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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Toneladas de jade nefrita gigante são descobertas no Canadá

Tons of Giant Nephrite Jade Discovered in Canada
A pedra do orgulho polar - chamada “a descoberta do milênio” por especialistas em comércio - foi descoberta no Canadá. A pedra de 18 toneladas foi dividida ao meio para talhar. Cortesia do Jade West Group.

Jade é um termo comercial que engloba material verde, branco, preto ou marrom-amarelo que consiste em piroxeno rico em Na (jadeita) ou anfibólios prismáticos a aciculares da série tremolita-actinolita que formam feixes orientados aleatoriamente e intertravados (nefrita) .

A nefrita é mais resistente (mais difícil de quebrar) do que o material de jadeíta. Sua resistência à fratura é de cerca de 200 MN / m2, enquanto a de jadeíta é de cerca de 100 MN / m2. Por outro lado, o material de jadeíta é mais duro (7 comparado a 6,5 ​​na escala de Mohs ).


Jade Na Colúmbia Britânica

Tons of Giant Nephrite Jade Discovered in Canada


O jade foi identificado pela primeira vez no Canadá por colonos chineses em 1886 na Colúmbia Britânica. Naquele momento, o jade era considerado inútil, pois eles procuravam ouro. Jade não foi comercializado no Canadá até a década de 1970. O negócio de mineração Loex James Ltd., iniciado por dois californianos, iniciou a mineração comercial de jade canadense em 1972.

Existem mais de cinquenta ocorrências conhecidas de nefrite na Colúmbia Britânica. Eles estão localizados nas áreas de Cassiar, Cry and Dease Lake e Mount Ogden, bem como no sul da Colúmbia Britânica. Essas ocorrências consistem em blocos individuais, campos de rochas, blocos de talus e ocorrências in situ. A maioria das ocorrências in situ é do tipo lente ou charuto.


Ocorrem nos contatos de rochas ultramáficas / máficas (principalmente serpentinitas) ou próximas a elas, e outras rochas félsicas metassedimentares ou ígneas de terranos oceânicos, como os terranos Cache Creek (Mississippian a Jurassic) e Slide Mountain (Devonian a Permian).  
 
Esses contatos são comumente interpretados como relacionados a cisalhamento / falha. Em geral, acredita-se que a nefrita da Colúmbia Britânica seja formada por trocas metassomáticas entre rochas ultramáficas e siliciosas.  
 
As impurezas na nefrita são minerais do grupo espinélio (cromita, magnetita, picolita), diopsídeo, uvarovita, titanita, clorita e talco.

Até a década de 1960, quase toda a nefrita produzida na Colúmbia Britânica vinha de depósitos secundários.  
 
Com a rápida expansão da atividade lapidária amadora após a Segunda Guerra Mundial, a produção nos campos de jade da Colúmbia Britânica aumentou e eles se tornaram os fornecedores mais importantes. Na mesma época, os mercados foram abertos na Alemanha e no Oriente.  
 
A atividade de mineração esgotou gradualmente os depósitos secundários, mas os valores crescentes levaram a novas explorações. Esses esforços descobriram depósitos primários adjacentes à área do rio Fraser, no sul da Colúmbia Britânica, à área do Monte Ogden, no centro da Colúmbia Britânica, e aos campos de jade Cassiar, no extremo norte. Hoje, a Colúmbia Britânica é o principal fornecedor para o mercado da China.

Tons of Giant Nephrite Jade Discovered in Canada
Nefrite na Colúmbia Britânica. Crédito da foto: e-NetworkAssociates. com
O Jade West Group, fundado em 1981, é o maior participante em mineração e comércio de nefrita verde na Colúmbia Britânica. Kirk Makepeace, fundador da empresa, é um ávido promotor da pedra. Ele começou com um emprego de verão como perfurador de jade.


A mineração de nefrita na Colúmbia Britânica é muito desafiadora. Os invernos são longos e rigorosamente frios, e os depósitos são remotos; portanto, a mineração só pode acontecer durante a curta temporada de verão, cerca de 60 dias por ano. Quase todos os depósitos secundários estão esgotados; portanto, a mineração atual é quase toda de depósitos primários. Transportar o equipamento pesado para os locais de mineração é um trabalho árduo.

