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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Morre Francisco Salzano, geneticista que ajudou a traçar retrato do Brasil

Cientista mapeou genes de indígenas e ajudou na compreensão da história evolutiva no continente



Reinaldo José Lopes
São Carlos 
 
O geneticista gaúcho Francisco Mauro Salzano, um dos principais especialistas da área no país, morreu nesta quinta-feira (27) aos 90 anos, de complicações após uma cirurgia de hérnia.

O sepultamento será nesta sexta (28), no cemitério João 23, em Porto Alegre, às 18h30. O velório acontece no mesmo local, a partir das 11h.

Salzano costumava recordar, de modo bem-humorado, que tinha "rodado" ao prestar vestibular para medicina em 1948. A tentativa de seguir a carreira médica aconteceu por desejo do pai do pesquisador, que tinha dirigido a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul e queria que o filho fosse pelo mesmo caminho.
O cientista, no laboratório, em meio a utensílios para análise genética, como uma pipeta
O geneticista Francisco Salzano, da UFRGS, um dos maiores especialistas do mundo na análise de DNA dos índios americanos - Divulgação
Ao mesmo tempo, porém, Salzano também prestara vestibular para história natural --o que hoje chamaríamos simplesmente de biologia —e acabou passando e fazendo o curso.

A decisão se revelou acertada tanto do ponto de vista pessoal —mais tarde, Salzano confessaria não ter mesmo muita vocação para lidar com pacientes— quanto profissional: ele acabaria se tornando um dos principais especialistas brasileiros da área de genética humana.

Em parte, a posição de destaque conseguida pelo pesquisador, nascido em 1928 em Cachoeira do Sul (RS), deveu-se a uma sucessão de excelentes mentores. Entre o final da graduação na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o doutorado na USP e o pós-doutorado na Universidade de Michigan, nos EUA, Salzano conviveu com pesquisadores como o ucraniano Theodosius ​Dobzhansky, um dos responsáveis por lançar as bases teóricas da biologia evolutiva moderna; o brasileiro Crodowaldo Pavan, pioneiro dos estudos que ligavam genética e evolução no país; e o americano James Neel, com pioneirismo comparável na aplicação dos conhecimentos sobre genética à saúde humana.

Com a ajuda desses pesquisadores, Salzano começou a estudar a genética de populações de drosófilas (moscas-das-frutas), tema com o qual continuaria a trabalhar, mas logo passou a concentrar seu trabalho nos estudos da variabilidade genética da população brasileira, e em especial a dos grupos indígenas.

Conforme contou em entrevista à revista Pesquisa Fapesp, essa decisão foi tomada após conversas com James Neel, nas quais o pesquisador americano argumentava que a riqueza de informações sobre a história evolutiva humana contida no DNA dos povos indígenas poderia ser facilmente estudada por pesquisadores dos mesmos países onde vivem esses povos, o que dava uma vantagem considerável ao campo nascente da genética no Brasil.

Salzano e seus colaboradores não tardaram em colocar essa deliberação em prática. Já como livre-docente de UFRGS, ele começou a trabalhar com os índios xavantes, etnia que ele e seus alunos estudam até hoje, bem como com outras tribos em todo o território nacional.

O mapeamento genético desses grupos ajudou os pesquisadores a compreender melhor a dinâmica evolutiva que levou ao surgimento das centenas de etnias indígenas das Américas e a identificar, entre outras coisas, variantes genéticas que podem predispor esses grupos a doenças.
Mas o grande impacto do trabalho de Salzano e seus alunos nessa área foi sobre a compreensão da história evolutiva humana no nosso continente.

Os dados de DNA levantados por eles, ao lado dos obtidos por outros grupos de pesquisadores, ajudaram a traçar um retrato molecular da história dos brasileiros, mostrando, por exemplo, a profunda assimetria que houve entre pessoas de origem europeia, de um lado, e africanos e indígenas, de outro, na formação da população do país.

Esses dados mostram que a maior parte dos brasileiros de hoje, inclusive os que se declaram brancos, carrega a herança genética indígena e negra em seu DNA do lado materno.

Por outro lado, quando se examina o DNA herdado pelo lado paterno, há uma predominância esmagadora da contribuição europeia, que é consonante com o que se sabe sobre as vantagens que os colonizadores tinham sobre escravos negros e indígenas na hora de conseguir parceiras.

Salzano e seus colaboradores também usaram o DNA para estimar as origens dos primeiros seres humanos que chegaram às Américas, com resultados que apontam para grupos oriundos da Sibéria, que teriam cruzado o estreito de Bering em direção ao continente entre 20 mil e 15 mil anos atrás.

