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sábado, 21 de dezembro de 2024

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Conheça a corrida para salvar os leões da África Ocidental em perigo de extinção

É crucial aprender o máximo sobre esses felinos raros para salvá-los da extinção local, dizem os conservacionistas.

Publicado 11 de jul. de 2022, 13:32 BRT
Até agora, não se conhecia que os leões da África Ocidental em perigo de extinção formassem ...

Até agora, não se conhecia que os leões da África Ocidental em perigo de extinção formassem bandos. Mas aqui no Parque Nacional Niokolo-Koba, no Senegal, Florence, uma fêmea com rádio-colar está ao lado de um membro do rebanho feminino.

Foto de John Wendle

Parque Nacional Niokolo-Koba, Senegal | Os alaridos de um javali explodem nos alto-falantes e ecoam pelas árvores enquanto Kris Everatt tenta atrair um leão e lançar dardos para logo colocar-lhe o rádio-colar. Ele pausa os gritos gravados e a equipe volta a esperar sigilosa no furgão.

Aparentemente do nada, ouvimos patas esmagando folhas secas por perto. Estivemos aqui a noite toda, vigiando a isca, e de repente estamos bem acordados.

Logo, silêncio. Everatt, um biólogo canadense da organização de conservação de felinos selvagens Panthera, que trabalha na África há mais de uma década, faz a expressão de alguém que tenta ver com os ouvidos.

Para minha surpresa, ele começa a imitar o ronrom de um leão. O truque funciona, e o animal invisível começa a se deleitar com a isca, um pedaço de carne e tripas amarrado a uma árvore a trinta metros de distância. Na escuridão, ouvimos tendões rasgando e ossos se estilhaçando.

Guardas florestais investigam um acampamento de caçadores ilegais
O chifre de uma Palanca-Vermelha morta no parque
À esquerda:

Guardas florestais investigam um acampamento de caçadores ilegais na parte norte do Parque Nacional Niokolo-Koba, onde a caça de presas de leões, como antílopes, ameaça a sobrevivência do felino.

À direita:

Mouhamadou Ndiaye, um técnico de campo senegalês da organização de conservação Panthera, mostra o chifre de uma Palanca-Vermelha morta no parque, na área de caça dos leões. Os antílopes, que podem atingir mais de 280 quilos, são a presa favorita dos leões – e um alvo para os caçadores furtivos.

fotos de John Wendle

Estamos no extremo sudeste do Senegal, no pouco conhecido Parque Nacional Niokolo-Koba, uma reserva de 9 mil quilômetros quadrados, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1981. O serviço nacional de parques e o Panthera estão em uma corrida aqui para salvar cerca de 30 leões da África em perigo de extinção local.

Os leões da África Ocidental só foram reconhecidos recentemente como mais intimamente relacionados aos leões asiáticos na Índia do que aos das savanas do sul da África. De fato, em comparação com seus parentes, os felinos da África Ocidental são mais altos e mais musculosos, e não possuem aquelas jubas majestosas.

Os últimos leões em Niokolo-Koba são ameaçados pela caça ilegal das suas presas, como antílopes e búfalos. Os conservacionistas temem que os próprios leões também estejam em perigo: peles, dentes, garras e carne de leão alcançam preços altos, principalmente na África e na Ásia, onde o osso de leão é um substituto para o osso de tigre selvagem, cada vez mais raro na medicina tradicional.

O rio Gâmbia é a principal atração de leões e outros animais selvagens

O rio Gâmbia é a principal atração de leões e outros animais selvagens no Parque Nacional Niokolo-Koba.

 

Foto de John Wendle

É difícil dizer quantos leões da África Ocidental foram perdidos pela caça ilegal. Somente se sabe que a abrangência deles diminuiu 99%, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, que define o status de conservação das espécies.

Em Niokolo-Koba, a caça ilegal, a expansão da agricultura e a crescente incidência de incêndios florestais levaram a Unesco, em 2007, a adicionar o parque à sua lista de Patrimônio Mundial em Perigo. Enquanto isso, a mineração artesanal de ouro nas proximidades intensificou as pressões.

“Há problemas por resolver”, alerta Jacques Gomis, chefe do parque. “Queremos tirar o parque da lista vermelha. A meta é 2024.”

Em toda a África Ocidental, existem apenas entre 121 e 374 leões adultos, de acordo com Philipp Henschel, diretor do Panthera para a região e chefe do projeto em Niokolo-Koba, que começou a pesquisar leões no parque em 2011. Além dos leões do Senegal, alguns vivem na reserva transfronteiriça W-Arly-Pendjari, onde se encontram Níger, Benin e Burkina Faso; outros sobrevivem em dois parques muito pequenos na Nigéria. Quando Henschel começou a estudar os leões de Niokolo-Koba (até o momento, ele realizou duas pesquisas), o pesquisador estimou que encontraria apenas uma dúzia, mas nenhum dos guardas do parque jamais tinha visto um leão, diz ele.

“Corremos o risco de ver desaparecer uma pequena população após a outra”, destaca Henschel sobre os leões da África Ocidental. “Em seguida, só ficarão alguns poucos no sul da África”. Durante as últimas duas décadas, a população geral de leões do continente diminuiu à metade. É difícil definir os números exatos, mas provavelmente hoje existem entre 20 mil e 25 mil leões selvagens.

Por isso é tão importante estudar os leões de Niokolo-Koba agora, diz Henschel. “Temos que ser mais rápidos que os caçadores ilegais.”

Ele e Everatt acham que o parque pode abrigar entre 180 e 240 leões. O Panthera e o serviço do parque têm esse número como alvo, já que a recuperação desse superpredador ajudará a reviver todo o seu ecossistema.

“Nós não selecionamos os leões só porque eles são muito legais, e nós amamos a espécie – o que definitivamente é verdade – mas também porque eles desempenham um papel fundamental em um ecossistema em funcionamento”, esclarece Everatt. “Eles também servem como uma espécie guarda-chuva”, diz ele, porque para proteger um superpredador, você precisa proteger tudo abaixo dele na cadeia alimentar.

Ponto cego

Os rios Gâmbia e Niokolo nutrem uma paisagem diversificada de florestas, planaltos e vales. O parque não só abriga as populações de leões, chimpanzés e elefantes mais setentrionais e ocidentais do mundo, mas também elandes-gigantes, cães selvagens, leopardos, hienas, babuínos, kobas (o antílope que dá nome ao parque), aproximadamente outras 60 espécies de mamíferos, e mais de 300 tipos de aves.

No entanto, Niokolo-Koba – e seus poucos leões – permanece uma terra incógnita. “De uma perspectiva científica, ainda é um ponto cego”, diz Henschel. “Queremos e precisamos aprender ainda muito mais” – especialmente sobre os leões, se procuramos salvá-los.

Os leões da savana da África são bem estudados, mas dos felinos da África Ocidental, desde o tamanho e a variedade do rebanho até a dieta e o comportamento de acasalamento, tudo aguarda documentação científica. A colocação de colares com GPS nos leões, que são financiados pela National Geographic Society, é essencial para coletar informações variadas sobre eles – é por isso que Everatt e a equipe esperaram durante a noite inteira que um leão se alimentasse da isca.

Enquanto o leão come, Mouhamadou Ndiaye, assistente de campo do Panthera, abaixa lentamente sua lanterna. No momento em que a luz encontra o felino, Everatt aperta o gatilho de sua arma de dardos. Há uma baforada e o leão adormece. Everatt dirige, sai e lança um graveto em uma perna. O leão não se mexe.