Tons of Giant Nephrite Jade Discovered in Canada
Nefrita extraída na Colúmbia Britânica no Canadá

A Jade West usa serras circulares e arame revestidas de diamante e modernos separadores hidráulicos de alta pressão para remover a nefrita da montanha e a viu em pedaços de tamanho gerenciável. A excelente tenacidade de Nephrite torna extremamente difícil romper a rocha. Embora a explosão tenha sido usada no passado, Jade West não usa mais explosivos.

Depósitos de nefrite variam de 12 polegadas a 12 pés de largura. Os depósitos mais amplos são muito difíceis de extrair. Os pedregulhos de nefrita na superfície às vezes atingem pesos de 200 toneladas e raramente atingem menos de 100 libras, mas a Jade West tenta limitar o peso de seus pedregulhos a cinco toneladas, que é um tamanho razoável para mineração, manuseio e transporte em caminhões. a cidade mais próxima, a cerca de 160 quilômetros de distância. O peso médio é de duas toneladas, tamanho que satisfaz a maioria das fábricas de escultura na China.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Rochas

31/01/2019
Por: Marcus V. Cabral
Fonte: CPRM

Rocha é uma associação natural de minerais (geralmente dois ou mais), em proporções definidas e que ocorre em uma extensão considerável. O granito, por exemplo, é formado por quartzo, feldspato e, muito frequentemente, também mica.Algumas rochas são constituídas por um único mineral, mas são consideradas rocha e não mineral porque ocorrem em grandes volumes, formando, por exemplo, um morro inteiro ou camadas que podem se estender por dezenas de quilômetros. Essas rochas são chamadas de monominerálicas. São exemplos o calcário (formado de calcita) e o quartzito (formado de quartzo).
Os minerais presentes em uma rocha podem ser essenciais ou acessórios.Minerais essenciais são aqueles que definem a natureza da rocha. São eles que dizem que uma rocha vulcânica é um basalto e não um riolito. Minerais acessórios são aqueles que aparecem na rocha em quantidades pequenas e que não afetam sua classificação, podendo servir para definir uma variedade de rocha. Um basalto costuma ter magnetita, mas se ela não estiver presente ele continuará sendo um basalto. Um sienito não precisa ter nefelina para ser sienito, mas se tiver será uma variedade chamada sienito nefelínico.
As rochas podem ser agrupadas em três grandes grupos, conforme o processo de formação: ígneas, metamórficas ou sedimentares. As rochas sedimentares constituem apenas 5% da crosta terrestre, os restantes 95% são de rochas ígneas ou metamórficas.

 Granito Ornamental
Granito Ornamental

Rochas Ígneas
Também chamadas de magmáticas, são rochas que se formaram pelo resfriamento e solidificação de um magma. Magma é o material em estado de fusão que existe abaixo da superfície terrestre e que pode extravasar através dos vulcões (passando então a se chamar lava). De sua composição vai depender a composição da rocha magmática a se formar.Se o magma resfria na superfície da Terra, após ser expelido por um vulcão, origina uma rocha ígnea vulcânica (também chamada de extrusiva). O exemplo mais comum é o basalto. Se o magma sobe através da crosta, mas resfria ainda dentro dela, em grandes profundidades, ele origina uma rocha ígnea plutônica (também chamada de intrusiva). O exemplo mais comum é o granito. Rochas que se formam no interior da crosta, mas a pouca profundidade, são chamadas de hipoabissais. Um exemplo é o diabásio.

