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terça-feira, 3 de setembro de 2019

03 de setembro de 2019.

Quais são os principais tipos de solos no Brasil?


Na Pedologia, o solo é definido como uma “coleção de corpos naturais, constituídos por partes sólidas, líquidas e gasosas, tridimensionais, dinâmicos, formados por materiais minerais e orgânicos que ocupam a maior parte do manto superficial das extensões continentais do planeta, contêm matéria viva e podem ser vegetados na natureza onde ocorrem e, eventualmente, terem sido modificados por interferências antrópicas” (EMBRAPA, 2013, p. 27).

A formação do solo ocorre a partir da alteração (intemperismo) do material de origem (rocha ou sedimento) causada pelos organismos e pelo clima, em um  determinado tempo e com o controle do relevo. Assim, os fatores de sua formação são: material de origem, clima, organismos, relevo e tempo que atuam de forma integrada e concomitante.

Principais horizontes e camadas dos solos

 Horizonte Hístico (H ou O) – é um horizonte de constituição orgânica, em que o teor de carbono orgânico deve ser ≥ 8%. O horizonte hístico pode ser formado em ambientes com excesso de água (encharcados), como várzeas, veredas, pântanos, mangues, etc. Nesse caso, ele é reconhecido como horizonte H. Já nos ambientes sem encharcamento, recebe a denominação de horizonte O. Geralmente são formados por vegetação florestal, onde o aporte de matéria orgânica é muito grande.

Horizonte A – é um horizonte de constituição mineral, cujas características (cor, estrutura e consistência) são associadas à presença de matéria orgânica decomposta, húmus.

Horizonte E – horizonte de constituição mineral, cujas características (como cor e textura, principalmente) indicam perda de argila ou húmus por transporte de material. A letra E está associada ao processo de eluviação (perda) que, quando é muito acentuada, deixa o horizonte E completamente branco (presença marcante de areia), recebendo a adjetivação de horizonte E álbico.

Horizonte B – horizonte de constituição mineral, cujas características (cor, textura, estrutura, etc.) refletem a atuação dos processos de formação do solo. Geralmente, o horizonte B já não apresenta características do material de origem, pois elas já foram alteradas pela pedogênese.

Horizonte ou camada C – é de constituição mineral, sendo considerado horizonte quando formado pela alteração do material de origem, ou seja, associado ao intemperismo da rocha (formação in situ) e, muitas vezes, ainda apresenta alguma característica desta.

Camada R – trata-se da rocha não alterada .
Figura 01: Principais horizontes e camadas dos solos.

Classes de solo no Brasil

Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (2006),  no Brasil são reconhecidas 13 classes de solos ,   considerando apenas o primeiro nível categórico. A seguir será feita uma breve descrição dessas classes:

Neossolos
  •  São solos jovens, sem horizonte B, formados em ambiente sem excesso de água. Como são solos muito heterogêneos, estes podem ser divididos considerando o segundo nível categórico.
Neossolos Regolíticos
  • Sequência possível de horizontes: A/C/R, com espessura do A+C > 50 cm. São solos normalmente associados aos locais de relevo mais movimentado, onde a taxa de pedogênese é baixa, ou onde a erosão é acentuada (processo de rejuvenescimento do solo). • São solos altamente susceptíveis à erosão pela presença superficial do horizonte C. Ocorre pontualmente em todo o território brasileiro.
Neossolo Regolítico eutrófico. Fonte: Acervo da Embrapa Solos. Foto: Maria de Lourdes Mendonça Santos
 Neossolos Quartzarênicos
  • Sequência possível de horizontes: A/C/R, sendo que as texturas dos horizontes A e C devem ser arenosas, ou seja, ter % areia ≥ 70%. São solos associados a áreas de litologia de arenitos e quartzitos. Bastante comuns no semiárido, algumas áreas do sul e do cerrado brasileiro.
Figura:Perfil de NEOSSOLO QUARTZARENICO. Município de Brasilia de Minas – MG.
Neossolos Flúvicos
  • Solos formados por camadas de sedimentos aluviais (depositados pelos rios). Ocorrem em todo o Brasil na margem dos rios. São muito heterogêneos e difíceis de ser caracterizados com relação à fertilidade e textura, pois cada camada pode possui uma característica diferente.
Figura: Perfil de NEOSSOLO FLUVICO.
Neossolos Litólicos
  • Sequência possível de horizontes: A/R; A/C/R, sendo que, no segundo caso, a espessura do horizonte A somada com a do horizonte C deve ser ≤ 50 cm. Ocorrem pontualmente por todo o território nacional, tendendo a se concentrar em áreas de relevo bastante movimentado. A principal limitação a seu uso agrícola é sua pequena espessura. Suas características de fertilidade e textura estão diretamente relacionadas às características do material de origem.
Figura: Perfil de NEOSSOLO LITÓLICO cascalhento. Município de Alexânia– GO.
 Organossolos
  • Sequência possível de horizontes: O/A/B/C ou H/C. São solos que apresentam horizonte hístico (O ou H) com, no mínimo, 40 cm de espessura.
Perfil de ORGANOSSOLO no município de Catas Altas – MG.

