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terça-feira, 14 de março de 2017

Bichos nativos resistem em "ilhas" de florestas em SP
 
Leia reportagem com pesquisadores da Unesp na Folha de S. Paulo
REINALDO JOSÉ LOPES - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
10/03/2017
O mar de cana-de-açúcar que se apossou do interior paulista desde os anos 1970 não foi suficiente para varrer do mapa os bichos nativos do Estado, revela um levantamento feito por pesquisadores da Unesp de Rio Claro.

Somados, os fragmentos de mata atlântica que ainda existem em meio à cana abrigam pelo menos 90% dos mamíferos de médio e grande porte encontrados originalmente no Estado.

É claro que a situação está longe de ser um mar de rosas: as espécies que precisam de grandes áreas de mata fechada, como as antas e queixadas (o maior suíno selvagem do país), já são bastante raras. Mas, para os pesquisadores, o fato de que extinções propriamente ditas ainda não tenham ocorrido em solo paulista, mesmo com a magnitude da intervenção humana, sugere que é possível reconstruir a conexão entre muitos fragmentos de mata e, desse modo, aumentar as chances de sobrevivência dessas espécies a longo prazo.

A pesquisa, assinada pela ecóloga Gabrielle Beca, pelo professor Mauro Galetti e por outros colegas da Unesp, do Reino Unido e da Dinamarca, avaliou a biodiversidade de 22 áreas (cada uma delas medindo 1.250 hectares) espalhadas por grande parte do interior de São Paulo. Todas essas áreas abrigam resquícios de floresta estacional semidecidual (ou seja, que perde parcialmente suas folhas na estação seca), que é o tipo mais ameaçado de mata atlântica (por isso, as áreas de floresta da serra do Mar e do litoral, mais úmidas, não entram na análise).

MATRIZ COMPLICADA

Outro ponto em comum entre as 22 áreas é que a chamada matriz (nome dado ao ambiente gerado pelo homem que circunda os fragmentos de mata) é quase sempre formada por vastas plantações de cana.

Esse detalhe é importante por conta do que os cientistas chamam de permeabilidade da matriz para as espécies da floresta. Nem todas têm desenvoltura ou capacidade para deixar o abrigo das árvores e atravessar um canavial em busca de comida ou de um parceiro para se acasalar num fragmento de mata distante de seu lar.

Tais problemas de permeabilidade da matriz, quando somados à presença de fragmentos muito pequenos de mata, podem fazer com que determinada espécie tipicamente florestal acabe desaparecendo, sendo substituída por bichos mais versáteis ou típicos de ambiente aberto – esses costumam ter mais facilidade para atravessar plantações de cana, pastos ou outros tipos de matriz.

As áreas escolhidas para o estudo apresentam grande variedade de graus de cobertura florestal, entre apenas 3% de mata até 96% de território com floresta. Para mapear a presença dos bichos, foram usados dois métodos: oito armadilhas fotográficas por região (que clicam automaticamente os animais que passam por perto), funcionando durante um mês inteiro; e expedições de campo procurando fezes, pegadas, tocas e mesmo bichos mortos. Os dados foram coletados entre janeiro de 2014 e setembro de 2015.

DA ANTA AO JAVAPORCO

O normal seria encontrar 31 espécies de mamíferos de grande e médio porte nas matas da região estudada. Bem, os cientistas acharam 29 –mas estão incluídas nessa conta duas espécies exóticas, o cão doméstico e o javaporco (cruzamento de porco doméstico com javali, um híbrido que tem se tornando uma praga no país).

Em média, cada área tinha pelo menos 11 espécies (mínimo de sete, máximo de 18). Entre os mais comuns estavam o tatu-galinha (presente em todos os lugares), o quati e o guaxinim, enquanto a lista dos mais raros é encabeçada por bichos como o cachorro-vinagre (achado numa única área) e a queixada (em duas). Como seria de esperar, as áreas mais ricas em espécies tinham cobertura florestal mais ampla (entre 95% e 55% do total do território), e o contrário ocorria nas áreas com baixa cobertura vegetal.

