terça-feira, 15 de março de 2011

Fogo foi dominado mais tarde

15/3/2011
Agência FAPESP – A capacidade de usar fogo promoveu uma mudança sem precedentes na vida dos humanos, mas chegou muito depois do que se estimava, segundo um novo estudo que será publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Estudos anteriores indicaram que os hominídeos começaram a cozinhar há pelo menos 2 milhões de anos, o que resultou em uma dieta mais saudável, melhores oportunidades para interagir socialmente e, ultimamente, na evolução de maiores cérebros.

Estima-se que os ancestrais do homem moderno tenham inovado no uso do fogo para sobreviver aos rigores do clima europeu, com invernos desconhecidos na África, de onde emigraram.
O novo estudo, de Wil Roebroeks, da Universidade Leiden (Holanda), e Paola Villa, da Universidade do Colorado (Estados Unidos), aponta que o domínio do fogo só foi conseguido entre 300 mil e 400 mil anos atrás.
Fogo foi dominado mais tarde
Estudo indica que capacidade de usar fogo pelos antigos humanos ocorreu não há 2 milhões de anos, mas há cerca de 400 mil anos (divulgação)


Os cientistas investigaram as evidências que apoiavam a capacidade de usar o fogo antes desse período em mais de cem locais na Europa e consideraram que não eram conclusivas. Segundo eles, o que se pode afirmar é que em sítios arqueológicos com menos de 400 mil anos foram encontrados artefatos e ossos que demonstram terem sido manipulados próximos a fogueiras.

Artefatos de sítios mais antigos, por outro lado, não indicam evidência de uso de fogo ou apontam tal evidência, mas de fogo atribuído a causas naturais, como a queima de galhos de árvores a partir da ocorrência de raios.

O estudo confirma que os neandertais dominaram o fogo e o usaram não apenas para se alimentar e aquecer, mas também podem tê-lo aplicado na melhoria de ferramentas feitas de pedra. Mas os neandertais passaram muito tempo no continente europeu antes de ter tal domínio.
O artigo On the earliest evidence for habitual use of fire in Europe (doi/10.1073/pnas.1018116108), de Wil Roebroeks e Paola Villa, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1018116108.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tartarugas e jabutis são os vertebrados mais ameaçados de extinção

Publicada em 01/03/2011 às 13h09m
O Globo

LONDRES - Tartarugas e jabutis são os vertebrados com maior risco de extinção, com mais de 328 espécies ameaçadas, segundo relatório publicado no jornal "Independent".
As populações estão se esgotando pela caça para alimentação e para uso da tradicional medicina chinesa, além do comércio de animais e também por causa da destruição de seu habitat natural pela poluição, de acordo com o estudo Turtles In Trouble, produzido por grupos de conservação das tartarugas.
As 25 espécies com maior risco serão extintas em poucas décadas se não houver nenhum esforço de preservação. A Ásia é a região mais afetada.
"Em um só mercado em Dhaka, Bangladesh, perto de cem mil tartarugas serão consumidas em um dia de feriado religioso a cada ano", diz o relatório.
Com até 54% de seu total ameaçado, as tartarugas e jabutis têm um risco muito maior de extinção que outros vertebrados, como pássaros, mamíferos e até anfíbios - em geral o grupo com maior risco de extinção.

Em órbita de Mercúrio

14/3/2011
Agência FAPESP – Depois de dar mais de 12 voltas pelo interior do Sistema Solar, a sonda Messenger está pronta para se inserir na órbita de Mercúrio, o que está previsto para ocorrer no dia 17.
Equipada com sete instrumentos científicos, a nave da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, será a primeira a orbitar o menor planeta do Sistema Solar e o mais próximo do Sol. Pela pequena distância, a nave teve que ser projetada para resistir a temperaturas elevadas.
A manobra de inserção posicionará a Messenger em uma órbita de 12 horas em Mercúrio, com uma altitude mínima de 200 quilômetros. No momento de inserção, a sonda estará a 46,1 milhões de quilômetros do Sol e a 155 milhões de quilômetros da Terra.
Lançada em agosto de 2004, a sonda robotizada de 485 quilos sobrevoou a Terra uma vez, Venus por duas vezes e Mercúrio por três antes de chegar ao momento de entrar em órbita do planeta que investigará por cerca de um ano.
A espaçonave será a primeira a enviar dados sobre Mercúrio desde a missão Mariner 10, que passou pelo planeta em 1974 e 1975, quando mapeou cerca de 45% de sua superfície. A Messenger mapeou outros 30% durante o sobrevoo do planeta em 2008 e deverá terminar o mapeamento após entrar em órbita.
Messenger é uma sigla para “MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging”. Entre os objetivos da missão estão determinar a composição da superfície, caracterizar a história geológica e investigar a presença de líquidos no interior do planeta.
Em órbita de Mercúrio
Nesta semana a sonda Messenger entrará em órbita do menor planeta do Sistema Solar para estudá-lo e terminar o mapeamento iniciado com a Mariner 10, em 1974 (Nasa)