Gleissolos
  • Possível sequência de horizontes: H/Cg (com H < 40 cm) ou A/C. São solos que ocorrem somente em áreas encharcadas.  O horizonte A é muito escuro e está sobre um horizonte C bem claro, com possível presença de mosqueados. O gleissolos são encontrados em áreas de várzeas, veredas, mangues, etc.
Perfil de GLEISSOLO no município de Uberlândia – MG.
Chernossolos
  • Sequência possível de horizontes: A/R; A/C/R e A/B/C/R. Solos pouco profundos com horizonte superficial A chernozêmico sobre horizonte B textural avermelhado, com argila de atividade e saturação por bases alta. Ocorrem em quase todas as regiões do Brasil, em pequenas extensões, geralmente associados às rochas pouco ácidas em climas com estação seca acentuada. A fertilidade é bastante elevada, logo, as condições para o enraizamento em profundidade são muito boas, principalmente se a profundidade do solo for adequada.
Perfil de CHERNOSSOLO no município de Italva – RJ.
 Vertissolos
  •   São solos ricos em argila do tipo 2:1, sendo comum na região nordeste do Brasil. Em época seca, eles se contraem e, em função da contração, ocorre a formação de fendilhamentos profundos e rachaduras,  na época úmida, se expandem.   Normalmente, o material da superfície cai nessas fendas, gerando uma contínua mistura dos constituintes dos horizontes do solo, o que dificulta a formação do horizonte B. Por isso, normalmente, não apresenta horizonte B, tendo como sequência mais típica Av/Cv (o v indica características vérticas – expansão e contração do solo). A maior parte destes solos é pouco espessa, tendo menos de 2 metros de profundidade.  Apresentam fertilidade alta, porém são difíceis de serem manejados. Quando seco, eles são extremamente duros e, quando úmidos, muito plásticos e pegajosos.
Perfil de VERTISSOLO no município de Floriano –PI.
Espodossolos
  •   Possível sequência de horizontes: A/E/Bh/C.  Os espodossolos ocorrem em solos arenosos, condição que favorece a movimentação de húmus (podzolização). No horizonte Bh apresenta coloração escura. No processo de podzolização, parte do húmus estaciona no horizonte B e parte atinge o nível freático, consequentemente influenciando a coloração dos rios da região, que fica escura. Em razão ao húmus na água e pelo seu pH reduzido, há floculação e sedimentação no leito do rio, fazendo com que quase não haja sedimentos.
Figura: ESPODOSSOLO Humilúvico hidromórfico. Fonte: Embrapa Solos. Foto: Maria de Lourdes Mendonça Santos
 Plintossolos
  • Possível sequência de horizontes: A/Bf/C.  O horizonte Bf é resultado de problemas de drenagem (com  encharcamentos temporários), favorecendo a concentração de ferro e a formação de plintitas. Esta dificuldade de drenagem é gerada pela mudança drástica de porosidade dentro do perfil do solo. Quando há endurecimento da plintita (petroplintitas), o solo é denominado de plintossolo pétrico.
Figura: Perfil de PLINTOSSOLO Pétrico, no município de Piracuruca – PI
Argissolos
  • Tem como processo específico de formação o transporte de argila.  Possível sequência de horizontes: A/E/Bt/C ou A/Bt/C.  São solos que ocorrem somente em áreas encharcadas.  A argila do Bt deve ser de baixa atividade (Tb).  Esta é a segunda classe de solos mais comum no país, após a classe dos latossolos. É comum encontrar argissolos associados aos latossolos nas mesmas áreas, sendo que os latossolos ocorrem em locais mais planos e os argissolos, nos mais movimentados. Os argissolos tendem a ser mais férteis que os latossolos, porém mais susceptíveis à erosão.
    Figura: Perfil de ARGISSOLO. Município de Brasilia de Minas – MG.
Nitossolos
  • Sofreram podzolização com movimentação de argila, porém nunca apresentam horizonte E. Possível sequência de horizontes: A/B nítico/C.  O horizonte B nítico apresenta cerosidade (moderada a forte) e está associado a materiais de origem com pouco silício, não formando gradiente textural. A argila do B nítico também deve ser de baixa atividade (Tb), ou seja, CTC argila < 24 cmolc/kg. Os nitossolos mais comuns no Brasil estão associados a basalto e predominam na região sul do Brasil, nas áreas onde ocorreu o derrame basáltico.
Figura: Perfil de NITOSSOLO, entre os municípios Guiricema e Miraí – MG
Luvissolos
  •  Sequência possível de horizontes: A/E/Bt/C; A/Bt/C.  A argila do Bt deve ser de alta atividade (Ta), ou seja, CTC argila ≥ 24cmolc/kg, conjugada com V% maior ou igual a 50%.  Ocupam 15% da área do semiárido, predominando na região mais seca, o sertão.  Este tipo de solos está associado a ambiente pouco lixiviado, e são solos extremamente férteis, porém rasos, raramente ultrapassando 2 m.  Apresentam rochosidades (presença de restos da rocha de origem) misturadas no solo e na superfície.  Normalmente, apresentam horizonte A fraco, pois o clima da região dificulta a produção de matéria orgânica.
Figura: Perfil de LUVISSOLO, com Horizonte B argila de alta atividade. Município de Viçosa – MG.

