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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A multicelularidade surgiu e as células se especializaram

Há aproximadamente 1 bilhão de anos, todos os organismos que existiam – procariotos ou eucariotos – eram unicelulares. Outro importante passo evolucionário ocorreu quando alguns eucariotos falharam em se separar após a divisão celular, permanecendo ligados uns aos outros. A permanente associação das células possibilitou que algumas células se especializassem em certas funções, como reprodução, enquanto outras se especializassem em outras finalidades, como a absorção de nutrientes e sua distribuição para células vizinhas. Essa especialização celular permitiu aos eucariotos multicelulares aumentarem seu tamanho e se tornarem mais eficientes na obtenção de recursos e na adaptação a ambientes específicos.

Os biólogos podem delinear a árvore evolutiva da vida. Se todas as atuais espécies de organismos no planeta são descendentes de um único tipo de organismo unicelular que viveu há quase 4 bilhões de anos, como elas se tornaram tão diferentes?Já que indivíduos dentro de uma população se acasalam aleatoriamente, mudanças funcionais e estruturais podem evoluir dentro daquela população, mas esta permanecerá uma espécie. Entretanto, se algum evento isola alguns membros de um grupo de outros, diferenças funcionais e estruturais entre eles podem se acumular ao longo do tempo. Em resumo, as vias evolucionárias dos dois podem divergir para o ponto onde seus membros não podem mais se reproduzir entre eles. Transformaram-se em espécies diferentes. Esse processo evolucionário, chamado especiação, é detalhado nos Capítulos 22 e 23. 

Os biólogos dão a cada espécie um nome científico formado por dois nomes latinizados (binomial). O primeiro nome identifica o gênero da espécie – um grupo de espécies que compartilha um ancestral comum recente. O segundo é o nome da espécie. Por exemplo, o nome científico da espécie humana é Homo sapiens: Homo é o nosso gênero e sapiens é a nossa espécie. Os nomes científicos geralmente se referem a alguma característica da espécie. Homo deriva da palavra latina para “homem” e sapiens deriva da palavra latina para “inteligente” ou “racional”.Em torno de 30 milhões de espécies de organismos podem existir na Terra hoje. Algumas espécies viviam no passado, mas atualmente estão extintas. Milhões de eventos de especiação criaram essa vasta diversidade, e o desdobramento desses eventos pode ser diagramado como uma “árvore evolucionária”, demonstrando a ordem na qual as populações se dividem e, finalmente, evoluem em novas espécies. Uma árvore evolucionária traça os descendentes dos ancestrais que viveram em diferentes tempos no passado. Assim, os organismos de qualquer ramo compartilham um ancestral na base daquela linha. 

Os grupos mais proximamente relacionados são colocados juntos no mesmo ramo; enquanto os organismos mais distantemente relacionados estão em diferentes ramos. Neste livro, adotamos a convenção de que o tempo flui da esquerda para a direita, de modo que a árvore na figura 1.11 (e outras árvores neste livro) se posiciona sobre seu lado, com sua raiz – o ancestral de toda a vida – na esquerda. Muitos detalhes ainda precisam ser esclarecidos, mas os aspectos gerais da Árvore da Vida foram determinados. Seus padrões de ramificação estão baseados em um rico conjunto de evidências obtido com base em fósseis, em estruturas, em processos metabólicos, em comportamento e em análises moleculares de genomas. 

Não existem fósseis para nos ajudar a determinar as divisões anteriores na linhagem da vida, já que aqueles organismos unicelulares não possuíam partes que poderiam ser preservadas como fósseis. Entretanto, evidências moleculares têm sido usadas para separar os organismos vivos em três domínios principais: Bacteria,  Archaea e Eukarya (Figura 1.11). Os organismos de cada domínio têm evoluído separadamente de organismos em outros domínios por mais de um bilhão de anos. Os organismos dos domínios Archaea e Bacteria são procariotos. Archaea e Bacteria diferem tão fundamentalmente entre si nos seus processos metabólicos que se acredita que eles se separaram em linhagens evolutivas distintas muito antes.

Membros do terceiro domínio – Eukarya – possuem células eucarióticas. Os três principais grupos de eucariotos multicelulares – plantas, fungos e animais – evoluíram a partir de eucariotos microbianos, geralmente referidos como protistas. O protista fotossintético, que deu origem às plantas, era completamente distinto do ancestral dos animais e fungos, como pode ser visto pelo padrão de ramificação da Figura 1.11.

Algumas bactérias, algumas Archaea, alguns protistas e a maioria das plantas são capazes de fazer fotossíntese. Esses organismos são chamados de autotróficos (auto-alimentadores). As moléculas biológicas que eles produzem são o alimento primário para quase todos os outros organismos vivos.Os fungos incluem mofos, cogumelos, leveduras e outros organismos semelhantes, sendo todos heterotróficos (alimentam-se de outras fontes), ou seja, eles precisam de uma fonte de moléculas sintetizadas por outros organismos, que são quebradas para obter energia para os seus processos metabólicos. 

