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domingo, 21 de agosto de 2011

O Projeto Genoma detona o Dogma Central darwiniano

Terça-feira, Fevereiro 22, 2011

O Projeto Genoma completou 10 anos, eu nada vi na Grande Mídia alguma coisa que informasse os leitores leigos sobre o status deste grande projeto científico. Você viu? Nem os grande jornais como a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, e olha que esses dois jornais têm editorias de ciência pra ninguém botar defeito, publicaram um especial ou apenas um artigo informativo. 




Por que nada publicaram? Explico. A revista Nature publicou um especial sobre o Projeto Genoma Humano no dia 10 de fevereiro de 2011. Naquela semana a Science também publicou uma série de artigos sobre isso. Eu não vi uma linha na GM sobre esta importante questão científica. Você viu? Por que será que as editorias de ciência ficaram mudas? 

Elas ficaram mudas porque a maioria dos artigos destacou que as descobertas contrariam as predições do paradigma darwiniano. Quando a questão é Darwin, a Grande Mídia vive uma relação incestuosa com a Nomenklatura científica: o que Darwin tem de bom, a gente mostra; o que Darwin tem de ruim, a gente esconde! Tutti cosa nostra, capice? 

Traduzindo em miúdos: as descobertas científicas do Projeto Genoma não estão corroborando as expectativas do paradigma evolucionário. A publicação do genoma humano revelou duas coisas interessantes: não identifica a nossa história evolucionária, e nem levou às curas milagrosas. 

Gente, entre outras coisas, o genoma humano revelou complexidade por detrás de mais complexidade que é a biblioteca de informação genática existente em cada um de nós. Como a Grande Mídia não destacou, este blogger destaca alguns excertos dos artigos da Science que revelam essa maravilha de complexidade. 

O cientista John Mattick, da Universidade de Queensland, evolucionista, no seu artigo “The Genomic Foundation is Shifting” [A base genômica está mudando], destacou como que a fundação genômica está mudando: 

“Para mim, o resultado mais importante do projeto do genoma humano foi ter exposto a falácia de que a maioria da informação genética está expressa como proteínas.” 

[“For me, the most important outcome of the human genome project has been to expose the fallacy that most genetic information is expressed as proteins.”] 1 

Gente, do que mesmo o Mattick está falando? Você está sentado? Como vai o coração? Está de bem com a vida? Não tem inimigos? Nem este blogger por dizer a verdade sobre Darwin e seus discípulos? Mattick está falando do Dogma Central da genética – o princípio de que o DNA é o controlador mestre da hereditariedade, traduzindo sua informação em proteínas que criam nossos corpos e cérebros. 

Uma coisa surpreendente revelada no Projeto Genoma é que o número de genes é muito menor do que era esperado (apenas 1.5% do DNA humano contém genes), é suplantado pelo DNA não codificante (foi chamado de DNA lixo, lembra?), mas que é responsável pela geração do RNA, pela regulação da expressão dos genes, especialmente durante o desenvolvimento embriônico. 

O código da histona y otras cositas geraram mais “tremores secundários” que minaram o Dogma Central. Mattick concluiu:



“Essas observações sugerem que nós precisamos reavaliar a ortodoxia genética subjacente, que está profundamente arraigada e tem sido dada trégua superficial pelas premissas aceitas sem críticas sobre a natureza e o poder do controle combinatorial. ComoBarbara McClintock, laureada com o Nobel, escreveu em 1950: 


Nós estamos permitindo que uma filosofia da [codificação de proteína] de gene controlar [o nosso] raciocínio? O que é então a filosofia do gene? É uma filosofia válida?” … Há uma alternativa: A complexidade humana tem sido construída em uma grande expansão de sequências genômicas reguladoras, a maioria das quais é efetuada pelos RNAs que usam a infraestrura genérica de proteína e controlam os mecanismos epigenéticos que sustentam a embriogênesis e a função cerebral. Eu considero o genoma humano não simplesmente como fornecendo detalhe, mas muito mais importante, como o começo de um iluminismo conceitual em biologia.”


