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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

 

Um modo de polinização provável antes das angiospermas: escorpiões euro-asiáticos e proboscídeos longos

Ciência 6 de novembro de 2009 Vol 326 , Edição 5954 pp. 840 - 847 DOI: 10.1126/science.1178338

Polinizadores Perdidos

A ascensão das angiospermas no Cretáceo Inferior (cerca de 140 milhões de anos atrás) foi acompanhada pela coevolução de uma variedade de insetos, incluindo moscas, abelhas e vespas necessárias para a polinização. Ren et ai. (p. 840 ; veja a Perspectiva de Ollerton e Coulthard ) mostram que três famílias de escorpiões já haviam desenvolvido peças bucais especializadas para se alimentar do néctar de gimnospermas, já no Jurássico Médio (~170 milhões de anos atrás). A diversidade e especialização desses insetos e estruturas de plantas relacionadas sugerem que eles também estavam envolvidos na polinização. Essas famílias morreram mais tarde no Cretáceo, quando as angiospermas começaram a dominar.

Resumo

As estruturas da cabeça e da boca de 11 espécies de escorpiões da Eurásia representam três famílias extintas e intimamente relacionadas durante um intervalo de 62 milhões de anos do final do Jurássico Médio ao final do Cretáceo Inferior. Esses táxons tinham probóscides alongados, sifonados (tubulares) e se alimentavam de secreções ovulares de gimnospermas extintas. Cinco potenciais taxa de plantas hospedeiras ovulares co-ocorrem com esses insetos: uma semente de samambaia, conífera, ginkgoopsid, pentoxilalean e gnetalean. A presença de taxa de scorpionfly sugere que probóscides sifonados alimentados com gotas de polinização de gimnospermas e provavelmente envolvidos em mutualismos de polinização com gimnospermas durante o mesozóico, muito antes da coevolução semelhante e independente de moscas, mariposas e besouros que se alimentam de néctar em angiospermas. Todas as três famílias de scorpionfly foram extintas durante o Cretáceo Inferior, coincidente com a mudança global de gimnosperma para angiosperma.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Professor da Unesp publica com colegas de Polônia e Austrália

Artigo aponta adaptações que permitiram à planta carnívora ser polinizada por aves

21/01/2019 por: ACI Unesp
Pesquisadores examinaram adaptações da Utricularia menziesii. Imagem: Divulgação.
 
As utriculárias são um gênero de plantas carnívoras (Utricularia) que compreende aproximadamente 250 espécies distribuídas pelo mundo. As espécies ocorrem geralmente em locais ensolarados e úmidos, em brejos, pântanos, lagoas e rios. A maior parte das espécies pode ser encontrada nas Américas, África e também na Austrália.

Um artigo publicado no ano passado pelo professor Vitor Fernandes Oliveira de Miranda, do câmpus de Jaboticabal, em parceria com pesquisadores da Polônia e da Austrália, examinou a micromorfologia de uma das espécies de utriculária para avaliar características que possam estar ligadas à sua estratégia de polinização.

O artigo foi publicado no periódico Annals of Botany em parceria com pesquisadores da Jagiellonian University, da Cracóvia, Universidade de Varsóvia, University of Silesia, de Katovice, todas na Polônia, da University of Western Austrália, Universiadde de Adelaide, ambas na Austrália.

As utriculárias são plantas que apresentam pequenas vesículas chamadas de utrículos. Essas bolsas são, na verdade, folhas modificadas, as quais são empregadas para a captura de pequenos animais. Os utrículos, que medem geralmente entre 0,2 e 1,5 cm, são pequenas bolsas que agem por sucção, abaixo da água, capturando desde protozoários, insetos aquáticos e até mesmo alevinos e girinos.
O docente explica que, apesar de todas as características inusitadas dessas plantas, ainda sabemos pouco sobre a sua biologia. Poucos são os estudos sobre a biologia da polinização das espécies de utriculária. Dentre as espécies das quais se conhecem os polinizadores, nós sabemos que eles são geralmente abelhas, moscas e pequenas borboletas. Como as espécies de utriculária apresentam flores geralmente bastante semelhantes, com cores basicamente amarelas, lilases, brancas ou vermelhas, acredita-se que os polinizadores devam ser os mesmos grupos de insetos.

“A exceção são as espécies de flores vermelhas, uma vez que essa cor está muito associada à polinização pelas aves. Dos trabalhos publicados sobre a biologia da polinização das espécies de utriculária, esse é o primeiro de uma espécie com flores vermelhas: a Utricularia menziesii”, aponta.
Em Jaboticabal, Miranda coordena um grupo de pesquisa voltado para estudos da sistemática, genômica e evolução de plantas carnívoras. O docente explica que a evolução é um processo que basicamente aproveita formas pré-existentes, permitindo a adaptação dos seres vivos às mudanças no ambiente, por exemplo.

