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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Entenda quais são os principais tipos de solos no Brasil

8 minutos de leitura • TAGS Meio Ambiente
Na Pedologia, o solo é definido como uma “coleção de corpos naturais, constituídos por partes sólidas, líquidas e gasosas, tridimensionais, dinâmicos, formados por materiais minerais e orgânicos que ocupam a maior parte do manto superficial das extensões continentais do planeta, contêm matéria viva e podem ser vegetados na natureza onde ocorrem e, eventualmente, terem sido modificados por interferências antrópicas” (EMBRAPA, 2013, p. 27).

A formação do solo ocorre a partir da alteração (intemperismo) do material de origem (rocha ou sedimento) causada pelos organismos e pelo clima, em um  determinado tempo e com o controle do relevo. Assim, os fatores de sua formação são: material de origem, clima, organismos, relevo e tempo que atuam de forma integrada e concomitante.

Principais horizontes e camadas dos solos

 Horizonte Hístico (H ou O) – é um horizonte de constituição orgânica, em que o teor de carbono orgânico deve ser ≥ 8%. O horizonte hístico pode ser formado em ambientes com excesso de água (encharcados), como várzeas, veredas, pântanos, mangues, etc. Nesse caso, ele é reconhecido como horizonte H. Já nos ambientes sem encharcamento, recebe a denominação de horizonte O. Geralmente são formados por vegetação florestal, onde o aporte de matéria orgânica é muito grande.

Horizonte A – é um horizonte de constituição mineral, cujas características (cor, estrutura e consistência) são associadas à presença de matéria orgânica decomposta, húmus.

Horizonte E – horizonte de constituição mineral, cujas características (como cor e textura, principalmente) indicam perda de argila ou húmus por transporte de material. A letra E está associada ao processo de eluviação (perda) que, quando é muito acentuada, deixa o horizonte E completamente branco (presença marcante de areia), recebendo a adjetivação de horizonte E álbico.

Horizonte B – horizonte de constituição mineral, cujas características (cor, textura, estrutura, etc.) refletem a atuação dos processos de formação do solo. Geralmente, o horizonte B já não apresenta características do material de origem, pois elas já foram alteradas pela pedogênese.

Horizonte ou camada C – é de constituição mineral, sendo considerado horizonte quando formado pela alteração do material de origem, ou seja, associado ao intemperismo da rocha (formação in situ) e, muitas vezes, ainda apresenta alguma característica desta.

Camada R – trata-se da rocha não alterada .
Figura 01: Principais horizontes e camadas dos solos.

Classes de solo no Brasil

Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (2006),  no Brasil são reconhecidas 13 classes de solos ,   considerando apenas o primeiro nível categórico. A seguir será feita uma breve descrição dessas classes:

Neossolos
  •  São solos jovens, sem horizonte B, formados em ambiente sem excesso de água. Como são solos muito heterogêneos, estes podem ser divididos considerando o segundo nível categórico.
Neossolos Regolíticos
  • Sequência possível de horizontes: A/C/R, com espessura do A+C > 50 cm. São solos normalmente associados aos locais de relevo mais movimentado, onde a taxa de pedogênese é baixa, ou onde a erosão é acentuada (processo de rejuvenescimento do solo). • São solos altamente susceptíveis à erosão pela presença superficial do horizonte C. Ocorre pontualmente em todo o território brasileiro.
Neossolo Regolítico eutrófico. Fonte: Acervo da Embrapa Solos. Foto: Maria de Lourdes Mendonça Santos

 Neossolos Quartzarênicos
  • Sequência possível de horizontes: A/C/R, sendo que as texturas dos horizontes A e C devem ser arenosas, ou seja, ter % areia ≥ 70%. São solos associados a áreas de litologia de arenitos e quartzitos. Bastante comuns no semiárido, algumas áreas do sul e do cerrado brasileiro.
Figura:Perfil de NEOSSOLO QUARTZARENICO. Município de Brasilia de Minas – MG.

Neossolos Flúvicos
  • Solos formados por camadas de sedimentos aluviais (depositados pelos rios). Ocorrem em todo o Brasil na margem dos rios. São muito heterogêneos e difíceis de ser caracterizados com relação à fertilidade e textura, pois cada camada pode possui uma característica diferente.
Figura: Perfil de NEOSSOLO FLUVICO.

