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domingo, 1 de abril de 2012

Postado em 01/04/2012 - Por: Marcus Cabral

Jurássico na Alemanha

Europasaurus, Iguanodon, Compsognathus e Archaeopteryx
© Gerhard Boeggemann

Hoje vou levar vocês por um breve passeio imaginário pela "Era Dourada dos Dinossauros" ou a "Era dos Répteis", como também é conhecido o período Jurássico, segundo período da Era Mesozóica, situado no meio desta, começando depois do Triássico e dando origem, no seu término, ao Cretáceo. Pretendo definir de maneira simples e direta as principais características do período, incluindo fauna, flora e clima, geografia e o que mais for pertinente. Então, o que está esperando, embarque na máquina do tempo virtual do Ikessauro e leia o artigo completo!


História: de onde vem a palavra Jurássico?
Assim como qualquer nome de dinossauro, o nome dos períodos geológicos tem uma origem e significado, geralmente atribuído pelo primeiro cientista a estudar tal período, suas rochas e características. Neste caso, o sujeito que foi responsável pelo batismo do famoso período Jurássico foi o cientistas Alexander von Humboldt, notável explorador e naturalista alemão, que em 1795 ao perceber a composição rochosa calcária das montanhas de Jura, na fronteira da França com a Suíça, deu o nome de "Jura kalkstein", cuja variação "Jurakalk" originou o nome atual para a formação geológica, baseando o nome do período das rochas no nome das Montanhas de Jura.
O nome "Jura" deriva da raiz céltica "Jor", que foi latinizado formando "Juria", significando "Floresta", portanto as montanhas seriam chamadas de "Montanha Floresta". A palavra "kalkstein" vem do alemão, significando "Calcário". Podemos dizer que o nome Jurássico, em uma tradução livre (tradução minha) significa "Floresta de Calcário" ou "Calcário da Floresta". Não consigo pensar em adaptação melhor do nome, mas estou aberto à sugestões, então escreva um comentário com a sua neste artigo.
Retrato de Alexander von Humboldt
© Joseph Karl Stieler

O Jurássico na linha do tempo

O período Jurássico começou após o término do período Triássico, entre 213 e 199 milhões de anos atrás e como pode perceber não há maior precisão na datação da fronteira Triássico-Jurássico devido à disposição das rochas e até mesmo falta de mais rochas expostas na crosta, datando desta época. Como toda datação geológica, não podemos ter uma precisão em anos, menos ainda em dias ou meses. Há sempre uma margem de erro para mais ou para menos em milhões de anos, variando de acordo com a fonte consultada. Em algumas, estima-se o início do Jurássico em 213 milhões de anos atrás, outras fontes indicam 205 ou mesmo 199 milhões de anos atrás. Não é questão de erro, mas sim de imprecisão científica devido à falta de mais evidências e técnicas de medição mais apuradas.
A maioria das estimativas está por volta de 213 - 199 milhões de anos atrás, com o período se estendendo por volta 50 milhões de anos, acabando há 145 milhões de anos e dando início ao Cretáceo.
O Jurássico é o período "do meio" da Era Mesozóica, estando entre o Triássico e o Cretáceo e marcando o pico de evolução e da dispersão dos dinossauros pelo globo terrestre, pois foi neste período em que os primeiros dinossauros, surgidos tímidos no Triássico, atingiram seu ápice, evoluindo em formas abundantes e variadas e chegando a tamanhos impressionantes, desde minúsculos Terópodes como o Compsognathus a titãs como o Diplodocus e Brachiosaurus.
O Jurássico se divide em 3 partes, também conhecido como Sistema do Jurássico, que são chamadas de Inferior, Médio e Superior, listados do mais antigo para o mais novo respectivamente. Observando a tabela abaixo, você pode ver ao fundo a tabela completa da Era Mesozóica, com o Triássico em verde, Jurássico em amarelo e Cretáceo em laranja, com suas respectivas subdivisões em tons de cores similares. No efeito de zoom proporcionado pela imagem na parte do Jurássico, podemos ver o sistema, com cada subdivisão ainda menor e ao final de cada linha uma estimativa em milhões de anos (M.a.) de quando cada parte começou e terminou. Vale a pena conferir mais de perto, então clique na imagem para ver em tamanho maior. A separação do Jurássico em três partes remonta a Leopold von Buch (1774 - 1853).
Veja a localização do Jurássico na linha do tempo
© Patrick Król Padilha

Como eu mencionei no artigo sobre o período Triássico, que você pode ler aqui no Blog do Ikessauro, foram encontradas na África rochas que marcam o final do período e o início do Jurássico, assim demonstrando que uma extinção em massa deu início ao segundo período, considerando que a África ainda fazia parte da Pangéia na época. Obviamente a extinção não foi tão grande quanto outras. Causada por variações climáticas, possível queda de meteorito, vulcanismo entre outros fatores, a extinção devastou metade dos seres vivos, principalmente animais e seres marinhos, por isso a maioria dos dinossauros sobreviveu e deu continuidade à linhagem no período seguinte. As plantas foram pouco afetadas, tendo sido os répteis marinhos e outros animais oceânicos os mais atingidos. Vale a pena ler sobre o período anterior, para ter uma visão melhor do que foi o início da Era Mesozóica.


