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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Assassino da natureza: Glifosato não é água

Estudos revelam que os herbicidas à base de glifosato, o agrotóxico mais comercializado no Brasil e no mundo, têm efeitos adversos para a saúde humana e dos animais e para os ecossistemas. Na base desse problema, está a falta de rigidez na regulamentação de seu uso: leia o artigo da CH 332.
Por: Sonia Corina Hess e Rubens Onofre Nodari
Publicado em 18/01/2016 | Atualizado em 18/01/2016
Glifosato não é água
Herbicidas contendo glifosato são classificados como pouco tóxicos no Brasil e têm seu uso autorizado em vários cultivos. (foto: Andreas Levers / FreeImages.
 
Em 1969, a empresa Monsanto obteve a patente do composto químico glifosato para uso como herbicida.

O glifosato é o princípio ativo do produto comercial Roundup, que mata qualquer tipo de planta, exceto os vegetais transgênicos denominados RR (Roundup Ready), que foram desenvolvidos para serem resistentes ao referido produto.

Ao investigar a composição química de grãos de soja produzidos em Iowa, nos Estados Unidos, pesquisadores relataram, em trabalho publicado em 2014, que os grãos da soja geneticamente modificada Roundup Ready acumulavam glifosato, o que não foi observado em grãos de variedades não transgênicas. Além disso, foram encontradas diferenças substanciais na composição química dos grãos investigados, como os teores de proteínas, minerais e açúcares, evidenciando que a soja transgênica não tem o mesmo perfil químico e nutricional que a soja não transgênica produzida em sistema orgânico ou convencional. Não são, portanto, alimentos equivalentes.
Os grãos geneticamente modificados, contaminados com glifosato, são usados como alimento na criação de bois, porcos, ovelhas e frangos. Consequentemente, ovos, leite, manteiga, queijo e outros produtos animais são contaminados.
Desde 2005, também tem sido comum a aplicação de agrotóxicos à base de glifosato para secar plantas não transgênicas pouco antes da colheita de modo a facilitar esse processo, o que tem resultado no aumento de resíduos desses herbicidas em alimentos como trigo e cana-de-açúcar, entre outros.
No Brasil, herbicidas contendo glifosato e seus derivados são classificados como pouco tóxicos e têm uso autorizado nas culturas de algodão, ameixa, arroz, banana, cacau, café, cana­de­açúcar, citros, coco, feijão, fumo, maçã, mamão, milho, nectarina, pastagem, pera, pêssego, seringueira, soja, trigo e uva. Além do uso agrícola, esse agrotóxico é frequentemente aplicado em áreas urbanas para eliminar ervas em calçadas, ruas e jardins.
Glifosato usado em jardinagem
Além do uso agrícola, o glifosato é frequentemente empregado em jardinagem em áreas urbanas. (foto: Scot Nelson / Flickr / CC BY 2.0)
Em 2008, o Brasil se tornou o maior mercado mundial de agrotóxicos e, quatro anos depois, respondia por 19% das vendas desses produtos no mundo. Entre 2010 e 2012, os herbicidas à base de glifosato foram os mais vendidos no país, representando 29% do total das vendas. Em 2012, foram comercializadas, pelo menos, 187 mil toneladas desse produto e seus sais, quantidade equivalente a 920 gramas por habitante e que significa um aumento de 40% em relação a 2010 (ver ‘Paraíso dos agrotóxicos’, em CH 296).

Riscos à saúde humana e animal

Segundo seu fabricante, o glifosato age como herbicida ao interromper a síntese de aminoácidos essenciais à sobrevivência do vegetal. Estudos recentes feitos com bactérias presentes no trato intestinal de humanos e outros animais concluíram que o composto bloqueia a síntese de aminoácidos e outros processos metabólicos dos microrganismos benéficos, que deixam de fornecer ao seu hospedeiro aminoácidos, neurotransmissores, hormônios, vitaminas, enzimas, entre outras substâncias, levando ao desenvolvimento de doenças. Por outro lado, bactérias patogênicas se mostraram altamente resistentes ao herbicida.
Essas pesquisas apontam que herbicidas à base de glifosato têm sido responsáveis pelo desencadeamento de doenças cada vez mais comuns na população, como desordens gastrointestinais, obesidade, diabetes, doenças cardíacas, depressão, autismo, infertilidade, câncer, doença celíaca, de Alzheimer e de Parkinson e intolerância a glúten.

