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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Dados inéditos da geologia do petróleo no país

Petrobras extraiu petróleo do pré-sal pela primeira vez em setembro de 2008. No campo de Tupi a fase de extração petrolífera chamada de “teste de longa duração” teve início em maio de 2009.
© Divulgação Petrobras / ABr - Agência Brasil
Atlas pioneiros publicados pela UNESPetro passam a ser referências nacionais e internacionais


O UNESPetro, com sede na Unesp de Rio Claro, é um polo de formação de especialistas e de desenvolvimento de pesquisas, com ênfase em rochas carbonáticas, que formam a camada pré-sal e outros importantes reservatórios petrolíferos brasileiros.

Os carbonatos do Cretáceo brasileiro não somente contêm as grandes reservas de hidrocarbonetos do Pré-Sal, mas também acumulam significativos volumes no Pós-Sal.

Resultado da parceria da Unesp com a Petrobras, o UNESPetro é uma das principais iniciativas para o desenvolvimento do Sistema de Capacitação, Ciência e Tecnologia em Carbonatos (SCTC), fruto de um acordo firmado em fevereiro de 2010 entre a Petrobras, a Unesp e as Universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Federal Fluminense (UFF) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O SCTC visa avanços no conhecimento das rochas carbonáticas, ainda pouco conhecidas.
Entre as conquistas do UNESPetro, está a produção de publicações com dados inéditos da geologia do petróleo no país. Três delas, recentemente lançadas, são as primeiras do gênero em língua portuguesa e pioneiras em suas temáticas.

SENSIBILIDADE DO LITORAL PAULISTA A DERRAMAMENTOS DE PETRÓLEO
 
Este Atlas, com 128 cartas Sensibilidade ao Óleo (SAO), configura-se como relevante contribuição ao sistema de proteção do litoral paulista. Passa a constituir consistente apoio às futuras operações de emergência em caso de derramamentos de óleo no mar, agregando informações de detalhe aos mapeamentos já realizados por órgãos ambientais e empresas privadas. A obra está acessível em <http://goo.gl/lAh8ra>.

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O mapeamento foi desenvolvido pela Unesp, Câmpus de Rio Claro, no âmbito do Programa de Formação de Recursos Humanos em Geologia e Ciências Ambientais Aplicadas ao Setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis – PRH 05. Recebeu o amplo apoio do Programa Nacional de Formação de RH coordenado pela Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis – PRH/ANP, com o suporte financeiro do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, via Finep – Financiadora de Estudos e Projetos.

O livro conclui que o litoral paulista apresenta, de fato, elevada vulnerabilidade a vazamentos de óleo. Tal fato decorre da combinação da elevada sensibilidade de seus ecossistemas com o crescente aumento da suscetibilidade da região a acidentes envolvendo hidrocarbonetos. Este último fato conecta-se à forte expansão da exploração e explotação petrolífera nas bacias sedimentares do sudeste do Brasil, em especial na Bacia de Santos.
Conjunto de informações passa a constituir uma base organizada e disponível para ações contra vazamentos no litoral paulista
Os levantamentos que foram realizados na escala de detalhe permitiram agregar, em 121 cartas operacionais, um conjunto relevante de informações que passa a constituir uma base organizada e disponível para sustentar ações de combate e mitigação de eventos de vazamento no litoral paulista.

O cenário encontrado no presente estudo reforça a necessidade de integração das cartas SAO costeiras aos mapas de sensibilidade fluvial e terrestre, ainda incipientes no Brasil. Isto porque muitos acidentes evoluem de ambientes terrestres para ambientes fluviais e costeiros, como no caso de rompimentos de dutos terrestres e problemas verificados em terminais fluviais. Atenção especial deve ser dada à integração dos Mapas de Sensibilidade Ambiental de dutos (metodologia MARA) com as Cartas SAO.

Tendo em vista o Plano Nacional de Contingências, os autores recomendam a implementação de uma estratégia de gestão e integração das Cartas SAO produzidas no Estado de São Paulo e na costa brasileira por meio de bancos de dados interativos e de uso público.

Os coordenadores da obra são Dimas Dias-Brito e Paulina Setti Ridel, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas – IGCE da Unesp/Rio Claro; e João Carlos Carvalho Milanelli e Arthur Wieczorek, pesquisadores associados da UNESPetro.


CALCÁRIOS DO CRETÁCEO DO BRASIL: UM ATLAS
Autores e editores do Atlas, Dias-Brito, do IGCE, e Paulo Tibana, pioneiro no Brasil no estudo de rochas carbonáticas e professor associado do UNESPetro, oferecem um panorama das rochas calcárias do Cretáceo do Brasil, apresentando uma síntese das características petrográficas das principais unidades carbonáticas aflorantes no país e de alguns importantes depósitos situados em subsuperfície.

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O Atlas exibe rochas que, majoritariamente, tiveram sua gênese relacionada à evolução do Atlântico Sul e cobre o intervalo estratigráfico Cretáceo Inferior – Cretáceo Superior. A publicação, de caráter petrográfico e microfaciológico, traz, em suas 576 páginas, um conjunto de mais de 1.500 imagens, incluindo fotomicrografias, imagens capturadas a partir de scanner de alta resolução e fotografias de afloramentos, além de 12 mapas e 24 ilustrações.

O livro serve como referência para o estudo de seções carbonáticas em bacias sedimentares brasileiras e da margem ocidental africana. Facilita estudos de caráter local e regional nas áreas de Exploração e Produção, tanto na indústria como no meio acadêmico. Permite, também, em escala global, comparações no âmbito de pesquisas paleoecológicas, paleobiogeográficas e paleo-oceanográficas.