No levantamento, quatro espécies importantes não foram achadas: onça-pintada, lontra, gato-maracajá e furão-pequeno. Outros estudos da mesma equipe, no entanto, indicam que esses bichos também aparecem em pelo menos alguns dos lugares estudados, apesar de já serem raros.

De maneira geral, o que os pesquisadores enxergaram não foi uma perda geral de biodiversidade, mas um processo de acomodação no qual, em vários casos, a riqueza de espécies total foi mantida graças à colonização do ambiente por espécies mais generalistas ou de ambientes mais abertos. É o caso do lobo-guará, bicho do cerrado que tem colonizado áreas fragmentadas de mata atlântica.

Para minimizar esse processo, um bom caminho seria permitir que pastagens degradadas, que pouco rendem em termos econômicos, voltassem a abrigar mata. Esse tipo de pastagem está presente em grande quantidade em todos os locais estudados pela pesquisa. "É um cenário positivo", declarou Galetti em comunicado. Bastaria cumprir a lei atual –o Código Florestal, que determina a manutenção da mata em torno de cursos d'água e topos de morro, bem como uma reserva de floresta em 20% das propriedades rurais– para que a situação dessas espécies se tornasse mais segura, diz ele.

O estudo será publicado na revista científica "Biological Conservation".

A biodiversidade resiste


Espécies paulistas são encontradas em meio à cana, mas isolamento é perigoso

A região do estudo
Foram analisadas 22 áreas do interior do Estado de São Paulo, cada uma delas medindo 1.250 hectares. Nelas, havia fragmentos florestais cercados de plantações de cana. Os trechos de mata podiam corresponder a algo entre 3% e 96% da área total



  Editoria de Arte/Folhapress  
As regiões do estudo
As regiões do estudo

O que os pesquisadores procuravam
Indícios da presença das 31 espécies de mamíferos de médio e grande porte naturalmente nativas da mata atlântica nessa região

Como flagraram os bichos
Por meio de armadilhas fotográficas (câmeras que disparam automaticamente na presença do animal) e análises de campo buscando fezes, pelos, animais mortos etc.

Resultados
- Mesmo com a presença maciça da cana, 90% das espécies esperadas foram achadas em ao menos alguns fragmentos de mata
- Em média, havia 11 espécies por área (mínimo de 7, máximo de 18)
- Os mais comuns: tatu-galinha, quati e guaxinim
- Os mais raros: cachorro- vinagre e ouriço-cacheiro

A principal boa notícia
Apesar de todo o impacto agrícola em solo paulista, ainda não aconteceram extinções de mamíferos que afetem o Estado todo. O esforço agora deve se concentrar na criação de corredores ecológicos que conectem as populações da fauna.


segunda-feira, 6 de março de 2017

A fauna que sobrevive nas florestas nas plantações de cana
 
Pesquisadores da Unesp publicam na revista Biological Conservation
Assessoria de Comunicação e Imprensa
06/03/2017
Registro de Tamanduá Bandeira (Myrmecophaga tridactyla) com seu filhote no município de Magda.
 
Finalmente uma boa notícia para o meio ambiente: pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP) do Instituto de Biociências de Rio Claro publicaram essa semana na revista inglesa Biological Conservation um censo com de mamíferos em 22 remanescentes florestais circundadas por monocultura de cana-de-açúcar em São Paulo. 
 Através da instalação de câmeras automáticas nas florestas os pesquisadores encontraram 29 espécies de mamíferos, incluindo anta, tamanduá-bandeira, onça e veados. Segundo a pesquisadora responsável, Gabrielle Beca, isso equivale a 90% dos mamíferos esperados para a região do estado de São Paulo. "Quando consideramos todas as 22 áreas que trabalhamos, vimos que não houve extinções na escala regional. 