No caso das utriculárias, aponta o docente, sabe-se que houve uma linhagem ancestral comum há aproximadamente 30 milhões de anos atrás que deu origem a todas as demais espécies. A partir de uma linhagem ancestral que era terrestre, surgiram todas as espécies aquáticas (que vivem em rios, riachos e lagoas), epífitas (que vivem sobre troncos de árvores), litófitas (que vivem sobre afloramentos rochosos) e reófitas (que vivem próximas à água, estando assim ora fora d’água ou submersas).

“Da mesma forma, possivelmente as primeiras utriculárias eram polinizadas por abelhas, moscas ou borboletas, sendo que algumas espécies se adaptaram para a polinização por aves. Muitas espécies de plantas polinizadas por aves apresentam cores vermelhas e produzem quantidade de néctar suficientemente atrativas para esses animais”, aponta Miranda. “O nosso trabalho concluiu que esse é o caso da australiana Utricularia menziesii. O polinizador dessa espécie de carnívora é a ave Acanthorhynchus superciliosus”.
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Ave Acanthorhynchus superciliosus, polinizadora da espécie de planta carnívora Utricularia menziesii (Crédito: Wikipedia)

Miranda lembra que já existem relatos na literatura da visita da ave Acanthorhynchus superciliosus às flores em U. menziesii, entretanto sem nenhuma descrição da anatomia floral. Como a planta é de pequeno porte, com inflorescências que medem entre 3 e 7 cm, não é possível que a ave polinizadora se apoie na planta. Entretanto, suas flores são bastante rígidas, o que permite que o polinizador enfie o seu bico e possa lamber o néctar. “Outra adaptação bastante interessante é o cálcar presente nas flores.

Nas utriculárias, as flores apresentam um tubo, que são pétalas modificadas, que produz e armazena o néctar. No caso de U. menziesii, o cálcar é alongado e levemente curvado, adaptado ao bico também com essa forma das aves”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016


Morte de insetos põe agricultura em risco e pode custar bilhões
Professor da Unesp é entrevistado pela Folha de S. Paulo
[01/12/2016]
A população de abelhas e outros insetos polinizadores está diminuindo em todo o mundo, o que faz cientistas correrem para calcular o impacto na agricultura e de propor possíveis soluções.
Segundo as contas feitas por pesquisadores de Minas Gerais e do México, o Brasil poderá perder de 16,5 a 51 milhões de toneladas de produtos agrícolas se a situação continuar piorando. Isso equivale a um prejuízo de US$ 4,9 bilhões (R$ 16,6 bi) a US$ 14,6 bilhões (R$ 49 bi).

