Descubra quais são as espécies de gatos selvagens menos avistadas por humanos
Por Marcus Cabral
O lince-do-canadá está entre os felinos mais raros do mundo (Foto: Keith Williams/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)
Todos nós conhecemos os grandes felinos selvagens, como leões, tigres, pumas, leopardos e até onças, mas há um universo inteiro de outros gatos e uma porção de subespécies que provavelmente você nunca ouviu falar.
Conheça alguns dos gatos selvagens mais raros do planeta!
1. Leopardo-de-amur
Considerada como o gato selvagem mais raro do mundo, estima-se que existam apenas 80 animais dessa subespécie vivendo livremente na Rússia e na China. A ameaça de extinção desses felinos vem principalmente da caça ilegal e da perda de habitat pela construção de estradas e incêndios florestais.
Panthera pardus orientalis vive nos montes
Sikhote-Alin, sudeste da Rússia (Foto: Madhusudhan Nanjappa/ Wikimedia
Commons/ CreativeCommons)
2. Lince-ibérico
Os linces-ibéricos estão
criticamente ameaçados de extinção. Eles vivem em áreas isoladas no sul
da Espanha e se alimentam principalmente de coelhos.
O Lynx pardinus não se adaptou a outras
presas e, pela escassez de coelhos, corre risco de extinção (Foto:
Fernando Diz-lois/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)
3. Tigre-malaio
Esta subespécie é
encontrada apenas em algumas áreas da península de Málaca, na Malásia, e
é o símbolo do país. Estima-se que existam menos de 200 desses animais livres na natureza.
O Panthera tigris jacksoni aparece nas moedas da Malásia (Foto: Abujoy / Wikimedia Commons / CreativeCommons)
4. Guepardo-asiático
O guepardo-asiático é
uma subespécie que já habitou a península arábica, a região do mar do
Cáspio, Paquistão e Índia, mas foi extinto nessas áreas no início do
século 20. Apenas cerca de 200 animais do tipo ainda vivem na natureza,
exclusivamente no Irã.
O Acinonyx jubatus venaticus também é
conhecido como guepardo-iraniano (Foto: Erfan Kouchari/ Wikimedia
Commons/ CreativeCommons)
5. Leopardo-das-neves
Estes animais vivem
nas montanhas da Ásia Central, em altitudes de até 6.700 metros. Assim
como os linces canadenses, suas patas são largas, o que os ajuda a
caminhar pela neve.
A Panthera uncia é uma espécie muito esquiva
quase nunca avistada por humanos (Foto: Greg Hume/ Wikimedia Commons/
CreativeCommons)
6. Gato-andino
Os gatos andinos são o
equivalente americano ao leopardo-das-neves: eles vivem em altitudes de
3.500 a 4.800 metros, próximos a fontes de água na Cordilheira dos
Andes. Antes de 1998, eles só haviam sido fotografados duas vezes!
O Leopardus jacobita se alimenta de pequenos roedores (Foto: Jim Sanderson/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)
7. Gato-vermelho-de-bornéu
Estes felinos são
misteriosos e vivem apenas na ilha de Bornéu. Provavelmente, há menos
de 2.200 animais adultos da espécie na natureza.
Apenas 12 animais da espécie Catopuma badia
já foram capturados para estudo (Foto: Jim Sanderson/ Wikimedia Commons/
CreativeCommons)
8. Gato-pescador
Os gatos-pescadores vivem
em zonas úmidas em partes do sul e sudeste da Ásia, especialmente perto
de córregos, rios e manguezais. Eles têm patas espalmadas e são adeptos
da captura de peixes e outras pequenas presas.
A espécie Prionailurus viverrinus alimenta-se de peixes (Foto: Michael Bentley/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)
9. Lince-do-canadá
A principal
característica que diferencia o lince-do-canadá das outras espécies são
suas enormes patas traseiras que parecem raquetes de andar na neve.
