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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Este são os 9 felinos mais raros do mundo

Descubra quais são as espécies de gatos selvagens menos avistadas por humanos


  • Por Marcus Cabral
O lince-do-canadá está entre os felinos mais raros do mundo (Foto: Keith Williams / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

O lince-do-canadá está entre os felinos mais raros do mundo (Foto: Keith Williams/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

Todos nós conhecemos os grandes felinos selvagens, como leões, tigres, pumas, leopardos e até onças, mas há um universo inteiro de outros gatos e uma porção de subespécies que provavelmente você nunca ouviu falar.

Conheça alguns dos gatos selvagens mais raros do planeta!

1. Leopardo-de-amur

Considerada como o gato selvagem mais raro do mundo, estima-se que existam apenas 80 animais dessa subespécie vivendo livremente na Rússia e na China. A ameaça de extinção desses felinos vem principalmente da caça ilegal e da perda de habitat pela construção de estradas e incêndios florestais.

Panthera pardus orientalis vive nos montes Sikhote-Alin (Foto: Madhusudhan Nanjappa / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

Panthera pardus orientalis vive nos montes Sikhote-Alin, sudeste da Rússia (Foto: Madhusudhan Nanjappa/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

2. Lince-ibérico

Os linces-ibéricos estão criticamente ameaçados de extinção. Eles vivem em áreas isoladas no sul da Espanha e se alimentam principalmente de coelhos.

 O Lynx pardinus não se adaptou a outras presas e, pela escassez de coelho, corre risco de extinção (Foto: Fernando Diz-lois / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

O Lynx pardinus não se adaptou a outras presas e, pela escassez de coelhos, corre risco de extinção (Foto: Fernando Diz-lois/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

 3. Tigre-malaio

Esta subespécie é encontrada apenas em algumas áreas da península de Málaca, na Malásia, e é o símbolo do país. Estima-se que existam menos de 200 desses animais livres na natureza.

O Panthera tigris tigris aparece nas moedas da Malásia (Foto: Abujoy / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

O Panthera tigris jacksoni aparece nas moedas da Malásia (Foto: Abujoy / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

4. Guepardo-asiático

O guepardo-asiático é uma subespécie que já habitou a península arábica, a região do mar do Cáspio, Paquistão e Índia, mas foi extinto nessas áreas no início do século 20. Apenas cerca de 200 animais do tipo ainda vivem na natureza, exclusivamente no Irã.

O Acinonyx jubatus venaticus também é conhecido como guepardo-iraniano (Foto: Erfan Kouchari / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

O Acinonyx jubatus venaticus também é conhecido como guepardo-iraniano (Foto: Erfan Kouchari/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

5. Leopardo-das-neves

Estes animais vivem nas montanhas da Ásia Central, em altitudes de até 6.700 metros. Assim como os linces canadenses, suas patas são largas, o que os ajuda a caminhar pela neve.

A Panthera uncia é uma espécie muito esquiva quase nunca avistada por humanos (Foto: Greg Hume / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

A Panthera uncia é uma espécie muito esquiva quase nunca avistada por humanos (Foto: Greg Hume/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

6. Gato-andino

Os gatos andinos são o equivalente americano ao leopardo-das-neves: eles vivem em altitudes de 3.500 a 4.800 metros, próximos a fontes de água na Cordilheira dos Andes. Antes de 1998, eles só haviam sido fotografados duas vezes!

O Leopardus jacobita se alimenta de pequenos roedores (Foto: Jim Sanderson / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

O Leopardus jacobita se alimenta de pequenos roedores (Foto: Jim Sanderson/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

7. Gato-vermelho-de-bornéu

Estes felinos são misteriosos e vivem apenas na ilha de Bornéu. Provavelmente, há menos de 2.200 animais adultos da espécie na natureza.

Apenas 12 animais da espécie Catopuma badia já foram capturados para estudo (Foto: Jim Sanderson / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

Apenas 12 animais da espécie Catopuma badia já foram capturados para estudo (Foto: Jim Sanderson/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

8. Gato-pescador

Os gatos-pescadores vivem em zonas úmidas em partes do sul e sudeste da Ásia, especialmente perto de córregos, rios e manguezais. Eles têm patas espalmadas e são adeptos da captura de peixes e outras pequenas presas.

