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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tubarão fêmea surpreende cientistas ao dar à luz após 3 anos sem contato com macho


25 de Janeiro de 2017-
Mesmo sem a companhia de um macho, Leonie, tubarão fêmea da espécie Stegostoma fasciatum, botou três ovos com embriões (Foto: Tourism and Events Queensland)
Mesmo sem a companhia de um macho, Leonie, tubarão fêmea da espécie Stegostoma fasciatum, botou três ovos com embriões (Foto: Tourism and Events Queensland)
Mesmo com ausência de fertilização, Leoni, exemplar de uma espécie conhecida como tubarão zebra, botou três ovos com embriões que nasceram em 2015; é o primeiro caso de reprodução natural assexuada de tubarões que já acasalaram anteriormente.

Um tubarão fêmea foi capaz de reproduzir num aquário em Townsville, na Austrália, três anos após ter sido separada de macho da espécie.

Mesmo sem fertilização, Leonie, exemplar de uma espécie conhecida como tubarão-zebra, botou três ovos com embriões e deu à luz a Cleo, CC e Gemini.

É o primeiro caso registrado de troca natural de tipo de reprodução – de acasalamento por reprodução assexuada – envolvendo tubarões e o terceiro relatado entre todas as espécies de vertebrados, segundo o jornal britânico “The Guardian”.

A descoberta foi publicada na revista científica Nature no dia (16).

Capturada no mar em 1999, Leonie foi introduzida a um macho no aquário de Townsville, na costa Leste da Austrália, em 2006.
Cleo e CC são os primeiros caos relatados de filhotes de tubarão criados a partir apenas de uma fêmea que já havia acasalado anteriormente (Foto: Tourism and Events Queensland)
Cleo e CC são os primeiros caos relatados de filhotes de tubarão criados a partir apenas de uma fêmea que já havia acasalado anteriormente (Foto: Tourism and Events Queensland)
Dois anos depois, começou a botar ovos e teve várias ninhadas por acasalamento antes de ser separada de seu companheiro em 2012 – o aquário decidiu reduzir seu programa de criação à época.
Cleo e CC são os primeiros caos relatados de filhotes de tubarão criados a partir apenas de uma fêmea que já havia acasalado anteriormente.

O artigo da revista “Nature” explica que “partenogênese é uma forma natural de reprodução assexuada em que os embriões se desenvolvem na ausência de fertilização” e é mais comum em plantas e organismos invertebrados.

Os pesquisadores explicam que usaram testes de DNA para relatar “a primeira demonstração” de reprodução sem sexo em um tubarão que já havia acasalado anteriormente.
Filhote também reproduziu sem acasalamento.

De acordo com o artigo da “Nature”, Lolly – uma das filhotes fêmeas de Leoni concebidas com fertilização ainda no tempo em que ela dividia o aquário com um macho – também botou ovo com embrião sem ter convivido com um macho depois que atingiu a maturidade sexual.

“A demonstração da partenogênese nesses dois indivíduos com diferentes histórias sexuais fornece mais apoio para (a tese de) que os peixes elasmobrânquios são capazes de adaptar de forma flexível sua estratégia reprodutiva às circunstâncias ambientais”, diz o resumo do artigo.

Em 2014, funcionários do aquário de Townsville observaram que os ovos de Leonie e de sua filha Lolly tinham embriões. Tentaram incubá-los, mas não obtiveram sucesso.

No ano seguinte, Leonie e Lolly produziram ovos que continham embriões. Juntas, elas tiveram cinco filhotes vivos, dos quais dois (Cleo, que nasceu de Leonie, e Kitkat, que veio de um ovo de Lolly) permanecem em exposição no aquário de Townsville, segundo o “Guardian”.

O fato de algumas espécies de tubarão botarem ovos com embriões sem a presença de um macho não é algo atípico. Mas trata-se do primeiro registro de um tubarão que naturalmente trocou a forma de reprodução de fecundação por partenogênese.

Esperma armazenado por 4 anos

Os testes genéticos dos filhotes de Leonie que nasceram depois que ela foi separada do macho indicaram que eles são resultado da reprodução assexuada e não de esperma armazenado – tubarões fêmeas armazenam esperma vindo dos machos por até quatro anos.

