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domingo, 14 de outubro de 2012

Feras brasileiras

O número de novas espécies de dinossauros encontradas no Brasil aumentou mais de cinco vezes desde o início de 1999. Em sua coluna de outubro, Alexander Kellner faz um breve levantamento desses animais que viveram em nosso território e comenta as dificuldades de sua identificação. 
 
Por: Alexander Kellner
Publicado em 12/10/2012 | Atualizado em 12/10/2012
Feras brasileiras
O primeiro dinossauro descrito no Brasil foi o ‘Staurikosaurus pricei’, que tinha pouco mais de 2 m de comprimento e caminhava sobre duas patas. (ilustração: Maurilio Oliveira – Museu Nacional/ UFRJ) 

 
A pesquisa sobre dinossauros no mundo tem se expandido bastante nesses últimos anos e o mesmo ocorre no nosso país. A exposição ‘O Brasil no Tempo dos Dinossauros’, realizada no início de 1999 no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um marco nesse sentido, ao colocar em evidência no país esses animais pré-históricos. Depois dessa mostra, paleontólogos de diversas instituições começaram a descrever mais dinossauros e o número de novas espécies brasileiras mais do que quintuplicou: passou de quatro para 21 consideradas válidas.
Desde o início de 1999, o número de novas espécies brasileiras mais do que quintuplicou: passou de quatro para 21 consideradas válidas
Durante a minha carreira, já me perguntaram diversas vezes quantos dinossauros existem no Brasil. Mas nunca ouvi tanto essa pergunta como neste ano. Os próprios leitores da coluna já fizeram essa indagação mais de uma dezena de vezes.
Confesso que não tenho a menor ideia do motivo desse interesse nos nossos dinossauros. Já pensei até que todos (menos eu!) soubessem de algum lançamento da série Jurassic Park. Aliás, seria legal se um novo filme dessa fantástica série de Steven Spielberg estivesse em produção... Bem, promessas de um quarto episódio aparecem de vez em quando na internet, mas não existe nada de concreto – pelo menos, não que eu saiba.
Voltando aos nossos dinos, na maioria das vezes quem pergunta são alunos – ou pais de alunos – que estão desenvolvendo algum tipo de trabalho na escola. Mas também muitos profissionais da mídia têm se interessado no assunto. Por isso, resolvi abordar esse tema nesta coluna.

Número controverso

O número exato de dinossauros brasileiros pode variar, dependendo de quem for consultado. Sei que, à primeira vista, pode parecer meio confuso para o leitor, mas eu já explico. E nada melhor do que um bom exemplo para isso.
O primeiro dinossauro a ser descrito no Brasil foi o Staurikosaurus pricei. Essa espécie foi proposta a partir de um único exemplar coletado nas rochas avermelhadas que recebem o nome de Formação Santa Maria e que afloram em uma localidade próxima à cidade homônima, no interior do Rio Grande do Sul. Essas camadas são datadas de cerca de 225 milhões de anos atrás, época em que os dinossauros acabavam de surgir e estavam começando a se diversificar para ocupar diferentes regiões do nosso planeta.
Fósseis de Staurikosaurus pricei
O ‘Staurikosaurus pricei’ foi descrito em 1970 a partir de um único esqueleto coletado no Rio Grande do Sul, em rochas de cerca de 225 milhões de anos. (foto cedida pelo autor)
O único esqueleto dessa espécie recuperado até agora foi descrito pelo famoso paleontólogo norte-americano Edwin Colbert (1905-2001) em 1970 e sempre gerou controvérsias. Havia pesquisadores, como o próprio Colbert, que consideravam essa espécie herbívora e pertencente ao grupo dos ‘prossaurópodes’.
Mas estudos posteriores sugeriram que se tratava de uma forma carnívora, do grupo dos terópodes. Com base no exemplar encontrado, concluiu-se que o Staurikosaurus pricei tinha pouco mais de 2 m de comprimento total, caminhava sobre duas patas e se alimentava provavelmente de pequenas presas.
Existem ainda paleontólogos que defendem que o Staurikosaurus pricei não seria exatamente um dinossauro, mas sim um pré-dinossauro, ou seja, um réptil que, se pudesse, diria algo do tipo: eu quero ser um dinossauro quando evoluir!