Baseando-se em sua experiência no estudo da diversidade genética humana, Salzano nunca escondeu opiniões polêmicas. Saiu em defesa de colegas como o próprio Neel, acusados de tratar populações indígenas de maneira antiética (acusação nunca comprovada). 

Dizia ainda que as raças humanas tinham uma base biológica, e que havia diferenças genéticas significativas entre os povos do planeta —o que não impedia que todos merecessem o mesmo tratamento e os mesmos direitos, segundo ele.

Ao longo de sua carreira, o pesquisador foi escolhido para integrar tanto a Academia Brasileira de Ciências quanto a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pesca pré-histórica

Ameríndios capturavam tubarões e corvinas, talvez de forma excessiva, 5 mil anos atrás na costa do Rio de Janeiro
MARCOS PIVETTA | ED. 247 | SETEMBRO 2016

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Sambaqui_247A costa brasileira apresenta mais de 2 mil sambaquis conhecidos, um tipo de vestígio arqueológico que remete às práticas funerárias e à dieta dos primeiros habitantes do litoral. Em tupi, sambaqui quer dizer amontoado de conchas. Pescadores-coletores pré-históricos, que ocuparam as margens do Atlântico, enterravam seus mortos em covas rasas, recobertas por conchas e restos de peixes, acompanhadas de artefatos de pedra e de osso. Com o tempo, os lugares mais usados para sepultamentos acumularam grande quantidade de materiais e formaram montes, alguns com até 30 metros (m) de altura, como se verifica em sítios arqueológicos de Santa Catarina. Segundo um estudo feito por pesquisadores do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Rio Grande do Sul, a pesca conduzida pelos ameríndios em trechos do litoral fluminense, cujos vestígios se encontram registrados nos sambaquis, pode ter representado a primeira ameaça significativa aos estoques naturais de certos peixes, como corvinas e tubarões.
Os autores do trabalho examinaram mais de 6 mil fragmentos ósseos, dentes e otólitos (cálculos calcários formados no ouvido interno) de peixes encontrados em 13 sambaquis da costa do Rio de Janeiro. Os sítios se localizam entre as baías da Ilha Grande, em Angra dos Reis, e da Ilha do Cabo Frio, em Arraial do Cabo, com idade de 5.600 a 700 anos (ver mapa). A análise desse material, que faz parte do acervo arqueológico do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN-UFRJ), levou-os a ter uma ideia aproximada da quantidade e do tamanho dos exemplares capturados ao longo de alguns milhares de anos. Também serviu de base para concluírem que a captura de peixes era uma atividade muito desenvolvida e diversificada antes da chegada dos europeus ao Brasil. No acervo, foram identificadas 97 espécies de peixe. “Esse número representa 37% de todas as espécies de peixe registradas até hoje naquele trecho do litoral fluminense”, comenta o paleontólogo marinho Orangel Aguilera, da Universidade Federal Fluminense (UFF), de Niterói, coordenador do estudo, publicado em 29 de julho no periódico Plos One. “Os sambaquieiros realmente dominavam a arte da pesca.”
© ELIAS LEVY / FLICKR
Tubarão-branco: umas das mais de 20 espécies desses peixes que os povos dos sambaquis pescavam
Tubarão-branco: umas das mais de 20 espécies desses peixes que os povos dos sambaquis pescavam
As características do registro arqueológico de algumas espécies marinhas comumente encontradas em sambaquis indicam que certos tipos de peixe teriam sido capturados em excesso ou na forma de exemplares muito jovens, pescados, às vezes, em áreas que funcionavam como berçários desses animais. Essa prática teria inaugurado o processo de vulnerabilidade ou até de diminuição das populações costeiras de alguns peixes. Segundo Aguilera, os povos concheiros, também denominados sambaquieiros, pescavam em distintos ambientes marinhos, rasos e mais profundos, desde praias arenosas coladas à costa até o leito rochoso do oceano repleto de peixes. Apesar de haver registros arqueológicos de que o homem pesca há pelo menos 40 mil anos, existem poucos estudos sobre eventuais impactos ambientais da captura de peixes na pré-história. Um raro trabalho, feito em 2010 pelo Centro de Investigaciones Pesqueras de Cuba, sugere até que os ameríndios não disporiam da tecnologia necessária para explorar a maior parte dos estoques de seres marinhos do Caribe — conclusão agora refutada pelo pesquisador da UFF.
Os vestígios marinhos recuperados nos sambaquis fluminenses atestam que a pesca era uma atividade dominante naquela região. A espécie com maior número de registros, e provavelmente a mais intensamente capturada pelos pescadores-coletores do litoral fluminense, é a corvina (Micropogonias furnieri). Foram estudados 5.532 otólitos da espécie, que habita fundos lodosos e arenosos de águas costeiras ou de estuários e pode chegar a 70 centímetros (cm) de comprimento. “A corvina é atualmente a segunda espécie mais pescada no litoral brasileiro, atrás apenas da sardinha”, informa o oceanógrafo Acácio Tomás, pesquisador do Instituto de Pesca de Santos, coautor do estudo. “Os povos ancestrais também devem ter pescado sardinhas, mas infelizmente não temos registros da espécie no material coletado nos sambaquis fluminenses”, explica Tomás. Onze dos 13 sítios arqueológicos estudados apresentavam vestígios deM. furnieri. A ubiquidade da espécie nos sambaquis possibilitou estimar o impacto causado pela pesca nos estoques de corvina nos últimos 5 mil anos. Segundo os cálculos dos pesquisadores, houve uma redução de 28% no tamanho médio das corvinas desde aquela época até hoje, em razão da exploração continuada da espécie.