“A maioria dos casos documentados de partenogênese facultativa em vertebrados foram registrados de fêmeas em cativeiro que não tiveram exposição a machos durante toda a sua vida reprodutiva”, salienta o artigo publicado na Nature.

Por isso, o caso de Leoni, que foi capaz de dar à luz após três anos sem acasalar com um macho, surpreendeu os cientistas.
Fonte: globo.com

terça-feira, 30 de junho de 2015

Filhotes sem pais

Relatos de casos de reprodução por partenogênese em tubarões e raias intrigam cientistas
 
Por: Márcio Luiz V. Barbosa Filho e Salvatore Siciliano
 Publicado em 29/06/2015 | Atualizado em 29/06/2015
 
Filhotes sem pais
Em 2001, cientistas observaram pela primeira vez a reprodução por partenogênese em um tubarão-martelo. Análises do DNA do filhote comprovaram que não houve contribuição de um macho em sua geração. (foto: Barry Peters / Flickr / CC BY 2.0) 
 
O Zoológico de Henry Doorly no Nebraska, Estados Unidos, foi palco de uma sensacional descoberta em 2001. Uma fêmea de tubarão-martelo deu à luz a um filhote sem que ela tinha tido contato anterior com qualquer macho da sua espécie. A história teve contornos trágicos, já que o filhotinho foi atacado e morto por uma raia mantida no mesmo tanque. Mas trouxe novidade para a ciência: refinadas análises genéticas no DNA do filhote do tubarão-martelo comprovaram que não havia contribuição paternal na sua geração, o que levava à tese de reprodução por partenogênese.

Geralmente, a partenogênese ocorre em seres invertebrados, como abelhas e mariposas, entre outros. A maioria dos vertebrados se reproduz de forma sexuada
A maioria dos vertebrados se reproduz de forma sexuada, em que há a contribuição de um óvulo (gameta feminino) e de um espermatozoide (gameta masculino) para a concepção da nova prole. No entanto, na natureza, alguns grupos animais apresentam a reprodução assexuada, em que não é preciso a contribuição de indivíduos de diferentes sexos para que os filhotes nasçam. Na partenogênese, modo de reprodução assexuada, ocorre o crescimento e desenvolvimento de um embrião sem que a fêmea seja fertilizada pelo macho, ou seja, existe a participação unicamente de um gameta feminino.

Nesse fenômeno, metade do material genético de uma fêmea se agrega a uma cópia idêntica, que também se encontra nas suas células. Assim, pode-se dizer que o embrião é um clone da mãe pela metade. Geralmente, a partenogênese ocorre em seres invertebrados, como abelhas e mariposas, entre outros, mas alguns animais vertebrados – como répteis, aves e peixes – também são capazes de se reproduzir desse modo. No final de 2006, causou sensação o artigo na conceituada Nature que relatava o nascimento de filhotes de dragões-de-Komodo a partir de fêmeas mantidas em diferentes instituições na Inglaterra. Como elas não tinham tido contato anterior com machos, por anos deduziu-se que foram capazes de produzir ninhadas a partir de ovos gerados por partenogêse. Alguns testes com o material genético dos filhotes confirmaram as suspeitas dos cientistas e provaram que os dragões-de-Komodo podem se valer dessa estratégia para manter suas reduzidas populações.
Dragão-de-komodo filhote
Dragões-de-komodo também são capazes de se reproduzir de maneira assexuada. Esse comportamento foi observado em 2006 em diferentes instituições na Inglaterra e confirmado pela análise genética dos filhotes. (foto: Neil / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)
  De volta aos tubarões e raias, são conhecidas suas diversas estratégias de reprodução sexuada, fruto de mais de 400 milhões de anos de evolução. Mas, a partir do ano de 2001, a ocorrência de alguns casos de reprodução assexuada por partenogênese em tubarões mantidos em cativeiro tem surpreendido os cientistas e aumentado ainda mais a fascinação que os seres humanos sentem por estes animais.
Foi observada pela primeira vez a ocorrência de partenogênese viável em peixes cartilaginosos em seu ambiente natural
 
