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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Mais antigas datações da Terra datam de mais de 1 bilhão de anos


Earth's Oldest Color Dates Back More Than 1 Billion Years

When you imagine Earth's oldest color, think pink.
Credit: iStock/Getty Images Plus
Is bright pink the new black? Well, not exactly, but it is the world's oldest-known color produced by a living organism, according to new research.

Pesquisadores extraíram o pigmento de bactérias fósseis preservadas em rochas sob o deserto do Saara, na Mauritânia, na África Ocidental. Dentro dessas bactérias, os cientistas descobriram clorofila - um pigmento usado hoje pelas plantas para a fotossíntese - que remonta a cerca de 1,1 bilhões de anos atrás. Isso é cerca de 600 milhões de anos mais velho do que fósseis de clorofila semelhantes encontrados anteriormente, relataram cientistas no novo estudo. [In Images: The Oldest Fossils on Earth]

Seus achados sugerem que as cianobactérias, bactérias que sobrevivem com a luz do sol, apareciam muito antes das algas, que foram identificadas há cerca de 650 milhões de anos. E as bactérias provavelmente dominaram os antigos oceanos da Terra por centenas de milhões de anos, de acordo com o estudo.

A clorofila é o que dá às plantas modernas sua cor verde, embora a clorofila fossilizada nas amostras de cianobactérias fosse vermelho escuro e roxo profundo em sua forma concentrada, relataram os cientistas. 
 
Quando eles pulverizaram os fósseis para analisar as moléculas de bactérias, os pesquisadores destilaram as cores para encontrar um rosa brilhante. Este resquício colorido sugere que os antigos organismos que comem luz solar lançam um tom rosado em um oceano há muito desaparecido, disse o principal autor do estudo, Nur Gueneli, da Escola de Pesquisa de Ciências da Terra da Universidade Nacional Australiana (ANU), em um comunicado.
When you imagine Earth's oldest color, think pink.

When you imagine Earth's oldest color, think pink.
Credit: The Australian National University
Chlorophyll this ancient é preservado apenas sob circunstâncias excepcionais, disse Jochen Brocks, professor associado da Escola de Pesquisa de Ciências da Terra da ANU, em um email. Primeiro, matéria orgânica morta - uma floração de cianobactérias, por exemplo - afunda rapidamente no fundo do mar. Uma vez lá, ele deve ser isolado de qualquer exposição ao oxigênio, o que estimula a decomposição e, em seguida, a rocha que contém o material deve permanecer em uma peça por um bilhão de anos, disse Brocks.

Sua reação a ver cores produzidas por organismos que viveram mais de um bilhão de anos atrás? "Pura surpresa", disse Brocks. Até mesmo as algas, uma das formas mais antigas de vida, estavam ausentes ou escassas na época dessas bactérias que engoliam a clorofila, escreveram os pesquisadores no estudo.

It was a few hundred million years until algae would begin to multiply, ultimately forming the base of a food web that would eventually fuel the evolution of larger animals, Brocks told Live Science.
But until the rise of algae, and more-complex organisms, the planet belonged to the bacteria.

"This was truly an alien world," Brocks said.

The findings were published online July 9 in the journal Proceedings of the National Academy of Sciences.

Original article on Live Science.

sábado, 28 de novembro de 2015



REPRODUÇÃO NAS PLANTAS


Prof. Ms. Marcus Cabral


1) Reprodução assexuada em algas


            São três os filos formados por algas consideradas plantas: clorofíceas (verdes), rodofíceas (vermelhas) e feofíceas (pardas).

            Dentre esses três grupos, somente em clorofíceas unicelulares é possível observar reprodução assexuada por bipartição. É o que ocorre, por exemplo, em Clhamydomonas.

            A reprodução assexuada por esporulação ocorre nos três grupos.

2)    REPRODUÇÃO ASSEXUADA EM BRIÓFITAS

            Nas hepáticas pode ocorrer reprodução assexuada por meio de propágulos. Na superfície dorsal dessas plantas, existem estruturas especiais denominadas conceptáculos. Estes têm a forma de taça e em seu interior estão os propágulos, estruturas multicelulares com a forma de um “oito”, que possuem células com capacidade meristemática, capazes de produzir uma nova planta.

3)    REPRODUÇÃO ASSEXUADA NAS PTERIDÓFITAS

            As pteridófitas que possuem rizoma podem apresentar propagação vegetativa, pois o rizoma pode, em determinados pontos, desenvolver folhas e raízes, dando origem a novos indivíduos. Com o possível apodrecimento do rizoma em certos pontos, essas plantas podem tornar-se indivíduos independentes.

4)    REPRODUÇÃO ASSEXUADA NAS FANERÓGAMAS

            Nas fanerógamas, a reprodução assexuada pode ocorrer na propagação vegetativa, pois os caules e as folhas, que são órgãos vegetativos, têm capacidade de propagação, dando origem a novos indivíduos.
            Uma importante característica dos caules é a presença de botões vegetativos, ou gemas. Quando as gemas entram em contato com o solo, pode enraizar e formar uma nova planta completa. É o que ocorre, por exemplo, com os caules prostrados, denominados estolhos: desenvolvendo-se sobre o solo, em contato com a superfície, suas gemas enraízam e formam novas plantas que podem serem separadas da planta-mãe. É o caso do morangueiro e da grama comum de jardim.
            Folhas também podem dar origem a novos indivíduos, como se pode observar em fortuna e begônia.

5)    CULTIVO ECONÔMICO

            Os mecanismos descritos ocorrem espontaneamente na natureza, mas podem também ser provocados pelo homem, principalmente para cultivo econômico de certas plantas.
            A cana-de-açúcar, por exemplo, é plantada simplesmente enterrando-se os seus gomos, que possuindo gemas, enraízam e geram novas plantas.
            Através da propagação vegetativa, caracteres vantajosos podem ser mantidos inalterados nos indivíduos que se formam.
            O homem desenvolveu outros mecanismos de propagação vegetativa, como a estaquia, a merguilha, a alporquia e a enxertia.

            A enxertia: processo mais utilizado no cultivo de plantas de interesse econômico e consiste no transplante de uma muda, chamada cavaleiro ou enxerto, em outra planta, denominada cavalo ou porta-enxerto, provida de raízes. O cavalo deve ser de planta da mesma espécie do cavalo ou de espécies próximas.

            Na enxertia, é importante que o cavaleiro tenha mais de uma gema e que o câmbio (tecido do meristemático) do cavalo entre em contato com o câmbio do cavaleiro. Além disso, devem-se retirar as gemas do cavalo a fim de evitar que a seiva seja conduzida para elas e não para as gemas do cavaleiro. Alguns dos diferentes tipos de enxertia estão esquematizados a seguir.


