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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 

18.000 pegadas de dinossauros descobertas ao longo da antiga costa boliviana — e elas estabelecem um novo recorde.

Com a descoberta, Carreras Pampa, na Bolívia, tornou-se um dos principais sítios de pegadas de dinossauros do mundo. (Crédito da imagem: Raúl Esperante)

Cientistas descobriram um número recorde de pegadas fossilizadas de dinossauros e marcas de natação em um parque nacional no centro da Bolívia.

De acordo com um novo estudo, o sítio arqueológico com pegadas situa-se ao longo do que outrora foi uma antiga linha costeira, com marcas de ondulação que se estendem ao longo das pegadas e outras marcas na direção noroeste-sudeste. A maioria das pegadas pertence a dinossauros bípedes com três dedos, conhecidos como terópodes, que viveram no final do período Cretáceo (entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás), mas muitas pegadas de aves também estão preservadas, observaram os cientistas no artigo, publicado na quarta-feira (3 de dezembro) na revista PLOS One .

No total, McLarty e seus colegas contabilizaram 16.600 pegadas de terópodes e 1.378 rastros de natação. Estes foram encontrados no sítio arqueológico de Carreras Pampa, na Bolívia, que já era conhecido, mas não havia sido devidamente estudado ou documentado.

Carreras Pampa estende-se por 7.485 metros quadrados (80.570 pés quadrados) no Parque Nacional de Torotoro. O trabalho inicial envolveu a remoção de detritos das pegadas de dinossauro com vassouras, a limpeza do local com pedras e a remoção de sedimentos em áreas onde era provável encontrar pegadas adicionais.

A equipe descobriu uma enorme variedade de formatos e tamanhos de pegadas, indicando que muitos tipos de dinossauros terópodes vagavam ao longo da antiga costa. Várias pegadas tinham menos de 10 centímetros (4 polegadas), o que é raro no registro fóssil, de acordo com o estudo. Não está claro se essas pegadas foram feitas por espécies de terópodes menores, como o Coelophysis , ou por juvenis de espécies maiores, escreveram os pesquisadores.

As maiores pegadas tinham mais de 30 cm de comprimento, e a equipe acredita que elas podem ter sido feitas por dinossauros terópodes de porte médio, como  o Dilophosaurus  ou  o Allosaurus.  Os pesquisadores observaram que os terópodes de grande porte, como  o Tyrannosaurus rex  o Giganotosaurus  , geralmente deixam pegadas de 40 cm de comprimento. 

À esquerda, vemos uma pessoa caminhando ao longo de uma trilha de dinossauros e, à direita, um close da pegada de um dinossauro terópode.

Carreras Pampa preservou pegadas de terópodes, que são dinossauros bípedes com três dedos. (Crédito da imagem: Jeremy McLarty (esquerda) e Raúl Esperante (direita))

Carreras Pampa é única porque as pegadas mostram diferentes comportamentos de dinossauros, como caminhar, correr, nadar, arrastar a cauda e fazer curvas fechadas. "Ela preserva evidências de vários tipos de comportamentos locomotores excepcionalmente bem preservados e contém um dos maiores números de marcas de cauda de dinossauros do mundo", disse McLarty.

As marcas de natação são sulcos retos ou em forma de vírgula, frequentemente com um ou dois sulcos semelhantes, porém menores, ao lado, explicou McLarty. O sulco principal é resultado dos terópodes arranhando o sedimento no fundo da água com o dedo médio, enquanto os sulcos menores são dos outros dedos. Ao contrário de outros sítios que preservam apenas marcas de natação individuais de dinossauros, Carreras Pampa preserva marcas alternadas do pé esquerdo e direito, afirmou ele.Uma área de estudo plana com rochas que sustentam fios coloridos de lã. Esses fios marcam diferentes trilhas de pegadas de dinossauros.

Os pesquisadores usaram linhas de um metro para marcar as pegadas de dinossauros pertencentes à mesma trilha. (Crédito da imagem: Jeremy McLarty)

A abundância de pegadas mostra que Carreras Pampa era uma estrada pré-histórica, e a orientação paralela de algumas trilhas sugere que alguns dinossauros viajavam em grupos.

A Bolívia é conhecida por ser um local com grande quantidade de pegadas de dinossauros.

"O sítio arqueológico com o segundo maior número de pegadas também fica na Bolívia", disse McLarty. "O  sítio de Cal Orck'o  está localizado em uma pedreira ativa, formando uma parede quase vertical, longa e estreita. Já o sítio de Carreras Pampa se estende por uma área maior." 

domingo, 1 de abril de 2012

Postado em 01/04/2012 - Por: Marcus Cabral

Jurássico na Alemanha

Europasaurus, Iguanodon, Compsognathus e Archaeopteryx
© Gerhard Boeggemann

Hoje vou levar vocês por um breve passeio imaginário pela "Era Dourada dos Dinossauros" ou a "Era dos Répteis", como também é conhecido o período Jurássico, segundo período da Era Mesozóica, situado no meio desta, começando depois do Triássico e dando origem, no seu término, ao Cretáceo. Pretendo definir de maneira simples e direta as principais características do período, incluindo fauna, flora e clima, geografia e o que mais for pertinente. Então, o que está esperando, embarque na máquina do tempo virtual do Ikessauro e leia o artigo completo!