Pesquisas apontam que herbicidas à base de glifosato têm sido responsáveis pelo desencadeamento de doenças cada vez mais comuns na população, como desordens gastrointestinais, obesidade, diabetes...
Os riscos desses herbicidas para a saúde humana e animal vêm sendo demonstrados ao longo dos anos por uma série de estudos, alguns dos quais serão destacados a seguir. Pesquisadores franceses relataram, em 2007, que o Roundup causou danos às células embrionárias e da placenta de seres humanos e de equinos e, em 2009, o grupo mostrou que quatro formulações comerciais de glifosato (Roundup), em concentrações da ordem de miligramas por litro (mg/L), causaram morte de células humanas placentárias, umbilicais e embrionárias.

Outro trabalho de 2009 apontou que o glifosato desregula mecanismos endócrinos em células hepáticas humanas e, em 2012, demonstrou­se que o Roundup, em concentrações da ordem de miligramas por litro, induz a morte de células de testículos de ratos, entre outros efeitos indicativos de interferência hormonal nesses mamíferos. Coelhos brancos machos que receberam soluções de glifosato apresentaram diminuição do peso corporal, da libido, do volume das ejaculações e da concentração de esperma, além de aumento da quantidade de espermatozoides anormais ou mortos.
Em 2013, foi divulgado estudo que concluiu que o glifosato, na concentração de nanogramas por litro, induz a proliferação de células humanas de câncer de mama. Em 2014, pesquisadores inferiram que o aumento da incidência de problemas renais crônicos em uma região agrícola do Sri Lanka está associado à contaminação ambiental por herbicidas à base de glifosato, que resulta em acúmulo de sais nos rins das pessoas expostas.

Um estudo de longa duração divulgado em 2014 mostrou que ratos que beberam água contendo o herbicida Roundup (0,1 micrograma por litro) ou com milho transgênico tolerante a esse produto apresentaram cerca de 70 diferenças significativas em parâmetros sanguíneos, clínicos e urinários e no peso corporal e dos órgãos, além de modificação do consumo alimentar, se comparados com animais não expostos ao herbicida. Como resultado dessas alterações, aumentou o risco de desenvolvimento de câncer e danos nos rins, fígado e sistema gastrointestinal dos ratos, principalmente dos machos, e de câncer de mama nas fêmeas, assim como diminuiu o tempo de vida dos animais de ambos os sexos.


Sonia Corina Hess
Departamento de Ciências Naturais e Sociais,
Universidade Federal de Santa Catarina, campus de Curitibanos

Rubens Onofre NodariDepartamento de Fitotecnia, Centro de Ciências Agrárias,
Universidade Federal de Santa Catarina

domingo, 20 de maio de 2012

Metabolismo Humano - interessante!!!


Saiba mais...

Tire dez dúvidas sobre a doença celíaca

Intolerância ao glúten atrofia a mucosa do intestino e causa diarreia nos casos graves

 

A doença celíaca é mais comum do que se imagina: de acordo com os especialistas, muita gente apresenta algum tipo de intolerância ao glúten, mas sequer desconfia disso. Um estudo da UNIFESP em doadores de sangue em de São Paulo identificou que há um celíaco para cada 214 pessoas. O cuidado em identificar e controlar a doença, adotando uma dieta restritiva, é fundamental. "Quanto mais cedo o paciente descobre que tem problemas para digerir o glúten, mais chances terá de levar uma vida saudável", afirma o gastroenterologista Celso Mirra, da Federação Brasileira de Gastroenterologia. No Dia Interncional do Celíaco, 20 de maio, ele e outros especialistas no assunto esclarecem algumas dúvidas sobre a doença.  
Trigo, cevada, aveia e centeio ficam fora da dieta

1. Após iniciar uma dieta sem glúten, a mucosa do intestino se recupera em quanto tempo?

A gastroenterologista Vera Lucia Sdepanian, coordenadora do ambulatório de celíacos da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, afirma que, se o glúten for totalmente excluído da dieta, o intestino leva de seis meses a um ano para voltar ao normal. "No entanto, fizemos uma pesquisa e descobrimos que cerca de 30% dos celíacos não seguem adequadamente a dieta restritiva", diz a gastroenterologista da Unifesp. Esses deslizes podem retardar ainda mais o tempo de recuperação da mucosa. 

2. A doença celíaca traz complicações apenas para o intestino?

Não, segundo a gastroenterologista Vera Lucia, uma pessoa que tem a doença e não segue a restrição ao glúten pode ter riscos maiores de desenvolver vários problemas: osteoporose, anemia, infertilidade, câncer (tanto no intestino quanto em outras partes do corpo, como no sistema linfático), entre outros.

