Grandes carnívoros geralmente são sensíveis a mudanças nos ecossistemas porque sua dieta especializada e posição no topo da pirâmide trófica estão associadas a pequenos tamanhos populacionais. Isso, por sua vez, leva a uma menor diversidade genética em predadores de topo em comparação com animais mais abaixo na cadeia alimentar. A diversidade genética é muito importante para a capacidade de uma espécie sobreviver e se adaptar a mudanças futuras.
Diversidade genética extraordinária em um gato extraordinário
Neste estudo, os pesquisadores sequenciaram o genoma completo de 53 leopardos africanos e os compararam com os leopardos do Amur e outras espécies de grandes felinos. Para surpresa deles, os pesquisadores descobriram que a diversidade genética dos leopardos africanos é extremamente alta: quase quatro vezes maior que a do leopardo do Amur, duas vezes maior que a do leão e quase cinco vezes maior que a do guepardo.
Patrícia Pečnerová, pós-doutoranda do Departamento de Biologia e uma das primeiras autoras compartilhadas, explica:
"A diversidade genética excepcional provavelmente é resultado da capacidade do leopardo de evitar quedas e reduções populacionais. Descobrimos que, durante centenas de milhares de anos, as populações de leopardos africanos permaneceram grandes. Acreditamos que isso reflete a versatilidade da espécie, alimentando-se de uma variedade maior de presas do que qualquer outro grande predador."
Vagando por todos os habitats da África — mas por quanto tempo?
A alta diversidade genética dos leopardos africanos não é a única surpresa escondida nos genomas dos leopardos. Eles também apresentam menos barreiras genéticas dentro do continente africano do que outras espécies de mamíferos.
Kristian Hanghøj, um dos autores correspondentes do estudo, explica:
"Acreditamos que, durante a história evolutiva, o leopardo vagou livremente pelo continente africano do que quase qualquer outra espécie de mamífero, trocando material genético ao longo de todo o tempo. Ele tem uma capacidade única de se adaptar a quase qualquer habitat e clima, e nem florestas tropicais, nem desertos parecem ter bloqueado os movimentos dos leopardos ao longo dos milênios."
As descobertas surpreendentes demonstram como a ecologia de uma espécie — como o quão "exigente" ela é em relação ao habitat e à presa — pode influenciar sua variação genômica. A diversidade genética excepcionalmente alta poderia dar ao leopardo africano uma vantagem para enfrentar desafios ambientais, incluindo mudanças climáticas e destruição de habitats.
No entanto, a fragmentação do habitat é uma ameaça severa para todos os grandes animais, mesmo para aqueles tão habilidosos em lidar com a presença humana quanto o leopardo. As mudanças causadas pelo homem nos habitats naturais estão ocorrendo em um ritmo que provavelmente é rápido demais para que quase qualquer espécie animal selvagem se adapte, e estudos anteriores mostraram que os leopardos africanos perderam entre 48 e 67% de seu habitat natural nos últimos 300 anos.
"Para colocar nossos resultados em um contexto maior, enfatizamos que o leopardo africano também enfrenta graves ameaças à sua sobrevivência, apesar de ser uma espécie de sucesso evolutivo", conclui Patrícia Pečnerová.
Detalhes da publicação
Patrícia Pečnerová et al. Alta diversidade genética e baixa diferenciação refletem a versatilidade ecológica do leopardo africano, Current Biology, 25 de fevereiro de 2021DOI:doi.org/10.1016/j.cub.2021.01.064
Perda
de vegetação nativa na Amazônia, onde vive quase metade das
onças-pintadas do mundo, coloca em risco o maior reservatório genético
da espécie
De 2016 a 2019, quase 1.400 onças podem ter morrido ou sido deslocadas na Amazônia por causa do desmatamento
Daniel Kantek / ICMBIO
De
2016 a 2019, a Amazônia perdeu 32 mil quilômetros quadrados (km2) de
vegetação nativa – o equivalente a 0,6% da área ocupada pelo bioma no
território brasileiro – por causa de queimadas e desmatamento, indicam
dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em
consequência do recrudescimento recente na degradação da floresta,
observada principalmente no Arco do Desmatamento, nas porções sul e
leste da Amazônia, cerca de 1.400 onças-pintadas podem ter morrido ou
sido desalojadas das áreas em que viviam. “Esse número é um sinal de
alerta e merece atenção”, afirma o veterinário Ronaldo Morato,
coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos
Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio) e líder do trabalho, apoiado pela FAPESP, que
chegou a esse cálculo. “Ele representa 1,8% da população de onças que se
calcula existir na Amazônia brasileira.”
