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terça-feira, 20 de setembro de 2022


Rochas ricas em ferro que abrigam peixes endêmicos do Xingu têm origem microbiana, indica estudo Peixe da espécie Baryancistrus xanthellus em rocha submersa na bacia do rio Xingu (foto: Oliver Lucanus)

Rochas ricas em ferro que abrigam peixes endêmicos do Xingu têm origem microbiana, indica estudo

16 de setembro de 2022

André Julião | Agência FAPESP – Pesquisadores das universidades de São Paulo (USP) e Federal do Pará (UFPA) desvendaram a origem dos mocororôs, um tipo de formação rochosa rica em ferro que ocorre na bacia do rio Xingu, no Pará, e que pode estar ameaçada pela barragem de Belo Monte.

Em estudo publicado na revista Quaternary Research, os pesquisadores mostraram que essas rochas, formadas desde 1,2 milhão de anos atrás, têm origem biológica.

É o primeiro registro de formações ferruginosas microbianas desse tipo tão jovens na América Latina. As que existem aqui não possuem origem biológica e têm de centenas de milhões a bilhões de anos.

“Encontramos nessas rochas moldes de bactérias, bem como várias células mineralizadas, em formato de nanobastões. Sabe-se que as chamadas ferrobactérias metabolizam o ferro em águas bastante oxigenadas e de acidez quase neutra, mesmo quando há baixas concentrações do metal, o que é o caso na Volta Grande do Xingu”, afirma Marília Prado Freire, primeira autora do estudo, realizado como parte de seu doutorado no Instituto de Geociências (IGc) da USP.

Os pesquisadores suspeitam que a mudança no regime de cheias e secas na Volta Grande, como é chamado o trecho do rio mais afetado pela barragem da hidrelétrica de Belo Monte, interfira na formação dessas rochas, que abrigam espécies endêmicas de peixes.

É mais um impacto da construção, que se soma aos sociais e às emissões de gases de efeito estufa, entre outros. A usina encheu os reservatórios pela primeira vez em 2016 e foi inaugurada oficialmente em 2019 (leia mais em: agencia.fapesp.br/31374/ e agencia.fapesp.br/36391/).

“As comunidades de micróbios que ajudam a formar os mocororôs crescem em trechos onde não se acumula muita areia e lama. Mas, para isso acontecer, é preciso ter corredeiras no rio. A barragem de Belo Monte acabou com elas nesse trecho”, conta André Sawakuchi, professor do IGc-USP apoiado pela FAPESP e coordenador do estudo.

O pesquisador explica que, durante as cheias, o rio corre rápido e mantém áreas de pedrais livres de areia e lama ou recobertos apenas por seixos. Criam-se, portanto, pavimentos de rocha ou seixos expostos, onde crescem as comunidades microbianas que precipitam minerais de ferro, principalmente goethita. Com o fim das corredeiras, o ambiente de vida desses micróbios é perdido e as bactérias não podem formar novas camadas de mocororô.

“Um trecho de dezenas de quilômetros da Volta Grande ficou com água quase parada, com os pedrais recobertos por areia e lama. À jusante [abaixo] da barragem, há um trecho de mais de 100 quilômetros que ficou com a vazão reduzida. Houve perda desses ambientes de corredeiras”, lista o pesquisador.

Abrigo para peixes endêmicos

É impossível dissociar os mocororôs das corredeiras do Xingu e de tributários como o Iriri e o Bacajá, outros rios onde as formações estão presentes. Há pelo menos um milhão de anos, o sedimento que vem da erosão de solos das áreas de floresta é transportado pelo rio durante a estação chuvosa, mas as fortes corredeiras da Volta Grande levam o sedimento rio abaixo, moldando o ambiente e as espécies que vivem nele.

Enquanto a área da Volta Grande era dominada por corredeiras em leitos rochosos e cascalhosos antes da construção da barragem, abaixo dela as águas são historicamente mais calmas e formam ilhas pela acumulação de sedimentos arenosos e lamosos.

