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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Leopardo em campo

As histórias por trás do nome do animal que se tornou mascote da Copa de 2010!

Por: Henrique Caldeira Costa, Museu de Zoologia João Moojen, Universidade Federal de Viçosa

Publicado em 10/06/2010 | Atualizado em 10/06/2010

O leopardo é um grande felino que vive nas savanas, florestas e até desertos na África e no sul da Ásia (foto: Patrick Giraud).

As ruas estão enfeitadas. Os torcedores, preparados. E é claro que a coluna O nome dos bichos não poderia ficar de fora dessa festa. Em junho, mês de início da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul, nos inspiramos no mascote da competição, o leopardo Zakumi, para falarmos sobre o nome científico – e também o popular – desse felino!

O leopardo foi batizado pelos cientistas de Panthera pardus. Mas você sabia que, antes de existirem nomes científicos, a palavra panthera já era usada? Ela é a versão em latim de panther, nome dado pelos gregos aos felinos caçadores, principalmente o leopardo.

Panther pode ser uma união das palavras gregas pan (todos) e ther (fera selvagem). Ou uma variação de pundárïka, palavra em sânscrito (língua da Ásia), que tem muitos significados, dentre eles, “tigre”.


Hoje, os cientistas classificam não apenas o leopardo, mas também o leão, o tigre, o leopardo-das-neves e a onça-pintada no gênero Panthera. Isso significa que essas espécies são muito próximas umas das outras. Podemos chamar todas de “panteras”!

Leopardo em campo 2
E quanto à pantera-negra? Na verdade, ela não passa de um leopardo ou uma onça-pintada com melanismo, uma variação de cor que deixa o animal preto (foto: Wikimedia Commons).

Um felino com pintas no corpo

Agora que você já sabe a origem do nome Panthera, que indica o gênero ao qual o leopardo pertence, diga lá: e o nome específico pardus? De onde surgiu? Mais uma vez, da Grécia!

A palavra pardus, em latim, vem de pardos, nome que os gregos davam a um felino com pintas no corpo. Que felino era esse? Difícil dizer. Na época, como os bichos ainda não recebiam nomes científicos, cada um podia dar o nome que quisesse a um animal. Assim, talvez ao menos duas espécies diferentes fossem chamadas de pardos: o leopardo e o guepardo. Mas não é só. Havia ainda quem dissesse que pardos era o macho e panthera, a fêmea. Quantos significados para o nome específico do leopardo, não?!

Leopardo em campo 3
O leopardo Zakumi é o mascote da Copa do Mundo de Futebol de 2010. ZA é uma sigla internacional que identifica a África do Sul, país sede da Copa. Kumi significa “10” em várias línguas nativas da África (ilustração: FIFA).
Metade leão?

Mas e quanto ao próprio nome “leopardo”? Como será que ele surgiu? Bom, principalmente na Idade Média (muito tempo depois da época dos gregos e romanos), havia quem falasse que o filho de um leão com um pardos era um bicho diferente: o leontopardos, também chamado de leopardos ou... leopardo! Portanto, daí a origem dessa palavra. Hoje, porém, sabemos que o leopardo não é uma mistura de duas espécies diferentes. É uma espécie própria. Por isso, tem um nome só seu: Panthera pardus.

Aliás, veja só como o nome científico facilitou as coisas. Em diferentes épocas e em diferentes línguas, uma mesma espécie já foi chamada de panther, panthera, pardus, pardos, leontopardos, leopardos, leopardo... Mas na linguaguem padronizada pelos cientistas, o nome é um só em qualquer lugar do mundo: Panthera pardus!

E aí, gostou de saber mais sobre os nomes do animal que virou mascote da Copa? Espero que sim! Agora pegue sua bandeira, reúna a família e amigos, e vamos torcer pela seleção brasileira na África do Sul!

Henrique Caldeira Costa
Museu de Zoologia João Moojen
Universidade Federal de Viçosa

Muito prazer! Meu nome é...

