Posição
Sistemática das Formigas Cortadeiras
Autor
– Nilton José Sousa
As
formigas cortadeiras estão situadas dentro do reino Animal, Filo
Arthropoda, Classe Insecta.
Segundo THOMAS (1990), este grupo de insetos,
é composto de 5 gêneros, dentro da seguinte posição
sistemática:
Ordem: Hymenoptera
Subordem : Apocrita
Superfamília : Formicoidea
Família: Formicidae
Sub-família: Myrmicinae
Tribo : Attini
Gênero: Atta
Acromyrmex
Sericomyrmex
Trachymyrmex
Micoceporus
Em função de sua importância econômica no
Brasil, as principais pesquisas e publicações sobre formigas
cortadeiras estão concentradas nos gêneros Atta e Acromyrmex,
conhecidas popularmente pelas denominações de Saúvas
e Quenquéns.
OCORRÊNCIA
DE FORMIGAS CORTADEIRAS
As
formigas cortadeiras do gênero Atta (saúvas), são
insetos americanos, não estando presentes na Europa, Ásia,
África e Oceania.
Na América, sua área de dispersão
vai do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Assim,
todos os países americanos compreendidos nesta região
têm saúvas, exceto o Chile, algumas ilhas das Antilhas
e o Canadá.
O gênero Acromymex é próprio da América,
sua distribuição começa na Califórnia (Estados
Unidos), seguindo pelo México e continuando pela América
Central e por todos os países da América do Sul (exceto
Chile), até a Patagônia (Argentina). Ocorre também
em Cuba e Trinidad Tobago.
ESPÉCIES
DE FORMIGAS CORTADEIRAS ENCONTRADAS NO BRASIL
a)
Gênero Atta
No
Brasil o gênero Atta e representado pelas espécies e subespécies,
listadas a seguir:
01) Atta bisphaerica Forel, 1908 - “Saúva-mata-pasto”
02)
Atta capiguara Gonçalves, 1944 - “Saúva-parda”
03)
Atta cephalotes (Lineu, 1758) - “Saúva-da-mata”
04)
Atta goiana Gonçalves, 1942 - “Saúva”
05)
Atta laevigata (F.Smith, 1858) - “Saúva-de-vidro”
06)
Atta opaciceps Borgmeier, 1939 - “Saúva-do-sertão-do-nordeste”
07)
Atta robusta Borgmeier, 1939 - “Saúva-preta”
08)
Atta sexdens piriventris Santschi, 1919 - “Saúva-limão-sulina”
09)
Atta sexdens rubropilosa Forel, 1908 - “Saúva-limão”
10)
Atta sexdens sexdens (Lineu, 1758) - “Formiga-da-mandioca”
11)
Atta silvai Gonçalves, 1982 - “Saúva”
12)
Atta vollenweideri Forel, 1939 - “Saúva”
b)
Gênero Acromyrmex
No
Brasil o gênero Acromyrmex e representado pelas espécies
e subespécies, listadas a seguir:
01)
Acromyrmex ambiguus Emery, 1887 - “Quenquém-preto-brilhante”
02)
Acromyrmex aspersus (F.Smith, 1858) - “Quenquém-rajada”
03)
Acromyrmex coronatus (Fabricius, 1804) - “Quenquém-de-árvore”
04)
Acromyrmes crassispinus Forel, 1909 - “Quenquém-de-cisco
e quenquém”
05)
Acromyrmex diasi Gonçalves, 1983
06)
Acromyrmex disciger Mayr, 1887 - “Quenquém-mirim e formiga-carregadeira”
07)
Acromyrmex heyeri Forel, 1899 - “Formiga-de-monte-vermelha”
08)
Acromyrmex hispidus fallax Santschi, 1925 - “Formiga-mineira”
09)
Acromyrmex hispidus formosus Santschi, 1925
10)
Acromyrmex hystrix (Latreille, 1802) - “Quenquém-de-cisco-da-amazônia”
11)
Acromyrmex landolti balzani Emery, 1890 - “Boca-de-cisco, formiga-rapa-rapa,
formiga-rapa e formiga-meia-lua”
12)
Acromyrmex landolti fracticornis Forel, 1909
13)
Acromyrmex landolti landolti Forel, 1884
14)
Acromyrmex laticeps Emery, 1905 - “Formiga-mineira e formiga-mineira-vermelha”
15)
Acromyrmex laticeps nigrocetosus Forel, 1908 - “Quenquém-camperira”
16)
Acromyrmex lobicornis Emery, 1887 - “Quenquém-de-monte-preta
e formiga-de-monte-preta”
17)
Acromyrmex lundi carli Santschi, 1925
18)
Acromymex lundi lundi (Guérin, 1838) - “Formiga-mineira-preta”
19)
Acromyrmex lundi pubescens Emery, 1905
20)
