Descobertos na Argentina fósseis de dinossauro com 40 metros e 100 toneladas
AFP - Agence France-Presse
Publicação: 19/05/2014 12:34
Atualização: 19/05/2014 12:56
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| Técnico posa para foto ao lado do fêmur do dinossauro no museu Egidio Ferugli na cidade de Trelew |
BUENOS
AIRES - Paleontólogos argentinos anunciaram na sexta-feira a
descoberta, na Patagônia, dos restos fósseis de um enorme dinossauro que
tinha 40 metros e pesava o equivalente a 14 elefantes, ou seja, 100
toneladas.
Trata-se do "maior exemplar conhecido, que tem 90
milhões de anos de antiguidade", afirmou Rubén Cúneo, diretor do museu
paleontológico Egidio Feruglio da cidade patagônica de Trelew, em
declarações a jornalistas locais.Os fósseis tinham sido
encontrados por acaso em 2013 por um trabalhador rural em um campo
localizado a 260 quilômetros de Trelew, na região da costa atlântica da
província de Chubut, 1.300 km ao sul de Buenos Aires.
Trata-se de
um fóssil de saurópode, herbívoro, e "com um comprimento aproximado de
40 metros da cabeça à cauda, o equivalente ao tamanho de 14 elefantes",
explicou Cúneo.
O exemplar, que ainda não tem nome, é a
"descoberta mais completa desse tipo de dinossauro em nível mundial",
disse o cientista, contando que "foi preciso fazer um buraco muito
grande" para poder resgatar os restos.
A equipe de cientistas do
museu Egidio Feruglio, chefiada pelos paleontólogos José Luis Carballido
e Diego Pol, comprovou a descoberta e descobriu, também, um enorme
campo de fósseis nessa região de planície em Chubut.
"A
quantidade de fragmentos encontrados, que correspondem a ao menos sete
exemplares diferentes, faz desta descoberta a mais completa envolvendo
dinossauros gigantes em nível mundial, algo transcendental para a
ciência", destacou Carballido em entrevista à AFP neste sábado.
"É
algo extraordinário em todos os sentidos porque até agora o que se
conhecia sobre os saurópodes procedia de descobertas fragmentárias",
disse o cientista.
Carballido, 36 anos, precisou que o achado
envolve "10 vértebras do torso, 40 da cauda, parte do pescoço e patas
completas", o que permitirá "reconstruir completamente o animal".
Os
pesquisadores encontraram ainda fragmentos que permitirão, pela
primeira vez, reconstruir a forma dos músculos, calcular a energia
necessária para a locomoção dos gigantes e concluir seu padrão
alimentar.
Além dos fósseis ósseos, foram encontrados fragmentos
de troncos e folhas, "com o que será possível reconstruir completamente o
ecossistema". "Vamos poder realizar uma reconstrução muito precisa e
responder muitas questões".
"Os maiores dinossauros conhecidos
habitavam o sul da Argentina (...) e não tínhamos evidência sobre os
elementos propícios para o gigantismo, mas agora vamos poder analisar
isto e desvendar a história evolutiva".
"A investigação terá várias etapas: primeiro
revelaremos a nova espécie, suas características. Calculamos que serão
necessários mais cinco anos para realizar um estudo profundo da anatomia
deste animal", estimou Carballido.
A descoberta foi divulgada um
dia depois de anunciado outro achado, o dos restos do primeiro
dinossauro diplodócido na América do Sul, em Neuquén, sudoeste da
Argentina, também na Patagônia, uma região rica em fósseis.