Mostrando postagens com marcador mandioca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mandioca. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Forma mais popular da mandioca é consumida há 9 mil anos

19 de abril de 2018

Peter Moon  |  Agência FAPESP – Mandioca, mandioca-mansa, macaxeira, aipim e vários outros nomes no Brasil. Manioc ou casava nos países de língua espanhola. Existem muitas formas para designar a espécie Manihot esculenta, que produz uma raiz rica em amido e foi domesticada há cerca de 9 mil anos. Estudos genéticos e arqueológicos indicam que isso ocorreu na região do Alto Rio Madeira, no atual estado de Rondônia.

Forma mais popular da mandioca é consumida há 9 mil anos Estudo molecular sugere que a mandioca-mansa ou macaxeira possui uma história de dispersão diferente da mandioca-brava. Domesticação envolveu a seleção de variedades com menores teores de ácido cianídrico, possibilitando o consumo (fotos: Alessandro Alves-Pereira)
 
 A forma como se desenrolou a transmissão do cultivo da mandioca pelas Américas ainda é algo nebuloso. Especula-se que a partir do centro original de domesticação no sudoeste da Amazônia o cultivo da mandioca se disseminou entre as etnias indígenas seguindo o curso dos grandes rios amazônicos, que são até hoje as principais vias de transporte da região.

Tal hipótese necessitava de comprovação e esse foi o objetivo de um estudo da diversidade genética feito por Alessandro Alves-Pereira, que fez doutorado no Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), e atualmente é pós-doutorando no Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O trabalho teve supervisão de Maria Imaculada Zucchi, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), e contou com apoio da FAPESP. Resultados foram publicados nos Annals of Botany.

“A integração de estudos arqueológicos e etnobotânicos sugere que a dispersão da cultura da mandioca está ligada aos movimentos humanos pré-históricos ao longo dos rios amazônicos. A partir daí, decidimos usar técnicas de biologia molecular para buscar sinais genéticos de tal dispersão ao analisar a variação no genoma da mandioca”, disse Alves-Pereira.

O grupo – formado por outros pesquisadores da Esalq, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade Federal do Amazonas – estudou os dois tipos de genoma de Manihot esculenta: o nuclear, que se encontra no núcleo das células, e o genoma do cloroplasto, a organela presente nas células das plantas onde é realizada a fotossíntese.

Cada genoma fornece um tipo de informação sobre a história evolutiva. O genoma do cloroplasto nas plantas angiospermas (o caso da mandioca) é geralmente transmitido de geração em geração unicamente pelo lado materno. Ou seja, ao se comparar o genoma de diversas amostras de mandioca coletadas em regiões diferentes, é possível construir árvores genealógicas da linhagem materna.

Com o genoma nuclear é diferente. Ele sofre recombinação a cada evento reprodutivo, ao mesclar partes dos genomas da planta-pai e da planta-mãe durante a fertilização do embrião.

“O genoma nuclear fornece uma ‘fotografia’ mais recente da diversidade da mandioca e revela maior variação do que o genoma do cloroplasto, mas não permite voltar muito no tempo para saber quando ocorreram as diversificações”, disse Alves-Pereira.

O material analisado veio do cultivo de agricultores familiares de 44 municípios ao longo de alguns dos principais rios amazônicos: Negro, Branco, Madeira, Solimões e Amazonas. Também foram coletadas amostras no nordeste do Pará e no sul de Rondônia.

Entre 2010 e 2015, foram coletadas amostras de folhas de 596 indivíduos, sendo 325 de mandioca-brava, 226 de mandioca-mansa, 28 da forma selvagem Manihot esculenta ssp. flabellifolia e 17 não designadas – encontradas fora de áreas de cultivo e, portanto, desassociadas do cultivo tradicional.

Manihot esculenta ssp. flabellifolia é a espécie selvagem, domesticada há 9 mil anos. “A mandioca selvagem possui raízes que acumulam amido, mas não são tão grandes quanto as raízes das formas domesticadas”, disse Alves-Pereira.
“A mandioca selvagem também difere nas formas como é encontrada na natureza. Ela cresce na forma de grandes arbustos, em ambientes mais abertos, e como trepadeiras em ambientes fechados no meio da mata. Já as mandiocas domesticadas são arbustos de 1 a 2 metros de altura, menores e menos ramificados do que os arbustos selvagens”, disse.
Mas a principal diferença entre as diversas variedades de mandioca está no grau de toxicidade.

A mandioca selvagem é uma planta muito venenosa. Suas raízes possuem elevado nível de substâncias precursoras do ácido cianídrico. O consumo in natura é potencialmente letal.

A domesticação da mandioca envolveu a seleção de variedades com menores teores de substâncias tóxicas, até chegar a um produto com teores mínimos, que pudesse ser consumido praticamente sem processamento.

