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quarta-feira, 14 de julho de 2021

 

Iniciativa multinacional aponta diretrizes para mitigar os impactos de espécies invasoras

14 de julho de 2021


Iniciativa multinacional aponta diretrizes para mitigar os impactos de espécies invasoras Minks em paisagem da Patagônia argentina. Os animais foram introduzidos na América do Sul para a produção de peles (foto: Programa Patagonia-Aves Argentinas)

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Espécies exóticas invasoras são causadoras de impactos ambientais, sociais e econômicos negativos. Um exemplo, entre muitos, é a gramínea braquiária – de origem africana e introduzida no Brasil para formação de pastagens destinadas à criação de gado bovino –, que se tornou uma grande ameaça para a sobrevivência de espécies nativas e a biodiversidade em várias escalas espaciais.

A erradicação completa de espécies exóticas invasoras é frequentemente inviável. E tentativas feitas nesse sentido já produziram resultados indesejados e até mesmo prejudiciais, porque a simples retirada da espécie exótica invasora não reconstitui o ambiente – como, por exemplo, em áreas de Cerrado invadidas por pinheiros. Por isso, considerando que espécies exóticas invasoras que não podem ser erradicadas precisam ser administradas continuamente, pesquisadores do Brasil, Argentina, Chile e Reino Unido definiram os eixos estratégicos para uma política nesse sentido, com foco na mitigação dos impactos, mais do que na eliminação das espécies.

O projeto resultante, que recebeu o nome de CONTAIN (“conter” em inglês), surgiu a partir de uma chamada de propostas lançada em 2018 por acordo de cooperação entre a FAPESP; o Natural Environment Research Council (NERC), o UK Research and Innovation (UKRI) e o Newton Fund (NF), do Reino Unido; o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet), da Argentina; a Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica (Conicyt), do Chile; e o Consejo Nacional de Ciencia, Tecnología e Innovación Tecnológica (Concytec), do Peru.

A iniciativa busca estabelecer e desenvolver ferramentas de manejo que permitam otimizar o controle de espécies exóticas invasoras em horizontes de médio e longo prazo. A participação do grupo brasileiro, sediado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), é coordenada por Alessandra Fidelis, professora do Instituto de Biociências, no campus de Rio Claro.

Um estudo elaborado pelos integrantes do CONTAIN foi publicado no periódico BioScience. O trabalho contou com apoio da FAPESP por meio do projeto “Uso do manejo adaptativo na otimização do manejo a longo prazo de espécies invasoras prejudiciais à biodiversidade e economia rural”, conduzido por Fidelis.

“Nosso estudo procurou contemplar não apenas as invasões em si, mas também traçar diretrizes para a interação com gestores, tendo o objetivo de conter a proliferação das espécies e mitigar seus impactos”, diz a pesquisadora à Agência FAPESP.

O estudo utilizou como definição de espécies exóticas invasoras aquelas que “transitam com sucesso pelos três estágios iniciais de invasão [transporte, introdução e estabelecimento] e, subsequentemente, estabelecem múltiplas populações autossustentáveis, compostas por indivíduos que se reproduzem, sobrevivem e se dispersam, em uma paisagem além da sua distribuição nativa”. E indicou que um subconjunto delas “produz uma gama de impactos ambientais, sociais e econômicos negativos em várias escalas espaciais”.

Nesse vasto subconjunto, foram enfocadas as seguintes espécies exóticas invasoras: no Brasil, a braquiária e outras gramíneas de origem africana (introduzidas para o plantio de pastagens destinadas à alimentação de rebanhos bovinos) e as árvores do gênero Pinus (introduzidas do hemisfério norte para a produção de polpa e resina); na Argentina, o mamífero de origem norte-americana mink (também chamado de vison e introduzido para a produção de peles) e as árvores dos gêneros Pinus e Ligustrum (de origem asiática e utilizada em arborização); no Chile, o pinheiro, o mink e a vespa de jaqueta amarela (de origem asiática).

“Definimos seis critérios de planejamento para mitigar os impactos. Os três primeiros configuram um levantamento detalhado da situação: mapear a presença da espécie exótica invasora na região e sua distribuição espacial; investigar por quanto tempo essa invasora está presente; avaliar o que sabemos sobre os impactos causados por ela”, informa Fidelis.

E prossegue. “Os três critérios seguintes dizem respeito à resposta que podemos dar a essa situação: que tipos de intervenções são factíveis, do ponto de vista técnico, social e econômico; que consequências negativas essas intervenções podem acarretar; fazer o balanço dos custos e benefícios das intervenções e das consequências."

A atual pandemia já explicitou com clareza meridiana os riscos que a degradação dos ambientes naturais pode causar. E a urgência da adoção de políticas de controle e mitigação bem embasadas em conhecimentos científicos. “No caso das espécies enfocadas por nosso estudo, temos um motivo a mais, e um motivo bastante forte, para implementar essas políticas, pois foi descoberto que o mink é transmissor do novo coronavírus”, comenta Fidelis.

