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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Nem argentinos nem chilenos: os mapuches são cidades pré-existentes

Índios mapuche
Domínio público, via Wikimedia Commons
O conflito mapuche na Patagônia Argentina estava mais uma vez nos lábios de todos. A reivindicação das comunidades, que buscam recuperar terras "ancestrais" pertencentes a empresários estrangeiros, despertou um novo debate sobre sua causa.
 
Isso causou a divulgação de algumas teorias que garantem que os mapuches não são argentinos, mas "índios chilenos".
 
Diante desses rumores, cientistas pertencentes ao Instituto de Ciências Antropológicas da Universidade de Buenos Aires publicaram uma declaração que desmistifica essa teoria, explicando que, na realidade, não existem índios chilenos ou argentinos , mas povos nativos preexistentes .

Por que é importante esclarecer que eles são povos nativos preexistentes?

Segundo os pesquisadores, "significa que - essas comunidades indígenas - viviam nesses territórios antes da existência dos estados". Ou seja, sua existência precede a criação não apenas do nosso país, mas também da colônia espanhola.
 
Naquela época, «havia mapuches no que é hoje a Argentina, assim como havia tehuelches no que é hoje o Chile. Alianças matrimoniais e deslocamento forçado levaram muitas famílias a se identificarem como Mapuche-Tehuelche, como na atual província de Chubut ».
 
O texto também explica como ocorrem os movimentos migratórios entre essas comunidades, destacando que nos últimos anos houve um processo no qual vários povos tentaram retornar às terras anteriormente ocupadas por seus ancestrais.
 
E, embora seja difícil encontrar uma solução pacífica e satisfatória para o conflito, a verdade é que, não importa o que pensemos, é importante ouvir um ao outro e evitar que o ódio e a discriminação semeados mais uma vez nos divida.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Descobertos na Argentina fósseis de dinossauro com 40 metros e 100 toneladas


AFP - Agence France-Presse
Publicação: 19/05/2014 12:34 Atualização: 19/05/2014 12:56

Técnico posa para foto ao lado do fêmur do dinossauro  no museu Egidio Ferugli na cidade de Trelew  (REUTERS/Maxi Jonas )
Técnico posa para foto ao lado do fêmur do dinossauro no museu Egidio Ferugli na cidade de Trelew
BUENOS AIRES - Paleontólogos argentinos anunciaram na sexta-feira a descoberta, na Patagônia, dos restos fósseis de um enorme dinossauro que tinha 40 metros e pesava o equivalente a 14 elefantes, ou seja, 100 toneladas.

Trata-se do "maior exemplar conhecido, que tem 90 milhões de anos de antiguidade", afirmou Rubén Cúneo, diretor do museu paleontológico Egidio Feruglio da cidade patagônica de Trelew, em declarações a jornalistas locais.

Os fósseis tinham sido encontrados por acaso em 2013 por um trabalhador rural em um campo localizado a 260 quilômetros de Trelew, na região da costa atlântica da província de Chubut, 1.300 km ao sul de Buenos Aires.

Trata-se de um fóssil de saurópode, herbívoro, e "com um comprimento aproximado de 40 metros da cabeça à cauda, o equivalente ao tamanho de 14 elefantes", explicou Cúneo.

O exemplar, que ainda não tem nome, é a "descoberta mais completa desse tipo de dinossauro em nível mundial", disse o cientista, contando que "foi preciso fazer um buraco muito grande" para poder resgatar os restos.

A equipe de cientistas do museu Egidio Feruglio, chefiada pelos paleontólogos José Luis Carballido e Diego Pol, comprovou a descoberta e descobriu, também, um enorme campo de fósseis nessa região de planície em Chubut.

"A quantidade de fragmentos encontrados, que correspondem a ao menos sete exemplares diferentes, faz desta descoberta a mais completa envolvendo dinossauros gigantes em nível mundial, algo transcendental para a ciência", destacou Carballido em entrevista à AFP neste sábado.

"É algo extraordinário em todos os sentidos porque até agora o que se conhecia sobre os saurópodes procedia de descobertas fragmentárias", disse o cientista.

Carballido, 36 anos, precisou que o achado envolve "10 vértebras do torso, 40 da cauda, parte do pescoço e patas completas", o que permitirá "reconstruir completamente o animal".

Os pesquisadores encontraram ainda fragmentos que permitirão, pela primeira vez, reconstruir a forma dos músculos, calcular a energia necessária para a locomoção dos gigantes e concluir seu padrão alimentar.

Além dos fósseis ósseos, foram encontrados fragmentos de troncos e folhas, "com o que será possível reconstruir completamente o ecossistema". "Vamos poder realizar uma reconstrução muito precisa e responder muitas questões".

"Os maiores dinossauros conhecidos habitavam o sul da Argentina (...) e não tínhamos evidência sobre os elementos propícios para o gigantismo, mas agora vamos poder analisar isto e desvendar a história evolutiva".
 (REUTERS/Daniel Feldman)

"A investigação terá várias etapas: primeiro revelaremos a nova espécie, suas características. Calculamos que serão necessários mais cinco anos para realizar um estudo profundo da anatomia deste animal", estimou Carballido.

A descoberta foi divulgada um dia depois de anunciado outro achado, o dos restos do primeiro dinossauro diplodócido na América do Sul, em Neuquén, sudoeste da Argentina, também na Patagônia, uma região rica em fósseis.