Quanto ao final do Jurássico, não foi marcado por uma extinção em massa, mas sim por uma mudança nas espécies e variedades de fauna e flora, mudança gradual, que só se completou no Cretáceo, mas que se tornou evidênte quando se observa a história como um todo.

Geografia do Jurássico

Durante o período Triássico os continentes terrestres estavam todos unidos em um super continente chamado pelos cientistas de Pangéia (significando "Toda a Terra"). Algumas pequenas ilhas circundavam o super continente, mas muito pequenas para serem consideradas continentes individuais. O oceano que recobria todo o resto do globo era chamado Panthalassa (significando "Todo a Mar"). O clima era seco na maior parte do continente pois só as bordas do litoral é que mantinham contato com água durante todo o ano, assim permitindo um clima mais ameno nas áreas costeiras, enquanto que no meio do continente o clima era quente, árido e seco, com poucos períodos chuvosos. Você pode e deve estar se perguntando: Se este artigo trata do Jurássico, que importância o Ikessauro pensa que há em sabermos como era o Triássico?
Bem, meu caro paleoaficcionado, tem muita importância e vou lhe dizer porque! A forma do continente interfere nas correntes oceânicas e as correntes consequentemente tem impacto no clima, que afeta por sua vez a vegetação, que definirá como será a vida animal vegetariana, esta que servirá de comida aos seres carnívoros. Enfim, tudo está interligado num grande sistema complexo, onde a mudança de um único elemento sempre tem impacto nos outros e assim sucessivamente, afetando o sistema como um todo.
Sabendo como era o clima do Triássico, podemos ver que no Jurássico Médio e Superior, o continente Pangéia começou a se modificar, dando origem a dois continentes separados, um ao norte e outro mais ao sul. O continente mais ao norte é conhecido cientificamente pelo termo Laurásia, foi originado pela junção de dois outros termos, Laurência + Eurásia. O primeiro termo se refere ao Cratão Norte Americano e o segundo se refere ao continente grande formado por Europa e Ásia no hemisfério norte. Essa nomenclatura foi escolhida porque os continentes situados hoje no hemisfério norte se originaram na maioria a partir do super continente Laurásia, depois da separação no Jurássico. Só para esclarecer, Cratão se refere a um pedaço ou porção de rochas das placas tectônicas que mesmo com o decorrer de milhões de anos de atrito, união e separação de continentes, permanecem pouco alteradas.
Jurássico Médio: observe o começo da separação
© Dr. Ron Blakey

O continente formado no hemisfério sul recebeu o nome de Gondwana, cujo nome deriva do Sânscrito, significando "Floresta dos Gondis". Os Gondis são povos da Índia, onde há uma região chamada Gondwana, ao norte do país, sendo que foi nessa área que o pesquisador Austríaco Eduard Suess estudou as rochas que permitiram entender melhor a separação dos continentes. Por isso o nome foi escolhido em homenagem ao local que proporcionou a pesquisa. O Gondwana deu origem aos continentes do hemisfério sul, incluindo a América do Sul, a África, a Antártida, a Austrália, além das hoje inúmeras ilhas menores situadas neste hemisfério. A Índia também originou-se a partir de Gondwana, mas com o passar do tempo separou-se e migrou para o norte, chocando-se contra a Laurásia, criando a Cordilheira do Himalaia, onde se fixou e permanece atualmente.
Jurássico Superior
© Dr. Ron Blakey

Foi nessa época que surgiu o Golfo do México, entre a América do Norte e a Península de Yucatán no México. O Oceano Atlântico Norte apareceu nesta época, com a divisão da Laurásia em partes menores, originando a América do Norte e Eurásia, estando o oceano recém formado entre estes dois continentes citados por último. O Atlântico Sul não existia, pois América do Sul e África ainda estavam ligadas, sendo que só no Cretáceo se dividiriam para originar este oceano. O Mar de Tethys, que antes ocupava o golfo da Pangéia, sumiu e originou a bacia do Neotethys.Nessa época, a Europa Ocidental atual não passava de um bando de ilhas isoladas no meio do Atlântico, tendo originado posteriormente bons depósitos sedimentares marinhos com fósseis indicando a existência de um mar raso na região. Alguns locais com sítios fossilíferos conhecidos são o Jurassic Coast Heritage Site e o renomado sítio fossilífero alemão Lagerstätten of Holzmaden e Solnhofen, datado do Jurássico Superior, este último tendo originado inclusive o fóssil famoso do Archaeopteryx de Berlim.
Jurassic Coast Heritage Site: Inglaterra
© Blackbeck / iStockphoto

