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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

 

Fóssil de baleia de 15 metros e 85 mil anos é encontrado em Taiwan

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O fóssil encontrado em Taiwan tinha pelo menos 15 metros de comprimento, com índice de conservação de aproximadamente 70%. 
 
O geólogo Yang Zirui estava estudando a região com uma equipe de biólogos e estudantes de diversas instituições no sul de Taiwan quando descobriu quatro costelas que surgiam no solo. 
 
Após uma análise mais precisa, a descoberta revelou um encontro científico de grande valor para a comunidade arqueológica, segundo comunicado da Universidade Nacional de Cheng Kung. 
 
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As escavações de 90 dias, encerradas em outubro deste ano, revelaram uma baleia fossilizada, de aproximadamente 15 metros de comprimento e 85 mil anos. 
 
Um fato que chamou a atenção é que o espécime manteve 70% de sua conservação, tornando-se o fóssil de baleia mais completo já encontrado em Taiwan. 
 
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Os pesquisadores descobriram uma baleia fossilizada de 85.000 anos em Taiwan. 
 
Foram desenterradas vértebras, ombros, a parte posterior do crânio e a mandíbula, que media mais de dois metros de comprimento e pesava mais de 334 quilos
 
De acordo com os especialistas, o fóssil pode pertencer a uma baleia azul ou uma baleia-comum.
 

domingo, 7 de julho de 2019

Fóssil de baleia pré-histórica com 4 patas que caminhava na terra e nadava é encontrado no Peru

Este é o primeiro registro de baleias quadrúpedes do Oceano Pacífico e do Hemisfério Sul
Alana Sousa Publicado em 09/04/2019, às 14h00
A baleia de 4 patas
Reprodução
O fóssil de uma baleia quadrúpede com cascos foi encontrado no Peru. Com 42,6 milhões de anos, o esqueleto pode ampliar o que se sabe sobre a transição dos maiores mamíferos do planeta da terra para o mar.

A escavação, iniciada em 2011 pela equipe internacional de pesquisadores de diversas naturalidades, incluindo Peru, França, Itália, Holanda e Bélgica, publicou agora um artigo sobre a descoberta na revista científica Current Biology. O animal foi batizado de Peregocetus pacificus, que significa “baleia viajante que atingiu o Pacífico”.

Segundo o estudo, a baleia possuía habilidade de locomoção terrestre e utilizava sua cauda para nadar. Seus pés com cascos e a anatomia de suas pernas mostram que esses animais teriam sido capazes de suportar o peso de seu corpo de quatro metros de comprimento para andar em superfícies fora da água.
Partes Preservadas do Esqueleto
Um dos autores da pesquisa, o cientista do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, Olivier Lambert, afirma que o peregocetus pacificus era qualificado para nadar sem interrupção durante dias ou semanas, porém era preciso retornar à terra para certas atividades, tais como acasalar e dar à luz a filhotes.

Os dentes afiados e focinho alongado sugerem que esses seres pré-históricos se alimentavam de peixes ou crustáceos.

Ancestrais de espécies similares, mais velhos e menores, com quatro membros, foram descobertos anteriormente, mas este último fóssil preenche uma parte crucial do conhecimento sobre a evolução das criaturas e como essas se espalharam pelos oceanos.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Meet the Narluga, Hybrid Son of a Narwhal Mom and a Beluga Whale Dad

Its skull sat in a museum collection for decades before new technology unlocked its genetic secrets.
The odd skull had too many teeth for a narwhal, but too few for a beluga.CreditMikkel Høegh Post/Natural History Museum of Denmark.
 
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CreditCreditMikkel Høegh Post/Natural History Museum of Denmark


  • On a remote island in Disko Bay, Greenland, a scientist in 1990 was collecting specimens of narwhals, the whales with unicorn-like tusks. He noticed an unusual skull on a hunter’s roof.
    The teeth were bizarre: The top ones pointed forward. A couple spiraled out. They looked like a mix of narwhal and beluga, but with too many for a narwhal, too few for a beluga.

    The hunter told the scientist that the skull had belonged to a strange animal he’d killed in the late 1980s. He had also killed two other similarly strange whales the same day. All had beluga-like flippers, narwhal-like tails and solid gray skin, he said.

    Mads Peter Heide-Jørgensen, the narwhal scientist, convinced the hunter to donate it to the Natural History Museum of Denmark for analysis. But at the time, he could only conclude it was a possible hybrid or deformed beluga.

    Thirty years later, he and others have finally cracked this cold case. A genomic analysis of DNA extracted from the John Doe skull revealed that it belonged to an adult, first generation son of a narwhal mother and beluga father. The study, published Thursday in Scientific Reports, shows how a little DNA can go a long way, that hybridization isn’t that unusual and that as long as museums keep storing mysterious stuff, the right technology might one day set their stories free.

    “There are certainly things lying around that can tell us about the natural world around us and how it shifts and changes,” said Eline Lorenzen, the museum collection curator who first decided to pull the skull off its shelf.

    Because of its teeth, the hybrid probably had a diet more like a walrus or bearded seal than a narwhal or a beluga.CreditEline Lorenzen.
     
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    CreditEline Lorenzen
    Her lab extracted DNA from the dust of its teeth and bones, and compared it to genomes derived from tissue samples of belugas and narwhals from the same area. The analysis, conducted by Mikkel Skovrind, a graduate student, revealed it was a male and a 50/50 narwhal and beluga mix. A first generation hybrid — perhaps a narluga?

    And analysis of mitochondrial DNA, which only comes from the mother, indicated — surprise — she was a narwhal. Generally only male narwhals have tusks, which may play a role in advertising social dominance and attracting females, kind of like deer antlers. But this female narwhal didn’t seem to mind a tuskless beluga.

    The hybrid whale’s combined features are completely weird, Dr. Lorenzen said. “It’s like if you took 50-percent beluga and 50-percent narwhal and shoved their teeth in a blender, that’s what would come out.”

    That probably complicated slurping prey like a toothless narwhal or chewing it like a beluga. Despite that, the large skull indicated he had survived well into adulthood. Remnants of carbon and nitrogen in his bones suggested that he had fed on the seafloor, more like a walrus or bearded seal than a typical monodontidae.

    Reproduction may also have challenged the creature. Many hybrids in nature — think mules, the offspring of a horse and donkey — are sterile.
    A skull, left, found on an island in Greenland had too many teeth for a narwhal, but too few for a beluga. Above, an illustration of what the hybrid creature might have looked like in the deep.CreditMarkus Bühler.
     
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    CreditMarkus Bühler
    Others like him probably have existed, but wouldn’t occur frequently, said Randall Reeves, a marine mammal biologist who has studied the skull, but was not involved in the recent genomics research. There is no evidence in the beluga or narwhal genomes of interbreeding in at least a million years.
    The skull came from one of the few places on Earth where narwhals and belugas are found together during mating season. And despite constant monitoring of these and other whale populations by experienced hunters, government agencies and biologists, there are no reports of other oddballs, not even rumors, Dr. Heide-Jørgensen says.

    Still, the chances that this occurred only once in a million years and they just happened upon the skull are slim, said Dr. Lorenzen.
    Blue whales have recently hybridized with fin whales. And belugas have interacted with and even adopted narwhals. Humans and Neanderthals, horses and donkeys, polar bears and brown bears, at least 16 different whales: Genetics are revealing that hybridization, though rare, may be more common than we think.