Características típicas

Como se resolve um impasse como esse? A resposta está na própria maneira como se fazem as classificações atualmente: é preciso procurar no animal estudado características únicas e exclusivas (também denominadas sinapomorfias) de um determinado grupo, o que indicaria um parentesco próximo.
No caso dos dinossauros, existe um orifício na bacia (pélvis) onde a perna se encaixa. Essa região de encaixe, que se chama acetábulo, é perfurada nos dinossauros, tornando-se uma característica única desse grupo. Ela está presente no nosso Staurikosaurus, o que leva a maioria dos pesquisadores a classificar a espécie dentro desse grupo de répteis.


Além do acetábulo perfurado, há mais uma dezena de sinapomorfias que unem o grupo dos dinossauros, a maioria delas presente nas pernas e nos pés. Nesse ponto, existe um grande problema para classificar o nosso Staurikosaurus: não se conhecem os pés desse animal!
Portanto, nem todas as características típicas dos dinossauros podem ser comprovadas nessa espécie brasileira, o que gera dúvidas nos pesquisadores. De qualquer forma, pelo que se sabe hoje em dia, a maioria dos paleontólogos está confortável com a proposta de o Staurikosaurus pricei ser um dinossauro primitivo – e não um pré-dinossauro.
Vários restos de outros dinossauros primitivos foram encontrados nos sedimentos de 225 milhões de anos da Formação Santa Maria, assim como em depósitos um pouco mais novos (de aproximadamente 215 milhões de anos) da Formação Caturrita, também no Rio Grande do Sul.
Até o momento, são mais três espécies. O Pampadromaeus barberenai, descrito em 2011, e o Unaysaurus tolentinoi, descrito em 2004, já foram apresentados anteriormente nesta coluna. Além destes, tem o Saturnalia tupiniquim, um dos raros casos em que são conhecidos não apenas um, mas três esqueletos.
Saturnalia tupiniquim
‘Saturnalia tupiniquim’, um dos quatro dinossauros primitivos encontrados no Brasil, foi descrito em 1999 a partir de três esqueletos, fato raro na paleontologia. (imagem: Max Langer/ USP Ribeirão Preto)
Esse dinossauro, descrito em 1999 por uma equipe coordenada por Max Langer (Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, SP), tinha um crânio pequeno em relação ao seu corpo e alcançava em torno de 1,5 m de comprimento. Acredita-se que sua dieta era variada, incluindo tanto pequenas presas como plantas.

Ossos de uma perna só!

Outro exemplo de controvérsia na classificação desses répteis pré-históricos é o suposto dinossauro descrito em 2006 pelos colegas Jorge Ferigolo (Fundação Zoobotânica, Rio Grande do Sul) e Max Langer (USP-Ribeirão Preto).
Em escavações coordenadas por Ferigolo na região do entorno da cidade de Agudo (RS), foram encontrados vários ossos de répteis, incluindo 15 fêmures (osso que forma a parte superior da perna) do lado direito e nenhum do lado esquerdo! O material foi coletado em rochas associadas ao Triássico Superior (cerca de 215 milhões de anos atrás).
A descoberta inusitada levou os pesquisadores a denominarem esse novo réptil de Sacisaurus agudoensis, em alusão ao famoso Saci, figura de uma perna só típica do folclore brasileiro. Os cientistas acreditavam que se tratava de um dinossauro herbívoro, com cerca de 1,5 m de comprimento, pertencente a um grupo que não havia sido encontrado anteriormente no país: o Ornithischia.
Sacisaurus agudoensis
O ‘Sacisaurus agudoensis’, cujos fósseis foram encontrados em rochas de cerca de 215 milhões de anos, é classificado como um pré-dinossauro. (imagem: Max Langer/ USP Ribeirão Preto)
No entanto, novos estudos defendem que o Sacisaurus agudoensis seria, na realidade, um daqueles pré-dinossauros. Ou seja, a rigor, essa espécie não é, hoje em dia, considerada um dinossauro, mas um parente bem próximo.
Resumindo: foram descritos ao todo no Brasil até a presente data 21 espécies de dinossauros e um pré-dinossauro. Também existem duas espécies que hoje não são mais consideradas válidas, pois os exemplares em que são baseadas estão bastante incompletos e não exibem características diagnósticas que permitam sua individualização. Abordei aqui apenas algumas dessas espécies, mas em colunas futuras vou escrever sobre as demais.
Enfim, essa é a situação atual dos dinossauros encontrados no Brasil. Pelo menos por enquanto...