Eu estou silenciosamente pisando na estrada de areia quando Everatt ordena urgente: “Volte para o caminhão. Todo o rebanho está aqui.”

Este leão, uma fêmea, é jovem, o que significa que muito provavelmente os outros membros de sua família estejam por perto. Isto também significa que Everatt não vai colocar um colar nela: nos próximos meses ela crescerá rapidamente e o colar vai ficar muito pequeno. A equipe do Panthera conseguiu colocar os colares em oito machos até agora, mas apenas em uma fêmea, Florence. Enquanto a luz azul do amanhecer invade a floresta, Everatt injeta nela um antídoto e, assim que ela se levanta, começa a comer novamente.

Árvore genealógica do leão

Henschel e seus colegas do Panthera estão lutando tenazmente para garantir que as pequenas populações de leões da África Ocidental não “desapareçam”. A conservação não é o único objetivo. Enquanto trabalhava nas florestas da África Ocidental em busca de enclaves de leões, Henschel coletou amostras genéticas que estão ajudando a expandir nossa compreensão da árvore genealógica dos leões.

Em maio, Laura Bertola, pesquisadora da Universidade de Copenhague, e seus colegas publicaram um estudo descrevendo o sequenciamento genético dos leões em toda a África e em uma reserva no estado indiano de Gujarat.

A pesquisa mostra que os leões da África Ocidental estão mais intimamente relacionados aos felinos da Índia do que aos do sul da África. Também apresenta oficialmente uma nova divisão entre “leões do Norte” (Panthera leo leo) na Índia e África Ocidental, e “leões do Sul” (Panthera leo melanochaita) na África Austral.

“Nós não criamos uma nova subespécie”, diz Bertola. “Apenas redesenhamos os limites. Em vez de ter uma distinção África-Ásia, como era o caso anteriormente, agora temos essa distinção norte-sul, que está alinhada com a história evolutiva da espécie”.

Embora os leões do Sul possam acasalar com os do Norte, diz Henschel, seria um erro trazê-los para Niokolo-Koba para reabastecer a população: isso prejudicaria sua singularidade genética. Por isto, salvar os leões Niokolo-Koba se torna ainda mais urgente, explica.

“Eu tinha um mapa na parede”, diz Bertola. “Toda vez que [Henschel] reportava, havia, infelizmente, mais populações que eu poderia riscar do mapa. Então, esse mapa lentamente se enchia de cruzes vermelhas, porque a presença de leões não podia ser reconfirmada nessas áreas. Foi bem deprimente”.

'É como CSI'

Sentimos o cheiro da matança antes de vê-la. Everatt e Ndiaye estão atravessando um campo de grama da mesma cor do leão e à altura da coxa, e adentrando na floresta que é um caos silencioso de trepadeiras e acácias espinhosas. À medida que descemos em direção a um bebedouro escondido, o cheiro de podridão fica mais forte.

“Habitat de caça fácil para um leão”, sussurra Everatt. Olhando para seu GPS, ele para. As coordenadas indicam a localização de uma possível morte por um macho com rádio-colar recém colocado. Os dois pesquisadores se espalharam, abaixando as cabeças, na procura de pistas.

“Adoro essa parte – é como CSI”, comenta Everatt enquanto vasculha a vegetação rasteira. Parece uma cena de crime, mas onde o assassino ainda está solto – e pode estar perto.

Ndiaye chama a equipe. Ele encontrou fezes, uma possível pista de onde a presa foi devorada. Ele marca o local com o GPS e coloca uma amostra em um frasco plástico para posterior análise genética. O time se empolga novamente.

“Ele está vendo as sutilezas”, diz Everatt sobre Ndiaye, que não tinha experiência em rastrear ou estudar leões antes de ingressar na equipe. “O futuro da conservação e da ecologia na África dependerá completamente destas voltarem às mãos dos africanos.”

Ali perto, os pesquisadores encontram partes de uma mandíbula e a coroa de um crânio com um pedaço de chifre. Isso ajuda a resolver o mistério: o animal era uma jovem palanca vermelha. “Ali é o local da morte, mas foi aqui que ele comeu a cabeça”, comenta Everatt.

“Tudo faz parte de uma melhor compreensão dos leões da África Ocidental”, diz Everatt. “Uma das questões é o uso do habitat nesta escala muito detalhada – na escala de matar e comer alguma coisa.” Os rádio-colares com GPS permitem que os pesquisadores monitorem para onde os leões vão, como eles interagem, o que comem. “Você realmente acaba conhecendo os indivíduos”, conta. Tão pouco se sabe sobre esses felinos que construir um conhecimento básico será crucial para descobrir a melhor forma de protegê-los.

Patrulha contra a caça ilegal

A marca de pneus de bicicleta serpenteia pela estrada arenosa e pela floresta. Esta pista estranha é sinal de caçador ilegal, diz o sargento Mamadou Sall. Ele é o líder de um grupo de oito guardas florestais armados do serviço do parque nacional que reúne seus homens e, pelas próximas três horas, seguimos a trilha por terreno acidentado durante 17 quilômetros em direção à estrada nacional e às aldeias que formam a fronteira norte do parque.

Estamos no meio do mato, na região centro-norte do parque, dizimada por décadas de caça ilegal e incêndios; quase toda a vegetação rasteira foi queimada. Logo, as marcas de pneus se unem a outras. Chegando a um trecho plano, nos deparamos com pequenos acampamentos vazios. São principalmente círculos de pedras ao redor de fogueiras, mas alguns têm racks de secagem para processar carne selvagem.

Para os leões, a caça ilegal transformou partes de Niokolo-Koba em uma “zona de guerra”, diz Henschel. Vários esforços ao redor do perímetro visam conscientizar as comunidades locais sobre a importância do parque, mas até agora os incêndios e a caça irregular não pararam. Normalmente, os caçadores furtivos querem animais maiores, como antílopes, as presas que os leões precisam para sobreviver. “Síndrome do parque vazio” foi o diagnóstico de Bertola das áreas externas de Niokolo-Koba na sua visita em 2014.

“É muito difícil banir alguém que obtém sua comida do mato”, diz Sall. A caça é subsistência e comércio ao mesmo tempo, feita principalmente por senegaleses, mas também por pessoas do país vizinho, Guiné. Eles usam espingardas e rifles de assalto, não armadilhas ou veneno. Se bem que isso torna a matança menos indiscriminada, acaba sendo mais arriscada para os guardas, que ocasionalmente são atingidos, conta.

O Panthera apoia os guardas florestais desde 2016 e agora financia três equipes anti-caça ilegal e seus caminhões. Um total de seis patrulhas financiadas permanentemente com seus próprios veículos seria suficiente para proteger todo o parque, esclarece Henschel.

No final da patrulha, eu tinha bebido mais de três litros de água e o time não encontrou nenhum caçador furtivo. Geralmente é assim que passam seus dias – como Everatt diz, até mesmo a vigia irregular se torna, até certo ponto, um impedimento.

Ao retornarmos ao centro mais patrulhado de Niokolo-Koba, os efeitos positivos dos guardas florestais são visíveis: a vegetação rasteira é robusta, há mais animais. Uma semana lá, vejo cinco leões, ginetas, civetas e duas espécies de mangusto, bem como oito espécies de antílopes, desde robustas palancas-vermelhas a delicados oribis.

