Mostrando postagens com marcador Zootaxa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zootaxa. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2016

Estudo descreve quatro novas espécies de tubarão

19 de agosto de 2016

Peter Moon | Agência FAPESP – Se algum zoólogo brasileiro anunciasse a descoberta no país não apenas de uma, mas de quatro espécies de mamíferos de médio porte de uma só vez, o achado seria festejado pela comunidade científica mundial. O mesmo entusiasmo deveria valer também para a descoberta, em uma só tacada, de quatro novas espécies de tubarões na costa brasileira.

A descrição de quatro novas espécies de tubarões foi recentemente publicada no periódico Zootaxa, em artigo assinado por Sarah Tházia Viana, Marcelo Rodrigues de Carvalho e Ulisses Gomes.

Estudo descreve quatro novas espécies de tubarão Do gênero Squalus, os animais têm cerca de 70 cm e 4 kg de peso. Seu habitat está além da plataforma continental e se estende até profundezas abissais. Na foto, a bióloga Sarah Viana estuda um exemplar de Squalus no Natural History Museum, em Londres (Foto: Divulgação) 
 
A pesquisa é resultado do mestrado e doutorado de Viana – apoiada pela FAPESP com bolsas de doutorado e de estágio de pesquisa no exterior. Ela teve a orientação de Carvalho, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e especialista no estudo da sistemática, morfologia e evolução de peixes cartilagíneos, que incluem os tubarões, as raias e as quimeras. Terceiro signatário do artigo, Gomes é da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“O estudo só foi possível graças à FAPESP, que me permitiu visitar as principais coleções do mundo, sem o que as identificações das novas espécies não teriam sido possíveis”, atesta Viana.

De acordo com Carvalho, desde os anos 1980, havia indícios recorrentes de que alguns espécimes de tubarões capturados no litoral brasileiro não coincidiam exatamente com a morfologia das espécies do gênero Squalus às quais se considerava que pertencessem.

Segundo o biólogo, isso acontece porque Squalus é um gênero que ocorre em todos os oceanos, e as descrições foram baseadas em espécimes-tipo muitas vezes antigos e malpreservados, depositados na Europa, Estados Unidos, Japão e Oceania. Outro fator é que as diferenças entre as espécies são muito pequenas. Squalus, aliás, foi um dos primeiros gêneros de tubarão descritos por Lineu ainda em 1758.

Até a publicação do artigo dos pesquisadores brasileiros, existiam 26 espécies reconhecidas de Squalus nos mares do planeta. Agora são 30.

Os novos integrantes são Squalus albicaudus, S. bahiensis, S. lobularis, e S. quasimodo.

“São animais pequenos, quando comparados aos tubarões que estamos acostumados a ver no cinema, como o grande tubarão branco e o tubarão-tigre, ambos com mais de 5 metros”, diz Viana. As novas espécies têm cerca de 70 cm e pesam uns 4 kg.
As quatro novas espécies não habitam a plataforma continental brasileira. O seu habitat começa onde a plataforma continental termina e se estende em direção às profundezas abissais. “Eles vivem a partir dos 300 metros de profundidade. Pouco se sabe sobre a biologia desses peixes. Os exemplares que conhecemos foram capturados por pescadores com redes em alto-mar ou provenientes de coletas oceanográficas realizadas há mais de 20 anos”, afirma Viana.

Amazônia Azul

Para descrever as novas espécies, ainda no mestrado Viana visitou diversas coleções brasileiras do Sul ao Nordeste. Salvo algumas poucas exceções, entre elas as coleções do Museu de Zoologia da USP, do Museu Nacional no Rio de Janeiro, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal da Paraíba, faltavam séries maiores de exemplares para o estudo.

Nos Estados Unidos, Viana pôde avaliar um número maior de representantes do Atlântico Sul nas coleções de Nova York, Washington, São Francisco, na Flóridae da Universidade Harvard.

Como todos aqueles acervos ainda não permitiam a realização da diagnose das novas espécies, no doutorado Viana teve que viajar pelo mundo atrás de espécimes de Squalus, incluindo os espécimes-tipo. Começou pela África do Sul, seguiu pela Austrália e Nova Zelândia e passou pela Europa, analisando os mesmos espécimes estudados por Lineu na Suécia. A pesquisa se estendeu por Londres, Berlim, Hamburgo e Viena. Por fim, no Japão, esteve em Hokkaido e Tóquio. Atualmente, Viana se encontra na África do Sul.

Foi a partir da análise comparativa detalhada dos animais brasileiros com a morfologia externa (morfometria, dentição e padrões de coloração) e a morfologia esquelética dos diversos espécimes-tipo que os pesquisadores conseguiram diagnosticar a validade das quatro novas espécies.