História: de onde vem a palavra Jurássico?
Assim como qualquer nome de dinossauro, o nome dos períodos geológicos tem uma origem e significado, geralmente atribuído pelo primeiro cientista a estudar tal período, suas rochas e características. Neste caso, o sujeito que foi responsável pelo batismo do famoso período Jurássico foi o cientistas Alexander von Humboldt, notável explorador e naturalista alemão, que em 1795 ao perceber a composição rochosa calcária das montanhas de Jura, na fronteira da França com a Suíça, deu o nome de "Jura kalkstein", cuja variação "Jurakalk" originou o nome atual para a formação geológica, baseando o nome do período das rochas no nome das Montanhas de Jura.
O nome "Jura" deriva da raiz céltica "Jor", que foi latinizado formando "Juria", significando "Floresta", portanto as montanhas seriam chamadas de "Montanha Floresta". A palavra "kalkstein" vem do alemão, significando "Calcário". Podemos dizer que o nome Jurássico, em uma tradução livre (tradução minha) significa "Floresta de Calcário" ou "Calcário da Floresta". Não consigo pensar em adaptação melhor do nome, mas estou aberto à sugestões, então escreva um comentário com a sua neste artigo.
Retrato de Alexander von Humboldt
© Joseph Karl Stieler

O Jurássico na linha do tempo

O período Jurássico começou após o término do período Triássico, entre 213 e 199 milhões de anos atrás e como pode perceber não há maior precisão na datação da fronteira Triássico-Jurássico devido à disposição das rochas e até mesmo falta de mais rochas expostas na crosta, datando desta época. Como toda datação geológica, não podemos ter uma precisão em anos, menos ainda em dias ou meses. Há sempre uma margem de erro para mais ou para menos em milhões de anos, variando de acordo com a fonte consultada. Em algumas, estima-se o início do Jurássico em 213 milhões de anos atrás, outras fontes indicam 205 ou mesmo 199 milhões de anos atrás. Não é questão de erro, mas sim de imprecisão científica devido à falta de mais evidências e técnicas de medição mais apuradas.
A maioria das estimativas está por volta de 213 - 199 milhões de anos atrás, com o período se estendendo por volta 50 milhões de anos, acabando há 145 milhões de anos e dando início ao Cretáceo.
O Jurássico é o período "do meio" da Era Mesozóica, estando entre o Triássico e o Cretáceo e marcando o pico de evolução e da dispersão dos dinossauros pelo globo terrestre, pois foi neste período em que os primeiros dinossauros, surgidos tímidos no Triássico, atingiram seu ápice, evoluindo em formas abundantes e variadas e chegando a tamanhos impressionantes, desde minúsculos Terópodes como o Compsognathus a titãs como o Diplodocus e Brachiosaurus.
O Jurássico se divide em 3 partes, também conhecido como Sistema do Jurássico, que são chamadas de Inferior, Médio e Superior, listados do mais antigo para o mais novo respectivamente. Observando a tabela abaixo, você pode ver ao fundo a tabela completa da Era Mesozóica, com o Triássico em verde, Jurássico em amarelo e Cretáceo em laranja, com suas respectivas subdivisões em tons de cores similares. No efeito de zoom proporcionado pela imagem na parte do Jurássico, podemos ver o sistema, com cada subdivisão ainda menor e ao final de cada linha uma estimativa em milhões de anos (M.a.) de quando cada parte começou e terminou. Vale a pena conferir mais de perto, então clique na imagem para ver em tamanho maior. A separação do Jurássico em três partes remonta a Leopold von Buch (1774 - 1853).
Veja a localização do Jurássico na linha do tempo
© Patrick Król Padilha

Como eu mencionei no artigo sobre o período Triássico, que você pode ler aqui no Blog do Ikessauro, foram encontradas na África rochas que marcam o final do período e o início do Jurássico, assim demonstrando que uma extinção em massa deu início ao segundo período, considerando que a África ainda fazia parte da Pangéia na época. Obviamente a extinção não foi tão grande quanto outras. Causada por variações climáticas, possível queda de meteorito, vulcanismo entre outros fatores, a extinção devastou metade dos seres vivos, principalmente animais e seres marinhos, por isso a maioria dos dinossauros sobreviveu e deu continuidade à linhagem no período seguinte. As plantas foram pouco afetadas, tendo sido os répteis marinhos e outros animais oceânicos os mais atingidos. Vale a pena ler sobre o período anterior, para ter uma visão melhor do que foi o início da Era Mesozóica.


Quanto ao final do Jurássico, não foi marcado por uma extinção em massa, mas sim por uma mudança nas espécies e variedades de fauna e flora, mudança gradual, que só se completou no Cretáceo, mas que se tornou evidênte quando se observa a história como um todo.

Geografia do Jurássico

Durante o período Triássico os continentes terrestres estavam todos unidos em um super continente chamado pelos cientistas de Pangéia (significando "Toda a Terra"). Algumas pequenas ilhas circundavam o super continente, mas muito pequenas para serem consideradas continentes individuais. O oceano que recobria todo o resto do globo era chamado Panthalassa (significando "Todo a Mar"). O clima era seco na maior parte do continente pois só as bordas do litoral é que mantinham contato com água durante todo o ano, assim permitindo um clima mais ameno nas áreas costeiras, enquanto que no meio do continente o clima era quente, árido e seco, com poucos períodos chuvosos. Você pode e deve estar se perguntando: Se este artigo trata do Jurássico, que importância o Ikessauro pensa que há em sabermos como era o Triássico?
Bem, meu caro paleoaficcionado, tem muita importância e vou lhe dizer porque! A forma do continente interfere nas correntes oceânicas e as correntes consequentemente tem impacto no clima, que afeta por sua vez a vegetação, que definirá como será a vida animal vegetariana, esta que servirá de comida aos seres carnívoros. Enfim, tudo está interligado num grande sistema complexo, onde a mudança de um único elemento sempre tem impacto nos outros e assim sucessivamente, afetando o sistema como um todo.
Sabendo como era o clima do Triássico, podemos ver que no Jurássico Médio e Superior, o continente Pangéia começou a se modificar, dando origem a dois continentes separados, um ao norte e outro mais ao sul. O continente mais ao norte é conhecido cientificamente pelo termo Laurásia, foi originado pela junção de dois outros termos, Laurência + Eurásia. O primeiro termo se refere ao Cratão Norte Americano e o segundo se refere ao continente grande formado por Europa e Ásia no hemisfério norte. Essa nomenclatura foi escolhida porque os continentes situados hoje no hemisfério norte se originaram na maioria a partir do super continente Laurásia, depois da separação no Jurássico. Só para esclarecer, Cratão se refere a um pedaço ou porção de rochas das placas tectônicas que mesmo com o decorrer de milhões de anos de atrito, união e separação de continentes, permanecem pouco alteradas.
Jurássico Médio: observe o começo da separação
© Dr. Ron Blakey