 Obsidiana
Obsidiana
O magma que extravasa na superfície, por entrar em contato com o ar e com o solo, resfria mais depressa que aquele que se solidifica no interior da crosta. Por isso, os minerais que formam as rochas vulcânicas aparecem em cristais numerosos, mas muito pequenos, pois não tiveram tempo de se desenvolver bem. Um basalto, por exemplo, é formado por piroxênio e plagioclásio, mas não se consegue distinguir esses minerais a olho nu, apenas ao microscópio. Essas rochas são classificadas como afaníticas.Já o granito forma-se por um processo de resfriamento bem mais lento, dando tempo para que os cristais de quartzo e feldspato cresçam mais. Assim, podem-se ver nele grãos de cores diferentes, com alguns milímetros ou centímetros de diâmetro. Essas rochas são classificadas como faneríticas.
Se a lava resfria muito depressa, forma-se vidro vulcânico, e não um agregado de minerais (ou seja, não se formam cristais). A obsidiana, material usado como pedra preciosa, é um vidro vulcânico.
A textura das rochas magmáticas se define pelo tamanho dos grãos minerais que as constituem e pelas relações espaciais entre eles. Se os grãos têm aproximadamente o mesmo diâmetro, a rocha é equigranular; do contrário, é inequigranular. Se os grãos têm até 1 mm de diâmetro, ela é fina; se têm de 1 a 5 mm, é média; se têm mais de 5 mm, é grossa. Se os grãos têm uma distribuição homogênea, é isótropa; se estão alinhados segundo uma dada direção, então é orientada.
 Riodacito, rocha vulcânica ácida (RS)
Riodacito, rocha vulcânica ácida (RS)
Do ponto de vista químico, as rochas ígneas são classificadas em ácidas (mais de 66% de sílica), como o granito e o riolito; intermediárias (52 a 66% de sílica), como o sienito e diorito; básicas (45 a 52% de sílica), como o gabro e o basalto; e ultrabásicas (menos de 45% de sílica), como o peridotito. Essa classificação nada tem a ver com o conceito de acidez (pH) usado em química, e a quantidade de sílica tem pouca relação com quantidade de quartzo. As rochas ácidas são geralmente claras e as ultrabásicas, escuras.
De acordo com a maior ou menor presença de minerais escuros (minerais ferro-magne-sianos) nas rochas, elas podem ser leucocráticas (claras), melanocráticas (escuras) ou mesocráticas (intermediárias). Quando possuem mais de 90% de minerais escuros, podem ser chamadas de hipermelanocráticas.

Gabro melanocrático (São Gabriel, ES)
Gabro melanocrático (São Gabriel, ES)
As rochas vulcânicas costumam conter cavidades formadas por gases que ficaram aprisionados durante o resfriamento. Essas cavidades podem ter desde alguns milímetros até alguns metros de diâmetro e são chamadas de: vesículas, quando vazias, ou amígdalas, quando estão preenchidas por minerais. Já as plutônicas são geralmente maciças e, quando contêm cavidades, elas são milimétricas. Os minerais mais comuns nas rochas ígneas são todos do grupo dos silicatos: feldspatos, feldspatoides, quartzos, olivinas, piroxênios, anfibólios e micas. Os elementos químicos mais abundantes nelas são o silício e o oxigênio (75% do total), mas são também importantes o alumínio, ferro, cálcio, sódio, potássio, magnésio e titânio.

Basalto com amígdalas (Sananduva, RS)
Basalto com amígdalas (Sananduva, RS)
Um tipo especial de rochas ígneas são as rochas piroclásticas, aquelas formadas nas erupções vulcânicas explosivas. Elas são formadas de ejetólitos, que podem ser blocos (mais de 32 mm, totalmente sólidos), bombas (mais de 32 mm, total ou parcialmente fundidos), lapíli (4 a 32 mm) ou cinzas (menos de 4 mm).As bombas formam aglomerados vulcânicos; os blocos, brechas vulcânicas; os lapíli, lapíli-tufos; e as cinzas, tufos vulcânicos.

 Acervo do Museu de Geologia da CPRM
Acervo do Museu de Geologia da CPRM
As rochas ígneas costumam ser maciças, ter boa resistência mecânica e cristais bem formados. Proporcionam bom polimento e são, por isso, muito valiosas como rochas ornamentais. A foto da esquerda mostra diversos tipos de rochas usados para esse fim.Há grande interesse econômico também porque nelas se encontra boa parte dos minerais úteis. Os pegmatitos, rochas magmáticas de granulação muito grosseira, são fonte de numerosos minerais valiosos, como quartzo, feldspato, andaluzita, apatita, berilo, moscovita, bismuto, cassiterita, columbita, fluorita, galena, granadas, ouro, grafita, monazita, rodonita, espodumênio, tantalita, titanita, topázio, turmalinas, água-marinha, esmeralda, crisoberilo, volframita, xenotímio, trifilita, ambligonita etc. Eles são uma das principais fontes de pedras preciosas e de minerais raros.
Os canyons do Itaimbezinho e os morros da praia de Torres, todos no Rio Grande do Sul, são formados por rochas ígneas. Os rochedos do arquipélago de Fernando de Noronha e o morro Dedo de Deus, em Teresópolis (RJ), são outros exemplos.