“O próximo passo, talvez no pós-doutorado, poderá ser estudar a biologia molecular dessas espécies de Squalus da nossa região”, diz a pesquisadora.
A descrição de quatro novas espécies de tubarões da costa brasileira pode ser encarada como a ponta do iceberg da biologia marinha desconhecida que habita a chamada Amazônia Azul, o território marítimo brasileiro cuja área corresponde a aproximadamente 3,6 milhões de quilômetros quadrados.
“O que conhecemos da nossa fauna marinha se limita às espécies que vivem no litoral”, diz Carvalho. Para estudar em alto-mar é necessário embarcações apropriadas, equipamentos e, sobretudo, robôs marinhos teleguiados. E, no Brasil, só quem os tem é a Petrobras.

"Apesar de o estudo da biodiversidade e da evolução exigir um incentivo relativamente pequeno, o trabalho sobre Squalus demonstra que desconhecemos muito ainda sobre a nossa biodiversidade e recursos, ressaltando a importância de se investir na formação de sistematas qualificados”, completa Carvalho.

O artigo de Viana, Carvalho e Gomes, Taxonomy and morphology of species of the genus Squalus Linnaeus, 1758 from the Southwestern Atlantic Ocean (Chondrichthyes: Squaliformes: Squalidae), publicado em Zootaxa ( doi: 10.11646/zootaxa.4133.1.1.), pode ser lido em http://www.mapress.com/j/zt/article/view/zootaxa.4133.1.1. 
 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Nova família de animais marinhos é descoberta no litoral paulista

07 de janeiro de 2015

Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com colegas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Smithsonian Marine Station, nos Estados Unidos, descobriram 12 espécies de briozoários (animais invertebrados marinhos que vivem incrustados em substratos, como rochas e algas) na baía do Araçá, situada entre Ilhabela e São Sebastião, no litoral paulista.

Um das espécies – a Jebramella angusta n. gen. et sp. – foi classificada pelos pesquisadores como pertencente a uma nova família e gênero de briozoários, a Jebramellidae n. fam.
Os novos organismos foram identificados no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP e de um Projeto Temático financiado pela Fundação. Foram descritos em um artigo publicado na revista Zootaxa.
“A descoberta da Jebramella angusta n. gen. et sp. foi por acaso”, disse Leandro Manzoni Vieira, professor do Centro de Ciências Biológicas da UFPE e primeiro autor do estudo, à Agência FAPESP.
“Já tínhamos observado essa nova espécie fixada em pedras e fragmentos de conchas. Ao filmá-la, descobrimos que ela apresenta estrutura e comportamento até então desconhecidos em briozoários”, afirmou Vieira, que realizou pós-doutorado no Cebimar, sob orientação do professor Alvaro Esteves Migotto, com bolsa da FAPESP.

De acordo com Vieira, os briozoários ou “musgos do mar”, como são conhecidos popularmente, formam colônias incrustadas em pedras, conchas e algas, que podem variar de milímetros até 5 centímetros de diâmetro.

Cada colônia é formada por indivíduos conhecidos como zooides, que apresentam um exoesqueleto com compartimentos internos separados, chamados zoécios, ocupados por organismos individualmente muito pequenos e com tentáculos – da ordem de 0,3 a 1,2 milímetro (mm) de comprimento –, denominados polipídeos.

Geralmente, em espécies de briozoários do grupo Ctenostomata, já conhecidas, os embriões ficam incubados internamente nos zooides.
No caso da nova família de briozoários descoberta, os pesquisadores observaram que os embriões são incubados em uma estrutura externa, em forma de capuz, que é movida com a atividade de protração e retração dos tentáculos dos polipídeos.

O compartimento externo possui um orifício que é aberto quando o tentáculo é projetado para fora e fechado pelos embriões quando é retraído pelos polipídeos.
“Não havia nenhuma descrição na literatura científica sobre esse tipo de comportamento de polipídeos e estrutura externa de incubação de briozoários”, afirmou Vieira. “Há outras famílias próximas à que descobrimos, mas nenhuma delas apresenta embriões incubados externamente.”