Publicada em 25 de junho na revista Conservation Science and Practice,
essa estimativa é ainda imperfeita. Conhecer o número exato de onças
mortas, feridas ou deslocadas pela ação de motosserras ou do fogo
exigiria a captura e marcação prévia de cada indivíduo para que, depois,
sua localização fosse acompanhada por meio de colares rastreáveis por
GPS e armadilhas fotográficas. Ante a impossibilidade de realizar esse
tipo de rastreamento em uma área tão vasta e de deslocamento complexo
como a Amazônia, o biólogo Jorge Saraiva de Menezes, da equipe de
Morato, calculou o número aproximado de felinos mortos ou expulsos
naquele período cruzando dados de áreas que perderam mais de 50% da
cobertura nativa com informações a respeito da concentração de onças na
região.
A Amazônia é hoje o principal refúgio de onças no mundo.
Há alguns anos, o biólogo polonês Włodzimierz Jędrzejewski, do Centro de
Ecologia do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas, e
colaboradores usaram informações de dezenas de armadilhas fotográficas
instaladas em 80 locais para calcular o total de onças-pintadas nas
Américas. De acordo com a estimativa, apresentada em 2018 na revista PLOS ONE, existiriam hoje por volta de 173 mil onças.
Exclusivas
das Américas, continente no qual entraram após se separarem há 3
milhões de anos de uma linhagem ancestral de grandes felinos na Ásia, as
onças-pintadas (Panthera onca) estão entre os maiores
carnívoros do mundo. Podem alcançar quase 2 metros de comprimento (do
focinho ao início da cauda) e pesar 150 quilos. Em tamanho e força,
perdem apenas para dois outros felinos evolutivamente próximos: o leão (Panthera leo), hoje encontrado na África subsaariana e em parte da Índia; e o tigre (Panthera tigris),
que sobrevive em pequenas porções da Ásia. As onças são corredoras
velozes, atingem até 80 quilômetros por hora, além de exímias nadadoras e
hábeis escaladoras de árvores. Na natureza, vivem de 10 a 15 anos e
podem ser encontradas em campos e savanas, mas preferem áreas de mata
fechada, próximas de cursos d’água e distantes da presença humana.
Por
influência de fatores ambientais, como cobertura florestal,
temperatura, disponibilidade de alimentos e alterações na paisagem, as
onças existentes hoje estão distribuídas de modo irregular por uma área
de 8,9 milhões de km2, metade do território que ocupavam no início do
século XX, quando eram encontradas dos Estados Unidos à Argentina (ver mapa).
Segundo os cálculos de Jędrzejewski, nove países da América do Sul,
todos contendo trechos da floresta amazônica, concentrariam 93% das
onças (cerca de 161 mil animais). No Brasil, onde recebe ainda o nome de
jaguar, jaguaretê e canguçu, estaria o maior contingente: 86,8 mil
exemplares – nove em cada 10 deles na Amazônia.
A
situação da espécie é menos grave que a do leão e do tigre, dos quais
restam, respectivamente, 20 mil e 4 mil exemplares na natureza. Mas não
permite descuidos. Biólogos, geneticistas e especialistas em conservação
consideram que apenas uma pequena proporção dos indivíduos – no caso
dos felinos, algo em torno de 10% da população – seja, de fato, capaz de
procriar e contribuir para a manutenção da espécie. É a chamada
população efetiva, um conceito genético que equivale aproximadamente ao
conjunto de animais que colaboram reprodutivamente ao longo das
gerações. Em algumas áreas de vegetação fragmentada, esse número pode
ser muito baixo (por exemplo, menos de 10 indivíduos), o que gera
problemas para a manutenção da diversidade genética no local.