Rochas Sedimentares
 Conglomerado
Conglomerado
São rochas que se formam na superfície da crosta terrestre sob temperaturas e pressões relativamente baixas, pela desagregação de rochas pré-existentes seguida de transporte e de deposição dos detritos ou, menos comumente, por acumulação química. Conforme a natureza desse material podem ser detríticas ou não detríticas.Possuem porosidade e permeabilidade, uma marcante estratificação e baixa resistência mecânica. São muito difíceis de polir e podem conter fósseis. As camadas de rochas sedimentares podem totalizar vários quilômetros de espessura.
Exemplos de rochas sedimentares muito conhecidas no Brasil são as que formam os morros de Vila Velha (PR), a Chapada Diamantina (BA) e a Gruta de Maquiné (MG). No exterior, é muito conhecido o Gran Canyon (Colorado, EUA).
De um modo geral e amplo, as rochas sedimentares mais comuns podem ser divididas em arenosas (detríticas), argilosas (detríticas) e carbonatadas (não detríticas), estas últimas subdivididas em calcários e dolomitos.
Rochas sedimentares detríticas (também chamadas de clásticas) são aquelas formadas pela deposição de fragmentos de outras rochas (ígneas, metamórficas ou mesmo sedimentares). Esses fragmentos, principalmente quartzo e silicatos, constituem os sedimentos e surgem por efeito da erosão. Chuva, vento, calor e gelo vão fragmentando as rochas e os pedaços que se soltam são transportados para lugares mais baixos pela ação da gravidade, de rios, de geleiras ou do vento.
O mais extenso e mais duradouro dos ambientes de deposição é o marinho. Ele é o destino final de todos os sedimentos e nele estão a maior parte dos sedimentos detríticos.
Conforme o diâmetro dos grãos desses sedimentos, eles podem ser, do maior para o menor: cascalho, areia, silte ou argila (conforme tabela a seguir). Cascalhos formam conglomerados e brechas, areias formam arenitos, siltes formam siltitos e argilas formam argilitos.
SEDIMENTO
DIÂMETRO
ROCHA SEDIMENTAR
Cascalho Muito grosso (matacões)
Grosso
Médio (seixos)
Fino (grânulos)
mais de 256 mm
de 64 mm a 256 mm
de 4 mm a 64 mm
de 2 mm a 4 mm
Conglomerado
(fragmentos
arredondados)
ou brecha
(fragmentos angulosos)
Areia Muito grossa
Grossa
Média
Fina
Muito fina
de 1 mm a 2 mm
de 0,5 mm a 1 mm
de 0,25 mm a 0,5 mm
de 0,125 mm a 0,25 mm
de 0,062 (ou 0,05) mm a 0,125 mm
Arenitos
Silte de 0,005 mm a 0,062 (ou 0,05) mm
Siltitos
Argila menos de 0,005 mm Argilitos
Esses sedimentos são transportados até uma bacia sedimentar, deserto ou delta de rio e, então, começam a ser compactados pelo peso de mais sedimentos que sobre eles se depositam.As rochas argilosas são as mais abundantes das rochas sedimentares, mas também as mais difíceis de estudar, devido à granulação fina dos sedimentos que as formam.
A deposição começa sempre pelas partículas maiores e mais pesadas. As menores, mais leves e menos esféricas tendem a prosseguir, sendo depositadas depois e mais adiante.