O Lynx canadensis também pode ser encontrado nos EUA (Foto: Michael Zahra / Wikimedia Commons / CreativeCommons)
Perda
de vegetação nativa na Amazônia, onde vive quase metade das
onças-pintadas do mundo, coloca em risco o maior reservatório genético
da espécie
De 2016 a 2019, quase 1.400 onças podem ter morrido ou sido deslocadas na Amazônia por causa do desmatamento
Daniel Kantek / ICMBIO
De
2016 a 2019, a Amazônia perdeu 32 mil quilômetros quadrados (km2) de
vegetação nativa – o equivalente a 0,6% da área ocupada pelo bioma no
território brasileiro – por causa de queimadas e desmatamento, indicam
dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em
consequência do recrudescimento recente na degradação da floresta,
observada principalmente no Arco do Desmatamento, nas porções sul e
leste da Amazônia, cerca de 1.400 onças-pintadas podem ter morrido ou
sido desalojadas das áreas em que viviam. “Esse número é um sinal de
alerta e merece atenção”, afirma o veterinário Ronaldo Morato,
coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos
Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio) e líder do trabalho, apoiado pela FAPESP, que
chegou a esse cálculo. “Ele representa 1,8% da população de onças que se
calcula existir na Amazônia brasileira.”
Publicada em 25 de junho na revista Conservation Science and Practice,
essa estimativa é ainda imperfeita. Conhecer o número exato de onças
mortas, feridas ou deslocadas pela ação de motosserras ou do fogo
exigiria a captura e marcação prévia de cada indivíduo para que, depois,
sua localização fosse acompanhada por meio de colares rastreáveis por
GPS e armadilhas fotográficas. Ante a impossibilidade de realizar esse
tipo de rastreamento em uma área tão vasta e de deslocamento complexo
como a Amazônia, o biólogo Jorge Saraiva de Menezes, da equipe de
Morato, calculou o número aproximado de felinos mortos ou expulsos
naquele período cruzando dados de áreas que perderam mais de 50% da
cobertura nativa com informações a respeito da concentração de onças na
região.
A Amazônia é hoje o principal refúgio de onças no mundo.
Há alguns anos, o biólogo polonês Włodzimierz Jędrzejewski, do Centro de
Ecologia do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas, e
colaboradores usaram informações de dezenas de armadilhas fotográficas
instaladas em 80 locais para calcular o total de onças-pintadas nas
Américas. De acordo com a estimativa, apresentada em 2018 na revista PLOS ONE, existiriam hoje por volta de 173 mil onças.
Exclusivas
das Américas, continente no qual entraram após se separarem há 3
milhões de anos de uma linhagem ancestral de grandes felinos na Ásia, as
onças-pintadas (Panthera onca) estão entre os maiores
carnívoros do mundo. Podem alcançar quase 2 metros de comprimento (do
focinho ao início da cauda) e pesar 150 quilos. Em tamanho e força,
perdem apenas para dois outros felinos evolutivamente próximos: o leão (Panthera leo), hoje encontrado na África subsaariana e em parte da Índia; e o tigre (Panthera tigris),
que sobrevive em pequenas porções da Ásia. As onças são corredoras
velozes, atingem até 80 quilômetros por hora, além de exímias nadadoras e
hábeis escaladoras de árvores. Na natureza, vivem de 10 a 15 anos e
podem ser encontradas em campos e savanas, mas preferem áreas de mata
fechada, próximas de cursos d’água e distantes da presença humana.
Por
influência de fatores ambientais, como cobertura florestal,
temperatura, disponibilidade de alimentos e alterações na paisagem, as
onças existentes hoje estão distribuídas de modo irregular por uma área
de 8,9 milhões de km2, metade do território que ocupavam no início do
século XX, quando eram encontradas dos Estados Unidos à Argentina (ver mapa).
