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terça-feira, 18 de junho de 2019

Inseto fossilizado descoberto não em âmbar, mas em opala

Foto: (Brian Berger / Instagram / @ velvetboxsociety)

Em um achado diferente de tudo visto antes, um pedaço de opala da ilha de Java na Indonésia contém uma carga notável: um inseto incrivelmente preservado que pode ter de quatro a sete milhões de anos.
Anteriormente, muitos insetos antigos foram encontrados em âmbar, uma pedra preciosa feita de resina de árvore fossilizada. Quando os animais ficam encapsulados na resina fresca, eles os sepultam com rapidez suficiente para preservar os restos, geralmente com detalhes requintados.
Em uma viagem à Indonésia, o gemologista Brian Berger comprou uma opala que parecia ter um inseto enterrado dentro dela. Insetos aprisionados em âmbar são uma visão comum, mas em uma pedra preciosa de formação lenta como opala?
"Alguns pesquisadores não tinham certeza se era possível", disse Berger ao Gizmodo. “Agora sabemos que é possível. É provável? Extremamente improvável."
Berger teve a pedra analisada pelo Instituto Gemológico da América, que confirmou sua autenticidade. Ele publicou um blog em Entomologia sobre sua descoberta e está procurando por entomologistas para analisá-lo.

As plantas produzem uma substância pegajosa chamada resina, principalmente para proteger-se. Sob as circunstâncias certas, as estruturas químicas dessas resinas podem mudar com o tempo, fossilizando-se em âmbar - ocasionalmente aprisionando e preservando um inseto dentro.
Esse espécime provavelmente começou como um inseto típico preso em âmbar - mas parece que passou por um segundo processo chamado opalação ou opalização, em que parte do âmbar se transformou em opala. 
 
Opalas são essencialmente esferas de dióxido de silício com água combinada em sua química. As amostras orgânicas podem se transformar em opala semelhante à maneira como a fossilização transforma o osso em pedra; paleontólogos na Austrália encontraram recentemente um fóssil de dinossauro opalizado.
Pelo menos, é isso que Berger especula que aconteceu. Como o espécime formado permanece obscuro.
Um entomologista, Ryan McKellar, curador de paleontologia de invertebrados no Museu Royal Saskatchewan, no Canadá, disse ao Gizmodo que “é um achado bem interessante e um pouco intrigante”. Apesar de comentar apenas no post de Entherology Today, de Berger, McKellar disse “definitivamente parece uma inclusão de insetos. ”Ele notou que havia visto um espécime comparável no Canadá, onde um pedaço de madeira estava parcialmente embebido em resina e parcialmente exposto ao meio ambiente. O âmbar preservou a madeira, mas a sílica substituiu a matéria orgânica do lado de fora do âmbar e transformou-a em madeira petrificada.
McKellar pensou que talvez este espécime fosse formado por um processo similar, e disse que estaria interessado na idade do depósito onde foi encontrado.
Enquanto isso, o bem conhecido entomologista americano George Poinar Jr., da Oregon State University, permaneceu cauteloso. Ele achou o espécime “interessante”, mas queria esperar pela opinião de um entomologista antes de fazer qualquer comentário adicional sem examinar o objeto em si.


Gizmodo

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Estranho fóssil pode ser raro inseto preservado em pedra preciosa

Especialistas estudam como objeto incrivelmente improvável se formou e quais segredos ele pode revelar. Terça-feira, 12 Fevereiro

Por John Pickrell


EM UMA DESCOBERTA diferente de tudo já visto antes, um pedaço de opala da ilha de Java, na Indonésia, carrega uma carga excepcional: um inseto incrivelmente preservado que pode ter de quatro a sete milhões de anos de idade.

Anteriormente, muitos insetos primitivos foram encontrados em âmbar, uma pedra preciosa feita de resina fossilizada de árvores. Quando os animais são revestidos pela resina fresca, ela os sepulta tão rápido que, com frequência, seus restos mortais ficam preservados em detalhes incríveis.

