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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Pássaro de 99 milhões de anos preso em âmbar tem dedo misterioso

Por , em 23.12.2019
Um estudo do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados de Pequim (China) descreveu um novo – e surpreendente – pássaro do período Cretáceo descoberto preso em âmbar no Mianmar.
“Eu nunca vi nada parecido com isso, nem perto”, disse o paleontólogo Jingmai O´Connor, um dos autores da pesquisa.

Dedo misterioso

O Elektorornis chenguangi é uma nova espécie conhecida a partir de um único indivíduo, preservado parcialmente.
A ave tem traços únicos, nunca vistos em qualquer outro pássaro, vivo ou extinto. O principal deles é uma espécie de terceiro dedo alongado, mais longo que todo o osso da perna do animal.
O dedo também possui filamentos bizarros difíceis de descrever – algo metade pelo, metade escama. “Imagine uma escama em um pé de galinha na qual a extremidade distal se afunila em uma cerda muito fina quase como um pelo”, tenta esclarecer O’ Connor.

Para que servia?

Sem nenhuma outra ave com nada parecido para comparar, os pesquisadores recorreram ao único animal conhecido que possui um terceiro dedo alongado: o primata africano aie-aie, nativo de Madagascar.

O aie-aie usa seu dedo para procurar e pegar insetos em madeira apodrecendo. No entanto, sua boca também é feita para roer, enquanto o pássaro antigo sequer tem dentes.

Sendo assim, o propósito de tal misterioso dedo do Elektorornis continua, por hora, sem resolução.
“Adoro que novas descobertas ainda revelem animais tão fora de nossas expectativas. Nossa imaginação é tão limitada em comparação com as formas bizarras que a seleção natural pode produzir”, conclui O’Connor.

Um artigo sobre o animal foi publicado na revista científica Current Biology. [DiscoverMagazine]

Pássaro capturado em âmbar há 100 milhões de anos é o melhor registro já encontrado

  25/12/2019
Créditos: Lida Xing, Jingmai K. O'Connor, Ryan C. McKellar, Luis M. Chiappe, Kuowei Tseng, Gang Li, Ming Bai
https://socientifica.com.br/wp-content/uploads/2017/07/science-1024x683.jpg
Os insetos não foram as únicas criaturas que ficaram presas em âmbar durante o cretáceo. Pedaços de pássaros e dinossauros antigos também foram encontrados – e agora, um pássaro mais completo ainda foi descoberto.
Um pedaço de âmbar de mais de 100 milhões de anos encontrado em Birmânia, na Ásia, contém a cabeça, pescoço, asa, cauda e pés de um filhote de pássaro. Tinha apenas alguns dias nascido quando caiu em uma bacia de seiva que escorreu de uma conífera.
“É a parte mais completa e detalhada que já tivemos”, diz Ryan McKellar, do Royal Saskatchewan Museum, Regina, do Canadá, membro da equipe foi quem descreveu o achado. “Ver um registro destes completo é incrível. É simplesmente deslumbrante.”
Enquanto parece que a pele real e a carne do pássaro são preservadas na âmbar, é basicamente uma impressão muito detalhada do animal, diz McKellar. Estudos de achados semelhantes mostram que a carne se dividiu em carbono – e não há DNA utilizável.
Créditos: Xing Lida
Créditos: Xing Lida
A âmbar preserva algumas das cores da pena – mas, neste caso, não são terrivelmente emocionantes, admite McKellar. “Eles tinham pequenas partes empregadas em marrom.”
Reconstrução do animal. Créditos: Cheung Chung Tat
Reconstrução do animal. Créditos: Cheung Chung Tat
O desafortunado jovem pertencia a um grupo de pássaros conhecidos como os “pássaros opostos” que viviam ao lado dos ancestrais de pássaros modernos e parecem ter sido mais diversificados e bem sucedidos – até que foram extintos junto com os dinossauros há 66 milhões de anos.
Fósseis encontrados anteriormente e algumas asas preservadas em âmbar sugere que os “pássaros opostos” nasceram com penas aptas para o voo, prontos para se defenderem.
O novo achado acrescenta-se a essa evidência, como o filhote fossilizado tinha um conjunto completo de penas de voo e estava crescendo penas na cauda – mas, estranhamente, na maioria das vezes faltava penas pelo corpo, ao invés de estar recoberto por baixo, assim como nas crias de pássaros modernos.
Eles provavelmente nasceram e subiram nas árvores, diz McKellar, tornando-os particularmente propensos a ficar presos na seiva.
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Registro da parte superior da asa. Créditos: Ming BAI
Registro da parte superior da asa. Créditos: Ming BAI
Aparentemente e provavelmente, os “pássaros opostos” assemelhavam-se aos pássaros modernos. Porém, eles tinham articulações do tipo “soquete-e-bola” em seus ombros, enquanto as aves modernas têm uma junta do tipo “bola-e-soquete” – daí o nome “pássaros opostos”. Eles também tinham garras, mandíbulas e dentes em vez de bicos – mas no momento em que este filhote viveu, os ancestrais dos pássaros modernos ainda não haviam evoluído bicos.
Garras muito bem preservadas. Créditos: Xing Lida
Garra muito bem preservada. Créditos: Xing Lida
A âmbar contendo o pássaro foi coletada por um museu na China há vários anos. Quando percebeu o que tinha em mãos, o museu contatou Lida Xing da China University of Geosciences, em Pequim, que liderou a equipe que descreveu o achado.
Local de campo onde foi encontrado. Créditos: Ming BAI
Local onde foi encontrado. Créditos: Ming BAI
O porquê os “pássaros opostos” morreram enquanto os antepassados das aves modernas sobreviveram ainda não está claro, mas a falta de cuidados parentais pode ter sido um dos fatores.
A maioria das aves modernas dependem de cuidados parentais – o peru da Austrália (que não tem relação com os perus americanos) é uma das poucas exceções.