Segundo os cálculos de Jędrzejewski, nove países da América do Sul,
todos contendo trechos da floresta amazônica, concentrariam 93% das
onças (cerca de 161 mil animais). No Brasil, onde recebe ainda o nome de
jaguar, jaguaretê e canguçu, estaria o maior contingente: 86,8 mil
exemplares – nove em cada 10 deles na Amazônia.
A
situação da espécie é menos grave que a do leão e do tigre, dos quais
restam, respectivamente, 20 mil e 4 mil exemplares na natureza. Mas não
permite descuidos. Biólogos, geneticistas e especialistas em conservação
consideram que apenas uma pequena proporção dos indivíduos – no caso
dos felinos, algo em torno de 10% da população – seja, de fato, capaz de
procriar e contribuir para a manutenção da espécie. É a chamada
população efetiva, um conceito genético que equivale aproximadamente ao
conjunto de animais que colaboram reprodutivamente ao longo das
gerações. Em algumas áreas de vegetação fragmentada, esse número pode
ser muito baixo (por exemplo, menos de 10 indivíduos), o que gera
problemas para a manutenção da diversidade genética no local.
Em
2017, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)
classificou a onça-pintada na categoria “quase ameaçada de extinção” por
causa de uma redução de 20% a 25% em sua população global em 21 anos.
Em uma avaliação de 2013, Morato e colaboradores haviam estimado que em
27 anos o número de onças no Brasil teria encolhido 30% e redução
semelhante é projetada para as próximas três décadas. A principal ameaça
à espécie, indicam vários estudos, é a perda e a fragmentação de áreas
de vegetação nativa, em geral decorrente de atividades humanas como
expansão agrícola, mineração, construção de hidrelétricas e abertura de
estradas.
Onças são predadores solitários que precisam de grandes
espaços para caçar e sobreviver. Em um grande estudo sobre o
deslocamento desses felinos, o ecólogo Jeffrey Thompson, pesquisador da
Associação Guyra e do Instituto Saite, ambos no Paraguai, e 60
colaboradores, vários deles do Brasil, acompanharam por anos o trajeto
percorrido por 111 onças em sete países das Américas e 13 ambientes. Os
resultados desse trabalho, um dos últimos assinados pelo zoólogo
paulista Peter Crawshaw Junior, um dos maiores especialistas em onça do
país, morto em 26 de abril deste ano em consequência da Covid-19, foram
publicados em 7 de julho na revista Current Biology. Eles
indicam que a área média de que as onças precisam para viver – a chamada
área de vida – varia muito de um bioma para outro. É menor, da ordem de
60 km2 a 200 km2, em ambientes com vegetação mais densa e abundância de
alimentos, como o Pantanal ou os Lhanos, como são chamadas as planícies
de savanas da Colômbia e da Venezuela, e um pouco maior, por volta de
250 km2 na Amazônia. Pode, no entanto, chegar aos 400 km2 no Cerrado e
na Caatinga, onde a disponibilidade de alimento é menor e a presença
humana maior.
Antes da chegada do colonizador europeu, havia onças
em todo o território do que viria a ser o Brasil, afirmam os estudiosos
do felino. Com a derrubada de matas, porém, elas foram varridas de uma
vasta faixa que vai do Nordeste ao Sul do país. Desapareceram dos Pampas
e hoje sua distribuição é restrita a um terço do Cerrado, 20% da
Caatinga e menos de 10% da Mata Atlântica – calcula-se que, nos dois
últimos biomas, só existam algumas centenas de indivíduos. Apenas a
Amazônia brasileira comporta onças em cerca de 80% de sua área.