 Siltito com uma folha fossilizada (Bariloche, Argentina, Coleção Pércio M. Branco)
Siltito com uma folha fossilizada (Bariloche, Argentina, Coleção Pércio M. Branco)
Com o tempo, os grãos ou seixos vão se unindo, muitas vezes pela precipitação, entre eles os de óxido de ferro ou de carbonato de cálcio, de modo a ficarem cimentados, originando então a rocha sedimentar. Se o sedimento for areia, formará um arenito; se for argila, formará uma argilito etc., conforme visto na tabela acima.As mudanças na textura e na composição sofridas pelos sedimentos em temperaturas relativamente baixas e que levam à formação da rocha sedimentar chamam-se diagênese. Ela pode ocorrer logo após a deposição ou bem depois.
Rochas sedimentares não detríticas surgem pela precipitação química de sais ou pela acumulação de restos orgânicos de animais e plantas. Quando formadas por sais, são chamadas de químicas. Ex.: calcário e evaporito. Se formadas por restos orgânicas, são chamadas de orgânicas. Ex.: guano e carvão.
As rochas sedimentares químicas são formadas principalmente por carbonatos, sulfatos, sílica, fosfatos e haloides. As principais rochas calcárias são o calcário (composto essencialmente de calcita) e o dolomito (composto de dolomita). Tipos mistos são os calcários dolomíticos. Afora os carbonatos, costumam conter quartzo, argila e outros minerais.
As rochas sedimentares costumam ser muito porosas, o que permite que nelas se acumule água. São, por isso, importantes fontes de água subterrânea. Aquelas que possuem água em poros que se interconectam (isso é, que são porosas e permeáveis) constituem aquíferos, ou seja, massa rochosa capaz de armazenar e fornecer água. Arenitos costumam ser ótimos aquíferos.


Rochas Metamórficas
São aquelas formadas a partir de outra rocha (sedimentar, ígnea ou metamórfica) por ação do metamorfismo. Entende-se por metamorfismo o crescimento de cristais no estado sólido, sem fusão. A mudança nas condições de pressão e temperatura provoca mudanças na composição mineralógica da rocha ou pelo menos deformações físicas.Um calcário, por exemplo, submetido a um aumento de pressão e temperatura, transforma-se em mármore; um arenito transforma-se em quartzito; um folhelho (rocha sedimentar argilosa) transforma-se em ardósia.
O limite entre rochas sedimentares e metamórficas é arbitrário e difícil de estabelecer, exceto onde o calor e os esforços tenham sido primordiais nas mudanças. Já a distinção entre rochas sedimentares e ígneas é fácil, a não ser quando se trata de rochas ígneas piroclásticas.
Uma característica típica das rochas metamórficas é a foliação (xistosidade), estrutura paralela que produz partição mais ou menos plana na rocha.
O conjunto de rochas metamórficas de qualquer composição que tenham se formado nos mesmos intervalos de pressão e temperatura constitui uma fácies metamórfica. Há sete fácies metamórficas principais: fácies piroxênio-hornfels, fácies granulito, fácies eclogito, fácies anfibolito, fácies albita-epídoto-anfibolito, fácies xistos verdes e fácies sanidinito.
A rocha levada a um determinado grau de metamorfismo pode depois sofrer metamorfismo parcial em temperatura mais baixa, chamado de retrometamorfismo.
As rochas metamórficas distribuem-se principalmente nas regiões montanhosas. A mais antiga de todas as rochas encontradas até hoje na Terra é uma rocha metamórfica que existe no Canadá, o Gnaisse Acasta, de 3,96 bilhões de anos, descoberto em maio de 1984.
O metamorfismo, processo que gera uma rocha metamórfica, pode ser:
a) metamorfismo de contato - o que surge pela ação de um magma sobre as rochas vizinhas. Ocorre principalmente nas proximidades de rochas plutônicas ácidas.
b) metamorfismo regional - aquele que surge em massas de rocha que são enterradas e submetidas a determinadas condições de pressão e temperatura. Pode ser de baixo, médio ou alto grau. Afeta áreas com até milhares de quilômetros quadrados e em grandes profundidades. Quando a temperatura ultrapassa a faixa de 700-800 ºC, as rochas começam a se fundir, produzindo magma.
c) metamorfismo dinâmico (ou cinemático) - aquele que ocorre em zonas de deformação estreitas, com intenso deslocamento.
d) metamorfismo de impacto - o que ocorre em decorrência do impacto de um meteorito.