As duas principais vantagens de enxertia são:

·       A muda ( cavaleiro ) já encontra um cavalo munido de raízes e, com isso, o desenvolvimento é mais rápido;
·       Podem-se selecionar plantas com raízes resistentes a certas doenças, e utilizá-las como cavalo. Com isso, a reprodução vegetativa de espécies sensíveis a essas doenças torna-se mais eficiente.

           
6)    REPRODUÇÃO SEXUADA

            Na reprodução sexuada, são formadas células especiais denominadas gametas, sendo que um gameta feminino une-se a um gameta masculino através da fecundação, dando origem a um zigoto.
            Os gametas são formados em estruturas especializadas denominadas gametângios. Quando ao tipo de gametas formados, pode-se falar em isogamia, heterogamia e oogamia.

·        Na isogamia, os gametas são idênticos entre si, tanto quanto à forma e tamanho como quanto ao comportamento, sendo ambos móveis.
·        Na heterogamia, os gametas masculinos e femininos são móveis, porém, um deles, geralmente o feminino, é muito maior que o outro.
·        Na oogamia, um dos gametas é grande e imóvel e o outro é pequeno e móvel.

            A isogamia e a heterogamia são frequentes em algas.
A oogamia é frequente em briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas, e também nos animais.


7)    TIPOS DE CICLOS DE VIDA

            Em relação aos tipos de ciclos reprodutores, as plantas podem ser:


a)    Haplonte ou Haplobionte: os indivíduos são haploides, ou seja, possuem apenas um lote de cromossomos. São representados pela letra n. Algumas células desses indivíduos diferenciam-se em gametas ( haploides ) que, quando liberados da planta, podem unir-se dois a dois através da fecundação, originando uma célula ovo ou zigoto, com 2n cromossomos ( diploide ). Esse zigoto sofre meiose, originando 4 células haploides (n). Estas sofrem várias divisões minóticas, formando um novo indivíduo haploide, que reinicia o ciclo. Nas plantas com esse tipo de ciclo de vida a meiose é zigótica ou inicial. Esse ciclo ocorre em algumas algas.
b)    Diplonte ou Diplobionte: os indivíduos do ciclo são diplóides. Produzem gametas haplóides por meiose, ocorre a fecundação que dá origem a zigoto diplóide, que, por mitoses sucessivas, dará origem a outro indivíduo diplóide, que reiniciará o ciclo. A meiose, nesse caso, é gamética ou final. Esse ciclo também ocorre em algas.
c)    Haplonte-Diplonte ou haplodiplobionte: em um mesmo ciclo de vida há alternância de uma fase de indivíduos diplóides com uma fase de indivíduos haplóides. Fala-se em alternância de geração ou metagênese. Nos indivíduos diplóides, em estruturas especializadas, algumas células sofrem meiose dando origem a células haplóides que se diferenciam em esporos. Estes são liberados da planta e, ao se fixarem em local adequado, darão origem a indivíduos haplóides, através de várias divisões mitóticas. Algumas células desses indivíduos haplóides diferenciam-se em gametas, células haplóides. Estes podem sofrer fecundação, originando um zigoto diplóide que, mitoses sucessivas, darão origem a indivíduo diplóide, reiniciando o ciclo. Nesse caso, a meiose é espórica ou intermediária.
d)     
            Nesse ciclo de vida, há alternância de uma fase com indivíduos diplóides, que formam esporos haplóides através de meiose, com uma fase de indivíduos haplóides que produzem gametas por diferenciação celular. Os indivíduos diplóides, por produzirem esporos, são denominados esporófitos haplóides, por produzirem gametas, são denominados gametófitos.

            Esse ciclo de vida ocorre em algas em todas as briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Nas algas que possuem alternância de geração, fases gametofítica e esporofítica podem ser igualmente bem desenvolvidas e independentes uma da outra, sendo que alguns casos não há diferenças morfológicas e haplóides, a não ser em suas estruturas reprodutoras. Nas briófitas, a fase gametofítica é a mais desenvolvida e a esporofítica desenvolve-se sobre a planta haplóide, dependendo dela para sua nutrição. Nas pteridófitas a fase mais desenvolvida é a esporofítica, que é independente da fase gametofítica, bastante reduzida.
            Nas gimnospermas e especialmente nas angiospermas, a fase gametofítica atinge o máximo de redução, não se verificando mais alternância típica de geração, pois não se formam mais indivíduos haplóides bem caracterizados.


8)    EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM ALGAS MULTICELULARES

            Quanto aos ciclos de vida, as algas verdes e as vermelhas podem apresentar os três tipos; haplôntico, diplôntico e haplodiplobiôntico. As algas pardas podem ter ciclos diplônticos e haplodiplobiônticos.
            Com por exemplo, citamos o ciclo de vida de uma alga verde membranosa e alface-do-mar, pertencente ao gênero Ulva, muito comum no litoral brasileiro; tem ciclo de vida haplodiplobiôntico, conforme esquematizado na figura seguinte:


9)    EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM BRÓFITA

            Como exemplo, mostramos o ciclo de vida de um musgo pertencente ao gênero Polytrichum, comumente encontrado sobre barrancos.


10) EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM PTERIDÓFITA

            Como exemplo do ciclo de vida de pteridófita mostramos o ciclo de uma samambaia. Os gametófitos nesse grupo são denominados prótalos e são hermafroditas: em um mesmo prótalo desenvolvem-se gametângios femininos, ou arquegônios, e gametângios masculinos, ou anterídeos.
            Na época de maturação, os gametas masculinos ( anterozóides ), que são flagelados, são eliminados e nadam sobre a lâmina úmida do prótalo buscando atingir a oosfera no interior do arquegônio.


11) EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM GIMNOSPERMA

            As estruturas envolvidas na reprodução das gimnospermas são os estróbilos, ramos terminais modificados, que possuem folhas férteis denominadas esporófilos, produtoras de esporos. Existem dois tipos de esporófilos: o microsprófilo, que produz micrósporos e o megasporófilos que produz megásporos. Os microsporófilos estão reunidos em microstróbilos que são os masculinos, e os megasporófilos que são os estróbilos femininos.
            Em cada microsporófilos desenvolvem-se dois microsporângios. No interior de cada microsporângio formam-se vários microspóros.
            Os microspóros, ainda no interior dos microsporângios, iniciam a formação do gametófito masculino. Este permanece dentro da parede do esporo ( desenvolvimento endospórico ) sendo formado por duas células: a célula do tubo ou vegetativa e a célula geradora. A parede do microspóro desenvolve duas projeções laterais em forma de asas. O microspóro assim modificado passa a ser chamado de grão de pólen.

            O megastróbilo, ou estróbilo feminino, possui, em cada megasporófilo, dois megasporângios, cada um deles revistido por tegumentos. Cada megasporângio revistido por tegumentos recebe o nome de óvulo. Em gimnospermas, portanto, o óvulo não é o gameta feminino, e sim, o megasporângio revistido por tegumentos.