Mercúrio é um planeta que lembra a Lua na aparência, com grandes crateras que se alternam com planícies. É bastante denso e tem um grande núcleo ferroso. As temperaturas na superfície variam entre -183º C e 427º C.
Mais informações sobre a missão: www.nasa.gov./mission_pages/messenger/main/index.html
 

domingo, 13 de março de 2011

Envelhecimento lento não é privilégio de humanos

11/3/2011
Agência FAPESP – Por muito tempo se pensou que o homem, com sua relativamente longa expectativa de vida e acesso a vantagens como avanços na medicina, envelhecesse mais lentamente do que os outros animais.
Estudos comparativos com camundongos, ratos e outras criaturas confirmaram a ideia. Há exceções, como as longevas tartarugas, mas o homem se destacava como o mais durador dos primatas.
Mas uma nova pesquisa indica que o ritmo de envelhecimento humano não é único. A pesquisa comparou os padrões de envelhecimento do homem com os de outros primatas, como chimpanzés e gorilas. Os resultados foram publicados na edição desta sexta-feira (11/3) da revista Science.
“Humanos vivem por muitos anos além de seu auge reprodutivo. Se fôssemos como os outros mamíferos, começaríamos a morrer rapidamente assim que atingíssemos a meia-idade, mas isso não ocorre”, disse Anne Bronikowski, da Universidade do Estado do Iowa, um dos autores do estudo.
“Há esse argumento antigo na literatura científica de que o envelhecimento humano seria único, mas não tínhamos dados de primatas selvagens, além de chimpanzés, até recentemente”, disse Susan Alberts, da Universidade Duke, outra autora do trabalho.
Os pesquisadores combinaram dados de estudos de longo prazo de sete espécies de primatas selvagens: o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), encontrado no Brasil; o macaco-prego-de-cara-branca (Cebus capucinus), da Costa Rica; o cinocéfalo (Papio cynocephalus), um tipo de babuíno, e o macaco-azul (Cercopithecus mitis), ambos do Quênia; chimpanzés (Pan troglodytes) da Tanzânia; gorilas (Gorilla beringei) da Ruanda; e o lêmur sifaka (Propithecus verreauxi), de Madagascar.

Envelhecimento lento não é privilégio de humanos
Estudo com mais de 3 mil chimpanzés, gorilas e macacos indica que, diferentemente do que se imaginava, o envelhecimento humano não é único entre os primatas (divulgação)

A pesquisa se centrou não no declínio inevitável na saúde e na fertilidade que chega com a idade avançada, mas no risco de morte. Quando as taxas de envelhecimento dos humanos – aumento no risco de mortalidade com a idade – foram comparadas com dados de quase 3 mil outros primatas, elas se mostraram absolutamente dentro do espectro dos primatas.
“Os padrões humanos não são notadamente diferentes, mesmo levando em conta que os primatas selvagens experimentam fontes de mortalidade das quais o homem pode estar protegido”, destacaram os autores.
Os resultados também confirmaram um padrão observado em humanos e no reino animal: na média, as fêmeas vivem mais do que os machos. Dos primatas analisados, excluindo o homem, a diferença de mortalidade entre machos e fêmeas se mostrou menor no muriqui-do-norte. Na espécie, tanto o nível de agressão às fêmeas como a competição entre os machos na hora de procriar foram os menores observados.
O artigo Aging in the natural world: comparative data reveal similar mortality patterns across primates (doi:10.1126/science.1201571), de Anne M. Bronikowski e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

sexta-feira, 11 de março de 2011

ESTRUTURA DA TERRA


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Esquema apresentando o ângulo delta=105o que corresponde ao começo da zona de sombra das ondas sísmicas S e o raio da Terra=6.350 Km. Sabendo que a superfície de descontinuidade de Gutenberg se situa à profundidade de 2.900 Km é fácil, a partir do esquema, calcular o valor do raio do núcleo.