O motivo disso é que as culturas que são polinizadas têm alto valor de mercado, representando 68% do total da agricultura brasileira. Segundo os cientistas, muito do impacto econômico causado pela falta de insetos o seria sofrido pela agricultura familiar, responsável por 74,4% do setor.
Para chegar aos números, os pesquisadores desenharam dois cenários –um pessimista e um otimista– e estimaram qual seria o prejuízo para cada um dos 53 principais cultivos no país, de acordo com a dependência da polinização para a produtividade de cada plantação.
Por exemplo, o café,o melão e a maçã são culturas que têm de moderada a alta dependência de polinizadores. Em última análise, a produção de sementes (como a soja) e de frutos (como a goiaba) depende desse serviço ecológico, que consiste no transporte das células reprodutivas masculinas, levando-as até as células femininas.
Em algumas culturas, como na de maracujá, há apenas uma espécie que faz bem o trabalho (a abelha conhecida como mamangava). Sem ela –por causa de defensivos agrícolas ou baixa tolerância às mudanças climáticas, por exemplo–, a produtividade despenca.
Em alguns casos, o vento, a água e até a autopolinização podem dar conta do recado. É o caso de três das principais culturas do país: cana-de-açúcar, milho e arroz.
Mas isso não quer dizer que essas plantações estejam livres de "culpa" pelo que está acontecendo, segundo os autores do estudo, publicado na revista "Plos One". O principal fator para o declínio é a mudança de uso da terra, ou seja, a transformação de extensas áreas de floresta ou mata nativa em monocultura.
SOLUÇÕES
Uma das medidas para mitigar esse impacto está na agenda dos ambientalistas há tempos: manter uma área da mata nativa junto à propriedade –e que ela não seja fragmentada–, explica Cássio Nunes, doutorando da Universidade Federal de Lavras e um dos autores do artigo.
Com isso, polinizadores como abelhas, mariposas, borboletas, moscas e até morcegos podem ser preservados, já que não faltariam alimento ou abrigo, para que ofereçam seus serviços aos agricultores.
Por outro lado, se há abelhas pode haver pragas circulando pela plantação. Seria possível fazer um inseticida que não agredisse as abelhas e outros polinizadores?
Segundo Osmar Malaspina, professor da Unesp e um dos maiores especialistas do país no assunto, esse produto não existe. Ele diz que o uso incorreto dos agrotóxicos também contribui para a mortandade das abelhas e que as próprias fabricantes estão preocupadas e estudando o assunto.
"Mas existem relatos de lugares em que o número de colônias de abelhas está aumentando", afirma. Dessa forma, seria difícil bater o martelo sobre o tamanho do prejuízo, embora exista um consenso científico na área de que os polinizadores estão, sim, ameaçados.
Tanto que a substituição deles pela força de trabalho humana é uma realidade na China, onde a população de insetos em algumas regiões caiu a níveis alarmantes. Sem a intervenção do homem, a produção dos pomares de macieiras despencaria.
"É uma tarefa custosa, e é por isso que o governo tem que tomar posições, para que daqui 150 anos não digam que poderíamos ter salvo a produção de alimentos se tivéssemos preservado as abelhas", diz Malaspina.
Uma das ações possíveis é aumentar o rigor para um novo agrotóxico ser aprovado pelo Ibama. A previsão é que uma lei vigore em 2017.
Outra solução, aventada pelos autores do estudo da "Plos One", é o incentivo ao uso da agricultura orgânica. O problema é o alto custo dessa forma de cultivo, diz Malaspina, o que torna a prática tão inviável quanto uma abolição completa do uso de agrotóxicos.
VIDA DE INSETO
Perda de polinizadores ameaça importantes culturas no Brasil
O que são?
Polinizadores são animais, geralmente insetos, que se deslocam de flor em flor, carregando células reprodutivas masculinas das plantas, levando-as até as células femininas e fazendo com que haja fecundação, formação de sementes e, consequentemente, de frutos
Na prática
A quantidade produzida de algumas culturas pode cair, tornando-as indisponíveis e/ou mais caras
Dependência
Entre os exemplos de culturas altamente dependentes da polinização estão: maçã, abacate, café, goiaba, melão, maracujá, melancia, tomate, pêra e pêssego
De 16 a 51 milhões
De toneladas de comida podem ser perdidas no futuro por causa do declínio na população dos polinizadores
US$ 14,56 bi
Pode ser o prejuízo financeiro no pior cenário estimado
PROBLEMAS E PROPOSTAS
Grandes áreas de monocultura
> Problema: Ou o inseto não consegue se alimentar da cultura ou ele fica sem comida na entressafra
> Proposta: Manter um trecho de mata nativa na propriedade e/ou aplicar rotação de culturas
Mudanças climáticas
> Problema: Alguns polinizadores não conseguem sobreviver muito bem a temperaturas elevadas e em ambientes secos
> Proposta: Tentar atenuar os efeitos no clima causados pelo homem, como as emissões de carbono para a atmosfera
Inseticidas
> Problema: Muitas vezes inseticidas e pesticidas acabam tendo como efeito colateral e indesejável a morte de insetos polinizadores
> Proposta: Aumentar o número de pesquisa para desenvolver defensivos agrícolas e estratégias que não afetem os polinizadores
Gabriel Alves/ Folha de S. Paulo

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sequenciamento de genomas de abelhas do gênero Bombus favorece a preservação

11 de junho de 2015

Por José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Duas espécies de abelhas, especialmente importantes pela atividade polinizadora e que estão desaparecendo em escala global, tiveram seus genomas sequenciados. São elas a Bombus impatiens (comum nos Estados Unidos) e a Bombus terrestres (comum na Europa).

O sequenciamento foi realizado por um consórcio internacional, coordenado por Ben Sadd, professor da Illinois State University, nos Estados Unidos, que reuniu 144 pesquisadores de 16 países (Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Inglaterra, Irlanda, Israel, Japão, Noruega, Nova Zelândia e Suíça). Os dados e a análise comparativa dos genomas foram publicados recentemente no artigo “The genomes of two key bumblebee species with primitive eusocial organization”, na revista Genome Biology.

No Brasil, existem espécies nativas filogeneticamente próximas, popularmente chamadas de mamangavas. Essas espécies aparentadas são a Bombus bellicosus, Bombus brasiliensis, Bombus morio e Bombus pauloensis.