No entanto, quando olhamos para cada floresta separadamente, observamos que houve a extinção de 50% a 80% dos mamíferos. Ou seja é uma boa e má notícia ao mesmo tempo", comenta Beca. “Ficamos surpresos em encontrar tantas espécies em florestas esquecidas no meio da cana”, diz Beca. “Mas uma coisa também ficou clara, quanto maior a floresta, mais animais raros ela possui, como onça pintada, antas e queixadas” completa Beca.

“Esse trabalho mostra que ainda existe uma chance de conservarmos toda a fauna de mamíferos grandes se conectarmos todos esses fragmentos em corredores ecológicos”, comenta o Professor Mauro Galetti, orientador da pesquisa.

Apesar dessa boa notícia, os pesquisadores também mostram que muitas florestas estudadas possuem o javaporco e cães domésticos que podem trazer muitos danos a biodiversidade e as outras espécies. “O javaporco se tornou uma praga no Brasil e se não for controlado haverá um enorme problema para a agricultura, saúde pública e mesmo para a biodiversidade”, comenta Felipe Pedrosa, um dos autores do trabalho. “O javaporco, além de invadir plantações, e é uma das principais presas dos morcegos vampiros, que transmitem a raiva” complementa Felipe.

Agora os pesquisadores pretendem mapear possíveis áreas para criar os corredores ecológicos. “Sem a criação de corredores ecológicos, essa fauna ficará ilhada e com o tempo poderá ocorrer extinções de várias espécies” complementa o Professor Milton Ribeiro do Instituto de Biociências da UNESP.

"Nesse cenário positivo, em que nenhuma extinção regional foi registrada, o simples cumprimento do Código Florestal e a criação de corredores ecológicos é fundamental para a conservação da fauna de mamíferos ", comenta Galetti. “Temos que replantar corredores e incentivar o cumprimento do Código Florestal e assim podemos ter agricultura e meio ambiente saudável ao mesmo tempo”, completa Ribeiro.

“Esse estudo pode trazer um enorme alento para os ambientalistas e para os produtores de cana, mas também temos que trabalhar rápido para criar esses corredores” completa Galetti. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo `a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

No estudo também participaram Maurício H. Vancine, Carolina S. Carvalho, Felipe Pedrosa, Rafael Souza, C. Alvez, Daiane Buscariol, Milton Cezar Ribeiro do Departamento de Ecologia da UNESP de Rio Claro, e Carlos A. Peres da Universidade de East Anglia da Ingalterra.

Contato:

Gabrielle Beca, aluna de doutorado na UNESP Rio Claro - gabrielle.beca@gmail.com (Fone: +55 19 992426008)

Mauro Galetti, professor da UNESP Rio Claro - mgaletti@rc.unesp.br (Fone +55 19 35264236)

Milton Cezar Ribeiro – professor da UNESP Rio Claro - mcr@rc.unesp.br

Beca, G,. Vancine, M.H, Carvalho, C,S,. Pedrosa, F., Alves, R.S.C., Buscariol, D., Peres, C.A., Ribeiro, M.C. 2017. High mammal species turnover in forest patches immersed in biofuel plantations. Biological Conservation.

A publicação está acessível em
http://dx.doi.org/10.1016/j.biocon.2017.02.033

mapa_beca-et-al-2017.jpg

Localização de paisagens (pontos pretos) em remanescentes de Mata Atlântica, no estado de São Paulo. As paisagens estão numeradas e apresentadas no sentido horário, em ordem da quantidade de cobertura florestal (verde).

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Abundância de morcegos vampiros deve aumentar
Um dos motivos é a invasão de javalis
[04/11/2016]
O que acontece com a vida silvestre, meio ambiente e os habitantes rurais quando ameaças bem conhecidas como javalis, morcegos vampiros e doenças virais interagem de maneira sem precedentes? Um grupo de pesquisadores brasileiros investigando essa questão publicou um artigo na revista americana Frontiers in Ecology and the Environment mostrando que a abundância de morcegos vampiros e as ameaças associadas a eles deve aumentar devido a invasão dos javalis.

