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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Mandíbula voraz: conheça o dinossauro predador mais antigo do Brasil

“Gnathovorax cabreirai” tem o esqueleto mais completo encontrado no País e é uma das espécies mais antigas já reveladas no mundo
Gnathovorax cabreirai em vida na concepção do paleoartista Márcio L. Castro
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da USP publicaram estudo em que apresentam uma nova espécie de dinossauro predador, o Gnathovorax cabreirai. Originário do período Triássico (com aproximadamente 230 milhões de anos), ele é um dos mais antigos já encontrados no mundo.

O fóssil, descoberto em 2014 no município de São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul, é o mais bem preservado do tipo já encontrado no Brasil. Bastante completo, o esqueleto revela que o animal tinha dentes pontiagudos e munidos de serrilhas, assim como garras longas nos dedos das mãos, que ajudavam a capturar as presas. 
Localização do achado – Imagens: reconstrução em vida por Márcio L. Castro e esqueleto por Rodrigo Temp Müller
O grau de preservação permitiu que, com o uso de modernas técnicas de tomografia computadorizada, os pesquisadores reconstruíssem parte da morfologia do cérebro do animal. Os detalhes anatômicos do cérebro revelaram características que são comuns em répteis predadores, como regiões bem desenvolvidas relacionadas ao equilíbrio e à visão. A combinação destas feições indica que este animal foi um predador ativo no ambiente em que viveu. O nome Gnathovorax significa “mandíbulas vorazes”, enquanto que cabreirai faz referência ao paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira, responsável pela descoberta do esqueleto no ano de 2014.
O estudo foi publicado no periódico científico PeerJ e foi conduzido pelo egresso do curso de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, Cristian Pereira Pacheco, pelo paleontólogo do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP Max Cardoso Langer e pelos paleontólogos da UFSM Rodrigo Temp Müller,  Leonardo Kerber, Flávio A. Pretto e Sérgio Dias da Silva. O responsável por realizar a reconstrução do Gnathovorax cabreirai em vida foi o paleoartista Márcio L. Castro.
Maior dinossauro brasileiro de seu tempo
Esqueleto de Gnathovorax cabreirai – Imagem: Rodrigo Temp Müller
Os dinossauros dominaram a Terra durante quase toda a Era Mesozoica (entre aproximadamente 250 e 65 milhões de anos atrás). Dentre as inúmeras espécies que viveram durante este momento, muita atenção é dada aos predadores de grande porte, como o norte-americano Tyrannosaurus rex, famoso no cinema. Assim como ele, os dinossauros predadores mais conhecidos são encontrados em rochas do Período Jurássico ou Cretáceo (entre 201 e 65 milhões de anos). Já no primeiro período da Era Mesozoica, o Triássico, os dinossauros carnívoros são raros, eram menores e pouco conhecidos.
O Gnathovorax chegava a medir 3 metros de comprimento e, apesar de ser menor que os famosos predadores do Jurássico ou Cretáceo, era um dos maiores carnívoros do ambiente em que ele vivia, e seguramente o maior dinossauro brasileiro de seu tempo. Outros dinossauros que conviveram com ele, como o Buriolestes schultzi, mediam cerca de 1,5 metro de comprimento.

Esqueleto completo ficará em exposição no Brasil

Bloco de rocha com o fóssil – Foto: Rodrigo Temp Müller
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Crânio de Gnathovorax cabreirai – Foto: Rodrigo Temp Müller
A análise de grau de parentesco realizada no estudo indicou que o novo dinossauro foi membro de um grupo chamado Herrerasauridae, sendo parente de alguns dinossauros de idade próxima descobertos no Brasil e na Argentina. Entretanto, o esqueleto do Gnathovorax cabreirai é o mais bem preservado já descoberto para dinossauros deste grupo. O último herrerassaurídeo (o Staurikosaurus pricei) foi descoberto no Brasil em 1936 e seu esqueleto está hoje em Harvard, nos Estados Unidos. 
A nova descoberta, no entanto, ficará em solo brasileiro. Isso permitirá que aqueles que tiverem interesse em conhecer o fóssil de um dinossauro herrerassaurídeo possam visitá-lo no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), em São João do Polêsine (RS).
Por Rodrigo Temp Müller, paleontólogo da Universidade Federal de Santa Maria

Confira o vídeo sobre a descoberta feito pelo Colecionador de Ossos, canal de divulgação científica que é parte da rede Science Vlogs Brasil:

domingo, 14 de outubro de 2012

Feras brasileiras

O número de novas espécies de dinossauros encontradas no Brasil aumentou mais de cinco vezes desde o início de 1999. Em sua coluna de outubro, Alexander Kellner faz um breve levantamento desses animais que viveram em nosso território e comenta as dificuldades de sua identificação. 
 