“A atividade polinizadora dessas espécies é importante não apenas para a manutenção da biodiversidade de ecossistemas naturais, mas também de culturas agrícolas, como castanha, tomate, berinjela, jiló, pimentão, abóbora, kiwi, e muitos outros vegetais e frutas”, disse à Agência FAPESP o biólogo Francis de Morais Franco Nunes, professor do Departamento de Genética e Evolução da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do projeto em âmbito nacional.

Além de Nunes, a equipe brasileira teve a participação de Daniel Pinheiro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fernanda Humann, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e de um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP): Tiago Falcón, Michelle Soares, Flávia Freitas, Carolina Santos, David Marco Antonio, Klaus Hartfelder, Márcia Bitondi e Zilá Simões.

A atividade polinizadora dessas abelhas movimenta, em todo o mundo, uma economia da ordem de US$ 170 bilhões ao ano. Por isso, além da motivação ambiental, o argumento econômico contribuiu fortemente para a realização da pesquisa.

“O sequenciamento abre caminho para a identificação de mecanismos de resposta a fatores de risco (patógenos, inseticidas etc.) e de elementos genéticos que possam contribuir para a conservação e o melhoramento”, disse Nunes.

A exemplo de outras espécies de abelhas, as do gênero Bombus são animais sociais. E o fato de viverem em um ambiente de cooperação e proteção mútua explica, em parte, a evolução e fixação de um número menor de genes de imunidade, comparativamente ao montante desses genes nos genomas de insetos não sociais, como moscas e mosquitos.

“As duas linhagens estudadas se diferenciaram há cerca de 18 milhões de anos, o que explica as notáveis semelhanças na constituição de seus genomas e conteúdos gênicos”, disse Nunes.

“O genoma da Bombus terrestres tem 249 megabases (Mb). E o da Bombus impatiens, 248 Mb. A ordem de grandeza é muito próxima daquela do genoma da Apis mellifera, de 250 Mb, a espécie de abelha mais bem estudada até o momento”, disse. A megabase (Mb) é a unidade de medida do número de pares de bases presentes no genoma. Corresponde a 1 milhão de pares de bases.

Os genomas das abelhas dos gêneros BombusApis são idênticos em várias categorias gênicas, como a dos genes de desenvolvimento do embrião ao indivíduo adulto, a dos genes de organização e de comportamento social e a dos genes de detoxificação. Por outro lado, alguns genes, como aqueles relacionados a funções musculares, mostraram-se específicos das Bombus.
“Isso tem a ver com o comportamento polinizador bastante peculiar das espécies do gênero Bombus. Quando chegam nas flores, essas abelhas são capazes de vibrar o tórax com vigor, liberando os grãos de pólen estocados nas antenas. Esse comportamento vibratório não ocorre na Apis mellifera”, explicou o pesquisador.

Receitas diferentes

Outro grupo de genes muito frequente nas espécies do gênero Bombus são aqueles relacionados com a percepção gustativa, o que poderia ser associado aos seus hábitos de construção de ninhos, que compreendem a utilização de diferentes materiais.

“Ainda que os principais genes de percepção olfativa estejam presentes nas Bombus, o estudo indicou uma maior sensibilidade ao gosto do que ao cheiro. É o contrário do que ocorre com a espécie Apis mellifera, cujos genes ligados ao olfato são mais abundantes que os do paladar. A pesquisa genômica corroborou as observações das diferenças ecológicas e comportamentais dos dois gêneros”, sublinhou Nunes.

No consórcio internacional, os pesquisadores brasileiros focaram suas análises especialmente nos genes que regulam as vias de desenvolvimento relacionadas com a troca, a metamorfose e a dinâmica do exoesqueleto.
“Observamos que esse repertório de genes apresenta semelhanças surpreendentes em diferentes tipos de abelhas, das solitárias às sociais. As diferenças observadas em suas morfologias, fisiologias e estilos de vida não se explicam pelo conteúdo gênico, mas pela dinâmica reguladora e funcional desses genomas”, disse Nunes.
“Os ingredientes [genes] são os mesmos, mas as receitas [regulação da atividade dos genes em resposta a fatores genético-ambientais] são diferentes”, disse.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Genoma revela origem e evolução das abelhas produtoras de mel

Estudo altera noções anteriores e pode ajudar a proteger Apis mellifera do declínio global que vem sofrendo
MARIA GUIMARÃES | Edição Online 14:00 24 de agosto de 2014
 
 

© MATTHEW WEBSTER / UNIVERSIDADE DE UPPSALA
A polinização pelas abelhas é essencial tanto do ponto de vista ecológico como econômico
A polinização pelas abelhas é essencial tanto do ponto de vista ecológico como econômico.