O Brasil está enfrentando uma invasão de javalis (e javaporcos) sem precedentes na zona rural, com um aumento de 500% desde o último registro em 2007. “Javalis e javaporcos estão se tornando os mamíferos dominantes na Mata Atlântica” diz o coautor Felipe Pedrosa, ecólogo da Unesp de Rio Claro. [Javalis, javaporcos e porcos monteiros são todos da mesma espécie do porco doméstico (Sus scrofa). Sua distribuição natural se dá principalmente na Europa e Ásia, mas foi introduzido na Austrália, América do Sul e EUA incluindo Hawaii. Javalis e demais suídeos (porcos) em estado asselvajado são considerados uma das piores espécies exóticas do mundo].

À medida que a população de javalis aumenta, danos à agricultura (milho, cana, soja) e predação de aves nativas e mamíferos também aumenta. Ainda pior, sendo presa favorita dos morcegos vampiros, o número crescente de javalis fornece uma fonte sempre crescente de sangue, o que pode potencialmente aumentar a população dos morcegos. Na América tropical, morcegos vampiros são uma ameaça à produção pecuária e à saúde humana, devido ao seu papel como reservatório de uma série de doenças infecciosas. A mais séria é a raiva, uma doença viral mortal que é transmitida pela saliva do morcego durante a mordida nos animais de cujo sangue se alimenta. Entre morcegos vampiros, a raiva tem uma prevalência estimada de 1.4% (3 em cada 200 morcegos estão infectados). Devido aos morcegos vampiros serem relativamente raros na natureza, e programas de vacinação de gado e cães serem praticados no Brasil, as chances de contágio de raiva entre populações humanas é baixa.

No entanto, observações feitas pelos pesquisadores brasileiros alerta para o potencial aumento nos casos de raiva entre habitantes rurais. Os pesquisadores estavam interessados primeiramente no monitoramento da vida silvestre com armadilhas fotográficas, e para esse fim, usaram o modo gravação de vídeo entre um grande número de localidades rurais no Pantanal e na Mata Atlântica. “Durante a análise de mais de 10 mil fotos e vídeos, notamos alguns morcegos vampiros alimentando-se em javalis, antas e veados. Nossa impressão inicial era de que esses eventos eram raros, mas após calcular a probabilidade desses animais serem atacado, ficamos chocados” diz Mauro Galetti, primeiro autor e professor de ecologia na Unesp - Rio Claro.

Os pesquisadores calcularam que a porcentagem de encontros entre os morcegos vampiros e os javalis é alta, em torno de 10% para todas as noites de registros. As consequências principais, de acordo com os autores, é o potencial aumento de surtos de raiva entre vida silvestre, pecuária e populações rurais, à medida que as populações de javalis e morcegos aumentam.

 Além disso, a transmissão de raiva para caçadores de javalis que limpam a carcaça dos animais não pode ser ignorada. “Para os animais nativos que são mordidos por morcegos vampiros, como antas, veados e capivaras, existe também o potencial de transmissão de outras doenças virais existentes nos javalis” diz Alexine Keuroghlian, coautora e bióloga da conservação da Wildlife Conservation Society - Brasil. Devido às políticas de controle de espécies exóticas serem mal definidas no Brasil, é provável que a população de javalis continue crescendo e, como resposta, as populações morcegos vampiros também deve crescer. “Ficamos surpresos em ver tantos vídeos e fotos de morcegos vampiros alimentando-se nos javalis” diz Ivan Sazima, coautor e zoólogo especialista em biologia de morcegos, da UNICAMP.