    For now, it’s only possible to speculate about the circumstances that led to the conception of the baby beluga narwhal, perhaps the cutest-sounding animal that ever existed. But perhaps it’s just a matter of time before someone unlocks the secrets of other weird whale skulls that are waiting to be found.
    Only male narwhals have tusks, which may play a role to attract mates, but the mother of the hybrid mated with a tuskless beluga male anyway. CreditMads Peter Heide-Jørgensen
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    CreditMads Peter Heide-Jørgensen

    Mikkel Høegh Post, M. Skovrind, et al. , Relatórios científicos 9, 7729 (2019)

    O que acontece se você cruzar um narval com uma beluga? Você ganha um narluga

    Em 1990, os pesquisadores descobriram um crânio de baleia bizarro, ao contrário de qualquer espécie conhecida, exibido no telhado da casa de um caçador no oeste da Groenlândia. 

     Trinta anos depois, eles finalmente descobriram o que é: um cruzamento entre um narwhal e uma beluga , informa o The New York Times . 

    O narluga, como eles o chamam, é a prole de um narval fêmea e uma beluga macho - duas espécies que nunca se conheceram antes , dizem os pesquisadores em Scientific Reports . 

     Análises de DNA revelaram a paternidade, e os isótopos de carbono no crânio revelaram que o narluga tinha comportamentos de alimentação consideravelmente diferentes de qualquer de seus pais - até que ele acabou no prato de um caçador humano.

    domingo, 26 de fevereiro de 2017

    Cachalote


    O cachalotes apesar de ser da família dos golfinhos é considerada pela Comissão Internacional da Baleia (CIB) como baleia. É uma espécie que está vulnerável à extinção. Vive em águas afastadas da costa e faz mergulhos profundos. Não faz migração para reprodução. No litoral brasileiro a espécie é mais encontrada nas águas das regiões Sul e Sudeste. Segundo o Centro de Mamíferos Aquáticos, não é frequente encalhes deste animal.
    É o maior cetáceo com dentes e a principal característica do cachalote é a sua cabeça grande retangular, que corresponde até 40% do seu comprimento total.
    Cachalote

    Características principais: O cachalote é o maior cetáceo com dentes e sua principal característica é sua cabeça grande retangular, que corresponde até 40% do seu comprimento total. Sua coloração é escura e uniforme, indo do cinza ao marrom. A pele do cachalote é enrugada, principalmente na parte posterior do corpo.

    Tamanho: Os cachalotes machos podem atingir os 18 metros, as fêmeas raramente ultrapassam os 12 metros.
    Os cachalotes machos podem atingir os 18 metros, as fêmeas raramente ultrapassam os 12 metros.
    Tamanho do cachalote

    Peso: O peso médio do macho é de 45 toneladas e o peso da fêmea pode chegar a 20 toneladas.
    Gestação e maturidade sexual: A gestação dos cachalotes dura cerca de 540 dias, 18 meses, nasce apenas uma cria, pesando cerca de 1 tonelada e medem cerca de 3,5 a 4 metros.

    Distribuição: Desde os trópicos até às bordas dos bancos de gelo flutuante em ambos os hemisférios, apenas os machos se aventuram a atingir os extremos do norte e sul.

    Os cachalotes preferem águas profundas e límpidas, já que nos seus mergulhos em busca de comida gosta de descer a grandes profundidades por longos períodos.

    Longevidade: Os cachalotes podem viver até perto dos 80 anos.
    Sua coloração é escura e uniforme, indo do cinza ao marrom. A pele do cachalote é enrugada, principalmente na parte posterior do corpo.
    Cachalote

    Etimologia


    A palavra cachalote tem origem em cachola, termo coloquial usado para designar cabeça, no termo gascão (região no sudoeste da França) cachau (dentes grandes) ou ainda no termo catalão quitxalot. A sua designação em língua inglesa, sperm whale, é uma contração de spermaceti whale (baleia de espermacete). Esta baleia tem como característica o fato de possuir na cabeça uma substância cerosa de cor leitosa, o espermacete. A forma e a enorme cabeça do cachalote levaram muitos a descrevê-lo como o arquétipo de baleia.

    O cachalote foi categorizado pela primeira vez por Lineu, que em 1758 reconheceu quatro espécies no gênero Physeter. Porém, não passou muito tempo até que os peritos concluíssem que constituíam uma única espécie.

    Anatomia e morfologia

    A pele do dorso do cachalote apresenta geralmente protuberâncias. Apesar da sua cor cinzenta, pode parecer castanho à luz solar e há registos de cachalotes albinos brancos. O cérebro do cachalote é o maior e mais pesado de entre os cérebros de todos os animais (modernos ou extintos) conhecidos, pesando em média aproximadamente 7 kg num macho adulto.
    Os cachalotes têm de 17 a 29 pares de dentes e cada dente pode chegar a pesar 1 kg.
    dente de cachalote
    Os cachalotes têm de 17 a 29 pares de dentes com forma cônica na mandíbula inferior, cada um com 8 a 20 cm de comprimento, podendo atingir os 25 cm e os 500 gramas de peso. Cada dente pode chegar a pesar 1 kg.
    O espermacete é uma substância cerosa encontrada na cabeça do cachalote.
    Grafico - Espermaceti
    Espermacete 

    O espermacete é uma substância cerosa e de cor ambar encontrada na cabeça do cachalote. Este termo deriva do latim sperma ceti (com ambas as palavras de origem grega) que significa esperma de baleia (ou mais exatamente esperma do monstro marinho).

    No entanto, o espermacete não é o esperma da baleia, mas foi erradamente identificado como tal pelos primeiros baleeiros. Foi muito procurado com várias aplicações comerciais em óleos para relógios, fluidos de transmissão, lubrificantes de lentes fotográficas e instrumentos delicados usados em grandes altitudes, cosméticos, velas, aditivos em óleos de motor, glicerina, compostos antiferrugem, detergentes, fibras químicas, vitaminas e mais de 70 compostos farmacêuticos.
    Foi muito procurado com várias aplicações comerciais em óleos para relógios, fluidos de transmissão, lubrificantes de lentes fotográficas e instrumentos delicados usados em grandes altitudes, cosméticos, velas, aditivos em óleos de motor, glicerina.
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    O espermacete é encontrado no órgão do espermacete à frente e por cima do crânio da baleia e também na parte frontal da cabeça acima da mandíbula superior. O espermacete é uma substância muito peculiar composta exclusivamente por ésteres e triglicéridos. O órgão do espermacete pode conter até 2000 litros de espermacete.

    Uma das funções do órgão do espermacete é servir como órgão de mergulho ou de flutuação. No início de um mergulho, é aspirada água fria que passa pelo órgão do espermacete provocando a solidificação da cera. O aumento do peso específico gera uma força descendente (equivalente a 40 kg) permitindo que os cachalotes possam submergir sem esforço. Durante a perseguição das presas a grande profundidade (mais de 2000 metros) o oxigênio armazenado é consumido e o calor produzido derrete o espermacete, o que permitirá a ascensão mais fácil do cachalote.
    Outras hipóteses sobre o espermacete: Uma delas e na qual se inspira a obra de Melville (Moby Dick) é a possibilidade do órgão de espermacete ter evoluído como um tipo de aríete usado em lutas entre machos rivais.