O continente formado no hemisfério sul recebeu o nome de Gondwana, cujo nome deriva do Sânscrito, significando "Floresta dos Gondis". Os Gondis são povos da Índia, onde há uma região chamada Gondwana, ao norte do país, sendo que foi nessa área que o pesquisador Austríaco Eduard Suess estudou as rochas que permitiram entender melhor a separação dos continentes. Por isso o nome foi escolhido em homenagem ao local que proporcionou a pesquisa. O Gondwana deu origem aos continentes do hemisfério sul, incluindo a América do Sul, a África, a Antártida, a Austrália, além das hoje inúmeras ilhas menores situadas neste hemisfério. A Índia também originou-se a partir de Gondwana, mas com o passar do tempo separou-se e migrou para o norte, chocando-se contra a Laurásia, criando a Cordilheira do Himalaia, onde se fixou e permanece atualmente.
Jurássico Superior
© Dr. Ron Blakey

Foi nessa época que surgiu o Golfo do México, entre a América do Norte e a Península de Yucatán no México. O Oceano Atlântico Norte apareceu nesta época, com a divisão da Laurásia em partes menores, originando a América do Norte e Eurásia, estando o oceano recém formado entre estes dois continentes citados por último. O Atlântico Sul não existia, pois América do Sul e África ainda estavam ligadas, sendo que só no Cretáceo se dividiriam para originar este oceano. O Mar de Tethys, que antes ocupava o golfo da Pangéia, sumiu e originou a bacia do Neotethys.Nessa época, a Europa Ocidental atual não passava de um bando de ilhas isoladas no meio do Atlântico, tendo originado posteriormente bons depósitos sedimentares marinhos com fósseis indicando a existência de um mar raso na região. Alguns locais com sítios fossilíferos conhecidos são o Jurassic Coast Heritage Site e o renomado sítio fossilífero alemão Lagerstätten of Holzmaden e Solnhofen, datado do Jurássico Superior, este último tendo originado inclusive o fóssil famoso do Archaeopteryx de Berlim.
Jurassic Coast Heritage Site: Inglaterra
© Blackbeck / iStockphoto

Por outro lado na América do Norte o registro marinho do Jurássico é fraco, porém outros estratos ainda assim fazem a região ser mais rica em depósitos do Jurássico que as Américas Central e do Sul. No norte podemos encontrar alguns depósitos originados de ambientes marinhos, mas a maioria provém de sedimentações aluviais, ou seja, leitos de rios que atraiam animais e permitiam a vida mais próspera ao seu redor e cuja lama e sedimentos trazidos pela água deram origem a formações rochosas hoje visíveis na superfície, como a Formação Morrison nos Estados Unidos.
Formação Morrison
© Michael Overton

O Jurássico foi marcado por mares repletos de calcita com baixos níveis de magnésio, o material sedimentar inorgânico mais comum nos mares, que originaram depois de alguns milhões de anos depósitos de rocha de Carbonato de Cálcio que é o principal componente do calcário. Simplificando, são rochas formadas pela petrificação do fundo do oceano, que mostra uma rica fauna com esqueleto externo principalmente composto de calcita.
Analisando as rochas do Jurássico pode-se perceber vários batólitos de grande porte, que são rochas formadas pelo vazamento do magma entre camadas de sedimento. As camadas se sobrepõem em ordem homogênea, mas quando o magma vaza por entre camadas acaba infiltrando um tipo de material diferente que origina posteriormente rochas diferentes. Um exemplo desse fenômeno é a cadeia de montanhas de Nevada.
Segundo um artigo do blog "Geografia Física Online" sobre plutonismo, do qual retiro a citação seguinte, os Batólitos:
"ocorrem principalmente em regiões tectonicamente calmas, são grandes massas contínuas formadas por rochas magmáticas que cortam de forma discordante as rochas mais antigas."
Já de acordo com o Geoglossário do site do Cairo American College, um Batólito é:
"an irregular mass of coarse-grained, intrusive igneous rock that has an exposed surface of more than a hundred square kilometres. Batholiths form deep within the Earth's crust, many kilometres beneath the surface. With time, the overlying rocks erode, exposing the rock of the batholith."
Tradução: "uma massa irregular de rocha ignea intrusiva de textura granulada que tem um superfície exposta de mais de mil quilômetros quadrados. Batólitos se formam no fundo da crosta terrestre, muitos quilômetros abaixo da superfície. Com o tempo, as rochas que o cobrem sofrem erosão, expondo a rocha do batólito.
De forma simplificada, podemos visualizar a formação de um batólito da seguinte maneira. Há uma formação rochosa com várias camadas de rocha sedimentar. Cada camada de uma idade e constituição diferente. Abaixo destas camadas há fluxo de magma do núcleo da Terra. Este fluxo consegue penetrar nas camadas de baixo para cima, e no meio delas cria uma bolha de magma, que resfria e vira rocha. Com o passar de alguns milhões de anos, as camadas sedimentares que cobrem essa bolha de magma endurecido acabam sofrendo erosão pela chuva, vento e outros processos naturais, expondo a bolha, total ou parcialmente. Estas bolhas ou batólitos muias vezes são grandes ao ponto de formarem verdadeiras montanhas.
Voltando a falar do registro geológico do período aqui tratado, podemos lembrar que alguns outros países ou mesmo continentes apresentam estratos jurássicos, mas em menor quantidade e abrangência que os citados anteriormente. Entre estes incluem-se Rússia, América do Sul, Índia, Japão, Australásia e Reino Unido. Na África, estratos do Jurássico Inferior estão distribuídos de modo similar aos estratos do Triássico Superior, com mais afloramentos no sul e menos ao norte do continente.
Os estratos do Jurássico Médio da África são escassos e mal estudados, assim como do Jurássico Superior, que apresenta uma exceção, a Formação de Tendaguru - Tanzânia, que se assemelha em quesito fauna à Formação Morrison na América do Norte. Recentemente uma notícia no Brasil anunciava a descoberta de um sítio fossilifero datado do Jurássico, no nordeste do país, mas ainda não soube mais detalhes sobre tal fato.

