e água sanitária. Entretanto, alguns ralos são rasos e conservam água estagnada em seu interior. Nesse caso, o ideal é que ele seja fechado com uma tela ou que seja higienizado com desinfetante regularmente.

Limpe as calhas

Grandes reservatórios, como caixas d'água, são os criadouros mais produtivos de febre Zika, mas as larvas do mosquito podem ser encontradas em pequenas quantidades de água também. Para evitar até essas pequenas poças, calhas e canos devem ser checados todos os meses, pois um leve entupimento pode criar reservatórios ideais para o desenvolvimento do Aedes aegypti.

Coloque tela nas janelas

Embora não seja tão eficaz, uma vez que as pessoas não ficam o dia inteiro em casa, colocar telas em portas e janelas pode ajudar a proteger sua família contra o mosquito Aedes aegypti. O problema é quando o criadouro está localizado dentro da residência. Nesse caso, a estratégia não será bem sucedida. Por isso, não se esqueça de que a eliminação dos focos da doença é a maneira mais eficaz de proteção.

Lagos caseiros e aquários

Assim como as piscinas, a possibilidade de laguinhos caseiros e aquários se tornarem foco do vírus Zika deixou muitas pessoas preocupadas. Porém, peixes são grandes predadores de formas aquáticas de mosquitos. O cuidado maior deve ser dado, portanto, às piscinas que não são limpas com frequência.

Seja consciente com seu lixo

Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos. Assim você garante que eles ficarão desobstruídos, evitando acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo sempre bem tampadas.

Uso de repelentes

O uso de repelentes, principalmente em viagens ou em locais com muitos mosquitos, é um método paliativo para se proteger contra o vírus Zika. Recomenda-se, porém, o uso de produtos industrializados. Repelentes caseiros, como andiroba, cravo-da-índia, citronela e óleo de soja não possuem grau de repelência forte o suficiente para manter o mosquito longe por muito tempo. Além disso, a duração e a eficácia do produto são temporárias, sendo necessária diversas reaplicações ao longo do dia, o que muitas pessoas não costumam fazer.

Suplementação vitamínica do complexo B

Tomar suplementos de vitaminas do complexo B pode mudar o odor que nosso organismo exala, confundindo o mosquito e funcionando como uma espécie de repelente. Outros alimentos de cheiro forte, como o alho, também podem ter esse efeito. No entanto, a suplementação deveria começar a ser feita antes da alta temporada de infecção do mosquito, e nem isso garante 100% de proteção contra o vírus Zika. A estratégia deve se somar ao combate de focos da larva do mosquito, ao uso do repelente e à colocação de telas em portas e janelas, por exemplo.