 Xisto rico em mica, com cristais de turmalina
Xisto rico em mica, com cristais de turmalina
Habitualmente se distinguem as rochas ortometamórficas, originadas das ígneas, e as parametamórficas, resultantes da transformação de rochas sedimentares.De acordo com a textura, as principais classes de rochas metamórficas são:
- Hornfels (cornubianitos): rochas sem foliação, grãos equidimensionais, formados por metamorfismo de contato.
- Ardósias: granulação fina (cristais microscópicos), foliação tabular perfeita (clivagem ardosiana), mas sem faixas, formadas por metamorfismo regional sobre rochas sedimentares clásticas finas (argilitos e siltitos).
- Filitos: xistosas; de granulação fina, mesma origem das ardósias; mas com granulação maior, às vezes com faixas incipientes; brilho sedoso.
- Xistos: acentuadamente foliados, com grãos que permitem fácil identificação dos principais componentes, ricos em mica, formados por metamorfismo regional ou de deslocamento profundo.
- Anfibolitos: granulação média a grossa composta principalmente de hornblenda e plagioclásio, foliação menos nítida que nos xistos típicos formados por metamorfismo regional de grau médio a alto.
- Gnaisses: granulação grossa, bandas irregulares, predomínio do quartzo e do feldspato sobre as micas, tornando a foliação menos visível. Metamorfismo regional de grau alto.
- Granulitos: rochas equigranulares, sem micas e sem anfibólios, portanto sem foliação nítida. Metamorfismo regional de alto grau.
- Mármores: compostos de calcita ou dolomita usualmente pouco foliados. Forma corpos lenticulares.
- Cataclasitos: formados por deformação sem alteração química. Aumentando a deformação e surgindo faixas e listras, passam a milonitos.
- Milonitos: rochas de granulação fina resultantes da trituração de rochas mais grossas. Têm aspecto de sílex e formam-se por metamorfismo de deslocamento extremo, sem alteração química digna de nota.
- Filonitos: aspecto semelhante ao de filitos, formadas como os milonitos, mas com pronunciada reconstituição química, surgindo películas de mica nos planos de foliação.


Ciclo das Rochas
Os diferentes processos formadores de rochas permitem que se estabeleça esquematicamente um ciclo das rochas, como se vê no esquema a seguir.
 Ciclo das Rochas (Dicionário Livre de Geociências)
Ciclo das Rochas (Dicionário Livre de Geociências)
As rochas ígneas (à esquerda no desenho) sofrem erosão, dando origem a sedimentos que por transporte, deposição e diagênese (compactação + cimentação) geram rochas sedimentares. Estas, por metamorfismo, geram rochas metamórficas. As metamórficas, por sua vez, podem sofrer fusão, formando magma que vai originar nova rocha ígnea, fechando o ciclo.
Mas rochas metamórficas também sofrem erosão e, portanto, também originam sedimentos. Do mesmo modo, uma rocha sedimentar pode sofrer erosão ou fusão e originar outra rocha sedimentar ou uma rocha ígnea, respectivamente. Rochas ígneas, por sua vez, podem sofrer metamorfismo, dando origem a uma rocha metamórfica. Portanto, qualquer um dos três tipos de rocha pode originar qualquer um dos outros dois.

 Varvito
Varvito


Curiosidades
O charnockito tem esse nome porque foi descoberto no túmulo de Job Charnock, fundador de Calcutá (Índia).O anortosito é uma rocha relativamente rara na Terra, mas que existe na lua.
O lápis-lazúli, uma apreciada pedra preciosa, é uma rocha, não um mineral. É composto principalmente de lazurita e calcita, contendo também hauynita, pirita, sodalita e outros minerais.
O varvito (foto abaixo) é uma rocha sedimentar que se forma em lagos glaciais. Ele mostra uma curiosa alternância de lâminas claras e escuras, sempre planas e paralelas, em geral muito regulares. Cada par de lâminas clara e escura (chamado varve) corresponde à deposição de sedimentos de um ano, sendo a parte clara (areia, silte e argila) depositada no verão e a escura (silte e/ou argila), depositada no inverno. Assim, o varve tem período de formação conhecida e a espessura de suas lâminas dá uma indicação sobre a duração maior ou menor do inverno e do verão.
O sedimento formado por fragmentos com mais de 256 mm de diâmetro chama-se matacão. Essa palavra significa exatamente o que sugere: mata-cão, ou seja, é uma pedra de tamanho suficiente para matar um cão.


