Mostrando postagens com marcador girafa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador girafa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de abril de 2022

 

Sobre a origem, evolução e filogenia das girafas Giraffa camelopardalis : trabalho de pesquisa

Publicado online: https://hdl.handle.net/10520/EJC91818

Resumo

A origem, filogenia e evolução das girafas modernas (Giraffa camelopardalis) é obscura. Revisamos aqui a literatura e concluímos que os ancestrais próximos das girafas modernas provavelmente evoluiu no sul da Europa central cerca de 8 milhões de anos atrás (Mya). Esses ancestrais parecem ter surgido da assembleia ancestral gelocida de 20-25 Mya através da família Palaeomerycidae. 

A partir de os paleomericídeos surgiram os Antilocaprinae (Pronghorns) através da subfamília Dromomerycinae, e duas subfamílias de girafas, os Climacoceratidae e Canthumerycidae. O gênero terminal do A linha de climacoceratídeos era a agora extinta girafa maciça Sivatherium sp. Os Canthumerycids deram origem aos ocapis e girafas através das formas intermediárias de Giraffokeryx, Palaeotragus sp. (de qual o ocapi é a forma existente), Samotherium sp. e Bohlinia sp. todos estão extintos. 

Estimulada pelas mudanças climáticas, a progênie da Bohlinia entrou na China e no norte da Índia, evoluiu para espécie típica de Giraffa e foi extinta há cerca de 4 milhões de anos.

 

Da mesma forma, seguindo seu habitat preferido, a girafa africana entrou na África pela Etiópia cerca de 7 milhões de anos. 

Aqui, aparentemente não afetado pelas mudanças climáticas que ocorrem a leste e causando a extinção de suas contrapartes asiáticas, Giraffa se irradiou em várias espécies sequenciais e coevas culminando com a evolução de G. camelopardalis na África Oriental, de onde se dispersou para sua faixa moderna. Fósseis de G. camelopardalis aparecem cerca de 1 Mya na África Oriental. O estímulo subjacente para a evolução do Giraffa parece foram a mudança de vegetação que começou há cerca de 8 milhões de anos, do bioma predominante de floresta (C3) para um bioma de savana/floresta/arbusto (C4). 

O sucesso do Giraffa como gênero é atribuído à sua grande altura e marcações de pelagem exclusivas. Sua altura é consequência do alongamento de todas as sete vértebras cervicais e das inferiores mais do que dos ossos dos membros superiores. 

 Vantagens conferidas pela sua altura incluem proteção contra predação, maior vigilância e, nos machos, dominância sexual e acesso a nutrientes. Suas cores de pelagem são altamente hereditárias e fornecem proteção contra predação por camuflagem, especialmente nos jovens. Como as girafas são incapazes de suar e ofegar, as manchas também podem atuar como janelas térmicas e podem ter uma importante função termorreguladora.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Fóssil de girafa de 7,5 milhões de anos descoberto no centro da Turquia

SABAH DIÁRIA
ISTAMBUL
Publicado em 05.07.2019 17:44
emAA Photo / em
Foto de AA
 
Um fóssil de girafa de 7,5 milhões de anos foi descoberto em Kayseri, no centro da Turquia, informou o município em um comunicado na sexta-feira.
 
O fóssil da girafa foi desenterrado perto da barragem de Yamula, no bairro de Taşhan, durante trabalhos de escavação, que foram lançados depois que um pastor descobriu outro fóssil animal na área.
 
O antropólogo Özge Kahya, do Departamento de Paleoantropologia da Universidade de Ankara, disse ter encontrado fósseis de milhões de anos pertencentes a elefantes, girafas, cavalos e rinocerontes na área.
 
Novos achados arqueológicos na área incluem um fóssil da mandíbula superior de uma girafa e os vertebrados e escápula de elefantes, descobertas que também atraíram a atenção de cientistas em todo o mundo. A geóloga Matti Lehikoinen, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, a geomorfóloga Maud Meijer, do Instituto de Ciências Naturais de Frankfurt, na Alemanha, e Faisal Bibi, do Museu de História Natural de Berlim, disseram que logo vão à cidade para ver e examinar os fósseis.
 
Trabalhos de escavação continuarão na área até que os fósseis remanescentes sejam descobertos e, após a conclusão, a área será aberta aos visitantes, informou o prefeito da Prefeitura Metropolitana de Kayseri, Memduh Büyükkılıç, em um comunicado.

https://www.dailysabah.com/turkey/2019/07/05/75-million-year-old-giraffe-fossil-discovered-in-central-turkey?fbclid=iwar0hzjvf1pq0l2dv6ptmjnjdiolwwetviowhlf3c5yprpummxpwm3wise3m 

sábado, 10 de setembro de 2016

Não é uma, são quatro! Cientistas descobrem diferentes espécies de girafas

A ciência reconhecia até hoje a existência de uma única espécie de girafa, que se subdividiam em diversas subespécies. Mas um grupo de cientistas da Alemanha realizou a maior análise genética feita até hoje sobre o animal e concluiu que existem quatro espécies diferentes de girafas no mundo.