Além disso, enquanto dirigimos com a equipe pela floresta densa e passamos por poços de água em busca de locais possíveis ​​​​para montar isca para pegar outro leão, também vi crocodilos, javalis, babuínos da Guiné, macacos, e 14 espécies de pássaros, incluindo o africano abutre de cabeça branca à beira da extinção; sua presença após uma década de ausência sugere uma recuperação parcial do parque.

Everatt compara a diferença entre o perímetro e o centro do parque para fazer uma viagem no tempo: as áreas externas ainda lembram o lugar vazio que Bertola viu há oito anos, e o centro mostra como se veria um futuro mais positivo.

Assunto sério

"Onde?"

"Lá."

"Onde?"

"Lá!" Ndiaye diz, apontando. Florence e duas fêmeas jovens, provavelmente suas filhas, estão acampadas atrás de uma tela de grama seca à sombra de um grande ramo de folhas de palmeira, bem na minha frente. Kris acha que um jovem macho, seu filho, pode estar por perto.

Everatt e Ndiaye rastrearam o pequeno bando usando o rádio-colar de Flo. Estacionamos perto e pegamos nossos binóculos. Os leões estão cochilando, e, ocasionalmente, se sentam para ver como os observamos. À medida que a tarde vai caindo, os leões bocejam alternadamente, revelando seus enormes caninos. Esticam suas pernas e patas poderosas, eles logo estarão prontos para caçar o jantar.

“Isso é um assunto sério”, reflete Everatt, jogado no teto do caminhão. Grandes felinos descansando juntos debaixo de uma árvore apresentam uma imagem de cartão postal da savana africana, mas alguns pesquisadores levantaram a hipótese de que os leões da África Ocidental não formam bandos, então ver esse grupo no parque é “nova informação”, diz ele.

Até o momento, Everatt e Henschel identificaram seis ou sete bandos pequenos, dois bandos maiores e alguns machos solteiros. Durante a campanha de rádio-colares deste ano, eles também encontraram e colocaram colares em dois membros de uma coalizão de três machos jovens. Uma coalizão, que ajuda os machos mais jovens a conquistar território e parceiros, nunca foi documentada na África Ocidental, e pode ser outro sinal de recuperação em Niokolo-Koba, aponta Everatt.

Para repovoar o parque com até 240 leões, Henschel diz que é necessário mais financiamento para expandir o programa de pesquisa do Panthera e reforçar as patrulhas contra a caça furtiva. A abertura do Niokolodge, um acampamento de ecoturismo no centro do parque, sinaliza o início do turismo de alto nível. “Um caçador pode ganhar muito dinheiro com um leão morto”, diz Henschel, “mas por enquanto, um leão vivo não se paga. Ainda não." Mas os visitantes que esperam encontrar um leão e outros animais começaram a passar tempo – e gastar dinheiro – no parque.

Por enquanto, Flo e suas filhas, relaxadas na sombra, são a prova de que a recuperação pode acontecer. “Estou esperançoso. Acho que é muito possível”, comemora Everatt. “Quero dizer, levará 20 anos, mas para nós, é um esforço de longo prazo."

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Em que parte do mundo vive o leão, o rei da selva?

No passado, um dos animais mais majestosos da fauna do planeta podia ser encontrado em três continentes. Agora, sua distribuição é menor e o felino está vulnerável à extinção.

Publicado 19 de dez. de 2024, 07:01 BRT
Os leões machos têm uma característica exclusiva: sua juba, que começa a crescer a partir dos ...

Os leões machos têm uma característica exclusiva: sua juba, que começa a crescer a partir dos três anos de idade e varia de cor, indo do preto ao castanho claro quase loiro.

Foto de CHARLIE HAMILTON JAMES

leão (Panthera leo) é um mamífero carnívoro da família Felidaeconsiderado o felino mais social do mundo, pois vive em rebanhos de fêmeas aparentadas. É o que explica o Instituto Nacional de Zoologia e Biologia da Conservação do Smithsonian, parte do Smithsonian Institution, um museu e complexo de pesquisas dos Estados Unidos.

Esses rebanhos podem ser compostos por várias fêmeas ou até 40 indivíduos, incluindo leões e leoas adultos, animais jovens de dois a quatro anos e filhotes, além de um ou mais machos residentes, descreve a fonte.

Conhecido por seu rugido alto – que pode ser ouvido a oito quilômetros de distância – e pela juba abundante dos machos adultos, o leão ganhou ainda mais popularidade na cultura popular com a chegada da animação de “O Rei Leão” (1994), da Disney. Cerca de 25 anos depoisa produção ganhou uma nova versão, desta vez em live-action, a qual terá sua prequela lançada em 2024. Trata-se de “Mufasa, o Rei Leão”, que chega aos cinemas mundiais em 19 de dezembro.

nova produção não apenas convida a conhecer a fundo a história de Mufasa, mas também se torna uma boa oportunidade para aprender mais sobre orei da selva”, seu estado de preservaçãoseus hábitos no mundo animal.

"Mufasa, o Rei Leão" é um filme da Disney lançado em 2024 e que combina técnicas ...

"Mufasa, o Rei Leão" é um filme da Disney lançado em 2024 e que combina técnicas inovadoras de filme live-action com imagens fotorrealistas geradas digitalmente. Nesta imagem da produção, Mufasa (um filhote de leão) é visto com os adultos Afia e Masego.

Foto de Divulgação Walt Disney Studios

Onde vivem os leões?

Embora tenha ficado conhecido como o rei da selva”, esse mamífero prosperou em uma ampla variedade de habitats, desde planícies abertas até matas densas e florestas de espinhos secos, diz o Smithsonian Institution.

Os leões africanos, por sua vez, vivem em planícies ou savanas com grandes presas disponíveis – principalmente os animais ungulados (que são mamíferos que possuem casco, como zebras, girafas e antílopes, por exemplo), além de território suficiente para caçar

Esses carnívoros podem viver na maioria dos habitatsexceto em florestas tropicais e desertos, acrescenta o Animal Diversity Web (ADW), um banco de dados on-line da Universidade de Michigan (nos Estados Unidos).

Atualmente, o leão está distribuído principalmente no sul e no leste do continente africano, embora também seja encontrado na África Central e OcidentalEm menor escala, também pode ser visto na Índia, onde uma pequena população da subespécie de leão indiano permanece na floresta de Gir.

Fora da África Subsaariana, o leão já foi encontrado no norte da África, no sudoeste da Ásia (onde desapareceu da maioria dos países nos últimos 150 anos), e até na Europa Ocidental (onde foi extinto há quase 2 mil anos), além do leste da Índia.

As fêmeas do grupo fazem a maior parte da caça em seus rebanhos. De acordo com ...

As fêmeas do grupo fazem a maior parte da caça em seus rebanhos. De acordo com o Animal Diversity Web, plataforma especializada em animais, os machos são mais visíveis – o que dificultaria sua tarefa de caçador. Nesta foto tirada no Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia, uma leoa persegue sua presa.

Foto de Klaus Nigge

O “rei da selva” está vulnerável à extinção

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), os leões são os carnívoros que sofreram a maior contração da área onde viviam

Os dados de 2023 da agência mostram que o território atual ocupado pelos leões é de aproximadamente 6% de sua área histórica, o que significa um declínio de 33% desde 2005 uma queda de 36% em três gerações de leões.

Devido a essa baixa, o leão está agora listado como vulnerável à extinção, de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.