            Em cada óvulo existe um orifício no tegumento, denominado micropíla.
            Em cada megasporângio ocorre meiose em uma célula-mãe de esporo, que originará quatro células haplóides. Destas, três degeneram e apenas uma passa a ser megásporo funcional (n).
            Em determinadas épocas do ano ocorre a polinização: grãos de pólen são liberados e, em função de suas projeções laterais, são facilmente transportados pelo vento, alguns desses grãos de pólen podem passar através da micrópila do óvulo, atingindo uma pequena cavidade do ápice do megasporângio, denominada câmara polínica, geralmente contendo líquido secreto pelo óvulo.
            As gimnospermas são as primeiras plantas terrestres a adquirir independência da água para a reprodução.
            Após a polinização, o megaspório funcional sofre várias divisões mitóticas, dando origem a um gametófito feminino que acumula substâncias nutritivas. No gametófito feminino diferenciam-se dois ou três arquegônios na região próxima à micrópila. Em cada arquegônico diferencia-se apenas um gameta feminino: a oosfera.

            Enquanto isso, o grão de pólen, localizado na câmara polínica, inicia a sua germinação. A célula do tubo desenvolve-se, dando origem a uma estrutura longa, denominada tubo polínico. Essa estrutura perfura os tecidos do megasporângio, até atingir o arquegônio. A célula geradora divide-se, originando dois núcleos espermáticos, que se dirigem para o tubo polínico. Esses núcleos espermáticos são os gametas masculinos das gimnospermas.
            Um desses núcleos espermárticos fecunda a oosfera, dando origem a um zigoto diplóide. O outro gameta masculino sofre degeneração.

            O zigoto diplóide, originado da fecundação, desenvolve-se dando origem a um embrião diplóide, que permanece no interior do gametângio feminino, haplóide. O gametângio acumula substâncias nutritivas, dando origem a um tecido nutritivo haplóide, denominado endosperma. Enquanto isso, os tegumentos endurecem, passando a formar uma estrutura denominada casca ou tegumento da semente. Ao conjunto da casca, megasporângio, endesporma e embrião, dá-se o nome de semente. Esta permanece presa ao estróbilo até amadurecer, quando então se desprende e cai ao solo. Encontrando condições adequadas inicia a germinação, originando um novo indivíduo diplóide, o esporófito, que reiniciará o ciclo.

A semente de gimnosperma é formada de:

·       Embrião: esporófito embrionário diplóide:
·       Endespoerma: tecido nutritivo, que corresponde ao gametófito, haplóide, no qual está imerso o embrião;
·       Parede do megásporo e megasporângio: estruturas diplóides que protegem o embrião e o endosperma;
·       Casca: estrutura diplóide formada pelo endurecimento do tegumento do óvulo.


A seguir, representamos esquematicamente o ciclo de vida de uma gimnosperma.



12. EXEMPLO DE CICLO DE VIDA EM ANGIOSPERMA

            Nas fanerógamas, as estruturas que participam da reprodução sexuada são as flores, que, nas angiospermas, são formadas por um pedúnculo e um receptáculo onde se inserem os verticilos florais. Estes são:

·      Cálice: formado pelo conjunto de sépalas;
·      Corola: formada pelo conjunto de pétalas;
·      Androceu: formado pelos estames, que constituem o sistema reprodutor masculino;
·      Gineceu: formado pelo pistilo, que constitui o sistema reprodutor feminino.


Há flores que apresentam apenas o androceu ou apenas o gineceu, sendo,                                        nestes casos, denominadas flores masculinas e femininas, respectivamente. A maioria das flores, entretanto, é hermafrodita, apresentando androceu e gineceu. Essas flores geralmente desenvolvem mecanismos que impedem a autofecundação.
As sépalas e as pétalas são folhas modificadas, estéreis, não formando elementos de reprodução.
O estame e o pistilo são folhas modificadas que produzem elementos de reprodução.
O estame é uma folha modificada em cuja extremidade diferencia-se a antera, no interior da qual desenvolvem-se esporângios, que produzirão esporos. Estes, à semelhança do que ocorre nas gimnospermas, iniciam a produção de gametófito masculino no interior da parede do esporo (desenvolvimento endospórico), dando origem ao grão de pólen, que permanece no interior dos esporângios até a época da reprodução.

O grão de pólen das angiospermas contém em seu interior duas células haplóides: a célula do tubo ou vegetativa e a célula geradora. A parede do grão de pólen é espessa, apresentando ornamentações que são típicas para diferentes grupos de plantas. Os grãos de pólen das angiospermas são semelhantes aos das gimnospermas, diferindo destes por não apresentarem expansões aladas.

O pistilo é formado por uma ou mais folhas modificadas, que se fundem dando origem a uma porção basal dilatada, denominada ovário, e uma porção alongada, denominada estilete, cujo ápice é o estigma.
Nas angiospermas os óvulos possuem dois tegumentos, a primina e a secundina, havendo um orifício de passagem denominado micrópila.
No interior do megasporângio, forma-se o megásporo funcional (haplóide), que dá origem ao gametófito feminino no interior do óvulo: o saco embrionário. Este possui, próximo à micrópila, duas células laterais, as sinérgides e um central, a oosfera, que é gameta feminino; no polo oposto, há três células denominadas antípodas; no centro, há dois núcleos denominados núcleos polares, que se podem fundir, dando origem a um núcleo diplóide, o núcleo secundário do saco embrionário.

            O saco embrionário, portanto, corresponde ao gametófito feminino. Nele não há formação de arquegônios, como ocorre nas gimnospermas, havendo diferenciação direta de uma oosfera (n), que é o gameta feminino.
            Comparando-se então, o óvulo maduro de angiosperma com o de gimnosperma, verifica-se que nas angiospermas o óvulo é mais simples, possuindo um gametófito feminino ainda mais reduzido, formado por apenas oito células e que não apresenta diferenciação de arquegônios.
            Após a polinização inicia-se a germinação do grão de pólen. Forma-se o tubo polínico que crescem penetrando no estilete em direção ao ovário. À medida que isto ocorre, a célula geradora e o núcleo da célula vegetativa (núcleo vegetativo) migram para o tubo polínico. A célula geradora sofre divisão mitótica e dá origem a dois núcleos espermáticos, que são os gametas masculinos.

            O tubo polínico geralmente penetra no óvulo através da micrópila, sendo que o núcleo da célula vegetativa, ao entrar em contato com o saco embrionário, degenera-se. Um aspecto exclusivo das angiospermas é a dupla fecundação, pois em cada óvulo uma das células espermáticas funde-se com a oosfera, dando origem ao zigoto, que é, portanto, diplóide, e a outra funde-se com os núcleos polares, dando origem a um núcleo triplóide.