A espécie Prionailurus viverrinus alimenta-se de peixes (Foto: Michael Bentley / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

A espécie Prionailurus viverrinus alimenta-se de peixes (Foto: Michael Bentley/ Wikimedia Commons/ CreativeCommons)

9. Lince-do-canadá

A principal característica que diferencia o lince-do-canadá das outras espécies são suas enormes patas traseiras que parecem raquetes de andar na neve.

O Lynx canadensis também pode ser encontrado nos EUA (Foto: Michael Zahra / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

O Lynx canadensis também pode ser encontrado nos EUA (Foto: Michael Zahra / Wikimedia Commons / CreativeCommons)

 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

 

Refúgio ameaçado

Perda de vegetação nativa na Amazônia, onde vive quase metade das onças-pintadas do mundo, coloca em risco o maior reservatório genético da espécie

De 2016 a 2019, quase 1.400 onças podem ter morrido ou sido deslocadas na Amazônia por causa do desmatamento

Daniel Kantek / ICMBIO

De 2016 a 2019, a Amazônia perdeu 32 mil quilômetros quadrados (km2) de vegetação nativa – o equivalente a 0,6% da área ocupada pelo bioma no território brasileiro – por causa de queimadas e desmatamento, indicam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em consequência do recrudescimento recente na degradação da floresta, observada principalmente no Arco do Desmatamento, nas porções sul e leste da Amazônia, cerca de 1.400 onças-pintadas podem ter morrido ou sido desalojadas das áreas em que viviam. “Esse número é um sinal de alerta e merece atenção”, afirma o veterinário Ronaldo Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e líder do trabalho, apoiado pela FAPESP, que chegou a esse cálculo. “Ele representa 1,8% da população de onças que se calcula existir na Amazônia brasileira.”

Publicada em 25 de junho na revista Conservation Science and Practice, essa estimativa é ainda imperfeita. Conhecer o número exato de onças mortas, feridas ou deslocadas pela ação de motosserras ou do fogo exigiria a captura e marcação prévia de cada indivíduo para que, depois, sua localização fosse acompanhada por meio de colares rastreáveis por GPS e armadilhas fotográficas. Ante a impossibilidade de realizar esse tipo de rastreamento em uma área tão vasta e de deslocamento complexo como a Amazônia, o biólogo Jorge Saraiva de Menezes, da equipe de Morato, calculou o número aproximado de felinos mortos ou expulsos naquele período cruzando dados de áreas que perderam mais de 50% da cobertura nativa com informações a respeito da concentração de onças na região.

A Amazônia é hoje o principal refúgio de onças no mundo. Há alguns anos, o biólogo polonês Włodzimierz Jędrzejewski, do Centro de Ecologia do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas, e colaboradores usaram informações de dezenas de armadilhas fotográficas instaladas em 80 locais para calcular o total de onças-pintadas nas Américas. De acordo com a estimativa, apresentada em 2018 na revista PLOS ONE, existiriam hoje por volta de 173 mil onças.

Exclusivas das Américas, continente no qual entraram após se separarem há 3 milhões de anos de uma linhagem ancestral de grandes felinos na Ásia, as onças-pintadas (Panthera onca) estão entre os maiores carnívoros do mundo. Podem alcançar quase 2 metros de comprimento (do focinho ao início da cauda) e pesar 150 quilos. Em tamanho e força, perdem apenas para dois outros felinos evolutivamente próximos: o leão (Panthera leo), hoje encontrado na África subsaariana e em parte da Índia; e o tigre (Panthera tigris), que sobrevive em pequenas porções da Ásia. As onças são corredoras velozes, atingem até 80 quilômetros por hora, além de exímias nadadoras e hábeis escaladoras de árvores. Na natureza, vivem de 10 a 15 anos e podem ser encontradas em campos e savanas, mas preferem áreas de mata fechada, próximas de cursos d’água e distantes da presença humana.

Por influência de fatores ambientais, como cobertura florestal, temperatura, disponibilidade de alimentos e alterações na paisagem, as onças existentes hoje estão distribuídas de modo irregular por uma área de 8,9 milhões de km2, metade do território que ocupavam no início do século XX, quando eram encontradas dos Estados Unidos à Argentina (ver mapa). Segundo os cálculos de Jędrzejewski, nove países da América do Sul, todos contendo trechos da floresta amazônica, concentrariam 93% das onças (cerca de 161 mil animais). No Brasil, onde recebe ainda o nome de jaguar, jaguaretê e canguçu, estaria o maior contingente: 86,8 mil exemplares – nove em cada 10 deles na Amazônia.