“A
Mata Atlântica representa um caso extremo de prejuízos da ação humana
para a diversidade genética das onças”, assegura o biólogo Eduardo
Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(PUC-RS), um dos pioneiros no país no estudo da genética do felino. A
primeira análise das populações do animal em diferentes países das
Américas, conduzida por Eizirik em 2001, ajudou a confirmar que as onças
atuais pertencem a uma única espécie e sem subdivisões regionais
profundas. Mais recentemente, a bióloga Taiana Haag, trabalhando sob a
orientação de Eizirik, comparou as características genéticas de quatro
populações de onça distribuídas por remanescentes de Mata Atlântica
entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul e constatou que
elas haviam perdido diversidade. A população de cada fragmento se tornou
mais homogênea rapidamente. Em menos de 10 gerações, os indivíduos de
uma mesma população ficaram geneticamente mais semelhantes entre si,
enquanto os animais de um fragmento acumularam diferenças aleatórias que
os tornaram mais distintos daqueles das outras áreas.
“A
perda de diversidade deixa esses grupos mais suscetíveis a doenças e
reduz a probabilidade de que seus integrantes se adaptem a
transformações ambientais”, explica a bióloga Caroline Sartor, da equipe
da PUC-RS. Em parceria com o Instituto Conhecer para Conservar (ICC) e a
Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), ela trabalha na
caracterização genética de onças em cativeiro vindas da natureza. A
ideia é reunir um grupo de animais que represente a diversidade genética
encontrada nos ambientes mais ameaçados, como a Mata Atlântica, para,
caso seja necessário, realizar uma possível reintrodução mais adequada
para restaurar essa diversidade. “Uma dificuldade”, ela antecipa, “será
obter um número suficiente de indivíduos para o plantel reprodutor que
represente a diversidade encontrada na natureza”.
Outros trabalhos
conduzidos pelo grupo da PUC-RS em colaboração com o Instituto
Pró-Carnívoros estão ajudando a corroborar que o efeito observado sobre a
população de onças da Mata Atlântica seria decorrente da ação humana,
que tornou a vegetação nativa fragmentada a ponto de impedir que onças
se desloquem por grandes distâncias e cruzem com indivíduos de
populações diferentes.
No Pantanal, onde a alimentação é farta e
as onças atingem o maior porte registrado atualmente, o biólogo Daniel
Kantek analisou o perfil genético de 110 animais que ocupam duas regiões
geograficamente distintas. Parte deles vive na porção norte do bioma,
no estado de Mato Grosso, gravemente atingida por incêndios no segundo
semestre de 2020, e o restante em áreas de vegetação nativa em fazendas
particulares em Mato Grosso do Sul. Apesar de algumas centenas de
quilômetros (km) separarem os dois grupos, do ponto de vista genético,
eles integram uma única população, com bom nível de variabilidade
gênica, segundo as conclusões do trabalho, publicado em julho na Biological Conservation.
“As matas de galeria dos rios Paraguai e Cuiabá parecem funcionar como
um corredor ecológico, permitindo o trânsito de animais de um grupo para
outro e a miscigenação”, relata Kantek, que é analista ambiental do
ICMBio.
Gustavo Lorenzana, ecólogo mexicano que realizou o
doutorado sob orientação de Eizirik, havia observado algo semelhante na
Amazônia. Assim como no Pantanal, lá as onças mantêm um índice de
diversidade genética elevado e funcionam como uma população única,
mantendo a troca de genes entre os indivíduos, mesmo a distâncias
superiores a 3 mil km. Para os pesquisadores, a alta diversidade e o
intercâmbio gênico deveriam ser comuns também em outros biomas antes da
chegada dos europeus às Américas. “Só alterações na paisagem intensas
como as causadas pela ação humana seriam capazes de explicar a perda de
diversidade das onças da Mata Atlântica”, afirma Eizirik, que integra
o INCT Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (EECBio).