Por outro lado na América do Norte o registro marinho do Jurássico é fraco, porém outros estratos ainda assim fazem a região ser mais rica em depósitos do Jurássico que as Américas Central e do Sul. No norte podemos encontrar alguns depósitos originados de ambientes marinhos, mas a maioria provém de sedimentações aluviais, ou seja, leitos de rios que atraiam animais e permitiam a vida mais próspera ao seu redor e cuja lama e sedimentos trazidos pela água deram origem a formações rochosas hoje visíveis na superfície, como a Formação Morrison nos Estados Unidos.
Formação Morrison
© Michael Overton

O Jurássico foi marcado por mares repletos de calcita com baixos níveis de magnésio, o material sedimentar inorgânico mais comum nos mares, que originaram depois de alguns milhões de anos depósitos de rocha de Carbonato de Cálcio que é o principal componente do calcário. Simplificando, são rochas formadas pela petrificação do fundo do oceano, que mostra uma rica fauna com esqueleto externo principalmente composto de calcita.
Analisando as rochas do Jurássico pode-se perceber vários batólitos de grande porte, que são rochas formadas pelo vazamento do magma entre camadas de sedimento. As camadas se sobrepõem em ordem homogênea, mas quando o magma vaza por entre camadas acaba infiltrando um tipo de material diferente que origina posteriormente rochas diferentes. Um exemplo desse fenômeno é a cadeia de montanhas de Nevada.
Segundo um artigo do blog "Geografia Física Online" sobre plutonismo, do qual retiro a citação seguinte, os Batólitos:
"ocorrem principalmente em regiões tectonicamente calmas, são grandes massas contínuas formadas por rochas magmáticas que cortam de forma discordante as rochas mais antigas."
Já de acordo com o Geoglossário do site do Cairo American College, um Batólito é:
"an irregular mass of coarse-grained, intrusive igneous rock that has an exposed surface of more than a hundred square kilometres. Batholiths form deep within the Earth's crust, many kilometres beneath the surface. With time, the overlying rocks erode, exposing the rock of the batholith."
Tradução: "uma massa irregular de rocha ignea intrusiva de textura granulada que tem um superfície exposta de mais de mil quilômetros quadrados. Batólitos se formam no fundo da crosta terrestre, muitos quilômetros abaixo da superfície. Com o tempo, as rochas que o cobrem sofrem erosão, expondo a rocha do batólito.
De forma simplificada, podemos visualizar a formação de um batólito da seguinte maneira. Há uma formação rochosa com várias camadas de rocha sedimentar. Cada camada de uma idade e constituição diferente. Abaixo destas camadas há fluxo de magma do núcleo da Terra. Este fluxo consegue penetrar nas camadas de baixo para cima, e no meio delas cria uma bolha de magma, que resfria e vira rocha. Com o passar de alguns milhões de anos, as camadas sedimentares que cobrem essa bolha de magma endurecido acabam sofrendo erosão pela chuva, vento e outros processos naturais, expondo a bolha, total ou parcialmente. Estas bolhas ou batólitos muias vezes são grandes ao ponto de formarem verdadeiras montanhas.
Voltando a falar do registro geológico do período aqui tratado, podemos lembrar que alguns outros países ou mesmo continentes apresentam estratos jurássicos, mas em menor quantidade e abrangência que os citados anteriormente. Entre estes incluem-se Rússia, América do Sul, Índia, Japão, Australásia e Reino Unido. Na África, estratos do Jurássico Inferior estão distribuídos de modo similar aos estratos do Triássico Superior, com mais afloramentos no sul e menos ao norte do continente.
Os estratos do Jurássico Médio da África são escassos e mal estudados, assim como do Jurássico Superior, que apresenta uma exceção, a Formação de Tendaguru - Tanzânia, que se assemelha em quesito fauna à Formação Morrison na América do Norte. Recentemente uma notícia no Brasil anunciava a descoberta de um sítio fossilifero datado do Jurássico, no nordeste do país, mas ainda não soube mais detalhes sobre tal fato.

Clima do Jurássico

O clima era quente, sem evidência de glaciação. Assim como no Triássico, não havia nenhuma massa de terra próxima dos polos e não havia cobertura de gelo. Com a mudança da forma dos continentes, mais porções de terra receberam umidade proveniente das novas regiões costeiras formadas e assim o clima quente e seco do período anterior tornou-se quente e úmido, um verdadeiro clima tropical, dando origem a enormes florestas, graças ao aumento de crescimento das plantas a partir da nova condição climática. O clima tropical abrangia o mundo todo devido à elevação do nível do mar criada por vulcanismo submerso, que depositava mais material rochoso no fundo dos mares, elevando o nível da água. Muitas regiões atuais como a Europa Ocidental eram ilhas tropicais em mares rasos. Havia vulcanismo, provavelmente gerado a partir da separação continental que deve ter ocorrido a partir de intensa atividade geológica das placas tectônicas.