Por: Alexander Kellner
Publicado em 12/10/2012 | Atualizado em 12/10/2012
Feras brasileiras
O primeiro dinossauro descrito no Brasil foi o ‘Staurikosaurus pricei’, que tinha pouco mais de 2 m de comprimento e caminhava sobre duas patas. (ilustração: Maurilio Oliveira – Museu Nacional/ UFRJ) 

 
A pesquisa sobre dinossauros no mundo tem se expandido bastante nesses últimos anos e o mesmo ocorre no nosso país. A exposição ‘O Brasil no Tempo dos Dinossauros’, realizada no início de 1999 no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um marco nesse sentido, ao colocar em evidência no país esses animais pré-históricos. Depois dessa mostra, paleontólogos de diversas instituições começaram a descrever mais dinossauros e o número de novas espécies brasileiras mais do que quintuplicou: passou de quatro para 21 consideradas válidas.
Desde o início de 1999, o número de novas espécies brasileiras mais do que quintuplicou: passou de quatro para 21 consideradas válidas
Durante a minha carreira, já me perguntaram diversas vezes quantos dinossauros existem no Brasil. Mas nunca ouvi tanto essa pergunta como neste ano. Os próprios leitores da coluna já fizeram essa indagação mais de uma dezena de vezes.
Confesso que não tenho a menor ideia do motivo desse interesse nos nossos dinossauros. Já pensei até que todos (menos eu!) soubessem de algum lançamento da série Jurassic Park. Aliás, seria legal se um novo filme dessa fantástica série de Steven Spielberg estivesse em produção... Bem, promessas de um quarto episódio aparecem de vez em quando na internet, mas não existe nada de concreto – pelo menos, não que eu saiba.
Voltando aos nossos dinos, na maioria das vezes quem pergunta são alunos – ou pais de alunos – que estão desenvolvendo algum tipo de trabalho na escola. Mas também muitos profissionais da mídia têm se interessado no assunto. Por isso, resolvi abordar esse tema nesta coluna.

Número controverso

O número exato de dinossauros brasileiros pode variar, dependendo de quem for consultado. Sei que, à primeira vista, pode parecer meio confuso para o leitor, mas eu já explico. E nada melhor do que um bom exemplo para isso.
O primeiro dinossauro a ser descrito no Brasil foi o Staurikosaurus pricei. Essa espécie foi proposta a partir de um único exemplar coletado nas rochas avermelhadas que recebem o nome de Formação Santa Maria e que afloram em uma localidade próxima à cidade homônima, no interior do Rio Grande do Sul. Essas camadas são datadas de cerca de 225 milhões de anos atrás, época em que os dinossauros acabavam de surgir e estavam começando a se diversificar para ocupar diferentes regiões do nosso planeta.
Fósseis de Staurikosaurus pricei
O ‘Staurikosaurus pricei’ foi descrito em 1970 a partir de um único esqueleto coletado no Rio Grande do Sul, em rochas de cerca de 225 milhões de anos. (foto cedida pelo autor)
O único esqueleto dessa espécie recuperado até agora foi descrito pelo famoso paleontólogo norte-americano Edwin Colbert (1905-2001) em 1970 e sempre gerou controvérsias. Havia pesquisadores, como o próprio Colbert, que consideravam essa espécie herbívora e pertencente ao grupo dos ‘prossaurópodes’.
Mas estudos posteriores sugeriram que se tratava de uma forma carnívora, do grupo dos terópodes. Com base no exemplar encontrado, concluiu-se que o Staurikosaurus pricei tinha pouco mais de 2 m de comprimento total, caminhava sobre duas patas e se alimentava provavelmente de pequenas presas.
Existem ainda paleontólogos que defendem que o Staurikosaurus pricei não seria exatamente um dinossauro, mas sim um pré-dinossauro, ou seja, um réptil que, se pudesse, diria algo do tipo: eu quero ser um dinossauro quando evoluir!

Características típicas

Como se resolve um impasse como esse? A resposta está na própria maneira como se fazem as classificações atualmente: é preciso procurar no animal estudado características únicas e exclusivas (também denominadas sinapomorfias) de um determinado grupo, o que indicaria um parentesco próximo.
No caso dos dinossauros, existe um orifício na bacia (pélvis) onde a perna se encaixa. Essa região de encaixe, que se chama acetábulo, é perfurada nos dinossauros, tornando-se uma característica única desse grupo. Ela está presente no nosso Staurikosaurus, o que leva a maioria dos pesquisadores a classificar a espécie dentro desse grupo de répteis.


