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quarta-feira, 8 de novembro de 2023

 

De onde vieram os ombros? Peixes antigos revelam a evolução da articulação

Fenda no crânio fóssil sugere que arcos branquiais abriram caminho para ombros, propondo solução para um mistério de longa data




Brindabellaspsis , um peixe placoderme extinto mostrado na reconstrução de um artista, tinha cartilagem de suporte primitiva, semelhante a um ombro, para suas nadadeiras frontais emparelhadas. ENTELOGNATO/WIKIMEDIA COMMONS
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Uma versão desta história apareceu em Science, Vol 382, ​​Edição 6670.

Os pesquisadores traçaram uma conexão evolutiva entre as gargantas dos peixes antigos e a anatomia que permite balançar um taco de golfe ou alcançar uma prateleira alta. O ombro dos vertebrados, concluem eles, surgiu em parte dos arcos branquiais dos peixes ancestrais, suportes curvos que circundam a garganta.

A análise, publicada hoje na Nature , ajuda a reconciliar duas ideias existentes sobre a origem dos ossos que ligam os nossos braços ao tronco : os tecidos da cabeça ou as dobras laterais ao longo dos corpos dos peixes antigos. Na nova imagem, baseada em estudos detalhados de fósseis com 400 milhões de anos, cada um deles desempenha um papel na evolução dos membros pares. O artigo “pode ser um passo importante em direção à resolução final desta questão de longa data”, diz Shigeru Kuratani, morfologista evolucionista do Centro RIKEN para Pesquisa em Dinâmica de Biossistemas, que não esteve envolvido no trabalho.

Cerca de 500 milhões de anos atrás, os vertebrados eram criaturas marinhas sem mandíbula, com cauda, ​​mas sem nadadeiras emparelhadas, e numerosos arcos branquiais emparelhados. Avançando 100 milhões de anos, peixes chamados placodermos nadavam pelos mares, com mandíbulas e um “ombro” primitivo ou cintura peitoral sustentando barbatanas frontais emparelhadas.




























Os placodermos conhecidos têm no máximo cinco arcos branquiais, outros evoluíram para mandíbulas e hióide, de modo que a cintura peitoral deriva do que já foi o sexto arco branquial, conclui a equipe de Brazeau. No início, a cintura peitoral permitiu que os músculos levantadores das guelras abrissem melhor a boca, levando à evolução de diversos sistemas de alimentação dos peixes, diz Brazeau. Mais tarde, evoluiu para suportar barbatanas emparelhadas, que ele concorda terem vindo do tecido do tronco.

O torrão, ou a área que já foi o sexto arco branquial, é um marco anatômico que separa a cabeça do tecido do tronco, dizem Brazeau e seus colegas. Eles encontraram o mesmo marco em outro grupo de peixes extintos, os Osteostracans sem mandíbula. Esses peixes não possuem cabeça e ombros distintos, mas evidências fósseis de vasos sanguíneos mostram que o sistema circulatório da cabeça e do tronco se divide após o sexto arco branquial. Estudos de desenvolvimento em peixes vivos também apoiam a ideia, diz Brazeau, mostrando que um músculo nesta região chamado cucullaris se desenvolve a partir do tecido da cabeça. Nos placodermos, ele acha que a cucullar provavelmente ajudou a controlar a cintura peitoral, servindo como o equivalente ao músculo trapézio humano, que se estende do pescoço, passando pelos ombros e até o meio das costas.

“Há algumas evidências tentadoras neste artigo”, diz William Bemis, morfologista evolucionista da Universidade Cornell. Mas ele adverte que, como “os arcos branquiais não são conhecidos em nenhum destes fósseis, tudo é hipotético”.