Planossolos
  • Formado por podzolização de argila, com transição abrupta do horizonte E para o B. É comum a ocorrência de mudança textural abrupta, gerando impermeabilização natural, o que pode acarretar a formação de um nível freático temporário suspenso no período chuvoso. Normalmente, há mosqueados no topo do B plânico. Possível sequência de horizontes: A/E/Bplânico/C.
Figura: Perfil de PLANOSSOLO , no município de Salinas – MG.
Cambissolos
  • Possível sequência de horizontes A/Bi/C. Não existe processo de formação ou característica definida para este tipo de solo. Está associado a áreas de relevo movimentado e, que normalmente é muito suscetível à erosão.

Figura: Perfil de CAMBISSOLO, com horizonte B incipiente, no município de Mariana – MG.
Latossolos
  •  Os latossolos representam cerca de 50% dos solos do Brasil. Constituem solos com horizonte B latossólico e são, sob o ponto de vista pedogenético, os solos mais desenvolvidos da crosta terrestre. Possuem perfil muito profundo apresentando sequência de horizonte, A, B e C, com predominância de transições difusas e graduais entre os sub-horizontes. A profundidade do solum (horizonte A + B) normalmente é superior a dois metros.
Figura: Perfil de LATOSSOLO VERMELHO, com exposição do Horizonte B muito profundo. Município de Igarapava – SP

Nesse texto abordamos os principais tipos de solos ocorrentes no Brasil  considerando somente o 1° nivel categórico de classificação.

 Referencias Bibliográficas

AGENCIA EMBRAPA DE TECNOLOGIA. Disponível em: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br. Acesso em junho de 2018.

EMBRAPA. Disponível em: https://www.embrapa.br/solos/sibcs/classificacao-de-solos/ordens:  Acesso em junho de 2018.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 3ª edição. Rio de Janeiro, 2013.

SANTOS, R.D.; LEMOS, R.C.; SANTOS, H.G. dos; KER, J.C.; ANJOS, L.H.C. dos. Manual de Descrição e Coleta de Solo no Campo. SBCS/CNPS – EMBRAPA. 6ª edição. Viçosa, 2013.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Tipos e etapas da erosão

22/01/2019
Ela compreende desgaste, desprendimento, arraste e deposição de partículas de solo, sendo as águas das chuvas (erosão hídrica) e os ventos (erosão eólica) os dois principais agentes do processo erosivo no Brasil.
Tipos e etapas da erosão
Erosão hídrica
Consiste no processo desencadeado a partir do impacto da chuva sobre o solo, escoando na forma de enxurrada. Ocorre naturalmente e, nesta escala, promove os ciclos biogeoquímicos, a formação da paisagem e o rejuvenescimento dos solos. Contudo, agrava-se por influência do homem, sobretudo pelo uso do solo descoberto.
Erosão eólica
É a erosão causada pela ação dos ventos e também tem como agravante a retirada da vegetação de cobertura do solo. Áreas desérticas, especialmente as de solo arenoso, são mais suscetíveis à erosão eólica. No Brasil, nas áreas áridas e semiáridas nordestinas e no Rio Grande do Sul, existem impactos significativos da erosão eólica.
Ocorrência da erosão
A erosão ocorre, portanto, de forma natural ou geológica ou acelerada pelo homem. Nas primeiras, naturalmente, houve co-evolução entre a Terra e os seres vivos, resultando na vida pelo equilíbrio que conhecemos.