“No período de cheia do rio, as rochas podem quebrar e se empilhar, outras pedras que vêm com a correnteza podem se aderir a elas; podem ainda ser escavadas por redemoinhos, formando uma infinidade de hábitats para peixes e outros organismos”, explica Leandro Melo de Sousa, professor da UFPA, em Altamira, e pesquisador associado ao projeto.

Em outro estudo, publicado na revista PLOS ONE, Sousa e outros pesquisadores realizaram a primeira análise genética das populações de Baryancistrus xanthellus, uma das cerca de 200 espécies de peixes que só ocorrem nas corredeiras da bacia do Xingu.

Na fase juvenil, cascudinhos como o B. xanthellus se abrigam nas inúmeras tocas formadas nos mocororôs e se alimentam de pequenos organismos presos nas pedras ou vindos na correnteza. Tanto essas formações rochosas como o ciclo de cheias e secas são essenciais para a existência dessa e de outras espécies.

O grupo dos cascudos tem a peculiaridade de aderir às pedras com a boca, uma adaptação necessária para viver em corredeiras.

“Uma parte importante do Xingu foi modificada pela usina de Belo Monte e mudou o padrão de sedimentação desse e de rios tributários. Hoje, os sedimentos se acumulam e não são mais levados pela correnteza, transformando regiões antes muito ricas em biodiversidade em pura lama”, aponta o pesquisador.

Sousa conta que, normalmente, durante o período de chuvas, mais ou menos entre dezembro e maio, o nível dos rios se eleva, invadindo ambientes das margens e mudando a velocidade e a temperatura da água. Muitos organismos se reproduzem justamente nessa época, aproveitando a matéria orgânica e os invertebrados que vêm da floresta para se alimentar.

“Na Amazônia, no período seco [mais ou menos entre junho e novembro] há menos água e a temperatura, a oxigenação e a transparência dos rios mudam. Mas, quando há ambientes de corredeira como os do Xingu, mesmo na seca a água flui e fica oxigenada, levando sedimentos embora. Quando esse ciclo é interrompido, como ocorre agora, muitos processos biológicos e geológicos se extinguem, diminuindo a diversidade”, explana.

Além da pesca, a perda de diversidade de peixes afeta inclusive uma das atividades econômicas da região. A coleta dos cascudinhos, que têm em média de 5 a 8 centímetros e uma enorme variação de padrões de cor, alimenta o mercado internacional de aquarismo desde os anos 1980.

Na época, garimpeiros passaram a usar os equipamentos rudimentares de mergulho empregados na busca por ouro para capturar os pequenos peixes. Algumas das espécies hoje estão ameaçadas de extinção, como o cascudo-zebra-imperial (Hypancistrus zebra).

Como forma de manter o modo de vida dos moradores locais ao mesmo tempo em que protege a fauna local, pesquisadores e ativistas buscam regularizar a criação dos cascudinhos em cativeiro. Por serem espécies ameaçadas, a prática é proibida no Brasil. No entanto, é legal em vários países, que inclusive exportam.

O que as rochas contam

Além de aliados dos peixes, os mocororôs podem ajudar a contar a história do clima e dos rios da Amazônia no último milhão de anos. Uma vez que a Volta Grande do Xingu não acumulou sedimentos ao longo desse tempo, por conta das corredeiras, não é possível determinar as variações climáticas do passado como se faz em rios que acumulam sedimentos ou mesmo em outros trechos desse mesmo rio.

A esperança é que os mocororôs desempenhem esse papel. Uma próxima etapa da pesquisa, portanto, é estimar quanto tempo demora para se formar cada lâmina que forma as camadas dessas formações rochosas, bem aparentes em um corte lateral.