Em
2017, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)
classificou a onça-pintada na categoria “quase ameaçada de extinção” por
causa de uma redução de 20% a 25% em sua população global em 21 anos.
Em uma avaliação de 2013, Morato e colaboradores haviam estimado que em
27 anos o número de onças no Brasil teria encolhido 30% e redução
semelhante é projetada para as próximas três décadas. A principal ameaça
à espécie, indicam vários estudos, é a perda e a fragmentação de áreas
de vegetação nativa, em geral decorrente de atividades humanas como
expansão agrícola, mineração, construção de hidrelétricas e abertura de
estradas.
Onças são predadores solitários que precisam de grandes
espaços para caçar e sobreviver. Em um grande estudo sobre o
deslocamento desses felinos, o ecólogo Jeffrey Thompson, pesquisador da
Associação Guyra e do Instituto Saite, ambos no Paraguai, e 60
colaboradores, vários deles do Brasil, acompanharam por anos o trajeto
percorrido por 111 onças em sete países das Américas e 13 ambientes. Os
resultados desse trabalho, um dos últimos assinados pelo zoólogo
paulista Peter Crawshaw Junior, um dos maiores especialistas em onça do
país, morto em 26 de abril deste ano em consequência da Covid-19, foram
publicados em 7 de julho na revista Current Biology. Eles
indicam que a área média de que as onças precisam para viver – a chamada
área de vida – varia muito de um bioma para outro. É menor, da ordem de
60 km2 a 200 km2, em ambientes com vegetação mais densa e abundância de
alimentos, como o Pantanal ou os Lhanos, como são chamadas as planícies
de savanas da Colômbia e da Venezuela, e um pouco maior, por volta de
250 km2 na Amazônia. Pode, no entanto, chegar aos 400 km2 no Cerrado e
na Caatinga, onde a disponibilidade de alimento é menor e a presença
humana maior.
Antes da chegada do colonizador europeu, havia onças
em todo o território do que viria a ser o Brasil, afirmam os estudiosos
do felino. Com a derrubada de matas, porém, elas foram varridas de uma
vasta faixa que vai do Nordeste ao Sul do país. Desapareceram dos Pampas
e hoje sua distribuição é restrita a um terço do Cerrado, 20% da
Caatinga e menos de 10% da Mata Atlântica – calcula-se que, nos dois
últimos biomas, só existam algumas centenas de indivíduos. Apenas a
Amazônia brasileira comporta onças em cerca de 80% de sua área.
“A
Mata Atlântica representa um caso extremo de prejuízos da ação humana
para a diversidade genética das onças”, assegura o biólogo Eduardo
Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(PUC-RS), um dos pioneiros no país no estudo da genética do felino. A
primeira análise das populações do animal em diferentes países das
Américas, conduzida por Eizirik em 2001, ajudou a confirmar que as onças
atuais pertencem a uma única espécie e sem subdivisões regionais
profundas. Mais recentemente, a bióloga Taiana Haag, trabalhando sob a
orientação de Eizirik, comparou as características genéticas de quatro
populações de onça distribuídas por remanescentes de Mata Atlântica
entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul e constatou que
elas haviam perdido diversidade. A população de cada fragmento se tornou
mais homogênea rapidamente. Em menos de 10 gerações, os indivíduos de
uma mesma população ficaram geneticamente mais semelhantes entre si,
enquanto os animais de um fragmento acumularam diferenças aleatórias que
os tornaram mais distintos daqueles das outras áreas.
“A
perda de diversidade deixa esses grupos mais suscetíveis a doenças e
reduz a probabilidade de que seus integrantes se adaptem a
transformações ambientais”, explica a bióloga Caroline Sartor, da equipe
da PUC-RS. Em parceria com o Instituto Conhecer para Conservar (ICC) e a
Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), ela trabalha na
caracterização genética de onças em cativeiro vindas da natureza. A
ideia é reunir um grupo de animais que represente a diversidade genética
encontrada nos ambientes mais ameaçados, como a Mata Atlântica, para,
caso seja necessário, realizar uma possível reintrodução mais adequada
para restaurar essa diversidade. “Uma dificuldade”, ela antecipa, “será
obter um número suficiente de indivíduos para o plantel reprodutor que
represente a diversidade encontrada na natureza”.