Acromyrmex muticinodus (Forel, 1901) - “Formiga-mineira”
21)
Acromyrmex niger (F. Smith, 1858)
22)
Acromyrmex nobilis Santschi, 1939
23)
Acromyrmex octospinosus (Reich, 1793) - “Carieira e quenquém-mineira-da-amazônia”
24)
Acromyrmex rugosus rochai Forel, 1904 - “Formiga-quiçaça”
25)
Acromyrmex rugosus rugosus (F. Smith, 1858) - “Saúva, formiga-lavradeira
e formiga mulatinha”
26)
Acromyrmex striatus (Roger, 1863) - “Formiga-de-rodeio e formiga-de-eira”
27)
Acromyrmex subterraneus bruneus Forel, 1911 - “Quenquém-de-cisco-graúda”
28)
Acromyrmex subterraneus molestans Santschi, 1925 - “Quenquém-caiapó-capixaba”
29)
Acromyrmex subterraneus subterraneus Forel, 1893 - “Caiapó”
ESPÉCIES
DE FORMIGAS CORTADEIRAS DE IMPORTÂNCIA FLORESTAL NO ESTADO DO
PARANÁ
a)
Gênero Atta
Primitivamente,
nas florestas do Paraná, não havia saúvas. Estas
entraram no estado seguindo o caminho da colonização.
As principais espécies de interesse florestal, deste gênero
no Paraná são:
• Atta sexdens rubropilosa
• Atta sexdens piriventris
• Atta laevigata
b)
Gênero Acromyrmex
As
epécies de interesse florestal no estado do Paraná são:
• Acromyrmex aspersus,
• Acromyrmex crassispinus,
•Acromyrmex disciger,
• Acromyrmex niger,
• Acromyrmex subterraneus subterraneus.
HISTÓRICO DOS GÊNEROS Atta e Acromyrmex
Estudos
antropológicos parecem indicar que as migrações
de tribos indígenas sul-americanas estão associadas à
infestação de suas roças por saúvas.
O primeiro a escrever sobre as saúvas foi o Padre José
de Anchieta, em 1560 com a seguinte frase: “Das formigas só
parecem dignas de menção as que destróem as árvores,
são chamadas de iças e trituradas cheiram a limão”.
Gabriel Soares de Sousa, em 1587, descreveu as saúvas, seus danos
e costumes e o primeiro método de controle: um sulco raso no
solo, em volta da árvore, cheio de água. Entretanto, esse
autor completa o assunto dizendo que, às vezes, uma folha caída
de atravessado no sulco servia de ponte para as formigas.
A enumeração dos pesquisadores que abordaram o assunto
ou estudaram as formigas cortadeiras é enorme, destacando Saint'
Hilaire, que percorreu o interior do Brasil de 1816 a 1822, a quem e
atribuída a seguinte frase: "Ou o Brasil mata a saúva
ou a saúva mata o Brasil". Segundo o autor, nas últimas
décadas podemos citar Cincinnato R. Gonçalves, que percorreu
quase todo o Brasil coletando material, identificando as espécies
e anotando seus hábitos, deixando valiosíssimos conhecimentos;
Mario Autuori que dedicou-se principalmente ao estudo da biologia e
estrutura dos ninhos das espécies encontradas em São Paulo;
Elpídio Amante que estudou os sauvicidas antigos e modernos,
principalmente as formulações granuladas (iscas).
Quanto as formigas do gênero Acromyrmex, em algumas regiões
do Brasil, estas chegam a ser um problema maior do que as próprias
saúvas. Algumas citações relatam que este gênero
tem sido uma ameaça para a produtividade florestal, afetando
principalmente mudas e brotações, podendo ocasionar danos
em árvores adultas.
ALIMENTAÇÃO
DAS FORMIGAS CORTADEIRAS
Durante
muito tempo pensou-se que o material vegetal cortado e carregado para
o interior do formigueiro fosse consumido diretamente como alimento
pelas formigas, o que não acontece. Escavando-se um formigueiro,
encontra-se em suas câmaras subterrâneas uma massa esponjosa
de cor branco-acinzentada, constituída pelo material vegetal
que as formigas carregam para o interior de seus ninhos, cortado em
minúsculos pedaços e por um fungo, que se desenvolve nutrido
pelos vegetais picados.