Atualmente, estima-se que uma camada de cerca de um metro seja formada em até dezenas de milhares de anos, mas ainda não existe o que os especialistas chamam de método geocronológico para determinar idades com precisão suficiente para reconhecer mudanças do clima.

O primeiro passo foi dado com a determinação da idade dos mocororôs formados recentemente, com idades próximas de três mil anos, durante o projeto de doutorado de Pontien Niyonzima no IGc-USP, com bolsa da FAPESP. Os resultados foram publicados na revista Quaternary Geochronology.

“A precipitação de goethita cimenta os grãos de areia transportados pelo rio. A idade de aprisionamento desses grãos no mocororô pode ser determinada por um método de datação baseado na luminescência opticamente estimulada, que permite inferir a última vez que um grão de quartzo foi exposto à luz do sol. Esse método geocronológico foi aplicado pela primeira vez nos mocororôs”, explica Niyonzima, pesquisador nascido em Ruanda e que, atualmente, realiza estágio de pós-doutorado na Universidade de Lausanne, na Suíça.

“Procuramos agora determinar as espécies de bactérias que contribuíram para essas formações e se elas ainda existem no local. Além disso, apesar de sabermos que o que predomina no mocororô é a goethita, há a necessidade de fazer um estudo geoquímico detalhado para diferenciar a composição das suas diferentes laminações”, encerra Freire, que vai realizar parte dessa investigação durante estágio na Universidade de Grenoble Alpes, na França.

O trabalho foi apoiado pela FAPESP ainda por meio de outros seis projetos (16/02656-9, 18/15613-1, 19/24977-0, 18/15123-4, 19/24349-9 e 16/11141-2).

O artigo Quaternary ironstones in the Xingu River, eastern Amazonia (Brazil) pode ser lido em: www.cambridge.org/core/journals/quaternary-research/article/abs/quaternary-ironstones-in-the-xingu-river-eastern-amazonia-brazil/A2B5A9C7D052900AB177A74D96D33CA0.

Já o trabalho Phylogeography of Baryancistrus xanthellus (Siluriformes: Loricariidae), a rheophilic catfish endemic to the Xingu River basin in eastern Amazonia está disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0256677.

E a publicação Luminescence dating of quartz from ironstones of the Xingu River, Eastern Amazonia pode ser acessada em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1871101421000911.
 

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domingo, 30 de outubro de 2016

América aquática

Degradação de hábitats pode ameaçar estabilidade da maior diversidade de peixes do mundo
ANDRÉ JULIÃO | ED. 248 | OUTUBRO 2016
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© FOTOS: LÉO RAMOS , FEITAS NO AQUÁRIO DE SÃO PAULO
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A América do Sul tem uma diversidade de peixes ainda maior do que se pensava. Enquanto há menos de 20 anos era considerada exagerada a estimativa de 8 mil espécies, as mais de 100 descrições de novas espécies por ano na última década permitem agora estimar a ictiofauna do continente em cerca de 9 mil espécies. 

Dessas, um número relativamente baixo, entre 4 e 10%, está ameaçado de extinção, enquanto na América do Norte e Europa as taxas são de 27 e 37%, respectivamente. Aqui, porém, o avanço do desmatamento, da urbanização, do barramento de rios, entre outros fatores, ameaça esse relativo conforto. É o que mostra o artigo do biólogo Roberto Reis, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), publicado em uma edição especial do Journal of Fish Biology lançada em julho, que traz dados inéditos acerca da conservação de hábitats aquáticos: não só de rios e do mar, mas também de manguezais, estuários, lagoas costeiras, lagos e riachos.