Outros trabalhos
conduzidos pelo grupo da PUC-RS em colaboração com o Instituto
Pró-Carnívoros estão ajudando a corroborar que o efeito observado sobre a
população de onças da Mata Atlântica seria decorrente da ação humana,
que tornou a vegetação nativa fragmentada a ponto de impedir que onças
se desloquem por grandes distâncias e cruzem com indivíduos de
populações diferentes.
No Pantanal, onde a alimentação é farta e
as onças atingem o maior porte registrado atualmente, o biólogo Daniel
Kantek analisou o perfil genético de 110 animais que ocupam duas regiões
geograficamente distintas. Parte deles vive na porção norte do bioma,
no estado de Mato Grosso, gravemente atingida por incêndios no segundo
semestre de 2020, e o restante em áreas de vegetação nativa em fazendas
particulares em Mato Grosso do Sul. Apesar de algumas centenas de
quilômetros (km) separarem os dois grupos, do ponto de vista genético,
eles integram uma única população, com bom nível de variabilidade
gênica, segundo as conclusões do trabalho, publicado em julho na Biological Conservation.
“As matas de galeria dos rios Paraguai e Cuiabá parecem funcionar como
um corredor ecológico, permitindo o trânsito de animais de um grupo para
outro e a miscigenação”, relata Kantek, que é analista ambiental do
ICMBio.
Gustavo Lorenzana, ecólogo mexicano que realizou o
doutorado sob orientação de Eizirik, havia observado algo semelhante na
Amazônia. Assim como no Pantanal, lá as onças mantêm um índice de
diversidade genética elevado e funcionam como uma população única,
mantendo a troca de genes entre os indivíduos, mesmo a distâncias
superiores a 3 mil km. Para os pesquisadores, a alta diversidade e o
intercâmbio gênico deveriam ser comuns também em outros biomas antes da
chegada dos europeus às Américas. “Só alterações na paisagem intensas
como as causadas pela ação humana seriam capazes de explicar a perda de
diversidade das onças da Mata Atlântica”, afirma Eizirik, que integra
o INCT Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (EECBio).
Uma
análise inicial dos genes ativos (exoma) de 113 onças de cinco biomas
brasileiros, realizada pelo biólogo Henrique Figueiró, durante seu
doutorado na PUC-RS, sugere que os animais da Amazônia sejam
geneticamente mais próximos aos da Mata Atlântica, da Caatinga e do
Cerrado do que os do Pantanal, onde a diversidade genética também é
elevada. “Em teoria, seria mais adequado repovoar as áreas de Mata
Atlântica com indivíduos trazidos da Amazônia do que com animais vindos
do Pantanal. Por causa da semelhança genética maior, os animais da
Amazônia poderiam se adaptar melhor à Mata Atlântica”, sugere Figueiró,
que em 2017 liderou o sequenciamento completo do genoma da onça-pintada –
a partir do material genético do Vagalume, um macho capturado ainda
filhote no Pantanal após a morte da mãe – e constatou que algumas
características do animal, como a musculatura do crânio
(proporcionalmente maior do que a de outros grandes felinos) e a
robustez dos membros anteriores, foram provavelmente selecionadas pelo
ambiente e se fixaram na espécie.
Em paralelo aos esforços para
viabilizar a reprodução em cativeiro e a translocação de indivíduos de
um bioma para outro para a conservação da espécie, uma estratégia básica
e fundamental é preservar o máximo possível a vegetação nativa e as
populações atuais de onça, que funcionariam como uma reserva genética.
“O futuro das onças está em nossas mãos”, afirma Morato, do ICMBio. “O
papel do país na conservação desses felinos é muito importante.”
Íntegra do texto publicado em versão reduzida na edição impressa, representada no pdf.
Projetos
1.