            Após a fecundação, as sinérgides e as antípodas sofrem degeneração. O zigoto sofre várias divisões mitóticas, dando origem ao embrião, e o núcleo triplóide, também por divisões mitóticas, dá origem ao endosperma, tecido triplóide que muitas vezes acumula reservas nutritivas, utilizadas pelo embrião durante seu desenvolvimento.
            Com o desenvolvimento do embrião, os tecidos do óvulo tornam-se desidratados e os envoltórios do óvulo, impermeáveis. Neste ponto, a estrutura toda assa a ser chamada de semente. Assim , a semente nada mais é do que o óvulo fecundado e desenvolvido.
            Em algumas angiospermas, o endosperma é digerido pelo embrião antes de entrar em dormência. O endosperma digerido é transferido e armazenado geralmente nos colitédones, que se tornam, assim ricos em reservas nutritivas. Isto ocorre. Por exemplo, em feijões, ervilhas e amendoins.
            As sementes que transferem as reservas do endosperma para os colitédones são denominadas sementes sem endosperma ou sementes sem albúmen. Nas sementes em que isto não ocorre, os cotilédones não contêm reservas nutritivas e as sementes são chamadas de sementes com albúmen ( ou endosperma)

            A semente, ao germinar, dá origem à planta jovem (plântula), que por sua vez dá origem à planta adulta.

            Comparando-se as sementes de gimnospermas com as de angiospermas verifica-se que ambas apresentam:

·      casca ou tegumento da semente, originada da diferenciação dos tegumentos do óvulo e que, portanto, é 2n;
·      megasporângio reduzido (2n);
·      tecido nutritivo denominado endosperma;
·      embrião, que corresponde ao esporófito jovem e que, portanto, é 2n.
           
            A diferença que se verifica é que o tecido nutritivo ou endosperma, nas gimnospermas, é um tecido haplóide que corresponde ao gametófito feminino. Nas angiospermas, o endosperma é um tecido triplóide, que se forma após a fecundação e não corresponde ao gametófito feminino. É um tecido nutritivo especial. O endosperma das gimnospermas é também chamado de endosperma primário (n) e o das angiospermas, de endosperma secundário (3n), pois este se forma após a fecundação.
            À medida que a semente está-se formando, verifica-se, nas angiospermas, desenvolvimento da parede do ovário da flor e, em alguns casos, de estruturas associadas, dando origem ao fruto.
            O fruto é ovário desenvolvido. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Fotossíntese

Há cerca de 2,4 bilhões de anos, micro-organismos começaram a utilizar a água no processo de transformação de energia luminosa em energia química. Como subproduto dessas reações, o oxigênio molecular começou a ser produzido e acumulado na atmosfera, mudando a história da vida na Terra. Leia o artigo da CH de novembro. 
 
Por: Ricardo Moreira Chaloub
Publicado em 13/11/2015 | Atualizado em 15/11/2015
Fotossíntese
Graças ao desenvolvimento de equipamentos especializados, vários laboratórios no mundo – inclusive no brasil – podem estudar, em tempo real, as diferentes etapas do processo fotossintético que, em seu âmago, ainda guarda mistérios. (foto: Tomek Byszewski) 
 
A existência da vida requer um suprimento contínuo de energia. A todo instante, em nosso corpo, células trocam substâncias com o meio em que se encontram; neurônios emitem e recebem informações; nossos músculos nos auxiliam nos mais variados tipos de movimento; células se multiplicam; o sistema imune combate invasores; danos são reparados... Em cada um desses processos, há a realização de trabalho, que só ocorre à custa de fornecimento de energia. Entre as diferentes fontes de energia disponíveis no ambiente, os seres vivos utilizam a química e a luminosa. Cabe ressaltar que todo o nosso alimento, o combustível fóssil e o combustível biológico (biomassa) são resultantes da fotossíntese ocorrida tanto no passado quanto no presente.

Enquanto o termo fotossíntese significa literalmente a síntese ou construção pela luz, a fotossíntese é responsável pela transformação da energia eletromagnética (luminosa) em energia química
Enquanto o termo fotossíntese significa literalmente a síntese ou construção pela luz, a fotossíntese é responsável pela transformação da energia eletromagnética (luminosa) em energia química. Na biosfera, há seis elementos que são denominados ‘ingredientes da vida’: hidrogênio, carbono, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre (H, C, O, N, P e S).

Com exceção do fósforo, esses elementos são incorporados ao nosso organismo na forma reduzida, ou seja, na qual seus átomos receberam um ou mais elétrons. Quando isso ocorre, diz-se tecnicamente que os átomos sofreram uma redução. Quando o átomo perde um ou mais elétrons, ocorre a oxidação – a ferrugem, por exemplo, é um tipo bem comum de oxidação.

Em última análise, podemos pensar na fotossíntese como um processo que usa energia solar para fornecer os elétrons necessários para reduzir os elementos químicos que fazem parte de nossa lista de ‘ingredientes da vida’ e, assim, incorporá-los às moléculas essenciais ao nosso organismo, como proteínas, lipídeos (gorduras), polissacarídeos (açúcares) e ácidos nucleicos (RNA e DNA). Como os organismos que realizam fotossíntese (vegetais, macro e microalgas, cianobactérias e quatro famílias de bactérias) proporcionam matéria orgânica para todos os outros organismos de um ecossistema, eles são denominados ‘produtores primários’.

A atmosfera primitiva da Terra era ligeiramente redutora. Continha gás carbônico (CO2), nitrogênio (N3), vapor d’água e, possivelmente, monóxido de carbono (CO) em quantidades significativas. Provavelmente, havia também metano (CH4), ácido sulfídrico (H2S) e amônia (NH3), mas em quantidades bem pequenas, e, quase certamente, pouquíssimo oxigênio, resultante da decomposição do vapor de água pela radiação ultravioleta.
A oxigenação da atmosfera iniciou-se há aproximadamente 2,4 bilhões de anos por meio da fotossíntese realizada por cianobactérias que passaram a utilizar a água como fonte de elétrons para reduzir os ‘ingredientes da vida’. Nos dias de hoje, a fotossíntese oxigênica é responsável por mais de 99,8% da produção primária global em nosso planeta.

Atualmente, nossa atmosfera é transparente apenas a uma pequena fração da radiação eletromagnética emitida pelo Sol. Ao nível do mar, essa radiação corresponde a cerca de 9% na região do ultravioleta, a 51% na região do infravermelho (calor) e a 40% na região do visível. Esta última fração é a usada na fotossíntese e, por isso, denominada PAR (sigla, em inglês, para radiação fotossinteticamente ativa).