Fontes
BRANCO, Pércio de Moraes. As rochas (curso de extensão para professores do Ensino Médio). (Inédito)________.Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 608 p. il.
ENCYCLOPAEDIA Britannica do Brasil Publicações Ltda.

domingo, 25 de novembro de 2018

Conheça 8 importantes minerais minérios

 
Sabe-se que metais não são encontrados na natureza na forma que os utilizamos, sendo eles obtidos, geralmente, a partir da extração e beneficiamento de minerais. O mineral-minério nada mais é que a parte do depósito de minério (material natural do qual pode ser extraído um ou mais minerais, de valor econômico aproveitável) que é economicamente aproveitável. 
É importante ressaltar que os sulfetos formam uma importante classe de minerais que incluem a maioria dos minerais minérios. Entretanto no texto de hoje, contemplamos apenas aqueles pertencentes à classe dos óxidos. Depois de explicarmos o básico sobre as propriedades dos minerais em como identificar minerais, apresentamos alguns dos importantes minerais-minérios dessa classe. 

Mineraisminérios de ferro


Utilizados em uma enorme escala de aplicações, como transportes, construções, máquinas industriais e eletrodomésticos, o ferro é um dos sustentadores da civilização moderna. Os principais minérios de ferro são hematita, magnetita e goethita, comumente encontrados em depósitos encontrados em formações ferríferas bandadas (BIF’s)

1. Hematita


hematita
Hematita
A hematita (Fe2O3) é um mineral do classe dos óxidos, pertencente ao grupo de nome homônimo, apresentando estrutura hexagonal. Principal constituinte do minério de ferro, a hematita possui brilho metálico, coloração vermelha a marrom-avermelhada ou preta. Diferencia-se pelo seu traço vermelho característico.
Cerca de 60% da produção nacional provém de Minas Gerais (quadrilátero ferrífero), sendo a hematita amplamente distribuída em rochas ígneas, sedimentares e metamórficas e forma o minério de ferro mais abundante.

2. Magnetita


magnetite
Magnetita de hábito octaédrico
A magnetita (Fe3O2) também faz parte do classe dos óxidos, enquadrando no grupo do espinélio, apresentando estrutura cristalina isométrica. Apresenta brilho metálico e é caracterizado principalmente por seu forte magnetismo, sua cor preta e por sua dureza (6). Comumente aparece na forma de octaedros.
É um mineral comum encontrado disseminado como um acessório na maioria das rochas ígneas. Com frequência está associado a corpos altamente titaníferos e geralmente associam-se com rochas metamórficas.

3. Goethita


goethita
Goethita apresentando seu hábito botrioide típico.

A Goethita (αFeO(OH) enquadra-se na classe dos hidróxidos, apresentando estrutura cristalina ortorrômbica. Aparecendo comumente sob a forma de um agregado cristalino fibroso, esse mineral pode ocorrer em vários tons de castanho, laranja, amarelo e vermelho, ainda que mantenha traço característico castanhoamarelado. É opaco e tem brilho adamantino.
É um dos minerais mais comuns sendo tipicamente formado sob condições oxidantes como produto de intemperismo de minerais com ferro.

Minerais-minério de alumínio


Embora não seja uma espécie mineral, a bauxita é o principal minério de alumínio (terceiro elemento mais abundante na natureza) sendo constituída por um agregado de minerais óxidos de alumínio, a mistura de diásporo, gibbsita e boehmita.

4. Bauxita

bauxitaÀ esquerda, bauxita, e à direita, alumínio primário (Mineração Rio do Norte).
A bauxita é composta por uma mistura de óxidos hidratados de alumínio em várias proporções, aparecendo comumente como grãos concrecionais arredondados, sendo também maciça, terrosa e semelhante a material argiloso.
A formação da bauxita resulta da decomposição de rochas alcalinas, provocada pela infiltração da água das chuvas nas rochas ao longo de milhões de anos. A coloração avermelhada desse minério é determinada pela presença de óxidos de ferro. Para que seja economicamente aproveitável, a bauxita deve apresentar no mínimo 30% de óxido de alumínio.

Minerais-minério de manganês


Minerais de minério de manganês comuns são a pirolusita, a manganita e a romanechita (também conhecido como psilomelano). As maiores reservas de minério de manganês estão no campo manganífero Kalahari, na África do Sul, possuindo 81% das reservas mundiais conhecidas em terra.

5. Pirolusita


Pirolusita
Pirolusita
A pirolusita (MnO2) enquadra-se na classe dos óxidos, de sistema cristalino tetragonal, e raramente tem cristais bem desenvolvidos. Geralmente aparece fibrorradiado ou colunar. É caracterizada e diferenciada dos outro minerais de manganês pelo seu risco preto e por sua baixa dureza.