Uso e ocupação do espaço, movimentação e seleção de hábitat por
onça-pintada (Panthera onca) na Mata Atlântica e Caatinga: uma análise
comparativa (nº 13/10029-6); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 103.152,80.
2.
Conflitos entre humanos e fauna silvestre no interior de reservas
extrativistas amazônicas: pegada ecológica espacial e impacto da caça de
subsistência sobre vertebrados florestais (nº 17/08461-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 126.157,51.
3.
Seleção de habitat e padrões de movimento de onça-pintada (Panthera
onca): novos desafios nas análises de informações obtidas por telemetria
GPS-satélite (nº 14/24921-0); Modalidade Bolsa de Pesquisa no Exterior; Pesquisador responsável Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Beneficiário Ronaldo Gonçalves Morato (ICMBio); Investimento R$ 178.895,97.
Jaguars' habitat has shrunk as agriculture and deforestation have expanded.Credit: Staffan Widstrand/NPL
The jaguar was found floating in a drainage canal in Belize
City, Belize, on the day after Christmas last year. Its body was mostly
intact, but the head was missing its fangs. On 10 January, a second cat —
this time, an ocelot that may have been mistaken for a young jaguar —
turned up headless in the same channel.
The killings point to a growing illicit trade in jaguars (Panthera onca)
that disturbs wildlife experts. The cats’ fangs, skulls and hides have
long been trophies for Latin American collectors who flout international
prohibitions against trading in jaguar parts. But in recent years, a
trafficking route has emerged to China, where the market for jaguars
could be increasing because of crackdowns on the smuggling of tiger
parts used in Chinese traditional medicine.
Wildlife
trafficking often follows Chinese construction projects in other
countries, because Chinese workers can send or take objects home, says
ecologist Vincent Nijman of Oxford Brookes University in Oxford, UK. “If
there’s a demand [in China] for large-cat parts, and that demand can be
fulfilled by people living in parts of Africa, other parts of Asia or
South America, then someone will step in to fill that demand,” he says.
“It’s often Chinese-to-Chinese trade, but it’s turning global.”
Fang mail
That
seems to be the case in Bolivia, where eight packages containing a
total of 186 jaguar fangs were confiscated between August 2014 and
February 2015 before they could reach China. Seven had been sent by
Chinese citizens living in Bolivia. Eight more were reportedly
intercepted in 2016, and a package of 120 fangs was seized in China,
says Angela Núñez, a Bolivian biologist who is researching the trade.
Those
packages could represent the deaths of more than 100 jaguars, although
it’s impossible to be sure, Núñez says. In northern Bolivia, where
several Chinese companies are working, radio advertisements and flyers
have offered US$120 to $150 per fang — more than a month’s income for
many local people. Two Chinese men have been arrested for trading in
jaguar parts. One, detained in 2014, received a three-year suspended
sentence. The other, arrested in 2016, is awaiting sentencing but failed
to appear for two recent court hearings; Bolivian officials fear that
he may have left the country.
That’s a problem with wildlife
trafficking worldwide, says Nijman, who adds that very few wildlife
trafficking cases lead to criminal sentences. “The deterrent is when
somebody ends up in jail,” he says — but that rarely happens “because
society as a whole in most countries is not interested”.
Fangs and
skulls seized in Bolivia, as well as 38 fangs confiscated in Lima,
Peru, in 2015, could have come from jaguars that were killed recently,
or years ago. Because the cats have large territories, Núñez says that
genetic studies could determine whether poached animals came from
populations in Bolivia or a neighbouring country.
That also
interests Brazilian biologist Thais Morcatty, who is doing her PhD
research with Nijman. There is a domestic market in Brazil for jaguar
skins as home decoration, but parts of the animals have also been
shipped abroad from Rio de Janeiro and São Paulo, she says.
Halved habitat
More
than a century ago, jaguars roamed forests, savannahs and scrub land
from the southwestern United States to Paraguay. Deforestation and other
disturbances caused by people — especially the expansion of agriculture
— have cut the cats' habitat in half, says wildlife ecologist John
Polisar, who coordinates the jaguar programme at the Wildlife
Conservation Society in New York City.