Referências

Lida Xing, Jingmai K. O’Connor, Ryan C.McKellar, Luis M.Chiappe, Kuowei Tseng, Gang Li, MingBai. “A mid-Cretaceous enantiornithine (Aves) hatchling preserved in Burmese amber with unusual plumage,” Gondwana Research, 2017. DOI: 10.1016/j.gr.2017.06.001
Fonte: New Scientist

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Encontrada evidência de elo perdido entre dinossauros e aves modernas

Élisson Amboni2 horas atrás
https://socientifica.com.br/wp-content/uploads/2018/08/ba8c26d4-a71a-11e6-a836-75a661626cad_1280x720.jpg
Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu uma nova espécie que pode ser o “elo perdido” entre os dinossauros e as aves modernas, o Xiyunykus pengi, durante uma expedição a Xinjiang, na China.  

A descoberta é a mais recente decorrente de uma parceria entre a Universidade George Washington e a Academia Chinesa de Ciências. Os resultados foram publicados na revista Current Biology, juntamente com a descrição de uma segunda nova espécie intermediária, Bannykus wulatensis.
Xiyunykus e Bannykus são ambos alvarezssauros, um grupo enigmático de dinossauros que compartilham muitas características com pássaros. Seus corpos são delgados, com o esqueleto parecido com o de uma ave e muitos pequenos dentes em vez dos habituais dentes cortantes e afiados de seus parentes carnívoros.
“Quando descrevemos o primeiro alvarezssauro bem conhecido, Mononykus, em 1993, ficamos surpresos com o contraste entre seus braços parecidos com o de toupeiras e seu corpo semelhante a um geococcyx, mas havia poucos fósseis conectando-o a outros grupos de terópodes”, James Clark, membro da equipe de pesquisa, disse.
No entanto, os alvarezssauros nem sempre pareciam assim. Os primeiros membros do grupo tinham braços relativamente longos com mãos de garras fortes e dentes típicos de carnívoros. Com o tempo, os alvarezssauros evoluíram para dinossauros com braços semelhantes a toupeiras e uma única garra. A descoberta dos novos espécimes permitiu que os pesquisadores descobrissem uma mudança importante na forma como as características especializadas dos alvarezssauros evoluíram.
Fósseis do Xiyunykus no laboratório antes de sua remoção da rocha.
“Pode ser difícil definir as relações de animais altamente especializados. Mas espécies fósseis com características de transição, como Xiyunykus e Bannykus, são tremendamente úteis porque ligam características anatômicas bizarras a características mais típicas”, Jonah Choiniere, membro da equipe de pesquisa, disse.

Os fósseis foram descobertos durante uma expedição co-liderada pelo Dr. Clark e Xing Xu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências. Xiyunykus pengi é a nona espécie de dinossauro identificada pela parceria entre a Universidade George Washington e e a academia chinesa.
“Nossas equipes de campo internacionais têm sido altamente produtivas ao longo dos anos”, disse Xu. “Esta pesquisa mostra apenas algumas das nossas incríveis descobertas.”

Referência

  1. Xing Xu, Jonah Choiniere, Qingwei Tan, Roger B.J. Benson, James Clark, Corwin Sullivan, Qi Zhao, Fenglu Han, Qingyu Ma, Yiming He, Shuo Wang, Hai Xing, Lin Tan. Two Early Cretaceous Fossils Document Transitional Stages in Alvarezsaurian Dinosaur EvolutionCurrent Biology, 2018; DOI: 10.1016/j.cub.2018.07.057