Neossolos Litólicos
  • Sequência possível de horizontes: A/R; A/C/R, sendo que, no segundo caso, a espessura do horizonte A somada com a do horizonte C deve ser ≤ 50 cm. Ocorrem pontualmente por todo o território nacional, tendendo a se concentrar em áreas de relevo bastante movimentado. A principal limitação a seu uso agrícola é sua pequena espessura. Suas características de fertilidade e textura estão diretamente relacionadas às características do material de origem.
Figura: Perfil de NEOSSOLO LITÓLICO cascalhento. Município de Alexânia– GO.

 Organossolos
  • Sequência possível de horizontes: O/A/B/C ou H/C. São solos que apresentam horizonte hístico (O ou H) com, no mínimo, 40 cm de espessura.
Perfil de ORGANOSSOLO no município de Catas Altas – MG.

Gleissolos
  • Possível sequência de horizontes: H/Cg (com H < 40 cm) ou A/C. São solos que ocorrem somente em áreas encharcadas.  O horizonte A é muito escuro e está sobre um horizonte C bem claro, com possível presença de mosqueados. O gleissolos são encontrados em áreas de várzeas, veredas, mangues, etc.
Perfil de GLEISSOLO no município de Uberlândia – MG.

Chernossolos
  • Sequência possível de horizontes: A/R; A/C/R e A/B/C/R. Solos pouco profundos com horizonte superficial A chernozêmico sobre horizonte B textural avermelhado, com argila de atividade e saturação por bases alta. Ocorrem em quase todas as regiões do Brasil, em pequenas extensões, geralmente associados às rochas pouco ácidas em climas com estação seca acentuada. A fertilidade é bastante elevada, logo, as condições para o enraizamento em profundidade são muito boas, principalmente se a profundidade do solo for adequada.
Perfil de CHERNOSSOLO no município de Italva – RJ.

 Vertissolos
  •   São solos ricos em argila do tipo 2:1, sendo comum na região nordeste do Brasil. Em época seca, eles se contraem e, em função da contração, ocorre a formação de fendilhamentos profundos e rachaduras,  na época úmida, se expandem.   Normalmente, o material da superfície cai nessas fendas, gerando uma contínua mistura dos constituintes dos horizontes do solo, o que dificulta a formação do horizonte B. Por isso, normalmente, não apresenta horizonte B, tendo como sequência mais típica Av/Cv (o v indica características vérticas – expansão e contração do solo). A maior parte destes solos é pouco espessa, tendo menos de 2 metros de profundidade.  Apresentam fertilidade alta, porém são difíceis de serem manejados. Quando seco, eles são extremamente duros e, quando úmidos, muito plásticos e pegajosos.
Perfil de VERTISSOLO no município de Floriano –PI.

Espodossolos
  •   Possível sequência de horizontes: A/E/Bh/C.  Os espodossolos ocorrem em solos arenosos, condição que favorece a movimentação de húmus (podzolização). No horizonte Bh apresenta coloração escura. No processo de podzolização, parte do húmus estaciona no horizonte B e parte atinge o nível freático, consequentemente influenciando a coloração dos rios da região, que fica escura. Em razão ao húmus na água e pelo seu pH reduzido, há floculação e sedimentação no leito do rio, fazendo com que quase não haja sedimentos.
Figura: ESPODOSSOLO Humilúvico hidromórfico. Fonte: Embrapa Solos. Foto: Maria de Lourdes Mendonça Santos.