A situação da espécie é menos grave que a do leão e do tigre, dos quais restam, respectivamente, 20 mil e 4 mil exemplares na natureza. Mas não permite descuidos. Biólogos, geneticistas e especialistas em conservação consideram que apenas uma pequena proporção dos indivíduos – no caso dos felinos, algo em torno de 10% da população – seja, de fato, capaz de procriar e contribuir para a manutenção da espécie. É a chamada população efetiva, um conceito genético que equivale aproximadamente ao conjunto de animais que colaboram reprodutivamente ao longo das gerações. Em algumas áreas de vegetação fragmentada, esse número pode ser muito baixo (por exemplo, menos de 10 indivíduos), o que gera problemas para a manutenção da diversidade genética no local.

Em 2017, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou a onça-pintada na categoria “quase ameaçada de extinção” por causa de uma redução de 20% a 25% em sua população global em 21 anos. Em uma avaliação de 2013, Morato e colaboradores haviam estimado que em 27 anos o número de onças no Brasil teria encolhido 30% e redução semelhante é projetada para as próximas três décadas. A principal ameaça à espécie, indicam vários estudos, é a perda e a fragmentação de áreas de vegetação nativa, em geral decorrente de atividades humanas como expansão agrícola, mineração, construção de hidrelétricas e abertura de estradas.

Onças são predadores solitários que precisam de grandes espaços para caçar e sobreviver. Em um grande estudo sobre o deslocamento desses felinos, o ecólogo Jeffrey Thompson, pesquisador da Associação Guyra e do Instituto Saite, ambos no Paraguai, e 60 colaboradores, vários deles do Brasil, acompanharam por anos o trajeto percorrido por 111 onças em sete países das Américas e 13 ambientes. Os resultados desse trabalho, um dos últimos assinados pelo zoólogo paulista Peter Crawshaw Junior, um dos maiores especialistas em onça do país, morto em 26 de abril deste ano em consequência da Covid-19, foram publicados em 7 de julho na revista Current Biology. Eles indicam que a área média de que as onças precisam para viver – a chamada área de vida – varia muito de um bioma para outro. É menor, da ordem de 60 km2 a 200 km2, em ambientes com vegetação mais densa e abundância de alimentos, como o Pantanal ou os Lhanos, como são chamadas as planícies de savanas da Colômbia e da Venezuela, e um pouco maior, por volta de 250 km2 na Amazônia. Pode, no entanto, chegar aos 400 km2 no Cerrado e na Caatinga, onde a disponibilidade de alimento é menor e a presença humana maior.

Antes da chegada do colonizador europeu, havia onças em todo o território do que viria a ser o Brasil, afirmam os estudiosos do felino. Com a derrubada de matas, porém, elas foram varridas de uma vasta faixa que vai do Nordeste ao Sul do país. Desapareceram dos Pampas e hoje sua distribuição é restrita a um terço do Cerrado, 20% da Caatinga e menos de 10% da Mata Atlântica – calcula-se que, nos dois últimos biomas, só existam algumas centenas de indivíduos. Apenas a Amazônia brasileira comporta onças em cerca de 80% de sua área.

“A Mata Atlântica representa um caso extremo de prejuízos da ação humana para a diversidade genética das onças”, assegura o biólogo Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), um dos pioneiros no país no estudo da genética do felino. A primeira análise das populações do animal em diferentes países das Américas, conduzida por Eizirik em 2001, ajudou a confirmar que as onças atuais pertencem a uma única espécie e sem subdivisões regionais profundas. Mais recentemente, a bióloga Taiana Haag, trabalhando sob a orientação de Eizirik, comparou as características genéticas de quatro populações de onça distribuídas por remanescentes de Mata Atlântica entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul e constatou que elas haviam perdido diversidade. A população de cada fragmento se tornou mais homogênea rapidamente. Em menos de 10 gerações, os indivíduos de uma mesma população ficaram geneticamente mais semelhantes entre si, enquanto os animais de um fragmento acumularam diferenças aleatórias que os tornaram mais distintos daqueles das outras áreas.