Segundo os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira (8) na revista Current Biology, embora todas as quatro espécies de girafas tenham aparência muito semelhante, suas diferenças genéticas são tão grandes quanto as existentes entre ursos pardos e ursos polares.

De acordo com eles, a descoberta tem implicações importantes para a conservação do mais alto dos mamíferos: algumas das novas espécies estão mais ameaçadas de extinção do que se poderia imaginar.

"Ficamos extremamente surpresos, porque há muito pouca diferença da morfologia e dos padrões da pelagem entre as girafas. Por causa dessa semelhança, partimos do pressuposto de que todas as girafas têm os mesmos requisitos ecológicos. Mas ninguém sabe de fato, porque esse animal tem sido bastante negligenciado pela ciência", disse um dos autores do estudo, Axel Janke, geneticista da Centro de Pesquisa em Clima e Biodiversidade da Universidade Goethe (Alemanha).

As girafas passam por um dramático declínio na África, segundo o pesquisador. O número de indivíduos caiu de 150 mil para menos de 100 mil nos últimos 30 anos. Apesar disso, segundo Janke, pouca pesquisa foi feita sobre as girafas, em comparação a outros grandes mamíferos como elefantes, rinocerontes, gorilas e leões.

Segundo Janke, há cinco anos ele foi procurado por Julian Fennessy, da Fundação de Conservação de Girafas da Namíbia, que lhe pediu ajuda para testes genéticos com esses animais. Fenessy queria saber até que ponto havia semelhanças entre as girafas que viviam em diferentes partes da África, se o deslocamento das girafas ao longo do tempo havia "misturado" diversas espécies e subespécies e quais seriam as consequências de novos deslocamentos de girafas nas áreas protegidas.

No novo estudo, Janke e sua equipe examinaram o DNA extraído de biópsias da pele de 190 girafas coletadas por Fennessy e seu grupo na África, incluindo regiões onde há guerras civis. A ampla quantidade de amostras inclui populações de todas as nove subespécies de girafas previamente reconhecidas pela ciência.
A análise genética mostrou que há quatro grupos distintos de girafas que, aparentemente, não se reproduzem entre si na natureza. Consequentemente, segundo Janke, as girafas devem ser reconhecidas como quatro espécies diferentes.
Os cientistas classificaram as quatro espécies como:
  • girafa do sul (Giraffa giraffa)
  • girafa Masai (Giraffa tippelskirchi)
  • girafa reticulada (Giraffa reticulata)
  • girafa do norte (Giraffa camelopardalis), que inclui a girafa núbia (Giraffa ccamelopardalis camelopardalis) como subespécie
Segundo Fennessy, o estudo revela que a girafa núbia - que vive na Etiópia e na região sul do Sudão e foi a primeira a ser descrita pela ciência, há cerca de 300 anos - faz parte da espécie das girafas do norte.

Arte/UOL

Lista vermelha

A descoberta tem impacto importante para a conservação da biodiversidade, segundo os autores. A Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) publicou recentemente uma reavaliação da situação das girafas na Lista Vermelha das espécies, por conta de seu rápido declínio nas últimas três décadas.

"Agora que sabemos que são quatro espécies distintas, o estado de conservação de cada uma delas precisa ser redefinido e revisto na Lista Vermelha da IUCN. Trabalhando em colaboração com os governos africanos, o apoio continuado da Fundação pela Conservação das Girafas e seus parceiros podem destacar a importância de cada uma dessas espécies e iniciar um esforço de conservação, além de levantar recursos para melhorar a proteção desses animais", afirmou Fennessy.

"Estimamos, por exemplo, que só tenham restado 4750 indivíduos da girafa do norte na natureza. O número de indivíduos da girafa reticulada não passa de 8700. Como são espécies distintas, elas passam a figurar entre os grandes mamíferos mais ameaçados do mundo", explicou.