Análises genéticas em ampla escala feitas por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, com colaboradores de vários países, sugerem alterações em parte do que se sabia sobre a origem e a evolução da abelha responsável por grande parte da polinização e da produção de mel no mundo, Apis mellifera. Em artigo publicado neste domingo (24/08) na revista Nature Genetics, o grupo liderado por Matthew Webster contesta a ideia anterior de que essas abelhas teriam surgido na África, e desloca essa origem para a Ásia. 

Os resultados podem também explicar um pouco sobre a abelha que existe no Brasil, conhecida como africanizada por ser um híbrido acidental entre a subespécie italiana e a africana. “Apesar de a população africana introduzida no Brasil ter sido pequena, menos de 50 rainhas inseminadas, as nossas abelhas têm muitas das características encontradas nas da África”, explica a bióloga Zilá Simões, da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, coautora do trabalho.

O estudo não é o primeiro a mostrar que as nossas abelhas são, do ponto de vista genético, mais africanas do que europeias. Zilá conta que o biólogo Marco Del Lama, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), já tinha mostrado a mesma coisa com estudos bioquímicos da enzima malato desidrogenase. É claro que agora, com mais dados, a conclusão tem muito mais força.

Segundo a pesquisadora de Ribeirão Preto, o projeto que desembocou na publicação desta semana surgiu há três anos num congresso na Dinamarca, em que Matthew Webster propôs fazer uma amostragem extensa para verificar a interpretação anterior, por outro grupo de pesquisa, de que as abelhas teriam surgido na África e colonizado a Europa por meio de três ondas migratórias. Para isso, eles sequenciaram o genoma completo de 140 amostras de abelhas oriundas de 14 populações distintas, inclusive a brasileira. Os resultados não apenas mudam o provável continente de origem, mas também quando isso teria acontecido.

De acordo com o grupo sueco, os grandes grupos de Apis mellifera (um africano, dois europeus e um no Oriente Médio e na Ásia ocidental) se separaram há cerca de 300 mil anos, e não 1 milhão de anos como foi proposto antes. Ao longo desse tempo, a população europeia diminuiu durante as glaciações e depois voltou a aumentar.

Além de rever a origem das abelhas responsáveis pela polinização de uma parte importante das plantas que compõem a dieta humana, o trabalho detectou a ação da seleção natural em uma série de genes, como a eficiência maior dos espermatozoides nos zangões africanos quando comparados aos europeus. Essa vantagem é essencial numa espécie na qual a rainha, responsável por praticamente toda a reprodução de uma colmeia, cruza com vários machos – criando um ambiente de competição entre os espermatozoides.
Junto com a maior mobilidade das abelhas em si, que na África formam colônias menores e com maior capacidade de dispersão do que na Europa, a mesma característica entre os espermatozoides pode explicar a predominância de características africanas nas abelhas brasileiras. Zilá lembra que antes do incidente que originou a hibridização nos anos 1960, quando abelhas africanas escaparam das colmeias mantidas pelo geneticista Warwick Kerr na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, as abelhas de origem europeia viviam apenas no sul do Brasil, por não tolerarem muito calor. Depois da africanização, esses insetos rapidamente se disseminaram pelo país.

Outra surpresa nos resultados foi mostrar que, apesar de ser uma espécie domesticada, Apis mellifera não teve sua diversidade genética reduzida, o que costuma acontecer quando criadores fazem cruzamentos privilegiando determinadas características desejadas. O trabalho não explica por que isso acontece.
Um aspecto importante do estudo é a possibilidade de proteger as abelhas do declínio que vêm sofrendo por uma combinação de fatores, como doenças e mudanças no clima (ver Pesquisa FAPESP nº 137). Os genes sujeitos à pressão de seleção mostram que as abelhas africanas têm uma vantagem imunológica que as torna mais resistentes ao ácaro Varroa, e possivelmente a outros agentes infecciosos. Essa resistência também é comportamental, porque a variedade da África é mais eficiente na limpeza da colmeia, removendo companheiras mortas com rapidez. Para Zilá, não se pode preservar um organismo sem conhecê-lo e, nesse sentido, o estudo pode ter um impacto positivo, mesmo que não imediato. Ela explica que no futuro, os genes identificados poderão ser empregados em programas de cruzamentos que visem aumentar a resistência às doenças, a produtividade e a capacidade de polinização, importante por ser essencial à produção agrícola e manutenção dos ecossistemas naturais.

Artigo científico:

WALLBERG, A. et al. A worldwide survey of genome sequence variation provides insight into the evolutionary history of the honeybee Apis mellifera. Nature Genetics, on-line 24 ago 2014.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Pelas abelhas

Publicado em 17/07/2014
Campanha internacional criada por brasileiros chama atenção para o desaparecimento de colmeias e seu impacto sobre o ambiente e a segurança alimentar dos humanos. 
 
