quarta-feira, 3 de abril de 2019
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Verdade ou mito? João-de-barro prende a parceira se descobre que foi traído
O joão-de-barro constrói seu ninho junto com a fêmea. Eles são excelentes arquitetos e utilizam lama para fazer uma estrutura complexa, semelhante a um forno de pizza. Para entrar na casa é preciso passar por um corredor em forma de “L”, que leva a uma câmara onde a fêmea irá colocar seus ovos. Lá eles estarão protegidos do bico do tucano, que não consegue fazer a curva.
Depois de muito tempo olhando para esses ninhos encontrei um exemplar fechado, o que dava sustentação à crença. Sentei na pedra mais próxima e comecei a observar. Reparei que havia insetos entrando e saindo por um pequeno orifício. Seriam moscas colocando seus ovos na carcaça da “maria-de-barro”? Resolvi chegar mais perto para averiguar.
Quando consegui identificar os animais tudo fez sentido. Eram abelhas.
Algumas espécies de abelhas utilizam ocos de árvore para construir a colmeia. Se a entrada for muito grande, as operárias irão diminuir a abertura com cera. Um ninho de joão-de-barro abandonado é uma ótima cavidade para os insetos, e eles irão aproveitá-la se não acharem um lugar melhor para se estabelecer.
Para mim, essa era uma explicação muito mais convincente do que a história da traição. Porém, já vi tanta coisa surpreendente na natureza que fico inseguro em afirmar que a crença não é verdadeira. Prefiro colocar de outra forma: até hoje não há registros confiáveis que sustentem essa teoria de crime passional do joão-de-barro.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Muito prazer! Meu nome é...
Entenda como os cientistas batizam as diferentes espécies de animais que existem no planeta
Por: Henrique Caldeira Costa, Museu de Zoologia João Moojen, Universidade Federal de Viçosa
Publicado em 10/02/2010 | Atualizado em 23/06/2010
João-de-barro, forneiro, pedreiro, oleiro... São muitos os nomes dessa espécie de ave, muito comum no Brasil (foto: Alexander Zaidan).
Conhece o forneiro? Não? Então, saiba que você pode não estar ligando o nome ao bicho! Este é apenas um dos nomes dados ao joão-de-barro, um pássaro muito comum no Brasil. Dependendo da região onde é encontrado, ele também pode ser chamado de pedreiro ou oleiro. Na Argentina, é conhecido como hornero! Saber que esse animal pode ter tantos nomes diferentes só gerou mais confusão? Pois é para evitar problemas desse tipo que as espécies têm o que chamamos de nome científico. O do joão-de-barro, por exemplo, é Furnarius rufus. Diante dele, os ornitólogos, cientistas que estudam as aves, não têm dúvida: sabem exatamente que bicho é esse!
O nome científico é muito importante porque facilita a comunicação. Afinal, é comum que a mesma espécie receba um nome diferente em cada região do país onde é encontrada e, principalmente, em países que falam línguas distintas. O pardal, por exemplo, é chamado de english sparrow ou house sparrow em inglês, gorrión común em espanhol e moineau domestique em francês. Mas para os cientistas de qualquer lugar do mundo ele é o Passer domesticus!
- Carl Linné difundiu a ideia de usar um nome científico formado por duas palavras para identificar as diferentes espécies que existem (ilustração: pintura de Alexander Roslin feita em 1775).
Foi o sueco Carl Linné, no século 18, que difundiu a ideia do uso do nome científico das espécies como o conhecemos hoje, formado por duas palavras. A primeira é o nome genérico: escrito com inicial maiúscula, ele é igual para todas as espécies que pertencem a um mesmo gênero, ou seja, que têm muitas características em comum. Já a segunda palavra que forma o nome científico é o chamado nome específico. Escrito com inicial minúscula, ele identifica cada espécie de um gênero. Para ficar fácil de entender, aqui vai um exemplo: as preguiças que apresentam três dedos em cada pata pertencem ao gênero Bradypus. No Brasil, esse gênero tem três espécies: Bradypus torquatus (popularmente conhecida como preguiça-de-coleira), Bradypus tridactylus (preguiça-de-garganta-amarela) e Bradypus variegatus (preguiça-de-garganta-marrom).
Mas você deve estar se perguntando: por que os nomes científicos das espécies são escritos desse jeito tão diferente? Isso acontece porque as palavras usadas para se criar o nome científico de um animal podem ser de qualquer língua ou até mesmo inventadas, mas recomenda-se que sejam escritas como se estivessem em latim: a língua do antigo Império Romano, por muito tempo usada em textos científicos.
- Da esquerda para a direita, você vê a preguiça-de-coleira, a preguiça-de-garganta-amarela e a preguiça-de-garganta marrom (fotos: Carlos Henrique O. Nogueira, Claudinéia B. Lima e Stefan Laube).
O nome científico também deve estar sempre em destaque em um texto: isto é, escrito em itálico, negrito ou sublinhado. E tem mais! Se um cientista descobre uma espécie nova de um gênero que já é conhecido, o único nome que ele pode criar é o nome específico. O nome genérico tem que ser o já existente. É mais ou menos o que aconteceu quando você nasceu. Seus pais não puderam criar um sobrenome novo para você, não é?
Apesar disso, os cientistas têm bastante liberdade na hora de criar o nome científico de uma nova espécie. Ele pode indicar uma característica do animal, fazer referência a alguma palavra indígena ou personalidade, e até não ter significado algum!
Na coluna O nome dos bichos, teremos a missão de explorar todo mês o nome científico de algum animal e descobrir seu significado. Em alguns casos, também vamos investigar seus nomes comuns. A partir disso, garanto que você passará a enxergar nossos bichos com outros olhos! E aí? Preparado para esta aventura?