Flora do Jurássico

Devido ao clima mais úmido proporcionado pela quebra continental, muitas plantas prosperaram e boa parte dos continentes durante o Jurássico era coberta por extensas florestas tropicais, repletas de árvores de porte variado e plantas rasteiras. Depósitos de carvão natural datados do Jurássico mostram o quão extensas eram as florestas do período. As gramíneas ainda não haviam surgido, mas em seu lugar, os fetos, cavalinhas e samambaias ocuparam o posto de cobertura vegetal rasteira. Os Licopódios do Triássico sobreviveram e prosperaram também, embora não tanto quanto as demais plantas.
Floresta Jurássica: observe os fetos e samambaias rasteiras
© John Sibbick

Como plantas médias haviam as cicadáceas, cuja linhagem ainda vive hoje e as cicas, árvores de médio porte muito similares às cicadáceas, mas que não eram cicadáceas verdadeiras. As cicas foram totalmente exintas, mas acredita-se que podem ser sido as primeiras plantas a desenvolver flores, embora não foram as ancestrais das plantas com flores de hoje, porque o grupo destas cicas, que também é conhecido como Cicadeóides ou Benetitáceas, foi extinto completamente.
Benetitácea
© Foto do site Han's Paleobotany Pages
Benetitáceas
© Foto do site Han's Paleobotany PagesFóssil de Benetitácea
© Wikimedia Commons

Algumas plantas do grupo das cicadáceas eram venenosas e ao contrário do que ocorre hoje, cresciam em todo o mundo pois todos os continentes tinham clima tropical e/ou sub tropical. Um exemplo de benetitácea é a Williamsonia, que tinha um tronco escamoso e produzia folhas parecidas com a das cicadáceas e estruturas parecidas com flores, embora não fossem de fato flores. Dentre estas plantas podemos citar também fetos arborescentes, sendo que haviam várias espécies e tipos, similares a atual Dicksonia.
Atual Dicksonia antarctica: plantas semelhantes eram comuns no Jurássico
© Foto retirada de gardensandplants.comDicksonia antarctica: espécie atual
© Wikimedia Commons
As cicadáceas verdadeiras também eram abundantes no Jurássico, crescendo em formas e tamanhos variados, com exemplares rasteiros e outros arborescentes. Para comparar podemos ver uma espécie atual, a africana Encephalartos transvenosus, que cresce em florestas na África, até dando um aspecto pré-histórico à paisagem.
Floresta de Cicadáceas na África
© Foto do site wild-about-you.com

As árvores de grande porte dominantes eram as gimnospermas, coníferas na maioria, como Araucárias entre outros tipos de pinheiros. Grupos que ainda vivem nos dias atuais como Araucariaceae, Cephalotaxaceae, Pinaceae, Podocarpaceae, Taxaceae e Taxodiaceae se originaram no Jurássico. No Jurássico as Araucárias estavam espalhadas por quase todo o globo, enquanto que hoje só são encontradas em poucos locais no hemisfério sul. Abaixo você confere alguns exemplares de araucárias atuais.
Araucárias atuais na América do Sul: similares às do Jurássico
© Manuel Capdevila Pinha de Araucária fóssil da Argentina
© Mila Zinkova

Espécies de Ginkgos eram abundantes também, tendo sua linhagem ainda viva hoje com um único gênero, muito usado como árvore para paisagismo em jardins e calçadas. As samambaias já existiam naquele tempo, assim como árvores coníferas como alguns parentes das Sequóias e Ciprestes atuais.
Os Shunosaurus sob um exemplar de Ginkgo yimaensis
© Brian Engh

Ginkgos eram mais comuns ao norte em altas latitudes, enquanto que no sul podocarpos eram mais bem sucedidos. As algas vermelhas modernas que vemos hoje apareceram pela primeira vez nesse período. Abaixo você confere mais imagens de paleorecontrução ambiental, com várias espécies de plantas, coníferas, fetos entre outras citadas anteriormente.
Coníferas do Jurássico
© Foto do site Han's Paleobotany PagesPaisagem Jurássica
© Imagem retirada de Review of the Universe.ca
Coníferas semelhantes às atuais Sequóias eram abundantes no Jurássico
© Imagem retirada de Review of the Universe.ca

Fauna do Jurássico

À medida que o Jurássico prosseguia, mudanças ambientais proporcionaram a evolução dos dinossauros. Pequenos predadores que no Triássico não eram muito maiores que um cachorro agora tinham descendentes que chegavam a 10 metros de comprimento. Os herbívoros como os Prossaurópodes que apesar de grandes não eram tão impressionantes deram lugar aos seus parentes Saurópodes, que alcançaram tamanhos descomunais. Outros herbívoros menores surgiram, incluindo Ornitópodes e os Estegossauros, dinos couraçados de médio porte, cuja principal característica é um corpo robusto coberto por placas ósseas verticais ou espigões desde o pescoço até a cauda, apresentando cabeça pequena e pescoço curto. Pequenos ornitópodes como Driossauro viviam na sombra dos grandalhões, perseguidos por predadores de médio porte como o Ceratossauro entre outros.
Ceratosaurus caçando Dryosaurus
© Maurilio Oliveira