Rui Diogo, antropólogo biológico da Howard University, não tem dúvidas. “É interessante ver um fóssil que mostra isso tão claramente, pois temos evidências de outros campos”, diz ele. Estudos embriológicos realizados por ele e outros mostram que o tecido do ombro em muitos vertebrados, incluindo peixes e humanos, se desenvolve a partir do mesmo tipo de tecido da cabeça, enquanto a pélvis, os braços, as mãos, as pernas e os pés se desenvolvem a partir do tecido do tronco, diz ele. . “Independentemente, chegamos à mesma conclusão e este [fóssil] é a evidência direta mais convincente.”







terça-feira, 20 de setembro de 2022


Rochas ricas em ferro que abrigam peixes endêmicos do Xingu têm origem microbiana, indica estudo Peixe da espécie Baryancistrus xanthellus em rocha submersa na bacia do rio Xingu (foto: Oliver Lucanus)

Rochas ricas em ferro que abrigam peixes endêmicos do Xingu têm origem microbiana, indica estudo

16 de setembro de 2022

André Julião | Agência FAPESP – Pesquisadores das universidades de São Paulo (USP) e Federal do Pará (UFPA) desvendaram a origem dos mocororôs, um tipo de formação rochosa rica em ferro que ocorre na bacia do rio Xingu, no Pará, e que pode estar ameaçada pela barragem de Belo Monte.

Em estudo publicado na revista Quaternary Research, os pesquisadores mostraram que essas rochas, formadas desde 1,2 milhão de anos atrás, têm origem biológica.

É o primeiro registro de formações ferruginosas microbianas desse tipo tão jovens na América Latina. As que existem aqui não possuem origem biológica e têm de centenas de milhões a bilhões de anos.

“Encontramos nessas rochas moldes de bactérias, bem como várias células mineralizadas, em formato de nanobastões. Sabe-se que as chamadas ferrobactérias metabolizam o ferro em águas bastante oxigenadas e de acidez quase neutra, mesmo quando há baixas concentrações do metal, o que é o caso na Volta Grande do Xingu”, afirma Marília Prado Freire, primeira autora do estudo, realizado como parte de seu doutorado no Instituto de Geociências (IGc) da USP.

Os pesquisadores suspeitam que a mudança no regime de cheias e secas na Volta Grande, como é chamado o trecho do rio mais afetado pela barragem da hidrelétrica de Belo Monte, interfira na formação dessas rochas, que abrigam espécies endêmicas de peixes.

É mais um impacto da construção, que se soma aos sociais e às emissões de gases de efeito estufa, entre outros. A usina encheu os reservatórios pela primeira vez em 2016 e foi inaugurada oficialmente em 2019 (leia mais em: agencia.fapesp.br/31374/ e agencia.fapesp.br/36391/).

“As comunidades de micróbios que ajudam a formar os mocororôs crescem em trechos onde não se acumula muita areia e lama. Mas, para isso acontecer, é preciso ter corredeiras no rio. A barragem de Belo Monte acabou com elas nesse trecho”, conta André Sawakuchi, professor do IGc-USP apoiado pela FAPESP e coordenador do estudo.

O pesquisador explica que, durante as cheias, o rio corre rápido e mantém áreas de pedrais livres de areia e lama ou recobertos apenas por seixos. Criam-se, portanto, pavimentos de rocha ou seixos expostos, onde crescem as comunidades microbianas que precipitam minerais de ferro, principalmente goethita. Com o fim das corredeiras, o ambiente de vida desses micróbios é perdido e as bactérias não podem formar novas camadas de mocororô.

“Um trecho de dezenas de quilômetros da Volta Grande ficou com água quase parada, com os pedrais recobertos por areia e lama. À jusante [abaixo] da barragem, há um trecho de mais de 100 quilômetros que ficou com a vazão reduzida. Houve perda desses ambientes de corredeiras”, lista o pesquisador.

Abrigo para peixes endêmicos

É impossível dissociar os mocororôs das corredeiras do Xingu e de tributários como o Iriri e o Bacajá, outros rios onde as formações estão presentes. Há pelo menos um milhão de anos, o sedimento que vem da erosão de solos das áreas de floresta é transportado pelo rio durante a estação chuvosa, mas as fortes corredeiras da Volta Grande levam o sedimento rio abaixo, moldando o ambiente e as espécies que vivem nele.