    Esta hipótese é consistente com os afundamentos dos navios americanos Essex (1820) e Ann Alexander (1851) devido a ataques de cachalotes com peso estimado em cerca de um quinto do peso dos navios. Além de funcionar como aríete, o órgão do espermacete também funciona como amortecedor.
    A outra possibilidade é a de que o órgão do espermacete é utilizado como auxiliar na ecolocalização. A forma do órgão poderá focar ou alargar o feixe de som emitido em qualquer momento, utilizando-o, inclusive, como resposta acústica a comportamentos de seleção sexual.

    Respiração

    Os cachalotes respiram ar à superfície da água através de um único espiráculo em forma de “S”. O espiráculo está situado no lado esquerdo da parte frontal da cabeça. Respiram 3 a 5 vezes por minuto quando em repouso, aumentando esta frequência para 6 a 7 vezes por minuto após um mergulho. O sopro consiste de um único e ruidoso jorro de água que pode elevar-se até 15 metros sobre a superfície da água, apontando para frente e para a esquerda com um ângulo de 45°C.
    Alimentação
    Os cachalotes alimentam-se de várias espécies, em particular lulas-gigantes, potas, polvo e vários peixes como raias, mas principalmente de lulas de tamanho médio.
    Lula X Cachalote

    Os cachalotes alimentam-se de várias espécies de cefalópodes, em particular lulas-gigantes, sépias, polvos e vários peixes como raias, mas principalmente de lulas de tamanho médio. Praticamente tudo o que se sabe sobre as lulas-gigantes que vivem a grande profundidade foi descoberto a partir de exemplares encontrados nos estômagos de cachalotes capturados.

    Os cachalotes são comedores extraordinários, podendo comer cerca de 3% do seu peso diariamente. O consumo anual total de presas pelos cachalotes em todo o mundo está estimado em 100 milhões de toneladas – Um número muito superior ao consumo humano anual total de todos os animais marinhos.

    Predadores

    Grupos de orcas frequentemente atacam os grupos de cachalotes fêmea e suas crias, com intenção de capturá-las. Se o grupo de orcas for muito grande, até as fêmeas adultas podem ser mortas. Os grandes cachalotes machos não têm predadores.
    População

    Em estimativas muito grosseiras os cachalotes variam de 200 000 a 2 000 000 de indivíduos.
    Cientistas descobriram em novembro de 2008 no deserto de Pisco-Ica ao sul do Peru, os restos de um cachalote pré-histórico, é o maior fóssil de cachalote já encontrado tem aproximadamente mais de 13 metros e seu crânio 3 metros de comprimento e 1 metro e 90 cm de largura.
    Fóssil Leviathan
    Fóssil de baleia cachalote gigante é encontrado no Peru
    Cientistas descobriram em novembro de 2008 no deserto de Pisco-Ica ao sul do Peru, os restos de um cachalote pré-histórico, é o maior fóssil de cachalote já encontrado tem aproximadamente mais de 13 metros e seu crânio 3 metros de comprimento e 1 metro e 90 cm de largura. O crânio, mandíbula e dentes do predador gigante foram recuperados e preparados, formando o objeto de um estudo conjunto, cujos resultados foram publicados recentemente na revista “Nature e indica que a baleia pertence a um tipo desconhecido de cachalotes.
    Os dentes de 36 centímetros de altura e 12 centímetros de largura em ambas as arcadas.
    Dentes de cetácios
    Os dentes de 36 centímetros de altura e 12 centímetros de largura em ambas as arcadas, são de um poderoso predador com dentes muito afiados matando animais menores da mesma forma que as orcas. Os restos do cachalote foram encontrados na mesma camada do oceano onde pesquisadores já haviam achado um tubarão gigante.
    O crânio, mandíbula e dentes do predador gigante foram recuperados e preparados, formando o objeto de um estudo conjunto, cujos resultados foram publicados recentemente na revista “Nature”.
    Fóssil Leviathan

    O fóssil recebeu o nome de Leviathan Melvillei (grande monstro dos mares em Latim), em homenagem a Herman Melville, autor do clássico “Moby Dick”.
    O fóssil recebeu o nome de Leviathan Melvillei (grande monstro dos mares em Latim), em homenagem a Herman Melville, autor do clássico “Moby Dick”.
    Desenho Leviathan

    domingo, 29 de maio de 2016

    [PaleoMammalogy • 2016] Fragilicetus velponi • A New Mysticete Genus and Species and Its Implications for the Origin of Balaenopteridae (Cetacea, Mysticeti)

    Fragilicetus velponi 
    Bisconti & Bosselaers, 2016
    Figure 14. Artistic interpretation of possible interaction between a large shark and Fragilicetus velponi gen. et. sp. nov. as suggested by the shark bite marks on the skull of the holotype specimen. 
    The human in the upper right corner serves as a size reference. Illustration by Mark Bosselaers.
     
     DOI: 10.1111/zoj.12370
    Abstract
    A new extinct genus, Fragilicetus gen. nov., is described here based on a partial skull of a baleen-bearing whale from the Early Pliocene of the North Sea. Its type species is Fragilicetus velponi sp. nov. This new whale shows a mix of morphological characters that is intermediate between those of Eschrichtiidae and those of Balaenopteridae. A phylogenetic analysis supported this view and provided insights into some of the morphological transformations that occurred in the process leading to the origin of Balaenopteridae. Balaenopterid whales show specialized feeding behaviour that allows them to catch enormous amounts of prey. This behaviour is possible because of the presence of specialized anatomical features in the supraorbital process of the frontal, temporal fossa, glenoid fossa of the squamosal, and dentary. Fragilicetus velponi gen. et sp. nov. shares the shape of the supraorbital process of the frontal and significant details of the temporal fossa with Balaenopteridae but maintains an eschrichtiid- and cetotheriid-like squamosal bulge and posteriorly protruded exoccipital. The character combination exhibited by this cetacean provides important information about the assembly of the specialized morphological features responsible for the highly efficient prey capture mechanics of Balaenopteridae.  
    Keywords: Belgium; feeding behavior; Fragilicetus; phylogeny; Pliocene
    Figure 14. Artistic interpretation of possible interaction between a large shark and Fragilicetus velponi gen. et. sp. nov. as suggested by the shark bite marks on the skull of the holotype specimen shown in Figure 3.
    The human in the upper right corner serves as a size reference. Illustration by Mark Bosselaers. 
    Systematic Palaeontology
    Class Mammalia Linnaeus, 1758
    Order Cetacea Brisson, 1762
    Suborder Mysticeti Cope, 1891
    Chaeomysticeti Mitchell, 1989
    Balaenomorpha Geisler & Sanders, 2003
    Superfamily Thalassotherii Bisconti, Lambert & Bosselaers, 2013
    Epifamily Balaenopteroidea Flower, 1864
    Family Balaenopteridae Gray, 1864

    Fragilicetus gen. nov.