No mundo todo os dinossauros prosperavam em formas diferentes, alguns pequenos celurossaurídeos já davam sinais de evolução de que um dia dariam origem às aves. O Archaeopteryx, dinossauro pequeno que por muitos anos foi tido como a primeira ave é um exemplo dessa transição. Hoje o mesmo animal está classificado como dinossauro terópode, mas não deixa de ser um dos melhores exemplos de evolução encontrados no registro fóssil.
A fauna era similar em todo o planeta, devido à recente separação dos continentes. Podemos perceber claramente tal fato observando, por exemplo, a fauna da Formação Morrison (Estados Unidos) e da Formação Tendaguru (Tanzânia). Na primeira temos fósseis de Brachiosaurus, Stegosaurus, Allosaurus, Ceratosaurus entre outros. Na formação africana temos Giraffatitan, Kentrosaurus e restos de terópodes do grupo do Allosaurus e Ceratosaurídeos, embora no caso destes predadores os fósseis precários não permitam definição mais precisa.

Podemos citar, dentre os dinos mais conhecidos do Jurássico os clássicos saurópodes Apatosaurus, Brachiosaurus, Giraffatitan, Diplodocus, Barosaurus, também os predadores Dilophosaurus, Allosaurus, Ceratosaurus, Afrovenator, Torvosaurus, Ornitholestes, Anchisaurus, Cetiosaurus, Coelurus, Dinheirosaurus entre outros.
Os dinos ornitísquios (com quadril de ave) eram mais raros que saurísquios (com quadril de réptil), entrentanto alguns, como os Estegossauros e pequenos ornitópodes, desempenharam um papel importante como herbívoros de médio a grande porte.

Ceratosaurus atacando Camarasaurus
© Desconhecido: informe nos comentários se você sabe quem é o autorAfrovenator e Ornithocheirus
© Maurilio OliveiraFilhotes de Apatosaurus ajax
© Fabio Pastori

Além de dinossauros, na terra firme os crocodilos ainda tinham papel, embora menor que no período anterior e mamíferos pequenos parecidos com gambás viviam nas florestas e alguns até levando vida semi aquática. Duas espécies mais conhecidas são Megazostrodon e Morganucodon.
Megazostrodon
© Wikimedia Commons

Nos céus a falta dos pássaros não deixou um vazio, pelo contrário, deu a chance de outro grupo de animais prosperarem. Neste caso estou falando dos Pterossauros, os primeiros vertebrados a conquistar o vôo e que no Jurássico desenvolveram ainda mais, expandindo em variedade de tamanho e formatos. Espécies bem conhecidas como Pterodactylus, Dorignathus, Germanodactylys, Rhamphorhynchus, Bathrachoganthus e Anurognathus são bem representadas no registro fóssil, embora nenhuma chegasse a tamanhos extremos como aconteceu com pterossauros do Cretáceo.
Pterodactylus
© Luis Rey
Dimorphodon
© Luis Rey

Não podemos nos esquecer que além de pterossauros, o dino-ave Archaeopteryx, já apresentava sinais de vôo, pelo menos planado, assim sendo talvez um competidor por alimento no nicho em que vivia. O artista Gary Bloomfield fez uma pintura que mostra essa situação, um Archaeopteryx defendendo sua presa (um peixe) de vários pterossauros.
© Gary Bloomfield

Nos mares animais dos mais variados tipos viviam disputando comida e domínio por territórios, alguns preferindo uma vida mais estável no fundo dos mares rasos, atuando como "lixeiros" dos ecossistema, se alimentando de restos de animais ou predando por emboscadas. Entre estes animais rastejantes estavam os Caranguejos, como o Eryon arctiformis, e outros artrópodes, como camarões, lagostas e afins.
Caranguejo Eryon arctiformis
© Didier Descouens

Outros animais de fundo eram os ofiúros, animais do grupo dos equinodermos, parecidos com estrelas do mar. Espécies representantes desse grupo foram encontradas no registro fóssil, sendo que posso citar a espécie Geocoma elegans como uma delas. Outros equinodermos do jurássico incluem os ouriços do mar, como o Cidaris coronata.
Geocoma elegans
© HSU NHM 1998Cidaris coronata
© HSU NHM 1998

No entanto os mares do Jurássico tinham muito mais do que só animais de fundo, pois Peixes variados, incluindo peixes ósseos e tubarões, populavam os mares do mundo todo. Alguns gêneros conhecidos incluem Leptolepis, Leedsichthys, Lepidotes, Coelacanthus, Hybodus entre outros.
Leptolepis
© Wikimedia CommonsLeedsichthys
© BBCLepidotes
© Wikimedia Commons

Os moluscos como as ostras Gryphaea arcuata e Inoceramus mucronata já surgiam e outros moluscos chamados Amêijoas também prosperavam, como a Buchia acutistriata.
Gryphaea arcuata
© Wikimedia Commons

Os Cefalópodes eram abundantes, representados principalmente pelas Amonites, incluindo os gêneros Dactylioceras, Praeparkinsonia, e Acanthopleuroceras, além de moluscos do grupo dos Belemnites, como o Pachyteuthis. Os Brachiópodes ainda existiam, mas com menor expressão. Um exemplo de Brachiópode é a Rhynchonella.
Dactylioceras
© Nobu Tamura