Mais sensíveis a alterações provocadas pelo homem do que grandes corpos d’água, os estuários são importantes locais de reprodução e berçário de peixes que vivem nos rios ou no mar. Além disso, lagoas e riachos abrigam espécies endêmicas que, por não existirem em outro lugar, podem ser extintas quando esses hábitats são alterados. “Especialmente na costa do Nordeste e Sudeste do Brasil, muitas lagoas nem sequer mapeadas se converteram em brejos ou secaram completamente por conta da drenagem e do assoreamento, tornando impossível saber se havia espécies endêmicas”, diz a bióloga Ana Cristina Petry, do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em colaboração com uma equipe de pesquisadores do Piauí a Mar del Plata, na Argentina, Ana Cristina compilou dados de 103 lagoas na costa atlântica do continente, que somaram cerca de 5.400 quilômetros quadrados (km2) de superfície e um número variável de espécies: de apenas uma até 76. Uma informação alarmante é que cerca de 80% das lagoas investigadas estão fora de unidades de conservação. “As lagoas costeiras prestam serviços ecossistêmicos importantes como locais de reprodução e crescimento não só para peixes marinhos e de água doce, como para insetos, anfíbios, répteis e aves, além de serem locais de pesca”, explica. Várias das lagoas estudadas ao longo de décadas sofreram profundas modificações em área e diversidade de espécies.

Uma ameaça é a introdução de espécies exóticas, que competem por alimento e áreas de reprodução com as nativas e causam desequilíbrio ao sistema. Nas pequenas lagoas costeiras nordestinas, com menos de 1 km2 de área, essas forasteiras representam 50% das espécies.

Outros ambientes aquáticos sensíveis à ação humana são os riachos. Com dimensões menores que os rios, eles estão normalmente próximos à floresta, e os organismos que vivem em suas águas dependem do alimento que ela fornece na forma de folhas, frutos e insetos. Alguns riachos formam microbacias independentes das grandes bacias hidrográficas e são ainda mais ameaçados pelo desmatamento e pela poluição. É o caso do rio Mato Grosso, que apesar do nome é um riacho e fica no Rio de Janeiro. A bióloga Rosana Mazzoni, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), analisou a fauna de três diferentes trechos desse riacho: um bem preservado, com águas transparentes e sem penetração de luz por conta da copa fechada das árvores, um segundo com a floresta parcialmente removida e o terceiro totalmente desmatado, com bastante incidência de luz e águas turvas devido ao excesso de algas e à erosão das margens.
© FOTOS: LÉO RAMOS , FEITAS NO AQUÁRIO DE SÃO PAULO
Pirarucu: pesca controlada na Amazônia, embora não se saiba quantas espécies estão ameaçadas
Pirarucu: pesca controlada na Amazônia, embora não se saiba quantas espécies estão ameaçadas

Impacto
 
A bióloga e seus colaboradores detectaram diferenças significativas entre os locais na densidade de peixes e seu padrão alimentar. Enquanto cinco espécies de peixes estão presentes em cada um dos três locais, a área sem floresta favoreceu a ocorrência de animais tolerantes a sedimentos, no caso o cascudinho-pintado (Hypostomus punctatus) e o limpa-vidro (Parotocinclus maculicauda), duas espécies de cascudo. Além disso, enquanto na área preservada a principal fonte de alimento dos peixes eram invertebrados como larvas, nas partes desmatadas essa dieta era substituída por detritos, matéria orgânica e algas – que se tornam abundantes na ausência de cobertura florestal, devido à incidência maior de luz para fotossíntese. “Pelo menos nesse caso a remoção da floresta não eliminou espécies, que conseguiram se adaptar”, diz Rosana. “No entanto, a densidade de algumas varia bastante de acordo com as condições locais.” Da mesma forma que os cascudos estão presentes em maior quantidade em áreas degradadas, os lambaris Astyanax taeniatus e Characidium vidali, abundantes na área preservada, vão se tornando mais raros à medida que aumenta o desmatamento.