Nos primeiros registros de partenogênese em tubarões, os filhotes quase sempre morriam com poucos dias de nascidos. Contudo, existem registros de filhotes de tubarões nascidos de reprodução por partenogênese que sobreviveram até cinco anos. Além disso, apenas muito recentemente, em 1º de junho de 2015, foi registrada a ocorrência de partenogênese viável em peixes cartilaginosos em seu ambiente natural. O caso foi descrito com a espécie de raia denominada peixe-serra-de-dentes-pequenos (Pristis pectinata), que hoje encontra-se criticamente ameaçada de extinção.

Testes genéticos de paternidade foram realizados em amostras de DNA provenientes de 190 exemplares de peixes-serra que vivem nos rios Caloosahatchee e Peace e na região das Ten Thousand Islands, na Flórida, Estados Unidos. Sete desses exemplares, todas fêmeas, eram altamente aparentadas entre si, com mais de 80% de índice de parentesco interno. Ou seja, as análises genéticas mostraram que eram praticamente cópias idênticas do DNA contido no óvulo de sua mãe, comprovando a partenogênese.

Os cientistas que fizeram esta descoberta discutem que a ocorrência facultativa de partenogênese na natureza pode estar relacionada a baixas densidades populacionais destes peixes e pode figurar como uma saída ao fato de as fêmeas não encontrarem machos para acasalarem.
Peixe-serra
Cientistas desconfiam que a reprodução por partenogênese em peixes-serra esteja relacionada à redução das populações deste animal na natureza. (foto: Catarina Chagas)
A ocorrência de partenogênese levanta questões importantes sobre a conservação do grupo. Como nos filhotes provenientes da partenogênese só existe material genético da mãe, esse tipo de reprodução diminui a variabilidade genética das populações, o que, por sua vez, reduz a capacidade destes animais de se adaptarem a ambientes que cada vez mais sofrem mudanças drásticas.

De maneira prudente, cientistas estão longe de realizar inferências detalhadas a respeito dos impactos que este fenômeno acarreta nas populações destes peixes. Todavia, é bem provável que mais e mais casos de reprodução assexuada em tubarões sejam registrados em um futuro próximo, o que irá nos esclarecer mais a este respeito. Além disso, por meio do desenvolvimento de novas técnicas em pesquisa genética e estudos populacionais detalhados, será possível saber com precisão as implicações evolutivas e ecológicas da reprodução por partenogênese em populações destes tão ameaçados e magníficos animais.

Márcio Luiz V. Barbosa Filho
Programa de Pós-graduação em Zoologia, Universidade Estadual de Santa Cruz

Salvatore Siciliano
Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz

terça-feira, 24 de julho de 2012

A flexibilidade sexual das fêmeas

Entre lagartos, nem sempre o macho é necessário para a reprodução
CARLOS FIORAVANTI | Edição 197 - Julho de 2012
© MIGUEL RODRIGUES
Calango da restinga: uma das poucas espécies brasileiras de lagartos formadas apenas por fêmeas

“Se Deus existe e tem sexo, certamente é mulher”, diz o biólogo Rodrigo Marques Lima dos Santos, entusiasmado ao ver o que os lagartos – ou melhor, os lagartos fêmeas – conseguem fazer.

Várias espécies de lagartos exibem formas surpreendentes de se reproduzirem. As fêmeas geram filhotes de modo assexuado, sem a participação de qualquer macho. São independentes, mas não são radicais: em algumas espécies, se um macho passa por perto, permitem a cópula e podem ser fecundadas. A autonomia reprodutiva chega a tal ponto que em algumas espécies só existem fêmeas, que se reproduzem de um modo assexuado conhecido como partenogênese, que parece ser mais flexível do que se pensava.
Biólogos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), estudando diferentes aspectos da partenogênese, concluíram que alterações em um gene conhecido como c-mos poderiam permitir a transformação das células reprodutoras femininas (óvulos) em embrião, mesmo sem um espermatozoide.