Além de toda essa galera estranha os mares jurássicos eram habitados por animais que a maioria dos amantes da pré-história mais inexperientes confunde com dinos. Eles eram répteis marinhos, incluindo Crocodilos, Ictiossauros e Plesiossauros. Entre os crocodilomorfos, alguns dos quais eram bem primitivos, posso citar os gêneros, Machimosaurus, Protosuchus, Metriorhynchus, Teleosaurus, Geosaurus só para exemplificar alguns gêneros.
Metriorhynchus
© Gabriel Lio

Do grupo dos Ictiossauros, posso citar alguns gêneros que são conhecidos no registro fóssil, como Ophthalmosaurus, o próprio Ichthyosaurus, Temnodontosaurus, Brachypterygius, Stenopterygius que são os mais famosos.
Ophthalmosaurus
© Gabriel Lio
Ichthyosaurus
© Raúl MartínStenopterygius
© Dinoraul

Além dos Ictiossauros os mares do Jurássico estavam povoados pelos Plesiossauros, répteis marinhos diferentes dos já mencionados, com um corpo bem mais largo que o dos Ictiossauros e pescoços longos, por vezes descritos como uma cobra com corpo de tartaruga. Um subgrupo dos Plesiosaurus eram os Pliosaurus, que tinham pescoços grossos e musculares, cabeças enormes e dentes numerosos e fortes. Alguns gêneros conhecidos de Plesiossauros e Pliossauros são Cryptoclidus, Muraenosaurus, Rhomaleosaurus, Plesiosaurus, Pliosaurus, Liopleurodon, Attenborosaurus entre outros.
Liopleurodon, um Pliossaurídeo
© Felipe A. Elias
Cryptoclidus, um Plesiossaurídeo
© Luis Rey

Animais como o Notobatrachus, Eocaecilia e o Karaurus continuavam a linhagem dos anfíbios, começada antes mesmo dos dinossauros. Nesta época é que os sapos surgiram além de outros anfíbios avançados.
Notobatrachus
© Nobu Tamura
Eocaecilia
© Nobu TamuraKaraurus
© Nobu Tamura

Enfim, como você pôde perceber, o Jurássico foi um período muito importante e cheio de vida na Terra, um tempo de gigantes, em que a evolução mostou alguns dos mais impressionantes seres vivos que já pisaram no planeta. Só podemos estudar seus restos e imaginar como todos estes seres vivos, além de outros que provavelmente habitavam o mundo, como bactérias, vírus, fungos, parasitas variados, insetos de diversos tipos e outros bichos interagiam entre si formando um ecossistema completo e funcional. Posso dizer que é muito interessante parar e refletir por alguns minutos, imaginar e tentar ilustrar mentalmente como uma paisagem da época se pareceria.

O Fim do Período

Como já disse, o final do Jurássico não teve uma extinção em massa tão grande quanto no fim do Permiano ou do Cretáceo, pois muitas das espécies ou grupos de animais sobreviveram e passaram a viver e evoluir no Cretáceo. O paleontólogo Thomas Holtz afirma que Bakker falou sobre a extinção do Jurássico e que poucas espécies de dinossauros foram afetadas. O que acontece é que a maioria das extinções que marcam as divisões de períodos afetou em maior grau seres marinhos, sendo que no fim do Jurássico poucos animais terrestres foram realmente extintos, algumas espécies sim, mas não grupos inteiros. Por isso vemos no Cretáceo dinossauros semelhantes aos do Jurássico e outros animais como répteis marinhos, pterossauros além de uma infinidade de outros grupos.

O período Jurássico de fato seja talvez o mais conhecido dentre todos os da história geológica da terra, em parte pela publicidade do filme "Jurassic Park", baseado no livro homônimo de Michael Crichton. Apesar de que no livro, filme e respectivas sequências os animais mostrados sejam também de outros períodos, o nome "Jurassic" foi escolhido por Crichton por ser mais fácil de falar, lembrar e soar melhor. Também o mito de que dinossauros eram todos enormes e o fato de alguns dos maiores terem vivido no Jurássico, o período ficou popular como a era dos gigantescos saurópodes. Indepentente da popularidade o período é digno de admiração, pois deve ter sido belíssimo, riquíssimo em vida, como podemos perceber pelo pouco preservado em registro fóssil.
Espero que eu tenha sido claro o suficiente ao contar a você "paleo-leitor" sobre esse trecho da história do nosso planeta e que este texto tenha sido bem educativo e gostoso de ler. Se houver algo interessante que eu esqueci de escrever ou alguma correção a fazer, comenta abaixo dando sua contribuição, sempre com argumentação coerente, linguagem escrita formal e de preferência citando suas fontes. Lembre-se, o melhor pagamento ao blogueiro é a participação e reconhecimento dos leitores e se você tem um blog, sinta-se a vontade em divulgar a postagem através de links, mas por favor, respeite meu trabalho e não copie tudo, pois isso além de ser atestado de incompetência é crime. Valeu galera, até a próxima!