Uma
análise inicial dos genes ativos (exoma) de 113 onças de cinco biomas
brasileiros, realizada pelo biólogo Henrique Figueiró, durante seu
doutorado na PUC-RS, sugere que os animais da Amazônia sejam
geneticamente mais próximos aos da Mata Atlântica, da Caatinga e do
Cerrado do que os do Pantanal, onde a diversidade genética também é
elevada. “Em teoria, seria mais adequado repovoar as áreas de Mata
Atlântica com indivíduos trazidos da Amazônia do que com animais vindos
do Pantanal. Por causa da semelhança genética maior, os animais da
Amazônia poderiam se adaptar melhor à Mata Atlântica”, sugere Figueiró,
que em 2017 liderou o sequenciamento completo do genoma da onça-pintada –
a partir do material genético do Vagalume, um macho capturado ainda
filhote no Pantanal após a morte da mãe – e constatou que algumas
características do animal, como a musculatura do crânio
(proporcionalmente maior do que a de outros grandes felinos) e a
robustez dos membros anteriores, foram provavelmente selecionadas pelo
ambiente e se fixaram na espécie.
Em paralelo aos esforços para
viabilizar a reprodução em cativeiro e a translocação de indivíduos de
um bioma para outro para a conservação da espécie, uma estratégia básica
e fundamental é preservar o máximo possível a vegetação nativa e as
populações atuais de onça, que funcionariam como uma reserva genética.
“O futuro das onças está em nossas mãos”, afirma Morato, do ICMBio. “O
papel do país na conservação desses felinos é muito importante.”
Íntegra do texto publicado em versão reduzida na edição impressa, representada no pdf.
Projetos
1.
Uso e ocupação do espaço, movimentação e seleção de hábitat por
onça-pintada (Panthera onca) na Mata Atlântica e Caatinga: uma análise
comparativa (nº 13/10029-6); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 103.152,80.
2.
Conflitos entre humanos e fauna silvestre no interior de reservas
extrativistas amazônicas: pegada ecológica espacial e impacto da caça de
subsistência sobre vertebrados florestais (nº 17/08461-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 126.157,51.
3.
Seleção de habitat e padrões de movimento de onça-pintada (Panthera
onca): novos desafios nas análises de informações obtidas por telemetria
GPS-satélite (nº 14/24921-0); Modalidade Bolsa de Pesquisa no Exterior; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Beneficiário Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 178.895,97.
The Snow Leopard Project: And Other Adventures in Warzone ConservationAlex Dehgan PublicAffairs (2019)
Imagine
a scientific field where success is at least partly measured by staying
alive. This is conservation biology in the world’s many war zones,
where researchers face despair over the accelerating extinction crisis,
and the risk of stray bullets. It is, as pioneer Michael Soulé put it
more than 30 years ago, a “mission-oriented crisis discipline”.
Alex
Dehgan weathered all this, and more, working in far-flung corners of
Afghanistan, including the peaks of the Pamir Mountains — one of Earth’s
most remote, inhospitable natural environments — on animals including
the rare and elusive snow leopard (Panthera uncia). Over two
years in the mid-2000s, Dehgan established the Wildlife Conservation
Society (WCS) Afghanistan Program. It became one of the most successful
conservation efforts to be set up in an active conflict zone. His new
book, The Snow Leopard Project chronicles this story.
In
2006, wildlife conservation in Afghanistan seemed almost a
counter-intuitive undertaking, Dehgan notes. Three decades of war, along
with insurgency by the Taliban and a nascent democratic government that
was weak and decentralized, did not provide the most suitable
underpinnings for a national conservation awakening. Even assessing the
status of wildlife in the country, a prerequisite to any on-the-ground
conservation, would have to happen amid more than half a million
landmines, which litter even the most remote parts of the country. Yet
Dehgan viewed this as a clean slate for reinventing conservation
practices at a country-wide level.
Afghanistan has for centuries
been a “crossroads of human cultures and empires” and an important stop
on the Silk Road. But, as Dehgan notes, it is an equally important
crossroads for the fauna and flora of Asia, Europe and Africa. In what
many in the West felt to be dusty, war-weary and desolate, he saw
beauty, biological diversity and an opportunity to reverse environmental
disruption from the country’s long litany of conflicts.