    Diagnosis: The diagnosis of Fragilicetus includes the presence of eschrichtiid-like and balaenopterid-like features in the same individual. Fragilicetus is distinguished from the other nonbalaenopterid mysticete families based on the presence, in the same individual, of a squamosal bulging into the temporal fossa; posterior projection of the posterolateral corner of the exoccipital; anterior placement of the posterior apex of the lambdoidal crest; squamosal cleft present and v-shaped (turning ventrally at its lateral end); abruptly depressed and flat supraorbital process of the frontal; anterior portion of temporal crest transversely elongated and forming a dorsal roof to the anterior portion of the temporal fossa; very short intertemporal region; infraorbital region of the frontal exposed dorsally between the ascending processes of the maxillae; anterior end of the parietal located more anteriorly than the posterior ends of the ascending process of the maxilla; descending suprameatal surface from the central portion of the periotic to the superior rim of the internal acoustic meatus; endocranial opening of the facial canal separated from the internal acoustic meatus by a thick crista transversa but not prolonged into a groove; triangular anterior process of the periotic; anterior process of the periotic and central portion of periotic on the same plane; groove for VII cranial nerve in posterior process reduced; anteroposteriorly short and flattened posterior process of the periotic.
    Etymology: Fragilis, Latin, fragile, in reference to the extreme fragility of the holotype skull. Cetus, Latin, whale.
    Type species: Fragilicetus velponi sp. nov. This is currently the only included species.
    Figure 5. Holotype skull of Fragilicetus velponi gen. et. sp. nov. in lateral view. A, photographic representation; B, interpretative representation.
    Abbreviations: eam, external acoustic meatus; exo, exoccipital; fr, frontal; max, maxilla; opt, optic channel; par, parietal; pgl, postglenoid process of squamosal; ppp, posterior process of the periotic; pt, pterygoid; soc, supraoccipital; sop, supraorbital process of the frontal; sq, squamosal; sqc, squamosal cleft; vom, vomer; zyg, zygomatic process of the squamosal. Scale bar = 300 mm.
    Fragilicetus velponi sp. nov.

    Holotype: Item no. NMR 999100007727, housed at the Natuurhistorisch Museum Rotterdam, The Netherlands (hereinafter, NMR).
    Type locality: The specimen was found along the south-west border of the Deurganckdock, approximately 12 km north-west of Antwerp city centre and 4 km north of the village of Kallo (Fig. 1). The Deurganckdock is an artificial excavation located on the left side of the Scheldt River. The geographical coordinates of the discovery site are 51°17′05″N, 4°15′30″E.
    Etymology: Velpon is the brand of the glue used in the preparation of the holotype skull.
    Figure 6. Skull of Fragilicetus velponi gen. et. sp. nov. in anterior view. A, photo; B, line drawing.
    Abbreviations: bocc, basioccipital; bs, basisphenoid; desc sop, descending part of supraorbital process of the frontal; fm, foramen magnum; fr, frontal; max, maxilla; par, parietal; pt, pterygoid; soc, supraoccipital; sop, supraorbital process of the frontal; sq, squamosal; sqc, squamosal cleft; vom, vomer. Scale bar = 300 mm.

    Figure 3. Localizations and orientations of shark bite marks on the holotype skull of Fragilicetus velponi gen. et. sp. nov. as seen from the anterior view. The shark bite marks are in solid black. The skull is in anterior view; only the right side of the skull is shown because it is that part that bears the shark bite marks.
     Abbreviations: ali, alisphenoid; fr, frontal; pal, palatine; par, parietal; pgl, postglenoid process of squamosal; pt, pterygoid; soc, supraoccipital; sq, squamosal; sqc, squamosal cleft; sq-par, squamosal–parietal suture; sq-pt, squamosal-pterygoid suture; tc, temporal crest; vom, vomer; zyg, zygomatic process of the squamosal. Scale bar = 100 mm.
    Figure 14. Artistic interpretation of possible interaction between a large shark and Fragilicetus velponi gen. et. sp. nov. as suggested by the shark bite marks on the skull of the holotype specimen shown in Figure 3.
    The human in the upper right corner serves as a size reference. Illustration by Mark Bosselaers.
    Conclusions
    The new genus Fragilicetus is established based on the new fossil species F. velponi. Fragilicetus is the sister group of later Balaenopteridae; Eschrichtiidae is the sister group of the Balaenopteridae clade. Fragilicetus velponi shares several characters with Eschrichtiidae, e.g. the prominent bulge of the squamosal into the temporal fossa and the posterior protrusion of the posterolateral corner of the exoccipital; it shares with later Balaenopteridae the shape of the abruptly depressed supraorbital process of the frontal, details of the articulation of the rostrum with the frontal, and the shape of the supraoccipital. A phylogenetic analysis revealed that F. velponi is closer to Balaenopteridae than to Eschrichtiidae. The phylogenetic analysis also revealed high levels of homoplasy in the Balaenopteroidea clade but these did not prevent the construction of a highly resolved strict consensus tree. However, the high levels of homoplasy prevent unambiguous diagnoses of the internal nodes of Balaenopteridae. The morphological characters observed in F. velponi showed that the appearance of a wide and flat, abruptly depressed supraorbital process of the frontal and an anteriorly constricted supraoccipital preceded the loss of the squamosal bulge and the loss of strong attachment sites for neck muscles in the evolutionary process leading to the balaenopterid lineage. These characters have functional implications respectively related to the anterior placement of the attachment for the temporalis muscle and to the preservation of a mobile head in the earliest phases of balaenopterid evolution.
    Finally, the fossil described in the present paper is a demonstration of direct interaction between sharks and mysticetes in the Pliocene; an illustration of this interaction is shown in Figure 14.
    Michelangelo Bisconti and Mark Bosselaers. 2016. Fragilicetus velponi: A New Mysticete Genus and Species and Its Implications for the Origin of Balaenopteridae (Mammalia, Cetacea, Mysticeti). Zoological Journal of the Linnean Society. 177(2); 450–474.  DOI: 10.1111/zoj.12370

    sexta-feira, 27 de junho de 2014

    Baleias e golfinhos à vista!

    Diversidade de espécies e abundância de animais na costa paulista são maiores do que o imaginado 

    CARLOS FIORAVANTI | Edição 218 - Abril de 2014
    © EDUARDO CESAR
    Golfinho-pintado-do-atlântico: agora recenseado no litoral paulista
    Golfinho-pintado-do-atlântico: agora recenseado no litoral paulista.

    Em pé, à direita da proa da lancha que oscilava como um pêndulo enquanto deslizava com rapidez, Victor Uber Paschoalini foi quem viu primeiro algo se mexendo ao longe no meio do mar por volta das 11 da manhã do dia 10 de fevereiro deste ano, a menos de 1 quilômetro da Ilha da Queimada Grande, no litoral paulista. Ele achou que eram golfinhos, exatamente o que estavam procurando. Para confirmar, chamou o chefe da expedição, o biólogo Marcos César de Oliveira Santos, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Aproximaram-se com a lancha e confirmaram: eram mais de 20 golfinhos-pintados-do-atlântico (Stenella frontalis), com 2 a 2,5 metros de comprimento, que logo começaram a saltar na água límpida ao lado da lancha. Santos pediu para o piloto reduzir a velocidade e, com sua equipe, fotografou os animais – principalmente as nadadeiras dorsais, que funcionam como uma cédula de identidade, por causa das cicatrizes e marcas únicas em cada indivíduo – e gravou seus sons com um hidrofone, colocado na água. Em seguida, com uma flecha atirada de uma balestra, ele coletou uma amostra de pele com 1 milímetro de espessura, para análises genéticas, e 2 centímetros de gordura para análise de contaminantes químicos.