A mandioca vendida em feiras, quitandas e supermercados é a mandioca-mansa, conhecida também como macaxeira ou aipim. Ela ainda contém certo teor de substâncias tóxicas, por isso não pode ser consumida imediatamente após ser colhida. É necessário cortar e descascar as raízes em pequenos pedaços e cozinhá-los para que as substâncias tóxicas sejam eliminadas.

Com a mandioca-brava é diferente. Ela conserva elevado teor de precursores do ácido cianídrico. Neste caso, a domesticação da mandioca-brava envolveu o desenvolvimento pelos índios de técnicas para retirar a toxicidade da planta.

Tais técnicas envolvem procedimentos como retirar a casca da mandioca, ralar a raiz, prensar a polpa resultante para retirar as toxinas, ferver a polpa para evaporar o ácido cianídrico, ou ainda fermentá-la para a produção de cauim, a bebida alcóolica tradicional nas sociedades indígenas do Brasil.

Para entender como foi o processo de disseminação do cultivo da mandioca, era preciso descobrir como e onde as formas mansa e brava se diferenciaram a partir do ancestral selvagem.

Uma vez no laboratório, a investigação de bancada de Alves-Pereira envolveu técnicas genéticas convencionais para a extração do DNA das células das folhas de mandioca. O passo seguinte foi buscar marcadores moleculares que pudessem servir como pontos de referência na comparação do genoma das diversas linhagens.

O geneticista buscou especificamente por microssatélites, que são pequenas regiões com sequências repetitivas e que ocorrem em todo o genoma. “A partir dos microssatélites, conseguimos estudar as relações genéticas entre os indivíduos. Usamos 14 microssatélites nucleares e quatro microssatélites cloroplastidiais”, disse.

Diversificação e domesticação 

Ao comparar os genomas dos 596 indivíduos, começaram as surpresas. A variação genética detectada entre as diversas amostras não apontou um viés biogeográfico, ou seja, o estudo do genoma nuclear das amostras não revelou a existência de variedades regionais. “Achávamos que o estudo genético das variedades de mandioca fornecesse pistas sobre a disseminação do cultivo através dos rios amazônicos. Não foi o que aconteceu”, disse Alves-Pereira.
Segundo Zucchi, a expectativa era encontrar evidências genéticas para explicar a dispersão geográfica da mandioca. “Não conseguimos detectar variação significativa entre os indivíduos coletados em diferentes rios, como esperado. O que se detectou foi uma grande diversidade entre as variedades mansas e bravas”, disse.
“Os dados apontaram, porém, um resultado esperado. A mandioca-mansa apresenta maior grau de heterozigosidade e uma divergência considerável quando comparada ao genoma da mandioca-brava”, disse Alves-Pereira.
No caso da mandioca-mansa, o maior acúmulo de heterozigotos (ou genótipos diferentes para um mesmo alelo), sugere a decorrência de um tempo mais longo de divergência da mandioca-mansa a partir da domesticação de uma mandioca selvagem.

Segundo Alves-Pereira, o menor grau de heterozigosidade observado no caso da mandioca-brava sugere que pode ter decorrido menos tempo desde a domesticação.

A evidência da menor consanguinidade para a mandioca-mansa reforça esta tese. Quanto maior ou mais antiga for a população de uma espécie ou de um grupo de indivíduos em processo de domesticação, menor será a chance de haver cruzamento entre irmãos ou primos “caso diferentes variedades sejam selecionadas para preferências distintas por agricultores diferentes”, disse Alves-Pereira.

Dado que as populações se diversificam geneticamente (por meio de cruzamentos ou mutações) ao longo do tempo, a menor consanguinidade entre os indivíduos de mandioca-mansa analisados pode ser um indicativo de um tempo maior de divergência em relação à mandioca selvagem.
“Concluímos que uma interpretação possível para os dados de variação genética, e como essa se distribui no espaço, era que a mandioca-mansa foi domesticada primeiro, há cerca de 9 mil anos, como sugerido na literatura genética e arqueológica. Só muito depois é que se domesticou a mandioca- brava. O processo de dispersão de ambas as variedades parece ter sido, portanto, bem diferente, tanto no tempo como no espaço”, disse Alves-Pereira.

A seleção pelas populações pré-colombianas de índios de variedades de mandioca selvagem com baixos teores de veneno até chegar à mandioca- mansa deve ter sido um processo mais antigo. Segundo Alves-Pereira, isso porque supõe-se que naquela época as populações amazônicas eram muito menores e nômades. Isso implica uma menor demanda de alimentos, que pode ser suprida por mandiocas-mansas manejadas perto das unidades familiares.