Evidentemente, tudo isso só será efetivo se os conhecimentos gerados nas universidades e nos institutos de pesquisa transbordarem o ambiente acadêmico e forem abraçados pela sociedade, em especial pelos gestores, públicos e privados.

O artigo Management policies for invasive alien species: addressing the impacts rather than the species pode ser acessado em https://doi.org/10.1093/biosci/biaa139.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Livro destaca a importância das pequenas plantas para o Cerrado

Obra de professora da Unesp encanta e conscientiza leitores com belas imagens e informação

22/01/2019 por: José Tadeu Arantes | Agência FAPESP
Livro é destinado à distribuição gratuita para bibliotecas, institutos de pesquisa e estudioso, além de estar disponível em PDF. Imagem: Reprodução
 
 “As pessoas só dão valor para aquilo que conhecem.” Foi este pensamento que inspirou a pesquisadora Giselda Durigan a coordenar a empreitada coletiva que resultou no livro Plantas pequenas do Cerrado: biodiversidade negligenciadaCom 720 páginas, quase todas ilustradas com deslumbrantes fotos coloridas, o livro apresenta um levantamento exaustivo das plantas de pequeno porte, que são o sustentáculo do Cerrado.

Professora em programas de pós-graduação em Ciência Florestal na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Ecologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela estuda o Cerrado há mais de 30 anos.

Destinada à distribuição gratuita para bibliotecas, institutos de pesquisa e estudiosos, e também disponibilizada em arquivo PDF aberto para todos os interessados, a obra teve sua publicação financiada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Durigan, que também é pesquisadora do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, explica que a publicação é resultado de quase uma década de trabalho a várias mãos, que se iniciou com uma pesquisa de doutorado sobre o impacto da invasão das fisionomias campestres do Cerrado por árvores de pinus e ganhou corpo ao longo de três outras pesquisas apoiadas pela FAPESP.

Foram elas: “Avaliação do potencial de remanescentes naturais como fontes de propágulos para a restauração de fisionomias campestres de cerrado”; “Invasão do campo cerrado por braquiária (Urochloa decumbens): perdas de diversidade e experimentação de técnicas de restauração”; e “Efeito da queima prescrita e da geada sobre a diversidade e estrutura do estrato herbáceo-arbustivo do Cerrado”.

“Quando nos engajamos nessas pesquisas, percebemos que o grande impacto causado pelas invasões biológicas [Saiba mais em agencia.fapesp.br/27156/] e pela supressão do fogo [Mais informações em agencia.fapesp.br/26325/] não se dava sobre árvores, mas sobre as plantas pequenas do campo. E isso constituiu um enorme desafio, porque a nomenclatura e a classificação dessas plantas eram largamente desconhecidas. Eu tinha passado toda a minha vida profissional olhando para cima, para as árvores. Tive, então, que olhar para baixo, e com muito respeito”, disse Durigan à Agência FAPESP.

O grupo que coordenou na feitura do livro foi constituído por suas alunas Natashi Aparecida Lima Pilon e Geissianny Bessão de Assis, e por seus colegas Flaviana Maluf de Souza e João Batista Baitello.
“O que chamamos de ‘plantas pequenas’ são espécies que se tornam adultas e capazes de se reproduzir com menos de 2 metros de altura. Foi um critério arbitrário que adotamos. Começamos coletando essas plantas, e inventando nomes provisórios para elas, enquanto corríamos atrás de pessoas que pudessem nos ajudar na identificação”, contou Durigan.

Mas não foi nada fácil encontrar essas pessoas, conta a pesquisadora. Simplesmente, não havia especialistas em plantas pequenas. Foi preciso recorrer a manuais, monografias, livros antigos e ao famoso Dicionário das Plantas Úteis do Brasil, em seis volumes, publicado por Manoel Pio Corrêa no início do século passado.

“Encontramos plantas que nunca tinham sido registradas no Estado de São Paulo e outras que não eram coletadas há várias décadas. Mas não achamos nenhuma espécie nova, desconhecida pela ciência. Todas já tinham seus nomes científicos. Porém, foi uma busca tremenda descobrir os nomes populares. Muitas das plantas que encontramos estavam classificadas como ‘daninhas’ nesses livros antigos, porque a perspectiva adotada era a de quem queria cultivar o Cerrado com pastagens ou agricultura”, disse Durigan.

Um termo curioso encontrado foi o “mata-pasto”, que nomeava nada menos do que sete espécies diferentes, todas elas muito resistentes. Como essas plantas rebrotam inúmeras vezes depois de cortadas, eram consideradas daninhas. E o nome popular que receberam invertia a ordem cronológica, como se o pasto tivesse aparecido antes e as plantas surgissem depois para atrapalhar, quando havia sido exatamente o contrário.

