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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

JC Stahl

Maior população de pinguins-imperadores do mundo cai 90%

Quando a população de pinguins-imperadores foi contada pela última vez em Île aux Cochons, ou Ilha dos Porcos, em 1982, havia 500.000 casais reprodutores, tornando-se a maior colônia desse tipo no mundo (acima). 

Agora, apenas 3 décadas depois, a população despencou 90%, segundo o New York Times. 

Pesquisadores notaram o declínio quando estavam sobrevoando a ilha em 2016. Eles então usaram imagens de satélite tiradas ao longo de 30 anos para estimar que apenas 60 mil casais foram deixados, informam este mês na Antarctic Science. 

Eles sugerem que as mudanças climáticas, doenças, competição por recursos e um evento El Niño em 1997 podem ser razões para o declínio, o que poderia levar os pinguins para a lista de espécies ameaçadas de extinção.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Pesquisadores descobrem fóssil de pinguim gigante

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(G. Mayr/INSTITUTO DE PESQUISA Senckenberg)

POR CARL ZIMMER

O fóssil de 57 milhões de anos é ao mesmo tempo cômico e assustador: um pinguim de bico longo que tinha 1,7 metro de altura e pesava cerca de 100 quilos.

“Tinha o tamanho de um homem médio”, disse o paleontólogo Gerald Mayr, do Instituto de Pesquisa Senckenberg, em Frankfurt, Alemanha, principal autor de uma reportagem publicada na edição de dezembro da Nature Communications anunciando a descoberta. Em comparação, a mais alta espécie viva deste animal, o pinguim-imperador, chega a aproximadamente 1,2 metro.
O Kumimanu biceae, como foi batizado o fóssil, não era apenas grande: está entre os mais antigos fósseis de pinguim já encontrados. Sua idade e seu tamanho fazem do Kumimanu uma peça importante para entender como aves voadoras se transformaram em animais aquáticos que não conseguem voar.

As 18 espécies modernas de pinguins, encontradas da Antártida às Ilhas Galápagos e ao Equador, são extremamente bem adaptadas à vida marinha. Asas duras semelhantes a barbatanas permitem que eles nadem a velocidades de até 35 km/h. Mas essas adaptações resultaram na perda da capacidade de voo, obrigando-os a andar desajeitadamente sobre patas atarracadas. “São tão diferentes dos pássaros que muitos ignoram que os pinguins são aves”, disse Mayr.

Mas o DNA dos pinguins indica um parentesco bastante próximo com espécies como o albatroz e o petrel. Essas aves sobrevoam a água para caçar, indicando que talvez os ancestrais do pinguim também tivessem o mesmo comportamento. Estudos indicam que os pinguins se distinguiram dos demais pássaros há cerca de 66 milhões de anos, época de uma extinção em massa no planeta.


Os primeiros fósseis de pinguins foram descobertos em 1859 e, desde então, mais de 50 espécies foram identificadas.

Waimanu, o mais antigo desses fósseis, encontrado na Nova Zelândia, é de aproximadamente 60 milhões de anos atrás. Kumimanu foi descoberto em meio a ossos presos numa rocha de uma praia neozelandesa. Os cientistas traçaram uma árvore evolucionária e descobriram que Kumimanu e Waimanu pertencem aos seus ramos mais distantes.

São espécies que já se extinguiram há dezenas de milhões de anos. Em comparação, todos os pinguins vivos pertencem a um ramo jovem da árvore. Partilham um ancestral comum que viveu há 15 milhões de anos.

Kumimanu e Waimanu não eram capazes de voar, mas apresentavam alguns traços primitivos que não são encontrados nos pinguins atuais. “Seu bico era muito mais parecido com o de uma garça”, disse Mayr. “É provável que o usassem como uma lança para caçar suas presas”.

Mayr acredita que a origem dos pinguins está ligada às extinções em massa que marcaram o início da Era Cenozoica. Subitamente, os oceanos foram esvaziados de seus maiores predadores. Os pinguins puderam se adaptar à caça submarina de suas presas sem muito a temer.

Mas, conforme os mamíferos procuraram os oceanos, evoluindo para baleias e focas, é possível que essa concorrência tenha vencido as aves. Focas e pinguins precisam de praias onde possam procriar e nutrir os filhotes. É possível que as focas tenham sufocado os pinguins gigantes, enquanto os pinguins menores sobreviveram.

“Para mim, a grande dúvida não está na imensa quantidade de pinguins no início da Era Cenozoica, mas na ausência de pinguins gigantes hoje”, disse Mayr.

domingo, 14 de outubro de 2012

sábado, 3 de março de 2012

Posted: 01 Mar 2012 09:47 AM PST
© University of Otago

Levou 26 milhões de anos, mas cientistas dizem ter que conseguir o primeiro vislumbre de como um pinguim gigante extinto se parecia valeu a espera. Especialistas da Nova Zelândia e dos Estados Unidos reconstruíram o esqueleto fóssil de uma grande ave marinha pela primeira vez, relevando longas asas, corpo esguio e um bico longo parecido com uma lança, o que faz com que se descreva o pinguim como um pássaro bem elegante. Para saber mais sobre a pesquisa publicada essa semana no Journal of Vertebrate Paleontology, leio o artigo completo.