Algumas formas de uso do solo contribuem para a erosão. Dentre elas, destacam-se: revolvimento intensivo, que culmina com desestruturação do solo; uso em desacordo com o zoneamento edafoagroclimático; monocultura; solo descoberto ou com vegetação pouco protetora; linhas de plantio fora de nível; queimadas; uso de áreas muito inclinadas sem a devida adoção de práticas conservacionistas, entre outros.

A erosão inicia-se com o desprendimento ou desagregação da estrutura do solo. Geralmente, tanto o revolvimento do solo, como o impacto da gota da chuva sobre a estrutura do solo, desprendem as partículas mais finas (argilas). A seguir, o material desprendido sofre transporte, a segunda etapa do processo erosivo. A água da chuva via enxurrada e, ou, o vento, arrastam tais partículas. Assim, a terceira e última etapa da erosão acontece: a deposição do material que foi desagregado e transportado.
Embora a erosão eólica transporte partículas finas em escalas intercontinentais, com importância fundamental para a geologia, a erosão hídrica tende a ser mais pronunciada em regiões de clima tropical, de chuvas intensas.
Erosão pelo impacto da gota da chuva
Ao atingir o solo descoberto, o pingo de chuva forma uma microcatera compactada, de até quatro vezes o tamanho da gota. Há desagregação dos agregados do solo. A partir desse desprendimento de partículas argilosas, ocorre o seu transporte e o entupimento de poros do solo. Forma-se uma crosta delgada superficial, que reduz a infiltração da água. A manutenção da cobertura do solo, basicamente, é uma prática conservacionista eficiente em reduzir tal erosão.
Erosão laminar
A erosão laminar vai removendo camadas de solo, sem modificar o relevo nos primeiros momentos. Em geral, passa despercebida no início. Assim, seu perigo está na sua continuidade, pela pouca visibilidade. Aparecem raízes e material mais grosseiro na superfície do solo, dada a desagregação e remoção das partículas mais finas.
A fertilidade do solo, maior nas camadas superficiais do solo, vai diminuindo ao longo do tempo. Com menor fertilidade, o solo vai perdendo vegetação e tornando-se menos coberto, o que aumenta a predisposição à erosão pelo impacto da gota da chuva, iniciando um ciclo de degradação do solo. Como se agrava em áreas de declividade maior, tem no plantio em nível, nas faixas de contenção, etc., as medidas de controle da erosão mais eficientes.
Erosão em sulcos
Erosão ocasionada pelo deslocamento preferencial da enxurrada, formando sulcos progressivamente mais profundos. A erosão em sulcos é agravada em áreas de declive acentuado e, principalmente, longo. O plantio em nível, as faixas de contenção, etc, são as medidas preventivas que geralmente contêm a erosão em sulcos. Como é visível no terreno, pode ser logo controlada.
Erosão em voçorocas
Se não for controlada, a erosão em sulcos pode evoluir para erosão em voçorocas. Formam ravinas que modificam totalmente a paisagem. Pode ser comprida e profunda, atingindo magnitudes de dezenas e centenas de metros. Ocorre pela passagem de enxurrada anualmente no mesmo sulco, aprofundando-o. Cortando o horizonte superficial (A) e o genético (B), estruturados em agregados, ao atingir o horizonte de características herdadas (C), sem agregação, o sulco torna-se profundo de forma mais rápida.

Alternativamente, a infiltração da água por camadas mais superficiais e o encontro dessa água com uma camada subsuperficial de difícil percolação, pode levar ao solapamento, ou seja, uma forma de deslizamento de cotas superior para inferior. Como a erosão por voçorocas é muito mais grave, impedindo geralmente o cultivo na área erodida, seu controle é mais oneroso e demanda manejo especializado.

Esse é o segundo texto do artigo sobre “Conservação do solo e da água”. 
Leia a continuação deste artigo nos links:
2 – Tipos e etapas da erosão.
3 – Fatores que afetam a erosão
4 – Controle da erosão

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Gênese, fatores de formação e processos pedogenéticos.