Enquanto a área da Volta Grande era dominada por corredeiras em leitos rochosos e cascalhosos antes da construção da barragem, abaixo dela as águas são historicamente mais calmas e formam ilhas pela acumulação de sedimentos arenosos e lamosos.

“No período de cheia do rio, as rochas podem quebrar e se empilhar, outras pedras que vêm com a correnteza podem se aderir a elas; podem ainda ser escavadas por redemoinhos, formando uma infinidade de hábitats para peixes e outros organismos”, explica Leandro Melo de Sousa, professor da UFPA, em Altamira, e pesquisador associado ao projeto.

Em outro estudo, publicado na revista PLOS ONE, Sousa e outros pesquisadores realizaram a primeira análise genética das populações de Baryancistrus xanthellus, uma das cerca de 200 espécies de peixes que só ocorrem nas corredeiras da bacia do Xingu.

Na fase juvenil, cascudinhos como o B. xanthellus se abrigam nas inúmeras tocas formadas nos mocororôs e se alimentam de pequenos organismos presos nas pedras ou vindos na correnteza. Tanto essas formações rochosas como o ciclo de cheias e secas são essenciais para a existência dessa e de outras espécies.

O grupo dos cascudos tem a peculiaridade de aderir às pedras com a boca, uma adaptação necessária para viver em corredeiras.

“Uma parte importante do Xingu foi modificada pela usina de Belo Monte e mudou o padrão de sedimentação desse e de rios tributários. Hoje, os sedimentos se acumulam e não são mais levados pela correnteza, transformando regiões antes muito ricas em biodiversidade em pura lama”, aponta o pesquisador.

Sousa conta que, normalmente, durante o período de chuvas, mais ou menos entre dezembro e maio, o nível dos rios se eleva, invadindo ambientes das margens e mudando a velocidade e a temperatura da água. Muitos organismos se reproduzem justamente nessa época, aproveitando a matéria orgânica e os invertebrados que vêm da floresta para se alimentar.

“Na Amazônia, no período seco [mais ou menos entre junho e novembro] há menos água e a temperatura, a oxigenação e a transparência dos rios mudam. Mas, quando há ambientes de corredeira como os do Xingu, mesmo na seca a água flui e fica oxigenada, levando sedimentos embora. Quando esse ciclo é interrompido, como ocorre agora, muitos processos biológicos e geológicos se extinguem, diminuindo a diversidade”, explana.

Além da pesca, a perda de diversidade de peixes afeta inclusive uma das atividades econômicas da região. A coleta dos cascudinhos, que têm em média de 5 a 8 centímetros e uma enorme variação de padrões de cor, alimenta o mercado internacional de aquarismo desde os anos 1980.

Na época, garimpeiros passaram a usar os equipamentos rudimentares de mergulho empregados na busca por ouro para capturar os pequenos peixes. Algumas das espécies hoje estão ameaçadas de extinção, como o cascudo-zebra-imperial (Hypancistrus zebra).

Como forma de manter o modo de vida dos moradores locais ao mesmo tempo em que protege a fauna local, pesquisadores e ativistas buscam regularizar a criação dos cascudinhos em cativeiro. Por serem espécies ameaçadas, a prática é proibida no Brasil. No entanto, é legal em vários países, que inclusive exportam.

O que as rochas contam

Além de aliados dos peixes, os mocororôs podem ajudar a contar a história do clima e dos rios da Amazônia no último milhão de anos. Uma vez que a Volta Grande do Xingu não acumulou sedimentos ao longo desse tempo, por conta das corredeiras, não é possível determinar as variações climáticas do passado como se faz em rios que acumulam sedimentos ou mesmo em outros trechos desse mesmo rio.

A esperança é que os mocororôs desempenhem esse papel. Uma próxima etapa da pesquisa, portanto, é estimar quanto tempo demora para se formar cada lâmina que forma as camadas dessas formações rochosas, bem aparentes em um corte lateral.

Atualmente, estima-se que uma camada de cerca de um metro seja formada em até dezenas de milhares de anos, mas ainda não existe o que os especialistas chamam de método geocronológico para determinar idades com precisão suficiente para reconhecer mudanças do clima.