O biólogo Mário Barletta, editor da edição especial do Journal of Fish Biology e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), chama a atenção para a necessidade de embasar as políticas de conservação em dados científicos, algo que nem sempre é feito. “O desenvolvimento econômico é necessário, mas ele sempre deve levar em conta o impacto que causa no ambiente”, recomenda. Barletta se refere principalmente às grandes obras de infraestrutura, cuja realização nem sempre é precedida de pesquisa. Em um dos casos em que isso ocorreu, ele conseguiu fazer o levantamento da fauna de uma área de estuário antes, durante e depois de uma dragagem para a construção de um terminal portuário no complexo estuarino da baía de Paranaguá, no Paraná. Transição entre rio e mar, o gradiente de salinidade dos estuários favorece peixes e crustáceos.
A dragagem, retirada de sedimentos do fundo, ocorre em áreas portuárias para aumentar a profundidade e permitir que grandes navios possam atracar. “O acúmulo de sedimentos no fundo ocorre, em parte, porque as margens dos rios foram desmatadas. A floresta faz o trabalho de segurar esse material e não deixar que ele vá para a água”, explica Barletta. Sem vegetação ao redor, algum tempo depois de feita a dragagem, ela pode voltar a ser necessária, pois o sedimento tende a acumular-se no leito outra vez.

No estudo do estuário da baía de Paranaguá, importante área de pesca artesanal e local de reprodução e berçário de peixes marinhos e estuarinos, espécies importantes economicamente como a betara (Menticirrhus americanus) e a pescada-branca (Cynoscion leiarchus) praticamente desapareceram durante e logo depois da obra. Ao mesmo tempo, atraídos pelos animais mortos, os bagres Cathorops spixii e Aspistor luniscutis aumentaram em até 10 vezes em densidade durante a obra. Barletta e outros pesquisadores envolvidos na pesquisa concluíram, portanto, que as dragagens devem ser feitas entre o final da estação chuvosa e início da seca, quando não há atividade reprodutiva na área. “Graças ao estudo prévio, determinamos a melhor época para realizar a obra e reduzir o impacto”, conta.
© FOTOS: LÉO RAMOS , FEITAS NO AQUÁRIO DE SÃO PAULO
Tambaqui: diversidade genética pode ser alterada por interferências na Bacia Amazônica
Tambaqui: diversidade genética pode ser alterada por interferências na Bacia Amazônica

Plástico
 
Mesmo quando a época de reprodução dos peixes é respeitada, uma ameaça crescente afeta o início da vida desses animais: a presença de plástico nos corpos d’água. Em outro estudo publicado no mesmo volume, Barletta procurava determinar as espécies presentes nos manguezais do estuário do rio Goiana, na costa de Pernambuco, de acordo com as fases da lua. Segundo o biólogo, estudos de populações de peixes normalmente levam em conta escalas de tempo de meses a anos, raramente ciclos lunares ou períodos de dias e semanas. No entanto, é nesses intervalos curtos que se percebe uma relação mais direta entre o ambiente e seus recursos (alimentação, abrigo, proteção de predadores e outros comportamentos).
Além de quantificar as espécies, em todas as áreas analisadas foram encontrados micro e macroplásticos (pedaços menores e maiores do que 5 milímetros, respectivamente), em densidades similares às dos ovos e larvas da terceira espécie mais abundante, a sardinha (Rhinosardinia bahiensis). Na lua minguante, quando há menos zooplâncton (larvas e animais muito pequenos), é justamente o período em que se encontra mais microplástico, resultado da degradação de garrafas pet, sacolas, cordas e redes de pesca pelo sol e pela água.
A presença
 desse lixo nos manguezais é especialmente preocupante, pois nesses ambientes larvas, filhotes de peixe e de outros animais aquáticos vivem até chegar numa idade segura para migrar para um rio, estuário ou mar. “Como o microplástico divide o hábitat com os peixes e as larvas, ele pode ser ingerido e entrar na cadeia trófica, junto com os poluentes contidos nele como cádmio, cobre e zinco”, explica Barletta. Isso significa que os poluentes não só ficarão nos seres que comerem o microplástico como passarão para os predadores destes e, sucessivamente, para os que se alimentarem deles, chegando aos seres humanos.
© FOTOS LÉO RAMOS, FEITAS NO AQUÁRIO DE SÃO PAULO
Pirarara: dieta inclui outros peixes, aumentando o risco de contaminação por mercúrio
Pirarara: dieta inclui outros peixes, aumentando o risco de contaminação por mercúrio