“O que as pessoas não entendiam – e temos feito um esforço enorme para esclarecer – é que essas plantas de pequeno porte são fundamentais para a sobrevivência do Cerrado e da extraordinária riqueza que ele possui em termos de recursos hídricos e biodiversidade”, disse Durigan.
“Fala-se em desmatamento quando ocorre corte de árvores. Mas, se as plantas pequenas são erradicadas, todo o equilíbrio do Cerrado se rompe. E isso está acontecendo sem o menor impedimento porque a legislação não protege a vegetação que não tem árvores. Além disso, essa vegetação nem sequer aparece nos mapas, dadas as limitações tecnológicas para diferenciá-la de pastagens ou agricultura em imagens de satélite”, acrescentou.

Seis plantas pequenas para uma árvore

Durigan destaca que são as plantas pequenas que cobrem o solo, prevenindo a erosão pela chuva ou pelo vento.

“Elas possuem um emaranhado de raízes, facilitando a infiltração da água no solo e garantindo a saúde do ecossistema e a manutenção dos mananciais que alimentam os rios. Para ser savana, o Cerrado precisa possuir as duas camadas: a camada de árvores esparsas a meia altura e a camada de plantas pequenas cobrindo o solo”, explicou.

Segundo os autores do livro, a proporção é de seis espécies de plantas pequenas para cada espécie de árvore. Das 12.734 espécies vegetais que compõem o Cerrado, mais de 10 mil correspondem a plantas pequenas. Elas estão ameaçadas pelo adensamento das copas das árvores, resultante do manejo inadequado, e pela invasão por espécies exóticas, como o pinus e a braquiária.

O objetivo do livro é encantar os leitores com a beleza dessas plantas pequenas. E conscientizá-los acerca da necessidade de sua preservação.

O livro pode ser acessado integralmente em http://arquivo.ambiente.sp.gov.br/publicacoes/2018/12/plantaspequenasdocerrado.pdf.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

As árvores do deserto
Floresta de coníferas ocupou ambiente quente e arenoso na era dos dinossauros
© Fotos Edivane Cardoso/ UFG e Adriano R. dos Santos/ UFU
Fósseis encontrados em fazenda próxima a Uberlândia, Minas Gerais
Os proprietários da Fazenda Sobradinho, próximo à cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, retiraram de suas plantações há 40 anos o que pensavam ser apenas pedras no caminho e as deixaram em marmorarias da região. Naquele ano, 1972, os geólogos Kenitiro Suguio e Armando Márcio Coimbra analisaram o material e concluíram que as pedras eram, na verdade, troncos fossilizados de árvores que dois anos depois a paleontóloga Diana Mussa classificou como sendo de um grupo de pinheiros primitivos. Mas a conclusão foi recebida com descrença no meio científico. É que quando essas plantas viveram, cerca de 130 milhões de anos atrás, toda aquela região era parte de um vasto deserto de areia.

A confirmação de que os pesquisadores brasileiros estavam certos só veio agora. As evidências mais convincentes de que os fósseis da Fazenda Sobradinho são mesmo de plantas ancestrais das coníferas – grupo que inclui os pinheiros, as araucárias e as sequoias – foram apresentadas em julho deste ano em um artigo no Journal of South American Earth Sciences, resultado de um trabalho iniciado 15 anos antes.

Edivane Cardoso, hoje professor da Universidade Federal de Goiás, era estudante de biologia na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) no final dos anos 1990 quando resolveu analisar ao microscópio os fósseis encontrados durante seu trabalho final do curso de graduação. E se surpreendeu ao ver entre as amostras de rocha fragmentos de caule petrificado. Mais especificamente, eram fragmentos de lenho – tecido de sustentação, formado pelos canais que transportam água e nutrientes entre as raízes e as folhas – de plantas que viveram 130 milhões de anos antes, no período geológico Cretáceo. Cardoso e o orientador de sua monografia na UFU, o geólogo Adriano Rodrigues dos Santos, tiveram dificuldade em convencer outros pesquisadores da descoberta. “Enviávamos o estudo para congressos e eles duvidavam. Não acreditavam que eram fósseis de vegetais tão antigos, encontrados na formação Botucatu”, conta Cardoso.
Supercontinente - Até então se duvidava de que plantas de grande porte pudessem ter vivido na região no Cretáceo, uma vez que a formação Botucatu era um deserto de areia que se estendia por áreas que hoje formam o Sudeste e o Sul do Brasil, parte do Paraguai, da Argentina e do Uruguai. Na época em que viveram essas coníferas, os dinossauros já haviam se espalhado pelo planeta. A América do Sul ainda estava conectada à África e ambas integravam um supercontinente chamado Gondwana, em cujo centro ficava o de-serto Botucatu. Segundo simulações geo-lógicas, esse deserto era parte de uma região árida mais extensa situada no hemisfério Sul, próximo ao equador, durante um grande ciclo climático de aquecimento global (hothouse), no qual prevaleceram altas temperaturas. “Os cientistas diziam que a ocorrência de fósseis na formação Botucatu era impossível, até que se descobriram registros de pegadas de dinossauros ali”, conta a paleobotânica Margot Guerra Sommer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que ajudou a descrever os fósseis das coníferas no Journal of South American Earth Sciences.