Pelas abelhas
A maior parte dos cultivos agrícolas depende da polinização feita por abelhas. (foto: Bob Peterson/ Flickr – CC BY-SA 2.0) 
 
A notícia de que a população mundial de abelhas tem se reduzido pode até ser novidade para alguns, mas não aqui na CH On-line. Esses insetos vêm desaparecendo nos últimos 60 anos e 13 espécies foram extintas do planeta – das cerca de 20 mil existentes. O que parece uma boa notícia para os alérgicos é, no entanto, preocupante para o futuro da humanidade. Por isso, pesquisadores brasileiros lançaram uma campanha global para divulgar o sumiço de abelhas batizada de Bee or not to be? – um trocadilho em inglês com o verbo ‘ser’ (to be) e a palavra ‘abelha’ (bee) baseado na famosa frase de William Shakespeare: “Ser ou não ser, eis a questão.”

Ao tentar polinizar vegetais tratados com certos tipos de pesticidas, as abelhas desenvolvem um problema no sistema nervoso que faz com que ‘esqueçam’ o caminho de volta para sua colmeia e morram ao relento
Os pesquisadores chamam a atenção para um fenômeno mundial denominado ‘síndrome do desaparecimento das abelhas’, decorrente de um problema no sistema nervoso desses insetos que faz com que eles ‘esqueçam’ o caminho de volta para sua colmeia e morram ao relento. Essa alteração está relacionada principalmente ao uso na agricultura de uma classe de pesticidas à base de nicotina, os neonicotinoides. Ao tentar polinizar os vegetais tratados com esses pesticidas, as abelhas se contaminam e desenvolvem o problema.

Em sua página, o projeto pretende alertar a população sobre esse fenômeno e reunir assinaturas em todo o mundo para pressionar autoridades a regulamentar o uso dos pesticidas nocivos para as abelhas. “O uso de pesticidas no Brasil hoje é pouco regulamentado e produz muitos efeitos adversos ao ambiente e às espécies”, aponta o idealizador da campanha, o geneticista Lionel Segui Gonçalves, professor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) em Mossoró (RN) e diretor do Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte (Cetapis).

Mapeamento colaborativo

Embora as abelhas ainda não tenham desenvolvido a capacidade de ler mapas e encontrar o caminho de volta para suas colmeias, é exatamente nos mapas que o site aposta para preservar esses insetos. Na página, é possível baixar o aplicativo Bee Alert, disponível para computadores, tablets e smartphones. O programa, voltado para apicultores, meliponicultores, agricultores e pesquisadores da área, permite aos usuários registrar on-line em um mapa a ocorrência, o desaparecimento local ou a morte de espécies de abelhas e assim contribuir para o monitoramento da população desses insetos.
Mapa de ocorrência de abelhas
A página do projeto disponibiliza um aplicativo em que os usuários podem registrar em um mapa a ocorrência, o desaparecimento local ou a morte de espécies de abelhas para ajudar no seu monitoramento. (imagem: reprodução)
“O usuário precisa indicar, por exemplo, o nome do apicultor responsável pela colmeia e do proprietário do apiário, além de informações sobre o local, a quantidade de colmeias e a causa das mortes das abelhas”, diz Gonçalves. “Também pedimos, quando possível, dados sobre a perda financeira associada ao desaparecimento, para estimar o impacto econômico da síndrome.”

Segundo o pesquisador, nos Estados Unidos a população de abelhas passou de 5 milhões há sete anos para 2,5 milhões atualmente – uma queda que levou à falência inúmeros apicultores.
O aplicativo já conta com o registro de 40 ocorrências em oito estados brasileiros, contabilizando mais de 120 milhões de abelhas mortas.
 
E não são só os apicultores que sofrem com o sumiço das abelhas. Mais de 70% das culturas agrícolas dependem da polinização feita por elas. “Sempre lembro a previsão feita por Albert Einstein quando afirmou que, caso as abelhas viessem a desaparecer, a humanidade desapareceria logo em seguida”, comenta Gonçalves.
O aplicativo, lançado em abril deste ano, já conta com o registro de 40 ocorrências em oito estados brasileiros, contabilizando mais de 120 milhões de abelhas mortas – fato bastante preocupante, segundo os coordenadores da campanha. “Desejamos entregar, além das assinaturas por uma regulamentação, dados documentados do impacto dos pesticidas nas colônias das abelhas”, diz o pesquisador. “Assim, o material servirá de apoio para a fiscalização dos pesticidas nas áreas apontadas.”

