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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 

'Muito estranho': Anquilossauro com espinhos de quase um metro saindo do pescoço é descoberto no Marrocos

Ilustração artística de S. afer, um anquilossauro primitivo que possuía enormes espinhos saindo do pescoço. (Crédito da imagem: Matthew Dempsey)

Um fóssil de anquilossauro descoberto nas montanhas de Marrocos em 2023 estava adornado com uma das armaduras mais assustadoras já vistas.

Pesquisadores sugerem que essa impressionante série de espinhos foi selecionada sexualmente — como a cauda de um pavão, ela evoluiu originalmente para atrair parceiros, e não para afastar predadores. Ao exibir essa protuberância desajeitada, o dinossauro, chamado Spicomellus afer , demonstrava ser um parceiro saudável e valioso.

Um fragmento de costela com espinhos fundidos, descoberto anteriormente em 2021 e também em Marrocos, ofereceu a primeira evidência dessa espécie bizarra.

"Foi tão estranho que a primeira coisa que fizemos foi uma tomografia computadorizada para verificar se não era falso e se alguém não tinha colado espinhos na parte superior do anel", disse a autora principal, Susannah Maidment , paleontóloga do Museu de História Natural de Londres, à Live Science. De fato, era real, então ela e sua equipe rastrearam o local onde havia sido encontrado, o que levou à descoberta em 2023 nas montanhas do Médio Atlas, perto de Boulemane.

A análise do novo material fóssil confirma que o S. afer é o anquilossauro mais antigo conhecido. O espécime compreende fragmentos vertebrais e de costelas, partes da pélvis e osteodermos — depósitos ósseos na pele observados em répteis modernos como crocodilos e jacarés.

O conjunto de fósseis ajudou os autores a reconstruir a possível aparência do animal em vida. O animal, de corpo baixo e formato semelhante ao de uma tartaruga, tinha aproximadamente 4 metros de comprimento, segundo Maidment. Ela observou que o esqueleto não está completo e que essas medidas provavelmente são imprecisas.

Longos espinhos estendiam-se dos osteodermos em seu pescoço, circundando sua cabeça em uma formação fantástica.Ossos de anquilossauro, múltiplos com espinhos.

Ossos do espécime parcialmente preservado de S. afer encontrado em 2023. (Crédito da imagem: Maidment et al., Nature (2025))

"Os anquilossauros têm colares ósseos ao redor do pescoço, mas normalmente são uma série de placas planas fundidas que simplesmente se encaixam ao redor do pescoço", disse Maidment. "Este tinha um colar ósseo enorme e robusto, com o formato do pescoço, e um par de espinhos gigantescos, com um metro de comprimento, saindo de cada lado."

O mais longo dos 10 espinhos cervicais, que se estendia de cada lado do pescoço, atingia pelo menos 87 centímetros (34 polegadas). Espinhos adicionais sobressaíam de cada costela e faziam parte do esqueleto.

"Quando observamos características em animais vivos que são muito hipertrofiadas e parecem não ter função alguma — e seriam incômodas de carregar — elas estão relacionadas ao sexo de alguma forma", disse Maidment.

Ainda assim, os pesquisadores sugerem que esses picos podem ter servido a um propósito secundário, defensivo.

Eles especulam que a extremidade da cauda apresentava uma estrutura semelhante a uma maça. Um dos espinhos em forma de lâmina descobertos pelos pesquisadores tinha 42 cm de comprimento e provavelmente não estava preso a nenhuma outra parte do corpo.

As vértebras da cauda que sustentavam essa temível armadura indicam que os mecanismos para as clavas defensivas dos anquilossauros do Cretáceo já estavam bem desenvolvidos no início da evolução desse grupo de dinossauros. As "vértebras de alça" (ossos intimamente ligados, sem cartilagem entre eles) ajudavam a estabilizar os apêndices ósseos pelos quais os anquilossauros posteriores são conhecidos.

O fato de S. afer apresentar ossos semelhantes indica que sua armadura não era puramente decorativa — sua cauda também dissuadia predadores.

Entre os anquilossauros, a função pode ter, na verdade, seguido a moda. Os anquilossauros do Cretáceo apresentavam uma armadura muito mais simples, que quase certamente servia como defesa contra uma gama crescente de dinossauros terópodes, crocodilianos, serpentes e mamíferos que os viam como presas apetitosas.


  • terça-feira, 2 de julho de 2024

    Translator

     

    Confira o fóssil de dinossauro mais bem preservado já encontrado

    Conhecido como nodossauro, este herbívoro encouraçado de 110 milhões de anos é o fóssil de dinossauro mais bem preservado já encontrado.