Fontes:

sábado, 25 de setembro de 2010

For those of you who care about such things, the new issue 66(2) of the Bulletin of Zoological Nomenclature contains two comments on our petition to the ICZN to fix Cetiosaurus oxoniensis as the type species of the historically important genus Cetiosaurus (Upchurch et al. 2009) — both of them supporting the proposal  (Barrett 2009 and Galton 2009).
Cetiosaurus oxoniensis dorsal vertebra in anterior, right lateral and posterior views.  From Upchurch and Martin (2002:fig 5)
Cetiosaurus oxoniensis dorsal vertebra in anterior, right lateral and posterior views. From Upchurch and Martin (2002:fig 5)
Paul Barrett wrote (in part):
Cetiosaurus was the first sauropod dinosaur to be scientifically described (Owen, 1841) and one of the earliest dinosaurs to be recognised: the taxon is clearly of historical importance and stabilising its taxonomy would represent an important contribution to dinosaur studies.
[...]
Cetiosaurus is not only a historically important taxon, but also one that has been used to specify other groups within Dinosauria, including Cetiosauridae. In addition, Ornithischia, one of the major dinosaur sub-groups, has been defined as all dinosaurs that are more closely related to Iguanodon than they are to Cetiosaurus (Norman et al., 2004).
(I’d completely missed that use of Cetiosaurus as an external specifier for Ornithischia, which I suppose just goes to show that I should pay more attention to the ornithischian literature.)
Pete Galton wrote (in part):
It should be noted that the “Monograph of the genus Cetiosaurus” by Owen (1875) is based almost entirely on the Bletchington Station material of C. oxoniensis (Owen even used Phillips’ figures!). Also, as noted by Galton & Knoll (2006), the family CETIOSAURIDAE Lydekker, 1888 is based on C. oxoniensis Phillips, 1871 because Lydekker (1888, p. 137) indicated it as being the type species of Cetiosaurus Owen.
More good arguments there for the conservation of prevalent usage by formally recognising C. oxoniensis.
Anyone else who has strong feelings on this subject, either way, should get them in writing to the Executive Secretary, ICZN., c/o Natural History Museum, Cromwell Road, London SW7 5BD, U.K. (e-mail: iczn@nhm.ac.uk).

References

Cetiosaurus Owen, 1841 (Dinosauria, Sauropoda): proposed conservation of usage by designation of Cetiosaurus oxoniensis Phillips, 1871 as the type species Paul Upchurch Department of Earth Sciences, University College London, Gower Street, London WC1E 6BT, U.K. (e-mail: p.upchurch@ucl.ac.uk)
John Martin 6 The Nook, Great Glen, Leicester LE8 9GQ, U.K.
(e-mail: Johnmartin424@aol.com)
Michael P. Taylor
Palaeobiology Research Group, School of Earth & Environmental Sciences, Burnaby Building, Burnaby Road, University of Portsmouth, Portsmouth, PO1 3QL, U.K. (e-mail: dino@miketaylor.org.uk)
Abstract. The purpose of this application, under Article 81.1 of the Code, is to preserve stability in the taxonomy of sauropod dinosaurs by designating Cetiosaurus oxoniensis as the type species of Cetiosaurus. The genus Cetiosaurus (including the species C. medius and C. oxoniensis) was established during the earliest period of research on sauropod dinosaurs, and is historically significant. The name Cetiosaurus was fixed to the type species Cetiosaurus medius, a sauropod of indeterminate affinities; however, the fragmentary nature of the type material of C. medius,
combined with the subsequent description of much more complete Middle Jurassic
sauropod material as Cetiosaurus oxoniensis, has meant that subsequent literature has
overwhelmingly adopted C. oxoniensis over C. medius as the primary exemplar of
Cetiosaurus. Stability would be best served by designating Cetiosaurus oxoniensis
as the type species of the genus Cetiosaurus in place of the current type species,
C. medius.

Keywords. Nomenclature; taxonomy; Dinosauria; Sauropoda; CETIOSAURIDAE;
Cetiosaurus; Cetiosaurus oxoniensis; Cetiosaurus medius; England; Europe; Middle
Jurassic.