Para evitar esses problemas, o gastroenterologista Eduardo Berger, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, recomenda ter muita disciplina na alimentação. "As complicações são gravíssimas e todas relacionadas à má nutrição, mas só ocorrem em pacientes que não se dedicam à dieta livre de glúten", diz. 

3. É verdade que alguns medicamentos podem ter glúten?

Sim, embora sejam poucos. "O paciente só terá problemas quando o medicamento possuir glúten no excipiente da cápsula (material que dá massa ao medicamento), mas hoje este ingrediente é pouco usado", afirma o gastroenterologista Celso Mirra. É importante ficar de olho nos rótulos, já que as indústrias farmacêuticas são obrigadas por lei a informar na embalagem a presença de glúten.  

4. Com que frequência é preciso realizar exames para verificar a saúde do intestino?

Uma vez por ano, pelo menos. "É preciso consultar o médico, realizar exames laboratoriais rotineiros e os testes sanguíneos específicos para doença celíaca", afirma o gastroenterologista Celso Mirra. A endoscopia e a biópsia duodenal são exames feitos quando o quadro clínico da doença se normaliza, em geral após dois anos.  

5. Por que a mucosa intestinal é prejudicada?

Eduardo Berger conta que o paciente com doença celíaca tem imunidade incompatível com uma proteína presente no glúten chamada gliadina. "Quando essa proteína é ingerida, uma enzima localizada na mucosa do intestino chamada transglutaminase atua contra ela, causando uma resposta imune, ou seja, o próprio organismo forma uma substância nociva, um autoanticorpo, que atrofia a mucosa intestinal", explica. 

6. É possível ter doença celíaca sem manifestar sintomas?

Há casos em que os sintomas podem ser muito leves e o paciente mal desconfia que é portador da doença. "O diagnóstico acontece com uma observação mais rigorosa dos poucos sinais apresentados, como gases, irregularidade, ainda que discreta, do hábito intestinal e perda de peso pouco significativa", afirma o gastroenterologista Eduardo. Sempre que há suspeita, o médico também deve pesquisar os autoanticorpos específicos da doença a partir de um exame de sangue. 
Exames são necessários pelo menos uma vez por ano

7. Algumas pessoas podem manifestar a doença só na fase adulta?

Sim, apesar de aparecer mais em crianças, a doença pode afetar qualquer idade. Segundo Eduardo Berger, o motivo de algumas pessoas só descobrirem na fase adulta pode ser a presença de poucos sintomas durante anos. "Isso faz com que o diagnóstico seja, muitas vezes, feito apenas na idade adulta, aumentando o risco de complicações", afirma. 

8. Além da restrição ao glúten, é preciso tomar suplementação?

Em alguns casos, sim. A suplementação costuma ser necessária quando o paciente demora muito para descobrir a doença ou não segue rigorosamente uma dieta sem glúten. Nesses dois casos, a mucosa do intestino estará tão atrofiada que terá dificuldades de absorver nutrientes. "O paciente pode não conseguir absorver, principalmente, as vitaminas B9 (ácido fólico), B12, D, K e os minerais cálcio e ferro", afirma Celso Mirra.  
A falta desses nutrientes pode provocar anemia, osteoporose, problemas de coagulação do sangue, entre outros problemas. "A suplementação, no entanto, precisa sempre ser feita com acompanhamento médico ou nutricional", afirma Eduardo Berger. 

9. A doença celíaca é hereditária?

Sim. Vera Lucia Sdepanian explica que, para manifestar a intolerância ao glúten, você deve apresentar predisposição genética. "Se isso não acontece, há chance mínima de desenvolver a doença e com uma intensidade pequena", conta a gastroenterologista. "A proporção encontrada em estudos é de que 6% dos familiares de primeiro grau de uma pessoa com a doença também possuem a intolerância."

10. Mesmo uma quantidade mínima de glúten pode desencadear complicações?

Dependendo da intensidade da doença, sim. "Há pessoas com doença celíaca que, se usarem a mesma faca que outra pessoa usou para passar geleia no pão de trigo, por exemplo, podem ter uma diarreia", afirma o nutrólogo Andrea Bottoni, coordenador da equipe de nutrologia do Hospital Villa Lobos. Por isso, é essencial ter o cuidado de evitar qualquer ingestão de glúten.