That has depleted the
jaguars’ prey, and in some areas has forced the big cats into contact
with people and livestock, says Polisar, who works across parts of
Central and South America. Estimates of the remaining jaguar population
range from about 60,000 animals to nearly three times that number.
A
farmer who loses a cow or calf to a predator might kill a jaguar in
retaliation, even though that animal may not have been the culprit.
After habitat loss, such killings are the second-biggest threat to
jaguars, says Esteban Payán, director of the northern South America
jaguar programme at Panthera, a global wild-cat conservation
organization. The retaliatory killings also provide a sporadic supply of
animal parts to the wildlife trade, but sparse data make it difficult
to know whether the incidents are isolated cases or whether they feed
organized crime rings, researchers say.
Measures designed to help
people coexist with jaguars could reduce such killings, Payán says. In
some cases, electric fences have discouraged jaguars from crossing from
forests into pastures1,
and solar panels that power the fences can also run some light bulbs or
a small refrigerator for the farmer’s family. That can revolutionize
life for them, he says.
Other tactics that have shown promise
include putting bells on cows, installing flashing lights around
pastures to help keep predators at bay and placing water tanks in
pastures to head off chance encounters at a creek. Sheds for calves keep
the most vulnerable animals out of reach. Introducing guard animals to a
herd, such as burros (a type of donkey), or hardy San Martinero cattle
descended from Spanish bullfighting stock can also discourage predators,
he says.
Cash cows
Governments could help by
providing incentives, says biologist Ricardo Moreno, director of the
non-profit group Yaguará Panama. Right now, a farmer who buys a cow on
credit must repay even if he loses an animal, says Moreno, who mixes
scientific studies and work with communities and policymakers to protect
jaguars. But making loans contingent on better livestock management
would benefit farmers, lenders and jaguars, he says.
Meanwhile,
researchers and some government officials in Latin America are watching
the wildlife trade warily. Belize’s environment ministry is offering a
US$5,000 reward for information about the jaguars killed there, and
Polisar’s group is collecting data from around the region.
Although
the links to international trafficking in Bolivia are clear, Payán
worries this is “just the tip of the iceberg” of a broader trading
network because there are anecdotal reports of trafficking in other
countries, too. Conservation organizations are no match for “the
violence, the money and the scale” of wildlife traffickers’ organized
crime rings, he says. “The potential threat is huge.”
Nature555, 13-14 (2018)
doi: 10.1038/d41586-018-02314-5
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
National Geographic: Big Cats - An Amazing Animal Family National Geographic: Dinastia Felina
Áudio
Citação
This
is the story of one of the most successful family of predators on
Earth—cats—and their epic rise to power. In this series, zoologist
Patrick Aryee journeys around the world to some of the planet’s wildest
places, unearthing the cat family’s wide and diverse family tree. From
the majestic Siberian tiger, to the agile, tree-dwelling margay, we will
see a rich variety of cat shapes, colours, and sizes. Today, there are
some 37 different species of cats spanning jungle, mountains, deserts,
and grasslands. They can jump higher, run faster, and climb better most
groups of animals on Earth. Big Cats will reveal the amazing stories of
how some of the most powerful cat dynasties came to be.
Parte 01
Patrick
começa sua busca com as famílias mais antigas das oito dinastias.
Viajamos para as selvas da Tailândia para conhecer o felino mais velho
vivo no planeta, o misterioso leopardo-nebuloso.
Parte 02
Oito
milhões de anos atrás os felinos se aventuraram nas Américas pela
primeira vez. Para conquistar este vasto, novo e enorme continente eles
se dividiram em três novas dinastias.
Para baixar, copie e cola na barra de endereços de seu navegador.
Pesquisadores estudam presença de onça-pintada na América do Sul
Doutorando na Unesp de Rio Claro é um dos autores de artigo publicado no exterior
[06/12/2016]
Grupo
integrado por 14 instituições do Brasil, Argentina e Paraguai publicou
artigo na Scientific Reports sobre localização dos felinos na América
do Sul; entre os autores do trabalho está um doutorando da Unesp.
