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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Novos achados fósseis encontrados em obra de Uberaba são apresentados

Última atualização: sexta, 03 de julho de 2015 - 18h:49min


Equipe de técnicos trabalha para realizar a
retirada dos fósseis
Foto: Luís Adolfo/UFTM
Com o avanço do trabalho nas obras, novos exemplares foram revelados. Eles serão retirados e encaminhados para o Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price”da UFTM.

O Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da Universidade Federal do Triângulo Mineiro CCCP/UFTM apresentou nesta quinta-feira, 2, novos achados fósseis encontrados durante as escavações para a construção de um conjunto de edifícios no Bairro São Bento. Os fósseis apresentados ainda se encontram inseridos nas rochas originais e serão escavados do local e analisados  pela equipe do Complexo.  Além da apresentação dos fósseis, foram apresentadas as medidas adotadas pela Secretária Municipal de Meio Ambiente seguindo as recomendações do Ministério Público de Minas Gerais - MPMG e do Ministério Público Federal – MPF. Em Uberaba, a proposta de realização de um ‘Zoneamento Paleontológico é analisada para implantação.

Em dezembro de 2014, foram encontrados fósseis durante as escavações para a construção de um conjunto de edifícios em frente ao Parque do Jacarandá, mais conhecido como Zoológico Municipal, localizado no Bairro São Bento. Um desses fósseis, medindo mais de 50 centímetros, era de um fragmento de fêmur atribuído a um Titanosauria, espécie de dinossauro herbívoro.


A possibilidade de novas descobertas no local o CCCP/UFTM mobilizou uma equipe de técnicos que iniciou um programa de monitoramento com o objetivo de  resguardar a integridade do patrimônio paleontológico do local, onde eram realizadas as escavações para as fundações dos edifícios. A iniciativa teve o apoio da empresa ‘QUANTA Empreendimentos Imobiliários’, responsável pelas obras.
De acordo com o geólogo do CCCP/UFTM, Luiz Carlos Ribeiro, na primeira quinzena de abril novas descobertas começaram a aparecer, porém, em razão das fortes chuvas que se estenderam até o final de maio, as atividades de resgate foram paralisadas. Com o término do período chuvoso, as escavações foram retomadas no dia 22 de junho. Com o avanço do trabalho, novos exemplares como costelas, vértebras, tíbia,  e fósseis da cintura escapular têm sido descobertas no local.

 
Fósseis ainda se encontram inseridos nas rochas originais e serão escavados do local e analisados  pela equipe do Complexo
Foto : Luís Adolfo/UFTM























 “No que tange à importância científica, estes achados têm extremo valor, pois associam-se à Formação Uberaba, unidade geológica pouco prospectada paleontologicamente até o momento, o que abre novas oportunidades para se conhecer grupos de animais distintos dos que vem sendo descobertos desde 1945. Assim, há uma possibilidade de que os fósseis já descobertos, somados aos que ainda podem aparecer, sejam suficientes para descrição de um novo grupo de dinossauro”, acrescentou o geólogo.

Ainda de acordo com o geólogo, o programa de monitoramento e salvamento paleontológico ocorreu em harmonia como o desenvolvimento das obras, e não houve paralisações e atrasos nas atividades.

Zoneamento Paleontológico


Descoberta foram ponto de partida para adoção de
medidas públicas de geoconservação
Foto: Luís Adolfo/UFTM
As descobertas de fósseis nas escavações da construção de um conjunto de edifícios no Bairro São Bento acabaram por ser o ponto de partida de uma nova perspectiva para a proteção aos depósitos fossilíferos e para a adoção de medidas públicas de geoconservação. Por meio de uma nota técnica encaminhada a Prefeitura de Uberaba pelo Ministério Públicos de Minas Gerais - MPMG e Ministério Público Federal conforme pressupõe o Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, órgão federal responsável pela preservação do patrimônio paleontológico brasileiro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente –SEMAM, colocou em prática a recomendação para  a realização de estudos paleontológicos em obras do município.

De acordo com informações da SEMAM, em todos os processos administrativos que tramitam na Secretaria, que envolvem a movimentação ou interferência no solo, é solicitado que o empreendedor apresente declaração de um especialista, acompanhada de Anotação de Responsabilidade Técnica -ART, de que aquela ação não vá interferir nos tipos de rocha passíveis de serem encontrados fósseis, conforme delimitado na própria recomendação do MPMG, MPF e DNPM.