O solo, que é um corpo trimensional, forma-se pela ação dos fatores de formação e dos processos pedogenéticos. O conhecimento pedogênese é importante para a compreensão do padrão da distribuição dos diversos solos na paisagem. Enquanto que a dessilicatização como conseqüência do alto grau de intemperismo é o principal processo pedogenético do horizonte B latossólico dos Latossolos, a dispersão da argila no horizonte A e posterior acúmulo no horizonte B textural (migração de argila) é típica dos Argissolos, e dos Luvissolos com esse tipo de horizonte subsuperficial.

A translocação de argila do horizonte A para o horizonte B com cerosidade muito evidente nos agregados estruturais bem desenvolvidos reflete a gênese do horizonte B nítico dos Nitossolos e Chernossolos com esse tipo de horizonte subsuperficial. Os Chernossolos formam-se derivados de material argiloso ou muito argiloso e com alta saturação por bases, e ao mesmo tempo sob vegetação com alta biomassa no horizonte A. Os Neossolos Litólicos geneticamente são muito jovens devido ao insuficiente tempo de intemperismo na gênese do horizonte B diagnóstico, ao contrário do horizonte B incipiente dos Cambissolos. Enquanto que os Neossolos Quatzarênicos formam-se sobre depósitos arenosos, os Neossolos Flúvicos formam-se a partir de depósitos de sedimentos trazidos pelos rios e riachos em inundações pretéritas, e ambos (juntamente com os Neossolos Litólicos) não apresentam horizonte B, por isso considerados como Neo (novo). Os Plintossolos são formados sob condições que favoreceram a formação da plintita (ou petroplintita pelo ressecamento da plintita), os Espodossolos são formados pela pelo intenso movimento vertical de matéria orgânica e da dissolução química de compostos de ferro e de alumínio (podzolização química). Os Vertissolos formam-se sobre sedimentos com alta saturação por bases num ambiente de lixiviação de bases desprezível permitindo assim a formação de minerais de argila do tipo 2:1. Os Gleissolos formam-se sob a forte ação do lençol freático elevado, em condições de encharcamento prolongado nas várzeas. Quando existe acúmulo de sais na superfície formam-se os Gleissolos sálicos, que depois de intensa lixiviação de sais dos Gleissolos sálicos originam os Planossolos Nátricos.

A gênese dos Organossolos é condicionada, ao mesmo, ao excesso de água e a alta taxa de adição de restos orgânicos nos locais mais deprimidos das várzeas. Além da gênese dos solos é necessário considerar os cinco fatores de formação dos solos, representados pelo clima, material de origem, relevo, vegetação e tempo (e seus processos pedogenéticos), pois o clima juntamente com os organismos agem no material de origem (geralmente rocha) num determinado relevo, transformando-o em solo ao longo do tempo. Os referidos processos pedogenéticos são: transformação; translocação; adição; e remoção.

A transformação dos constituintes dos solos pode ser química, física, biológica e mineralógica. Pelo processo de intemperismo, minerais primários são transformados com a conseqüente remoção de sílica e bases no perfil, representando a gênese conhecida como latossolização, típica da classe dos Latossolos.
A translocação de material do horizonte A para o horizonte B, são de dois tipos: mecânica ou química. A translocaçãoé mecânica quando a argila silicatada depois de dispersar se no horizonte A transloca-se para o horizonte B formando a cerosidade nos agregados estruturais dos Argissolos, Luvissolos, Nitossolos, e Chernossolos. Por outro lado, a translocação química da matéria orgânica e dos óxidos de ferro e alumínio do horizonte A para o horizonte B é específica dos Espodossolos.

A adição pode ser de matéria orgânica na camada arável, sais por capilaridade nos solos salinos, e de materiais trazidos pelo vento (poeiras industriais contendo substâncias tóxicas, cinzas vulcânicas e cinzas das queimadas), a remoção dos elementos químicos exportados na colheita das plantas, das enxurradas e queimadas, das migrações laterais e em profundidade no perfil de solo completam a pedogênese.

sábado, 16 de maio de 2015

Pedologia: Como descrever um solo?