Mas, normalmente, a formação natural da opala envolve soluções de sílica concentradas em cavidades sob o solo durante milhares ou até mesmo milhões de anos, o que levanta questões sobre como um inseto poderia ter sido preservado dessa forma.
“É um objeto incrivelmente improvável — assim como muitas outras coisas raras e maravilhosas da natureza que pensávamos não existir, ou que considerávamos teoricamente impossíveis, até que se mostraram verdadeiras,” comenta Jenni Brammall, especialista em opalas e fósseis opalizados do Australian Opal Centre, em Lightning Ridge, Nova Gales do Sul.

Atualmente, a amostra está em domínio privado e ainda precisa ser minuciosamente estudada por paleontólogos ou geoquímicos. Mas, se confirmada, a descoberta pode não apenas representar uma fonte antes desconhecida de valiosos fósseis, ela pode alterar nosso conhecimento sobre uma popular pedra preciosa.

Brammall sabe da amostra desde 2017 e também viu imagens de um segundo possível inseto em opala proveniente da mesma mina, em Java. Contudo, como ela apenas viu fotos e ainda não foram publicadas pesquisas científicas, ela diz que é difícil dar uma opinião bem informada sobre a amostra.
“Não tenho motivos para duvidar de sua autenticidade, a não ser pelo fato de ser tão improvável, mas temos que esperar e ver o que a ciência nos diz", diz Brammall. “Espero que seja autêntica, porque se for, vai revelar algumas coisas realmente fascinantes sobre a formação de opalas”.

Preenchendo lacunas

Um vendedor de opalas javanês encontrou a estranha amostra em 2015, e ela passou por diversas mãos antes de ser trazida por Brian T. Berger, um gemologista e negociante da Filadélfia, Pensilvânia. No começo, o próprio Berger tinha dúvidas quanto à autenticidade da amostra, então ele a enviou ao Instituto Gemológico da América (GIA) para análise. Os especialistas do instituto confirmaram para a National Geographic que acreditavam que a amostra era uma opala natural genuína que não havia sido adulterada.
"Eu achava que isso só podia ter sido falsificado", conta Berger. "Esse é algum tipo de novo tratamento ou algo do tipo, mas eu analisei a pedra, e tudo parecia estar de acordo… e o GIA confirmou os achados". Desde então, Berger escreve sobre a amostra em publicações em forma de blog para o projeto Entomology Today.

Diversos fósseis em opala foram encontrados em Lighting Ridge, na Austrália, apesar do processo lá ser diferente. Esses fósseis de "reposição" se formaram quando espaços no solo, uma vez ocupados por ossos e dentes, foram preenchidos por soluções de sílica que se tornaram opala, como geleia em um molde. Phil Bell, paleontólogo da Universidade de Nova Inglaterra em Armidale, Austrália, recentemente descreveu uma nova espécie de dinossauro a partir de fragmentos fósseis opalizados dessa maneira.

“Fósseis opalizados, sem dúvida, passaram por milhões de anos de história no subterrâneo, sendo amassados, aquecidos, entre outras coisas,” diz. Embora não seja impossível, ele demonstra não acreditar que um inseto possa ter sido preservado da mesma maneira.
Em vez disso, Berger e vários especialistas acreditam ser possível que a amostra seja feita de âmbar e que, de alguma forma, tenha sido opalizada.

“Meu instinto diz que parece um pedaço de âmbar embutido em opala,” comenta Ryan McKeller, que realiza pesquisas em fósseis em âmbar no Royal Saskatchewan Museum em Regina, Canadá. Madeira fossilizada em opala é comum em Java, o que sugere uma possível rota para a resina da árvore ter sido incrustada em opala.

“A opala normalmente preenche espaços”, diz McKeller. “Nesse tipo de cenário, uma tora pode ter sido opalizada, deixando seu conteúdo em âmbar revestido”. Uma amostra conhecida de âmbar canadense preencheu uma fenda em um pedaço de madeira e, subsequentemente, foi transformada em sílica do lado de fora, conta.