Alguns estudos minuciosos sobre os fungos cultivados pelas formigas
cortadeiras, especialmente as do gênero Acromyrmex, relatam que
tal fungo necessita de substrato de origem vegetal para o seu desenvolvimento,
sendo a celulose a principal fonte de carbono para o meio.
ASPECTOS BIOLÓGICOS
As
formigas cortadeiras são insetos sociais, divididos em castas
temporárias (iças e bitus) e castas permanentes (rainha,
operárias (jardineiras e carregadeiras) e soldados). As castas
têm tamanhos e atividades diferenciadas dentro da colônia,
conforme descrição a seguir: as iças e bitus surgem
em formigueiros adultos, alguns meses antes da revoada, recebem tratamento
e alimentação diferenciada e são maiores que os
soldados e operárias; a rainha depois da revoada e fecundação
forma um novo formigueiro, é após o nascimento das primeiras
operárias passa a ter como tarefa exclusiva a postura de ovos,
e o maior indivíduo do formigueiro; as operárias jardineiras
são os menores indivíduos da colônia, e tem como
tarefa a manutenção da colônia de fungos; as operárias
carregadeiras são maiores que as jardineiras, é sua função
e a localização corte e transporte de material vegetal
para o interior do formigueiro; os soldados são maiores que as
carregadeiras é sua função e a proteção
da colônia. A longevidade das operárias e soldados e de
no máximo 6 meses, quanto ao tempo de vida dos formigueiros,
em laboratório sauveiros chegam a 15 anos de vida e formigueiros
de quenquém a 7 anos. Os ninhos das formigas são construídos
no solo e podem ter várias panelas, que ocupam muitos metros
quadrados, contendo milhões de indivíduos no gênero
Atta. No gênero Acromyrmex os formigueiros são formados
por milhares de indivíduos e possuem uma ou mais panelas.
DANOS
CAUSADOS POR FORMIGAS CORTADEIRAS
Vários
autores destacam as saúvas como os insetos que maiores danos
causam à atividade agro-pastoril-florestal. Algumas espécies
desfolham, indistintamente, mono e dicotiledôneas e por este motivo
constituem a pior praga das florestas implantadas, sendo responsáveis
por significativas perdas, ou mesmo por um investimento para seu controle
que pode chegar à 30% do custo da floresta no final do terceiro
ciclo.
Muitas pessoas acreditam que as quenquéns (Acromyrmex), não
possuem potencial para provocar danos acentuados principalmente em árvores.
Porém, na prática estas formigas provocam danos a uma
variedade ampla de plantas, como pinheiros, gramíneas e dicotiledôneas.
Constituem-se em importantes pragas nas áreas de reflorestamento,
principalmente naqueles com eucalipto, onde árvores adultas têm
as folhas e brotações cortadas, e as perdas podem atingir
50% do povoamento.
Árvores de Pinus caribaea var. hondurensis e Gmelina arborea
sofrem perdas tanto em diâmetro como em altura devido à
ação desfolhadora das formigas, sendo o diâmetro
o mais afetado. Quanto à mortalidade de plantas de Pinus caribaea
var. hondurensis, existe tendência em aumentar com o aumento da
intensidade de desfolha, ao passo que em Gmelina arborea a mortalidade
não é influenciada devido ao desfolhamento.
Segundo alguns autores, são necessárias 86 árvores
do gênero Eucalyptus e 161 do gênero Pinus para abastecer
com substrato um sauveiro adulto durante um ano, num total de uma tonelada
de vegetal. Considerando-se uma média de 4 sauveiros adultos
por hectare, tem-se um consumo teórico de quatro toneladas de
folhas, correspondendo a 344 árvores de Eucalyptus spp. e 644
árvores de Pinus spp. Entretanto, esses dados parecem estar superestimados,
pois foram baseados no fator de conversão proposto por Autuori
o qual não se refere à realidade.
Outros autores citam que entre as pragas iniciais que atacam o gênero
Eucalyptus, estão relacionadas as formigas cortadeiras (Atta
spp. e Acromyrmex spp.), seguidas pelas lagartas, besouros rendilhadores
e outros insetos polífagos que, eventualmente, alimentam-se de
folhas. O mesmo autor qualificou os danos relativos à ação
das formigas nos eucaliptais, da seguinte maneira: uma árvore
morre após suas folhas serem cortadas três vezes seguidas;
um formigueiro necessita, por ano, de uma tonelada de folhas para sobreviver;
com 12 formigueiros por hectare, não se encontra uma única
árvore viva, na área; um formigueiro de 10 metros quadrados
pode, potencialmente, matar 37 árvores, o que equivale a 3,6
metros estéreos por hectare; uma infestação de
200 formigueiros/ha (formigas quenquém) resulta em 30% de perda
das cepas (brotação).