Segundo Igo Lepsch em seu livro 19 lições de Pedologia, primeiro, observe a aparência da paisagem em que o solo se situa, veja figura abaixo:
Foto solo
Todas as partes do solo devem ser observadas com atenção e descritas, tanto as internas (como no perfil exposto, à direita, em um corte de estrada) como as de sua paisagem, principalmente seu relevo (no caso, morros ou “relevo forte ondulado”) e a vegetação que o cobre (floresta de eucaliptos recém-plantados). Foto: I. F. Lepsch. Retirado do livro 19 lições e Pedologia. Ed. Oficina de Textos. Todo os direitos reservados.
  • Trata-se de uma baixada, colina, morrote, morro ou montanha?
  • A superfície do terreno é plana, ligeiramente inclinada ou muito inclinada?
  • A vegetação sobre o solo é de mata, pastagem ou uma lavoura?
  • Existem pedras e/ou matacões à superfície?
  • Em seguida, questione-se acerca dos seus aspectos internos, ou seja, o perfil do solo que está sendo examinado. Escolha um pequeno local que achar ser mais representativ desse solo para nele amostrar um pedon e descrever o perfil, e anote a respectiva posição topográfica; por exemplo: se está na parte inferior, mediana ou superior de uma encosta, anotando também algumas feições desta – inclinação, forma (côncava, convexa, linear etc.). Na a seguir você pode observar o início de um exame do perfil de um solo.]
Depois, escave uma trincheira ou, se existir, escolha um lugar onde todo o solum esteja exposto (p.ex., barranco de estrada). Se escolher um barranco, primeiro é necessário limpá-lo adequadamente, raspando cerca de 30 cm até expor uma face vertical. Fazendo isso, você já estará começando a notar vários atributos dessa pequena unidade tridimensional que escolheu para representar um corpo de solo: se duro ou macio, com pedras ou sem pedras etc. Após “dissecar” seu pedon, empunhe uma faca, canivete ou martelo e comece a “futucá-lo”.
Logo irá expor o perfil do solo e, à medida que os examina de cima para baixo, note seus diferentes horizontes, de diferentes cores e consistências. Feito isso, demarque os horizontes com a ponta de sua faca, por exemplo. Se você estiver diante de um solo que tem um horizonte B de iluviação de argila e sob vegetação de floresta, poderá encontrar a seguinte sequência vertical:
  1. uma camada mais superficial, orgânica, constituída de folhas, mais ou menos decompostas, com apenas alguns centímetros de espessura: o horizonte O;
  2. logo abaixo, outra que não é orgânica, mas com algum húmus, na maior parte das vezes variando de 20 a 40 cm de espessura: o horizonte A;
  3. abaixo desta, outra camada, também com alguns centímetros, com cores mais claras do que as que lhe estão acima e abaixo: o horizonte E;
  4. continuando, e descendo, uma porção mais avermelhada ou amarelada, mais
consistente: o horizonte B;
  1. abaixo desta, se você escavou suficientemente fundo (até 2 m ou mais), encontrará outra camada, que lembra uma rocha, porém não tão endurecida: o horizonte C;
  2. se você conseguiu cavar – ou limpar o barranco – mais fundo ainda, verá também, abaixo do horizonte C, a rocha da qual, presumivelmente, o solo se desenvolveu.
Foto solo 2
O início do exame do perfil do solo: (à esq.) exposição do perfil em um barranco ou trincheira; (à dir.) delimitação dos horizontes e primeiro exame de suas amostras na palma da mão (Fotos: Rodrigo E. Munhoz) Fonte: adaptado de (Ruellan e Castro, 2008). Retirado do livro 19 lições e Pedologia. Ed. Oficina de Textos. Todos os direitos reservados.
Várias características podem ser observadas e anotadas no exame e na descrição das feições de um perfil e na amostragem do volume de seus horizontes. No Brasil, as normas para essas descrições estão padronizadas em manuais, como o da Embrapa e o do IBGE, que se baseiam no Manual de Levantamentos de Solos (Soil Survey Manual), publicado nos Estados Unidos (1993).
Tudo a ver
capa livroPara entender mais sobre as principais feições morfológicas, análise da fração sólida do solo, Processos e fatores de formação do solo entre outras, adquira o livro 19 lições de Pedologia. O livro aborda desde rochas e minerais que dão origem aos solos, passa pelos processos de intemperismo, fundamenta e apresenta o Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos.
Didática, a obra é organizada em 19 lições e conta com exercícios resolvidos a cada capítulo. Explica as funções que estão refletidas nos atributos mineralógicos, biológicos, físicos e químicos – principalmente as relacionadas com o crescimento das plantas. O autor ensina ainda como examinar a aparência dos solos e a analisar e interpretar seus atributos.