Mostrando postagens com marcador Brumadinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brumadinho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Mina do Feijão: Aspectos gerais da Barragem I

Entenda um pouco mais sobre a barragem da Mina do Feijão que desabou em Brumadinho, deixando mais de 60 pessoas mortas e outras 250 desaparecidas

Vista aérea da região de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, onde se rompeu a barragem Mina do Feijão. (Imagem: BBC Brasil)

O Sistema Córrego do Feijão faz parte do Complexo Minerador Paraopebas, de propriedade da Vale, sendo constituído pelas Barragens I e VI, que têm como finalidade conter os rejeitos finos provenientes do tratamento do minério e reservar água para reaproveitamento no processo industrial, respectivamente.

Localização do Sistema

O Sistema Córrego do Feijão está localizado na Mina do Feijão, o Alto do Curso da Bacia do rio Paraopebas, nas cabeceiras do ribeirão Ferro-Carvão, afluente pela margem direita do Paraopebas, em terras do município de Brumadinho, Minas Gerais, com coordenadas UTM: 591.942,97 e; 7.775.032,00 N (Datum WGS 84).

Barragem I

A Barragem I da Mina do Feijão foi implantada em 1976 e tem como finalidade a contenção de rejeitos finos e provenientes da instalação de tratamento de minério, com reaproveitamento da água no processo industrial.
Tragédia em Brumadinho acontece três anos depois do desastre ambiental em Mariana (Imagem: Portal G1)

Dados Gerais

O maciço inicial (dique de partida) é constituído por aterro homogêneo de material drenante. A barragem inicial, com 18,00 m de altura máxima, teve coroamento na elevação 874,00 m, contando com uma berma na elevação 864,00 m, no talude de jusante.
Os aterros do 4° ao 9° alteamento foram construídos pelo método de montante, com maciço compactado, constituído de materiais provenientes da praia de rejeitos e das escavações obrigatórias. O dique do 9° alteamento com crista na elevação 937,00 m, foi construído com solos argilo-siltosos compactados.
Os taludes de jusante foram protegidos por uma camada de solo argiloso adubado, propício para o desenvolvimento de grama. A crista e os taludes de montante foram protegidos por uma camada de cerca de 0,20 m de canga laterita.
O sistema de drenagem interna é composto por filtro vertical associado a um tapete drenante lançado diretamente sobre a praia de rejeitos. Na extremidade de jusante, o tapete está conectado a uma trincheira drenante, no fundo da qual existem tubos tipo PVC perfurados e posicionados longitudinalmente, com saídas a cada 20,00 m, de forma a conduzir a água para as canaletas de superfície.
O sistema de drenagem superficial é composto por canaletas de concreto e descidas em degraus, implantadas nas bermas e nos taludes.
Exemplo de alteamentos na Barragem Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), 5 vezes maior do que Brumadinho tira sono de moradores de cidade. (Imagem: Indicador Congonhas)

Etapas de construção

A barragem da Mina do Feijão foi inicialmente implantada em 1976, com crista na elevação 874,00 m, sofrendo cinco alteamentos sucessivos de 3,00 m de altura cada, atingindo coroamento na elevação 889,00 m. Posteriormente, teve sua crista alteada até a elevação 894,00 m, com envelopamento do maciço associado a alteamentos de 5,00 m. A partir do 4° alteamento, o eixo da barragem foi deslocado para montante do eixo inicial. Foram complementadas as obras do 9° alteamento pelo método de montante, com maciço de rejeito compactado sobre a praia de rejeitos, atingindo a elevação 937,00 m e altura máxima de 81,00 m.

Geologia e Fundações

Resumidamente, na região da barragem, o maciço rochoso é representado por gnaisses bandados, sendo a área do barramento capeada por horizonte de material terroso, constituído de solos saprolitos/ residual/ coluvionar. Esses solos apresentam boa capacidade de suporte e permeabilidade baixa.
Em geral, os diques dos alteamentos foram assentados em terrenos constituído por solos residual/ saprolito, nas ombreiras, e pelas praias de rejeito e aterro do dique subjacente, no treco centra. Nas fases de tratamento da fundação dos aterros, a camada de solos superficial de baixa consistência/ compacidade e/ ou contaminada foi removida.
Em todas as fases de alteamento, foram efetuadas campanhas de sondagens com ensaios SPT e de infiltração, e ensaios de laboratório, para a investigação da fundação. Recentemente, para análise das condições de estabilidade física do maciço, foram executadas campanhas de investigações de campo e laboratório visando pesquisar as características dos maciços de alteamentos, maciço inicial, especialmente quanto ao terreno de fundações e ao sistema de drenagem interna.

Monitoramento

A instrumentação da Barragem I da Mina do Feijão é basicamente composta de piezômetros, tipo Casagrande, indicadores de nível de d’água, inclinômetros, marcos topográficos e medidores de vazão de percolação pelos tubos de drenagem dos tapetes horizontais.
O monitoramento é feito por meio de leituras periódicas dos instrumentos. Para o controle dos resultados, as leituras são lançadas em tabelas e gráficos e comparadas em conjunto e individualmente com três níveis de segurança: atenção, alerta e emergência, conforme premissas estabelecidas em projeto.