Entenda como os cientistas batizam as diferentes espécies de animais que existem no planeta

Por: Henrique Caldeira Costa, Museu de Zoologia João Moojen, Universidade Federal de Viçosa

Publicado em 10/02/2010 | Atualizado em 23/06/2010

João-de-barro, forneiro, pedreiro, oleiro... São muitos os nomes dessa espécie de ave, muito comum no Brasil (foto: Alexander Zaidan).

Conhece o forneiro? Não? Então, saiba que você pode não estar ligando o nome ao bicho! Este é apenas um dos nomes dados ao joão-de-barro, um pássaro muito comum no Brasil. Dependendo da região onde é encontrado, ele também pode ser chamado de pedreiro ou oleiro. Na Argentina, é conhecido como hornero! Saber que esse animal pode ter tantos nomes diferentes só gerou mais confusão? Pois é para evitar problemas desse tipo que as espécies têm o que chamamos de nome científico. O do joão-de-barro, por exemplo, é Furnarius rufus. Diante dele, os ornitólogos, cientistas que estudam as aves, não têm dúvida: sabem exatamente que bicho é esse!

O nome científico é muito importante porque facilita a comunicação. Afinal, é comum que a mesma espécie receba um nome diferente em cada região do país onde é encontrada e, principalmente, em países que falam línguas distintas. O pardal, por exemplo, é chamado de english sparrow ou house sparrow em inglês, gorrión común em espanhol e moineau domestique em francês. Mas para os cientistas de qualquer lugar do mundo ele é o Passer domesticus!

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Carl Linné difundiu a ideia de usar um nome científico formado por duas palavras para identificar as diferentes espécies que existem (ilustração: pintura de Alexander Roslin feita em 1775).

Foi o sueco Carl Linné, no século 18, que difundiu a ideia do uso do nome científico das espécies como o conhecemos hoje, formado por duas palavras. A primeira é o nome genérico: escrito com inicial maiúscula, ele é igual para todas as espécies que pertencem a um mesmo gênero, ou seja, que têm muitas características em comum. Já a segunda palavra que forma o nome científico é o chamado nome específico. Escrito com inicial minúscula, ele identifica cada espécie de um gênero. Para ficar fácil de entender, aqui vai um exemplo: as preguiças que apresentam três dedos em cada pata pertencem ao gênero Bradypus. No Brasil, esse gênero tem três espécies: Bradypus torquatus (popularmente conhecida como preguiça-de-coleira), Bradypus tridactylus (preguiça-de-garganta-amarela) e Bradypus variegatus (preguiça-de-garganta-marrom).

Mas você deve estar se perguntando: por que os nomes científicos das espécies são escritos desse jeito tão diferente? Isso acontece porque as palavras usadas para se criar o nome científico de um animal podem ser de qualquer língua ou até mesmo inventadas, mas recomenda-se que sejam escritas como se estivessem em latim: a língua do antigo Império Romano, por muito tempo usada em textos científicos.

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Da esquerda para a direita, você vê a preguiça-de-coleira, a preguiça-de-garganta-amarela e a preguiça-de-garganta marrom (fotos: Carlos Henrique O. Nogueira, Claudinéia B. Lima e Stefan Laube).

O nome científico também deve estar sempre em destaque em um texto: isto é, escrito em itálico, negrito ou sublinhado. E tem mais! Se um cientista descobre uma espécie nova de um gênero que já é conhecido, o único nome que ele pode criar é o nome específico. O nome genérico tem que ser o já existente. É mais ou menos o que aconteceu quando você nasceu. Seus pais não puderam criar um sobrenome novo para você, não é?

Apesar disso, os cientistas têm bastante liberdade na hora de criar o nome científico de uma nova espécie. Ele pode indicar uma característica do animal, fazer referência a alguma palavra indígena ou personalidade, e até não ter significado algum!

Na coluna O nome dos bichos, teremos a missão de explorar todo mês o nome científico de algum animal e descobrir seu significado. Em alguns casos, também vamos investigar seus nomes comuns. A partir disso, garanto que você passará a enxergar nossos bichos com outros olhos! E aí? Preparado para esta aventura?