“A nova amostra pode ter passado por um processo semelhante, mas são apenas especulações até que as análises químicas sejam realizadas e os pesquisadores analisem bem a preservação do inseto”.

Aguardando a análise

Até que a amostra seja submetida a uma análise científica completa, muitos especialistas também estão relutantes em dar um palpite quanto ao tipo de inseto preso dentro dela.
Considerando a aparência enrugada das asas, pode representar uma forma adulta de um inseto com asas que havia saído recentemente de seu estágio de pupa, diz Ricardo Pérez-de la Fuente, paleoentomologista do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Mas ele enfatiza que é essencial que o inseto seja estudado formalmente antes que alguém possa oferecer “argumentos suficientemente críveis” sobre sua biologia.

Thomas van de Kamp, entomologista do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, é um dos especialistas que esperam estudar a amostra. Ele quer utilizar um síncrotron para tirar um raio-x detalhado e criar uma reconstrução em 3-D que proporcionará uma descrição abrangente do animal.
Muitos dos insetos fósseis conhecidos foram encontrados em âmbar e, por isso, provavelmente eram espécies que viviam em árvores. Se a amostra recém-descoberta tiver se formado apenas em opala, pode representar um raro vislumbre de uma criatura de um tipo diferente de ambiente.
“Portanto, outros tipos de insetos preservados em 3-D são extremamente valiosos para ampliar nossa visão”, afirma van de Kamp.

Berger diz que atualmente está em discussão com especialistas do museu e outros pesquisadores ao redor do mundo sobre uma colaboração para realizar um estudo científico na amostra. Após isso, diz, ele gostaria que a amostra fosse exibida em um museu.

“Posso vendê-la para um museu, posso doá-la ou posso ficar com ela e apenas emprestar para fins de exibição," diz. "Ainda não decidi”.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Gemologist Finds Insect Trapped in Opal Instead of Amber

 

 On a trip to Indonesia, gemologist Brian Berger purchased an opal that appeared to have an insect entombed inside. Insects trapped in amber are a common-enough sight, but in a slow-forming gemstone like opal?

“Some researchers weren’t sure it was possible,” Berger told Gizmodo. “Now we know it’s possible. Is it likely? Extremely unlikely.”

Berger had the stone analyzed by the Gemological Institute of America, which confirmed its authenticity. He published a blog in Entomology Today about his finding and is looking for entomologists to further analyze it.

Plants produce a sticky substance called resin mostly as a means to protect themselves. Under the right circumstances, the chemical structures of these resins can change over time, fossilizing into amber—occasionally trapping and preserving an insect inside.

This specimen probably started as a typical insect trapped in amber—but then it appears to have gone through a second process called opalization, where some of the amber turned into opal. Opals are essentially spheres of silicon dioxide with water combined into their chemistry. Organic specimens can turn into opal similar to the way fossilization turns bone into stone; paleontologists in Australia have recently found an opalized dinosaur fossil.
At least, this is what Berger speculates happened. How the specimen formed remains unclear.
The specimen
Photo: Brian Berger
 
 
One entomologist, Ryan McKellar, curator of invertebrate palaeontology at the Royal Saskatchewan Museum in Canada, told Gizmodo “it is a pretty neat find, and a bit puzzling.” Though commenting only on Berger’s blog post in Entomology Today, McKellar said it “definitely looks like an insect inclusion.” He noted that he’d seen a comparable specimen in Canada, where a piece of wood was partially embedded in resin and partially exposed to the surrounding environment. The amber preserved the wood, but silica replaced the organic matter outside the amber and turned it into petrified wood.
McKellar thought that perhaps this specimen was formed by a similar process, and said he’d be interested in the age of the deposit where it was found.
Meanwhile, well-known American entomologist George Poinar Jr. from Oregon State University remained cautious. He found the specimen “interesting,” but wanted to wait for an entomologist’s opinion before offering any further comment without examining the object himself.