Born in
Iran, Dehgan emigrated to the United States with his family at the age
of two, in the early 1970s. A career that veered from law to diplomacy
to conservation, with stints in Russia, Madagascar and Iraq, gave him a
remarkable skill set. Yet his impressive experience barely prepared him
for the challenges of setting up shop in Kabul. Here, the most mundane
tasks had to be done while keeping one eye out for improvised explosive
devices on the roadside and suicide bombers in markets or oncoming
vehicles. Finding staff, from biologists to cooks, and a safe office for
them, was one of the first hurdles. The programme’s main funder, the US
Agency for International Development (USAID), was little help at the
time: its interests seemed weighted towards nation-building, not nature.
Dehgan laments that the agency’s focus was expenditure — an easy
metric. (He notes with pride that he was involved in changing that
culture when he later became USAID’s chief scientist.)
As a
conservationist leading field programmes in Asia, I gravitate towards
books by others doing similar work. I’m often disappointed by dry
accounts that omit the human stories. By contrast, Dehgan introduces
nearly every actor in his saga with witty observations on demeanour and
personality, not just professional credentials. Drawn deep into his
story, we feel his burden when sending ‘his people’ into areas where
safety concerns — from drowning in freezing rivers to falling from
precipitous cliffs frequented by snow leopards — are compounded by the
risk of being shot at, blown up or worse.
Thus, this is less a
book about research than about the trials, triumphs and occasional
absurdity of building a conservation programme in extreme circumstances.
More than once, Dehgan and his team find themselves staring down the
barrel of an AK-47 rifle, trying in multiple languages to defuse a tense
situation. The hazards of their fieldwork go far beyond the norm.
Veering accidentally into a minefield means a painstaking reversal along
their tyre tracks to safety. As they are returning from Tajikistan
after a mission to push for an international peace park, loose tow
cables send the team’s already questionable ferry careering downriver.
Surveys for rare species along the border with Pakistan mean trekking
along steep mountain paths too narrow for pack animals, while keeping
one eye out for insurgents who could end the researchers’ lives on the
spot. Political pitfalls are as abundant, such as when an Iranian
diplomat mistakenly believes Dehgan is the conduit to renewed diplomatic
relations with the United States.
Ultimately, The Snow Leopard Project
is a story of conservation success from a nation where good news is
scant. Afghanistan’s first national park, Band-e-Amir, was created in
2009. At about the same time, the Wakhan Corridor — a sliver of land
between Pakistan and Tajikistan known as the Roof of the World — saw a
return of tourists drawn by the possibility of seeing the majestic Marco
Polo sheep (Ovis ammon polii) that thrive there. In 2014, the
wider Wakhan area became Afghanistan’s second national park. Larger than
Yellowstone National Park in Wyoming, it encompasses nearly
three-quarters of the country’s snow-leopard range. Elsewhere, species
long thought locally extinct, such as the Kashmir musk deer (Moschus cupreus), were rediscovered in the Eastern Forests Complex, one of the last temperate coniferous forests in the greater Himalayas.
Dehgan
gives credit to his many Afghan colleagues, and the Afghan people, for
their openness to the idea of conserving their unique natural heritage,
and embracing it with the same determination that has kept them
resilient in the face of conflict for centuries.
There is a shadow
side to these successes, Dehgan reveals. There was, for instance, the
issue of how military forces, and even some humanitarian aid agencies,
unwittingly participated in the illegal wildlife trade — for instance,
by buying furs made from pelts of restricted animals, including snow
leopards. The WCS’s public diplomacy campaign made a difference. The
military and even Afghan shop owners embraced efforts to stop the loss
of the country’s natural treasures, despite an impact on their
livelihoods.
The Snow Leopard Project is also a personal
record. We learn of Dehgan’s journey to get closer to his Iranian roots,
and his anguish over war’s senseless ravaging of nature and culture.
But he is optimistic, too, about the country, its people and its
wildlife. After his departure, the WCS Afghanistan Program continued its
field-oriented mission, helping to establish a third national park in
2017. In the same year, nearly 200,000 people, mostly Afghan citizens,
visited Band-e-Amir National Park.