Clima do Jurássico

O clima era quente, sem evidência de glaciação. Assim como no Triássico, não havia nenhuma massa de terra próxima dos polos e não havia cobertura de gelo. Com a mudança da forma dos continentes, mais porções de terra receberam umidade proveniente das novas regiões costeiras formadas e assim o clima quente e seco do período anterior tornou-se quente e úmido, um verdadeiro clima tropical, dando origem a enormes florestas, graças ao aumento de crescimento das plantas a partir da nova condição climática. O clima tropical abrangia o mundo todo devido à elevação do nível do mar criada por vulcanismo submerso, que depositava mais material rochoso no fundo dos mares, elevando o nível da água. Muitas regiões atuais como a Europa Ocidental eram ilhas tropicais em mares rasos. Havia vulcanismo, provavelmente gerado a partir da separação continental que deve ter ocorrido a partir de intensa atividade geológica das placas tectônicas.

Flora do Jurássico

Devido ao clima mais úmido proporcionado pela quebra continental, muitas plantas prosperaram e boa parte dos continentes durante o Jurássico era coberta por extensas florestas tropicais, repletas de árvores de porte variado e plantas rasteiras. Depósitos de carvão natural datados do Jurássico mostram o quão extensas eram as florestas do período. As gramíneas ainda não haviam surgido, mas em seu lugar, os fetos, cavalinhas e samambaias ocuparam o posto de cobertura vegetal rasteira. Os Licopódios do Triássico sobreviveram e prosperaram também, embora não tanto quanto as demais plantas.
Floresta Jurássica: observe os fetos e samambaias rasteiras
© John Sibbick

Como plantas médias haviam as cicadáceas, cuja linhagem ainda vive hoje e as cicas, árvores de médio porte muito similares às cicadáceas, mas que não eram cicadáceas verdadeiras. As cicas foram totalmente exintas, mas acredita-se que podem ser sido as primeiras plantas a desenvolver flores, embora não foram as ancestrais das plantas com flores de hoje, porque o grupo destas cicas, que também é conhecido como Cicadeóides ou Benetitáceas, foi extinto completamente.
Benetitácea
© Foto do site Han's Paleobotany Pages
Benetitáceas
© Foto do site Han's Paleobotany PagesFóssil de Benetitácea
© Wikimedia Commons

Algumas plantas do grupo das cicadáceas eram venenosas e ao contrário do que ocorre hoje, cresciam em todo o mundo pois todos os continentes tinham clima tropical e/ou sub tropical. Um exemplo de benetitácea é a Williamsonia, que tinha um tronco escamoso e produzia folhas parecidas com a das cicadáceas e estruturas parecidas com flores, embora não fossem de fato flores. Dentre estas plantas podemos citar também fetos arborescentes, sendo que haviam várias espécies e tipos, similares a atual Dicksonia.
Atual Dicksonia antarctica: plantas semelhantes eram comuns no Jurássico
© Foto retirada de gardensandplants.comDicksonia antarctica: espécie atual
© Wikimedia Commons
As cicadáceas verdadeiras também eram abundantes no Jurássico, crescendo em formas e tamanhos variados, com exemplares rasteiros e outros arborescentes. Para comparar podemos ver uma espécie atual, a africana Encephalartos transvenosus, que cresce em florestas na África, até dando um aspecto pré-histórico à paisagem.
Floresta de Cicadáceas na África
© Foto do site wild-about-you.com

As árvores de grande porte dominantes eram as gimnospermas, coníferas na maioria, como Araucárias entre outros tipos de pinheiros. Grupos que ainda vivem nos dias atuais como Araucariaceae, Cephalotaxaceae, Pinaceae, Podocarpaceae, Taxaceae e Taxodiaceae se originaram no Jurássico. No Jurássico as Araucárias estavam espalhadas por quase todo o globo, enquanto que hoje só são encontradas em poucos locais no hemisfério sul. Abaixo você confere alguns exemplares de araucárias atuais.
Araucárias atuais na América do Sul: similares às do Jurássico
© Manuel Capdevila Pinha de Araucária fóssil da Argentina
© Mila Zinkova