“A perda de diversidade deixa esses grupos mais suscetíveis a doenças e reduz a probabilidade de que seus integrantes se adaptem a transformações ambientais”, explica a bióloga Caroline Sartor, da equipe da PUC-RS. Em parceria com o Instituto Conhecer para Conservar (ICC) e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), ela trabalha na caracterização genética de onças em cativeiro vindas da natureza. A ideia é reunir um grupo de animais que represente a diversidade genética encontrada nos ambientes mais ameaçados, como a Mata Atlântica, para, caso seja necessário, realizar uma possível reintrodução mais adequada para restaurar essa diversidade. “Uma dificuldade”, ela antecipa, “será obter um número suficiente de indivíduos para o plantel reprodutor que represente a diversidade encontrada na natureza”.

Outros trabalhos conduzidos pelo grupo da PUC-RS em colaboração com o Instituto Pró-Carnívoros estão ajudando a corroborar que o efeito observado sobre a população de onças da Mata Atlântica seria decorrente da ação humana, que tornou a vegetação nativa fragmentada a ponto de impedir que onças se desloquem por grandes distâncias e cruzem com indivíduos de populações diferentes.

No Pantanal, onde a alimentação é farta e as onças atingem o maior porte registrado atualmente, o biólogo Daniel Kantek analisou o perfil genético de 110 animais que ocupam duas regiões geograficamente distintas. Parte deles vive na porção norte do bioma, no estado de Mato Grosso, gravemente atingida por incêndios no segundo semestre de 2020, e o restante em áreas de vegetação nativa em fazendas particulares em Mato Grosso do Sul. Apesar de algumas centenas de quilômetros (km) separarem os dois grupos, do ponto de vista genético, eles integram uma única população, com bom nível de variabilidade gênica, segundo as conclusões do trabalho, publicado em julho na Biological Conservation. “As matas de galeria dos rios Paraguai e Cuiabá parecem funcionar como um corredor ecológico, permitindo o trânsito de animais de um grupo para outro e a miscigenação”, relata Kantek, que é analista ambiental do ICMBio.

Gustavo Lorenzana, ecólogo mexicano que realizou o doutorado sob orientação de Eizirik, havia observado algo semelhante na Amazônia. Assim como no Pantanal, lá as onças mantêm um índice de diversidade genética elevado e funcionam como uma população única, mantendo a troca de genes entre os indivíduos, mesmo a distâncias superiores a 3 mil km. Para os pesquisadores, a alta diversidade e o intercâmbio gênico deveriam ser comuns também em outros biomas antes da chegada dos europeus às Américas. “Só alterações na paisagem intensas como as causadas pela ação humana seriam capazes de explicar a perda de diversidade das onças da Mata Atlântica”, afirma Eizirik, que integra o INCT Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (EECBio).

Uma análise inicial dos genes ativos (exoma) de 113 onças de cinco biomas brasileiros, realizada pelo biólogo Henrique Figueiró, durante seu doutorado na PUC-RS, sugere que os animais da Amazônia sejam geneticamente mais próximos aos da Mata Atlântica, da Caatinga e do Cerrado do que os do Pantanal, onde a diversidade genética também é elevada. “Em teoria, seria mais adequado repovoar as áreas de Mata Atlântica com indivíduos trazidos da Amazônia do que com animais vindos do Pantanal. Por causa da semelhança genética maior, os animais da Amazônia poderiam se adaptar melhor à Mata Atlântica”, sugere Figueiró, que em 2017 liderou o sequenciamento completo do genoma da onça-pintada – a partir do material genético do Vagalume, um macho capturado ainda filhote no Pantanal após a morte da mãe – e constatou que algumas características do animal, como a musculatura do crânio (proporcionalmente maior do que a de outros grandes felinos) e a robustez dos membros anteriores, foram provavelmente selecionadas pelo ambiente e se fixaram na espécie.

Em paralelo aos esforços para viabilizar a reprodução em cativeiro e a translocação de indivíduos de um bioma para outro para a conservação da espécie, uma estratégia básica e fundamental é preservar o máximo possível a vegetação nativa e as populações atuais de onça, que funcionariam como uma reserva genética. “O futuro das onças está em nossas mãos”, afirma Morato, do ICMBio. “O papel do país na conservação desses felinos é muito importante.”

Íntegra do texto publicado em versão reduzida na edição impressa, representada no pdf.

Projetos

 
1. Uso e ocupação do espaço, movimentação e seleção de hábitat por onça-pintada (Panthera onca) na Mata Atlântica e Caatinga: uma análise comparativa (nº 13/10029-6); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 103.152,80.