    Esse era o início da quinta viagem de uma série de 23 planejadas até 2015 para mapear a diversidade e a distribuição de cetáceos – baleias e golfinhos, também chamados de botos – do litoral paulista. Santos e sua equipe, com base nos animais mortos que encontraram na praia nos últimos anos e nos vivos que estão vendo agora, registraram até agora mais de 300 indivíduos de 29 espécies de cetáceos, o equivalente a 63% das 46 espécies já observadas no litoral brasileiro. Em rios a diversidade de golfinhos é menor: uma nova espécie, batizada de Inia araguaiaensis, a quinta já registrada, foi anunciada em janeiro por pesquisadores do Amazonas, que a encontraram no rio Araguaia e seus afluentes. Embora pouco vistos e pouco estudados, os cetáceos da costa brasileira representam quase metade das 87 espécies já identificadas nos mares do mundo.
    © EDUARDO CESAR
    Em conjunto: grupos de até 20 golfinhos (aqui, pintados-do-atlântico) se exibem no caminho da Ilha da Queimada Grande
    Em conjunto: grupos de até 20 golfinhos (aqui, pintados-do-atlântico) se exibem no caminho da Ilha da Queimada Grande

    Os resultados preliminares sugerem também uma diversidade de espécies e de abundância de cetáceos maiores do que o imaginado – desde as toninhas (Pontoporia blanivillei), um dos menores mamíferos de água doce, com até 2 metros de comprimento, encontrada do Espírito Santo à Argentina e vítima constante da captura acidental nas redes para peixes, até as colossais baleias-de-bryde (Balaenoptera brydei), que chegam a 15 metros de comprimento.

    Desse trabalho estão também emergindo novas conclusões e hipóteses sobre as baleias e os golfinhos que percorrem o litoral brasileiro. Comparando amostras de DNA, Santos e outros pesquisadores da USP, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Colômbia e de Porto Rico verificaram que as populações de golfinhos-pintados-do-atlântico encontrados no Sul e Sudeste do Brasil e no Caribe são distintas entre si e não se misturam. Além disso, um equívoco sobre outra espécie está sendo desfeito. As baleias-de-bryde, uma espécie arisca e ágil, que permanecem pouco tempo na superfície, aparentemente percorrem o litoral paulista ao longo de todo o ano e não apenas no verão e na primavera, como se pensava, porque os mergulhadores as viam apenas na temporada de mergulho.
    © EDUARDO CESAR
    Amostra de  pele, para análise filogenética
    Amostra de
    pele, para análise filogenética
    Outra abordagem possível – e bastante usada – de mapeamento das populações de cetáceos é a partir de um ponto fixo. É como se faz no arquipélago de Abrolhos, litoral da Bahia, com as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), uma das espécies de maior distribuição geográfica no mundo e a mais estudada no Brasil, em vista de suas características únicas, como as nadadeiras peitorais, que chegam a um terço do corpo, e por sua distribuição espacial e temporal previsível: 80% das jubartes que visitam a costa brasileira se concentram na região de Abrolhos, principalmente de julho a novembro, para terem e amamentarem os filhotes em águas mornas e rasas.

    O biólogo Salvatore Siciliano, atualmente na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, esteve lá em 1989 e 1990 para fazer seu mestrado e, “sentado em uma pedra com prancheta e binóculo”, como ele recordou, avistou 604 grupos de jubarte (metade era de mães com filhotes) em 191 dias de observação. Nessa época havia equipes de pesquisa em mamíferos marinhos estabelecidas apenas em Manaus, no Amazonas, e em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Outros grupos se formaram depois, mas os estudos sobre cetáceos antes de 1980 são muito raros, lembra Siciliano, dificultando análises e comparações, diferentemente de aves ou mamíferos terrestres, estudados há três séculos.

    © EDUARDO CESAR
    Nariz-de-garrafa, outra espécie encontrada no litoral paulista
    Nariz-de-garrafa, outra espécie encontrada no litoral paulista

    Daniela Abras, pesquisadora do Instituto Oceanográfico da USP, esteve em Abrolhos em julho de 2013. Com apoio da Marinha, do Instituto Jubarte, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Cetacean Society International (CSI), assentada sobre um dos pontos mais altos do arquipélago, ela registrou 500 majestosas baleias, bem mais que as 200 registradas em 2004. “Está havendo um aumento populacional de baleias-jubarte, como resultado da proibição da caça, mas ainda está muito abaixo do que era”, diz ela. Hoje se estima a população de baleias-jubarte em 7.900 animais, que podem ser vistos na costa desde a região de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até o Rio Grande do Norte, ainda abaixo das estimadas 25 mil jubartes antes de começarem a ser intensamente caçadas. A partir de 1650, nas principais cidades do litoral, como descrito no livro A baleia no Brasil colonial, da historiadora Myriam Ellis (Edusp/Melhoramentos, 1969), a caça de baleias era uma importante atividade econômica, para extração do chamado azeite de peixe, usado como argamassa para construções e em iluminação pública, e cerdas bucais, vendidas na Europa para a fabricação de espartilhos. Com barcos de 10 a 12 metros de comprimento, as baleias eram capturadas com arpão, depois abatidas por meio de sucessivos golpes de lanças de 2 metros de comprimento, arrastadas à praia e abertas: cada animal fornecia em média 7 mil litros de óleo. Uma lei federal proibindo a caça de baleias entrou em vigor apenas em 1987.
    “Esta é a primeira vez que fazemos cruzeiros oceanográficos específicos para mapear cetáceos nos 600 quilômetros do litoral de São Paulo”, afirma Santos. “Por falta de especialistas e limitações financeiras, antes os trabalhos eram feitos apenas com animais mortos”, conta Santos. Ele próprio, durante o mestrado, percorreu de bicicleta ou mobilete as praias de Cananeia e Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo, coletando crânios de cetáceos encontrados mortos – ao todo, Santos reuniu e examinou 124 crânios. Foi também a primeira vez que um repórter fotográfico – Eduardo Cesar, de Pesquisa Fapesp – acompanhou uma das viagens de fevereiro e passou três dias com os pesquisadores em alto-mar.

    Duas semanas antes da viagem, Santos, impressionado com a curiosidade de Paschoalini em sala de aula, convidou-o para completar sua equipe nessa expedição, mas não imaginava o tamanho da sorte do rapaz de 19 anos, agora no segundo ano do curso de oceanografia, com um provérbio bretão tatuado no braço direito, “lute e lute novamente até os cordeiros virarem leões”. Os quatro integrantes da equipe revezavam-se na observação, em turnos de uma hora, com meia de descanso, mas foi Paschoalini quem, duas horas mais tarde, avistou o segundo grupo de golfinhos, desta vez de outra espécie, o nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), também com cerca de 20 animais, um pouco maiores e menos abundantes que os pintados, agora em uma água turva e sob sol forte.