Além do acetábulo perfurado, há mais uma dezena de sinapomorfias que unem o grupo dos dinossauros, a maioria delas presente nas pernas e nos pés. Nesse ponto, existe um grande problema para classificar o nosso Staurikosaurus: não se conhecem os pés desse animal!
Portanto, nem todas as características típicas dos dinossauros podem ser comprovadas nessa espécie brasileira, o que gera dúvidas nos pesquisadores. De qualquer forma, pelo que se sabe hoje em dia, a maioria dos paleontólogos está confortável com a proposta de o Staurikosaurus pricei ser um dinossauro primitivo – e não um pré-dinossauro.
Vários restos de outros dinossauros primitivos foram encontrados nos sedimentos de 225 milhões de anos da Formação Santa Maria, assim como em depósitos um pouco mais novos (de aproximadamente 215 milhões de anos) da Formação Caturrita, também no Rio Grande do Sul.
Até o momento, são mais três espécies. O Pampadromaeus barberenai, descrito em 2011, e o Unaysaurus tolentinoi, descrito em 2004, já foram apresentados anteriormente nesta coluna. Além destes, tem o Saturnalia tupiniquim, um dos raros casos em que são conhecidos não apenas um, mas três esqueletos.
Saturnalia tupiniquim
‘Saturnalia tupiniquim’, um dos quatro dinossauros primitivos encontrados no Brasil, foi descrito em 1999 a partir de três esqueletos, fato raro na paleontologia. (imagem: Max Langer/ USP Ribeirão Preto)
Esse dinossauro, descrito em 1999 por uma equipe coordenada por Max Langer (Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, SP), tinha um crânio pequeno em relação ao seu corpo e alcançava em torno de 1,5 m de comprimento. Acredita-se que sua dieta era variada, incluindo tanto pequenas presas como plantas.

Ossos de uma perna só!

Outro exemplo de controvérsia na classificação desses répteis pré-históricos é o suposto dinossauro descrito em 2006 pelos colegas Jorge Ferigolo (Fundação Zoobotânica, Rio Grande do Sul) e Max Langer (USP-Ribeirão Preto).
Em escavações coordenadas por Ferigolo na região do entorno da cidade de Agudo (RS), foram encontrados vários ossos de répteis, incluindo 15 fêmures (osso que forma a parte superior da perna) do lado direito e nenhum do lado esquerdo! O material foi coletado em rochas associadas ao Triássico Superior (cerca de 215 milhões de anos atrás).
A descoberta inusitada levou os pesquisadores a denominarem esse novo réptil de Sacisaurus agudoensis, em alusão ao famoso Saci, figura de uma perna só típica do folclore brasileiro. Os cientistas acreditavam que se tratava de um dinossauro herbívoro, com cerca de 1,5 m de comprimento, pertencente a um grupo que não havia sido encontrado anteriormente no país: o Ornithischia.
Sacisaurus agudoensis
O ‘Sacisaurus agudoensis’, cujos fósseis foram encontrados em rochas de cerca de 215 milhões de anos, é classificado como um pré-dinossauro. (imagem: Max Langer/ USP Ribeirão Preto)
No entanto, novos estudos defendem que o Sacisaurus agudoensis seria, na realidade, um daqueles pré-dinossauros. Ou seja, a rigor, essa espécie não é, hoje em dia, considerada um dinossauro, mas um parente bem próximo.
Resumindo: foram descritos ao todo no Brasil até a presente data 21 espécies de dinossauros e um pré-dinossauro. Também existem duas espécies que hoje não são mais consideradas válidas, pois os exemplares em que são baseadas estão bastante incompletos e não exibem características diagnósticas que permitam sua individualização. Abordei aqui apenas algumas dessas espécies, mas em colunas futuras vou escrever sobre as demais.
Enfim, essa é a situação atual dos dinossauros encontrados no Brasil. Pelo menos por enquanto...

Os dinossauros do Brasil

- Dinosauriformes (‘pré-dinossauros’):
Sacisaurus agudoensis
  
- Dinossauros primitivos:
Staurikosaurus pricei
Saturnalia tupiniquim
Pampadromaeus barberenai
Unaysaurus tolentinoi


- Dinossauros saurópodes (herbívoros):
Amazonsaurus maranhensis
Adamantisaurus mezzalirai
Baurutitan britoi
Uberabatitan ribeiroi
Tapuiasaurus macedoi
Gondwanatitan faustoi
Trigonosaurus pricei
Aeolosaurus maximus
Maxakalisaurus topai


- Dinossauros terópodes (carnívoros):
Pycnonemosaurus nevesi
Irritator challengeri
Angaturama limai
Oxalaia quilombensis
Santanaraptor placidus
Guaibasaurus candelariensis
Mirischia asymmetrica