O primeiro passo foi dado com a determinação da idade dos mocororôs formados recentemente, com idades próximas de três mil anos, durante o projeto de doutorado de Pontien Niyonzima no IGc-USP, com bolsa da FAPESP. Os resultados foram publicados na revista Quaternary Geochronology.

“A precipitação de goethita cimenta os grãos de areia transportados pelo rio. A idade de aprisionamento desses grãos no mocororô pode ser determinada por um método de datação baseado na luminescência opticamente estimulada, que permite inferir a última vez que um grão de quartzo foi exposto à luz do sol. Esse método geocronológico foi aplicado pela primeira vez nos mocororôs”, explica Niyonzima, pesquisador nascido em Ruanda e que, atualmente, realiza estágio de pós-doutorado na Universidade de Lausanne, na Suíça.

“Procuramos agora determinar as espécies de bactérias que contribuíram para essas formações e se elas ainda existem no local. Além disso, apesar de sabermos que o que predomina no mocororô é a goethita, há a necessidade de fazer um estudo geoquímico detalhado para diferenciar a composição das suas diferentes laminações”, encerra Freire, que vai realizar parte dessa investigação durante estágio na Universidade de Grenoble Alpes, na França.

O trabalho foi apoiado pela FAPESP ainda por meio de outros seis projetos (16/02656-9, 18/15613-1, 19/24977-0, 18/15123-4, 19/24349-9 e 16/11141-2).

O artigo Quaternary ironstones in the Xingu River, eastern Amazonia (Brazil) pode ser lido em: www.cambridge.org/core/journals/quaternary-research/article/abs/quaternary-ironstones-in-the-xingu-river-eastern-amazonia-brazil/A2B5A9C7D052900AB177A74D96D33CA0.

Já o trabalho Phylogeography of Baryancistrus xanthellus (Siluriformes: Loricariidae), a rheophilic catfish endemic to the Xingu River basin in eastern Amazonia está disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0256677.

E a publicação Luminescence dating of quartz from ironstones of the Xingu River, Eastern Amazonia pode ser acessada em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1871101421000911.
 

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quinta-feira, 23 de junho de 2022

 

Peixes de água doce ameaçados pela acidificação

Salmão rosa criado em águas ricas em CO2 é menor, menos medroso

Salmões cor-de-rosa com duas semanas de idade, com as gemas ainda grudadas, agrupam-se no fundo de um tanque de água doce onde os cientistas manipularam os níveis de dióxido de carbono na água. Peixes eclodidos e criados em níveis mais altos de CO2 cresceram mais lentamente e mostraram alterações MICHELLE OU/UNIVERSITY OF BRITISH COLUMBIA

A acidificação da água do oceano – um subproduto do aumento do dióxido de carbono na atmosfera – mexe com os peixes de água salgada de várias maneiras. Rockfish ficam mais nervosos . O peixe-palhaço nem sempre consegue detectar predadores , enquanto o dottyback marrom na verdade evita o cheiro de presas feridas .

Mas acontece que os peixes de água salgada não são os únicos afetados. Salmão rosa criado em água doce rica em CO 2 mostrou muitos dos mesmos sinais que seus irmãos marinhos, de acordo com um estudo publicado hoje na revista Nature Climate Change . Eles eram menores, menos temerosos de predadores e menos responsivos aos produtos químicos que ajudam a guiar o salmão adulto de volta aos riachos onde eclodiram.

Os resultados são os primeiros a identificar esses efeitos em uma espécie de água doce, e eles “soam um alerta”, escreve o ecologista Philip Munday, do Centro de Excelência ARC para Estudos de Recifes de Coral em Townsville, Austrália, em um comentário que acompanha o estudo. "Alguns desses peixes podem ser mais suscetíveis ao aumento dos níveis de CO 2 do que assumimos." Munday é um dos principais especialistas nos efeitos da acidificação nos peixes oceânicos.

