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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

 

Evidência pós-craniana de bipedalismo hominíneo do Mioceno tardio no Chade

Abstrato

A locomoção bípede é uma das principais adaptações que definem o clado dos hominídeos. Evidência de bipedalismo é conhecida a partir de restos pós-cranianos de hominídeos do Mioceno tardio há 6 milhões de anos (Ma) na África Oriental 1 , 2 , 3 , 4 . A bipedalidade do Sahelanthropus tchadensis foi até então inferida em cerca de 7 Ma na África central (Chade) com base em evidências cranianas 5 , 6 , 7 . 

Aqui apresentamos evidências pós-cranianas do comportamento locomotor de S. tchadensis, com novos insights sobre o bipedismo no estágio inicial da história evolutiva dos hominídeos. 

O material original foi descoberto na localidade TM 266 da área fossilífera de Toros-Ménalla e consiste em um fêmur esquerdo e duas ulnas direita e esquerda. A morfologia do fêmur é mais parcimoniosa com bipedalidade habitual, e as ulnas preservam evidências de comportamento arbóreo substancial. 

Tomados em conjunto, esses achados sugerem que os hominídeos já eram bípedes por volta de 7 Ma, mas também sugerem que a escalada arbórea provavelmente era uma parte significativa de seu repertório locomotor.


https://www.nature.com/articles/s41586-022-04901-z

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Conflitos armados causam extinção de espécies no deserto do Saara


Conflitos armados ameaçam a existência da gazela-dorcas (Foto: Divulgação)
Dos 14 animais selvagens de grande porte que habitam a região, 12 estão classificados atualmente como extintos ou ameaçados de extinção.

Um estudo realizado pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto, em Portugal, concluiu que conflitos armados estão provocando a extinção de animais silvestres que habitam o deserto do Saara e também do Sahel.

Os desertos abrangem partes da Argélia, Burkina-Faso, Chade, Egito, Eritreia, Líbia, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Sudão e Tunísia, locais onde ocorrem 5% dos conflitos mundiais, segundo a pesquisa.

O aumento do acesso a áreas anteriormente remotas, da disponibilidade de armas de fogo e das atividades de exploração de recursos naturais – especialmente na Argélia, Egito, Líbia e Níger – “amplificaram dramaticamente o impacto das atividades de caça”, de acordo com o estudo.

Dos 14 animais selvagens de grande porte que habitam a região, 12 estão classificados atualmente como extintos ou ameaçados de extinção. Três deles foram foco do estudo, publicado na revista científica Conservation Letters: a gazela-dorcas, o adax e o elefante africano. A redução do número de adax é a única que tem relação com a exploração petrolífera, no caso dos outros dois animais, a ameaça às espécies é o aumento dos conflitos.

Segundo o investigador do CIBIO-InBIO, José Carlos Brito, os resultados do estudo mostram o “declínio catastrófico da vida selvagem na região”, o que pode ser agravado ainda mais com o aumento de ataques promovidos por grupos extremistas, sequestros, escravidão e contrabando de armas e drogas.

Para que a biodiversidade dos desertos do Saara e do Sahel sejam conservadas, explica o investigador, é preciso incentivar a valorização da natureza, o uso sustentável dos recursos naturais e a criação de sanções, sendo crucial a conscientização de comunidades locais a respeito da importância cultural, econômica e ecológica da biodiversidade. A nível nacional, é necessário que seja realizada uma mudança de postura por parte dos países que produzem e comercializam armas e munições.

“É importante compreender o círculo vicioso estabelecido entre comércio de armas, conflitos, migração e risco de extinção das espécies selvagens. As interferências de países terceiros nas zonas de conflito, como o caso das ações militares da União Europeia e Estados Unidos no conflito da Líbia, não consideram os riscos e consequências a longo prazo para as populações humanas e biodiversidade”, reforça o investigador.

Brito lembra ainda que é preciso integrar a proteção animal às estratégias de paz, desarmar civis, milícias e grupos extremistas e restringir o acesso às armas e munições. “As autoridades religiosas islâmicas, em particular, têm a credibilidade para reformular as atitudes éticas em relação à biodiversidade e para incutir modos de vida favoráveis ao meio ambiente”, defende Brito.

A longo prazo, o investigador afirma que é preciso estabelecer um equilíbrio entre conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. Para isso, Brito explica que é fundamental que os “cientistas empenhados na conservação colaborem com agentes políticos e investigadores focados na vertente militar, em busca de soluções inovadoras para os desafios que se colocam às regiões em conflito”.
Fonte: www.anda.jor.br