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sábado, 10 de setembro de 2016

Não é uma, são quatro! Cientistas descobrem diferentes espécies de girafas

A ciência reconhecia até hoje a existência de uma única espécie de girafa, que se subdividiam em diversas subespécies. Mas um grupo de cientistas da Alemanha realizou a maior análise genética feita até hoje sobre o animal e concluiu que existem quatro espécies diferentes de girafas no mundo.

Segundo os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira (8) na revista Current Biology, embora todas as quatro espécies de girafas tenham aparência muito semelhante, suas diferenças genéticas são tão grandes quanto as existentes entre ursos pardos e ursos polares.

De acordo com eles, a descoberta tem implicações importantes para a conservação do mais alto dos mamíferos: algumas das novas espécies estão mais ameaçadas de extinção do que se poderia imaginar.

"Ficamos extremamente surpresos, porque há muito pouca diferença da morfologia e dos padrões da pelagem entre as girafas. Por causa dessa semelhança, partimos do pressuposto de que todas as girafas têm os mesmos requisitos ecológicos. Mas ninguém sabe de fato, porque esse animal tem sido bastante negligenciado pela ciência", disse um dos autores do estudo, Axel Janke, geneticista da Centro de Pesquisa em Clima e Biodiversidade da Universidade Goethe (Alemanha).

As girafas passam por um dramático declínio na África, segundo o pesquisador. O número de indivíduos caiu de 150 mil para menos de 100 mil nos últimos 30 anos. Apesar disso, segundo Janke, pouca pesquisa foi feita sobre as girafas, em comparação a outros grandes mamíferos como elefantes, rinocerontes, gorilas e leões.

Segundo Janke, há cinco anos ele foi procurado por Julian Fennessy, da Fundação de Conservação de Girafas da Namíbia, que lhe pediu ajuda para testes genéticos com esses animais. Fenessy queria saber até que ponto havia semelhanças entre as girafas que viviam em diferentes partes da África, se o deslocamento das girafas ao longo do tempo havia "misturado" diversas espécies e subespécies e quais seriam as consequências de novos deslocamentos de girafas nas áreas protegidas.

No novo estudo, Janke e sua equipe examinaram o DNA extraído de biópsias da pele de 190 girafas coletadas por Fennessy e seu grupo na África, incluindo regiões onde há guerras civis. A ampla quantidade de amostras inclui populações de todas as nove subespécies de girafas previamente reconhecidas pela ciência.
A análise genética mostrou que há quatro grupos distintos de girafas que, aparentemente, não se reproduzem entre si na natureza. Consequentemente, segundo Janke, as girafas devem ser reconhecidas como quatro espécies diferentes.
Os cientistas classificaram as quatro espécies como:
  • girafa do sul (Giraffa giraffa)
  • girafa Masai (Giraffa tippelskirchi)
  • girafa reticulada (Giraffa reticulata)
  • girafa do norte (Giraffa camelopardalis), que inclui a girafa núbia (Giraffa ccamelopardalis camelopardalis) como subespécie
Segundo Fennessy, o estudo revela que a girafa núbia - que vive na Etiópia e na região sul do Sudão e foi a primeira a ser descrita pela ciência, há cerca de 300 anos - faz parte da espécie das girafas do norte.

Arte/UOL

Lista vermelha

A descoberta tem impacto importante para a conservação da biodiversidade, segundo os autores. A Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) publicou recentemente uma reavaliação da situação das girafas na Lista Vermelha das espécies, por conta de seu rápido declínio nas últimas três décadas.

"Agora que sabemos que são quatro espécies distintas, o estado de conservação de cada uma delas precisa ser redefinido e revisto na Lista Vermelha da IUCN. Trabalhando em colaboração com os governos africanos, o apoio continuado da Fundação pela Conservação das Girafas e seus parceiros podem destacar a importância de cada uma dessas espécies e iniciar um esforço de conservação, além de levantar recursos para melhorar a proteção desses animais", afirmou Fennessy.

"Estimamos, por exemplo, que só tenham restado 4750 indivíduos da girafa do norte na natureza. O número de indivíduos da girafa reticulada não passa de 8700. Como são espécies distintas, elas passam a figurar entre os grandes mamíferos mais ameaçados do mundo", explicou.

 

domingo, 13 de dezembro de 2015

[PaleoMammalogy • 2015]  

Xenokeryx amidalae • Systematics and Evolution of the Miocene Three-Horned Palaeomerycid Ruminants (Mammalia, Cetartiodactyla)

Fig 10. Life reconstruction of the head of Xenokeryx amidalae gen. et sp. nov. Adult male based on the fossils from La Retama.
 Illustrations by Israel M. SánchezDOI: 10.1371/journal.pone.0143034

Abstract
Palaeomerycids were strange three-horned Eurasian Miocene ruminants known through fossils from Spain to China. We here study their systematics, offering the first cladistic phylogeny of the best-known species of the group, and also reassess their phylogenetic position among ruminants, which is currently disputed. The beautifully preserved remains of a new palaeomerycid from middle Miocene deposits of Spain, Xenokeryx amidalae gen. et sp. nov., helps us to better understand palaeomerycid anatomy, especially that of the nuchal region in the skull, significantly improving our current knowledge on these enigmatic ruminants. 
 