Ainda segundo informações da SEMAM foi editada uma Portaria Conjunta entre as Secretarias de Obras, Meio Ambiente, Planejamento e Serviços Urbanos determinando os procedimentos a serem seguidos, de acordo com a recomendação. A portaria será publicada ainda esta semana.

Segundo a recomendação feita pelo coordenador regional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente das Bacias dos Rios Paranaíba e Baixo do rio Grande – CRMA, Carlos Alberto Valera; promotora de Justiça da 11ª Promotoria, Claudine Lara Aurélio Bettarello; e os procuradores da República Thales Messias Pires Cardoso e Felipe Augusto de Barros Carvalho Pinto; as escavações, ou mesmo uma movimentação de terra, podem causar impactos nocivos; por isso, a proposta é de que sejam realizados estes acompanhamentos e monitoramentos.

O MPMG e MPF apontam que o município deve providenciar o zoneamento paleontológico, ou seja, um mapa guia mostrando as áreas com diversos graus de interesse paleontológico, ele servirá para orientar a ocupação e desenvolvimento em especial das obras que escavarão solos e rochas dentro do município. Segundo informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente os dados relacionados ao zoneamento paleontológico precisam ser atualizados e a secretaria estuda a melhor forma de realizar este procedimento, seja contratando uma empresa ou estabelecendo parcerias com entidades de ensino e pesquisa.

 

domingo, 3 de agosto de 2014

Fóssil de réptil pré-histórico carnívoro é encontrado em Minas Gerais

Do UOL, em São Paulo

Veja imagens de Ciência do mês (agosto/2014)9 fotos

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DESCOBERTA EM MINAS - Um fóssil de uma espécie recém-descoberta de crocodiliforme baurusuquídeo, de tamanho grande, que competia com os dinossauros terópodes (carnívoros), foi encontrado no Triângulo Mineiro. O crânio do animal tinha 38 cm de comprimento e ele possuía uma dentição altamente especializada para hábitos carnívoros. Além do crânio, também foi encontrada a maior parte do esqueleto do fóssil. A espécie foi descoberta na região de Campina Verde, em Minas Gerais, nas rochas do período Cretáceo Superior (aproximadamente 90 milhões de anos atrás). De acordo com os pesquisadores, este é o maior crocodiliforme encontrado na região mineira Leia mais L. Adolfo/Estadão Conteúdo
 
Um fóssil de uma nova espécie de crocodiliforme baurusuquídeo, de tamanho grande, que competia com os dinossauros terópodes (carnívoros), foi encontrado no Triângulo Mineiro.
O crânio do animal tinha 38 cm de comprimento e ele possuía uma dentição altamente especializada para hábitos carnívoros. Além do crânio, também foi encontrada a maior parte do esqueleto do fóssil.
A espécie foi descoberta na região de Campina Verde, em Minas Gerais, nas rochas do período Cretáceo Superior (aproximadamente 90 milhões de anos atrás). De acordo com os pesquisadores, este é o maior crocodiliforme encontrado na região mineira, diferente das espécies já conhecidas, como Campinasuchus dinizi, que foi encontrado na mesma região em 2011.

O Triângulo Mineiro possui alto potencial paleontológico, e os trabalhos de campo ainda serão realizados durante este ano.
A equipe que participou desta descoberta contou com dez pessoas do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis e da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e envolveu geólogos, paleontólogos e técnicos, que trabalharam durante cinco dias na expedição.
A próxima etapa do trabalho é a preparação do exemplar e o início dos estudos científicos para futura publicação. Os recursos deste projeto são provenientes do MCTI (Ministério de Ciências, Tecnologia, Inovação).
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Ilustrador reconstrói cenas do cotidiano dos dinossauros10 fotos

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Um plesiossauro de pescoço extremamente longo caça peixes no mar de Bearpaw, nesta ilustração feita para ser vendida e ter seu valor doado para a construção de um novo museu paleontológico no Canadá. A cena faz parte do livro The Paleoart of Julius Csotonyi, do premiado ilustrador Julius Csotony, lançado este mês. Csotony tem PhD em microbiologia e possui trabalhos em museus e artigos Julius Csotonyi/Reprodução

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Megadinossauro brasileiro

Na maior escavação já feita no país, cientistas descobrem um dos últimos dinossauros do Brasil

Por: Cathia Abreu, Instituto Ciência Hoje/RJ.