2. Conflitos entre humanos e fauna silvestre no interior de reservas extrativistas amazônicas: pegada ecológica espacial e impacto da caça de subsistência sobre vertebrados florestais (nº 17/08461-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 126.157,51.


3. Seleção de habitat e padrões de movimento de onça-pintada (Panthera onca): novos desafios nas análises de informações obtidas por telemetria GPS-satélite (nº 14/24921-0); Modalidade Bolsa de Pesquisa no Exterior; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Beneficiário Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 178.895,97.

Artigos científicos

 
MENEZES, J. F. S. et al. Deforestation, fires, and lack of governance are displacing thousands of jaguars in Brazilian Amazon. Conservation Science and Practice. 26 mai. 2021.
JĘDRZEJEWSKI, W. et al. Estimating large carnivore populations at global scale based on spatial predictions of density and distribution – Application to the jaguar (Panthera onca). PLOS One. 26 mar. 2018.
ANTUNES, A. P. et al. Empty forest or empty rivers? A century of commercial hunting in Amazonia. Science Advances. 2016.
QUIGLEY, H. et al. Panthera onca (errata version published in 2018). The IUCN Red List of Threatened Species. 2017.
MORATO, R. G. et al. Avaliação do risco de extinção da onça-pintada (Panthera onca) (Linnaeus, 1758) no Brasil. Biodiversidade Brasileira. v. 3, n. 1, p. 122-32. 2013.
THOMPSON, J. J. et al. Environmental and anthropogenic factors synergistically affect space use of jaguars. Current Biology. 7 jul. 2021.
EIZIRIK, E. et al. Phylogeography, population history and conservation genetics of jaguars (Panthera onca, Mammalia, Felidae). Molecular Ecology. v. 10, n. 1, p. 65-79. Jan. 2001.
HAAG, T. et al. The effect of habitat fragmentation on the genetic structure of a top predator: loss of diversity and high differentiation among remnant populations of Atlantic Forest jaguars (Panthera onca). Molecular Ecology. v. 19, p. 4906-21. 2010.
LORENZANA, G. et al. Large-scale assessment of genetic diversity and population connectivity of Amazonian jaguars (Panthera onca) provides a baseline for their conservation and monitoring in fragmented landscapes. Biological Conservation. Fev. 2020.
KANTEK, D. L. Z. et al. Jaguars from the Brazilian Pantanal: Low genetic structure, male-biased dispersal, and implications for long-term conservation. Biological Conservation. Jul. 2021.
FIGUEIRÓ, H. V. et al. Genome-wide signatures of complex introgression and adaptive evolution in the big cats. Science Advances. 19 de Jul. 2017.

 

Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/refugio-ameacado/

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Saving snow leopards in a war zone

Conflict and conservation became unlikely bedfellows in Afghanistan, finds Thomas McCarthy.

A snow leopard traverses a rocky slope at night in the nearby high altitude Hemis National Park in India.
Snow leopards in the high Asian mountains have been aided by the creation of national parks. Credit: Steve Winter/National Geographic Creative
 
The Snow Leopard Project: And Other Adventures in Warzone Conservation Alex Dehgan PublicAffairs (2019)

Imagine a scientific field where success is at least partly measured by staying alive. This is conservation biology in the world’s many war zones, where researchers face despair over the accelerating extinction crisis, and the risk of stray bullets. It is, as pioneer Michael Soulé put it more than 30 years ago, a “mission-oriented crisis discipline”.

Alex Dehgan weathered all this, and more, working in far-flung corners of Afghanistan, including the peaks of the Pamir Mountains — one of Earth’s most remote, inhospitable natural environments — on animals including the rare and elusive snow leopard (Panthera uncia). Over two years in the mid-2000s, Dehgan established the Wildlife Conservation Society (WCS) Afghanistan Program. It became one of the most successful conservation efforts to be set up in an active conflict zone. His new book, The Snow Leopard Project chronicles this story.

In 2006, wildlife conservation in Afghanistan seemed almost a counter-intuitive undertaking, Dehgan notes. Three decades of war, along with insurgency by the Taliban and a nascent democratic government that was weak and decentralized, did not provide the most suitable underpinnings for a national conservation awakening. Even assessing the status of wildlife in the country, a prerequisite to any on-the-ground conservation, would have to happen amid more than half a million landmines, which litter even the most remote parts of the country. Yet Dehgan viewed this as a clean slate for reinventing conservation practices at a country-wide level.
Afghanistan has for centuries been a “crossroads of human cultures and empires” and an important stop on the Silk Road. But, as Dehgan notes, it is an equally important crossroads for the fauna and flora of Asia, Europe and Africa. In what many in the West felt to be dusty, war-weary and desolate, he saw beauty, biological diversity and an opportunity to reverse environmental disruption from the country’s long litany of conflicts.