Our results show two main lineages of palaeomerycids, one containing the genus Ampelomeryx diagnosed by a characteristic type of cranium / cranial appendages and some dental derived traits, and another one that clusters those forms more closely related to Triceromeryx than to Ampelomeryx, characterized by a more derived dentition and a set of apomorphic cranial features. Xenokeryx branches as a basal offshoot of this clade. Also, we find that Eurasian palaeomerycids are not closely related to North American dromomerycids, thus rejecting the currently more accepted view of palaeomerycids as the Eurasian part of the dromomerycid lineage. Instead of this, palaeomerycids are nested with the African Miocene pecoran Propalaeoryx and with giraffoids. On the other hand, dromomerycids are closely related to cervids. We define a clade Giraffomorpha that includes palaeomerycids and giraffids, and propose an emended diagnosis of the Palaeomerycidae based on cranial and postcranial characters, including several features of the cranium not described so far. We also define the Palaeomerycidae as the least inclusive clade of pecorans containing Triceromeryx and Ampelomeryx. Finally, we reassess the taxonomy of several palaeomerycid taxa.
Systematic Palaeontology
MAMMALIA Linnaeus, 1758
CETARTIODACTYLA Montgelard, Catzeflis and Douzery, 1997

RUMINANTIA Scopoli, 1777
PECORA sensu Webb and Taylor, 1980

PALAEOMERYCIDAE Lydekker, 1883
Fig 11. Evolution of palaeomerycids. Summary scheme showing a calibrated phylogeny of palaeomerycids (based on the corresponding MPT) with special emphasis on the main morphological traits of each basal clade (Ampelomeryx-clade and Triceromeryx-clade represented by reconstructions of Ampelomeryx and Xenokeryx) including their biogeographic distribution.
 Illustrations by Israel M. Sánchez.  DOI: 10.1371/journal.pone.0143034
Genus Xenokeryx nov.
urn:lsid:zoobank.org:act:BF7F79F9-6752-4CD2-8022-64C5F5790D57
Etymology: Xenos, greek for strange, keryx referring to horn. Meaning ‘strange horn’.
Diagnosis: T-shaped upright occipital appendage with well-developed pedicle and downwards-oriented branch tips; very faint longitudinal crests in the posterior face of the occipital appendage; ulna distally fused to radius; short palmar extension of the facet for the semilunate in the radius; straight disto-lateral border of the distal trochlea in the astragalus, showing no notch; distal articulation facet of the first phalanx not extended into the flexor area.

Xenokeryx amidalae sp. nov.
urn:lsid:zoobank.org:act:9B119A4F-AB1F-4077-A6F6-31981F294A64
Synonyms: Triceromeryx conquensis, nomen nudum (in ref. [69], p. 63, 88);
Triceromeryx conquensis, nomen nudum (in ref. [70], p. 117);
Triceromeryx sp. nov. (in ref. [41], p. 257)
Etymology: Referred to the fictional character Padme Amidala from Star Wars, due to the striking resemblance that the occipital appendage of Xenokeryx bears to one of the hairstyles that the aforementioned character shows in The Phantom Menace feature film.


Conclusions

We here present a new (albeit limited) phylogenetic analysis of the pecoran ruminants, with an emphasis on fossil forms and morphology, but also incorporating molecular data. A new palaeomerycid here described, Xenokeryx amidalae gen. et sp. nov. from the middle Miocene of Spain, helps to reinterpret and understand the morphological evolution and phylogenetic relationships of the group. Despite their apparent external similarities, Eurasian palaeomerycids are not related with North American dromomerycids. Instead, they belong in the clade that also contains the giraffes besides several extinct groups. We name this clade the Giraffomorpha. Among giraffomorphs, the early Miocene African pecoran Propalaeoryx is the closest sister group to palaeomerycids. On the other hand, dromomerycids are very closely related to cervids.

There are two main lineages of palaeomerycids. One of them, the Ampelomeryx-clade, is characterized by a well-developed Palaeomeryx-fold and several other dental derived characters (although they retain a relatively primitive dentition), sloped not pneumatized flat ossicones and flattish and variably sized occipital appendage. The other one, the Triceromeryx-clade, is characterized by its more derived dentition, upright cylindrical pneumatized ossicones, and a great diversity of occipital appendages.

This study focused mainly on the systematics of several extinct clades (palaeomerycids, dromomerycids and their respective allies). Future ruminant research will benefit from total-evidence phylogenetic methods (e.g. Bayesian tip-dating analysis used here) for combining fossil and living taxa, morphological and molecular datasets, and fossil ages. The inclusion of more living and fossil lineages in larger datasets will be decisive to further testing our findings and conclusions.

Israel M. Sánchez, Juan L. Cantalapiedra, María Ríos, Victoria Quiralte and Jorge Morales. 2015. Systematics and Evolution of the Miocene Three-Horned Palaeomerycid Ruminants (Mammalia, Cetartiodactyla). PLoS ONE. DOI: 10.1371/journal.pone.0143034

Xenokeryx amidalae: Strange 'Padme Amidala' ruminant discovered in Spain is extinct ancestor of giraffes http://ibt.uk/A006QP0 via @IBTimesUK #StarWars