Entre as formigas, aquelas que causam maiores danos são as do
gênero Acromyrmex. Esta situação se deve ao seguinte:
o controle sistemático dado às formigas do gênero
Atta, com métodos de controle mais definidos e eficientes; o
menor número de espécies do gênero Atta de importância
florestal, propiciou maiores estudos sobre as mesmas; ninhos de Atta
spp. são mais evidentes.
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Concurso de Livre Docência, na F.F.C.L. 1973.
O
texto abaixo é parte da revisão de literatura da dissertação
de mestrado do autor, defendida no Curso de Pós-Graduação
em Engenharia Florestal da UFPR em 1996, intitulada “Avaliação
do uso de três tipos de porta-iscas no controle de formigas cortadeiras,
em áreas preparadas para a implantação de povoamentos
de Pinus taeda L.
Controle
de Formigas Cortadeiras
Autor
– Nilton José Sousa
Um
dos pontos fundamentais para o sucesso de um empreendimento florestal
é o controle das formigas cortadeiras, conhecidas pelas denominações
de saúvas, pertencentes ao gênero Atta e de quenquéns
pertencentes aos gêneros Acromyrmex, Mycocepurus, Sericomyrmex
e Trachymyrmex.
Um dos problemas do controle de formigas cortadeiras é que na
maioria dos reflorestamentos, esta atividade tem se baseado em programação
de calendário, não levando em consideração
a região e as espécies de formigas, bem como a infestação,
sendo que muitos leigos questionam sobre a importância da identificação
correta dos insetos, pois segundo afirmam, o importante é matá-las.
Nem sempre matar o inseto é viável, pois o controle, ou
seja, a morte do inseto, terá que ser sempre menor que o custo
do dano causado.
Ainda sobre a identificação correta, este é o primeiro
passo para se chegar ao manejo das pragas, pois é a chave para
a busca de informações sobre a biologia, dinâmica
populacional, comportamento, danos e outros dados que constituem importantes
fontes para o desenvolvimento de medidas de controle, sendo recentes
os estudos que procuram elucidar a relação destes insetos
com os ecossistemas florestais. Tais informações podem
auxiliar na adequação e racionalização dos
métodos de controle, contribuindo desta forma para o aumento
da eficiência e a redução dos custos de controle.
Entre os vários métodos utilizados para o controle de
formigas cortadeiras destacam-se os seguintes métodos: mecânicos,
por ocasião da instalação dos formigueiros novos
é possível identificá- los e destruí-los
mecanicamente cavando-os; culturais que consistem em aração
e gradagem, culturas armadilhas e resistência de plantas; biológicos
e naturais, que envolvem fatores climáticos e ação
de predadores e parasitóides, como pássaros e moscas da
família Phoridae, ou com a utilização de fungos
entomopatogênicos; químicos, que consistem na utilização
de produtos químicos.
Em relação ao método químico, várias
são as formas de se proceder o controle das formigas cortadeiras,
estes diferem principalmente pela formulação e modo de
aplicação. De uma maneira geral, os formicidas podem ser
classificados em 5 formulações diferentes: pós
secos; concentrados emulsionáveis; gases liquefeitos; soluções
nebulígenas e iscas granuladas.
A isca granulada para ser eficiente e econômica, deve ser atrativa
às formigas, de modo que sejam transportadas para o interior
dos ninhos. Deve conter um inseticida altamente específico e
de toxicidade tal que se manifeste em toda a colônia após
sua introdução. Além disso, essa toxicidade a mamíferos
tem de ser baixa. Deve mostrar-se resistente à umidade, chuvas
e temperatura, apesar de ser biodegradável.
O uso de iscas tóxicas para controlar formigas teve início
no ano de 1926 com Marques. Posteriormente diversos outros tipos de
iscas foram testadas, até que Gonçalves, testou iscas
formuladas à base de Aldrin e observou uma mortalidade de 75%
nos sauveiros tratados com suas iscas. Em 1964, colônias de Atta
cephalotes, foram controladas com iscas a base de Dodecacloro (Mirex),
em uma área de 40 ha, super-infestada, com eficiência de
até 100% de controle.