O uso da luz visível como fonte de energia requer a presença de pigmentos fotossinteticamente ativos, capazes de absorver luz, de transferir a energia absorvida e iniciar as reações envolvidas na fotossíntese, nas quais ocorre a transferência de elétrons, resultando na oxidação e na redução.
Oxidação e redução
Processo de oxidação e redução. (gráfico: Luiz Baltar)
As três principais classes de pigmentos encontrados em vegetais, em macro e microalgas, bem como em cianobactérias, são as clorofilas, os carotenoides e as ficobilinas. Entre as diferentes espécies de clorofilas, a clorofila-a é a mais abundante de todas – evidências indicam que as outras clorofilas (b, c1, c2, d e clorofila-f) sejam derivadas da clorofila-a. Essa clorofila é encontrada tanto em estruturas cuja função é absorver luz (complexos antena) quanto nos centros de reação. Estes últimos são capazes de transformar a energia luminosa coletada pelos complexos antena em energia química, transformação que ocorre por meio de uma série de reações denominadas fotoquímicas.

O conjunto formado pelos complexos antena associados a um de centro de reação constitui uma unidade fotossintética, denominada fotossistema. Cabe ainda mencionar que a clorofila-a encontra-se presente em praticamente todos os organismos que realizam fotossíntese oxigênica, e que sua capacidade de absorção de luz no espectro do visível é alta na região do azul e do vermelho, e mínima na região do verde – por isso é verde. As demais clorofilas, bem como os carotenoides e as ficobilinas, absorvem em outras faixas do visível, aquelas em que a eficiência da absorção da clorofila-a não é tão alta – daí serem chamados pigmentos acessórios.
Do azul ao vermelho
Cores (frequências) absorvidas pela clorofila-a e pigmentos acessórios (clorofila-b, carotenoides e ficobilinas). (gráfico: Luiz Baltar)
De modo simplificado, podemos descrever as duas etapas que ocorrem em um fotossistema: i) partículas de luz (fótons) são coletadas pelas moléculas de pigmento (clorofila-a e pigmentos acessórios) dos complexos antena; ii) a energia absorvida é transferida da antena para as moléculas de clorofila-a do centro de reação, onde um de seus elétrons será transferido para um aceptor – que sofrerá redução –, e o elétron  perdido pela clorofila-a – que estará oxidada – será reposto por um doador.
Etapas da fotossíntese
Esquema das duas etapas em um fotossistema. A energia obtida da luz é transferida entre os pigmentos presentes no complexo antena, e deste para o centro de reação, onde há a transferência de elétrons da molécula de clorofila-a para um aceptor primário, e a reposição do elétron cedido pela clorofila-a pela transferência a partir de um doador primário. (gráfico: Luiz Baltar)
Há 2,4 bilhões de anos, a grande ‘invenção’ das cianobactérias foi a utilização da água como fonte de elétrons para repor os que forem perdidos pela clorofila-a.
Você leu apenas parte do artigo publicado na CH 331. Clique aqui para ter acesso a uma versão digital da revista e ler o artigo completo.
Ricardo Moreira Chaloub
Laboratório de Estudos Aplicados em Fotossíntese (LEAF),
Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Que É Fotossíntese?

Por: Marcus V. Cabral


A respiração é idêntica em animais e vegetais, no entanto, somente os vegetais são capazes de produzir sua própria glicose, sendo autótrofos “capazes de sintetizar seu próprio alimento.” O processo de produção da glicose é a fotossíntese.


O que é a Fotossíntese?: É o principal processo autotrófico e é realizada pelos seres clorofilados para produção de alimento (glicose). A glicose é produzida nos cloroplastos dos vegetais. Para que o processo ocorra, é necessária a presença de luz, água e gás carbônico.


Equação da fotossíntese:

6 CO2 + H2O ---- Glicose (C6H12O6) +6 O2


Essa equação mostra que, na presença de luz e clorofila, o gás carbônico e a água são convertidos em uma hexose (neste exemplo, a glicose), havendo liberação de oxigênio.

Os seres fotossintetizantes são fundamentais para a manutenção da vida em nosso planeta, pois são a base da maior parte das cadeias alimentares e produzem oxigênio. Incluem-se entre os organismos fotossintéticos as plantas verdes, algumas microalgas, as cianófitas (algas verde-azuladas) e diversas bactérias.


A Origem do Oxigênio


Em 1941, algumas experiências foram realizadas, demonstrando que o oxigênio liberado na fotossíntese é proveniente da molécula de água e não da molécula de gás carbônico.

A experiência que demonstrou a origem do oxigênio foi a seguinte: Uma alga verde chamada Chlorella foi exposta à água marcada com O18 (o O18 é um isótopo do O16, a forma mais comum de oxigênio).


Isótopos: são elementos com o mesmo número atônico, ou seja, o mesmo número de prótons.


Ao final da experiência, todo O18 apareceu no oxigênio liberado pela fotossíntese, não aparecendo na glicose produzida.

Por outro lado, quando a alga foi exposta ao gás carbônico marcado com O18, todo o O18 apareceu na glicose produzida e não no oxigênio liberado.

Observe que na equação abaixo o fato de todo o O2 liberado provir da água não é levado em consideração.


6 CO2 + 6 H2O ---- Glicose (C6H12O6) + 6 O2


Note que no lado direito da equação, temos a liberação de 12 átomos de oxigênio, presentes nas 6 moléculas de O2. No entanto, do lado esquerdo só existem 6 átomos de oxigênio nas moléculas de água.

Podemos concluir então que são necessárias pelo menos 12 moléculas de água para produzir 6 moléculas de oxigênio, tendo a formação ainda de 6 moléculas de água no final da reação.

A equação anterior está correta, porém, para enfatizar a proveniência do oxigênio, a equação da fotossíntese pode ser escrita da seguinte maneira:

6 CO2 + 12 H2O ---- Glicose (C612O6) + 6 O2 + 6 H2O

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Tipos de clorofila

Os diferentes tipos de clorofila, além de garantirem a coloração verde das plantas, auxiliam no processo de fotossíntese.

Tipos de clorofila
A coloração verde das plantas é resultado da presença de clorofila
A clorofila é o pigmento que dá coloração verde a alguns tecidos vegetais, em especial aos tecidos das folhas, e ajuda no processo de obtenção de compostos orgânicos (fotossíntese). O nome desse pigmento foi proposto, em 1818, por Pelletier e Caventou para designar uma substância verde que saía das folhas ao colocar esse órgão no álcool.

As moléculas de clorofila, que se localizam no interior dos cloroplastos nas plantas superiores, são constituídas por complexos derivados de um composto denominado porfirina. Elas são compostos instáveis e sensíveis à luz, calor, oxigênio e alguns processos químicos. Existem diferentes tipos clorofila, que são chamados de a, b, c e d, e diferem-se pela estrutura de sua molécula e sua capacidade de absorção.
A clorofila a é o tipo mais abundante, representando cerca de 75% de todos os pigmentos verdes encontrados nas plantas. É encontrada em praticamente todos os organismos que realizam fotossíntese, excetuando-se algumas bactérias fotossintetizantes que possuem pigmentos especializados. Ela possui papel fundamental no processo de fotossíntese, atuando ativamente na produção de substâncias orgânicas.
A clorofila a é encontrada em todos os organismos eucariontes fotossintetizantes
A clorofila a é encontrada em todos os organismos eucariontes fotossintetizantes

As clorofilas b, c e d atuam como pigmentos acessórios na fotossíntese, ajudando a ampliar a faixa de luz que pode ser utilizada nesse processo, complementando a captação de luz. Além dessas clorofilas, os carotenoides e ficobilinas também são considerados pigmentos acessórios. É importante frisar que as clorofilas b, c e d não podem substituir a clorofila a no processo de fotossíntese, atuando exclusivamente como pigmentos acessórios.