Espécies de Ginkgos eram abundantes também, tendo sua linhagem ainda viva hoje com um único gênero, muito usado como árvore para paisagismo em jardins e calçadas. As samambaias já existiam naquele tempo, assim como árvores coníferas como alguns parentes das Sequóias e Ciprestes atuais.
Os Shunosaurus sob um exemplar de Ginkgo yimaensis
© Brian Engh

Ginkgos eram mais comuns ao norte em altas latitudes, enquanto que no sul podocarpos eram mais bem sucedidos. As algas vermelhas modernas que vemos hoje apareceram pela primeira vez nesse período. Abaixo você confere mais imagens de paleorecontrução ambiental, com várias espécies de plantas, coníferas, fetos entre outras citadas anteriormente.
Coníferas do Jurássico
© Foto do site Han's Paleobotany PagesPaisagem Jurássica
© Imagem retirada de Review of the Universe.ca
Coníferas semelhantes às atuais Sequóias eram abundantes no Jurássico
© Imagem retirada de Review of the Universe.ca

Fauna do Jurássico

À medida que o Jurássico prosseguia, mudanças ambientais proporcionaram a evolução dos dinossauros. Pequenos predadores que no Triássico não eram muito maiores que um cachorro agora tinham descendentes que chegavam a 10 metros de comprimento. Os herbívoros como os Prossaurópodes que apesar de grandes não eram tão impressionantes deram lugar aos seus parentes Saurópodes, que alcançaram tamanhos descomunais. Outros herbívoros menores surgiram, incluindo Ornitópodes e os Estegossauros, dinos couraçados de médio porte, cuja principal característica é um corpo robusto coberto por placas ósseas verticais ou espigões desde o pescoço até a cauda, apresentando cabeça pequena e pescoço curto. Pequenos ornitópodes como Driossauro viviam na sombra dos grandalhões, perseguidos por predadores de médio porte como o Ceratossauro entre outros.
Ceratosaurus caçando Dryosaurus
© Maurilio Oliveira

No mundo todo os dinossauros prosperavam em formas diferentes, alguns pequenos celurossaurídeos já davam sinais de evolução de que um dia dariam origem às aves. O Archaeopteryx, dinossauro pequeno que por muitos anos foi tido como a primeira ave é um exemplo dessa transição. Hoje o mesmo animal está classificado como dinossauro terópode, mas não deixa de ser um dos melhores exemplos de evolução encontrados no registro fóssil.
A fauna era similar em todo o planeta, devido à recente separação dos continentes. Podemos perceber claramente tal fato observando, por exemplo, a fauna da Formação Morrison (Estados Unidos) e da Formação Tendaguru (Tanzânia). Na primeira temos fósseis de Brachiosaurus, Stegosaurus, Allosaurus, Ceratosaurus entre outros. Na formação africana temos Giraffatitan, Kentrosaurus e restos de terópodes do grupo do Allosaurus e Ceratosaurídeos, embora no caso destes predadores os fósseis precários não permitam definição mais precisa.

Podemos citar, dentre os dinos mais conhecidos do Jurássico os clássicos saurópodes Apatosaurus, Brachiosaurus, Giraffatitan, Diplodocus, Barosaurus, também os predadores Dilophosaurus, Allosaurus, Ceratosaurus, Afrovenator, Torvosaurus, Ornitholestes, Anchisaurus, Cetiosaurus, Coelurus, Dinheirosaurus entre outros.
Os dinos ornitísquios (com quadril de ave) eram mais raros que saurísquios (com quadril de réptil), entrentanto alguns, como os Estegossauros e pequenos ornitópodes, desempenharam um papel importante como herbívoros de médio a grande porte.

Ceratosaurus atacando Camarasaurus
© Desconhecido: informe nos comentários se você sabe quem é o autorAfrovenator e Ornithocheirus
© Maurilio OliveiraFilhotes de Apatosaurus ajax
© Fabio Pastori

Além de dinossauros, na terra firme os crocodilos ainda tinham papel, embora menor que no período anterior e mamíferos pequenos parecidos com gambás viviam nas florestas e alguns até levando vida semi aquática. Duas espécies mais conhecidas são Megazostrodon e Morganucodon.
Megazostrodon
© Wikimedia Commons

Nos céus a falta dos pássaros não deixou um vazio, pelo contrário, deu a chance de outro grupo de animais prosperarem. Neste caso estou falando dos Pterossauros, os primeiros vertebrados a conquistar o vôo e que no Jurássico desenvolveram ainda mais, expandindo em variedade de tamanho e formatos. Espécies bem conhecidas como Pterodactylus, Dorignathus, Germanodactylys, Rhamphorhynchus, Bathrachoganthus e Anurognathus são bem representadas no registro fóssil, embora nenhuma chegasse a tamanhos extremos como aconteceu com pterossauros do Cretáceo.
Pterodactylus
© Luis Rey
Dimorphodon
© Luis Rey

Não podemos nos esquecer que além de pterossauros, o dino-ave Archaeopteryx, já apresentava sinais de vôo, pelo menos planado, assim sendo talvez um competidor por alimento no nicho em que vivia. O artista Gary Bloomfield fez uma pintura que mostra essa situação, um Archaeopteryx defendendo sua presa (um peixe) de vários pterossauros.
© Gary Bloomfield

Nos mares animais dos mais variados tipos viviam disputando comida e domínio por territórios, alguns preferindo uma vida mais estável no fundo dos mares rasos, atuando como "lixeiros" dos ecossistema, se alimentando de restos de animais ou predando por emboscadas. Entre estes animais rastejantes estavam os Caranguejos, como o Eryon arctiformis, e outros artrópodes, como camarões, lagostas e afins.
Caranguejo Eryon arctiformis
© Didier Descouens