Sambaqui_Mapa_247A presença marcante de vestígios de tubarões adultos e de filhotes, sobretudo de algumas espécies de ocorrência oceânica (longe da costa), também chamou a atenção de Aguilera e seus colaboradores. Eles examinaram 660 vértebras fossilizadas, além de dentes e ossos do crânio, de mais de 20 espécies diferentes desse peixe, como o tubarão-branco (Carcharodon carcharias), a mangona (Carcharias taurus), o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-martelo (Sphyrna lewini). A abundância de registros é interpretada pelos autores do trabalho como um indício de que as populações dos sambaquis tinham uma grande capacidade de pesca.
De acordo com estimativas dos pesquisadores, os ossos estudados pertenceram a exemplares cujo comprimento variava de 30 cm, no caso de filhotes, a 2,5 m, entre os espécimes maduros. Os tubarões capturados pelos sambaquieiros eram quase sempre menores do que o tamanho médio estimado atualmente para essas mesmas espécies, consideradas hoje vulneráveis ou em risco de extinção. Eles provavelmente são fruto de uma pesca excessiva em áreas de berçário, importante para a manutenção da capacidade reprodutiva dos animais. Entre os resquícios de arraias presentes nos sambaquis, os mais abundantes foram da arraia-pintada (Aetobatus narinari).
© CLÁUDIO D. TIMM / WIKIPEDIA
Corvina: espécie era a mais pescada entre os sambaquieiros fluminenses
Corvina: espécie era a mais pescada entre os sambaquieiros fluminenses
Canoas e redes de pesca?A localização dos sítios arqueológicos é um indicador de que os ameríndios não se instalaram por acaso nessas latitudes. Os 13 sambaquis se espalham por uma faixa de cerca de 270 quilômetros do litoral fluminense conhecida por ser uma área de ressurgência, em que águas mais profundas, ricas em nutrientes, afloram. Nos pontos do litoral onde ocorre esse fenômeno oceanográfico tende a haver maiores concentrações de peixes. “Os sambaquieiros eram grandes coletores de mariscos, mas esse alimento não era suficiente para alimentá-los. Eram os peixes que basicamente os sustentavam”, diz a arqueóloga Tania Andrade Lima, do MN-UFRJ, outra coautora do estudo. “Eles conheciam bem o ambiente marinho e pescavam tanto na costa como perto do alto-mar.” Além de serem a base da dieta dos sambaquieiros, os seres marinhos capturados também podiam ser usados em rituais funerários, como as conchas enterradas com os mortos, ou na confecção de objetos decorativos. Dentes de tubarão eram perfurados e usados como peças de colares, um tipo de adorno comumente encontrado em sambaquis.
Embora todos os sambaquis analisados no estudo se situem sob a influência de uma zona de ressurgência, os sítios podem ser agrupados de acordo com algumas particularidades geográficas. O sambaqui de Acaiá se situa na Ilha Grande. Os sítios do Algodão, Major, Bigode, Caieira e Peri ficam em ilhotas ou em áreas costeiras rochosas da baía do Ribeira, em Angra dos Reis. Camboinhas se encontra em uma planície arenosa costeira dominada por lagoas na região oceânica de Niterói. Os sambaquis de Saquarema, Beirada, Manitiba e Ponte do Girau ocupam uma parte da planície arenosa, também pontuada por lagoas costeiras, da região de Saquarema. Por fim, a Ilha do Cabo Frio, no município de Arraial do Cabo, abriga dois sítios: Usiminas, em um assentamento rochoso, e o homônimo Ilha do Cabo Frio, em área de dunas.
© LOPES ET AL. 2016. PLOS ONE.
Dentes de tubarão: usados como adorno de colar
Dentes de tubarão: usados como adorno de colar
Para explorar essa diversidade de ambientes marinhos, os pesquisadores sustentam a hipótese de que os povos do passado desenvolveram estratégias e ferramentas de pesca. A captura de seres marinhos se beneficiava provavelmente do emprego de linhas e redes de espera (emalhe) feitas de fibras vegetais, anzóis e arpões confeccionados com ossos de animais. A busca por espécies que viviam longe da costa ou por ilhas estratégicas para a pesca em mar aberto requeria o emprego de alguma forma de embarcação. “Não temos registros arqueológicos de canoas ou redes, que eram feitas de madeira e fibras vegetais que não se preservam com o tempo”, explica Aguilera, que contou com o apoio de duas alunas da pós-graduação da UFF na produção do artigo, Mariana Lopes e Thayse Bertucci. No entanto, há evidências indiretas de que os ameríndios eram bons de pesca: projéteis feitos de ossos, encontrados em sambaquis, parecem ter sido usados para dar o golpe final em espécimes de grande porte; artefatos de pedra, também presentes em alguns sítios, podem ter sido empregados na confecção de canoas.
Estudioso dos sambaquis da costa brasileira, em especial os de Santa Catarina, o arqueólogo Paulo DeBlasis, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), elogia o trabalho de Aguilera e seus colegas. “O artigo adota uma abordagem muito interessante sobre a relação dos sambaquieiros com a pesca marinha”, afirma. Segundo o arqueólogo do MAE, ainda hoje alguns pesquisadores mais tradicionalistas acreditam que, devido à abundância de conchas nos sambaquis, a base da dieta dos habitantes pré-históricos do litoral eram frutos do mar. “Em Santa Catarina, também há sítios arqueológicos em ilhas. Há tempos, temos a percepção de que eles eram grandes pescadores, além de caçar mamíferos marinhos e terrestres.”
© LOPES ET AL. 2016. PLOS ONE.
Vestígios de outros peixes dos sambaquis fluminenses: mais de 6 mil peças foram analisadas
Vestígios de outros peixes dos sambaquis fluminenses: mais de 6 mil peças foram analisadas
Não se sabe até que ponto plantas e cultivos agrícolas também fizeram parte do cardápio dos ameríndios da beira-mar. Cinco anos atrás, a bioantropóloga Sabine Eggers, do Instituto de Biociências (IB) da USP, reconstituiu a dieta de Luzio, um ameríndio que habitou há aproximadamente 10 mil anos em um sambaqui de rio do Vale do Ribeira (SP), distante cerca de 100 quilômetros da costa atual. O resultado do estudo foi surpreendente: Luzio comia carne de caça, tubérculos, frutas e quase nenhum peixe ou crustáceo, seja de água doce ou marinha. Mas, a julgar pelo novo trabalho feito com material dos sambaquis do Rio de Janeiro, os povos antigos da costa fluminense gostavam mesmo era de um bom pescado.
Artigo científico

