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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Carnaúba dos Dantas (RN) – Sítio Arqueológico Xique-Xique, Monte do Galo e Castelo de Bivar
Sítio Arqueológico Xique-Xique

Para visitar os sítios arqueológicos Xique-xique, agendamos antecipadamente com o guia Carlinhos (Damião Carlos Dantas), que nos levou também ao Monte do Galo. Encontramos com Carlinhos no centro da cidade e de lá seguimos de carro para a fazenda Xique-xique, onde estão os sítios arqueológicos.
Nosso guia Carlinhos
Nosso guia Carlinhos
A entrada é de R$ 5 por pessoa, além da taxa do guia que foi de R$ 100 pelo grupo e todo o passeio que durou em torno de 4h.
No caminho para o sítio Xique-xique 1
No caminho para o sítio Xique-xique 1
Os sítios Xique-Xique foram registrados em 1924, pelo carnaubense, José de Azevedo Dantas. Mas só em 1961 foi declarado Patrimônio Cultural Nacional, estando protegido por lei. Com isso, a destruição das pinturas ou remoção de qualquer material do local, passou a constituir crime, com pena de multa ou detenção.
Sítio Xique-xique 1
Sítio Xique-xique 1
Segundo Carlinhos nos explicou as pinturas dos sítios Xique-xique teriam aproximadamente 9 mil anos e fazem parte da chamada tradição Nordeste, sub tradição Seridó. As pinturas do sítio arqueológico que visitamos no Lajedo Soledade são de outra tradição, chamada de Agreste, e estima-se que tenham cerca de 5 a 6 mil anos. “Quando a gente fala em pinturas rupestres não estamos falando dos índios que estiveram aqui no período do descobrimento do Brasil ou no período da chamada Guerra dos Bárbaros. Mas estamos falando dos ancestrais desses povos”, nos esclareceu o guia.
Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1
Pinturas rupestres no Xique-xique 1
As pinturas dos sítios Xique-xique representam animais, plantas e figuras humanas, algumas delas com ornamentos, como cocares, armas, máscaras e outros instrumentos. As imagens compõem cenas de rituais, caçadas, e outras atividades da vida cotidiana. “Os principais temas dos painéis são dança, caça, luta e sexo. Isso nos painéis que são bem definidos. Mas também temos painéis de grafismos puros, que são pinturas abstratas, que não sabemos o significado”, nos contou Carlinhos.

As pinturas foram feitas no Quartzito, rocha predominante na região, usando óxido de ferro (conhecido como pedra tauá ou limonito) para as cores vermelha e amarela, caulim envelhecido para a cor branca e carvão vegetal para o preto. “O óxido de ferro usado para o vermelho e amarelo é o pigmento mais comum e também foi usado em pinturas rupestres em outras partes do mundo”, ressaltou Carlinhos.
Pinturas no Xique-xique 2
Pinturas no Xique-xique 2
Nos sítios Xique-xique também tem petroglifos, que são gravuras esculpidas na rocha, chamadas de Itaquatiara, na língua tupi guarani.
Carlinhos nos explicou que pela facilidade de acesso e preservação das pinturas, os sítios Xique-xique estão os principais deste tipo de tradição. As imagens são bem diferentes das que vimos no Lajedo Soledade, por isso, vale a pena visitar os dois.
Com os nossos sobrinhos no Xique-xique 2
Com os nossos sobrinhos no Xique-xique 2
O guia também nos contou que os povos que fizeram as pinturas não habitavam o lugar. “Eles vinham principalmente para ter uma visão privilegiada, um ponto estratégico de defesa e retratavam o cotidiano. Nas pinturas vemos araras, macacos, capivaras. O que mostra que tínhamos uma biodiversidade completamente diferente, que foi transformada pela ação do homem, inclusive, tínhamos aqui um rio perene que já não existe mais”.

Após o desaparecimento dos povos que habitaram a região do Seridó no período pré-histórico, as pinturas ficaram esquecidas por anos e anos, até serem registradas por José Dantas. Quando tornou-se Patrimônio Cultural ficou sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), autarquia do governo federal. Para o local estar apto para receber visitas turísticas foram construídas escadarias, pontos de apoio, murais explicativos e passarelas. Também são feitas ações de controle de insetos, plantas e outros elementos que interferem na preservação das pinturas.
Nós visitamos os sítios Xique-Xique 1 e 2, que são os mais acessíveis e também mais importantes. O Xique-Xique 4 também é de fácil acesso, mas estávamos com pouco tempo para fazer a visita. As pinturas são impressionantes pelos detalhes. No Xique-Xique 1, a quantidade delas é enorme. Os nossos sobrinhos também adoraram a visita, que pode ser feita por pessoas de qualquer idade, desde que tenha condições de subir as escadas e fazer a caminhada.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Os Estromatólitos e a Explosão da Vida na Terra