Born in Iran, Dehgan emigrated to the United States with his family at the age of two, in the early 1970s. A career that veered from law to diplomacy to conservation, with stints in Russia, Madagascar and Iraq, gave him a remarkable skill set. Yet his impressive experience barely prepared him for the challenges of setting up shop in Kabul. Here, the most mundane tasks had to be done while keeping one eye out for improvised explosive devices on the roadside and suicide bombers in markets or oncoming vehicles. Finding staff, from biologists to cooks, and a safe office for them, was one of the first hurdles. The programme’s main funder, the US Agency for International Development (USAID), was little help at the time: its interests seemed weighted towards nation-building, not nature. Dehgan laments that the agency’s focus was expenditure — an easy metric. (He notes with pride that he was involved in changing that culture when he later became USAID’s chief scientist.)

As a conservationist leading field programmes in Asia, I gravitate towards books by others doing similar work. I’m often disappointed by dry accounts that omit the human stories. By contrast, Dehgan introduces nearly every actor in his saga with witty observations on demeanour and personality, not just professional credentials. Drawn deep into his story, we feel his burden when sending ‘his people’ into areas where safety concerns — from drowning in freezing rivers to falling from precipitous cliffs frequented by snow leopards — are compounded by the risk of being shot at, blown up or worse.

Thus, this is less a book about research than about the trials, triumphs and occasional absurdity of building a conservation programme in extreme circumstances. More than once, Dehgan and his team find themselves staring down the barrel of an AK-47 rifle, trying in multiple languages to defuse a tense situation. The hazards of their fieldwork go far beyond the norm. Veering accidentally into a minefield means a painstaking reversal along their tyre tracks to safety. As they are returning from Tajikistan after a mission to push for an international peace park, loose tow cables send the team’s already questionable ferry careering downriver. Surveys for rare species along the border with Pakistan mean trekking along steep mountain paths too narrow for pack animals, while keeping one eye out for insurgents who could end the researchers’ lives on the spot. Political pitfalls are as abundant, such as when an Iranian diplomat mistakenly believes Dehgan is the conduit to renewed diplomatic relations with the United States.

Ultimately, The Snow Leopard Project is a story of conservation success from a nation where good news is scant. Afghanistan’s first national park, Band-e-Amir, was created in 2009. At about the same time, the Wakhan Corridor — a sliver of land between Pakistan and Tajikistan known as the Roof of the World — saw a return of tourists drawn by the possibility of seeing the majestic Marco Polo sheep (Ovis ammon polii) that thrive there. In 2014, the wider Wakhan area became Afghanistan’s second national park. Larger than Yellowstone National Park in Wyoming, it encompasses nearly three-quarters of the country’s snow-leopard range. Elsewhere, species long thought locally extinct, such as the Kashmir musk deer (Moschus cupreus), were rediscovered in the Eastern Forests Complex, one of the last temperate coniferous forests in the greater Himalayas.
Dehgan gives credit to his many Afghan colleagues, and the Afghan people, for their openness to the idea of conserving their unique natural heritage, and embracing it with the same determination that has kept them resilient in the face of conflict for centuries.

There is a shadow side to these successes, Dehgan reveals. There was, for instance, the issue of how military forces, and even some humanitarian aid agencies, unwittingly participated in the illegal wildlife trade — for instance, by buying furs made from pelts of restricted animals, including snow leopards. The WCS’s public diplomacy campaign made a difference. The military and even Afghan shop owners embraced efforts to stop the loss of the country’s natural treasures, despite an impact on their livelihoods.

The Snow Leopard Project is also a personal record. We learn of Dehgan’s journey to get closer to his Iranian roots, and his anguish over war’s senseless ravaging of nature and culture. But he is optimistic, too, about the country, its people and its wildlife. After his departure, the WCS Afghanistan Program continued its field-oriented mission, helping to establish a third national park in 2017. In the same year, nearly 200,000 people, mostly Afghan citizens, visited Band-e-Amir National Park.

Nature 565, 292-293 (2019)
doi: 10.1038/d41586-019-00125-w