Os dinossauros do Brasil

- Dinosauriformes (‘pré-dinossauros’):
Sacisaurus agudoensis
  
- Dinossauros primitivos:
Staurikosaurus pricei
Saturnalia tupiniquim
Pampadromaeus barberenai
Unaysaurus tolentinoi


- Dinossauros saurópodes (herbívoros):
Amazonsaurus maranhensis
Adamantisaurus mezzalirai
Baurutitan britoi
Uberabatitan ribeiroi
Tapuiasaurus macedoi
Gondwanatitan faustoi
Trigonosaurus pricei
Aeolosaurus maximus
Maxakalisaurus topai


- Dinossauros terópodes (carnívoros):
Pycnonemosaurus nevesi
Irritator challengeri
Angaturama limai
Oxalaia quilombensis
Santanaraptor placidus
Guaibasaurus candelariensis
Mirischia asymmetrica


- Dinossauro indeterminado
Teyuwasu barberenai

- Espécies questionáveis (não-válidas)
Spondylosoma absconditum
Antarctosaurus brasiliensis










terça-feira, 24 de julho de 2012

Encontrado dinossauro brasileiro ancestral das aves

Animal tinha penas e cerca de um metro e meio de comprimento
ISIS NÓBILE DINIZ | Edição Online 14:27 23 de julho de 2012
© ANDREA CAU
Reconstituição mostra como o dinossauro poderia ter sido

Uma equipe internacional de pesquisadores descreveu a primeira evidência fóssil no Brasil de um dinossauro do grupo Unenlagiidae, que pode ter sido ancestral das aves atuais. Trata-se de um exemplar de terópode, dinossauro carnívoro que andava sobre duas patas, parente do Tiranossauro rex. Uma vértebra dorsal com cerca de quatro centímetros de altura foi encontrada na região de Marília, interior de São Paulo.

A descoberta foi publicada na edição de junho da revista Cretaceous Research. Segundo o artigo, o estudo desse tipo de terópode é importante para as pesquisas sobre a evolução dos dinossauros e das aves.

A vértebra indica que o dinossauro, que viveu naquela região entre 93,5 milhões de anos e 83,5 milhões de anos, tinha características típicas das aves, como tamanho modesto (cerca de 1,5 metro de comprimento) e, possivelmente, penas e estruturas parecidas com asas. Estas características estão presentes em quase todos os Unenlagiidae encontrados na Argentina e em Madagascar, na África, e em outros dinossauros do Canadá, dos Estados Unidos e da Mongólia como, por exemplo, o velociraptor.
Fósseis que parecem ser da mesma espécie do terópode brasileiro já tinham sido encontrados na Argentina. Também há evidências de que ele tenha vivido onde hoje está Madagascar. “Antes dele, a maioria dos fósseis de dinossauros descobertos no Brasil era, principalmente, de animais com grande porte”, conta o paleontólogo Carlos Roberto A. Candeiro, da Universidade Federal de Uberlândia, um dos autores do estudo.