    Publicado 8 de nov. de 2017, 20:35 BRST, Atualizado 5 de nov. de 2020, 03:22 BRT
     
     
    Descoberta sensacional de fossil de dinossauro
     
     Há 110 milhões de anos atrás, este herbívoro encouraçado – um nodossauro – andava pelo atual oeste canadense quando uma enchente o arrastou para o alto-mar. A sepultura submarina preservou a couraça em detalhes. O crânio ainda tem placas pontudas e um tom cinzento de pele fossilizada.
     
     
     
     
     
     
    Foto de Ilustração de Davide Bonadonna

    Na tarde de 21 de março de 2011, um operador de máquinas pesadas chamado Shawn Funk escavava a terra sem saber que logo daria de cara com um dragão.

    Aquela segunda-feira começou como qualquer outra na mina Millennium, uma imensa lavra a céu aberto explorada pela companhia de energia Suncor em uma área ao norte de Fort McMurray, em Alberta. Hora após hora, a enorme escavadeira de Funk devorou areias salpicadas de betume – vestígios transfigurados de plantas e animais marinhos que viveram e morreram há mais de 110 milhões de anos. Essas eram as únicas formas de vida antiga que ele costumava ver. Nos seus 12 anos de escavações, ele encontrara madeira fossilizada e um ou outro toco de árvore petrificado, mas nunca restos mortais de um animal – muito menos de um dinossauro.

    No entanto, por volta das 13h30, a pá de Funk atingiu algo bem mais duro que as pedras em volta. Alguns torrões de uma cor estranha se desprenderam da rocha e rolaram pela barranca. Poucos minutos depois, Funk e o seu supervisor, Mike Gratton, tentavam decifrar aquelas pedras castanhas. Seriam tiras de madeira fossilizada? Ou costelas? E então, quando reviraram um daqueles pedaços, apareceu um padrão estrambótico: fileiras e fileiras de discos pardacentos, cada um circundado por pedra cinza-chumbo. “Na mesma hora, Mike falou: ‘Precisamos mandar examinar isso’. Nunca tínhamos achado nada parecido”, contou Funk em uma entrevista em 2011.

    Solving the Puzzle
    Quando vivo, o nodossauro alcançava 5,5 metros de comprimento e pesava 1 300 quilos. Pesquisadores suspeitam que ele se fossilizou por inteiro, mas, em 2011, quando foi descoberto, apenas a metade dianteira, do focinho aos quadris, estava intacta e recuperável. Este espécime é o melhor fóssil de nodossauro já encontrado.
    Foto de Composição de oito imagens fotografadas no MUSEU ROYAL TYRRELL DE PALEONTOLOGIA, DRUMHELLER, ALBERTA

    Quase seis anos depois, visito o laboratório de preparação de fósseis do Museu Royal Tyrrell, nas chamadas “badlands” de Alberta, uma região varrida pelo vento e esculpida pela erosão. O depósito cavernoso parece inchar com o zumbido da ventilação e a movimentação dos técnicos que raspam rocha dos ossos com ferramentas de ponta fina. Mas eu só quero saber de uma massa de pedra de 1 100 quilos deixada ali em um canto.

    À primeira vista, os blocos cinzentos remontados parecem ser uma escultura de dinossauro de 2,75 metros de comprimento. Um mosaico de ossos e couraça reveste o seu pescoço e o dorso, e círculos cinzentos delineiam cada escama. O pescoço curva-se graciosamente para a esquerda, como se buscasse alguma planta suculenta. Ao contrário do que se poderia imaginar, não se trata de escultura realista. É um dinossauro de verdade, petrificado do focinho aos quadris.

    Fóssil de dinossauro mais bem preservado
    O fóssil de um nodossauro, dinossauro herbívoro que viveu há 110 milhões de anos, foi descoberto em Alberta, Canadá. É o fóssil mais bem preservado já descoberto.

    Quanto mais eu olho, menos eu entendo. Restos fossilizados de pele ainda cobrem as placas protuberantes da couraça craniana da criatura. A pata dianteira direita, virada de lado, ergue-se nos cinco dedos bem abertos. Dá para contar as escamas na sola. O pós-doutorando e pesquisador do museu, Caleb Brown, ri do meu espanto. “Não temos um mero esqueleto. Temos um dinossauro como ele foi mesmo”, comenta.