Para procurar os efeitos da acidificação da água doce, cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC) em Vancouver, Canadá, chocaram e criaram o salmão em tanques com níveis variados de CO 2 dissolvido na água. Um tanque tinha o equivalente a 450 partes por milhão (ppm) – um pouco acima dos níveis atmosféricos atuais. Outro tinha 1000 ppm, um terceiro tinha 2000 ppm, e os níveis no último variaram entre 450 e 2000 ppm. Após 10 semanas, os peixes foram transferidos para tanques de água salgada que também tinham níveis de CO 2 variados , onde continuaram a amadurecer.

Comparados com os peixes nas concentrações mais baixas, os peixes jovens nos tanques com os níveis mais altos de CO 2 eram significativamente mais baixos (31,5 milímetros versus 33,7 milímetros) e pesavam menos (0,18 gramas versus 0,21 gramas). As diferenças de tamanho persistiram depois que eles se mudaram para a água salgada, onde o salmão cresceu mais lentamente ou – no caso de peixes mantidos continuamente em alto CO 2 – realmente perdeu peso.

Os peixes nos tanques de água doce com CO 2 mais altos também foram mais destemidos. Eles gastaram 15% mais tempo na água que havia sido dosada com produtos químicos que imitavam os de um peixe sob ataque. Eles também permaneceram no centro do tanque cinco vezes mais na presença de uma pequena figura de Lego. Todos os peixes apresentaram sinais de atividade reduzida em suas células olfativas quando colocados em água com mais CO 2 , independentemente do tanque em que foram criados.


As descobertas sugerem que o salmão pode enfrentar um novo ambiente mais difícil se a poluição dos gases de efeito estufa aumentar os níveis de CO 2 em seus fluxos domésticos, diz Michelle Ou, fisiologista da UBC que conduziu grande parte da pesquisa como estudante de pós-graduação. Os juvenis menores têm taxas de sobrevivência mais baixas e os peixes mais ousados ​​são mais vulneráveis ​​aos predadores. E por causa de seu olfato reduzido, o salmão afetado também pode ter mais dificuldade em retornar aos fluxos de desova corretos.

O salmão rosa , a mais onipresente das cinco espécies de salmão na costa oeste da América do Norte, são tão pequenos quando se dirigem ao oceano – menos de 4 centímetros – que são particularmente sensíveis ao estresse adicional. Mas o estudo também levanta a possibilidade de que a acidificação da água doce dificulte a recuperação de outras espécies de salmão, incluindo chinook e sockeye. Estudos já previram que as temperaturas mais altas da água afetarão alguns desses peixes, observa Tony Farrell, fisiologista de peixes da UBC e especialista em como o salmão responde a estresses ambientais.

As novas descobertas sobre o CO 2 "devem disparar alarmes para as autoridades de manejo do salmão em todo o mundo, particularmente aquelas no noroeste do Pacífico", escreve Farrell em um e-mail para a Science . E podem ser um mau presságio não apenas para o salmão, mas também para outros peixes que passam pelo menos parte de suas vidas em água doce – 40% de todas as espécies.

Mas os cientistas estão lutando para saber como as descobertas do laboratório se traduzirão na natureza. Pouco se sabe sobre o pH em muitos lagos e rios ou como esses níveis podem mudar à medida que os gases de efeito estufa aumentam. "A parte que eu acho que está faltando é uma olhada no que é o CO 2 no ambiente que eles experimentam atualmente, e qual é a probabilidade de ser no futuro?" diz Paul McElhany, ecologista e especialista em salmão do Centro de Ciências da Pesca do Noroeste da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica em Seattle, Washington.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Peixes de água salgada podem viver em água doce?

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Goldfish pode viver apenas em um ambiente de água doce. (Imagem: © Mashe | Dreamstime.com)
 
Algumas espécies de peixes podem viver tanto em água doce quanto em salgada. Essas espécies são chamadas de peixes euralinos. No entanto, a maioria das espécies de peixes só pode sobreviver em uma ou outra, com base na tolerância à salinidade ou na quantidade de sal que seu corpo pode suportar.
 