Sistema Extravasor

O atual sistema extravasor, implantado na ombreira direita, é um vertedor do tipo torre, com galeria de fundo, soleira variável, por meio de ‘stop-logs’, e um canal a jusante, para adução da água extravasada até a Barragem VI. Para o dimensionamento hidráulico do extravasor, foram desenvolvidos estudos hidrológicos, considerando-se a vazão de cheia para chuva com tempo de retorno decamilenar, tendo em vista o porte da barragem e seu potencial de dano à jusante, em caso de ruptura.
Com base nesses estudos, o sistema extravasor foi dimensionado conforme características descritas a seguir:
  • 3 torres, em seção retangular, com aberturas de 1,40 m de largura e 1,00 m de profundidade, com 5,00 m de altura máxima, aberta em um dos lados, onde são instalados os ‘stop-logs’;
  • Galeria de fundo, com seção retangular, com 1,00 m de lado e 1,40 m de altura com extensão de cerca de 310,00 m;
  • Canal a céu aberto, de seção retangular, com 1,00 m de largura e 1,50 m de altura, com um trecho inicial contínuo e outro, final, em degraus, descarregando a vazão extravasada no reservatório da barragem VI.

Tudo a ver

100 Barragens Brasileiras preenche uma lacuna no cenário brasileiro de barragens. Versa sobre uma Geotecnia real, para os solos que o profissional encontra no cotidiano, nem sempre considerados na Mecânica dos Solos clássica.

Compartilhe isso:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019


10 maiores acidentes com barragens no mundo





  • Reprodução/Timeline

    A tragédia de Banqiao e Shimantan - China

    O complexo de barragens de Banqiao e Shimatan desmoronou em 1975, provocando a maior inundação da história da China com 6 milhões de casas destruídas. 26 mil pessoas morreram afogadas e outras 145 mil morreram de fome e epidemias decorrentes da inundação, oficialmente. O número, porém, pode ter chegado a 230 mil.
  • Reprodução/India Water Portal/Twitter

    Barragem Machchu-2 - Índia

    Em agosto de 1979, a represa de Machchu-2, na Índia, desmanchou-se depois de uma tempestade. Em menos de 20 minutos, enxurradas de até nove metros de altura atingiram a cidade de Morbi, localizada a 5 quilômetros da represa. O número de mortos pode ter chegado a 25 mil pessoa.
  • Reprodução/Pochestorie

    Barragem do rio Stava - Itália

    Com os dutos de drenagem entupidos por sedimentos, a água começou a se infiltrar no solo da represa de Val di Stava, na Itália. No dia 19 de julho de 1985, cerca de 180 mil m³ de areia, água e lama varreram a cidade de Stava a uma velocidade de 90 km/h. Oficialmente, 268 pessoas morreram.
  • Reprodução/India Water Portal/Twitter

    Barragem de Kantale - Sri Lanka

    Em 1992, o rompimento da barragem de Kantale, no Sri Lanka, provocou a morte de cerca de 180 pessoas e afetou outras 8 mil. O motivo da ruptura da parede foi o excesso de tráfego de veículos pesados sobre as paredes de contençã.
  • Reprodução/ABC.es

    O desastre de Aznalcollar - Espanha

    No final de abril de 1998, uma avalanche de chumbo, zinco, cobre, cádmio e sulfetos varreu a vida dos rios Agro e Guadiamar na região da Andaluzia, na Espanha, quando a barragem de rejeitos de uma mineradora canadense ruiu. Os 40 quilômetros de material tóxico espalhados atingiram o Parque Nacional de Doñana, patrimônio histórico da Unesco, provocando uma contaminação em cadeia no meio ambiente. A região é ponto de parada para cerca de 300 espécies de pássaros raros que migram entre Europa e África
  • Reprodução/Imgur

    A lama venenosa de Martin County - EUA

    Em outubro de 2000, depois que os quase 2 bilhões de litros de lama de arsênico e mercúrio escorreram por centenas de quilômetros pelos rios Tug Fork, Big Sandy e Ohio, ficou difícil esconder o dano ambiental provocado pela mineração de carvão vegetal no sudeste dos Estados Unidos. Toda a vida aquática foi dizimada em poucos dias. Delações de funcionários indicaram que os diretores sabiam de vazamentos anteriores e esconderam a informaçã.
  • Reprodução/India today

    Koshi - Nepal

    Em agosto de 2008, parte da parede oriental da imensa represa de Koshi, na fronteira entre a Índia e o Nepal, desabou. Centenas de vilas nos dois países, além das vastas áreas de cultivo, foram soterradas por areia e lama. Três milhões de pessoas ficaram desabrigadas. O motivo: falta de manutenção.
  • Reprodução/The New York Times

    A lama vermelha de Ajka - Hungria

    Bastou uma semana para os húngaros prenderem os diretores da mineradora MAL, responsável pelo despejo de 1 milhão de m³ de lama vermelha sobre as cidades de Kolontar e Devecser. O rejeito, alcalino o bastante para provocar queimadoras químicas em pelo menos 90 pessoas, alcançou o rio Danúbio e acionou alertas na Sérvia, Croácia, Romênia, Bulgária e Ucrânia. No dia 13 de outubro, apenas nove dias após o vazamento, a empresa responsável pelo desastre foi estatizada. Dez pessoas morreram no acidente.
  • Reprodução/Márcio Fernandes/Estadão

    Mariana, Minas Gerais - Brasil

    A tarde do dia 5 de novembro de 2015 foi o marco inicial do maior desastre ambiental com barragens de rejeitos do mundo, com 60 bilhões de litros de lama tóxica vinda da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. A principal bacia hidrográfica do sudeste brasileiro foi completamente poluída. Uma cidade foi soterrada, um rio morto, corais e berçários de tartarugas no Oceano Atlântico contaminados, além de territórios indígenas destruídos. Milhares de pessoas ficaram sem acesso a água potável e, oficialmente, 19 morreram. Até agora, começo de 2019, ninguém foi preso.
  • Washington Alves/Reuters

    Brumadinho, Minas Gerais - Brasil

    Em 25 de janeiro de 2019, pouco mais de três anos depois do desastre de Mariana (MG), a vida e a natureza do país são novamente destruídas pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração. Cinco dias depois do acidente, as autoridades contabilizam 84 mortos e 276 desaparecidos.