Em 1968, alguns autores pesquisando o custo comparativo de controle
às formigas cortadeiras (saúvas) e empregando todos os
tipos tradicionais de tratamento e ainda o uso de iscas granuladas,
com interação de custo do produto, eficiência e
mão de obra requerida, chegaram a conclusão de que o melhor
e mais barato método de controle é por meio de iscas.
A partir destes testes, as iscas granuladas foram consideradas como
o método ideal para o controle de formigas cortadeiras, pois
são de fácil aplicação, dispensam aparelhos
e não apresentam perigos de intoxicação que o manejo
de outros tipos de formicidas causam, além de apresentarem um
alto grau de eficiência, aponto de substituírem outros
métodos, como a termonebulização e fumigação
com brometo de metila.
Segundo alguns autores, as iscas à base de Dodecacloro apresentaram
os melhores resultados no controle a formigas cortadeiras, tornando-se
padrão para o controle de formigas cortadeiras dos gêneros
Atta e Acromyrmex, em reflorestamentos. Este produto apresentava alta
eficiência, mas possuia desvantagens, tais como ser persistente
no ambiente e cumulativo na cadeia alimentar, podendo apresentar problemas
como contaminação de animais domésticos, selvagens
e aquáticos. Por estes motivos este produto passou a sofrer pressões
cada vez maiores da sociedade, que culminaram com a Portaria 91 de 30/11/1992
do Ministério da Agricultura, proibindo a partir de 01/05/1993
o registro, a produção, a importação, a
exportação, a comercialização e a utilização
de iscas formicidas à base de Dodecacloro em todo o território
nacional.
A partir da proibição do Dodecacloro vários produtos
foram testados, entretanto, apenas a molécula Sulfluramida atendeu
a todas as exigências dos testes toxicológicos e de eficiência
exigidos pelo IBAMA, Ministério da Agricultura e Ministério
da Saúde, mostrando baixa toxicidade aguda, subcrônica
e crônica para a maioria dos seres vivos.
A Sulfluramida foi desenvolvida nos Estados Unidos como uma substância
para controlar formigas e baratas em residências, pertence ao
grupo químico das Sulfonamidas fluoroalifáticas. Seu modo
de ação é por ingestão e a composição
das iscas apresenta 0,3% de princípio ativo e 99,7 % de atrativos
e material inerte. O produto apresenta tem 42,59% de biodegradação
em 28 dias, a biodegradabilidade no solo ocorre entre 90 e 120 dias.
Após a determinação dos dados citados acima, vários
testes foram realizados com iscas granuladas à base de Sulfluramida,
sendo que estas apresentaram excelentes resultados para o controle de
formigas cortadeiras, comparáveis aos apresentados por iscas
à base de Dodecacloro.
APLICAÇÃO DE ISCAS GRANULADAS
Uum
dos principais problemas para o controle das formigas cortadeiras (Atta
spp. e Acromyrmex spp.), em florestas implantadas é a localização
dos formigueiros em estágios iniciais de desenvolvimento, para
que sejam seguramente exterminados. Dentre os métodos existentes
para o controle de formigas cortadeiras, as iscas granuladas têm
sido preferidas por sua facilidade de aplicação, dispensando
o uso de equipamentos onerosos.
Vários autores citam as iscas formicidas como o método
mais eficiente, econômico e seguro para o homem controlar formigas
cortadeiras em áreas florestais, sendo que, o método tradicional
de aplicação de iscas, que consiste na distribuição
de iscas a granel nos formigueiros, apresentam alguns inconvenientes,
como: a impossibilidade de trabalhar todos os dias do ano, devido às
chuvas, dificultando o planejamento das operações e de
outras atividades interdependentes; a perda de material e horas trabalhadas
devido às chuvas imprevisíveis e à umidade do ambiente;
o elevado custo da aplicação das iscas; a intoxicação
de animais silvestres ou domésticos; a necessidade de eliminação
do sub-bosque para localizar os formigueiros, implicando em dispêndio
de recursos e em redução da diversidade biológica
do ambiente.
Entretanto, mesmo com estes inconvenientes, as iscas ainda representam
o melhor método para o controle de formigas cortadeiras. Assim,
foi desenvolvido um sistema de distribuição das iscas
no campo, que facilita sobremaneira seu emprego reduzindo os inconvenientes
do seu uso, que é a utilização de porta-iscas.