Pesca
 
Por essa razão, projetos de conservação precisam levar em conta o fator humano. O pirarucu (Arapaima sp.), por exemplo, apesar de ter a pesca proibida no Amazonas, é largamente comercializado naquele estado. Uma solução possível é o chamado manejo comunitário. O biólogo Thiago Petersen, atualmente doutorando no Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), acompanhou de perto a recuperação da população de pirarucus da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, um dos poucos lugares onde o peixe, que vive em lagos, pode ser pescado no Amazonas.

“No manejo é feita a contagem da população de pirarucus de cada lago, em seguida cria-se um plano de gestão com a comunidade, no qual se definem quais lagos terão pesca para comercialização, para consumo da comunidade e em quais não se pode pescar”, diz Petersen. Em locais onde esse modelo de gestão existe há mais tempo, como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, também no Amazonas, é permitida a retirada de até 30% da população por ano. Em áreas que estão começando a fazer uso do manejo, como a Piagaçu-Purus, é estipulado um limite mais conservador, entre 8 e 10%. O esforço deu resultado nesse caso: de 2008, quando o manejo foi implementado, até 2014, o aumento das populações de peixe variou de 62 a 99%.

Apesar de algumas tentativas bem-sucedidas de preservação, Leandro Castello, coautor do artigo sobre pirarucus e professor do Virginia Polytechnic Institute and State University, nos Estados Unidos, alerta que faltam informações para saber com mais precisão quantas espécies estão ameaçadas. “Na Amazônia, por exemplo, a degradação desses ecossistemas é relativamente baixa, mas isso está mudando rapidamente e é uma questão de tempo até que o panorama seja completamente alterado”, afirma. Um dos fatores que afetam diretamente os peixes amazônicos são as hidrelétricas. “Eles até passam pelas barragens para pôr os ovos na parte alta do rio”, conta Roberto Reis. “Quando os ovos estão descendo o rio e chegam a um lago de hidrelétrica, porém, acaba a correnteza e eles afundam para a parte sem oxigênio e morrem. Os que restam acabam sendo comidos pelos milhões de piabas que habitam os reservatórios.”

Artigos científicos
 
REIS, R. E. et al. Fish biodiversity and conservation in South America. Journal of Fish Biology. v. 89, p. 1-16. jul. 2016.

LOBÓN-CERVIÁ, J. et al. Effects of riparian forest removal on the trophic dynamics of a Neotropical stream fish assemblage. Journal of Fish Biology. v. 89, p. 50-64. jul. 2016.

BARLETTA, M. et al. Effects of dredging operations on the demersal fish fauna of a South American tropical–subtropical transition estuary. Journal of Fish Biology. v. 89, p. 890-920. jul. 2016.

LIMA, A. R. A. et al. Changes in the composition of ichthyoplankton assemblage and plastic debris in mangrove creeks relative to moon phases. Journal of Fish Biology. v. 89, p. 619-40. jul. 2016.

PETERSEN, T. A. et al. Recovery of Arapaima sp. populations by community-based management in floodplains of the Purus River, Amazon. Journal of Fish Biology. v. 89, p. 241-48. jul. 2016.