E quanto à mandioca-brava? Uma vez que se domesticou a mandioca-mansa, os antigos grupos de caçadores-coletores começaram a abandonar a vida nômade para se fixar em aldeias e cultivar suas mandiocas. O registro arqueológico indica que entre 4 e 3 mil anos atrás as populações pré-colombianas começaram a experimentar um aumento populacional. Para alimentar mais bocas, o cultivo de mandioca teve necessariamente que ser ampliado.
“O que se vê hoje na Amazônia é a mandioca-mansa comumente plantada no quintal da casa dos caboclos, e a mandioca-brava cultivada em áreas muito maiores: os roçados abertos na mata”, disse Alves-Pereira.

Era assim há 4 mil anos? O fato de a mandioca-brava ter sido domesticada em um momento de aumento de população das aldeias suscita uma questão ainda sem solução. Teria sido a necessidade de produzir mais alimento que obrigou os índios a procurar novas formas de alimentação, acabando em última instância por desenvolver técnicas de desintoxicação para poder consumir a mandioca-brava, ou foi a maior oferta de alimento decorrente da domesticação da mandioca-brava que possibilitou o adensamento populacional?

Esta não é uma questão que os geneticistas possam responder, mas é uma hipótese para guiar futuras escavações arqueológicas na Amazônia. De acordo com Zucchi, a pesquisa do genoma da mandioca prossegue. No momento, Alves-Pereira está analisando mais de 5 mil marcadores chamados SNPs (polimorfismo de nucleotídeo único), que estão sendo empregados para a construção de uma análise genética muito mais refinada.

O artigo Patterns of nuclear and chloroplast genetic diversity and structure of manioc along major Brazilian Amazonian rivers (doi:10.1093/aob/mcx190), de Alessandro Alves-Pereira, Charles R. Clement, Doriane Picanço-Rodrigues, Elizabeth A. Veasey, Gabriel Dequigiovanni, Santiago L.F. Ramos, José B. Pinheiro e Maria I. Zucchi, está publicado em https://academic.oup.com/aob/article-abstract/121/4/625/4791086.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Presentes do passado

Artigo de capa da CH de junho descreve como se deu a domesticação de plantas e paisagens culturais na Amazônia pré-histórica. Mandioca, pupunha e guaraná são apenas os exemplos mais conhecidos de culturas que mantemos até hoje. 
 
Por: Helbert Medeiros Prado e Rui Sérgio Sereni Murrieta
Publicado em 16/06/2015 | Atualizado em 16/06/2015
Presentes do passado
Há milhares de anos, os seres humanos começaram a manipular plantas e animais com o objetivo de torná-los mais apropriados para o consumo como alimentos ou como matéria-prima para artefatos. (imagem: Albert Eckhout / Wikimedia Commons.
 
Parafraseando o arqueólogo britânico Steven Mithen, em seu célebre A pré-história da mente, foram muitos os atos e as cenas que pontuaram o ‘drama’ da evolução humana ao longo de suas diversas trajetórias. Por aproximadamente 7 milhões de anos, a linhagem de primatas que culminaria nos humanos separou-se dos outros primatas, acumulando nesse vasto período importantes modificações anatômicas e comportamentais.

Nossa espécie (Homo sapiens) surge na África, há cerca de 200 mil anos, mas as mudanças comportamentais e cognitivas consideradas ‘modernas’ parecem ter emergido apenas nos últimos 50 mil anos de nossa história. A partir desse período, ocorre uma série de manifestações simbólicas em forma de ornamentos corporais, pinturas rupestres e sepultamentos ritualizados, como revelam sítios arqueológicos pelo mundo afora. Estavam lançadas as bases para a complexidade material e cultural que definiriam o papel de nossa espécie no planeta nos dias de hoje.

Dezenas de milênios mais adiante, uma forma inédita de relação com a natureza marcaria em definitivo o modo de vida das sociedades humanas: a domesticação. Podemos definir domesticação como um processo histórico/evolutivo pelo qual populações de organismos são alteradas em nível genético por meio da manipulação humana ao longo de um extenso intervalo de tempo. Como consequência, os organismos domesticados tornam-se em geral altamente dependentes da ação humana para sua sobrevivência e reprodução. Outro aspecto que define esse processo em sua essência é a natureza irreversível das mudanças induzidas nos organismos ditos domesticados.
Em algumas regiões, a domesticação culminaria no desenvolvimento da agricultura e até na emergência dos primeiros Estados e impérios
 
O fato é que, entre 10 mil e 2 mil anos antes da era cristã (a.C.), nos diferentes continentes, grupos humanos que antes viviam da caça e da coleta passaram a manipular plantas e animais de modo a torná-los fontes cada vez mais eficientes de alimentos e de artefatos para seu uso. Em algumas regiões, tal processo culminaria no desenvolvimento da agricultura e até na emergência dos primeiros Estados e impérios de que temos conhecimento.
Muitos foram os polos independentes de domesticação de plantas e animais no globo, entre os quais o mais precoce foi o chamado Crescente Fértil, região do Oriente Médio que vai do Egito à Mesopotâmia. Lá foram encontradas, por exemplo, as primeiras evidências de domesticação da cevada, do trigo e do linho, em cerca de 8.500 a.C. Outro centro relevante foi o território atual da China, onde teve início a domesticação de pelo menos três importantes cereais: dois milhetes (Setaria italica e Panicum miliaceum), por volta de 7.000 a.C., e o arroz, em cerca de 8.000 a.C.