Outros animais de fundo eram os ofiúros, animais do grupo dos equinodermos, parecidos com estrelas do mar. Espécies representantes desse grupo foram encontradas no registro fóssil, sendo que posso citar a espécie Geocoma elegans como uma delas. Outros equinodermos do jurássico incluem os ouriços do mar, como o Cidaris coronata.
Geocoma elegans
© HSU NHM 1998Cidaris coronata
© HSU NHM 1998

No entanto os mares do Jurássico tinham muito mais do que só animais de fundo, pois Peixes variados, incluindo peixes ósseos e tubarões, populavam os mares do mundo todo. Alguns gêneros conhecidos incluem Leptolepis, Leedsichthys, Lepidotes, Coelacanthus, Hybodus entre outros.
Leptolepis
© Wikimedia CommonsLeedsichthys
© BBCLepidotes
© Wikimedia Commons

Os moluscos como as ostras Gryphaea arcuata e Inoceramus mucronata já surgiam e outros moluscos chamados Amêijoas também prosperavam, como a Buchia acutistriata.
Gryphaea arcuata
© Wikimedia Commons

Os Cefalópodes eram abundantes, representados principalmente pelas Amonites, incluindo os gêneros Dactylioceras, Praeparkinsonia, e Acanthopleuroceras, além de moluscos do grupo dos Belemnites, como o Pachyteuthis. Os Brachiópodes ainda existiam, mas com menor expressão. Um exemplo de Brachiópode é a Rhynchonella.
Dactylioceras
© Nobu Tamura

Além de toda essa galera estranha os mares jurássicos eram habitados por animais que a maioria dos amantes da pré-história mais inexperientes confunde com dinos. Eles eram répteis marinhos, incluindo Crocodilos, Ictiossauros e Plesiossauros. Entre os crocodilomorfos, alguns dos quais eram bem primitivos, posso citar os gêneros, Machimosaurus, Protosuchus, Metriorhynchus, Teleosaurus, Geosaurus só para exemplificar alguns gêneros.
Metriorhynchus
© Gabriel Lio

Do grupo dos Ictiossauros, posso citar alguns gêneros que são conhecidos no registro fóssil, como Ophthalmosaurus, o próprio Ichthyosaurus, Temnodontosaurus, Brachypterygius, Stenopterygius que são os mais famosos.
Ophthalmosaurus
© Gabriel Lio
Ichthyosaurus
© Raúl MartínStenopterygius
© Dinoraul

Além dos Ictiossauros os mares do Jurássico estavam povoados pelos Plesiossauros, répteis marinhos diferentes dos já mencionados, com um corpo bem mais largo que o dos Ictiossauros e pescoços longos, por vezes descritos como uma cobra com corpo de tartaruga. Um subgrupo dos Plesiosaurus eram os Pliosaurus, que tinham pescoços grossos e musculares, cabeças enormes e dentes numerosos e fortes. Alguns gêneros conhecidos de Plesiossauros e Pliossauros são Cryptoclidus, Muraenosaurus, Rhomaleosaurus, Plesiosaurus, Pliosaurus, Liopleurodon, Attenborosaurus entre outros.
Liopleurodon, um Pliossaurídeo
© Felipe A. Elias
Cryptoclidus, um Plesiossaurídeo
© Luis Rey

Animais como o Notobatrachus, Eocaecilia e o Karaurus continuavam a linhagem dos anfíbios, começada antes mesmo dos dinossauros. Nesta época é que os sapos surgiram além de outros anfíbios avançados.
Notobatrachus
© Nobu Tamura
Eocaecilia
© Nobu TamuraKaraurus
© Nobu Tamura

Enfim, como você pôde perceber, o Jurássico foi um período muito importante e cheio de vida na Terra, um tempo de gigantes, em que a evolução mostou alguns dos mais impressionantes seres vivos que já pisaram no planeta. Só podemos estudar seus restos e imaginar como todos estes seres vivos, além de outros que provavelmente habitavam o mundo, como bactérias, vírus, fungos, parasitas variados, insetos de diversos tipos e outros bichos interagiam entre si formando um ecossistema completo e funcional. Posso dizer que é muito interessante parar e refletir por alguns minutos, imaginar e tentar ilustrar mentalmente como uma paisagem da época se pareceria.

O Fim do Período

Como já disse, o final do Jurássico não teve uma extinção em massa tão grande quanto no fim do Permiano ou do Cretáceo, pois muitas das espécies ou grupos de animais sobreviveram e passaram a viver e evoluir no Cretáceo. O paleontólogo Thomas Holtz afirma que Bakker falou sobre a extinção do Jurássico e que poucas espécies de dinossauros foram afetadas. O que acontece é que a maioria das extinções que marcam as divisões de períodos afetou em maior grau seres marinhos, sendo que no fim do Jurássico poucos animais terrestres foram realmente extintos, algumas espécies sim, mas não grupos inteiros. Por isso vemos no Cretáceo dinossauros semelhantes aos do Jurássico e outros animais como répteis marinhos, pterossauros além de uma infinidade de outros grupos.