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Esquema mostrando de forma muito simplificada a composição química (elementos principais), o estado físico, as temperaturas e as profundidades das camadas quase concêntricas, definidas por descontinuidades, que constituem o modelo da estrutura interna da Terra.
Situado sob a descontinuidade de Gutenberg, o núcleo, é constituído essencialmente por ferro e níquel, podendo conter algum silício e enxofre. Subdivide-se em núcleo externo (até 5.200 Km; 30,8% da massa da Terra; profundidade de 2.890 - 5.150 Km), supostamente líquido, como se deduz do comportamneto das ondas sísmicas, e núcleo interno (1,7% da massa de Terra; profundidade de 5.150 - 6.370 Km ), considerado como estando no estado sólido. A descontinuidade de Lehmann separa os dois meios.

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Esquema representando um mapa com os resultados de uma inversão tomográfica de uma secção do manto situada na região equatorial da Terra. As cores frias representam desvios positivos da velocidade das ondas sísmicas em profundidade, a partir de uma média radialmente simétrica. As cores quentes representam desvios negativos da velocidade das ondas sísmicas em profundidade. Sabendo que o manto tem uma composição aproximadamente constante, deduz-se que os desvios das velocidades resultam das diferenças de temperatura; com as cores frias para o manto rígido e as cores quentes para o manto plástico. A circunferência a tracejado corresponde a uma descontinuidade que se situa a cerca de 670 Km de profundidade; os limites das placas tectónicas estão representados a amarelo na região central do mapa index.
Para a medição das descontinuidades laterais é preciso fazer uma grande quantidade de medições sismográficas e, depois, usar a tomografia que é a reconstrução de uma imagem (mapa) a partir das projecções sismográficas e das zonas de sombra. Podemos fazer uma analogia entre a tomografia e o raio X usado pelos médicos. O raio X feito a um paciente a partir de diferentes direcções e reconstituído numa imagem única será análogo a uma tomografia de uma região terrestre.

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Secção esquemática representando um corte em profundidade ao longo do raio terrestre.
Crusta e litosfera - A crusta (crosta) terrestre é a zona mais superficial e de menor densidade (d=2,7 g/cm3 a 2,9 g/cm3). Com base na velocidade de propagação das ondas sísmicas, na crusta terrestre, os sismólogos chegaram aos seguintes resultados: à profundidade de cerca de 17 Km há uma variação na velocidade de propagação das ondas P e S, o que pressupõe a alteração das características do material e por conseguinte a existência de uma descontinuidade, designada descontinuidade de Conrad. Entre a superfície e a descontinuidade de Conrad a velocidade de propagação das ondas sísmicas é: Vp=5,6 Km/s e Vs=3,3 Km/s; a partir da descontinuidade de Conrad até à descontinuidade de Moho os valores são: Vp=6 a 7 Km/s e Vs=3,7 Km/s. Deste modo, a descontinuidade de Conrad subdivide a crusta continental em: crusta continental superior e crusta continental inferior. A primeira camada, também designada por Sial, devido ao predomínio do silício (Si) e do aluminio (Al), sendo constituída em grande parte por rochas do tipo geral do granito - camada granítica; a segunda, denominada Sima, por ser rica em silício (Si) e magnésio (Mg), deverá ser constituída por rochas da família do gabro e do tipo do basalto - camada basáltica. A crusta oceânica é formada por uma camada basáltica, com velocidades de propagação das ondas sísmicas do tipo P entre 4 a 5 Km/s, com cerca de 1 a 4 Km de espessura e pela camada oceânica, com velocidade de progação das ondas do tipo P entre 6 a 7 Km/s, com cerca de 5 a 6 Km de espessura. Quer a crusta continental, quer a oceânica, possuem na sua parte superior uma camada sedimentar de espessura variável. A litosfera, com espessura de aproxidamente 100 Km, engloba as rochas da crusta terrestre (continental e oceânica) e uma parte do manto superior, como uma unidade rígida. A litosfera é formada por um mosaico de placas rígidas e móveis - as placas litosféricas ou tectónicas.
A astenosfera, representada na secção esquemática, entre os 400 e 650 Km de profundidade, com a cor verde claro, segue-se à litosfera, fazendo parte do manto superior, é uma zona plástica constituída por rochas fundidas. Na astenosfera as ondas propagam-se com uma velocidade menor do que na litosfera, o que leva alguns autores a designá-la por zona de baixas velocidades. A astenosfera constitui uma camada importante na mobilidade da litosfera, não só por ser constituída por materiais plásticos mas também por nela se desenvolverem as correntes de convexão, que trataremos no Tema Tectónica de placas.
O manto inferior está separado da astenosfera pela descontinuidade de Repetti, prolonga-se até à base do núcleo (2.700 - 2.890 Km). A camada D" tem uma espessura calculada entre 200 e 300 Km e representa cerca de 4% da massa manto-crusta. Faz parte do manto inferior, acontecendo que descontinuidades sísmicas sugerem que a camada D" pode diferir quimicamente do manto inferior.
O núcleo constitui a zona central, essencialmente formado por ferro e níquel e diferente da composição dos silicatos que o envolvem. Com base nas propriedades físicas, é posssível distinguir duas zonas: núcleo interno, sólido, e núcleo externo, líquido.