Encontrar dinossauros menores indica que havia outra cadeia ecológica naquela época. “Possivelmente, dinossauros pequenos caçavam animais menores que ainda não foram descobertos por nós”, explica Candeiro. A esperança dos pesquisadores é, em breve, encontrar mais fósseis na unidade geológica chamada Grupo Bauru, onde a vértebra foi escavada, e montar a cadeia alimentar da qual faziam parte. O achado também sugere que esses sedimentos brasileiros podem ser importantes para a compreensão da evolução de aves.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Terra de dinossauros 

O Brasil se destaca como um dos lugares onde podem ser encontrados fósseis importantes dos grandes répteis do passado. Veja onde e o que já foi descoberto
Texto Martha San Juan França
Ilustrações Sandro Castelli


Imagine um lago numa vasta planície árida e quente, onde rebanhos de herbívoros se aproximam para matar a sede. Esperando por eles, dentro e fora d’água, poderosos animais carnívoros se preparam para atacar. Essa cena, que hoje poderia se passar numa savana africana, ocorria no interior do Rio Grande do Sul, há cerca de 230 milhões de anos, no Triássico. A diferença é que, em vez de zebras, impalas e gnus, naquela época os animais eram rincossauros, dicinodontes e cinodontes herbívoros. E os predadores não eram leões ou leopardos, mas tecodontes e cinodontes carnívoros – que viveram antes dos dinossauros.
Essa história está sendo reconstituída aos poucos, à medida que novos fósseis, encontrados naquela região, fornecem pistas sobre a vida no Pangéia – o supercontinente que então existia. Na região gaúcha de Santa Maria, foram encontrados fósseis de um pequeno carnívoro, de aproximadamente 2 metros de comprimento, denominado estauricossauro (Staurikosaurus pricei), com cerca de 230 milhões de anos de idade. Trata-se do mais antigo dinossauro do mundo, descendente de um grupo dos arcossauros carnívoros.
“Existe uma suspeita de que o Sul do Brasil e a Patagônia argentina tenham sido o berço dos dinossauros”, afirma o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Nesses locais, foram encontrados os fósseis mais antigos que se conhece.” Na Patagônia Argentina, por exemplo, foram achados, entre outros, os fósseis do euraptor (Eoraptor lunensis), o mais primitivo animal desse grupo.
Na região gaúcha, que na época formava uma grande planície, foram descobertos fósseis de dinossauros quase tão antigos quanto os do estauricossauro. Entre eles, três esqueletos parciais do Saturnalia tupiniquim, herbívoro de 2,5 metros e primeiro membro que se conhece da linhagem dos saurópodes, os dinossauros gigantes pescoçudos.
Ao longo do Triássico, esse grupo de dinossauros gaúchos foi se diversificando. Foram encontrados fósseis do guaibassauro (Guaibasaurus candelariai), que se alimentava de pequenos animais; e, mais recentemente, em 2004, o unaissauro (Unaysaurus tolentinoi), o único exemplar dos prossaurópodes, ou animais herbívoros que se espalharam por todos os continentes, descoberto no território brasileiro. O unaissauro se parece com espécies encontradas na Europa, o que demonstra a movimentação dos dinossauros pelo Pangéia há 225 milhões de anos.
Os cientistas acreditam que ainda haja muitos ossos de dinossauros a serem descobertos no Brasil. Um exemplo foi o anúncio feito pelo paleontólogo da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto Max Cardoso Langer, em 2005. Até então, não havia sido encontrado no Brasil nenhum exemplar dos dinossauros do grupo dos ornitísquios, animais herbívoros cujos representantes mais famosos são os estegossauros (com placas de ossos nas costas) e os triceratopos (grandes dinossauros chifrudos).