    © JOÃO HIPÓLITO DO NASCIMENTO / ACERVO MUSEU DA BALEIA DE IMBITUBA
    Praia do porto de Imbituba, Santa Catarina, final da década de 1940: matança desenfreada de baleias-francas
    Praia do porto de Imbituba, Santa Catarina, final da década de 1940: matança desenfreada de baleias-francas.

    Ao seu lado, a oceanógrafa Giovanna Corrêa e Figueiredo notou que os animais, normalmente dóceis – como o amigável Flipper de um antigo seriado da televisão –, naquele dia estavam arredios. Talvez porque, ela cogitou, estivessem com fome e apressados atrás de um cardume ou incomodados com a temperatura da água, que variava de 30 a 33º Celsius, quase cinco graus acima do habitual. Algas e outros organismos proliferam mais facilmente na água mais quente, formando uma mancha escura que dificulta a visibilidade, como a que se estendeu em fevereiro da costa do Rio de Janeiro a Santa Catarina. Nesse dia e nos dois seguintes – percorreram cerca de 650 quilômetros desde São Vicente até a Ilha do Mel, norte do Paraná – permaneceram atentos olhando o mar, da proa à popa, mesmo com o sol refletindo na água no final da tarde, e não viram mais golfinhos ou baleias. “Em alguns momentos o cansaço é tão grande que a gente vê onda e acha que é golfinho”, diz Giovanna.

    Ela acompanha Santos desde a primeira expedição, em dezembro de 2012. No primeiro dia eles e outros pesquisadores do grupo percorreram o mar sem ver qualquer cetáceo, mas no segundo maravilharam-se ao avistar um grupo de 16 orcas (Orcinus orca), a espécie mais encorpada de golfinhos (não, não são baleias) – os machos mais taludos chegam a 10 metros de comprimento e 10 toneladas de peso –, atrás de Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Não é comum encontrá-las tão perto da costa. “Passamos quase duas horas com as orcas, observando e fotografando”, relatou Santos. “Sabemos muito pouco sobre elas, quantas são, quando vão aparecer.”
    Comparando fotografias das nadadeiras dorsais, pôde-se ver que dois indivíduos do grupo de Ilhabela, um mês antes, estavam perto das praias da cidade do Rio de Janeiro, a 400 quilômetros de distância. Alexandre Azevedo, oceanógrafo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, auxiliou na comparação das fotografias e confirmou que os animais eram os mesmos. Depois de cada viagem, uma das tarefas dos pesquisadores é analisar as fotos das nadadeiras dorsais, por meio de um programa de computador específico, para encontrar as que provêm de indivíduos novos e reforçar o catálogo no site do laboratório, já com 104 animais de duas espécies de baleias e três de golfinhos, representados por suas nadadeiras únicas.

    Há também razões para inquietação: em consequência da construção de portos e do aumento do número de embarcações e da poluição crescente na costa, os cetáceos podem estar se afastando da costa e procurando áreas mais calmas. Giovanna Figueiredo, da equipe de Santos, verificou que os registros de avistagem da baleia-franca-austral (Eubalaena australis), com até 18 metros de comprimento e 60 toneladas, antes comuns nas praias mais próximas da costa do Sudeste, escassearam desde 2002, mesmo que a população estivesse aumentando, com o fim da caça. Em uma das viagens, a equipe da USP avistou uma baleia-franca com um filhote na Ilha da Queimada Grande, a 27 quilômetros da costa. Karina Groch e outros biólogos do Projeto Baleia-franca estão atentos sobre os possíveis efeitos da construção do porto de Imbituba, em Santa Catarina, e do aumento do tráfego de embarcações na região, antes um centro regional de caça à baleia-franca. Em 2005, Karina estimou em 500 o número de baleias-francas que visitam regularmente a costa brasileira, das quais 100 se abrigam no litoral sul, principalmente no período reprodutivo, de julho a novembro.

    “Estamos afastando as baleias e os golfinhos, por um conjunto de causas, com efeitos cumulativos”, reitera Siciliano, que publicou vários artigos nos últimos anos indicando a contaminação por metais pesados e outras substâncias tóxicas, que devem favorecer, em golfinhos, as deformações ósseas, que ele próprio registrou, e as doenças de pele, que Santos descreveu em 2009. “É uma pena, porque as populações estão se refazendo e os cetáceos estão buscando as baías que ocupavam antes, mas as encontram transformadas em estacionamento de navios e depósito de esgoto.”
    Siciliano foi um dos pesquisadores que participaram da elaboração do plano de ação para conservação da toninha, uma espécie que vive na faixa costeira e apresenta alta mortalidade ao se prender em redes de pescadores (Santos está examinando com pescadores de Cananeia as formas possíveis de reduzir a mortalidade de toninhas). Aprovado e publicado em 2010, o plano de ação previa a criação de dois parques nacionais (em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul) e a ampliação de outro, atualmente apenas com restinga, no litoral norte do estado do Rio, de modo a se limitar um espaço adequado para toninhas, tubarões, raias, tartarugas e outros animais marinhos. Siciliano, ao comentar que os parques ainda não foram criados, lembrou-se da resistência para a proibição da pesca e a transformação em parque nacional de uma área cobiçada para a construção de portos. Em uma das reuniões sobre a criação das unidades de conservação marinhas, ele se lembrou, um dirigente de um órgão público ambiental perguntou aos pesquisadores: “Afinal, para que serve uma toninha?”. Em uma peça do teatrólogo Bertolt Brecht, um cardeal fez uma pergunta parecida enquanto se recusava a ver pelo telescópio de Galileu: “Serão as estrelas realmente necessárias?”.

    Projetos

    1. Ocorrência, distribuição e movimentos de cetáceos na costa do estado de São Paulo (nº 11/51543-9); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular/Biota; Pesquisador responsável Marcos César de Oliveira Santos – IO/USP; Investimento R$ 454.775,03 (FAPESP).

    2. Capturas acidentais de pequenos cetáceos em atividades pesqueiras no litoral sul paulista: buscando subsídios para formulação de políticas de conservação (nº 10/51323-6); Modalidade Parceria para Inovação Tecnológica (Pite); Pesquisador responsável Marcos César de Oliveira Santos – IO/USP. Investimento R$ 242.490,33 (FAPESP).

    Artigos científicos

    CABALLERO, S. et al. Initial description of the phylogeography, population structure and genetic diversity of Atlantic spotted dolphins from Brazil and the Caribbean, inferred from analyses of mitochondrial and nuclear DNA. Biochemical Systematics and Ecology. v. 48, p. 263-70. 2013.

    SANTOS, M.C.O. et al . Cetacean records along São Paulo state coast, Southeastern Brazil. Brazilian Journal of Oceanography. v. 58, n. 2, p. 123-42. 2010.

    sábado, 3 de maio de 2014

    Baleias e golfinhos à vista!