O estudo determina que o felino perdeu cerca de 85% de território no
ecossistema que se estende da província de Misiones, na Argentina,
passando pelo Paraguai Oriental e chegando às regiões brasileiras
central e costeira. Essa área corresponde a mais ou menos 2 milhões de
quilômetros quadrados. As populações de onças sobreviventes resistem em
apenas 3% desse território de mata atlântica.
Um dos colaboradores do artigo sobre o estudo é o biólogo que faz
curso de doutorado na Unesp de Rio Claro, Fernando Lima. Há vários
anos, ele trabalha como pesquisador do Instituto de Pesquisas
Ecológicas (IPE), de Nazaré Paulista, e também participou da coleta de
dados das 14 entidades que estudaram a presença da onça na mata
atlântica.
Impacto A coordenação dos trabalhos foi do argentino Agustín
Paviolo, da instituição ecológica chamada Conicet/IBS. O Populações de
onças-pintadas sobreviventes resistem em apenas 3% do território de
mata atlântica doutorado de Fernando Lima, aborda o tema biologia e
biodiversidade, onde se inclui o assunto do grande felino brasileiro.
Para proteger os animais que ainda sobrevivem, o estudo prevê a
necessidade da contribuição dos governos dos países relacionados, bem
como de organizações internacionais de proteção ambiental. “Pela
primeira vez houve o cruzamento das informações de tantas instituições
e, mesmo sabendo que a situação das onças-pintadas na mata atlântica
estava muito comprometida, os resultados provocam impacto.
O tema é grave e exige ações urgentes e concretas”, alerta Paviolo.
Populações Fernando Lima, que prevê concluir seu doutorado em 2019,
informa que na região de mata atlântica tratada no estudo existem hoje
aproximadamente 300 onças-pintadas espalhadas em várias áreas do
ecossistema abordado. “Consideramos uma população pequena e rarefeita em
relação a um espaço tão amplo”, diz o doutorando da Unesp.
O artigo utilizou dados de vários estudos anteriores, como armadilhas
fotográficas, animais monitorados por colares com GPS e comunicação
por satélites, pegadas, registros de pessoas que viram o animal, casos
de ataques a gado e atropelamentos em estradas. Esse banco de dados
permitiu identificar como o hábitat remanescente para os felinos está
distribuído e, também, a existência da espécie em pequenas áreas.
Lima esclarece que o estudo detectou três núcleos que ainda oferecem
condições de sobrevivência às onças-pintadas, com grupos de mais ou
menos 50 indivíduos. No Brasil, são as regiões do Alto Rio
Paraná-Paranapanema (SP, PR, MS) e Serra do Mar (SP). Na Argentina, o
Corredor Verde que abrange a província central e norte de Misiones.
Diagnóstico
Também foram identificadas mais quatro áreas com
populações menores, entre 5 e 15 indivíduos. “O ideal seria a troca de
animais de um grupo para outro, como forma de obter variação genética”,
alerta Lima. “O grande diferencial desse trabalho é ter conseguido
reunir tantas instituições e pessoas dispostas a compartilhar dados e
contribuir, fazendo deste 0 diagnóstico mais completo sobre a espécie
em um ecossistema. Embora necessária, essa colaboração não é tão comum
quanto se imagina e o artigo é um exemplo a ser replicado para outras
espécies”, ressalta o doutorando. Uma de suas maiores preocupações,
além da preservação da onça, é entender 0 que vai ocorrer na natureza
se ela desaparecer. “Hipoteticamente, podemos ter aumento de população
dos animais que hoje são presas (porcos selvagens, capivaras, etc.) ou
ampliação de outros predadores de menor porte, como a jaguatirica, por
exemplo”, prevê.
Tempo de Duração: 47 min Ano de Lançamento: 2008 Qualidade: DVDRip Formato: Avi Audio: Português Legenda: - Tamanho: 700 MB
Sinopse: É difícil quem não admire a beleza suave e a
imponente elegância dos grandes felinos, a dança rítmica de seu andar
silencioso, sua incansável paciência... Mas nós realmente os conhecemos?