1. The generic name Cetiosaurus was first published by Owen (1841, p. 457) without any associated specific name. It was based primarily on material found by John Kingdon in 1825, but no specimen numbers were given. Cetiosaurus was among the first named sauropod dinosaurs and, as a result, has become a  ‘wastebasket’ taxon, with much material indiscriminately referred to it. As detailed by Upchurch &
Martin (2003, p. 208), the stratigraphic range of Cetiosaurus, if all referrals were
supported, would extend from the Bajocian (Middle Jurassic) to the Barremian
(Early Cretaceous), a range of about 45 million years.
2. The first published species of Cetiosaurus were C. hypoolithicus Owen, 1842 and
C. epioolithicus Owen, 1842, both published in the same report (Owen, 1842a, p. 12).
The type material was not specified for either species, and neither was illustrated or
diagnosed; therefore both species are nomina nuda, and are ineligible for fixation as
the type species (Upchurch & Martin, 2003, p. 209).
3. The next published species of Cetiosaurus were C. brevis, C. brachyurus, C.
medius and C. longus, all described in a single report by Owen (1842b, pp. 94, 100a,
100b, 101). Since descriptions of all four species were furnished, they are not nomina
nuda and are thus available names for fixation as the type species. Although Owen
did not explicitly designate any of these species as the type, he did note of the C.
medius material that ‘it is principally on these bones, with others subsequently
discovered and in the collection of Mr. Kingdon, that the characters of the
Cetiosaurus were first determined’ (Owen, 1842b, pp. 100–101). C. medius is thus the
type species of Cetiosaurus under Article 69.1.1 of the Code (Type species by
subsequent designation), an interpretation endorsed by, for example, Steel (1970,
p. 64).
4. Cetiosaurus oxoniensis was described by Phillips (1871, p. 291) from a large series
of remains from the Forest Marble (Bathonian, Middle Jurassic of Oxfordshire),
among which no type specimen was formally designated. Phillips (1871, pp. 290–291)
wrote only ‘I propose for the species found in the immediate vicinity of Oxford and
elsewhere, the only one for which sufficient materials are collected to serve for
determining its characters, the title Oxoniensis’, so that Phillips’s specimens found in
this area form a syntype series. Among these specimens, the largest of three
individuals from Bletchingdon Station, near Enslow Bridge, is the most complete and
diagnostic; it was therefore designated as the lectotype (OUMMNH J13605–13613,
J13615–16, J13619-J13688, J13899 in the Oxford University Museum of Natural
History) by Upchurch & Martin (2003, p. 216). The material represents a nonneosauropod
eusauropod. It is important due to its historical significance as the first
sauropod known from adequate remains, illustrating the basic sauropod body plan,
and also because of the light it casts on the evolution of sauropods, being one of
the most derived taxa outside the clade Neosauropoda (Upchurch, 1998, fig. 19;
Upchurch et al., 2004, fig. 13.18). Cetiosaurus is the type genus of the family
CETIOSAURIDAE Lydekker, 1888 and was used as a specifier in the phylogenetic
definition of the clade CETIOSAURIDAE (Upchurch et al., 2004, p. 301).
5. Several further species of Cetiosaurus have also been erected. As summarised by
Upchurch & Martin (2003, p. 215), of the thirteen named species, three are nomina
nuda, two are junior objective synonyms, four are nomina dubia, and four are
diagnosable taxa (C. brevis, C. oxoniensis, C. glymptonensis Phillips, 1871, p. 291 and
C. humerocristatus Hulke, 1874, p. 17). These last four cannot be congeneric as they
represent several different sauropod groups.
6. Under a strict application of the Code, Cetiosaurus medius is the type species of
Cetiosaurus. However, the name Cetiosaurus has invariably been associated with the
species C. oxoniensis, and specifically the Bletchingdon Station material (e.g. Owen,
1875; Hatcher, 1903; Huene, 1904, 1927; Fraas, 1908; Janensch, 1914, 1929;
Matthew, 1915; Coombs, 1975; Wild, 1978; Bonaparte, 1986, 1999; Martin, 1987;
Upchurch, 1998; Casanovas et al., 2001; Upchurch & Martin, 2002, 2003; Liston,
2004; Day et al., 2004; Upchurch et al., 2004; Sánchez-Hernández, 2005; Wedel, 2005, 2007; Yates, 2006, 2007; Galton & Knoll, 2006; Moser et al., 2006; Naish & Martill,
2007; Taylor & Naish, 2007). The stability of use of this species in the literature as
representing Cetiosaurus is indicated by the fact that no other generic name has ever
been proposed for C. oxoniensis; nor has it ever been referred to as ‘Cetiosaurus’
oxoniensis. Enforcing the strict application of the Code would lead to considerable
nomenclatural confusion and inconsistency.
6. For this reason, Upchurch & Martin (2003, p. 215) informally treated
Cetiosaurus oxoniensis as the type species of Cetiosaurus pending a promised petition
to the Commission.
7. The International Commission on Zoological Nomenclature is accordingly
asked:
(1) to use its plenary power to set aside all previous fixations of type species for the
nominal genus Cetiosaurus Owen, 1841 and to designate Cetiosaurus oxoniensis
Phillips, 1871 as the type species;
(2) to place on the Official List of Generic Names in Zoology the name Cetiosaurus
Owen, 1841 (gender: masculine), type species Cetiosaurus oxoniensis Phillips,
1871, as ruled in (1) above;
(3) to place on the Official List of Specific Names in Zoology the name oxoniensis
Phillips, 1871, as published in the binomen Cetiosaurus oxoniensis (specific
name of the type species of Cetiosaurus Owen, 1841), as ruled in (1) above.
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Acknowledgement of receipt of this application was published in BZN 65: 162.
Comments on this case are invited for publication (subject to editing) in the Bulletin; they
should be sent to the Executive Secretary, I.C.Z.N., c/o Natural History Museum, Cromwell
Road, London SW7 5BD, U.K. (e-mail: iczn@nhm.ac.uk).