As principais ameaças aos leões incluem a perda contínua de habitata conversão de áreas seguras, o que fez com que várias subpopulações diminuíssemficassem isoladas. Outras ameaças importantes incluem a matança indiscriminada (principalmente devido à retaliação ou matança preventiva para proteger a vida humana e o gado) e o esgotamento da base de presas”, observa a IUCN.

Nos últimos anos, também a caça furtiva para obtenção de peças e a guerra surgiram como ameaças significativas à espécie, acrescenta o órgão de conservação.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Primeiro registro fóssil de leão das cavernas ( Panthera ( Leo ) spelaea intermedia ) de depósitos aluviais do rio Pó, no norte da Itália

Resumo

Uma hemimandíbula felino esquerdo perfeitamente preservado foi encontrado em depósitos fluviais do rio Pó perto de Cremona (norte da Itália). O fóssil, encontrado em posição alóctone dentro de uma barra aluvial, correspondendo em morfologia e tamanho na hemimandíbula de leões modernos e fósseis. O osso, em excelentes condições, caracteriza-se pela presença de todos os dentes e mostra uma leve erosão do côndilo e processo angular indicando um transporte muito limitado (rafting). Com base na comparação com um grande conjunto de dados de medidas morfométricas de leões das cavernas e leopardo fóssil hemimandíbulos, o fóssil estudado é classificado como uma fêmea subadulta da crono-subespécie Panthera spelaea intermedia .

O registro fóssil de mamífero do Rio Pó consiste predominantemente em grandes herbívoros Palaeoloxodon antiquus, Stephanorhinus kirchbergensis, Bison priscus, Megaloceros giganteus, Mammuthus primigenius, Alces alces, Cervus elaphus , alguns carnívoros como Panthera cf. pardus, Crocuta crocuta, Ursus arctos, Canis lupus, Vulpes vulpes e primatas como Homo neanderthalensis e H. sapiens . A composição de espécies indica uma mistura de diferentes assembléias faunísticas dos períodos interglacial e glacial do Pleistoceno Superior

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1040618221000902 

 

 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Extintos em dezenas de países, leões agora estão ameaçados em seu principal reino

Só restam 20.000 dessas grandes feras e não há garantias de que a espécie possa sobreviver

Um leão na reserva nacional de Masai Mara.FERNANDO MOLERES
Há poucas emoções tão intensas no mundo como a que produz contemplar um grande leão macho em seu ambiente, na extensa savana africana, onde ainda continuam reinando, apesar do imparável declínio da espécie. Restam apenas 20.000 leões, calcula-se – somente 4.000 machos –: estão desaparecendo de vastas extensões da África que antigamente eram parte de seus domínios (ainda que existam 500 na Índia, leões asiáticos) e, se nada for feito, a fera emblemática do planeta, Simba, a essência do selvagem, pode se extinguir em pouco tempo

Nessa triste conjuntura, a nova versão, 25 anos depois, de O Rei Leão da Disney, que chega às telas em 19 de julho, com os animais recriados por realidade virtual, se tinge de um tom crepuscular, ainda que também, ao relançar o interesse global pelo leões e a ameaça que sofrem, de esperança.


Estávamos há dois dias tentando ver um, um de longa e espessa juba, um senhor leão icônico, os de uma vida inteira, e Fernando, o experiente fotógrafo dessa reportagem, começava a ficar impaciente. Andamos para cima e para baixo em um veículo Off-Road no Triângulo, a região oeste da famosa reserva nacional de Masai Mara (Quênia), um dos lugares do planeta que mais são associados aos leões e à vida selvagem, e já havíamos visto nesse oceano todo de grama, incluindo grandes rebanhos de elefante, de búfalos, de antílopes, de zebras, de gazelas, e também hienas, hipopótamos, grandes crocodilos, vários guepardos, um mangusto com uma serpente na boca, javalis (inevitavelmente apontados como “pumbas” —curiosamente, são a comida preferida dos leões —) e uma inusitada quantidade de girafas; e até várias leoas. Mas o leão nos escapava . Fernando coçava a incipiente barba – entre saída e saída, já não nos barbeávamos, embargados pela febre do leão – e batia na carroceira do carro como Patton no comando de seus blindados cada vez que o motorista fazia a menção de parar para nos mostrar alguma coisa. “Vamos, vamos, já vimos! Vamos em busca do leão!”, gritava.

Naquela tarde voltávamos da visita ao povoado masai, incômodos vizinhos dos leões, depois do portal de Oloololo, um dos que se atravessam para sair da reserva, e, de novo no parque, voltávamos ao hotel-safári de Mara Serena onde estávamos alojados (uma grande mudança para alguém que em 1982 acampou em uma humilde barraca ao lado do Sand River à mercê das hienas). 

Ao cruzar as planícies de Paradise Plain e Olpunyata Swamp, que costumam inundar nas estações de chuvas fortes, o céu, imenso como só o é na África, apresentava um aspecto magnífico e ameaçador, coberto de nuvens enormes pelas quais se filtrava uma luz sobrenatural que dava uma nota ainda mais dramática naquele território infinito e indômito. O motorista, Freddy, nos levou pelos campos ao pé de uma árvore solitária, uma grande acácia. 

De seus ramos mais altos se dependurava incongruentemente um impala. Era a despensa de um leopardo. A ideia de ver um leopardo, um dos Cinco Grandes da África, animou Cecile e Sergio, os outros dois fotógrafos profissionais com quem dividíamos veículo e aventura nesse dia. Mas Fernando estava inflexível. “Precisamos do leão”, estabeleceu. Enquanto discutíamos, o dedo do motorista apontou entre os pastos. “Simba”, disse. Olhamos e lá estava, um macho impressionante, solitário, ainda que seguido de longe por duas hienas. Avançava com uma imponência em que se concentravam todo o poder da paisagem e do jogo de vida e morte nessa terra primitiva e selvagem. Seguimos o leão em sua andança por seu reino, como tímidos súditos carregados de teleobjetivas e, no meu caso, de binóculos e meu bloco de notas.

Às vezes parava, levantava a cabeça e, quando o vento agitava sua juba, parecia avistar ao longe algo que não víamos. Acabou passando diante de nós, tão perto que pudemos admirar a espantosa potência de cada músculo de seu corpo, medir as letais presas em sua boca entreaberta e até mesmo sentir o odor acre que a fera exalava. Em um instante inesquecível pareceu olhar diretamente para mim. Olhos de cor âmbar em que não havia nem piedade e culpa; somente a atávica expressão de domínio do predador diante da presa. 

Continuou avançando para onde quer que seu impulso e sua régia vontade o levavam e então sua silhueta se recortou contra a tempestade que chegava do oeste como uma muralha de escura violência. Era uma imagem tão terrivelmente bonita e sugestiva que parecia brotar diretamente de um sonho. O grande leão dourado, sobre o qual caíam os derradeiros raios de luz, se destacava como um estranho motivo heráldico radiante e ao mesmo tempo diminuía sobre o assustador peso do céu. Uma imagem sobrenatural com a força de um símbolo e de um augúrio. 