O período Jurássico de fato seja talvez o mais conhecido dentre todos os da história geológica da terra, em parte pela publicidade do filme "Jurassic Park", baseado no livro homônimo de Michael Crichton. Apesar de que no livro, filme e respectivas sequências os animais mostrados sejam também de outros períodos, o nome "Jurassic" foi escolhido por Crichton por ser mais fácil de falar, lembrar e soar melhor. Também o mito de que dinossauros eram todos enormes e o fato de alguns dos maiores terem vivido no Jurássico, o período ficou popular como a era dos gigantescos saurópodes. Indepentente da popularidade o período é digno de admiração, pois deve ter sido belíssimo, riquíssimo em vida, como podemos perceber pelo pouco preservado em registro fóssil.
Espero que eu tenha sido claro o suficiente ao contar a você "paleo-leitor" sobre esse trecho da história do nosso planeta e que este texto tenha sido bem educativo e gostoso de ler. Se houver algo interessante que eu esqueci de escrever ou alguma correção a fazer, comenta abaixo dando sua contribuição, sempre com argumentação coerente, linguagem escrita formal e de preferência citando suas fontes. Lembre-se, o melhor pagamento ao blogueiro é a participação e reconhecimento dos leitores e se você tem um blog, sinta-se a vontade em divulgar a postagem através de links, mas por favor, respeite meu trabalho e não copie tudo, pois isso além de ser atestado de incompetência é crime. Valeu galera, até a próxima!

Fontes:

sábado, 25 de setembro de 2010

New paper: media response

I was originally going to post more on the science in my new paper on theropods, but I thought it would be a good opportunity to present my observations on the media response to my paper (or whatever media coverage there was).

The Proceedings of the Royal Society releases their own press materials before the official online release, the abstract for which, I actually wrote myself (200 words) when I submitted the final corrected version of the manuscript. Following the said press release (but before the online release) I got contacted by two journalists, one for Discovery News and another for Australia's ABC News. I was quite impressed by both journalists' questions; they were very good questions. So I did my best to answer as much as I can in the limited time I had (I was in London visiting the Natural History Museum).

The resulting articles that came out on the day of the online release of the paper were quite good. I was pleasantly surprised. If you haven't already, you should have a look at both articles (Discovery News and ABC News). They are quite accurate in the science reporting.

However, having said that, there were a couple of things that amused me; like the phrase 'ripping the heads off of prey'. But annoyingly (though very mildly), I am misquoted in one to have claimed Velociraptor is an ostrich dinosaur. I was actually listing theropod groups and Velociraptor just followed ostrich dinosaurs, separated by a comma. And I don't particularly understand the relevance of mentioning the bite force of Carcharodon megalodon.

All other news stories following these two were just basically copy-paste jobs, with a few minor changes; like me apparently being a British palaeontologist...

There were a few nice blog pieces on this too (here, here and here). So thanks to those bloggers that picked up and commented on my study.

I must say, I was a bit disappointed in the somewhat pervasive phrasing 'unsurprisingly' or 'confirms what palaeontologists have already suspected'; this makes it look like my study was a waste of funding (BTW if you do think this, then you are so wrong about funding...or pretty much a lack thereof). But more importantly, just because everyone thought so, doesn't mean you shouldn't test it. In fact, this type of analysis has never been done before; that's why Proc B thought it was worth their page space. Furthermore, Allosaurus has previously been considered to have weak muscle driven bites, so unique biting strategies have been suggested (Bakker, 1998; Rayfield et al., 2001; Anton et al., 2003), but my results would indicate that Allosaurus and other allosaurs actually had very efficient biting. Of course, the sizes of the jaw adductors are ignored in my study but the it remains that allosaurs are not inefficient biters. One of the other surprises I had was the tendency in allosaurs (especially in the carcharodontosaurs) to have extremely high-efficiency biting at the back of the toothrow. Carcharodontosaurus and Giganotosaurus have always been compared to Tyrannosaurus and people commonly said, 'well Giganotosaurus may have been bigger but T. rex would have ripped its head off!'. Now my study confirms that Tyrannosaurus is a high-efficiency biter but it also shows that carcharodontosaurs had higher efficiency at the back of the tooth row than Tyrannosaurus. That's kind of contrary to what a lot of people have suggested in the past; for instance, Carcharodontosaurus doesn't have strong enough dentition for powerful biting (don't ask me for the source because I don't know; it's one of those 'what palaeontologists have long suspected' type statements that I really don't know where it originated). So personally, I think we should be putting more focus on carcharodontosaur functional morphology.

Anyway, enough of the rant, and thanks to the journalists at Discovery News and ABC News for their quality reporting and also to all that blogged about it!!!

References:
Anton., M., Sanchez, I.M., Salesa, M.J., & Turner, A. 2003. The muscle-powered bite of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda): an interpretation of cranio-dental morphology. Estudios Geologicos 59: 313-323.
Bakker, R.T. 1998. Brontosaur killers: Late Jurassic allosaurids as sabre-tooth cat analogues. Gaia 15: 145-158.
Rayfield, E.J., Norman, D.B., et al. 2001. Cranial design and function in a large theropod dinosaur. Nature 409: 1033-1037.

Saturday, June 12, 2010

New paper: jaw biomechanics and the evolution of biting performance in theropod dinosaurs

My new paper on theropod jaw biomechanics was finally published as an early online edition of the Proceedings of the Royal Society B. It became available on Wednesday, 9th June, but I was busy studying cat skulls at the NHM in London and I didn't have much time to comment on it until now. It is a modified version of the study I presented at SVP 2009; although I don't know how many people remember my talk. I made a few revisions to the analyses afterwards (as a response to my reviewers), but the main points are pretty much the same.