Rodrigo Santos entrou na pista desse mecanismo em seu doutorado, enquanto estudava os lagartos teídeos, grupo que inclui espécies de 10 centímetros de comprimento até os teiús, de até um metro e meio de comprimento. Sem esperar, ele começou a ver mutações no gene c-mos em grupos com espécies partenogenéticas. Em 2008 ele começou a trabalhar com Andréa Balan, do LNBio, para modelar as formas da proteína produzida pelo c-mos nos lagartos e em cobras e, em conjunto, identificaram mutações em um dos quatro sítios ativos (pontos de interação) da proteína, reforçando as hipóteses iniciais.
O gene c-mos produz uma proteína que bloqueia o final da divisão celular do óvulo até a chegada do espermatozoide. A célula sexual masculina, ao fertilizar o óvulo, desativa a proteína, a divisão celular termina e um embrião se forma. A hipótese dos pesquisadores é que, quando sofre alterações, o c-mos não funciona direito e pode fazer com que o óvulo continue a se dividir, mesmo sem o espermatozoide. Eles acreditam que defeitos nesse gene poderiam atenuar o bloqueio da divisão do óvulo e permitir que outros estímulos, como hormônios, reativem a divisão celular.

Se avançar, esse trabalho poderá elucidar um dos mecanismos da partenogênese. Hoje mal se sabe como surgiram as espécies de lagartos capazes de se reproduzirem de modo assexuado – e menos ainda como elas adquiriram e mantêm essa habilidade. De acordo com a hipótese mais aceita, cobras e lagartos partenogenéticos podem ser resultado do cruzamento entre espécies próximas.
© MIGUEL RODRIGUES
Iguais por fora, geneticamente diferentes: os Leposoma percarinatum podem ser diploides...

O Leposoma percarinatum, uma das espécies encontradas no Brasil, está mostrando o alcance desse labirinto genético. Os lagartos dessa espécie, reconhecida como partenogenética em 1952, têm no máximo cinco centímetros de comprimento e vivem entre folhas nas matas de uma região ampla – da Venezuela até o norte do estado de Mato Grosso, dos Andes até o leste do Pará. Uma hipótese apresentada nos anos 1970 sugere que o L. percarinatum seria o resultado do cruzamento entre duas espécies diferentes, Leposoma guianense e L. parietale, encontradas em florestas úmidas da América do Sul.

Katia Pellegrino, da Unifesp, e Miguel Rodrigues, da USP, encontraram uma situação inusitada: as fêmeas de Leposoma percarinatum eram praticamente iguais por fora, mas apresentavam uma espantosa diferença do ponto de vista genético. Algumas fêmeas, as diploides, tinham 44 cromossomos (dois conjuntos iguais de 22 cromossomos) em cada célula, enquanto as triploides tinham 66 cromossomos (três conjuntos de 22).
“Dentro do que se supunha ser uma mesma espécie existem duas linhagens diferentes, que nos permitirão reconstruir sua história e seus mecanismos de origem”, Katia concluiu. Para ela, a variedade triploide deve ter surgido de outro evento de hibridização entre a forma diploide de L. percarinatum e L. osvaldoi, já que L. guianense não ocorre tão ao sul do país.

Às vezes surgem bichos que desfazem as explicações que estavam se formando. De uma viagem ao arquipélago de Anavilhanas, no rio Negro, Rodrigues trouxe exemplares de Leposoma guianense, e alguns indivíduos que se revelaram pertencer a um novo clone de Leposoma percarinatum e outros diferentes a ponto de representarem uma nova espécie, que ganhou o nome de Leposoma ferrerai – todos diploides, vivendo no mesmo espaço.