O leão continuou marchando sem se deter, impassível, rumo à tempestade e ao crepúsculo. Olhei para Fernando, suas duras feições transfiguradas por uma forte emoção; tínhamos o leão e ao mesmo tempo era impossível não pensar, enquanto desaparecia no horizonte, que o perdíamos para sempre.
O leão acabou passando diante de nós. Era possível sentir o odor acre que a fera exalava
A viagem ao Quênia, organizada pela Disney, serviu para observar alguns dos locais mais importantes que inspiraram o novo e inovador O Rei Leão. Os diretores visitaram diferentes locais do país para experimentar os animais de seus entornos, pegar referências reais e recriar virtualmente as paisagens do filme, um processo tecnológico semelhante ao que já foi utilizado pelo mesmo diretor Jon Favreau em sua versão de Mogli: O Menino Lobo (2016). Favreau quis que tudo o que aparece no filme estivesse firmemente enraizado na realidade. “Temos um grande respeito pelo O Rei Leão original, símbolo de toda uma geração, mas isso é outra coisa, damos mais verdade, uma experiência que parece real”, afirmou James Chinlund, designer de produção, em uma entrevista coletiva em Nairóbi, em um jardim em que voavam coloridos suimangas (espécie de pássaro) de assombrosa beleza. “Mogli já mostrou que era possível recriar com tecnologia digital um mundo orgânico; agora fomos mais longe”.
O Masai Mara foi especialmente usado como referência no filme, inspiração do reino de Mufasa, com seu mar de grama e acácias e seus céus mutáveis; as Chyulu Hills, cujas formações pétreas foram a base para a Rocha do Orgulho. O monte Quênia, cuja mata tropical serve de cenário para o crescimento de Simba com Timão e Pumba, e os Aberdare, velho santuário dos Mau Mau, cujas impressionantes cachoeiras são o palco do retorno de Nala à vida de Simba (quase não há leões nesses montes: foram levados a outros lugares pra que não ameacem a população única de bongos).
O ocaso no Masái Mara.
O ocaso no Masái Mara.Fernando Moleres
A Disney sabe que o círculo da vida se fecha para Simba e da queda livre dos leões, de modo que a empresa se comprometeu decididamente nas inciativas para sua conservação. A Disney lançou junto com o filme a campanha The Lion King: Protect the Pride (O Rei Leão: Proteja o Orgulho) para apoiar a organização Lion Recovery Fund e seu objetivo de dobrar a população de leões até 2050 através de iniciativas que envolvem diversas comunidades. A ideia de que Simba pode salvar Simba é, evidentemente, sugestiva.
Em um século, calcula-se, os leões perderam 75% de seu território africano
Em 1880 calcula-se que existam na África 1,2 milhão de leões (Panthera leo). Nos anos cinquenta do século XX haviam diminuído a 500.000; nos anos noventa ainda eram 100.000; hoje só restam menos de 20.000 (ainda que não exista nada tão difícil como contar leões), distribuídos em populações que em muitos casos não asseguram o relevo geracional. 

Especialistas dos chamados reis da selva, como Dereck Joubert, explorador residente da National Geographic (e, afirmo, homem com vista excepcional para descobrir leões na natureza: percorremos o mesmo Masai Mara em 2012), alertam que em pouco tempo poderemos ficar sem eles. Sua principal ameaça, após milênios de temor, admiração, veneração, capturas e caças como o maior troféu, somos nós, os humanos. 

Não só pela caça, legal ou ilegal (cinco vezes maior do que a anterior). O principal fator contra os leões hoje na verdade é a diminuição contínua e imparável de seu habitat pela pressão do homem, pelo aumento demográfico exponencial, para conseguir novos espaços à criação de gado e agricultura. Sua geografia desaparece. E ainda é preciso adicionar a mudança climática. Em um século, calcula-se, os leões perderam 75% de seu território africano. Um estudo oficial sobre a diminuição do leão na África alerta que sem uma intervenção decisiva nos próximos 20 anos, a população de leões cairá à metade, antessala de sua extinção.

O leão já desapareceu ao longo da história de muitos dos países em que era abundante: na Grécia, onde eram caçados por Alexandre Magno, no século I; na Geórgia, Armênia, Azerbaijão, mil anos depois; na Palestina, durante as cruzadas; na Turquia, no final do século XIX; no Iraque, o último foi caçado perto do rio Tigre em 1918; no Irã, onde eram o símbolo da Pérsia, na década de 1960. Só sobrevivem fora da África em uma pequena região da Índia, em Gir, no Gujarat, onde se conserva uma população de 520 leões asiáticos (a subespécie Panthera leo persica) vulnerável à consanguinidade e a qualquer epidemia.

Em When the Last Lion Roars. The Rise and Fall of the King of the Beasts, um dos livros recentes e eloquentes sobre o destino do leão e uma obra tão iluminadora como comovente, a escritora especialista em vida selvagem Sara Evans mostra um panorama desolador. Já existem subespécies africanas de leão extintas, como o leão-do-atlas, tido por muitos como arquetípico, que desapareceu na década de 1950, em parte por culpa do desmatamento causado pela guerra da Argélia

A situação do leão é crítica na África ocidental, onde vivem os leões mais ameaçados e menos protegidos: só são encontrados em 5 países comparados com os 15 de 20 anos atrás, e confinados em 1% do território da época. Na Costa do Marfim e Gana praticamente desapareceram. Em 2015 foi avistado um no Gabão, o primeiro desde 1996. Benin, Burkina Faso, Níger, Nigéria e Senegal somam entre todos menos de 400 leões. 

De fato, só existem quatro países africanos em que o número de leões não está em queda livre: Botsuana (3.000, 2.000 no Okavango), Namíbia, África do Sul e Zimbábue. 

Unicamente nesses países, além de Tanzânia, Quênia, Moçambique e Zâmbia, há grupos de mais de 500 leões adultos, considerados as “fortalezas” desses felinos. Evans diz que desaparecem diariamente e que em 75 anos 90% podem desaparecer, o que tornaria praticamente inviável a espécie. Os que ficarem seriam “mortos vivos”. É preciso lembrar que o leão, como carnívoro principal, desempenha um papel decisivo na ecologia do continente e sua extinção provocaria uma catástrofe ambiental.
Um leão no mato alto é difícil de ser avistado até já estar bem perto
Um leão no mato alto é difícil de ser avistado até já estar bem pertoFernando Moleres
No Quênia, onde os leões nasceram evolutivamente há três milhões de anos, e de onde era a famosa Elsa de Uma Leoa Chamada Elsa e é o Simba da Disney, a sobrevivência do leão não está de modo nenhum livre de ameaças, alerta James Clarke, escritor cientista e membro fundador da ONG Endangered Wildlife Trust, autor de Overkill, the Race to Save Africa’s Wildlife. Em todo o país, calcula-se, existem 3.000 (somente 2.000 de acordo com Clarke) divididos em 18 populações, das quais somente dois grupos têm mais de 500 indivíduos. A vizinha Tanzânia, por outro lado, tem muitos mais, quase a metade de todos os leões da África, mais de 7.000 somente na grande reserva de Selous. No Tsavo queniano, o lugar dos célebres devoradores de homens caçados pelo coronel Patterson, restam apenas 50, o que pode significar que esse local emblemático ficará sem leões. Mesmo no paraíso selvagem de Masai Mara, ainda que as autoridades sejam muito cautelosas com os números, sua população parece ter diminuído. A primeira vez que visitei a reserva, em 1982, eram sem dúvida mais abundantes: você os encontrava por todos os lados e era comum presenciar caçadas (vi uma zebra ser morta e um babuíno, esquartejado: não é um espetáculo agradável). Em 2012, apesar de ir com os especialistas Joubert – Dereck e sua esposa, Beverly –, que é como ir com Custer ver os índios, havia obviamente menos leões. Nesse ano, como expliquei, foi difícil ver um grande macho, ainda que tenhamos visto uma fêmea em um açude e outras duas com filhotes sobrevoando a região com um balão (uma maneira de observar muito terreno fácil e confortavelmente, especialmente se você não aterrissa, como quase nos aconteceu, sobre as feras).