A clorofila b é encontrada em plantas, algas verdes e euglenófitas. A concentração desse tipo de clorofila é maior em plantas sombreadas, uma vez que ela aumenta os comprimentos de onda que podem ser capturados pela planta. A clorofila b pode ser convertida em a pela ação da enzima clorofila a oxigenase. Na natureza, as clorofilas a e b encontram-se em uma proporção de 3:1.

A clorofila c, por sua vez, possui a mesma função da clorofila b e é um substituinte desta em alguns grupos de algas, tais como as diatomáceas e as algas pardas. Já a clorofila d é encontrada em algas vermelhas.

Curiosidade: As clorofilas são utilizadas como corantes naturais e antioxidantes, o que gera a produção de alimentos mais saudáveis.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Tequila, a planta inteligente

Em condições extremas, planta usada na produção da tequila se alimenta das bactérias que vivem em seu interior 

IGOR ZOLNERKEVIC | ED. 230 | ABRIL 2015

© LÉO RAMOS
Agave-azul: típico de regiões com solo pobre e arenoso e matéria-prima da tequila
Agave-azul: típico de regiões com solo pobre e arenoso e matéria-prima da tequila.

A tequila, famosa bebida destilada mexicana, é feita da polpa de uma planta de folhas longas, duras e espinhosas, o agave-azul (Agave tequilana). Típica do deserto, essa planta cresce em solos pobres e arenosos em parte graças aos nutrientes produzidos por bactérias que vivem harmoniosamente no interior de suas células. Mas, em momentos de necessidade extrema, como longos períodos de seca ou sol intenso, o agave-azul sacrifica essas bactérias e se alimenta delas para sobreviver. “A planta literalmente consome suas bactérias para se manter viva”, explica o bioquímico Paolo Di Mascio, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP).

Ele participou de uma equipe internacional que fez uma série de experimentos no IQ-USP e na Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, e demonstrou que o agave-azul digere a bactéria Bacillus tequilensis, normalmente encontrada em suas células. Essa estratégia permite à planta absorver ao menos parte dos nutrientes de que necessita para atravessar períodos de privação. Os resultados desse trabalho, publicado em novembro de 2014 no periódico Scientific Reports, revelam ainda que, mesmo quando há abundância de nutrientes, o agave-azul se beneficia da parceria com a B. tequilensis: a presença da bactéria faz o agave crescer mais rápido, chegando a triplicar sua produção de biomassa.
Outras pesquisas recentes já haviam indicado que certas espécies de bactérias colaboram para o crescimento de plantas e o controle de pragas agrícolas. “Buscamos microrganismos que substituam ou reduzam o uso de fertilizantes e pesticidas”, diz Miguel Beltrán-García, pesquisador da Universidade Autônoma de Guadalajara, no México, que liderou os estudos com o agave.
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No laboratório: folhas são maceradas...
No laboratório: folhas são maceradas…

Beltrán-García conduziu esses experimentos em 2013, quando passou um ano no IQ-USP a convite de Di Mascio, seu colaborador há mais de uma década. Em conjunto com outra equipe internacional, eles identificaram uma via bioquímica pela qual o fungo Mycosphaerella fijiensis danifica as bananeiras. Os experimentos, descritos ano passado no periódico PLoS One, indicaram que a luz solar, ao incidir sobre o pigmento melanina produzido pelo fungo, desencadeia reações fotoquímicas que geram moléculas de oxigênio excitado e levam à morte das células nas folhas da planta, deixando-as escurecidas. Os pesquisadores continuam a investigar a praga, conhecida como sigatoka-negra, agora para entender melhor como uma solução líquida desenvolvida por Beltrán-García e seus colaboradores conseguiu controlar a doença em plantações comerciais no México. A solução é feita de uma mistura de bactérias obtidas das próprias bananeiras e, além do efeito pesticida, serve como fertilizante.

Em paralelo à pesquisa sobre a praga das bananeiras, Beltrán-García segue preocupado com o futuro do agave-azul, um dos principais produtos agrícolas do estado mexicano de Jalisco, onde ficam a cidade de Guadalajara e o vilarejo de Tequila. A forte bebida destilada não é o único derivado do agave-azul fabricado em escala industrial. Dele também se extrai, depois da cocção, um xarope mais doce que o mel e a inulina, um açúcar usado na produção de alimentos. “A produção do agave-azul está sofrendo com doenças causadas por fungos e bactérias e com o ataque de insetos”, explica Beltrán-García.

Fome de nitrogênio

Na tentativa de aumentar a produtividade, os agricultores aplicam quantidades excessivas de fertilizantes – um fenômeno mundial na agricultura –, o que também traz consequências indesejáveis. Os fertilizantes contêm sais de nitrato e de cloreto de amônio, fonte de um dos nutrientes mais essenciais às plantas, o nitrogênio. Esse elemento químico entra na composição das proteínas, do DNA e da molécula de clorofila, pigmento responsável pela reação de fotossíntese que alimenta os vegetais. O problema é que apenas metade do nitrogênio dos fertilizantes é absorvida pelas plantas. O restante vai para o ambiente e pode prejudicar a qualidade do solo e contaminar ecossistemas distantes, quando é levado para longe pelo vento e pela água.
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... e cortadas...
… e cortadas…
Por causa desses efeitos, buscam-se alternativas aos fertilizantes. Uma delas são bactérias que ajudam as plantas a extrair nitrogênio. Elas transformam o nitrogênio do ar (inerte para a maioria dos seres vivos) e de outros compostos em moléculas que as plantas podem absorver, como a amônia. Outras bactérias decompõem organismos mortos e disponibilizam compostos à base de nitrogênio para as plantas.
Mais recentemente se percebeu que as plantas também adquirem nitrogênio com a ajuda de outro tipo de microrganismo: as bactérias endofíticas, como o Bacillus tequilensis, que vivem no interior das células da planta em harmonia com a sua hospedeira. Ninguém sabe, porém, como os nutrientes produzidos por essas bactérias – estejam elas no solo, nas raízes ou nas células vegetais – são aproveitados pelo agave.
“É difícil estudar o fluxo de nutrientes dos micróbios para as plantas”, afirma James White, especialista na interação entre plantas e microrganismos da Universidade Rutgers, um dos colaboradores de Beltrán-García e Di Mascio no estudo da sigatoka-negra. “Provavelmente por isso ninguém realizou esse tipo de experimento”, conta White, que, com sua colega Monica Torres, também participou do trabalho com o agave-azul.