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Geneticistas encontram semelhanças entre povos indígenas das Américas e povos da Sibéria | 11.09.2015

Programa veiculado no dia 11 de setembro de 2015
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Estudos recentes sobre as características genéticas de povos indígenas estão levantando novas hipóteses sobre a chegada dos seres humanos às Américas. Um deles, coordenado pelo geneticista David Reich, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, comparou trechos do genoma de indivíduos de 52 populações das Américas com 17 povos da Sibéria e outras 52 populações do restante do mundo. No estúdio da Rádio USP, a geneticista Tábita Hünemeier, uma das autoras do artigo, fala sobre resultados do trabalho.


Também nesta edição, a bióloga Isabela Degani Schmidt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conversa sobre uma pesquisa feita com fósseis encontrados em uma mina de carvão no município gaúcho de Arroio dos Ratos que sugere que a região era pantanosa e sujeita a incêndios freqüentes há 290 milhões de anos.
E o zootecnista Fabrício Castelini, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista, em Jaboticabal, conta como verificou os efeitos da alimentação com farelo acerola no teor de gordura da carne de suínos.

Programação Musical
Esquadros – Adriana Calcanhotto
Povos do Brasil – Maria Bethânia
Comer na mão – Chico César
Paratodos – Chico Buarque
Joga – Björk

Apresentação: Fabrício Marques e Marcos de Oliveira
Gravação e montagem: Dagoberto Alves
Roteiro e produção: Biancamaria Binazzi

Pesquisa Brasil vai ao ar todas as sextas-feiras às 13:00, pela Rádio USP.
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Veja aqui o arquivo do Pesquisa Brasil