O número, a densidade e o porte dos troncos fossilizados permitem aos pesquisadores supor que houve uma floresta de coníferas onde hoje existe um fragmento de cerrado. Os fósseis são de plantas adultas e estão tombados, muitos deles compactados horizontalmente, sinal de que grande quantidade de sedimento recobriu a antiga floresta antes que as plantas se petrificassem. Cinco exemplares de grande porte, cada um com mais de cinco metros de comprimento, foram recuperados. Também foram encontrados fragmentos fósseis menores, inclusive de raízes. “São muitos fósseis, não conseguimos precisar quantos”, diz Margot. Segundo as pesquisadoras, essas árvores devem ter vivido próximas umas das outras, formando uma densa floresta. Além disso, eram de grande porte, com até 20 metros de altura, provavelmente mais altas do que os pinheiros atuais.
Ao analisar as características microscópicas dos fósseis, Margot e Etiene Fabbrin Pires, hoje professora na Universidade Federal do Tocantins, verificaram que os exemplares coletados são anatomicamente semelhantes, ou seja, todos provavelmente pertencem à mesma espécie, que integra o grupo das protopináceas. “Esse material é importante, pois se trata do primeiro registro paleobotânico para a formação Botucatu em toda a bacia do Paraná”, explica Etiene.

Diante desse cenário, os pesquisadores se perguntaram: como essas árvores teriam se desenvolvido no deserto? As raízes fossilizadas encontradas no sedimento arenoso da Fazenda Sobradinho indicam que o material não foi transportado e que as plantas provavelmente viveram no local onde foram sepultadas. “O curioso é que essas grandes árvores eram sustentadas por um solo pobre em nutrientes”, conta Etiene. De acordo com os pesquisadores, é possível que essas árvores vivessem à margem do deserto, em formações vegetais que cresceram entre as dunas, em regiões com maior umidade, ambientes semelhantes àqueles em que hoje se desenvolvem os oásis.

A água, embora disponível, era escassa em determinados períodos. Os anéis de crescimento, estruturas do tronco que indicam o ciclo de vida das plantas, sugerem que essas árvores viveram sob estresse constante. “Nos anéis de crescimento, as células do lenho tardio não apresentam espessamento da parede, como ocorre nas árvores atuais”, explica Etiene. “Nesses fósseis, houve simplesmente redução do tamanho da célula.” Essas características anatômicas indicam que o crescimento dessas protopináceas era controlado pela alternância de estações secas e úmidas, e não pela disponibilidade de mais ou menos luz solar, como ocorre com as coníferas atuais, adaptadas a climas temperados.

Folhas perenes - As análises microscópicas dos lenhos fósseis também levaram a concluir que provavelmente as folhas dessas plantas eram perenes e não caíam em períodos de seca prolongada. Mas é impossível afirmar como era a aparência dessas árvores, já que só troncos e raízes foram preservados. “Elas deveriam se parecer com as coníferas atuais”, diz Margot. “Com base na anatomia do lenho, pode-se sugerir que elas tenham sido ancestrais de plantas do gênero Pinus.” Cicas, samambaias e outras coníferas dominavam a paisagem em diferentes regiões do globo na época em que essas protopináceas viveram. “Há registro de coníferas em ambos os hemisférios em períodos anteriores, contemporâneos e posteriores ao estudado”, diz Etiene. Na época em que as coníferas da Fazenda Sobradinho viveram as plantas com flores estavam surgindo e, só alguns milhões de anos mais tarde, se adaptariam aos diferentes ambientes do planeta. Hoje as coníferas ocorrem em poucos locais nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.

Por enquanto, não é possível explicar como ocorreu a fossilização dessas árvores. Uma hipótese é que esse processo de petrificação tenha se iniciado com a planta ainda viva, como ocorre em muitos ambientes hoje. “Vamos investigar as características anatômicas que ajudam a determinar a espécie”, conta Margot. “A partir de características dos fósseis e do sedimento, também queremos conhecer com mais precisão qual o ambiente em que essas plantas viveram no grande deserto Botucatu.”
Artigo científicoPIRES, E. F. et al. Early Cretaceous coniferous woods from a paleoerg (Paraná Basin, Brazil). Journal of South American Earth Sciences. v. 32 (1), p. 96-109. jul. 2011.