    Para os paleontólogos, o nível de fossilização desse dinossauro, ocorrido graças a um rápido sepultamento submarino, é tão raro quanto ganhar na loteria. Em geral, apenas ossos e dentes são preservados; raramente minerais substituem os tecidos moles antes que se deteriorem e desapareçam. Também não há garantia de que um fóssil manterá a forma que o animal teve em vida. Dinossauros emplumados descobertos na China, por exemplo, estavam achatados como panqueca, e os dinossauros bico-de-pato “mumificados” na América do Norte, que estão entre os mais completos já achados, parecem murchos e secos.

    nodossauro-fossil-bem-preservado
    Ao ser enterrado no mar, o nodossauro ficou apoiados sobre as costas, pressionando o esqueleto do dinossauro para dentro da couraça, o que deixou marcas de alguns ossos. Uma ruga na armadura é indício da escápula direito do animal.
    Foto de Robert Clark

    O paleobiólogo Jakob Vinther, especialista em coloração animal da Universidade de Bristol, no Reino Unido, já estudou alguns dos melhores fósseis do mundo em busca de sinais do pigmento melanina. Mas, depois de quatro dias de trabalho no fóssil canadense – removendo com delicadeza amostras menores que raspas de queijo parmesão ralado –, até ele se espantou. O dinossauro estava tão bem preservado que “poderia ter andado por aí algumas semanas atrás”, comenta ele, estupefato. “Nunca vi nada igual.” Na parede atrás de Vinther há um pôster do filme Uma Noite no Museu, onde um esqueleto de dinossauro emerge das sombras e volta à vida por mágica.

    Esse fóssil notável é uma recém-descoberta espécie (e gênero) de nodossauro, um tipo de anquilossauro comumente eclipsado pelos seus parentes famosos do subgrupo Ankilosauridae. Em contraste com os anquilossauros, os nodossauros não tinham cauda poderosa em feitio de clava, mas possuíam a mesma couraça espinhenta para dissuadir predadores. Esse colosso de 5,5 metros de comprimento e 1 300 quilos que vagueava pesadamente pela região entre 110 milhões e 112 milhões de anos atrás, quase no meio do período Cretáceo, era o rinoceronte da sua época, um herbívoro irritadiço e, na maioria das vezes, reservado. Mas, se alguém resolvesse aparecer – talvez o temível acrocantossauro –, o nodossauro tinha uma surpresinha: dois espigões de 50 centímetros projetados dos ombros como um par de chifres de touro fora de lugar.

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    As características placas dos dinossauros encouraçados costumam dispersar-se no início da decomposição, mas não foi esse o destino do nodossauro. A placa muito bem preservada, vista aqui quase em tamanho natural, aprofundará o conhecimento científico sobre a aparência e a maneira de locomoção dos nodossauros.
    Foto de Robert Clark

    O oeste do Canadá que esse dinossauro conheceu era um mundo muito diferente das planícies geladas e ventosas que encontro nesse outono. Na época do nodossauro, a área era parecida com o atual sul da Flórida, com brisas cálidas e úmidas perpassando florestas de coníferas e prados forrados de samambaias. É até possível que o nodossauro fitasse um oceano. No começo do Cretáceo, a elevação das águas esculpiu, terra adentro, um canal, que cobriu boa parte da área atual de Alberta; o lado oeste desse canal margeava o leste da Colúmbia Britânica, em que talvez vivesse o nodossauro. Esses antigos leitos marinhos estão sepultados sob florestas e trigais.

    Num dia infausto, esse animal terrestre morreu em um rio, possivelmente arrastado por alguma enchente, supõem os cientistas. A carcaça foi transportada de barriga para cima pela correnteza, mantida na superfície por gases que bactérias eliminavam na cavidade do corpo, e desembocou no canal marítimo. Ventos levaram a carcaça ao leste e, após cerca de uma semana flutuando, ela explodiu de tão inchada. O corpo afundou de costas no mar, lançando para cima um lodo que o engolfou. Minerais infiltraram-se na pele e na couraça e sustentaram o dorso, assegurando assim que o finado nodossauro mantivesse a sua forma real enquanto as rochas se empilhavam por cima dele ao longo das eras.

    A imortalidade do animal dependeu de cada elo dessa improvável cadeia de eventos. Se ele tivesse sido levado por mais 100 metros naquele mar antigo, a sua fossilização ocorreria fora dos limites da propriedade da Suncor, e ele permaneceria sepultado. Em vez disso, Funk topou com o dinossauro petrificado como se tivesse olhado para a Medusa. “Foi uma descoberta sensacional”, diz Victoria Arbour, paleontóloga especializada em dinossauros encouraçados do Museu Royal Ontario, no Canadá. Victoria viu o fóssil em várias fases da preparação, mas não participa do estudo. “Ele representa um ambiente e uma época diferentes dos nossos dias, e está esplendidamente preservado.” Ela começou a estudar um anquilossauro em estado similar descoberto em Montana em 2014, boa parte dele ainda oculto em um bloco de pedra de 16 mil quilos.