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A estrutura interna da Terra segundo diferentes conceitos, de acordo com as diferentes características físicas consideradas.

A Terra: um planeta heterogêneo e dinâmico

Prof .Marcus V. Cabral

Nosso planeta

O planeta Terra é constituído por diversos setores ou ambientes, alguns dos quais permitem acesso direto, como a atmosfera, a hidrosfera (incluindo rios, lagos, águas subterrâneas e geleiras), a biosfera (conjunto dos seres vivos) e a superfície da parte rochosa. Desta superfície para baixo, o acesso é muito limitado. As escavações e sondagens mais profundas já chegaram a cerca de 13km de profundidade, enquanto o raio da terra é de quase 6.400km. Por isso, para se obter informações deste interior inacessível, existem métodos indiretos de investigação: a sismologia e a comparação com meteoritos.
A sismologia é o estudo do comportamento das ondas sísmicas ao atravessar as diversas partes internas do planeta. Estas ondas elásticas propagam-se gerando deformações, sendo geradas por explosões artificiais e sobretudo pelos terremotos; as ondas sísmicas mudam de velocidade e de direção de propagação com a variação das características do meio atravessado. A integração das observações das numerosas estações sismográficas espalhadas pelo mundo todo fornece informações sobre como é o interior do planeta, atravessado em todas as direções por ondas sísmicas geradas a cada terremoto e a cada explosão. As Informações sobre a velocidade das ondas sísmicas no interior da Terra permitiram reconhecer três camadas principais (crosta, manto e núcleo), que têm suas próprias características de densidade, estado físico, temperatura, pressão e espessura.
Na diferenciação dos materiais terrestres, ao longo da história do planeta, a água, formando a hidrosfera, bem como a atmosfera, constituída por gases como nitrogênio, oxigênio e outros, por serem menos densos, ficaram principalmente sobre a parte sólida, formada pelos materiais sólidos e mais densos.
Dentre os materiais sólidos, os mais pesados se concentraram no núcleo, os menos pesados na periferia, formando a crosta, e os intermediários no manto. Pode-se comparar os diferentes tipos de meteoritos com as camadas internas da Terra, pressupondo-se que eles (os meteoritos) tiveram a mesma origem e evolução dos outros corpos do Sistema Solar, formados como corpos homogêneos, a frio, por acresção planitesimal. Aqueles que tinham massa suficientemente grande, desenvolveram um forte calor interno, por causa da energia gravitacional, da energia cinética dos planetesimais quando da acresção e da radioatividade natural. Isto ocasionou uma fusão parcial, seguida de segregação interna, a partir da mobilidade que as altas temperaturas permitiam ao material.
 
Os meteoritos provenientes da fragmentação de corpos pequenos, que não sofreram esta diferenciação, são os condritos, que representam a composição química média do corpo fragmentado e por inferência, do Sistema Solar como um todo, menos os elementos voláteis. Não existem materiais geológicos, ou seja, terrestres, semelhantes aos condritos. Os meteoritos provenientes da fragmentação de corpos maiores, como a Terra, que sofreram a diferenciação interna, representam a composição química e densidade de cada uma das partes internas diferenciadas do corpo que os originou. São os sideritos, os acondritos e ainda outros tipos. Pela sua densidade, faz-se a correlação com as camadas da Terra determinadas pela sismologia, e supõe-se que sua composição química represente a composição química da camada terrestre de mesma densidade. Assim, com estas duas ferramentas indiretas, a sismologia e a comparação com os meteoritos, foi estabelecido um modelo para a constituição interna do globo terrestre.
 