PORTA-ISCAS
Um
porta-iscas deve atender aos seguintes requisitos: comportar uma quantidade
relativamente grande de isca; proteger as iscas contra a chuva, umidade
e animais silvestres; permitir uma ventilação eficiente,
para que não ocorra condensação de vapor de água
e permita a liberação do odor da isca para a atratividade;
evitar o aquecimento interno, que seria prejudicial à isca; possibilitar
o controle preventivo e intensivo dos sauveiros, mesmo que sejam de
difícil localização. Existem dois tipos de porta-iscas,
o convencional e o micro-porta-iscas (MIPI).
a)
Porta-iscas convencional (Copo)
O
porta-iscas consiste em copos de papel parafinado externamente, de formato
cônico, com dimensões de 6,0 x 6,0 x 7,0 cm, respectivamente,
diâmetro da base, altura e diâmetro da boca. Possuem 6 orifícios
laterais equidistantes de um centímetro de diâmetro.
De acordo com os autores, a isca é envolvida em plástico
transparente de 25 x 25 cm, 0,2 mm de espessura, que é colocado
dentro do copo e este é tampado. Este plástico é
banhado anteriormente em água açucarada, na concentração
de 40 gramas de açúcar para um litro de água, atuando
como atrativo às formigas, reduzindo em média para duas
a quatro horas a localização do porta-iscas pela formiga
, ao passo que sem o atrativo, o porta-iscas permanece de 10 a 30 dias
até ser descoberto, podendo ocorrer perda das iscas por penetração
de umidade.
b)
Micro-porta-iscas (MIPI)
O
porta-iscas MIPI, consiste em um saquinho plástico, que contém
em seu interior determinada quantidade de isca formicida, com as dimensões
de 6 x 8 cm, com espessura de 0,06 mm, na cor juta, que permite que
o saquinho confunda-se com as folhas que estão no solo. A dosagem
de isca normalmente utilizada é de 10 gramas por recipiente plástico,
com preferência para a micro-isca granulada, para facilitar o
controle de quenquéns.
EFICIÊNCIA DOS PORTA-ISCAS
Com
a distribuição regular de porta-iscas, torna-se desnecessária
a localização e medição de todos os formigueiros,
bastando apenas algumas amostragens para que se conheça a taxa
de infestação das áreas reflorestadas, para determinar
a densidade de porta-iscas por hectare.
Em 1982, diversos protótipos de porta-iscas foram testados, os
quais apresentaram resultados animadores, embora necessitassem de aperfeiçoamento
na sua construção. Quando a distribuição
de iscas com porta-iscas foi comparada com os métodos tradicionais,
evidenciaram-se uma série de vantagens técnicas, ecológicas
e econômicas destes recipientes.
Quanto a eficiência de porta-iscas, estes podem ter 100% de eficácia
quando os formigueiros apresentam superfície aparente maior ou
igual a um metro quadrado. Neste caso, as áreas eliminadas de
formigueiros de saúvas em florestas é de praticamente
100%, em três meses. Para o controle de quenquéns os porta-iscas
convencionais são mais limitados, embora algumas pesquisas realizadas
no Vale do Rio Doce - MG, observaram a eliminação de todos
os formigueiros em 75 dias, com porta-iscas convencionais.
Em relação ao porta-iscas tipo MIPI com 5 a 10 gramas
de iscas, observou-se que estes tem maior probabilidade teórica
de sucesso no controle de quenquéns, pois a nuvem de pontos aumenta
consideravelmente (10 vezes). O custo dos MIPI é 7 vezes mais
baixo que o porta-iscas convencional e os custos de distribuição
também sensivelmente mais baixos. Porém deve ser lembrado
que os MIPI também apresentam desvantagens, sendo a principal
dificuldade determinar antes da aplicação a densidade
mais adequada para cada área, proporcionando uma quantidade de
iscas sem excessos, que seja eficaz para eliminar os formigueiros. Os
autores que avaliaram este tipo de porta-iscas, observam que o uso do
micro-porta-iscas, com quantidade maior de isca certamente implicariam
num aumento do consumo parcial, causado principalmente pelas formigas
do gênero Acromyrmex, que têm necessidade de consumo menor
do que as saúvas. Assim os MIPIS tornam-se muito mais eficazes
para quenquéns do que o porta-iscas convencional, que apresenta
dosagem maior de isca.
Os MIPI intactos, desde que tenham vedação perfeita e
sejam confeccionados com material apropriado, podem ter vida útil
no campo por mais de 4 meses, podendo agir de maneira preventiva contra
uma reinfestação de formigas, o que é muito importante
na fase inicial de uma floresta.
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