Poucos estão familiarizados com o implacável instinto de sobrevivência
desses animais, que são algumas das maiores criaturas vivas. Dê um salto
no passado, conheça os fósseis dos ancestrais dos gatos; volte às
atuais pesquisas e descubra os segredos revelados mais recentemente
sobre os felinos. Com a ajuda de animações gráficas, você verá as
surpreendentes comparações de tamanho e velocidade de cada espécie.
Através de imagens captadas bem de perto, acompanhará o comportamento
destes animais em seu ambiente selvagem.
Ancient diet. Researcher Hervé Bocherens with a cave lion skull. Analysis of lion bones (inset) shows the extinct beasts' preferred prey was reindeer.
Credit: Wolfgang Gerber/Universität Tübingen
A quarter larger than today's lions, the European cave lion was one of the biggest cats around 12,000 years ago. Now, an unusually sophisticated analysis of its bones is revealing what these creatures ate—and why they may have disappeared.
Although they were certainly massive cats, the term "cave lion" is a bit of a misnomer. Unlike today's lions, males probably didn't have manes, and they appear to have been solitary hunters. What's more, though their bones are best preserved in caves, they probably lived in the open. But they did have one thing in common with their modern relatives: they appear to have worried humans. The big cats show up in ice age cave paintings and in ivory figurines, suggesting that they were a major concern for our ancestors. To figure out what these lions hunted, biogeologist Hervé Bocherens and colleagues at the University of Tübingen in Germany, analyzed bone samples from 14 cave lions—found in four caves in France and central Europe—that lived between 12,000 and 40,000 years ago. The team focused on the chemical content of the bone collagen, which is often well-preserved, even in bones tens of thousands of years old. By incinerating a tiny fragment of preserved bone—usually less than a milligram—researchers can identify the molecules inside it and determine an animal's diet.
Scientists have perfected the technique over the years. It was used recently to look at the diet of Neandertals, but this is one of the first studies to use it to look at a nonhuman predator—and the analysis is now sensitive enough to look several steps down the food chain. This enabled Bocherens to determine not only what cave lions ate but also what their prey ate. And that made it possible to tell, for example, whether lions were targeting full-size cave bears or their more vulnerable cubs, because adults and babies eat different diets themselves. "There's a difference between the [chemical] signal of adults and babies," Bocherens says. "Babies drink the milk of the mother."
As it turned out, this distinction was important. Bocherens's analysis, reported in the 6 December issue of Quaternary International, revealed that the cave lions occasionally ate bear cubs but not adults. Their favorite food, however, was reindeer, which Bocherens and his team determined consumed massive quantities of lichen, much as their modern descendants did. The cave lion diet, Bocherens says, appears to have been much more finicky than that of today's lions, which eat just about anything they can catch. The results may provide new insights into why cave lions died out. When Europe's climate began to warm about 19,000 years ago, the landscape gradually changed from chilly, open steppes to denser forests. That would have made an inhospitable habitat for reindeer and for the cave lions that depended on them for food. (Cave bears were also dying out at the same time.)
Experts say the ability to dissect ancient diets so thoroughly is a tantalizing tool but that this particular study is too geographically limited to be conclusive about cave lions. "It's quite astonishing that you can quite convincingly demonstrate what predators were eating tens of thousands of years ago," says Anthony Stuart, a biologist at Durham University in the United Kingdom. "One obvious thing to do is extend the study to a wider area" to see how diets might have varied geographically. Cave lions, he notes, "ranged from Spain across Europe and Siberia all the way to the northwestern part of North America."
Ralf-Dietrich Kahlke, a paleontologist at the Senckenberg Institute in Weimar, Germany, says the increasing precision of isotopic analysis may also provide a window into a larger question, namely, what kind of world our earliest ancestors inhabited. Knowing not only what extinct predators ate but also what the animals they ate consumed could help scientists build a sort of ancient food chain they don't currently have. It could also tell us more about the plants and vegetation of the environment. "If we can detect the environmental conditions under which prey lived," Kahlke says, "we can decide what conditions allowed humans to spread."