Os cientistas apelidaram o pinguim de Kairuku, palavra originária da língua Maori que quer dizer "mergulhador que retorna com comida". O pássaro media cerca de 1,3 metros de altura e tinha uma forma corporal única se comparada à dos pinguins já conhecidos, vivos ou extintos. O Kairuku viveu no Oligoceno, cerca de 26 milhões de anos atrás.
© University of Otago, Gabriel Aguirre

Os primeiros ossos foram descobertos há 35 anos na Nova Zelândia por Ewan Fordyce, um professor de geologia da Universidade de Otago da Nova Zelândia. Ele recentemente se juntou com Dan Ksepka, um pesquisador e professor assistente da Universidade Estadual da Carolina do Norte, para reconstruir um esqueleto a partir de múltiplos fósseis, usando um Pinguim-Rei como modelo.

"E muito excitante", contou Fordyce, "Nós temos material suficiente de três espécimes para criar uma reconstrução muito confiável do tamanho corporal deste animal". Fordyce disse que o bico alongado do pássaro deve ter sido útil para capturar presas rápidas e escorregadias e seu corpo grande provavelmente ajudava em nados de longas distâncias ou mergulhos mais profundos do que fazem os pinguins de hoje.
© Daniel Ksepka

O pinguim bate o tamanho do atual Pinguim Imperador, o maior vivo, além de ter sido bem pesado para uma ave, cerca de 60 quilos, praticamente o dobro do pinguim atual. Quando o Kairuku estava vivo, a maior parte da Nova Zelândia que conhecemos hoje estava submersa no oceano. Os cientistas acreditam que permanecendo isolados por porções de terra rochosas os pinguins ficaram a salvo de predadores em potencial ao mesmo tempo em que tinham um suprimento de comida constante.Fordyce disse que há muitas razões para a extinção dos pinguins gigantes: mudanças climáticas, chegada de predadores novos ou competição por comida contra focas e outras criaturas.

Fonte

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pinguins vermelhos

4/10/2010
Agência FAPESP – O primeiro pinguim extinto com evidência de que tinha penas foi encontrado no Peru por um grupo internacional de pesquisadores. A descrição foi publicada na sexta-feira (1º/10) na edição on-line da revista Science.
O fóssil analisado, com idade estimada de 36 milhões de anos, indica um pinguim gigante cujas penas teriam tido tons avermelhados de cinza e marrom, diferentes da configuração de traje a rigor, o branco e preto (ou marrom) dos pinguins atuais. O fóssil foi descoberto por Ali Altamirano, do Museu de História Natural em Lima.
A espécie descrita foi denominada Inkayacu paracasensis, ou “rei da água”. O fóssil analisado é de uma ave com cerca de 1,5 metro, o dobro do tamanho do pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri), a maior espécie da família Spheniscidae existente atualmente.

 Pinguins vermelhos
Descoberto no Peru, fóssil de pinguim gigante que viveu há mais de 30 milhões de anos revela tonalidades de penas diferentes das espécies atuais (ilust.:divulgação)

“Até termos encontrado esse fóssil, não havia evidência a respeito das penas e cores e dos formatos das nadadeiras dos pinguins extintos. Temos muitas dúvidas e essa é a nossa primeira chance de começar a respondê-las”, disse Julia Clarke, da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, autora principal do artigo publicado.
O estudo indica que os formatos das nadadeiras e das penas que fazem dos pinguins nadadores tão eficientes evoluíram cedo na história desses animais, enquanto o padrão de cores atual é uma inovação muito mais recente.
Assim como os pinguins atuais e diferentemente de outras aves, as penas das asas do Inkayacu paracasensis eram densamente agrupadas, reunidas umas em cima das outras e resultando em nadadeiras estreitas e duras. As penas no corpo tinham base ampla, que nos pinguins atuais ajuda no deslocamento na água.
As penas de aves obtêm suas cores a partir do tamanho, formato e arranjo de estruturas microscópicas chamadas melanossomos. Os autores da pesquisa compararam estruturas extraídas do fóssil encontrado na Reserva Nacional de Paracas com os de aves vivas de modo a tentar reconstruir as cores do animal extinto.
“Descobertas a respeito das cores de organismos extintos podem revelar pistas para seu comportamento e sua ecologia”, disse Jakob Vinther, da Universidade Yale, outro autor do estudo.
Os cientistas verificaram que os melanossomos do Inkayacu eram mais parecidos com os de outras aves. Nos dos pinguins, essas estruturas são criadas por melanossomos muito maiores do que os da antiga espécie e de outras aves.
O pigmento melanina, contida em melanossomos, dá às penas maior resistência, o que levou os cientistas a estimar que o motivo de os pinguins terem mudado a coloração das penas tenha a ver mais com as demandas hidrodinâmicas de uma vida aquática.
O artigo Fossil Evidence for Evolution of the Shape and Color of Penguin Feathers (doi: 10.1126/science.1193604), de Julia Clarke e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/science.1193604.