MICROBIALITOS DO BRASIL: DO PRÉ-CAMBRIANO AO RECENTE
Este Atlas, ao realçar os esforços empreendidos pelo UNESPetro, trata de depósitos cuja origem e características interessam de perto aos estudiosos das rochas carbonáticas do Pré-Sal.
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A publicação, que tem como autores e editores Thomas R. Fairchild, professor-pesquisador associado do UNESPetro, Rosemarie Rohn e Dimas Dias-Brito, ambos do IGCE, é decorrente do marcante evento de descoberta dos campos gigantes de hidrocarbonetos nas Bacias de Santos e Campos. Pode ser considerada uma resposta da academia brasileira no campo da investigação das curiosas e complexas rochas que armazenam imensos volumes de petróleo.

O Atlas é um documento eminentemente fotográfico com o objetivo de expor aspectos variados dos microbialitos, um grupo de carbonatos relativamente pouco estudado, mas de grande relevância geocientífica e econômica.

O valor científico da publicação é enorme por focalizar rochas e ambientes que, em território nacional, contêm os sinais e processos dos primórdios da vida e inserem o registro sedimentar microbiano do Brasil em patamar de destaque no cenário mundial. A obra passa a ser uma nova referência para aqueles que investigam microbialitos, cuja observação permite descrever estruturas e feições de porosidade com implicação direta em modelos de reservatórios carbonáticos.
Obras são as primeiras do gênero na literatura geocientífica de língua portuguesa
A obra apresenta mais de 40 ocorrências de carbonatos microbianos no Brasil, envolvendo um intervalo de mais de dois bilhões de anos. Tais ocorrências foram selecionadas com base na qualidade dos afloramentos, abundância, representatividade e variedade.
A obra ilustra os microbialitos fósseis e recentes em escalas megascópica e microscópica, com cuidado especial para diferenciar, criteriosamente e com clareza, os seus morfotipos, de modo a poder aplicá-los em interpretações sedimentológicas, paleoambientais e estratigráficas.

ACERVO DIDÁTICO
Dimas Dias conclui que as obras sobre Calcários e Microbialitos são as primeiras do gênero na literatura geocientífica de língua portuguesa e apresentam um acervo organizado e didático de imagens, dados e interpretações, dirigido às comunidades acadêmica e da indústria do petróleo envolvidas com estudos geológicos, que incluem pesquisadores, especialistas, professores, e estudantes. As publicações, portanto, são de especial interesse às áreas da pesquisa e da educação universitária e interessam à comunidade nacional e internacional.
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INFORMAÇÕES
dimasdb@rc.unesp.br
(19) 3526-9456/9476
Av. 24 A, 1515 – Bela Vista, Rio Claro – SP
BAIXAR PDF

Fonte: http://www.unespciencia.com.br/2016/04/geologia/

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Novos peixes em Campos

02/08/2011

Projeto encontra na região quatro espécies desconhecidas.

A região de maior produção de petróleo e gás natural do Brasil também está gerando conhecimento científico. Quatro espécies de peixes foram descobertas na Bacia de Campos por pesquisadores do Projeto Habitats. Como nunca foram descritos por cientistas, os peixes ainda não estão catalogados e, portanto, não têm nome. O estudo observou também 22 espécies cuja presença na região não era conhecida. Cinco delas representam novas ocorrências para o Brasil, como a Acanthocaenus luetkenii e a Rhinochimaera atlantica (Quimera de focinho longo).

O Habitats faz parte do Projeto de Caracterização Ambiental Regional da Bacia de Campos, cujo relatório foi entregue ao Ibama na semana passada. As pesquisas começaram em 2007 e são patrocinadas pela Petrobras, que investiu R$40 milhões para os estudos em uma área de cem quilômetros quadrados. As informações levantadas permitirão conhecer melhor e monitorar os impactos ambientais na região. O coordenador geral de Petróleo e Gás do Ibama, Cristiano Vilardo, explica que o investimento faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), como parte do processo de licenciamento da empresa estatal.
- O estudo é absolutamente inovador e produziu uma grande fotografia da Bacia de Campos.

Além das quatro novas espécies de peixes, deve haver ainda mais de microorganismos. Ter informações confiáveis é fundamental para saber os impactos da atividade petrolífera. Entendendo melhor o ambiente conseguiremos traçar estratégias diferenciadas, inclusive a criação de unidades de conservação – disse.
O Ibama deverá publicar todo o estudo, que é georreferenciado. Para pesquisadores, mais importante do que descobrir peixes novos é saber o comportamento das comunidades do local, que são interdependentes e fazem parte de cadeias alimentares.

- No caso dos peixes, a Bacia de Campos é ocupada por diferentes comunidades. Pelo menos cinco são bastante distintas. Então, deveremos representar as cinco comunidades para preservar a biodiversidade local. Não apenas visando ao agrupamento de espécies, mas também preservando toda a cadeia alimentar. Ou seja, a relação entre predador e presa – comentou Paulo Costa, especialista em peixes de oceano profundo, professor da UniRio e coordenador do levantamento de peixes do Projeto Habitats.
São tantas as informações que deverá ser preciso mais um ano para analisá-las. O segundo passo será integrar todos os dados e, por fim, gerar planos de monitoramento ambiental, cuja implantação ainda está sendo negociada entre o Ibama e a Petrobras.

- Fizemos a caracterização ambiental de uma região. Assim, teremos como escolher indicadores ambientais para avaliar se houve impacto ambiental ou não – disse Anna Maria Scofano, oceanógrafa da Petrobras.
Fonte: O Globo