No Triângulo de Mara existem seis alcateias identificadas. São formadas basicamente por fêmeas (parentes entre elas), filhotes e quase adultos, com um grande macho dominante (o Mufasa da vez) ou às vezes uma coalizão de dois ou mais. Entre os territórios das alcateias se movimentam patrulhando os machos solitários ou em pequenos grupos, expulsos das alcateias ao completar dois anos de idade. Esses machos competem ocasionalmente contra os dominantes para conseguir a liderança de uma alcateia. Quando o conseguem, após lutas que podem ser épicas, se entregam como Herodes a uma verdadeira operação de infanticídio, matando os filhotes do rei anterior para que suas fêmeas voltem a entrar no cio para que eles possam cruzar com elas (de modo que o tio Scar em O Rei Leão não está totalmente fora de lugar). O mecanismo é complexo e às vezes acaba em catástrofes para as alcateias.
Vista das montanhas Aberdare, no Quênia.
Vista das montanhas Aberdare, no Quênia.Fernando Moleres
Durante uma das andanças pela reserva, um guia me falou de um leão que havia causado um dramático desequilíbrio em 2009. Não se chamava Scar, e sim Notch, e era uma fera poderosa que se movimentava acompanhado por três de seus filhos já adultos que agiam como uma quadrilha. O problema com Notch era que entrava nas alcateias, vencia o macho dominante, matava seus filhotes e copulava com suas esposas, mas depois seguia seu caminho, repetindo o esquema viciosamente e deixando as alcateias sem líder e abandonadas a sua sorte. Somente uma alcateia das sete do Triângulo, a de Oloololo, permaneceu estável nesse tempo calamitoso até que o equilíbrio se restabeleceu com a morte de Notch. A história demonstra como são delicadas por sua natureza intrinsecamente social as populações de leões. A ação humana, eliminando especialmente machos, causa efeitos tremendos nas alcateias.
Alfred Bett, guarda do Mara Conservancy, o órgão que protege o triângulo (aqui não existem rangers do Kenya Wildlife Service), me disse uma noite no Mara Serena, o bar com melhor vista do mundo em que você se sente como Denys Finch Hatton e Allan Quatermain, que defender o parque requer coragem, pois os caçadores ilegais não utilizam somente lanças e flechas envenenadas (também contra eles) e sim armas automáticas. Em 2015 os caçadores e criadores de gado irritados do entorno do parque envenenaram oito dos leões de uma das alcateias mais populares do Masai Mara, a dos pântanos, protagonista do programa da BBC Big Cat Diary. “O trabalho é patrulhar e retirar armadilhas. A caça ilegal se reduziu graças à colaboração com a vizinha Tanzânia”. O guarda lamenta que o turismo tenha diminuído no Quênia, o que repercute nos fundos para proteger os animais.
Piquenique ao estilo Memórias da África no mesmo lugar.
Piquenique ao estilo Memórias da África no mesmo lugar.Fernando Moleres
Sobre os leões, afirma que a população no Masai Mara é estável. “Não aumenta e não cai, há 69 no Triângulo e 468 ao todo no Masai Mara” (há poucos anos havia 547, de acordo com outras fontes). “Pudemos solucionar problemas com as populações masai, pagando pelas vacas que os leões matam e sobretudo incorporando os próprios masai em projetos de defesa da vida selvagem”. Esses planos incluem programas como os Guardiões dos Leões, Defensores dos Leões e Guerreiros da Vida Selvagem, que estão tentando mudar a mentalidade das comunidades vizinhas para que o leão não seja visto como um inimigo e um problema (um inimigo ancestral que os jovens masai devem matar para se tornar guerreiros em um ritual do olomayio), e sim como uma possível fonte de riqueza, e de prestígio, que merece ser protegida. De qualquer forma, viver perto da reserva não é fácil e ocorram casos em que os leões não se contentaram em atacar o gado. De fato, a frequência dos ataques a humanos na África (120 por ano somente na Tanzânia) aumenta proporcionalmente ao avanço das populações sobre os últimos espaços livres. Um estudo citado por Sara Evans diz que que entre 1990 e 2006 os leões mataram 563 pessoas no continente. Por sua vez, 100 leões morrem por ano no Quênia – onde é ilegal matá-los – como resultados do conflito com os criadores de gado. Mas uma mudança de mentalidade positiva está ocorrendo em algumas regiões.

Alfred Bett não soube me dizer o nome do macho que vimos na tempestade. Mas sem dúvida, frisou, não era o grande Scarface, provavelmente o leão mais famoso do Mara, de 12 anos, um grande rei e uma verdadeira lenda vida que devora hipopótamos. “Você o teria reconhecido pelo tamanho e as marcas dos muitos combates que travou”. Scarface recebeu um ferimento de lança de um guerreiro masai de quem tentava roubar uma vaca e perdeu o olho direito em uma luta para conseguir a líder das fêmeas da famosa alcateia dos pântanos, protagonista, além do programa de televisão mencionado, do famoso livro The Marsh Lions, de Brian Jackman, Jonathan e Angie Scott.
Zebras no Masai Mara. São uma das presas habituais dos leões
Zebras no Masai Mara. São uma das presas habituais dos leõesFernando Moleres
A recente e dramática morte em 2005 no Zimbábue, por um ignorante caçador e dentista de Minnesota com balestra, de um leão monumental e icônico, o famoso Cecil, significou um golpe nas consciências e um momento chave na conservação do leão, o momento Cecil. De repente, muita gente percebeu como a situação dos grandes felinos era delicada, de como é estúpido matá-los por prazer, e de como seria triste e chato um mundo sem eles. Os três desafios básicos agora, lembram os conservacionistas, são proteger seu habitat, envolver maciçamente as pessoas em sua defesa e conseguir financiamento dos países ricos para pagar a conservação dos leões que as nações africanas não podem assumir sozinhas.
A queda do turismo no Quênia repercute nos fundos para proteger aos animais
Em 12 países da África ainda se pode caçar leões legalmente (200 por ano na Tanzânia). O fato de que os caçadores matam principalmente machos, e machos poderosos, faz com que se acelere o ciclo natural que vimos de infanticídios nas alcateias. Os leões também são caçados por seus ossos, que estão substituindo os do tigre na medicina natural chinesa. E são comprados a preço de ouro. Muitos conservacionistas pedem que o leão africano seja incluído no apêndice I do convênio CITES (está no II) com as espécies em maior perigo, o que faria com que se proibisse o comércio de troféus e partes do leão (já é ilegal na Austrália e na França, caso único na UE). Outra ameaça para os leões são as doenças, entre elas a síndrome de imunodeficiência felina. São também sensíveis às epidemias transmitidas pelos cachorros e gado que vivem perto de seus territórios. Em 1995 a cinomose matou mil leões no Serengueti, um terço de sua população.