PETRY, A. C. et al. Fish composition and species richness in eastern South American coastal lagoons: Additional support for the freshwater ecoregions of the world. Journal of Fish Biology. v. 89, p. 280-314. jul. 2016.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Peixes bizarros de altas profundidades 

deepseaavatar Peixes bizarros de altas profundidades
Nós poderíamos sintetizar o mundo em que vivemos em duas partes. A parte rasa e a parte funda. Dos animais da parte rasa, conhecemos um monte. Leão, cabra, onça, coruja, insetos, vermes, crustáceos, peixes… Milhões deles.
Dos animais da parte profunda, conhecemos apenas uma pequena parte. A grande maioria só foi vista pela primeira vez nas últimas duas décadas. Estes animais vivem em fossas abissais, lugares onde a luz não chega. É um mundo diferente, com a pressão capaz de explodir até uma baleia. A tecnologia está permitindo que sondas possam atingir profundidades até então impossíveis, e com isso, um novo olhar sobre o desconhecido e escuro fosso abissal marinho nos permite ver algumas das mais estranhas criaturas. São seres que poderiam estar em qualquer filme de monstros, Ets e talvez, quem sabe, até no seu mais aterrorizante pesadelo.
Quimeras ou tubarão fantasma.
Este estranho animal é um peixe cartilaginoso que está entre o tubarão e a arraia. Ele tem este estranho nariz protuberante com o qual vasculha o fundo gosmento do oceano em busca de sua preza. O nariz é cheio de terminações que detectam os mais frágeis impulsos elétricos. É como se o animal tivesse um detector de metais no nariz. Ele também tem este espinho venenoso na nadadeira dorsal.875355748 d367148336 o Peixes bizarros de altas profundidades875355800 26647381ca o Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe víbora
Um nome apropriado para esta coisinha que ficaria bem num aquário do capeta. Os dentões e o maxilar inferior prognato são para conseguir morder a presa na escuridão.875355806 0d484e07dc o Peixes bizarros de altas profundidades874448092 54b37338f9 Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe pelicano – Basicamente é um estômago com olhos e cauda. O bicho é considerado o animal com a maior abertura de boca no planeta.874447748 3f61e9220a Peixes bizarros de altas profundidades
Lula Dana - Esta lula enorme habita as fossas abissais e usa um truque curioso para desorientar suas presas. Ela bate um flash como o de uma máquina fotográfica. Na escuridão completa, um flash funciona como aquelas bombas usadas pelo FBI para invadir cativeiros. As presas ficam boladas tentando entender o que aconteceu. Aí a lula vai lá e… Nhac!874447458 c54ee93191 Peixes bizarros de altas profundidades
Lula Gigante  – A lula gigante é um animal cujo nome já é uma bela descrição. Até recentemente os oceanógrafos questionavam-se se a lula gigante seria uma presa ou um predador das baleias cachalote. Recentemente descobriu-se que as lulas gigantes são presas até uma idade. A partir de determinado tamanho elas são predadoras. Isso significa que elas comem baleias. Esta aí da foto é um filhote.873688713 7f38fb68e0 Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe sol (ou lua) – Este é considerado um dos maiores peixes do oceano. Seu peso pode passar de uma tonelada. Sua forma é uma das mais bizarras. Ele é pacífico e muito curioso.873597871 f49c9ca397 Peixes bizarros de altas profundidades
Stargazer – Peixe com nome de seriado de Tv! E deve ser de terror a julgar pelas características desse bicho. Ele tem olhos na cabeça. Atrás das guelras e na nadadeira dorsal tem espinhos venenosos,não obstante, ele ainda dá choque. Olha só o visual do infeliz.874571430 b0c9327edb Peixes bizarros de altas profundidades873721829 3adb70a2ce Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe Grenadier - Tem uma cabeça enorme, mas logo após a cabeça, o corpo é pequeno e termina numa comprida cauda serpentiforme. Um peixe estranho. E também, por que não dizer, feiobragaraio!874446150 5e8ca48b4b Peixes bizarros de altas profundidades873591559 de82c8816b Peixes bizarros de altas profundidades873593865 7adb3d2c56 Peixes bizarros de altas profundidades