O estudo conclui que a invasão de javalis na Mata Atlântica e Pantanal representa uma séria ameaça, e existe uma necessidade urgente de desenvolver e implementar medidas efetivas de controle. Devido ao Brasil enfrentar uma crise política e financeira, incluindo severos cortes no orçamento do ministério do meio ambiente, o futuro dos javalis e dos morcegos vampiros continua por resolver, criando sérias consequências para a vida silvestre nativa, o meio ambiente e as populações rurais. Embora o controle de javalis e javaporcos por caçadores seja uma atividade legalizada, cientistas são céticos se esse tipo de medida posde acarretar maior ameaça à vida selvagem. “Nosso maior desafio é permitir o controle dos javalis sem indiretamente incentivar a caça ilegal de vida silvestre nativa”, diz Mauro Galetti.

O artigo é assinado por Mauro Galetti e Felipe Pedrosa da Unesp - Rio Claro, Alexine Keuroghlian da Wildlife Conservation Society - Brasil e Ivan Sazima da Unicamp.
Referência do artigo:
“Vampire bats feeding on invasive feral pigs and two native ungulates”. Galetti et al. Unesp – Rio Claro. Revista: Frontiers in Ecology and the Environment.  1 Nov de 2016 

Contatos dos pesquisadores

Mauro Galetti, Biólogo, professor da Unesp- Rio Claro e Aarhus Universitet - Denmark, mgaletti@rc.unesp.br

Felipe Pedrosa, Ecólogo, UNESP-Rio Claro, 5519 985205761, fepedrosa.eco@gmail.com   
Alexine Keuroghlian, Bióloga da Conservação, WCS-Brasil, +55 067 999062964, akeuroghlian@wcs.org
Ivan Sazima, Zoólogo, professor da Unicamp, isazima@gmail.com

Outros especialistas em javalis

Dr. Clarissa Alves da Rosa (alvesrosa_c@hotmail.com)

Mais informações sobre javalis

https://taxo4254.wikispaces.com/Sus+Scrofa+-+Wild+Boar
https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1H_1mIr-hy990jMyQRZnOzp7fyPY&hl=en_US
PEDROSA, F., R. SALERNO, F. V. B. PADILHA, AND M. GALETTI. 2015. Current distribution of invasive feral pigs in Brazil: economic impacts and ecological uncertainty. Natureza & Conservação 13: 84-87.
Artigo:Galetti, M.; Pedrosa, F., Keuroghlian, A. and Sazima, I. 2016. Liquid lunch – vampire bats feed on invasive feral pigs and other ungulates. Frontiers of Ecology and Environment.
Mapa da distribuição dos morcegos vampiros nas Américas em
https://en.wikipedia.org/wiki/Common_vampire_bat

sábado, 7 de maio de 2016

10 animais híbridos incríveis que existem de verdade

Por Marcus V. Cabral

Parece história de ficção científica: cruzar um golfinho com uma baleia ou um leão com um tigre e ver o que vai dar. Mas é a realidade. Existem várias espécies que foram cruzadas com outras por cientistas ou criadores, o que fez surgir bichos bem diferentes. A maioria desses animais não consegue se reproduzir ou tem problemas para sobreviver, mas alguns deles acabam se revelando mais fortes, dóceis ou sociáveis do que os originais. Conheça 10 desses animais híbridos que existem hoje.

10. Ligre ou Tigreão 
Liger-animais-hibridos
Sabe o que acontece quando você cruza um leão com uma tigresa? O maior felino do mundo. Os Ligres podem ter até 4 metros de comprimento e pesam perto de 1 tonelada, o dobro de um leão. O tamanho gigante pode vir dos hormônios de crescimento dos pais, que se combinam sem controle. O primo do Ligre é o Tigron, cuja mãe é uma leoa e o pai um tigre. Ao contrário do seu primo híbrido, eles são consideravelmente menores que seus pais. As fêmeas Ligre e Tigreão são férteis, o que possibilita a criação de uma terceira espécie de híbridos cruzando as fêmeas de espécies misturadas com leões ou tigres. Bizarro.