Além dos dados e assinaturas que estão sendo recolhidos, a página do projeto conta com dicas de medidas que podem ser tomadas pela população para reverter essa situação, como o consumo de alimentos orgânicos (sem pesticidas) e o cultivo de espécies de abelhas sem ferrão em casa.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Pesquisadores desenvolvem técnica para criação em massa de abelhas sem ferrão

16/12/2013
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Abelhas sem ferrão, como a jataí (Tetragonisca angustula) e a uruçu (Melipona scutellaris), são reconhecidas como importantes polinizadoras de diversas culturas agrícolas, como berinjela, morango, tomate e café.

Uma das principais limitações para utilizá-las para essa finalidade, no entanto, é a dificuldade em produzir colônias em quantidade suficiente para atender à demanda dos agricultores, uma vez que a maioria dessas espécies apresenta baixo número de rainhas.


Método será testado em lavouras de morango – uma das 30 culturas agrícolas beneficiadas pela polinização por esse tipo de inseto (FFCLRP/USP)

Mas uma nova técnica que pode ajudar a superar essa limitação foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores, que criou in vitro rainhas de uma dessas espécies de abelha: a Scaptotrigona depilis, conhecida popularmente no Brasil como mandaguari.

O estudo foi feito por cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com colegas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), campus de Mossoró (RN).
Resultado de um trabalho de doutorado, realizado com Bolsa da FAPESP, a técnica foi descrita na edição de setembro da revista Apidologie e será testada em campo nos próximos anos por meio de um projeto realizado com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.
“Conseguimos desenvolver uma metodologia de produção artificial de rainhas da espécie Scaptotrigona depilis, que demonstrou ter uma aplicação fantástica para a criação em larga escala dessa espécie de abelha, a fim de atender à demanda dos produtores agrícolas”, disse Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), e autor do estudo, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, que realizou doutorado na FFCLRP sob orientação da professora Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, a mandaguari está mais presente na região Sudeste do Brasil e pertence a um gênero de abelhas – o Scaptotrigona – que está sendo revisto e do qual, além dela, fazem parte mais oito espécies que ocorrem em todo o país e possuem ferrão atrofiado.
As colônias dessas espécies de abelhas são compostas, em média, por 10 mil operárias – cada uma com cerca de 5 milímetros – e são regidas por uma única rainha-mãe, com cerca de 1,5 centímetro e capacidade de pôr ovos.
A fim de aumentar o número de colônias de espécies desse gênero de abelha – que, além de polinizadora, também produz mel, pólen e própolis –, criadores brasileiros têm utilizado uma técnica pela qual se divide uma colônia ao meio para originar outra com uma nova rainha.
Mas só é possível utilizar o método para multiplicar as colônias da maioria das espécies de abelhas sem ferrão uma vez por ano, afirmou Menezes. “Com essa técnica, para produzir 50 mil colônias de jataí e polinizar cerca de 3,5 mil hectares de morango, seria preciso ter 50 mil abelhas rainhas”, estimou.
“O morango é uma das culturas agrícolas que dependem de polinização com menor área de cultivo no Brasil. Imagine quantas abelhas rainhas precisaríamos para polinizar lavouras de tomate, cuja área de plantação é bem maior”, comparou.

Nova técnica

Para aumentar a produção de rainhas e de colônias de mandaguari, Menezes desenvolveu durante seu doutorado, realizado entre 2006 e 2010, uma técnica pela qual fornece a larvas recém-nascidas da abelha uma quantidade seis vezes maior de alimento do que o inseto está acostumado a ingerir. Dessa forma, todas as abelhas fêmeas superalimentadas se tornam rainhas.

De acordo com Menezes, 97,9% das abelhas rainhas produzidas por esse método sobreviveram e foram capazes de pôr ovos e formar colônias in vitro. O tamanho delas pode ser igual ao de rainhas “naturais” se receberem quantidades de alimento larval suficiente, apontou.
“Otimizamos essa técnica de produção in vitro de abelhas rainhas, temos um protocolo muito bem definido e conseguimos produzir a quantidade de insetos que for necessário”, afirmou.
Atualmente, ele e os demais participantes do projeto de pesquisa aprimoram o sistema de alimentação artificial das larvas do inseto, em que usam dieta à base de soja em substituição ao alimento natural, para alimentar o número de colônias produzidas.