- Dinossauro indeterminado
Teyuwasu barberenai

- Espécies questionáveis (não-válidas)
Spondylosoma absconditum
Antarctosaurus brasiliensis










sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dinossauros brazucas

Livro recém-lançado traz dossiê sobre a vida dos gigantes que habitaram as terras brasileiras há milhões de anos. Acompanhe a história desses animais pré-históricos desde a origem da vida no planeta até a extinção do grupo.
Por: Bruna Ventura
Publicado em 01/12/2010 | Atualizado em 01/12/2010
Dinossauros brazucas
‘Irritator challengeri’, dinossauro carnívoro brasileiro (ilustração: Felipe Alves Elias).
O oceano Atlântico ainda era jovem e as praias do Maranhão estavam a poucas centenas de quilômetros da costa africana quando o Amazonsaurus maranhensis andava por essa região do Brasil. Não muito longe dali, um crocodilo terrestre chamado Baurusuchus aterrorizava o local onde hoje fica o estado de São Paulo.
Não se trata de uma versão nacional para o filme Jurassic Park. O cenário acima é real e foi construído graças aos fósseis dos dinossauros encontrados em terras brasileiras e documentados no livro O guia completo dos dinossauros do Brasil.
O guia completo dos dinossauros do Brasil
Capa do livro 'O guia completo dos dinossauros do Brasil'.
Recém-lançada pela editora Peirópolis, a obra é fruto de uma pesquisa de mais de dez anos feita pelo professor Luiz Eduardo Anelli, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), e inclui até dados obtidos a partir das mais recentes descobertas de fósseis no Brasil. “Quis fazer conhecidos dos brasileiros os dinossauros que viveram por aqui, pois nós sabemos pouco sobre o chão em que pisamos e existe uma longa história sob nossos pés”, reflete o autor.
Muitos fósseis já foram encontrados no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, no Ceará, em Pernambuco e no Maranhão. Entretanto, só 22 espécies são oficialmente reconhecidas.
Alguns dos esqueletos dessas espécies estão entre os mais antigos já encontrados e são fundamentais no estudo da origem e da evolução dos dinossauros. Esses vestígios apontam a América do Sul como o mais provável berçário dessa fascinante linhagem.

Retorno às origens

Mais do que descrever a morfologia dos dinossauros, o livro investiga as origens desses animais, o ambiente em que viveram, seus hábitos, por que se diversificaram tanto e como desapareceram há 65 milhões de anos.
“Os brasileiros vão conhecer o tempo dos dinossauros, onde e como foram encontrados e qual o significado de cada um dentro da grande árvore da vida animal”
“Os brasileiros vão conhecer o tempo dos dinossauros, onde e como foram encontrados e qual o significado de cada um dentro da grande árvore da vida animal”, afirma Anelli.
Para isso, o autor volta 4,6 bilhões de anos no tempo, até a época do surgimento da Terra. Mostra a origem da vida nos oceanos e as primeiras plantas e animais. Para que o leitor se sinta mais familiarizado com a evolução dos acontecimentos, os principais eventos da história da vida são associados às horas de um dia. “Somente a pouco menos de três horas do final do dia aparecem os primeiros animais invertebrados”, diz no livro.
A evolução dos animais é cuidadosamente documentada, desde o meio aquático. Um salto evolutivo nos leva até o período Jurássico, marcado pela multiplicação dos dinossauros, há 228 milhões de anos. “Esse grupo de animais é tão fascinante que é possível viajar com eles; é divertido estudá-los”, completa.
Rayososauros
'Rayososauros', espécie de dinossauro encontrada no Brasil (ilustração: Felipe Alves Elias).

Os fósseis do vizinho são mais numerosos

O livro também faz uma comparação entre os achados do Brasil e da Argentina. Se fosse uma partida de futebol, nós perderíamos. Enquanto o Brasil tem 22 espécies de dinossauros registradas, os hermanos argentinos estão muito à frente, com 110.
Enquanto o Brasil tem 22 espécies de dinossauros registradas, os hermanos argentinos estão muito à frente, com 110.
O autor explica que, embora o território brasileiro seja mais extenso, existem aspectos que justificam a abundância de fósseis na Argentina, como o clima, o relevo e os ambientes geológicos. “A vegetação variada, por exemplo, que atrai um maior número de herbívoros, contribui para essa discrepância”, acrescenta.
Os argentinos também ganham de nós no quesito pioneirismo. O Staurikosaurus pricei, primeiro dinossauro documentado no Brasil, foi descrito na década de 1970. Já o primeiro fóssil argentino foi descoberto quase 80 anos antes. “Os argentinos são pioneiros na América do Sul”, afirma o autor.

Ao fim do livro, o leitor encontra um catálogo ricamente ilustrado pelo paleoartista Felipe Alves Elias com todas as espécies de dinossauros brasileiros e informações sistematizadas sobre elas. As reconstruções, bem elaboradas, revelam detalhes sobre a anatomia e mostram a complexidade desses gigantes pré-históricos.

O guia completo dos dinossauros do Brasil
Luiz Eduardo Anelli (ilustrações: Felipe Alves Elias)
São Paulo, 2010, Peirópolis
224 páginas – R$ 62,00
Tel.: (11) 3816-0699