O calango da restinga, ou Cnemidophorus nativo, uma das poucas espécies exclusivamente partenogenéticas de lagartos brasileiros – e ameaçada de extinção –, é apenas diploide, de acordo com as análises de Santos. Encontrados nas matas do norte do Espírito Santo e do sul da Bahia, esses animais pertencem a uma família irmã à dos Leposoma, mas podem chegar a 30 centímetros de comprimento. Segundo Santos, outras espécies partenogenéticas que vivem na Amazônia, como Cnemidophorus lemniscatus e Gymnophthalmus underwoodi, parecem mesclar populações diploides e triploides.
© MIGUEL RODRIGUES
...ou triploides
Os biólogos trabalham com a possibilidade de a partenogênese não formar apenas clones da mãe, mas também permitir alguma variabilidade genética, embora menor que a da reprodução sexuada, por meio da recombinação entre os cromossomos do óvulo. “Um estudo recente mostrou que uma cobra, por partenogênese, gerou um filhote albino, indicando que há, sim, recombinação genética mesmo na reprodução assexuada”, argumenta Santos. “A origem espontânea da partenogênese, uma hipótese alternativa à teoria híbrida, não pode ser descartada em Leposoma e Cnemidophorus, uma vez que esse mecanismo já foi sugerido para exemplares de Gymnophthalmus underwoodi de Roraima”, acrescenta Katia.

Abraço indispensável
Santos cogita que o Cnemidophorus nativo possa ter um comportamento similar ao dos lagartos do gênero Aspidoscelis. Encontrados em regiões desérticas da Ásia e América do Norte, os Aspidoscelis só começam a formar embriões depois de um abraço, que os biólogos chamam de pseudocópula. Uma delas, detectando o toque ou o raspão da outra, deve ativar a liberação de hormônios que desbloqueiam o c-mos, acreditam os biólogos da USP.

“Para algumas espécies partenogenéticas do gênero Aspidosceles se reproduzirem”, comenta Santos, “a cópula entre as fêmeas é obrigatória”. David Crews e Jon Sakata, da Universidade do Texas, Estados Unidos, mostraram em 2000 que as fêmeas abraçadas apresentavam um ciclo hormonal inverso, uma com altos níveis de estrógeno, hormônio mais abundante nas fêmeas, e outra com altos níveis de testosterona, produzida mais intensamente pelos machos.
Em 2011, pesquisadores da Universidade de Kansas, Estados Unidos, conseguiram induzir a hibridação e confirmar que a reprodução sexuada pode formar uma espécie partenogenética ao cruzarem duas espécies de Aspidosceles. Fazer uma fêmea partenogenética se reproduzir em laboratório, sozinha ou sob o aconchego de outra fêmea, porém, permanece um dos sonhos dos biólogos.
Entre as 5.634 espécies de lagartos já identificadas, cerca de 40 são partenogenéticas – e geralmente vivem em regiões de florestas tropicais ou de climas desérticos da Ásia ou Oceania. “A reprodução por partenogênese resulta em uma variabilidade genética menor que a reprodução sexual, mas pode ser uma resposta adaptativa de sobrevivência a ambientes extremos”, comenta Yatiyo Yassuda, geneticista especializada em genética de lagartos que acompanha o estudo sobre as possíveis origens da partenogênese.

Os Projetos
1 Sistemática e evolução da herpetofauna neotropical – nº 2003/10335-8
2 Diversidade genética em espécies unissexuais e bissexuais de Cnemidophorus do grupo Ocellifer (Teiinae) e caracterização estrutural da proteína Mos nos Squamata – nº 2008/56444-6
3 Estudos citogenéticos e moleculares em lagartos microteídeos (Squamata, Gymnophthalmidae) com ênfase em espécies
do gênero Leposoma das florestas amazônica e atlântica – nº 1998/05289-7
   
Modalidade
1 Projeto Temático
2 e 3 Bolsa de Pós-doutorado
Coordenadores
1 Miguel Trefaut Rodrigues – USP
2 Rodrigo Marques Lima dos Santos – USP
3 Katia Cristina Machado Pellegrino – Unifesp
Investimento
1 R$ 975.589,35
2 R$ 277.872,66
3 R$ 37.720,00
      