É importante ressaltar que todo o material no interior da Terra é sólido, com exceção apenas do núcleo externo, onde o material líquido metálico se movimenta, gerando correntes elétricas e o campo magnético da Terra. A uma dada temperatura, o estado físico dos materiais depende da pressão. 'As temperaturas que ocorrem no manto, os silicatos seriam líquidos, não fossem as pressões tão altas que lá ocorrem (milhares de atmosferas).
Assim, o material do manto, ao contrário do que muitos crêem, é sólido, e só se torna líquido se uma ruptura na crosta alivia a pressão a que está submetido. Somente nesta situação é que o material silicático do manto se liqüefaz, e pode, então, ser chamado de magma. Se o magma fica retido em bolsões dentro da crosta, forma uma câmara magmática, e vai pouco a pouco solidificando-se, formando um corpo de rocha ígnea plutônica ou intrusiva, Se o magma consegue extravasar até a superfície, no contato com a atmosfera e hidrosfera, pode ser chamado lava, enquanto estiver líquido, e seu resfriamento e solidificação vai formar um corpo de rocha ígnea vulcânica ou extrusiva.
As rochas ígneas assim assim formadas, juntamente com as rochas metamórficas e sedimentares, formadas por outros processos geológicos, constituem a crosta, que é a mais fina e a mais importante camada para nós, pois é sobre ela que se desenvolve a vida. A crosta oceânica e a crosta continental apresentam diferenças entre si.
A primeira ocorre sob os oceanos, é menos espessa e é formada por extravasamentos vulcânicos ao longo de imensas faixas no meio dos oceanos (as cadeias meso-oceânicas), que geram rochas basálticas. A segunda é mais espessa, pode emergir até alguns milhares de metros acima do nível do mar, e é formada por vários processos geológicos, tendo uma composição química média mais rica em Si e em AI que as rochas basálticas, que pode ser chamada de composição granítica.
A crosta oceânica e continental, junto com uma parte superior do manto, forma uma camada rígida com 100 a 350km de espessura. Esta camada chama-se LITOSFERA e constitui as placas tectônicas, que formam, na superfície do globo, um mosaico de placas encaixadas entre si como um gigantesco quebra-cabeças; são as placas tectônicas ou placas litosféricas. Abaixo da litosfera, ocorre a ASTENOSFERA, que é parte do manto superior; suas condições de temperatura e pressão permitem uma certa mobilidade, muito lenta, mas sensível numa escala de tempo muito grande, como é a escala do tempo geológico.

A Dinâmica Interna

Os vulcões e terremotos representam as formas mais enérgicas e rápidas de manifestação dinâmica do planeta. Ocorrem tanto em áreas oceânicas como continentais, e são válvulas de escape que permitem o extravasamento repentino de energias acumuladas ao longo de anos, milhares ou milhões de anos. Esses eventos são sinais de que, no interior da Terra, longe dos nossos olhos e instrumentos de pesquisa, ocorrem fenômenos dinâmicos que liberam energia e se refletem na superfície, modificando-a. Por outro lado, também existem formas lentas de manifestação da dinâmica interna terrestre. As placas tectônicas, conforme a teoria da Tectônica de Placas, resumida a seguir, incluem continentes e partes de oceanos, que movem-se em mútua aproximação ou distanciamento, a velocidades medidas de alguns centímetros por ano, assim contribuindo para a incessante evolução do relevo e da distribuição dos continentes e oceanos na superfície terrestre.

A Tectônica de Placas e a formação das grandes cadeias de montanhas e dos oceanos