    No momento em que este artigo ia para o prelo, a equipe do museu concluia a descrição científica do espécime canadense, sem ainda ter se decidido sobre um nome comum para ele. “Mrs. Prickley” (“Senhora Espinhuda”), uma referência a uma personagem de um programa humorístico canadense, não emplacou. Mesmo ainda sem nome, o fóssil já está possibilitando novas noções sobre a estrutura da couraça do nodossauro. Em geral, reconstituir uma couraça requer muitas suposições bem fundamentadas, pois as placas ósseas, chamadas osteodermos, se dispersam no início do processo de decomposição. Nesse espécime, porém, não só os osteodermos ficaram preservados nos seus lugares mas o mesmo se deu com os vestígios das escamas entre eles.

     

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    Uma ruptura da espinha do ombro esquerdo do nodossauro revela um corte transversal do seu interior ósseo. A ponta da espinha estava envolvida em queratina, o mesmo material das unhas de humanos.
    Foto de Robert Clark

    E tem mais: bainhas que outrora eram feitas de queratina – o mesmo material das unhas humanas – ainda revestem muitos dos osteodermos, e isso permite que os paleontólogos saibam com precisão como elas exageravam o tamanho e a forma da couraça. “Chamo esta aqui de pedra de Roseta das couraças”, diz Donald Henderson, curador de dinossauros do Museu Royal Tyrrell. 

    No entanto, desprender essa pedra de Roseta da sua tumba rochosa foi uma tarefa hercúlea.

    Assim que a notícia da descoberta voou até a chefia da Suncor, a companhia avisou o Royal Tyrrell. Henderson e Darren Tanke, um dos técnicos veteranos do museu, embarcaram em um avião da Suncor e seguiram para Fort McMurray. Escavadores da empresa e funcionários do museu desbastaram a rocha em turnos de 12 horas, envoltos em poeira e vapores de óleo diesel.

    Por fim, reduziram-na a uma pedra de 6 800 quilos, contendo o dinossauro, pronta para ser içada da mina. Mas um desastre aconteceu bem diante das câmeras: a rocha despedaçou-se ao ser erguida, e o dinossauro partiu-se em vários pedaços. O interior parcialmente mineralizado e esfarelento do fóssil não sustentou o próprio peso.

    Tanke passou a noite bolando um plano para salvar o fóssil. De manhã, funcionários da Suncor envolveram os fragmentos com gesso, enquanto Tanke e Henderson saíram à procura de qualquer coisa capaz de estabilizar o fóssil durante a longa viagem até o museu. Em vez de tábuas, a equipe usou sacos de estopa embebidos em gesso e enrolados como se fossem troncos de madeira.

    A engenhosa improvisação funcionou. Depois de viajar por 675 quilômetros, a equipe chegou ao laboratório de preparação do Royal Tyrrell, onde os blocos foram entregues ao preparador de fósseis Mark Mitchell. O trabalho dele com o nodossauro requereu tato de escultor: por mais de 7 mil horas nos últimos cinco anos, Mitchell expôs lentamente a pele e os ossos do fóssil. “É preciso lutar em cada milímetro”, explica ele.

    No tronco do nodossauro, costelas de cor marrom estão próximas dos osteodermos de tom castanho e ...
    No tronco do nodossauro, costelas de cor marrom estão próximas dos osteodermos de tom castanho e escamas cinza escuro. Os tendões que outrora ligaram a cauda do dinossauro (no alto) correm ao lado da espinha, preservados como faixas castanho-escuro que parecem carne-seca.

    Ainda serão precisos anos ou até décadas para entendermos o fóssil que Mitchell está trazendo à luz. Boa parte do esqueleto permanece oculta sob a pele e a couraça – de tão bem preservado, apenas a destruição das suas camadas externas poderá permitir que os pesquisadores cheguem aos ossos do dinossauro. Tomografias financiadas pela National Geographic Society não foram reveladoras, já que a rocha teima em ficar opaca.

    Para Jakob Vinther, as características mais revolucionárias do fóssil talvez residam na sua menor escala: vestígios microscópicos da coloração original. Se ele conseguir reconstituir a sua distribuição, poderá ajudar a revelar como o bicho se deslocava pelo seu ambiente e usava a sua alentada armadura. “A couraça funcionava como proteção, mas os chifres elaborados na parte frontal do corpo talvez fossem quase como um cartaz”, supõe. Os cornos poderiam ajudar a conquistar parceiros sexuais ou intimidar rivais – quem sabe se destacassem contra um fundo carmesim. Análises químicas da pele do dinossauro insinuaram a presença de pigmentos avermelhados, contrastando com a coloração clara dos chifres.

    O Museu Royal Tyrrell exibe agora o dinossauro como atração principal de uma nova exposição de fósseis encontrados em áreas industriais de Alberta. Chegou a vez de o público ver o que encantou cientistas por mais de seis anos: um embaixador do passado distante do Canadá, encontrado por um homem com uma escavadeira.

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    Confira a reportagem A fera na pedra na edição de junho da National Geographic.