Os fungos degradam moléculas de alimento ricas em energia no seu ambiente e, então, absorvem os produtos do processo para suas células. Alguns fungos são importantes decompositores de resíduos e corpos mortos de outros organismos. Como os fungos, os animais são heterotróficos, mas, ao contrário dos fungos, eles ingerem sua fonte de alimento, então degradam o alimento no trato digestivo. Os animais ingerem outras formas de vida, inclusive plantas, fungos e outros animais. Suas células absorvem os produtos da degradação e obtêm energia destes produtos.

domingo, 29 de abril de 2018

New life form answers question about evolution of cells

March 19, 2018, University of Groningen
'New life form' answers question about evolution of cells
The left panel shows: EM image of a normal E. coli cell. Right panel: an engineered cell with a mixed membrane, which shows an elongated form. Credit: Photo's University of Wageningen / Van der Oost laboratory
Bacteria and Archaea are two of the three domains of life. Both must have evolved from the putative last universal common ancestor (LUCA). One hypothesis is that this happened because the cell membrane in LUCA was an unstable mixture of lipids. Now, scientists from the University of Groningen and Wageningen University have created such a life form with a mixed membrane and discovered it is, in fact, stable, refuting this hypothesis. The results will be published in the journal Proceedings of the National Academy of Sciences in the week of 19 March.
There are many ideas on how cellular life could have evolved billions of years ago. Protocells may have formed in clay minerals, or as simple vesicles. In the latter scenario, something called the 'lipid divide' would have occurred, creating the separate domains of bacteria and archaea, explains University of Groningen Professor of Molecular Microbiology Arnold Driessen. "The lipid membranes of both domains are different, composed of phospholipids that are each other's mirror image."

Mixed membranes

In technical terms, the lipids in the membranes of bacteria are made up of straight-chain fatty acids that are ester-linked to a backbone of glycerol-3-phosphate. But the lipids in the archaeal membrane have a backbone of glycerol-1-phosphate, to which isoprenoids are linked by ether bonds.

The idea behind the lipid divide is that a of both bacteria and archaea had a in which both types of lipid were mixed. "This mixed membrane would be less stable than a homogenous membrane of just one type of phospholipid, so eventually a split occurred, resulting in the two domains of Bacteria and Archaea," says Driessen.

All this would have happened over 3.5 billion years ago, so hard evidence is lacking. Driessen and his co-workers therefore decided to "reverse-engineer" a micro-organism with a mixed membrane. "This has been tried before, but these experiments resulted in bacteria with only very small amounts (< 1 percent) of archaeal lipids."
'New life form' answers question about evolution of cells
Left panel: EM image of a normal dividing E. coli cell. Right panel: an engineered cell with high archaeal lipid production, showing lobular irregularities in the cell membrane. Credit: Photo's University of Wageningen / Van der Oost laboratory
However, in the new study, this increased to 30 percent. Two key breakthroughs made this possible: "In previous research we discovered an enzyme crucial to the production of archaeal membrane lipids. This takes three steps, and before that, only two of the enzymes involved were known." The other breakthrough came from scientists at Wageningen University, explains Driessen. "They managed to increase the production of isoprenoids in the bacterium E. coli." Isoprenoids are a ubiquitous class of organic compounds which includes many natural flavours, colours or fragrances.

Both discoveries were transferred to a normal E. coli bacterium, which was a major feat of genetic engineering.

"And we didn't know if the end result would be a viable cell," says Driessen. But in the end, it worked out well. With some fine tuning, the scientists created a cell in which all phosphatidylglycerol, the lipids forming the basic bilayer of the , were replaced by their archaeal equivalent (archaetidylglycerol).

This accounts for 30 percent of the lipids in the membrane. "This bacterium grew at normal speed and was stable," says Driessen. "So this result does not support the hypothesis that a mixed membrane is inherently instable and could thus have created the lipid divide."

Driessen notes that the archaeal enzymes for membrane lipid production are less specific in the reactions they catalyze than their bacterial equivalents. "They appear to be more "primordial." So the evolution of enzyme specificity could have been a driver for the divide." There is, of course, one major caveat—the experiments were done in modern E. coli bacteria, which have evolved 3.5 billion years beyond the original split with the archaea.

"The robustness of these mixed cells surprised us. We expected more problems keeping them alive. After all, what we have engineered does amount to a new life form." The engineered cells were more elongated than the original E. coli. And when the production of archaeal lipids was very high, growth slowed and the membrane developed lobular appendages.

Apart from the evolutionary implications, this discovery could spawn new research: "For example, we could engineer a bacterial expression system for archaeal proteins, such as those produced by hyperthermophiles that grow at extremely high temperatures and pressure."
The work by the two Dutch universities is part of the Origins Center, a national programme dedicated to research into the origin of life on our planet.

 
More information: Antonella Caforio el al., "Converting Escherichia coli into an archaebacterium with a hybrid heterochiral membrane," PNAS (2018). www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1721604115
 

Journal reference: Proceedings of the National Academy of Sciences search and more info website
Provided by: University of Groningen search and more info website