Pegadas e ossos
Os ornitísquios eram mais conhecidos na Laurásia, continente situado mais ao Hemisfério Norte, formado há cerca de 200 milhões de anos, quando o Pangéia começou a se fragmentar. No Hemisfério Sul, formou-se o Gondwana, que corresponde ao que é hoje a Índia, Austrália, África, América do Sul e Antártida. Langer anunciou ter encontrado um exemplar bem primitivo dos ornitísquios (ainda sem nome) no município gaúcho de Agudo. “Antes disso, só havia ocorrências de pegadas desses animais, e mesmo assim mais recentes”, afirmou.
Os rastros tinham sido reconhecidos na Paraíba e no interior paulista. As pegadas de dinossauros da Paraíba são conhecidas em todo o Brasil e originaram a criação do Vale dos Dinossauros, na bacia do Rio do Peixe, município de Sousa. Lá, podem ser vistas as trilhas deixadas pelos mais diversos tipos de répteis, feitas há cerca de 130 milhões de anos. São animais com patas de até 2 centímetros e outros gigantes. Curiosamente, não se encontraram fósseis no lugar.
Região mais populosa do País, o Sudeste – e também a parte inferior do Centro-Oeste – é considerada uma das mais férteis em achados fósseis. “É onde se aposta que podem surgir novas e melhores descobertas”, afirma Alexander Kellner, do Museu Nacional. O Grupo Bauru, que corresponde a um conjunto de terrenos sedimentares que abrange, além do oeste paulista, o Triângulo Mineiro, o sul de Goiás e o leste do Mato Grosso, se destaca pelos achados de mais de 80 milhões de anos (Cretáceo inferior).

Vida em manadas
No Sudeste, só foram achados dentes e ovos de animais carnívoros, esses últimos expostos no Museu dos Dinossauros, instalado em Peirópolis, bairro de Uberaba. No entanto, lá existem ossos de animais herbívoros do grupo dos saurópodes, denominados titanossauros. São conhecidos pelo crânio pequeno, pescoço e cauda longos. Pelo menos duas espécies são características da região: o Antarctosaurus brasiliensis e o Gondwanatitan faustoi. São herbívoros quadrúpedes, sendo o primeiro muito fragmentado, mas maior que o segundo (8 metros). Deviam viver em grandes manadas, migrando de uma região para outra. Animais como esses deviam servir de refeição para o maior predador já descoberto em território brasileiro.
Trata-se do Pycnonemosaurus nevesi, apelidado de “Grande Caçador”, encontrado na Chapada dos Guimarães (MT) há mais de 50 anos e esquecido no Rio de Janeiro até 2000. Era um dinossauro do grupo dos abelissauros, grandes predadores também encontrados na Argentina e na África, e viveu há mais de 80 milhões de anos. O “Grande Caçador” devia ter entre 7 e 8 metros de comprimento, 3 metros de altura e pesar mais de 2 toneladas.
Outro animal bastante grande encontrado no Brasil é o Amazonsaurus Maranhensis, pertencente a um gênero diferente de saurópodes. Tinha 10 metros de comprimento e era herbívoro, provavelmente se alimentando das copas das árvores e arbustos. Na época em que ele viveu, cerca de 110 milhões de anos atrás, o território do Maranhão, onde ele foi encontrado, era composto por extensas planícies alagadas.
Mas os vestígios de dinossauros mais completos do Brasil estão na Chapada do Araripe, um tabuleiro de 160 km, situado no sul do Ceará, Pernambuco e Piauí. Lá estavam os restos do Santaraptor placidus, um dinossauro baixinho (1,50 metro de altura), que vivia em bandos e alimentava-se de pequenos animais e de sobras das refeições de bichos maiores. O exame dos fósseis de 110 milhões de anos mostrou sinais do couro, músculos petrificados, além de vasos sangüíneos e pele. “Não existe fóssil de dinossauro no mundo em igual estado de conservação”, afirma Kellner, chefe da equipe que relatou a descoberta.
Outra espécie encontrada no Araripe é o Mirischia asymmetrica, apresentado em 2004 na Alemanha, mas ainda pouco conhecido. Além desse, são da mesma época, o Irritator challengeri e o Angaturama limai, pertencentes ao grupo dos espinossaurídeos, que são animais bizarros, com o focinho alongado com uma dentição parecida com a dos crocodilos modernos. “Os espinossaurídeos são dinossauros que queriam evoluir para jacaré”, brinca Kellner.
Suspeita-se que um aumento das pesquisas de campo deve trazer boas surpresas. “As descobertas aqui ainda não são condizentes com o potencial, especialmente quando comparadas com países como a Argentina, China e Estados Unidos”, afirma Kellner. Para ele, é necessário maior investimento, inclusive para a realização de trabalhos de exploração em novas localidades. Entre elas, aponta a Ilha do Cajual, no Maranhão, rica em fósseis e ainda pouco explorada.