9. Cama ou Rama
camas
Certo dia, em Dubai, alguém teve a ideia de cruzar dois animais que nunca se viram antes: um camelo (nativo do norte da África e Ásia) e uma lhama sul-americana, espécies de animais que têm um ancestral comum, há 30 milhões de anos. O resultado foi a Cama, um bicho menor que seus parentes, com o temperamento mais agressivo dos camelos, mas sem a corcova.

8. Wholphin
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O Wholphin é a junção de um golfinho com uma falsa-orca, que é relativamente bem menor do que outros exemplares da espécie protagonista do filme Free Willy. O Wholphin tem características intermediárias entre o pai e a mãe, e é fértil.

7. Zebralo
Zebroid
O Zebralo ou Zégua é fruto do cruzamento de cavalos e zebras. A junção desses dois equinos não surgiu somente de manipulação, ela também acontece no meio natural. O Zebralo é uma espécie de cavalo mais forte, com listras em algumas partes do corpo, como as pernas ou a traseira.

6. Gato Savannah
savannah cat
O Gato Savannah é uma mistura de gato doméstico comum com o Serval, um felino africano selvagem. O cruzamento gerou um gato diferente, com orelhas grandes e marcas nos pelos. Além disso, o  gato geneticamente manipulado pode pesar até 14 quilos e chega a ter 1 metro de comprimento. Todo esse tamanho vem junto com um comportamento dócil e amigável. Quem quiser ter um Gato Savannah como bicho de estimação tem que desembolsar cerca de 40 mil reais.

5. Urso Grolar
Bear_Alaska_(2)
O Urso Grolar, mistura entre o urso polar e o urso marrom, é um tipo de híbrido que pode ser encontrado na natureza. Eles têm características genéticas semelhantes, mas vivem em habitat naturais distantes. Acontece que, com o derretimento do Ártico, os ursos polares estão migrando para o território dos ursos marrons e o resultado disso é que as espécies passaram a cruzar entre si.

4. Beefalo
Zubron
Coitado do Beefalo, até seu nome já diz que ele foi criado para ser um produto (beef = bife). O Beefalo é uma mistura do gado comum com o búfalo. A ideia de cruzar os animais foi para conseguir um animal mais resistente. O resultado deu certo, além da resistência ao frio e calor, o Beefalo também tem teores mais baixos de gordura e colesterol.

3. Mula
Mula_pastando_em_Itaunas
A Mula, cruzamento do jumento com a égua, é o híbrido mais famoso que existe. O animal é comum em fazendas, porque vive mais e é mais obediente do que os cavalos, e também é mais inteligente e rápido do que os jumentos.

2. Javaporco
javaporco
A mistura das espécies do javali e do porco foi feita com o mesmo objetivo do beefalo, melhorar a qualidade da carne do animal para consumo. O problema é que o resultado, o javaporco, é super reprodutivo: a fêmea é capaz de dar à luz a 10 filhotes de uma vez só. E quando chega na fase adulta, o bicho chega a pesar 100kg. Isso virou um problemão, porque os javaporcos só andam em bando e não tem predador natural. Com isso passaram a destruir tudo o que está a sua volta, incluindo áreas de plantações. Em 2013, o Ibama autorizou o abate desses animais, para controlar a população em crescimento desenfreado.

1. Peixe-papagaio-vermelho
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O peixe papagaio-vermelho surgiu do cruzamento do peixe papagaio com o peixe dourado e é um exemplo de como criar animais híbridos pode ser muito cruel. O peixe Papagaio-Vermelho possui deformações na boca, que é muito pequena e, com isso, ele tem dificuldades para se alimentar. Mesmo assim, ele continua sendo produzido, porque a combinação de cores fica bonita e acaba atraindo compradores.