A viagem ao Quênia para ver leões graças ao O Rei Leão foi recheada de momentos mágicos: a chuva noturna de escaravelhos – um caiu em minha taça de vinho –, o rastro de hipopótamos na pista enlameada do aeroporto ao lado de Mara Serena, o fogo dos balões ao inflarem-se na madrugada, os búfalos castrados pelas hienas nos Aberdare, a nuvem de formigas voadoras gigantes recortadas contra o Cruzeiro do Sul, a enorme língua azul de uma girafa e o pé de Aude ao lado da pegada de um leopardo. Mas, principalmente, permanece indelével o olhar do leão, aquele lampejo amarelo que fulgurou na savana antes de se apagar no formidável crepúsculo que deixou a África às escuras.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019


Falsos orfanatos na África do Sul são grandes responsáveis pela ameaça de extinção de leões


Reprodução | The Independent
Turistas ao redor do mundo estão sendo advertidos contra falsos orfanatos de filhotes de leão. Ativistas e grupos em defesa dos animais dizem que, na realidade, eles são uma fachada…

Turistas ao redor do mundo estão sendo advertidos contra falsos orfanatos de filhotes de leão. Ativistas e grupos em defesa dos animais dizem que, na realidade, eles são uma fachada para o comércio lucrativo de exploração de animais para entretenimento. 

De acordo com eles, Parques na África do Sul, onde os turistas podem fazer selfies com grandes felinos, acariciar ou andar com eles não são nada além de centros de reprodução que lucram com a caça ou com o comércio de ossos da Ásia. Especialistas têm uma opinião ainda mais catastrófica. Longe de ajudar as espécies ameaçadas, estes estabelecimentos onde os leões são mantidos em jaulas estão acelerando o declínio da espécie.
No ano passado, cerca de 48 mil turistas britânicos visitaram a região, e muitos se enganaram pensando que estavam ajudando leões jovens órfãos que seriam soltos na natureza quando, na verdade, a maioria dos leões da África do Sul são criados em cativeiro para serem usados ​​em sessões de fotos com turistas antes de serem vendidos a caçadores ou abatidos para que seus esqueletos possam ser transformados em medicamentos falsificados vendidos no sudeste da Ásia.

Investigadores que trabalham em fazendas de criação de leões dizem que os filhotes não são órfãos, mas são levados de suas mães com apenas algumas horas ou dias para serem usados ​​como adereços fotográficos, rendendo muito dinheiro para os proprietários do local. 

As mães são capturadas e forçadas a uma “procriação contínua”, por meio de inseminações contínuas. Os animais enjaulados são frequentemente privados de comida, higiene ou da capacidade de se comportar como deveriam, em liberdade na natureza. É isso o que dizem ativistas da organização Humane Society International (HSI). Esses filhotes nunca são soltos na natureza e, tão horrível é a situação em que se encontram, que não poderiam sobreviver em liberdade.

Mas turistas e voluntários desavisados ​​muitas vezes pagam milhares de dólares para ajudar a levantá-los manualmente, achando que estão ajudando a conservação, sem saber que estão apoiando a indústria cruel e levando ainda mais os leões à extinção. “Uma vez que os filhotes não são mais bonitinhos e fofinhos, eles são usados ​​para experiências de caminhada de leões. Uma vez que eles são muito perigosos para isso, alguns são vendidos para caçadas enlatadas, nas quais são baleados por caçadores de troféus em áreas cercadas das quais eles não podem escapar ”, disse uma porta-voz da instituição de caridade em entrevista ao jornal The Independent. “Outros são mortos para o comércio de ossos, seja para exibição ou para uso em falsos tônicos medicinais na Ásia”.

É impossível diferenciar entre partes do corpo de animais selvagens e animais em cativeiro, para que a exportação legal de ossos de leões em cativeiro criados em fazendas permita a exportação ilegal de ossos de leões selvagens para continuar, e permite que o mercado prospere. Uma estrela do filme de sucesso The No 1 Ladies ‘Detective Agency está apoiando a campanha da HSI pedindo aos visitantes que evitem as atrações dos leões, com a marca “snuggle scams”. A atriz Pearl Thusi condenou a exploração “cruel e triste” dos leões, listados como vulneráveis ​​pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Thusi, que interpretou Patricia Kopong nos filmes baseados em Botswana, disse: “Agora que conheço a verdade por trás da indústria de reprodução de leões em cativeiro e a exploração destes leões desde o nascimento até a morte, estou horrorizado que é assim que tratamos os filmes. Rei da floresta. “Devemos promover a África como um destino turístico autêntico, selvagem e recompensador e não apoiar esta indústria.” A África do Sul tem menos de 3.000 leões na natureza – mas até 8.000 em cativeiro em 260 fazendas de criação.

No ano passado, 16 milhões de turistas visitaram a África do Sul, de acordo com o site Statista.com, e os números devem crescer, alimentando potencialmente o aumento da popularidade das fazendas de leões e a caça a latas “enlatadas”. No mês passado, a África do Sul disse que quase dobraria sua cota de exportação de ossos de leão de 800 para 1.500 esqueletos. A HSI também diz que o comércio de ossos de leões em cativeiro também põe em perigo os tigres, porque as partes do esqueleto não podem ser distinguidas.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

TRAGÉDIA NO REINO ANIMAL

POR FAVOR, LEIAM E ASSINEM

Caros amigos,

Nós não podemos trazer Cecil, o majestoso leão do Zimbábue, de volta à vida. Mas podemos pressionar os Estados Unidos e a União Europeia a aprovarem regras para proteger os leões que restam no mundo. Para vencer, precisamos de uma avalanche de assinaturas e compartilhamentos no Facebook, Twitter, e-mail... ou seja, em todos os lugares:

Assine a petição


Um dentista americano apareceu nos jornais do mundo todo por ter matado brutalmente Cecil, um leão dócil do Zimbábue.

Mas seu ato repugnante criou uma oportunidade para salvarmos todos os leões do mundo.

Americanos e europeus ricos como este dentista viajam para a África e pagam fortunas para caçar leões e outros animais exóticos por esporte, e depois levam para casa as cabeças dos animais como troféus.

Se todos nós agirmos agora, poderemos forçar os EUA e a Europa a proibir a importação destes troféus que ameaçam a sobrevivência de animais majestosos.

Alguns parlamentares europeus já consideram o assunto, mas para vencer, precisamos de uma onda de apoio global sem precedentes. Temos chances: 1,4% dos usuários da internet em todo o mundo estão recebendo este e-mail. Se cada um de nós fizer com que uma outra pessoa assine, chegaremos a quase 3%. Se cada pessoa convencer três pessoas, conseguiremos quase 6%, e assim por diante.

Assine e compartilhe no Facebook, Twitter, e-mail – em todos os lugares – antes que o mundo se esqueça de Cecil:

https://secure.avaaz.org/po/save_africas_lions_loc/?bcfdPgb&v=62690

Cecil era um leão amado no Zimbábue, conhecido por sua impressionante juba negra e por ser manso com os turistas e fotógrafos.

A caça de Cecil durou 40 horas e foi de uma brutalidade sem tamanho: os caçadores atraíram o leão para fora do parque protegido onde vivia, acertaram ele com uma flecha e o deixaram sofrer durante toda a noite. Eles mataram Cecil na manhã seguinte e, ilegalmente, arrancaram o aparelho de GPS antes de decapitar e esfolar o leão para fazer o troféu.

Para aumentar a tragédia, cerca de doze filhotes de Cecil agora correm risco de serem abatidos por outros leões, algo comum quando os machos do grupo morrem.

O Zimbábue e outros países não vão reprimir crimes como este, nem mesmo regulamentar melhor a caça, a menos que os lucros da atividade sejam ameaçados. Portanto, se os Estados Unidos e a Europa proibirem a importação de troféus animais provenientes de países que não adotam práticas sustentáveis de caça, garantiremos a sobrevivência dos leões no planeta.