White estuda gramíneas que abrigam bactérias endofíticas e acredita que as plantas podem digerir os microrganismos por meio da produção de água oxigenada (H2O2). Com fórmula química semelhante à da água, a água oxigenada contém um átomo de oxigênio extra, que tende a reagir com outras moléculas. O pesquisador imagina que a água oxigenada liberada pela planta destrói as bactérias endofíticas e decompõe suas moléculas grandes em moléculas menores, que podem ser aproveitadas pelas células vegetais. “Temos evidência de que isso ocorre em algumas espécies, mas acreditamos que esse processo pode acontecer em todo o reino vegetal”, diz White. “A questão em aberto é saber quanto o nitrogênio proveniente das endofíticas é importante para a planta.” A resposta provavelmente deve variar de uma espécie de planta para outra e conforme as circunstâncias em que se encontra.
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... para passar por dois tipos de análise que avaliam a incorporação de nitrogênio 15
… para passar por dois tipos de análise que avaliam a incorporação de nitrogênio 15.

Em um dos experimentos, White e Monica observaram ao microscópio células da raiz do agave-azul lançarem água oxigenada sobre bactérias B. tequilensis inoculadas na planta. O teste, porém, deixava uma dúvida: a liberação de água oxigenada seria uma reação de defesa da planta contra o excesso de bactérias ou uma forma de obter nutrientes?

Seguindo o isótopo

Di Mascio teve então a ideia de cultivar a B. tequilensis em laboratório, alimentando as bactérias com um nitrogênio especial, que poderia ser rastreado e, mais tarde, detectado em moléculas produzidas pelas plantas. Eles deram às bactérias um tipo de nitrogênio que pesa 15 unidades de massa atômica, diferente da maioria dos átomos de nitrogênio encontrados na natureza, que têm peso 14.

No IQ-USP, Fernanda Prado, Kátia Prieto e Marisa Medeiros, do Departamento de Bioquímica, e Lydia Yamaguchi e Massuo Kato, do Departamento de Química Fundamental, alimentaram plântulas de agave-azul cultivadas em condições controladas com as bactérias contendo nitrogênio 15. Em um dos experimentos, as plântulas eram retiradas da estufa uma vez por semana, lavadas e esterilizadas. Depois passavam algumas horas em um vaso contendo apenas areia estéril e uma solução de B. tequilensis, o que simulava um ambiente pobre em nitrogênio. Os pesquisadores aumentavam o estresse do ambiente ao deixar o agave sob uma luz muito intensa.


Depois de seis meses, os pesquisadores coletaram as folhas que brotaram nesse período e as analisaram com o auxílio de espectrômetros de massa, equipamento capaz de distinguir os dois tipos de nitrogênio. Eles encontraram nitrogênio 15 tanto em aminoácidos (blocos formadores de proteínas) quanto no DNA e na feofitina, molécula derivada da clorofila. “A feofitina é típica da planta e não existe na bactéria”, explica Di Mascio. “Encontrar feofitina com nitrogênio 15 é a prova de que átomos das bactérias absorvidas pelas raízes foram parar em uma molécula criada pela planta.”

Em outro experimento, os pesquisadores compararam o crescimento das plântulas que não receberam doses semanais de B. tequilensis com aquelas que receberam as bactérias, vivas ou mortas. As plântulas alimentadas com bactérias vivas cresceram duas vezes mais do que as que receberam bactérias mortas e três vezes mais do que as alimentadas com uma solução mineral contendo nitrogênio. O resultado sugere que, além de fornecer nitrogênio, as B. tequilensis que vivem no agave-azul produzem hormônios de crescimento vegetal chamados de auxinas.

Estudos brasileiros feitos com cana-de-açúcar já haviam demonstrado que a inoculação de bactérias endofíticas pode acelerar consideravelmente o crescimento da planta. Em parceria com Antonio Figueira e Layanne Souza, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, Di Mascio e Kátia Prieto planejam realizar com a cana experimentos semelhantes aos feitos com o agave-azul. “Trabalhar com a cana é mais difícil, porque em laboratório as mudas crescem com adição de muito açúcar”, explica Di Mascio. “O açúcar aumenta o risco de contaminação por outras bactérias e fungos, o que pode arruinar o experimento.”
Chanyarat Paungfoo-Lonhienne, pesquisadora da Universidade de Queensland, na Austrália, afirma que o resultado obtido com o agave “encoraja a investigar se esse também é um modo de nutrição para outras plantas”. Em 2010, ela liderou o primeiro estudo a mostrar que plantas – nesse caso, o tomate e a Arabidopsis thaliana, uma planta-modelo usada em pesquisas – são capazes de digerir bactérias e fungos invasores. Para Chanyarat, entender como funciona a interação dessas bactérias com as plantas e associar essa combinação a outras técnicas orgânicas pode levar a resultados interessantes: “Pode reduzir o uso de fertilizantes, se não substituí-lo totalmente”.

Projetos

1. Oxigênio singlete e peróxidos em química biológica (2012/12663-1); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Paolo Di Mascio (IQ-USP); Investimento R$ 3.408.783,02 (FAPESP).

2. Redoxoma (2013/07937-8); Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Pesquisador responsável Ohara Augusto; Investimento R$ 22.604.697,96 (FAPESP – para todo o projeto).

Artigo científico

BELTRÁN-GARCÍA, M. J. et al. Nitrogen acquisition in Agave tequilana from degradation of endophytic bacteria. Scientific Reports. v. 4, n. 6.938. 6 nov. 2014.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Novos materiais realizam fotossíntese artificial

26/02/2014
Por Elton Alisson, de Chicheley, Inglaterra

Agência FAPESP – A capacidade de fotossíntese das plantas tem servido de inspiração para cientistas de diferentes áreas tentarem produzir em laboratório materiais artificiais com propriedades semelhantes.
Um grupo de pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, desenvolve materiais com estrutura em escala nanométrica (bilionésima parte do metro) capazes de realizar fotossíntese artificialmente para a produção de energia.


Pesquisadores da Unicamp desenvolvem moléculas de clorofila artificial capazes de usar energia solar e água para gerar hidrogênio e oxigênio; estudo foi apresentado em evento na Inglaterra (imagem de cloroplastos de planta: Wikimedia)

Alguns dos resultados desses estudos foram apresentados na terça-feira (25/02) no UK-Brazil-Chile Frontiers of Science. Organizado pela Royal Society, do Reino Unido, em conjunto com a FAPESP e as Academias Brasileira e Chilena de Ciências, o evento ocorre até esta quarta-feira (26/02) em Chicheley, no sul da Inglaterra. O objetivo é fomentar a colaboração científica e interdisciplinar entre jovens pesquisadores brasileiros, chilenos e do Reino Unido em áreas de fronteira do conhecimento.