Animais vivos

Segundo Vieira, a descoberta das 12 novas espécies de briozoários foi possível, entre outros fatores, pela observação dos animais vivos. As espécies do grupo Ctenostomata têm sido tradicionalmente descritas com base em observações e análises microscópicas de zooides preservados em álcool.
Os estudos baseados apenas nessa metodologia, no entanto, não permitem observar com maior nível de detalhe diferenças na coloração, morfologia e comportamento, entre outras características das espécies, avaliou.
“Percebemos que existiam diferenças nos resultados das análises feitas com espécies vivas em comparação com as análises realizadas com zooides conservados em álcool. A maior parte da informação sobre a espécie é perdida ao conservá-la em álcool”, comparou.
Para realizar as análises dos animais vivos, os pesquisadores realizaram coletas de espécies em áreas ao longo ou próximas da baía do Araçá e as levararam para o Cebimar, onde foram conservadas vivas em potes contendo água corrente do mar.
Os animais foram fotogrados e filmados por meio de câmeras fotográficas acopladas a um estereomicroscópio (microscópio de visão binocular).
Dessa forma, foi possível observar detalhes da coloração, morfologia e comportamento das espécies descobertas, contou Vieira.
“Ao filmar as espécies vivas, começamos a observar algumas diferenças em relação ao seu comportamento , principalmente no que diz respeito ao movimento dos tentáculos”, disse.

Poucos estudos

As espécies de briozoários da ordem Ctenostomata, a que as 12 novas espécies descobertas pertencem, são bastante comuns em ambientes marinhos rasos – com até 200 metros de profundidade –, quentes ou estuarinos, e, tal como outras ordens de briozoários, têm sido pouco estudadas no Brasil e no mundo.
“Há poucos estudos sobre os briozoários, em geral, porque há poucos especialistas nesse grupo de animais”, disse Vieira.

“É preciso mais estudos para conhecer melhor como, por exemplo, esses animais se reproduzem, sobre o que ainda não sabemos praticamente nada”, avaliou.

O artigo “Ctenostomatous Bryozoa from São Paulo, Brazil, with descriptions of twelve new species” (doi: 10.11646/zootaxa.3889.4.2), de Vieira e outros, pode ser lido na revista Zootaxa em http://biotaxa.org/Zootaxa/article/view/zootaxa.3889.4.2.

Imagens e vídeos da nova família de briozoários estão disponíveis no banco de imagens de Biologia Marinha Cifonauta, do Cebimar, e podem ser vistos em cifonauta.cebimar.usp.br/taxon/jebramella-angusta/.

Veja mais fotos


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sapo "extinto" há 140 anos é encontrado de novo no Sri Lanka

Em reserva natural, pesquisadores locais descobriram exemplares da espécie 'Adenomus kandianus', caracterizada por grandes verrugas nas costas


Adenomus kandianus (Foto: L.J. Mendis Wickramasinghe/Dulan Ranga Vidanapathirana/Nethu Wickramasinghe)

De acordo com a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês), o sapo Adenomus kandianus está extinto. Mas pesquisadores de uma fundação do Sri Lanka encontraram novos exemplares da espécie, quase 140 depois – o último vivo havia sido visto em 1876. A descoberta foi publicada na revista Zootaxa.

Em 2009, durante expedição em uma das maiores reservas naturais do Sri Lanka, os cientistas acharam alguns sapos que acreditaram pertencer à extinta espécie. Agora, após detalhada pesquisa, eles constataram que os animais encontrados realmente são Adenomus kandianus, diferenciados pela forma peculiar dos dedos e por grandes verrugas nas costas.

Este sapo é uma das 21 espécies de anfíbios consideradas extintas no Sri Lanka. O desmatamento realizado no país para dar espaço ao cultivo de chá e à mineração ilegal tem ameaçado o habitat dos sapos que vivem em florestas. Há ainda a poluição causada por peregrinos que rumam à montanha Sri Pada todos os anos. O local é reverenciado como sagrado por religiosos locais.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Descobertas duas novas espécies de sapo na Austrália

Anfíbios vivem no extremo norte do país.
Segundo cientista, eles são adaptados para viver em rochas.

Duas novas espécies de sapos que vivem na floresta do Cabo York, no norte da Austrália, foram descritas em edição recente da revista “Zootaxa”. Elas foram batizadas de Cophixalus kulakula e Cophilaxus pakayakulangun, e são parentes próximas entre si, embora vivam em lugares distintos.

Por outro lado, as espécies não se assemelham a outras espécies da região, o que leva a crer que tenha evoluído isoladamente – tão isoladas que sequer a população de aborígenes da área as conhecia.
Suas patas grandes e longas demonstram que os sapos estão adaptados a viver em rochas. Para a família a que pertencem, são relativamente grandes – medem cerca de 4 centímetros de comprimento. Seu principal alimento são as formigas.
Sapo1 (Foto: Reprodução)
Cophixalus kulakula (Foto: Reprodução)

Sapo2 (Foto: Reprodução)
Cophixalus pakayakulangun (Foto: Reprodução)