[“These observations suggest that we need to reassess the underlying genetic orthodoxy, which is deeply ingrained and has been given superficial reprieve by uncritically accepted assumptions about the nature and power of combinatorial control.  As Nobel laureate Barbara McClintock wrote in 1950: “Are we letting a philosophy of the [protein-coding] gene control [our] reasoning?  What, then, is the philosophy of the gene?  Is it a valid philosophy?” … There is an alternative: Human complexity has been built on a massive expansion of genomic regulatory sequences, most of which are transacted by RNAs that use generic protein infrastructure and control the epigenetic mechanisms underpinning embryogenesis and brain function.  I see the human genome not simply as providing detail, but more importantly, as the beginning of a conceptual enlightenment in biology.”]



Interessante o artigo publicado na edição da Science, de 18 de fevereiro de 2011, de Maynard Olson [Universidade de Washington, Seattle] intitulada “What Does a ‘Normal’ Human Genome Look Like?”  [Como se parece uma genoma humano ‘normal’?] Percebe-se nitidamente que Olson não quis se complicar com questões antigas sobre a natureza vs. criação, a não ser reconhecer que elas ainda existem apesar da publicação do genoma humano.

A saída encontrada por Olson foi perguntar quais fatores são atores mínimos na variação genética humana.  A declaração dele deve ter deixado a Nomenklatura científica com as sombrancelhas levantadas, e a Galera dos meninos e meninas de Darwin sem pai nem mãe teóricos:

 “a seleção equilibradora, o processo evolucionário que favorece a diversificação genética em vez da fixação de uma única variante ‘melhor’… parece desempenhar um papel menos importante fora do sistema imunológico.” [“balancing selection, the evolutionary process that favors genetic diversification rather than the fixation of a single ‘best’ variant”…appears to play a minor role outside the immune system.” ]

Outra tirada provocante de Olson são as variações que nós frequentemente reparamos nas pessoas:

A adaptação local, que explica a variação em traços tais como a pigmentação, especialização dietária, e a suscetibilidade a patógenos particulares também é um jogador reserva.” [“Local adaptation, which accounts for variation in traits such as pigmentation, dietary specialization, and susceptibility to particular pathogens is also a second-tier player.”]

Gente, jogador reserva? Mas Olson não parou por aí, pois o principal fator foi por ele questionado, e também levantou as sombrancelhas da Nomenklatura científica:

O que está no primeiro time?  De modo crescente, a resposta parece ser as mutações que são ‘deletérias’ por critérios padrões bioquímicos ou evolucionários. Essas mutações, como têm sido apreciadas há tempo, esmagadoramente constituem a forma mais abundante de variação não neutras em todos os genomas. Um modelo para a individualidade genética humana está emergindo que é na verdade um ‘tipo selvagem’ de genoma humano—um em que a maioria dos genes existe em uma forma evolucionária otimizada.  Simplesmente não existe humanos do ‘tipo selvagem’: Cada um de nós fica aquém deste ideal platônico em nossos próprios modos distintos.” [“What is on the top tier?  Increasingly, the answer appears to be mutations that are ‘deleterious’ by biochemical or standard evolutionary criteria.  These mutations, as has long been appreciated, overwhelmingly make up the most abundant form of nonneutral variation in all genomes.  A model for human genetic individuality is emerging in which there actually is a ‘wild-type’ human genome—one in which most genes exist in an evolutionarily optimized form.  There just are no ‘wild-type’ humans: We each fall short of this Platonic ideal in our own distinctive ways.”]

1.  John Mattick, “The Genomic Foundation is Shifting,” Science, 18 February 2011: Vol. 331 no. 6019 p. 874, DOI: 10.1126/science.1203703.

2.  Maynard V. Olson, “What Does a ‘Normal’ Human Genome Look Like?”, Science, 18 February 2011: Vol. 331 no. 6019 p. 872, DOI: 10.1126/science.1203236.

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