É uma política simples, já endossada por alguns países da União Europeia, mas que não será aprovada sem o apoio de um movimento global gigantesco. Se todos nós assinarmos e convidarmos nossos amigos para participar, compartilhando com toda a internet, poderemos vencer.

Assine e compartilhe agora -- não deixe passar essa oportunidade que Cecil tristemente nos trouxe:

https://secure.avaaz.org/po/save_africas_lions_loc/?bcfdPgb&v=62690

A comunidade da Avaaz já conquistou vitórias surpreendentes para salvar algumas das espécies mais ameaçadas do planeta: desde baleias a orangotangos, passando pelo atum-rabilho. Em cada ocasião, a vitória se deve ao fato de que nos unimos no exato momento em que a oportunidade se apresentou, acreditando que um mundo melhor e mais sustentável é possível. Chegou a vez de nossos leões.

Com esperança,

Mia, Rewan, Luis, Danny, Jooyea, Sobaika, Ricken e toda a equipe da Avaaz

Mais informações:

A terrível história da morte do leão Cecil (Exame)
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/a-terrivel-historia-do-leao-cecil-morto

Uma flecha, um tiro e 50 mil euros mataram o leão Cecil (O Público)
http://www.publico.pt/ecosfera/noticia/uma-flecha-um-tiro-e-50-mil-euros-mataram-o-leao-cecil-1703444

Dentista confessa que pagou para matar leão Cecil, ícone da África (O Dia)
http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-07-29/dentista-confessa-que-pagou-para-matar-leao-cecil-icone-da-africa.html

O que aconteceu ao homem que matou o leão Cecil? (Sábado)
http://www.sabado.pt/mundo/detalhe/o_que_aconteceu_ao_homem_que_matou_o_leao_cecil.html

Caçador de leões Walter Palmer que matou Cecil enfrenta pressão por processo (Guardian) (em inglês)
http://www.theguardian.com/world/2015/jul/29/cecil-the-lion-calls-for-prosecution-us-dentist-walter-palmer

Morte do mais amado leão do Zimbábue inflama debate sobre caça esportiva (National Geographic) (em inglês)
http://voices.nationalgeographic.com/2015/07/21/death-of-zimbabwes-best-loved-lion-ignites-debate-on-sport-hunting/

Assassinato do leão Cecil desencadeia pedidos de proibição de importação de troféus na UE (Guardian) (em inglês)
http://www.theguardian.com/environment/2015/jul/27/killing-of-cecil-the-lion-prompts-call-for-eu-ban-on-importing-lion-trophies

sábado, 17 de janeiro de 2015

11 anos de uma bela amizade entre um leão e um humano

Claro que você deve ter cuidado em torno de leões e outros animais selvagens, mas isso não significa que eles não têm sentimento e serão sempre assassinos de sangue frio. Frikkie Von Solms, um cuidador de leões de 69 anos na África Austral, sabe disso muito bem: ele passou os últimos 11 anos de sua vida ao lado de Zion, um terno e amoroso leão africano.

Zion nasceu em cativeiro. Ele tinha a atenção da mãe, uma leoa chamada Simba, mas teve de ser separado de sua família devido a temores de que seu pai o mataria.
Assim, cresceu com Von Solms, e ficou muito bonzinho – até mole demais. Quando Von Solms sai para uma caminhada com o bichinho, até tira os sapatos porque o ruído incomoda o gato grande.
“Foi uma experiência única crescer com ele e aprender a viver com ele através de todas as fases de ser um leão”, disse Von Solms. “Os leões têm personalidades, têm humor e riem. Zion é um gigante gentil. Ele nunca atacou seres humanos e eu confio nele completamente”.

Frikkie diz que já criou 19 leões, tigres e leopardos, mas Zion “é especial por causa do vínculo que compartilhamos. Eu aprendi muito com ele”. Os dois são tão próximos que andam de carro juntos e até dormem juntos.

Essa é a prova de que a amizade não tem mesmo limites. [BoredPanda]
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domingo, 27 de novembro de 2011

Dissecting the Cave Lion Diet

on 21 November 2011, 6:00 PM | 4 Comments
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Ancient diet. Researcher Hervé Bocherens with a cave lion skull. Analysis of lion bones (inset) shows the extinct beasts' preferred prey was reindeer.
Credit: Wolfgang Gerber/Universität Tübingen
 
A quarter larger than today's lions, the European cave lion was one of the biggest cats around 12,000 years ago. Now, an unusually sophisticated analysis of its bones is revealing what these creatures ate—and why they may have disappeared.

Although they were certainly massive cats, the term "cave lion" is a bit of a misnomer. Unlike today's lions, males probably didn't have manes, and they appear to have been solitary hunters. What's more, though their bones are best preserved in caves, they probably lived in the open. But they did have one thing in common with their modern relatives: they appear to have worried humans. The big cats show up in ice age cave paintings and in ivory figurines, suggesting that they were a major concern for our ancestors.
To figure out what these lions hunted, biogeologist Hervé Bocherens and colleagues at the University of Tübingen in Germany, analyzed bone samples from 14 cave lions—found in four caves in France and central Europe—that lived between 12,000 and 40,000 years ago. The team focused on the chemical content of the bone collagen, which is often well-preserved, even in bones tens of thousands of years old. By incinerating a tiny fragment of preserved bone—usually less than a milligram—researchers can identify the molecules inside it and determine an animal's diet.
Scientists have perfected the technique over the years. It was used recently to look at the diet of Neandertals, but this is one of the first studies to use it to look at a nonhuman predator—and the analysis is now sensitive enough to look several steps down the food chain. This enabled Bocherens to determine not only what cave lions ate but also what their prey ate. And that made it possible to tell, for example, whether lions were targeting full-size cave bears or their more vulnerable cubs, because adults and babies eat different diets themselves. "There's a difference between the [chemical] signal of adults and babies," Bocherens says. "Babies drink the milk of the mother."

As it turned out, this distinction was important. Bocherens's analysis, reported in the 6 December issue of Quaternary International, revealed that the cave lions occasionally ate bear cubs but not adults. Their favorite food, however, was reindeer, which Bocherens and his team determined consumed massive quantities of lichen, much as their modern descendants did. The cave lion diet, Bocherens says, appears to have been much more finicky than that of today's lions, which eat just about anything they can catch.
The results may provide new insights into why cave lions died out. When Europe's climate began to warm about 19,000 years ago, the landscape gradually changed from chilly, open steppes to denser forests. That would have made an inhospitable habitat for reindeer and for the cave lions that depended on them for food. (Cave bears were also dying out at the same time.)

Experts say the ability to dissect ancient diets so thoroughly is a tantalizing tool but that this particular study is too geographically limited to be conclusive about cave lions. "It's quite astonishing that you can quite convincingly demonstrate what predators were eating tens of thousands of years ago," says Anthony Stuart, a biologist at Durham University in the United Kingdom. "One obvious thing to do is extend the study to a wider area" to see how diets might have varied geographically. Cave lions, he notes, "ranged from Spain across Europe and Siberia all the way to the northwestern part of North America."


Ralf-Dietrich Kahlke, a paleontologist at the Senckenberg Institute in Weimar, Germany, says the increasing precision of isotopic analysis may also provide a window into a larger question, namely, what kind of world our earliest ancestors inhabited. Knowing not only what extinct predators ate but also what the animals they ate consumed could help scientists build a sort of ancient food chain they don't currently have. It could also tell us more about the plants and vegetation of the environment. "If we can detect the environmental conditions under which prey lived," Kahlke says, "we can decide what conditions allowed humans to spread."