As espécies Eurialinas altamente adaptáveis ​​são capazes de suportar uma ampla gama de níveis de sal , de acordo com a National Biological Information Infrastructure (NBII). Eles conseguem migrar com sucesso entre a água salgada, como o oceano, e a água doce, que inclui certos rios.
 
Existem dois tipos principais de peixes Euritina: anádromos e catádromos.

 Os peixes anádromos nascem em água doce, mas passam a maior parte de sua vida no mar, retornando apenas à água doce para desovar. Estes peixes incluem salmão, cheiro, sável, robalo e esturjão, de acordo com o Departamento de Pesca e Caça do Alasca.
 
Os peixes catádromos, por outro lado, geralmente vivem em corpos de água doce e só entram na água salgada para desovar. As enguias da América do Norte e da Europa se enquadram nessa categoria, de acordo com o Serviço Nacional de Pescas Marinhas (NMFS).
 
A maioria dos peixes só tolera faixas estreitas de salinidade e são altamente sensíveis a qualquer alteração nos níveis de sal da água em que residem. Esses peixes são conhecidos como espécies estenoalina e incluem peixes dourados, que podem viver apenas em um ambiente de água doce. Inversamente, o atum pode existir exclusivamente em água salgada, de acordo com o NMFS.
 
De fato, os peixes de água doce geralmente não conseguem sobreviver se os níveis de salinidade da água circundante atingirem mais de 0,05%, de acordo com a Infraestrutura Nacional de Informação Biológica (NBII).
 
Ao migrar, até os peixes com eurialina precisam passar por um período de aclimatação ou tempo para que seus corpos se ajustem a uma salinidade diferente da que estão acostumados. Ao associar a salinidade de vários habitats a diferentes estágios da vida, os peixes eurialinos são capazes de equilibrar as concentrações de sal entre seus corpos e os arredores, de acordo com o NBII.

Por que os peixes mortos flutuam?

Peixe morto
Os peixes flutuam e afundam graças a uma bolsa interna chamada bexiga natatória.
(Imagem: © Imagem via Shutterstock)
 
  Podemos ajudar a explicar o fenômeno físico.
 
Os peixes são um pouco mais densos do que a água em que nadam. Eles são quase neutros, flutuando, o que significa que as forças que agem contra o peixe para afundá-lo são quase iguais às forças dentro do peixe, fazendo com que ele flutue.  

Isso também significa que os peixes não precisam se esforçar muito para não flutuar ou afundar.
 
A pressão aumenta com a profundidade da água. A maioria das espécies de peixes contraria as flutuações usando uma bolsa interna chamada bexiga natatória (também chamada bexiga a gás ou bexiga a ar).  

A água entra na boca do peixe e passa por brânquias, onde o oxigênio é extraído e transportado pela hemoglobina pela corrente sanguínea. A hemoglobina libera um pouco desse oxigênio na bexiga natatória.
 
A quantidade de oxigênio na bexiga determina a flutuabilidade do peixe. Se o Nemo começar a mergulhar, o oxigênio será absorvido pela bexiga. Se ele flutuar demais, o gás se difunde no sangue e sai pelas brânquias. Mark Boriek, biólogo do Departamento de Peixes e Vida Selvagem de Nova Jersey, explica que o processo "não é um esforço consciente por parte do peixe, mas uma resposta química à pressão em torno do peixe".
 
O oxigênio permanece na bexiga após a morte de um peixe. Gases adicionais são liberados durante a decomposição. "O peixe é como um recipiente fechado", diz Boriek. "À medida que o peixe se decompõe, os gases preenchem a cavidade do corpo." A barriga se torna um balão cheio de tripas e o peixe flutua para a superfície. A maior parte da massa de um peixe é composta por ossos e músculos do lado dorsal; assim, à medida que o balão da barriga sobe, os peixes tendem a virar de cabeça para baixo.
 
Os peixes nem sempre flutuam para a superfície imediatamente. Eles podem ficar no fundo por um tempo até que os gases se acumulem.