Oarfish - Você acha que já viu os mais bizarros do oceano? Então olha bem pra isso aqui. Nem parece um peixe. O Oarfish é um treco compridão em forma de lâmina. Ele pode alcançar tamanhos inacreditáveis. O bizarro dele é que ele nada verticalmente.873595795 dffbabd2d3 Peixes bizarros de altas profundidades873596175 9b7c0c901c Peixes bizarros de altas profundidades
Tubarão mega-boca  – descoberto em 1976 só poucos foram vistos. Registros em filme então, menos ainda, só 3. É um tubarão mesmo, porém muito, muito raro.873594773 24a8102ea7 Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe ogre  – Um belo dum bicho feio. Se precisar de monstro, está aí a melhor escolha. O peixe ogre tem esta aparência feroz.Uma cabeça de ossatura grosseira e belos olhos de psicopata.873593405 69734ab278 Peixes bizarros de altas profundidades874442868 059b4000d2 Peixes bizarros de altas profundidades
Lula fada - Ela muda de cor e projeta inúmeras cores para atrair e hipnotizar seu jantar.873593645 6f3ff41a77 Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe mão  – Ele anda. Isso mesmo, anda pelo fundo do mar. Parece um lagarto andando pelo fundo.874443482 23f788447c Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe-caixão – Ele é bem comum em águas profundas de todo o mundo. Quando sente-se ameaçado, engole água e vira uma bola. Um recurso comum nos baiacus.873593283 62aa49aedd Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe dragão - Ele usa este barbilhão muscular que fica remexendo como se fosse um verme. O barbilhão emite quimioluminiscência, e os peixinhos otários vem comer a minhoquinha que tá ali, acesa no meio da escuridão, dando o maior mole… E então quando vêem, já estão nadando no aquário do São Pedro.873592179 7225aa9869 Peixes bizarros de altas profundidades
Polvo dos anéis azuis. Bonito e pequeno, do tamanho de uma bola de golfe, esconde um dos mais mortais e poderosos venenos conhecidos. Detalhe: Não há antídoto.874441848 9ee3ebee52 Peixes bizarros de altas profundidades
Peixe bolha – Eu falei dele no post dos animais mais bizarros do planeta. Ele é uma espécie de gelatina em forma de peixe. Sua densidade corporal equivale a da água. Assim ele fica só flanando pelo mar ao sabor das correntes abissais. Para justificar seu – literal – mole, ele tem este bocão imenso, já que não tem como correr atrás das presas.874441660 5e7ec05b2d Peixes bizarros de altas profundidades
O pepino do mar – Um animal bizarro. Não é peixe, nem crustáceo nem molusco e sim um equinodermata, como as estrelas do mar e o ouriço. Criatura bizarra que ganhou a entrada grátis nesse post por isso. Junto com os outros, moluscos como as lulas e o polvo.874442716 ed4708c7c6 Peixes bizarros de altas profundidades
Polvo dumbo – Também já falei deste no post das criaturas bizarras. Ele ganhou este nome graças as orelhinhas que tem na cabeça.874445860 ccd6c3b2f5 Peixes bizarros de altas profundidades
Anglerfish - Um peixe feio. Muito feio.
874445916 3caf150744 Peixes bizarros de altas profundidades874443676 794ab041ac Peixes bizarros de altas profundidades
Tubarão Goblin – Mais um raro ( e tenebroso) tubarão das profundezas.873598741 3e8acc3eca Peixes bizarros de altas profundidades
Prikly Shark – Tubarão de barbatana dupla
Prickly+Shark Peixes bizarros de altas profundidades
Polvo de brilho – Estranho… Muito estranho.glowing sucker octopus Peixes bizarros de altas profundidades
Lula vampiro - Nossa. Esse bicho é de matar de medo. Imagina você mergulhando naquela escuridão. Vira a lanterna para trás e a última coisa que vê é isso aí se aproximando de você…
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