Na década de 1980, Yatiyo enfrentou um problema semelhante e, a muito custo, conseguiu convencer outros geneticistas de que os lagartos do gênero Tropidurus apresentavam diferenciação sexual – os machos tinham um cromossomo diferente do das fêmeas, mas, de tão pequeno, era quase imperceptível. Muitas espécies de lagartos apresentam o mesmo conjunto de cromossomos e se diferenciam sexualmente por meio de genes desconhecidos ou da variação de temperatura enquanto se desenvolvem – se mais alta, pode favorecer o desenvolvimento de embriões machos em algumas espécies ou fêmeas, em outras.
A sala de Yatiyo, onde Santos conta de seu trabalho, exibe algumas pinturas de flores, algumas figurativas, outras abstratas. “Esse foi o começo. Já pintei mais de 300 quadros depois que me aposentei”, diz ela, imaginando o sol que pretendia pintar no dia seguinte, um sábado. “Mas ainda venho para cá todos os dias.”

Clonagem induzida
“A partenogênese meiótica é uma forma de clonagem natural com algumas semelhanças à clonagem induzida para reprodução de animais de interesse comercial”, observa. Em 2004, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal indicaram que o etanol e o elemento químico estrôncio podem induzir os óvulos de vacas a seguir a divisão celular, funcionando como um estímulo externo análogo à célula sexual masculina.
Do mesmo modo, os óvulos de animais experimentais como a ovelha Dolly só se desenvolveram depois de terem recebido um choque elétrico, que deve desativar o c-mos. Santos acredita que a partenogênese, se puder ser regulada, poderia ajudar na pecuária ou na conservação de espécies silvestres em risco de extinção. “Os mamíferos têm mecanismos que evitam a partenogênese, como o imprinting”, observa. Outra aplicação seria médica, já que mutações nesse gene poderiam fazer os óvulos se dividir sem controle, originando tumores.

Se avançarem, os biólogos talvez encontrem respostas novas para duas perguntas básicas da biologia. A primeira: para que serve o sexo? A outra: qual a vantagem da reprodução sexuada? Segundo Santos, a reprodução sexuada exige que dois organismos se encontrem para formar filhotes, enquanto na partenogênese apenas um organismo já é o bastante para gerar outro. E nem sempre a variabilidade genética trazida pela reprodução sexuada é benéfica para as espécies, argumentam os biólogos.
“A reprodução sexuada é melhor para ambientes em transformação, com alto risco de predação e doenças, mas é ruim em ambientes estáveis e populações saudáveis, pois um indivíduo bem adaptado pode formar filhotes mal adaptados”, diz ele. “Em ambientes estáveis, a reprodução clonal, como se faz com animais de criação e plantas, resultando em filhotes com rendimento ótimo, é a mais indicada.”

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Occasional males in parthenogenetic populations of Asobara japonica (Hymenoptera: Braconidae): low Wolbachia titer or incomplete coadaptation?

B M Reumer, J J M van Alphen and K Kraaijeveld
Wolbachia are endosymbiotic bacteria known to manipulate the reproduction of their hosts. Some populations of the parasitoid wasp Asobara japonica are infected with Wolbachia and reproduce parthenogenetically, while other populations are not infected and reproduce sexually. Wolbachia-infected A. japonica females regularly produce small numbers of male offspring. Because all females in the field are infected and infected females are not capable of sexual reproduction, male production seems to be maladaptive. We investigated why these females nevertheless produce males. We tested three hypotheses: high rearing temperatures could result in higher offspring sex ratios (more males), low Wolbachia titer of the mother could lead to higher offspring sex ratios and/or the Wolbachia infection is of relatively recent origin and not enough time has passed to allow complete coadaptation between Wolbachia and host. In all, 33% of the Wolbachia-infected females produced males and 56% of these males were also infected with Wolbachia. Neither offspring sex ratio nor male infection frequency was significantly affected by rearing temperature or Wolbachia concentration of the mother. The mitochondrial DNA sequence of one of the uninfected populations was identical to that of two of the infected populations. Therefore, the initial Wolbachia infection of A. japonica must have occurred recently. Mitochondrial sequence variation among the infected populations suggests that the spread of Wolbachia through the host populations involved horizontal transmission. We conclude that the occasional male production by Wolbachia-infected females is most likely a maladaptive side effect of incomplete coevolution between symbiont and host in this relatively young infection.