Conheça a revista Horizonte Geográfico
 
Denise Andrade/ Museu de História Natural de Taubaté
Crânio de um T. Rex, animal carnívoro que media cerca de 12 metros de comprimento, é parte da exposição realizada em São Paulo
 
 
 
Um aumento das escavações no campo deve proporcionar boas descobertas, como na Chapada do Araripe (CE), onde a equipe de Kellner inspeciona pedras com fósseis de peixes
 
 
Peirópolis, no Triângulo Mineiro, é um dos locais mais promissores para fósseis. Ali, foi instalado o Museu dos Dinossauros. Na foto, o Uberabasuchus terrificus    

domingo, 17 de julho de 2011

Conheça alguns dinos famosos

Conheça alguns dos mais famosos dinossauros já estudados



Tiranossauro rex

Nome Científico: Tyrannosaurus rex
Período: Cretáceo
Peso: 5 ton
Tamanho: 13 m de comprimento
Descoberta: 1905, no Oeste dos EUA
Características: Poderia comer até 120 kg de carne em uma refeição. Especialistas o apontam como necrófago (alimenta-se de cadáveres).



Iguanodonte

Nome Científico: Iguanodon bernissartensis
Período: Cretáceo
Peso: 5 ton
Tamanho: 9 m de comprimento
Descoberta: 1825, Inglaterra
Características: Era herbívoro e possuía um polegar em forma de garra, utilizado na defesa contra predadores.



Raptor

Nome Científico: Velociraptor mongoliensis
Período: Cretáceo
Peso: 25 kg
Tamanho: 2 m de comprimento
Descoberta: 1924, Mongólia
Características: Vivia em bandos de 5 a 20 animais e segundo estimativas alcançava a incrível marca 50km/h de velocidade na corrida.



Brontossauro ou Apatossauro

Nome Científico: Apatosaurus ajax
Período: Jurássico
Peso: 35 ton
Tamanho: 25 m de comprimento
Descoberta: 1877, EUA
Características: Vivia em bandos em que os adultos protegiam os mais jovens com suas caudas longas em formato de chicote.



Angaturama (ou Irritator)

Nome Científico: Angaturama limai
Período: Cretáceo
Peso: 1 ton
Tamanho: 8 m de comprimento
Descoberta: 1996, Nordeste do Brasil
Características: Um dos maiores dinossauros carnívoros brasileiros. Seu focinho longo e estreito indica que fosse um grande pescador.



Estauricossauro

Nome Científico: Staurikosaurus pricei
Período: Triássico
Peso: 20 kg
Tamanho: 2 m de comprimento
Descoberta: 1970, sul do Brasil
Características: Este carnívoro foi o primeiro dinossauro brasileiro encontrado e descrito formalmente.



Picnonemossauro

Nome Científico: Pycnonemosaurus nevesi
Período: Cretáceo
Peso: 2 ton
Tamanho: 8 m de comprimento
Descoberta: 2002, Centro-Oeste do Brasil
Características: Carnívoro brasileiro descoberto no Estado do Mato Grosso. Seu parente mais próximo foi o Carnotaurus da Argentina.