Existem várias evidências mostrando que as placas tectônicas flutuam sobre o material da astenosfera e movem-se umas em relação às outras; assim, continentes que hoje encontram-se separados já estiveram unidos. Tal é o caso da América do Sul e da África, que se apresentam como duas peças contíguas de um quebra-cabeças, o que é interpretado não apenas pela forma de seus litorais, mas também pelas características geológicas e paleontológicas que mostram continuidade nos dois continentes. América do Sul e África já estiveram unidos e submetidos a uma mesma evolução durante um longo período de sua história, no passado. Os movimentos das placas litosféricas são devidos às correntes de convecção que ocorrem na astenosfera. As correntes de convecção levam os materiais mais quentes para cima, perto da base da litosfera, onde movimentam-se lateralmente pela resistência da litosfera ao seu movimento e perdem calor; tendem então a descer, dando lugar ao material mais quente que está subindo. À medida que o material se desloca lateralmente para depois descer, ele entra em atrito com as placas da litosfera rígida, em sua parte inferior, levando-as ao movimento.
No meio dos Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico existem cordilheiras submarinas, que se elevam a até cerca de 4.000m acima do assoalho oceânico. Estas cordilheiras, denominadas meso-oceânicas, são interrompidas transversalmente pelas falhas transformantes e sublinham imensas rupturas na crosta, ao longo das quais há extravasamentos periódicos de lava basáltica vinda das partes mais internas (astenosfera). O mesmo mecanismo que força a cordilheira a se abrir periodicamente (correntes de convecção divergentes) para que materiais mais novos possam se colocar ao longo das aberturas, formando e expandindo o domínio oceânico, em outros locais promove colisões de placas (correntes de convecção convergentes). Nestas colisões, a placa que contém crosta oceânica, mais pesada, entra sob a placa continental, que se enruga e deforma (processos incluídos no metamorfismo), gerando as grandes cadeias continentais (Andes, Montanhas Rochosas). A placa que afundou acaba por se fundir parcialmente ao atingir as grandes temperaturas internas (zona de subducção), gerando magma passível de subir na crosta formando rochas ígneas intrusivas ou extrusivas; se a colisão for entre duas placas continentais, ambas se enrugam (Alpes, Pirineus, Himalaias). Desta forma, a crosta oceânica é renovada, sendo gerada nas cadeias meso-oceânicas e reabsorvida nas zonas de colisões entre as placas, onde ocorre subducção. Assim, oceanos são formados pela divisão de continentes. Por exemplo, há 180 milhões de anos, um grande continente chamado GONDWANA dividiu-se, formando a África, a América do Sul e o oceano Atlântico.
Outros oceanos podem ser fechados por movimentos convergentes das placas (por exemplo, o Mar Mediterrâneo está sendo fechado pela aproximação entre a África e a Europa).

Os limites entre as placas podem ser divergentes, onde elas separam-se, criando fundo oceânico, ou convergentes, onde elas colidem, formando cadeias montanhosas continentais ou fechando oceanos. Podem ainda ser limites transfomantes, onde uma placa passa ao lado da outra, com atrito, mas sem criar nem consumir material. Todos estes tipos de limites são zonas de instabilidade tectônica, ou seja, sujeitas a terremotos e vulcões.

Assim, as posições dos continentes no globo terrestre são modificadas em relação ao Equador e aos pólos, explicando em parte as mudanças das condições climáticas de cada continente ao longo do tempo geológico.

Vulcões

O material rochoso em profundidade está submetido a pressões e temperaturas altíssimas (astenosfera) e, quando a placa litosférica rígida sofre uma ruptura, aquele material tende a escapar por ela, extravasando na superfície (vulcanismo) ou ficando retido em câmaras magmáticas dentro da crosta, quando não consegue chegar à superfície (plutonismo). O material que extravasa é constituído por gases, lavas e cinzas. A atividade vulcânica pode formar ilhas em meio aos oceanos (Havaí, Açores e etc.) que podem ser destruídas em instantes.
Pode ocorrer nos continentes, formando montanhas (Estromboli e Vesúvio na Itália, Osorno e Vila Rica no Chile, Santa Helena nos EUA). O mais espetacular aspecto construtivo do vulcanismo é o que corre nas cadeias meso-oceânicas, que representam limites divergentes de placas, gerando verdadeiras cordilheiras submarinas, formando assoalho oceânico novo a cada extravasamento e causando, assim, a expansão oceânica. A lslândia representa parte da cadeia meso-oceânica emersa acima do nível das águas, permitindo a observação direta deste tipo de vulcanismo fissural.
No dia 8 de maio de 1902 a erupção do Monte Pelée na
Ilha de Martinica matou todos os seus moradores,
apenas um homem sobreviveu: o único preso da cidade.
(foto retirada do livro: Earth Shock, Andrew Robinson)