This study is pretty much a revamp of my MSc thesis where I compared biting efficiency using a novel numerical method. In my MSc thesis, I looked at how the crushing component of the bite force is affected by jaw margin morphology and how they compare across different theropod taxa. Since it was back in my early days of quantitative comparative analyses, I had no idea (or never occurred to me) how I would go about and compare them numerically (e.g. statistically). So I just basically plotted out bite force profiles and compared them qualitatively (e.g. this squiggly line looks a bit more squiggly than this other squiggly line). Furthermore, after I started my PhD studies, as I was looking back at my MSc material for possible publication, I realised that the calculations were based on an erroneous fundamental assumption; or more strictly speaking, my quantification procedure depended entirely on a subjective orientation of the skull image. Attempts at computing orientation-free force profiles were faced with complications (i.e. the computer scripts didn't work). At that time, I didn't have much computing skills (not that I am any better now) but I needed to come up with another way of quantifying the same thing. But I couldn't really think of any so I kind of gave up and focused on my PhD.

It didn't occur to me until after I defended my PhD thesis that all I needed to do was to look at the patterns of mechanical advantages along the entirety of the tooth row, and I would effectively be looking at something very similar to what I intended in my MSc thesis. Mechanical advantage is an established biomechanical metric and is much easier to compute. Most importantly, mechanical advantage is simply a ratio of the in-lever and the out-lever so it is free of jaw/skull orientations; this solves my problem of orientation. Further, since mechanical advantage is a ratio, it is size-independent as well. This makes it possible to directly compare taxa spanning several orders of magnitude in size.

But using mechanical advantage isn't free of complications. The most prominent when applying to theropods is the issue of homologous biting positions. In mammals, where use of mechanical advantage has been common practice for a very long time, mechanical advantages can be taken at homologous or functionally analogous biting positions, such as the canines, the molars or the carnassials. In theropods, tooth counts are variable, and the only homologous/analogous biting positions are the anterior-most and posterior-most biting positions (any other biting position is not directly comparable; for instance how does a 7th maxillary tooth position of Tyrannosaurus relate to in Allosaurus? Or what if the 'longest mid-maxillary tooth/teeth' aren't immediately obvious?). The only way to compare biting positions in between these two points would be to use a proportional positioning system such as percentages. One can use the position of the tooth in relation to the total length of the jaw but that would have undesirable effects of making the posterior-most biting positions incomparable across taxa with differing tooth row length relative to jaw length. So the most consistent way of standardising biting position is to fit every biting position along a percentage scale of the tooth row length with the posterior-most biting position being the 0% tooth row position and the anterior-most biting position being the 100% tooth row position.

To make it clear here (because one of my reviewers confused this) the standardised biting position is employed after mechanical advantages are computed using absolute distances. The standardisation is to make comparisons of mechanical advantages across taxa possible, not to standardise the mechanical advantages themselves.

The result is that you get a plot of mechanical advantage against standardised biting positions. And you can compare how mechanical advantages change along the tooth row (see figure to the right). To be clear again, the 0% tooth row position at the left hand side of the plot is the tooth at the back of the tooth row. As expected, that is where the biting efficiency is highest in any taxon studied. Towards the right hand side of the horizontal axis, we get further along the tooth row towards the front of the snout. As usual in lever mechanics, towards the tip of the snout, mechanical advantage gets lower, or less efficient. This is kind of like trying to cut something tough with a long pair of scissors; it is easy to cut/crush through a strong twig at the back of the scissors but really difficult at the tip of the scissors.

It may occur to some that maybe this profile would be consistent across theropod taxa; after all, they all seem to have longish tooth rows with little variation in tooth row morphology. This is true to some extent that the majority of the profile morphology is relatively similar, in that they are all simple parabolic curves. However, there are major differences in the vertical positioning of the curves, or the absolute values of the mechanical advantages (see figure to the left). This graph is from an older version so it's not exactly the same one in the final paper, but the overall pattern is the same; you see a vertical separation in biting profiles, albeit along a continuum (kind of like a smear I guess). Nonetheless, there are prominently unique profiles. For instance the ones in black, Coelophysis and Syntarsus. These profiles criss-cross the entire vertical spectrum from very high mechanical advantages at the back of the tooth row to very low mechanical advantages at the front of the tooth row. Other theropods do not have this extreme combination.

The ones in red are close but not as extreme. These are represented by the two primitive taxa, Herrerasaurus and Plateosaurus. So this is quite likely the ancestral condition in theropods. Dilophosaurus is also showing a similar profile, consistent with this profile being ancestral (although coelophysoids are an exception). Interestingly, some more derived theropods also share similar profiles with these basal taxa; most notably and surprisingly, Carcharodontosaurus. This type of biting is typified by an extremely high mechanical advantage at the back of the tooth row with relatively high to moderate mechanical advantage at the front of the tooth row. What this reflects is that these taxa have their muscle attachments relatively close to a long tooth row, so the overall mechanical advantage is high at the same time the range in mechanical advantage along the length of the tooth row is high as well. In a way the coelophysoid-type profile is an extreme form of this profile.

The rest of the theropods (the blue and pink ones) are almost indistinct from one another in terms of profile (except for a few), but are different in vertical positions, spread out along a continuum. But there is a noticeable gap, hence the different colour designation. This distinction can be a bit arbitrary so I don't make such a distinction in the paper and is discussed in terms of a gradual spectrum; the high-efficiency end of the spectrum towards the top and the low-efficiency (weak/fast biting) end towards the bottom. The high-efficiency function types (blue) have relatively high mechanical advantages along short tooth rows, while conversely the weak/fast function types (pink) have low mechanical advantages along their short tooth rows.

At this point we are still comparing squiggliness of squiggly lines, so in my next post, I shall introduce what I did in my paper in order to make a more meaningful comparison.