 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Egito já teve leão, girafa e hipopótamo

Em estudo, cientistas reconstruíram interações ecológicas dos mamíferos ao longo de 6 mil anos: de 37 espécies originais, sobraram 8

04 Outubro 2014 | 23h45
Antes das pirâmides e faraós, a paisagem do Egito era bem diferente. No lugar do deserto havia no Vale do Nilo ambientes semelhantes aos do Quênia atual, com savanas e pastagens, onde viviam leões, zebras, girafas, hipopótamos e rinocerontes. A partir de registros artísticos em artefatos egípcios, um grupo internacional de cientistas (com presença brasileira) fez panorama detalhado dos grandes mamíferos que viveram na região ao longo de 6 mil anos.
Foto: Janete Longo/AE
Jantar beneficente
Bebel Alves de Lima. Carmo Sodré Mineiro pilota jantar beneficente em prol dos artesões da ArteSol - Casa Cor 2010, no Jockey Club SP. Quinta, 17
O trabalho, publicado na revista científica PNAS, revelou que a extinção local das espécies tornou o ecossistema cada vez mais instável, até o colapso da fauna de mamíferos: das 37 espécies que existiam no início do período estudado, só restaram oito no Egito atual. O desaparecimento pode estar relacionado a sucessivos períodos de aridificação abrupta e ao crescimento da população humana.
Ao revelar a dinâmica de um colapso ecológico dessa dimensão, segundo os autores, o estudo permite entender os potenciais efeitos da perdas de espécies em ecossistemas submetidos a mudanças climáticas e a um grande crescimento populacional, como acontece na Amazônia, por exemplo.
De acordo com um dos autores, Mathias Pires, pesquisador do Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP), a pesquisa reuniu um conjunto de dados sem precedentes ao cruzar as informações obtidas a partir dos registros artísticos com referências paleontológicas, arqueológicas e históricas.

“Reunindo esses dados, usamos modelos matemáticos para reconstruir a comunidade de mamíferos em cada período. Com os dados sobre as relações entre predadores e presas, pudemos traçar toda a teia alimentar ao longo de seis milênios”, disse Pires, que é especialista na modelagem matemática aplicada à ecologia.
Assim, segundo o cientista, foi possível entender não só a estrutura da teia alimentar (como os animais interagiam entre si), mas também sua dinâmica: o que acontece com cada espécie quando outra é extinta. “Usamos outro tipo de modelagem para saber como toda a teia se comporta quando há uma perturbação, como períodos intensos de seca, ou a extinção de uma espécie em particular.”
Alterações. De acordo com Pires, houve quatro períodos especialmente dramáticos de extinções. Os três primeiros coincidiram com momentos de secas intensas. O mais recente, há cerca de 160 anos, aconteceu com o crescimento exponencial da atividade humana no Egito. “Já sabíamos que houve um processo de desertificação natural no Egito nos últimos 5 mil anos. Mas, nos momentos em que a aridificação foi mais intensa, a perda de espécies foi maior. No último período, no meio do século 19, a escala de extinção foi mais radical: o Egito perdeu metade da diversidade, passando de 15 para oito espécies de mamíferos.”
Cada espécie que se perdia comprometia a estabilidade de todo o sistema, em uma dinâmica de extinções que se tornava cada vez mais grave, segundo o pesquisador. “Percebemos que no início, quando havia muitas espécies, o sistema era robusto. Quando se perde uma espécie, ela é substituída na teia alimentar por outra e a perturbação não é tão grande. É o que chamamos de redundância ecológica.” Mas, à medida que mais animais são extintos, não sobram espécies de reposição e o sistema fica mais frágil, segundo Pires. “Quando a redundância ecológica diminui, cada espécie se torna dramaticamente importante.”

Os cientistas constataram que o sistema era pouco alterado quando uma espécie era suprimida há 5 mil anos. Mas, quando se retirava um animal no contexto de 100 anos atrás, todo o sistema entrava em colapso.

“Isso sugere que a fragilidade dos sistemas atuais é um fenômeno muito recente. O colapso da fauna no Egito ocorreu em um cenário no qual havia intensa atividade humana e mudanças climáticas consideráveis. É possível que muitos dos sistemas que vemos hoje tenham destino parecido”, disse Pires.

Hipóteses. Apesar do êxito em montar um quadro completo da dinâmica ecológica, Pires afirma que é difícil identificar os fatores que levaram à extinção de cada espécie. “Levantamos diferentes hipóteses. Em um cenário de mudanças climáticas, as plantas crescem menos. Isso provoca grande pressão alimentar nos herbívoros, causando impacto também em seus predadores.”

Outra hipótese levantada pelos cientistas é que, em períodos de seca intensa, os egípcios – cuja economia se baseava na agricultura – tenham usado a caça como alternativa alimentar. “Havia muitas representações de cenas de caça. Além disso, com mais população, as áreas de cultivo aumentavam, levando à competição com os animais”, afirmou Pires.