Publicado em 01/10/2008 | Atualizado em 20/05/2010


Com até 3,5 metros de altura e 20 metros de comprimento, o Uberabatitan ribeiroi é o maior dinossauro já encontrado no Brasil (ilustração: Rodolfo Ribeiro).


Pesquisadores brasileiros e estrangeiros descobriram, em Uberaba, Minas Gerais, fósseis de uma nova espécie de dinossauro, que viveu há cerca de 65 milhões de anos: o Uberabatitan ribeiroi. Na maior escavação já feita no Brasil em busca de um animal pré-histórico, com duração de três anos, centenas de ossos foram encontrados, o que ajudou os cientistas a reconstituir a espécie e trazer à tona muitas revelações.

Considerado pelos pesquisadores o elo que faltava para explicar a história de vida na Terra e de como era o território brasileiro há milhões de anos, o Uberabatitan ribeiroi é uma das últimas espécies de dinossauro a habitar o Brasil. “Na época em que ele viveu, a Terra passava por bruscas mudanças ambientais, que conduziram à extinção dos dinossauros”, conta o paleontólogo Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista no estudo de formas de vida do passado e um dos responsáveis pelas escavações e pela descrição da nova espécie.

O Uberabatitan ribeiroi viveu há 65 milhões de anos, em um período marcado por alterações ambientais no planeta que levaram à extinção dos dinossauros (ilustração: Ariel Milani Martine).


O Uberabatitan ribeiroi era um titanossauro: um tipo de dinossauro que deu origem a uma família de gigantes do período Cretáceo, que viveram entre 80 e 65 milhões de anos atrás e foram os maiores dinossauros que habitaram o Brasil. Titanossauros como o Uberabatitan ribeiroi tinham quatro patas e eram herbívoros: com o auxílio de seu longo pescoço, se alimentavam das folhas dos topos das árvores. Eles chegavam a atingir cinco metros de altura, vinte de comprimento e a pesar entre dez e dezesseis toneladas.

Com a palavra, as rochas!

Três esqueletos quase completos do Uberabatitan ribeiroi foram retirados de rochas depositadas em uma montanha de pedras, a 30 quilômetros do centro da cidade de Uberaba. Por meio de análises do solo, descobriu-se o período exato em que o dinossauro viveu, um dos dados mais importantes obtidos pelos pesquisadores.

“É como se as pedras falassem e os cientistas pudessem traduzir o que elas querem nos dizer”, compara Ismar de Souza Carvalho. No caso do Uberabatitan ribeiroi, por exemplo, as rochas forneceram muitas informações. Para você ter uma idéia, elas mostraram que a espécie viveu em um momento de transição, marcado por grandes mudanças na fauna e na flora do Brasil, por grandes inundações, além de longas temporadas de secas e devastação. Acontecimentos que datam de 65 milhões de anos, período em que os continentes da Terra – anteriormente unidos em um imenso bloco chamado Gondwana – se dividiam rapidamente. Por causa dessas mudanças, todo o planeta sofria alterações ambientais, o que acabou causando a morte de muitas espécies, como a do Uberabatitan ribeiroi.

Da rocha ao dinossauro completo

Na escavação do Uberabatitan ribeiroi, centenas de fósseis foram encontrados entre trezentas toneladas de rochas. Mais de trinta e sete ossos originais da espécie foram achados, além de fósseis de outra espécie importante, um dinossauro carnívoro chamado Abelissauro, que pela primeira vez foi registrado no Brasil.

Mas como os cientistas, a partir dos ossos, conseguem saber como era o dinossauro que viveu no passado? Montar esse quebra-cabeça não é tarefa fácil. Por isso, muitas pessoas foram envolvidas. Profissionais de informática, por exemplo, reconstituíram, no computador, os ossos que não foram encontrados, para que, assim, fosse possível saber como era o esqueleto completo do Uberabatitan ribeiroi. Técnicos especializados também fizeram cópias dos ossos originais para montar uma reconstituição do dinossauro, que você pode conferir de perto, caso more no Rio de Janeiro.

Do alto dos seus três metros e meio de altura, o Uberabatitan ribeiroi está exposto até o dia 24 de outubro de 2008 na Casa da Ciência, instituição ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (saiba mais detalhes lendo o quadro a seguir). Depois, segue para o Museu dos Dinossauros, localizado em Peirópolis, Minas Gerais. Seja na Cidade Maravilhosa ou no interior mineiro, não perca a oportunidade de ver esse exemplar fantástico da vida pré-histórica do nosso planeta!