No Novo Mundo, povos que viviam na América Central – especificamente no território do México atual – domesticaram a abóbora por volta de 8.000 anos a.C., o milho em torno de 7.000 anos a.C. e o feijão em aproximadamente 1.000 anos a.C. Já a batata e a quinoa, ambas originárias dos altiplanos andinos, aparecem nos vestígios arqueológicos por volta de 6.000 a.C. Nas regiões costeiras do Peru, é o algodão que se destaca como o principal cultivar da região a partir de 4.000 a.C.

Outro importante centro de domesticação vem ganhando espaço nos estudos arqueológicos, ampliando esse rico e intrigante cenário: a Amazônia. Os registros mais bem estudados de domesticações promovidas por populações pré-históricas que viveram no imenso território amazônico são o tema deste artigo. Ali esses povos floresceram e deixaram seus frutos – muitos dos quais hoje tanto apreciamos, ainda que por vezes desconhecendo suas origens.

Domesticação na Amazônia

Por milênios, a grande diversidade dos ecossistemas amazônicos tem exigido de suas populações humanas, além de um conhecimento minucioso do ambiente, o domínio de ampla gama de técnicas e de tecnologias empregadas na obtenção de recursos da natureza. No extremo dessas estratégias, podemos destacar a manipulação e a domesticação de plantas, muitas das quais consumimos em grande quantidade nos dias de hoje.
Mandioca
Antes mesmo da chegada dos portugueses, os povos que habitavam a Amazônia já haviam domesticado plantas da região, entre as quais se destaca a mandioca. (imagem: Albert Eckhout / Wikimedia Commons)
Em artigo publicado em 2010, Charles R. Clement, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, estimou em 138 o número de plantas amazônicas sob algum grau de domesticação à época da chegada dos europeus nas Américas. Naquele período, uma das plantas mais importantes na dieta das populações indígenas era a mandioca. Entre as palmeiras, o fruto da pupunha, extremamente rico em óleos e amido, é o que mais se destacava. A seleção praticada sobre a mandioca resultou no desenvolvimento de raízes cada vez maiores (com mais amido) e mais tóxicas (o que parece conferir mais proteção contra a predação por herbívoros, nas roças). Já os frutos da pupunha experimentaram um aumento de tamanho na ordem de 2.000% em relação às suas populações selvagens.

Estudos arqueológicos também indicam a região do alto rio Madeira, onde hoje está situado o estado de Rondônia, como o provável centro de origem da domesticação tanto da mandioca quanto da pupunha, bem como da pimenta (da espécie Capsicum chinense) e do amendoim. As variedades de C. chinense mais conhecidas no Brasil são a pimenta-murupi, a pimenta-de-cheiro e a pimenta-de-bode. Curiosamente, essa região é também considerada o centro de origem do tronco linguístico tupi, além de ser uma das poucas áreas na Amazônia com fortes evidências de ocupação humana contínua ao longo dos últimos 10 milênios.
Estudos indicam a região do alto rio Madeira (atual Rondônia) como o provável centro de origem da domesticação da mandioca e da pupunha
 
Há cerca de 6.500 a.C., tanto a mandioca quanto o amendoim e a pimenta C. chinense já haviam sido domesticados. Com relação à pupunha, estudos genéticos e morfológicos sugerem que suas populações já estavam sendo alteradas pelos humanos há pelo menos 10 mil anos. Já o abacaxi, também originário da Amazônia, tem sua domesticação estimada em pelo menos 4.000 a.C. Outro produto com origem neste bioma é o guaraná, domesticado pelos índios sateré-maués entre o baixo rio Tapajós e o baixo rio Madeira. Estimativas sobre sua antiguidade ainda são bastante imprecisas, mas evidências genéticas e históricas têm sugerido que talvez esta tenha sido uma das domesticações mais recentes na Amazônia.

Um caso que parece ter sido especial é o do cacau. Embora seja uma espécie nativa da região, ela provavelmente foi domesticada na América Central, pelos povos maia ou zapoteca, por volta de 4.000 a.C. Por fim, temos o que parece ter sido o único animal domesticado na Amazônia, o pato-do-mato ou pato-almiscarado. Nesse caso, pesquisas ainda estão em fase muito incipiente no que se refere à antiguidade e à localização desse evento.