Terremotos

Os terremotos são tremores ou abalos causados pela liberação repentina da energia acumulada durante longos intervalos de tempo em que as placas tectônicas sofreram esforços para se movimentar. Quando o atrito entre elas é vencido (subducção ou falha transformante) ou quando partes se rompem (separação de placas), ocorrem os abalos. Estes abalos têm intensidade, duração e freqüência variáveis, podendo resultar em grandes modificações na superfície, não só pela destruição que causam, mas por estarem associados aos movimentos das placas tectônicas. Os hipocentros (pontos de origem dos terremotos) e epicentros (projeções verticais dos hipocentros na superfície) estão localizados preferencialmente em zonas limitrofes de placas tectônicas, onde elas se chocam e sofrem subducção e enrugamento, formando, respectivamente, fossas oceânicas e cordilheiras continentais, ou onde elas se separam, nas cadeias dorsais meso-oceânicas. Ocorrem terremotos também no limites neutros, onde as placas se movem lateralmente em sentidos opostos (falhas transformantes). No mapa mundi, pode-se observar que a distribuição dos terremotos forma faixas contínuas ao longo das fossas oceânicas e cadeias continentais e meso-oceânicas. É famoso o "cinturão de fogo circumpacífico", sujeito a freqüentes e intensos terremotos (exemplo da Falha de San Andreas, EUA), formando uma faixa muito ativa em volta do Oceano Pacífico. Também existem terremotos que não são devidos aos movimentos das placas, mas a esforços chamados intra-placas. São menos freqüentes, menos intensos, e relacionados à reativação de falhas (rupturas) muito antigas na crosta (exemplos recentes: João Câmara - RN, e Rio de Janeiro).
Em outubro de 1989 um terremoto na área de São Francisco (EUA)
chegou à 7.2 na escala Richter e provocou enormes danos materiais.
(Foto reirada do livro: Earth Shock, Andrew Robinson)
GEODINÂMICA INTERNA

MOVIMENTAÇÃO DAS PLACAS TECTÔNICAS
Segundo Leinz & Amaral (1989), a dinâmica interna é estudada sob dois aspectos: o magmático e o tectônico. O primeiro tratando o magma em termos químicos, físicos, físico-químicos e do seu movimento no interior e exterior da crosta sólida, além das relações com as rochas adjacentes a ele. Já a tectônica aborda as conseqüências dos diversos tipos de esforços internos que deixam marcas e feições reconhecíveis nas rochas da superfície terrestre, ou seja, dobras, falhas, diáclases (fraturas), entre outras.
Neste contexto, os processos de dinâmica interna originam novos relevos e depressões, com a formação de cadeias orogênicas, planaltos, fossas tectônicas e cadeias vulcânicas, ou seja modificaram e modificam continuamente as paisagens do globo terrestre (Almeida & Ribeiro, 1998).
Essas modificações se dão principalmente pela movimentação das placas da litosfera, impulsionadas pela atuação de forças das células de convecção provenientes do manto, que transportam material dúctil do mesmo para zonas litosféricas. Esse material rompe a litosfera e extravasa pelas dorsais oceânicas, empurrando as rochas já existentes e movimentando a litosfera para lados opostos (Almeida & Ribeiro, 1998).
Existem 3 tipos de bordas de placas tectônicas, que são as seguintes (Keller, 2000):
Borda Divergente: localizam-se em geral nas dorsais meso-oceânicas, sendo caracterizadas pela movimentação das placas em direções opostas, devido à formação de novas rochas litosféricas que empurram as antigas, em processo denominado de expansão do assoalho oceânico.
Borda Convergente: ocorre quando existe a colisão de placas. Se a colisão for entre uma placa oceânica e uma continental, a oceânica (devido a sua maior densidade) afunda sob a continental, ocorrendo em geral nas zonas de subducção, com formação de cadeias de montanhas (Cadeia do Andes, Alpes, etc). Quando há a colisão de duas placas continentais, a subducção é mais difícil de acontecer devido a densidade das placas serem semelhantes, portanto neste caso temos a colisão continental, formando também grandes sistemas de cadeias de montanhas (Cadeia do Himalaia, entre outras).
Borda Transformante: ocorre quando duas porções em uma mesma placa movimentam-se com velocidades diferentes, formando uma falha transfomante. Esse tipo de borda é mais comum nas placas oceânicas, porém existem algumas em placas continentais, sendo a mais conhecida a existente ao longo da Falha de San Andreas, na California.
A figura a seguir ilustra a formação de rochas litosféricas nas cadeias meso-oceânicas, a movimentação das placas tectônicas e as zonas de subducção (modificado de Montgomery, 1992; organizada por Marcus Cabral).
Modelo de Movimentação das Placas Tectônicas