    Diversidade de espécies e abundância de animais na costa paulista são maiores do que o imaginado
    CARLOS FIORAVANTI | Edição 218 - Abril de 2014
    © EDUARDO CESAR
    Golfinho-pintado-do-atlântico: agora recenseado no litoral paulista
    Golfinho-pintado-do-atlântico: agora recenseado no litoral paulista

    Em pé, à direita da proa da lancha que oscilava como um pêndulo enquanto deslizava com rapidez, Victor Uber Paschoalini foi quem viu primeiro algo se mexendo ao longe no meio do mar por volta das 11 da manhã do dia 10 de fevereiro deste ano, a menos de 1 quilômetro da Ilha da Queimada Grande, no litoral paulista. Ele achou que eram golfinhos, exatamente o que estavam procurando. Para confirmar, chamou o chefe da expedição, o biólogo Marcos César de Oliveira Santos, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Aproximaram-se com a lancha e confirmaram: eram mais de 20 golfinhos-pintados-do-atlântico (Stenella frontalis), com 2 a 2,5 metros de comprimento, que logo começaram a saltar na água límpida ao lado da lancha. Santos pediu para o piloto reduzir a velocidade e, com sua equipe, fotografou os animais – principalmente as nadadeiras dorsais, que funcionam como uma cédula de identidade, por causa das cicatrizes e marcas únicas em cada indivíduo – e gravou seus sons com um hidrofone, colocado na água. Em seguida, com uma flecha atirada de uma balestra, ele coletou uma amostra de pele com 1 milímetro de espessura, para análises genéticas, e 2 centímetros de gordura para análise de contaminantes químicos.

    Esse era o início da quinta viagem de uma série de 23 planejadas até 2015 para mapear a diversidade e a distribuição de cetáceos – baleias e golfinhos, também chamados de botos – do litoral paulista. Santos e sua equipe, com base nos animais mortos que encontraram na praia nos últimos anos e nos vivos que estão vendo agora, registraram até agora mais de 300 indivíduos de 29 espécies de cetáceos, o equivalente a 63% das 46 espécies já observadas no litoral brasileiro. Em rios a diversidade de golfinhos é menor: uma nova espécie, batizada de Inia araguaiaensis, a quinta já registrada, foi anunciada em janeiro por pesquisadores do Amazonas, que a encontraram no rio Araguaia e seus afluentes. Embora pouco vistos e pouco estudados, os cetáceos da costa brasileira representam quase metade das 87 espécies já identificadas nos mares do mundo.

    © EDUARDO CESAR
    Em conjunto: grupos de até 20 golfinhos (aqui, pintados-do-atlântico) se exibem no caminho da Ilha da Queimada Grande
    Em conjunto: grupos de até 20 golfinhos (aqui, pintados-do-atlântico) se exibem no caminho da Ilha da Queimada Grande

    Os resultados preliminares sugerem também uma diversidade de espécies e de abundância de cetáceos maiores do que o imaginado – desde as toninhas (Pontoporia blanivillei), um dos menores mamíferos de água doce, com até 2 metros de comprimento, encontrada do Espírito Santo à Argentina e vítima constante da captura acidental nas redes para peixes, até as colossais baleias-de-bryde (Balaenoptera brydei), que chegam a 15 metros de comprimento.

    Desse trabalho estão também emergindo novas conclusões e hipóteses sobre as baleias e os golfinhos que percorrem o litoral brasileiro. Comparando amostras de DNA, Santos e outros pesquisadores da USP, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Colômbia e de Porto Rico verificaram que as populações de golfinhos-pintados-do-atlântico encontrados no Sul e Sudeste do Brasil e no Caribe são distintas entre si e não se misturam. Além disso, um equívoco sobre outra espécie está sendo desfeito. As baleias-de-bryde, uma espécie arisca e ágil, que permanecem pouco tempo na superfície, aparentemente percorrem o litoral paulista ao longo de todo o ano e não apenas no verão e na primavera, como se pensava, porque os mergulhadores as viam apenas na temporada de mergulho.