6. Manganita


Manganita
Manganita
A manganita (MnO(OH)) enquadra-se na classe dos hidróxidos, com sistema cristalino monoclínico. Apresenta geralmente cristais prismáticos, frequentemente colunares a grosseiramente fibroso. É reconhecido principalmente por sua cor preta e cristais prismáticos. Sua dureza (4) e traço marrom a distinguem da pirolusita.

7. Romanechita


Romanechita
Romanechita
A romanechita também é um hidróxido, do sistema cristalino monoclínico e de hábito botrioidal. Diferencia-se dos outros óxidos de manganês por sua dureza mais elevada e forma botrioide, e da limonita por seu traço preto.

Mineral-minério de Cromo


Olivina peridotito. Composta sobretudo por olivina, o peridotito é a fonte mais importante de minérios de cromo.
Olivina peridotito. Composta sobretudo por olivina, o peridotito é a fonte mais importante de minérios de cromo.
O único mineral minério de minério do cromo é a cromita. Ela ocorre em rochas ultrabásicas como os peridotitos. As duas maiores regiões produtoras de cromita localizam-se na África do Sul e no Zimbábue.

8. Cromita

Cromita - Fonte: https://rochasmineraisgemasfosseis.blogspot.com
Cromita – Fonte: https://rochasmineraisgemasfosseis.blogspot.com
A cromita (FeCr2O4) é um óxido de sistema cristalino isométrico, sendo caracterizada por ser insolúvel, traço castanho a preto, forma octaédrica e magnetismo baixo a ausente.
Também é usada como material refratário, pigmentos em tintas, na fabricação de cromatos, na preparação de sais de cromo, como camada isolante quimicamente neutra entre tijolos de magnesita e de sílica refratária, e na fabricação de tijolos refratários com magnesita (cromo-magnesita), para fornos de aço.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Os minerais e suas aplicações

Prof. Dra. Eliane Aparecida Del Lama
13/06/2003
 
A Mineralogia, ciência dos minerais, relaciona-se diretamente não só com a Geologia, como também com a Física e a Química. 

Os minerais são sólidos inorgânicos que têm composição química em proporções características e cujos átomos são arranjados num padrão interno sistemático.
Agregados, ou combinações, de um ou mais minerais originam as rochas.
As propriedades físicas podem ser muito úteis na determinação dos minerais. Entre essas propriedades, as mais usadas são: forma dos cristais, cor, brilho, cor do traço, dureza, clivagem, fratura, densidade relativa, propriedades organolépticas e efervescência. 

Os minerais podem ser agrupados com base na composição química. O grupo mais abundante é o dos silicatos (por exemplo: quartzo - SiO2). Os principais grupos não silicatos são: elementos nativos (ouro - Au), sulfetos (pirita - FeS2), óxidos (magnetita - Fe3O4), halóides (fluorita - CaF2), carbonatos (calcita - CaCO3), sulfatos (barita - BaSO4) e fosfatos (apatita - Ca5(PO4)3(F, Cl, OH)).
Os minerais são indispensáveis ao bem-estar, à saúde e ao padrão de vida do ser humano.
Alguns usos dos minerais:
  • Minerais metálicos podem ser importantes para a sociedade: galena (minério de chumbo), hematita (minério de ferro), cassiterita (minério de estanho), cromita (minério de cromo).
  • Minerais usados na indústria química: pirita - fornece enxofre para a fabricação do ácido sulfúrico, halita - fonte de sódio e de cloro.
  • Minerais de interesse gemológico: diamante, coríndon (rubi e safira), topázio, berilo (água-marinha e esmeralda).
  • Minerais usados para fabricação de fertilizantes: silvita - fonte de potássio.
  • Minerais usados na construção civil: calcita - fabricação de cimentos e cal para argamassa, gipso - produção de gesso.
  • Minerais usados como abrasivos: diamante, granada, coríndon.
  • Minerais usados para cerâmica: argila, feldspato.
  • Minerais usados nos aparelhos ópticos e científicos: quartzo, calcita.
Os minerais são recursos naturais não renováveis e o seu aproveitamento deve ser feito de forma racional e sustentável.
Apreciar minerais é também uma forma de apreciar a natureza.
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