As abelhas são criadas em estufa, com temperatura controlada, e protegidas de inimigos naturais. “Com o avanço dessas novas técnicas de produção in vitro de rainhas de abelhas sem ferrão estamos testando a possibilidade de produzir dez colônias filhas a partir de uma mãe por ano. Com isso, daríamos origem a um método viável de produção de colônias”, disse Menezes.
Com o projeto apoiado pelo Programa PIPE, da FAPESP, os pesquisadores pretendem reunir essas técnicas em um sistema único de produção de colônias e testá-lo em campo. Em uma segunda fase, eles vão avaliar qual o efeito dos principais agrotóxicos utilizados hoje na cultura do morango sobre as abelhas.
Para isso, associaram-se à empresa produtora de agentes biológicos Promip, situada no município paulista de Engenheiro Coelho, onde foram construídas cinco estufas climatizadas para plantio de morango.
As abelhas serão introduzidas nessas estufas e expostas aos dez agrotóxicos mais utilizados para combater pragas que atacam a cultura do morango, com o intuito de avaliar qual o efeito de cada produto, individualmente, na sobrevivência das abelhas e na existência das colônias.
A partir dos resultados, os pesquisadores pretendem elaborar uma lista de recomendações para os agricultores sobre quais cuidados tomar ao utilizar um determinando agrotóxico, de modo que não mate as abelhas, ou indicar quais predadores naturais podem ser utilizados no lugar de agrotóxicos para eliminar pragas que atingem as lavouras de morango, como o ácaro rajado.
“Queremos ter ao final do projeto uma lista de recomendações para falar com embasamento e segurança ao agricultor que, se ele utilizar abelhas para a realização de polinização, não poderá utilizar determinados agrotóxicos”, disse Menezes.

Testes de eficácia

Os pesquisadores também avaliam o aumento na produtividade com a introdução de abelhas sem ferrão para a polinização em diversas culturas agrícolas.
No caso do morango, por exemplo, a medida aumentou entre 20% e 40% a produtividade agrícola – dependendo da variedade – e diminuiu em até 80% a má formação de frutos, afirmou Menezes.
Uma inflorescência – com diversas microflores juntas –, a flor do morango é visitada por diversos grupos de abelhas – incluindo as com ferrão e espécies “solitárias”. Quando várias abelhas voam e pousam sobre essa inflorescência, elas realizam a polinização dessas microflores e fazem com que o fruto seja bem formado, redondo e vistoso.

Já quando poucas abelhas visitam a flor do morango, elas realizam a polinização de apenas uma parte da inflorescência, fazendo com que os frutos fiquem deformados, segundo Menezes.
“No passado, esse tipo de má formação do morango era associado à trips – uma praga que ataca o fruto – e, por essa razão, os agricultores aplicavam mais pesticida para combatê-la e acabavam matando mais abelhas e prejudicando a produtividade da cultura agrícola”, contou.
Em princípio os testes em campo serão feitos com a mandaguari porque ela se mostrou mais resistente à multiplicação. E, inicialmente, as colônias de mandaguaris serão introduzidas em lavouras de morango porque é a cultura sobre a qual eles possuem maior conhecimento sobre o benefícios do uso de abelhas sem ferrão como polinizadoras.

A ideia, no entanto, é expandir a aplicação para outras culturas, as quais já se sabe que o processo de polinização por abelhas confere frutos maiores, com mais sementes e sabor e cor mais acentuados. “Há cerca de 30 culturas agrícolas que sabemos que podem ser beneficiadas pela polinização das abelhas sem ferrão”, estimou Menezes.

“Já estamos fazendo testes preliminares com algumas delas, como o tomate, em São Paulo, e com o açaí, em Belém do Pará, utilizando uma abelha sem ferrão do mesmo gênero da mandaguari, mas de uma espécie diferente e muito parecida com ela”, contou.
Para introduzir as abelhas nas lavouras da cultura selecionada, as colônias artificiais são mantidas confinadas, durante três a seis meses, até que a população seja composta por, no mínimo, 3 mil abelhas.
Com esse número, a colônia é levada à noite para a lavoura, com condições de temperatura amenas, e colocada sobre um cavalete para que os insetos sejam liberados para voar sobre a plantação e realizar a polinização.

Algumas das vantagens da utilização desse tipo de abelha para realizar a polinização, segundo Menezes, é que elas possuem raio de voo menor – de 900 metros, contra 2,5 quilômetros das abelhas com ferrão.
Por isso, têm maior chance de atingir a cultura-alvo para polinização. “Como o raio de voo das abelhas com ferrão é maior, se encontrarem outra planta florindo durante sua trajetória elas pousam nela, em vez de na cultura-alvo”, explicou.

“É mais difícil as abelhas sem ferrão se dispersarem durante o trajeto”, comparou.

O artigo An advance in the in vitro rearing of stingless bee queens(doi: 10.1007/s13592-013-0197-6), de Menezes e outros, pode ser lido por assinantes da revista Apidologie em www.apidologie.org/ ou em http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs13592-013-0197-6.