    © EDUARDO CESAR
    Amostra de  pele, para análise filogenética
    Amostra de
    pele, para análise filogenética
    Outra abordagem possível – e bastante usada – de mapeamento das populações de cetáceos é a partir de um ponto fixo. É como se faz no arquipélago de Abrolhos, litoral da Bahia, com as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), uma das espécies de maior distribuição geográfica no mundo e a mais estudada no Brasil, em vista de suas características únicas, como as nadadeiras peitorais, que chegam a um terço do corpo, e por sua distribuição espacial e temporal previsível: 80% das jubartes que visitam a costa brasileira se concentram na região de Abrolhos, principalmente de julho a novembro, para terem e amamentarem os filhotes em águas mornas e rasas. O biólogo Salvatore Siciliano, atualmente na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, esteve lá em 1989 e 1990 para fazer seu mestrado e, “sentado em uma pedra com prancheta e binóculo”, como ele recordou, avistou 604 grupos de jubarte (metade era de mães com filhotes) em 191 dias de observação. Nessa época havia equipes de pesquisa em mamíferos marinhos estabelecidas apenas em Manaus, no Amazonas, e em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Outros grupos se formaram depois, mas os estudos sobre cetáceos antes de 1980 são muito raros, lembra Siciliano, dificultando análises e comparações, diferentemente de aves ou mamíferos terrestres, estudados há três séculos.
    © EDUARDO CESAR
    Nariz-de-garrafa, outra espécie encontrada no litoral paulista
    Nariz-de-garrafa, outra espécie encontrada no litoral paulista
    Daniela Abras, pesquisadora do Instituto Oceanográfico da USP, esteve em Abrolhos em julho de 2013. Com apoio da Marinha, do Instituto Jubarte, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Cetacean Society International (CSI), assentada sobre um dos pontos mais altos do arquipélago, ela registrou 500 majestosas baleias, bem mais que as 200 registradas em 2004. “Está havendo um aumento populacional de baleias-jubarte, como resultado da proibição da caça, mas ainda está muito abaixo do que era”, diz ela. Hoje se estima a população de baleias-jubarte em 7.900 animais, que podem ser vistos na costa desde a região de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até o Rio Grande do Norte, ainda abaixo das estimadas 25 mil jubartes antes de começarem a ser intensamente caçadas. A partir de 1650, nas principais cidades do litoral, como descrito no livro A baleia no Brasil colonial, da historiadora Myriam Ellis (Edusp/Melhoramentos, 1969), a caça de baleias era uma importante atividade econômica, para extração do chamado azeite de peixe, usado como argamassa para construções e em iluminação pública, e cerdas bucais, vendidas na Europa para a fabricação de espartilhos. Com barcos de 10 a 12 metros de comprimento, as baleias eram capturadas com arpão, depois abatidas por meio de sucessivos golpes de lanças de 2 metros de comprimento, arrastadas à praia e abertas: cada animal fornecia em média 7 mil litros de óleo. Uma lei federal proibindo a caça de baleias entrou em vigor apenas em 1987.
    “Esta é a primeira vez que fazemos cruzeiros oceanográficos específicos para mapear cetáceos nos 600 quilômetros do litoral de São Paulo”, afirma Santos. “Por falta de especialistas e limitações financeiras, antes os trabalhos eram feitos apenas com animais mortos”, conta Santos. Ele próprio, durante o mestrado, percorreu de bicicleta ou mobilete as praias de Cananeia e Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo, coletando crânios de cetáceos encontrados mortos – ao todo, Santos reuniu e examinou 124 crânios. Foi também a primeira vez que um repórter fotográfico – Eduardo Cesar, de Pesquisa Fapesp – acompanhou uma das viagens de fevereiro e passou três dias com os pesquisadores em alto-mar.
    Duas semanas antes da viagem, Santos, impressionado com a curiosidade de Paschoalini em sala de aula, convidou-o para completar sua equipe nessa expedição, mas não imaginava o tamanho da sorte do rapaz de 19 anos, agora no segundo ano do curso de oceanografia, com um provérbio bretão tatuado no braço direito, “lute e lute novamente até os cordeiros virarem leões”. Os quatro integrantes da equipe revezavam-se na observação, em turnos de uma hora, com meia de descanso, mas foi Paschoalini quem, duas horas mais tarde, avistou o segundo grupo de golfinhos, desta vez de outra espécie, o nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), também com cerca de 20 animais, um pouco maiores e menos abundantes que os pintados, agora em uma água turva e sob sol forte.
    Ao seu lado, a oceanógrafa Giovanna Corrêa e Figueiredo notou que os animais, normalmente dóceis – como o amigável Flipper de um antigo seriado da televisão –, naquele dia estavam arredios. Talvez porque, ela cogitou, estivessem com fome e apressados atrás de um cardume ou incomodados com a temperatura da água, que variava de 30 a 33º Celsius, quase cinco graus acima do habitual. Algas e outros organismos proliferam mais facilmente na água mais quente, formando uma mancha escura que dificulta a visibilidade, como a que se estendeu em fevereiro da costa do Rio de Janeiro a Santa Catarina. Nesse dia e nos dois seguintes – percorreram cerca de 650 quilômetros desde São Vicente até a Ilha do Mel, norte do Paraná – permaneceram atentos olhando o mar, da proa à popa, mesmo com o sol refletindo na água no final da tarde, e não viram mais golfinhos ou baleias. “Em alguns momentos o cansaço é tão grande que a gente vê onda e acha que é golfinho”, diz Giovanna.
    Ela acompanha Santos desde a primeira expedição, em dezembro de 2012. No primeiro dia eles e outros pesquisadores do grupo percorreram o mar sem ver qualquer cetáceo, mas no segundo maravilharam-se ao avistar um grupo de 16 orcas (Orcinus orca), a espécie mais encorpada de golfinhos (não, não são baleias) – os machos mais taludos chegam a 10 metros de comprimento e 10 toneladas de peso –, atrás de Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Não é comum encontrá-las tão perto da costa. “Passamos quase duas horas com as orcas, observando e fotografando”, relatou Santos. “Sabemos muito pouco sobre elas, quantas são, quando vão aparecer.”
    Comparando fotografias das nadadeiras dorsais, pôde-se ver que dois indivíduos do grupo de Ilhabela, um mês antes, estavam perto das praias da cidade do Rio de Janeiro, a 400 quilômetros de distância. Alexandre Azevedo, oceanógrafo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, auxiliou na comparação das fotografias e confirmou que os animais eram os mesmos. Depois de cada viagem, uma das tarefas dos pesquisadores é analisar as fotos das nadadeiras dorsais, por meio de um programa de computador específico, para encontrar as que provêm de indivíduos novos e reforçar o catálogo no site do laboratório, já com 104 animais de duas espécies de baleias e três de golfinhos, representados por suas nadadeiras únicas.
    Há também razões para inquietação: em consequência da construção de portos e do aumento do número de embarcações e da poluição crescente na costa, os cetáceos podem estar se afastando da costa e procurando áreas mais calmas. Giovanna Figueiredo, da equipe de Santos, verificou que os registros de avistagem da baleia-franca-austral (Eubalaena australis), com até 18 metros de comprimento e 60 toneladas, antes comuns nas praias mais próximas da costa do Sudeste, escassearam desde 2002, mesmo que a população estivesse aumentando, com o fim da caça. Em uma das viagens, a equipe da USP avistou uma baleia-franca com um filhote na Ilha da Queimada Grande, a 27 quilômetros da costa. Karina Groch e outros biólogos do Projeto Baleia-franca estão atentos sobre os possíveis efeitos da construção do porto de Imbituba, em Santa Catarina, e do aumento do tráfego de embarcações na região, antes um centro regional de caça à baleia-franca. Em 2005, Karina estimou em 500 o número de baleias-francas que visitam regularmente a costa brasileira, das quais 100 se abrigam no litoral sul, principalmente no período reprodutivo, de julho a novembro.
    “Estamos afastando as baleias e os golfinhos, por um conjunto de causas, com efeitos cumulativos”, reitera Siciliano, que publicou vários artigos nos últimos anos indicando a contaminação por metais pesados e outras substâncias tóxicas, que devem favorecer, em golfinhos, as deformações ósseas, que ele próprio registrou, e as doenças de pele, que Santos descreveu em 2009. “É uma pena, porque as populações estão se refazendo e os cetáceos estão buscando as baías que ocupavam antes, mas as encontram transformadas em estacionamento de navios e depósito de esgoto.”
    Siciliano foi um dos pesquisadores que participaram da elaboração do plano de ação para conservação da toninha, uma espécie que vive na faixa costeira e apresenta alta mortalidade ao se prender em redes de pescadores (Santos está examinando com pescadores de Cananeia as formas possíveis de reduzir a mortalidade de toninhas). Aprovado e publicado em 2010, o plano de ação previa a criação de dois parques nacionais (em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul) e a ampliação de outro, atualmente apenas com restinga, no litoral norte do estado do Rio, de modo a se limitar um espaço adequado para toninhas, tubarões, raias, tartarugas e outros animais marinhos. Siciliano, ao comentar que os parques ainda não foram criados, lembrou-se da resistência para a proibição da pesca e a transformação em parque nacional de uma área cobiçada para a construção de portos. Em uma das reuniões sobre a criação das unidades de conservação marinhas, ele se lembrou, um dirigente de um órgão público ambiental perguntou aos pesquisadores: “Afinal, para que serve uma toninha?”. Em uma peça do teatrólogo Bertolt Brecht, um cardeal fez uma pergunta parecida enquanto se recusava a ver pelo telescópio de Galileu: “Serão as estrelas realmente necessárias?”.

    Projetos

    1. Ocorrência, distribuição e movimentos de cetáceos na costa do estado de São Paulo (nº 11/51543-9); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular/Biota; Pesquisador responsável Marcos César de Oliveira Santos – IO/USP; Investimento R$ 454.775,03 (FAPESP).

    2. Capturas acidentais de pequenos cetáceos em atividades pesqueiras no litoral sul paulista: buscando subsídios para formulação de políticas de conservação (nº 10/51323-6); Modalidade Parceria para Inovação Tecnológica (Pite); Pesquisador responsável Marcos César de Oliveira Santos – IO/USP. Investimento R$ 242.490,33 (FAPESP).

    Artigos científicos

    CABALLERO, S. et al. Initial description of the phylogeography, population structure and genetic diversity of Atlantic spotted dolphins from Brazil and the Caribbean, inferred from analyses of mitochondrial and nuclear DNA. Biochemical Systematics and Ecology. v. 48, p. 263-70. 2013.

    SANTOS, M.C.O. et al . Cetacean records along São Paulo state coast, Southeastern Brazil. Brazilian Journal of Oceanography. v. 58, n. 2, p. 123-42. 2010.