“Com base no conhecimento existente do sistema natural de fotossíntese realizado pelas plantas, estamos tentando reproduzir os pontos essenciais para a função fotossintética em materiais artificiais, para energia elétrica ou até mesmo combustível a partir da energia solar”, disse Jackson Dirceu Megiatto Júnior, professor do IQ da Unicamp, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, que realizou doutorado direto com Bolsa da FAPESP, a ideia de realizar fotossíntese artificial foi proposta no início do século XX.
O projeto, contudo, só começou a se tornar possível nos últimos anos em razão de importantes avanços na área, que permitiram a síntese em laboratório de materiais capazes de usar energia solar e água para gerar gases hidrogênio e oxigênio, segundo Megiatto.

Alguns desses avanços foram o desenvolvimento de materiais catalisadores (que aceleram uma reação) que, ao serem ativados pela energia solar, quebram as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.
Essa etapa do processo de fotossíntese é considerada a mais complexa, uma vez que os átomos de hidrogênio e oxigênio estão bastante “grudados” nas moléculas de água. Por essa razão, era difícil encontrar um material capaz de separá-los seletivamente, sem se degradar.

Mas recentemente foram desenvolvidos novos materiais, como painéis solares de silício, com a capacidade de realizar esse processo denominado de “separação da água induzida pela luz solar”. Com isso, de acordo com Megiatto, abriu-se a perspectiva de conectar esses materiais fotoativos a células a combustível convencionais – células eletroquímicas que convertem energia química em elétrica ao combinar os gases hidrogênio e oxigênio para formar moléculas de água novamente.
“O desafio agora é conectar esses materiais a uma célula a combustível. Se formos capazes de usar o hidrogênio e o oxigênio produzidos por esses novos materiais em uma célula a combustível, será possível gerar água novamente e eletricidade e fechar o ciclo de realização de fotossíntese artificial”, avaliou.

Materiais naturais

De acordo com Megiatto, algumas das limitações para utilizar painéis solares de silício para separar hidrogênio e oxigênio das moléculas de água por meio da energia solar é que são materiais caros e difíceis de serem processados para que tenham a pureza necessária a essa finalidade.
A fim de encontrar uma alternativa, os pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp buscam na própria natureza materiais capazes de absorver a luz solar e gerar energia (fotovoltaicos), que também funcionem como catalisadores.

O material mais promissor encontrado foi a clorofila – o pigmento fotossintético que, além de conferir a cor verde, é utilizado pelas plantas para realizar fotossíntese.

“Essas moléculas são a saída da natureza para conseguir absorver energia solar. O processo de sintetização química delas, no entanto, é difícil e caro”, disse Megiatto.
Para transpor essas barreiras, o pesquisador começou a sintetizar durante seu pós-doutorado, realizado nos Estados Unidos, moléculas de uma clorofila artificial, chamadas de porfirinas.
Além de mais simples de serem sintetizadas do que a clorofila natural, as moléculas artificiais do pigmento também são mais fáceis de serem manipuladas quimicamente, disse Megiatto.

“Temos uma flexibilidade muito maior de projetar materiais fotoativos usando porfirinas em vez de clorofila”, afirmou o pesquisador. “Com técnicas de nanoengenharia, podemos otimizar as propriedades dessas moléculas para aumentar a eficiência delas de absorver a luz, por exemplo”, indicou.
Outra vantagem da clorofila artificial, de acordo com Megiatto, é a maior estabilidade química das porfirinas. As moléculas de clorofila natural, quando estão dentro do meio proteico da fotossíntese natural, são estáveis. Ao extraí-las do meio proteico, no entanto, apresentam reações físico-químicas e são degradadas rapidamente.

Já a porfirina tem uma tendência menor a apresentar esse tipo de comportamento, comparou o pesquisador.
“Esses materiais, quando conectados a catalisadores, têm se mostrado muito promissores para a transformação da energia solar em energia química por meio da oxidação de moléculas de água, mas, no momento, estão sendo estudados apenas em solução aquosa e não em um dispositivo fotossintético real”, afirmou Megiatto.
“O que tentamos fazer agora é formar um filme polimérico fotoativo com essas moléculas, de forma a desenvolver um material sólido e depositá-los sobre placas metálicas e semicondutoras [eletrodos], necessários para o funcionamento de uma célula solar”, detalhou.
Aumento da eficiência da fotossíntese
Segundo Megiatto, as plantas desperdiçam grande quantidade de energia solar durante o processo fotossintético natural. Como depende de energia para uma série de necessidades, como para seu desenvolvimento e manutenção da vida, a cana-de-açúcar, por exemplo, só utiliza uma pequena parte da energia solar para fixar gás carbônico em açúcares, apontou.
“A eficiência máxima da fotossíntese natural é, aproximadamente, 10%”, afirmou Megiatto. “Plantas terrestres têm eficiência fotossintética menor do que 1%, enquanto algumas algas são capazes de realizar fotossíntese com uma eficiência que varia entre 4% e 5%.”
Para aumentar a eficiência da fotossíntese de plantas como o arroz, por exemplo, o consórcio internacional de pesquisa “Arroz C4”, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, pelo Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI, na sigla em inglês) e por instituições de pesquisa do Reino Unido, pretende realizar modificações genéticas no metabolismo da cultura agrícola.

O arroz e outros grãos, como a soja e o feijão, são denominados de plantas C3 por apresentar maior capacidade de crescimento e menor eficiência fotossintética do que as plantas C4, como o milho e a cana-de-açúcar. Em contrapartida, as plantas C4 possuem sistema fotossintético mais eficiente, mas menor capacidade de crescer rapidamente e cobrir grandes áreas de cultivo como fazem as plantas C3 .
Por meio de mudanças em rotas bioquímicas e na anatomia das folhas da planta, os pesquisadores participantes do consórcio pretendem desenvolver uma variedade de arroz que combine as propriedades das plantas C3 e C4.

“Uma variedade de arroz com as propriedades das plantas C3 e C4 teria a eficiência fotossintética, de uso de água e de nitrogênio 50% maior do que uma variedade não modificada geneticamente”, disse Sarah Covshoff, pesquisadora da University of Cambridge e participante do projeto “Arroz C4”, durante palestra em Chicheley.

Segundo Covshoff, o desenvolvimento da variedade de arroz com as propriedades fotossintéticas das plantas C4 irá se valer do avanço de técnicas da biologia sintética. O objetivo do consórcio internacional de pesquisa é ter um protótipo do arroz C4 até o final de 2016.
“Os conhecimentos adquiridos nesse projeto também poderão ser aplicados na pesquisa agrícola para aumento do rendimento de plantas utilizadas para produção de biocombustíveis”, afirmou.