Não é um dos objetivos do presente trabalho discutir a origem e a diversificação da vida sob prismas filosóficos ou religiosos, as pesquisas realizadas se constituem numa tentativa de organizar fatos e evidências científicas a fim de determinar a importância das primeiras formas de vida a se estabelecerem sob a superfície do planeta Terra e de que modo as mesmas podem estar associadas às modificações que há pelo menos 570 Milhões de anos (M.a.) alteraram drasticamente as condições ambientais do Globo Terrestre propiciando condições para um salto evolutivo do planeta: o surgimento da vida aeróbica, sua explosão e diversificação.
As primeiras formas de vida a se estabelecerem na Terra eram anaeróbicas e embora vários cientistas tenham se aventurado em experimentos que tentassem estabelecer a origem de tais formas, há ainda questões fundamentais não respondidas. Não existe consenso. Estudiosos e filósofos teorizaram através da hipótese conhecida como "Panspermia" que a origem da vida na Terra se dá a partir do extra-terreno, dentre tais propostas, uma das mais representativas é a de Arrhenius (1859 - 1927), que apresenta os meteoritos como responsáveis pelo transporte da vida de fora para a superfície do planeta.
A comunidade científica vivenciou e ainda vivencia fervorosos embates teóricos entre os defensores da hipótese panspermista e os representantes do "cenário corrente", de acordo com os quais a vida se originou na Terra.
Diante da falta de evidências que comprovem uma ou outra hipótese sobre a origem da vida, discutir a diferenciação e a evolução dos seres vivos é uma tarefa possível, pois, os registros fósseis se apresentam como "ferramentas" através das quais são estabelecidos contextos físicos, químicos e ambientais para as formas de vida "gravadas" (icnofósseis) ou fisicamente preservadas total ou parcialmente (somatofósseis). A partir desses contextos, a evolução das formas de vida pode ser traçada. Através do estudo de registros fósseis foi possível retroceder até a aproximadamente 540 Milhões de anos e identificar registros deixados pelas primeiras formas de vida - unicelulares e microscópicas.
Os registros mais antigos são icnofósseis conhecidos como Estromatólitos - biossedimentos - que rementem a 3,5 bilhões de anos (B.a), encontrados em Apex, na Austrália, como apresentamos na imagem 1.
Imagem 1: Microfósseis pré-Cambrianos. Os exemplares “e, f, g, h, i” são os mais antigos (3,465 B.a.), encontrados nos estromatólitos de Apex, na Austrália
Fonte: (J. W. Schopf et al. Nature, 416, 73, 2002).

Sendo as cianobactérias responsáveis pela biossedimentação que resulta na formação de estromatólitos seres fotossintetizantes, é importante procurar registros de fotossíntese em épocas remotas, assim, algumas evidências podem ser consideradas:
 
1ª. Na Groelândia, a formação rochosa Isua foi datada em 3,8 Bilhões de anos. Apesar de não conter nenhum organismo ou microorganismo fossilizado, apresenta uma anomalia no ter de carbono da grafite contida.
 
Os restos vegetais atuais apresentam o isótopo 12C e o isótopo encontrado na formação Isua é o 13C. Apenas a fotossíntese pode ser apresentada a fim de explicar tal anomalia no carbono.
Fonte: (J. W. Schopf et al. Nature, 416, 73, 2002).

2ª. Ocorreu a aproximadamente 3,7 Bilhões de anos a formação de imensos depósitos de Óxido de Ferro (BIF - Bandad Iron Formation). Como nessa época não existia oxigênio livre na atmosfera do planeta, a oxidação do ferro pode ter ocorrido a partir da ação de algas fotossintetizantes que liberaram o oxigênio nos oceanos, possibilitando a oxidação e a sedimentação do ferro, intercalado com outros sedimentos como carbonatos, também abundantes nos oceanos.
Apenas a partir da oxidação de todo o ferro dos oceanos é que o oxigênio pôde ser liberado para a atmosfera, o que se deu a aproximadamente 540 Milhões de anos, período que ficou marcado como a "Explosão do Cambriano" onde surgiram seres multicelulares aeróbicos e a vida se diversificou abundantemente.
As imagens 2 e 3 mostram como exemplo as faunas de ediacara (Pré-Cambriano: aproximadamente 600 milhões de anos) e de Burgess Shale (Cambriano: 520-515 milhões de anos). 
                                                                                           Imagem 2: Fauna de Ediacara. 
                                          Fonte:https://beebac-files.s3.amazonaws.com/2011/09/10/20539/file/1315668329_palocologie.pdf 
Alguma das espécies da diversidade biótica de Burgess Shale é descrita na figura por Sam Gon III e por John Whorrall.
Trilobites such as Olenoides serratus (1) were a minority among a diversity of arthropods such as Sidneyia (9), 
Waptia 
(17), Helmetia (13), Sanctacaris (18), Tegopelte (15), Naraoia (16), Leanchoilia (10), Canadaspis (12),
Odaraia (19), Marrella (11), and Burgessia (14), as well as oddities such as Opabinia (24), Wiwaxia (26), 
Hallucigenia 
(20), and the giant predator, Anomalocaris (28).
                                                                                 Fonte: http://www.trilobites.info/Burgess.htm