 Plintossolos
  • Possível sequência de horizontes: A/Bf/C.  O horizonte Bf é resultado de problemas de drenagem (com  encharcamentos temporários), favorecendo a concentração de ferro e a formação de plintitas. Esta dificuldade de drenagem é gerada pela mudança drástica de porosidade dentro do perfil do solo. Quando há endurecimento da plintita (petroplintitas), o solo é denominado de plintossolo pétrico.
Figura: Perfil de PLINTOSSOLO Pétrico, no município de Piracuruca – PI
Argissolos
  • Tem como processo específico de formação o transporte de argila.  Possível sequência de horizontes: A/E/Bt/C ou A/Bt/C.  São solos que ocorrem somente em áreas encharcadas.  A argila do Bt deve ser de baixa atividade (Tb).  Esta é a segunda classe de solos mais comum no país, após a classe dos latossolos. É comum encontrar argissolos associados aos latossolos nas mesmas áreas, sendo que os latossolos ocorrem em locais mais planos e os argissolos, nos mais movimentados. Os argissolos tendem a ser mais férteis que os latossolos, porém mais susceptíveis à erosão.
    Figura: Perfil de ARGISSOLO. Município de Brasilia de Minas – MG.
Nitossolos
  • Sofreram podzolização com movimentação de argila, porém nunca apresentam horizonte E. Possível sequência de horizontes: A/B nítico/C.  O horizonte B nítico apresenta cerosidade (moderada a forte) e está associado a materiais de origem com pouco silício, não formando gradiente textural. A argila do B nítico também deve ser de baixa atividade (Tb), ou seja, CTC argila < 24 cmolc/kg. Os nitossolos mais comuns no Brasil estão associados a basalto e predominam na região sul do Brasil, nas áreas onde ocorreu o derrame basáltico.
Figura: Perfil de NITOSSOLO, entre os municípios Guiricema e Miraí – MG

Luvissolos
  •  Sequência possível de horizontes: A/E/Bt/C; A/Bt/C.  A argila do Bt deve ser de alta atividade (Ta), ou seja, CTC argila ≥ 24cmolc/kg, conjugada com V% maior ou igual a 50%.  Ocupam 15% da área do semiárido, predominando na região mais seca, o sertão.  Este tipo de solos está associado a ambiente pouco lixiviado, e são solos extremamente férteis, porém rasos, raramente ultrapassando 2 m.  Apresentam rochosidades (presença de restos da rocha de origem) misturadas no solo e na superfície.  Normalmente, apresentam horizonte A fraco, pois o clima da região dificulta a produção de matéria orgânica.
Figura: Perfil de LUVISSOLO, com Horizonte B argila de alta atividade. Município de Viçosa – MG.

Planossolos
  • Formado por podzolização de argila, com transição abrupta do horizonte E para o B. É comum a ocorrência de mudança textural abrupta, gerando impermeabilização natural, o que pode acarretar a formação de um nível freático temporário suspenso no período chuvoso. Normalmente, há mosqueados no topo do B plânico. Possível sequência de horizontes: A/E/Bplânico/C.
Figura: Perfil de PLANOSSOLO , no municipio de Salinas – MG.
Cambissolos
  • Possível sequência de horizontes A/Bi/C. Não existe processo de formação ou característica definida para este tipo de solo. Está associado a áreas de relevo movimentado e, que normalmente é muito suscetível à erosão.

Figura: Perfil de CAMBISSOLO, com horizonte B incipiente, no município de Mariana – MG.
Latossolos
  •  Os latossolos representam cerca de 50% dos solos do Brasil. Constituem solos com horizonte B latossólico e são, sob o ponto de vista pedogenético, os solos mais desenvolvidos da crosta terrestre. Possuem perfil muito profundo apresentando sequência de horizonte, A, B e C, com predominância de transições difusas e graduais entre os sub-horizontes. A profundidade do solum (horizonte A + B) normalmente é superior a dois metros.
Figura: Perfil de LATOSSOLO VERMELHO, com exposição do Horizonte B muito profundo. Município de Igarapava – SP

Nesse texto abordamos os principais tipos de solos ocorrentes no Brasil  considerando somente o 1° nivel categórico de classificação.

 Referencias Bibliográficas

AGENCIA EMBRAPA DE TECNOLOGIA. Disponível em: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br. Acesso em junho de 2018.

EMBRAPA. Disponível em: https://www.embrapa.br/solos/sibcs/classificacao-de-solos/ordens:  Acesso em junho de 2018.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 3ª edição. Rio de Janeiro, 2013.

SANTOS, R.D.; LEMOS, R.C.; SANTOS, H.G. dos; KER, J.C.; ANJOS, L.H.C. dos. Manual de Descrição e Coleta de Solo no Campo. SBCS/CNPS – EMBRAPA. 6ª edição. Viçosa, 2013.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Argilas vermelhas sob a extensa Avenida Paulista

Em Mecânica dos Solos Vol.1, Manuel de Matos Fernandes analisa esse perfil de solo brasileiro que encontra-se sob a famosa avenida de São Paulo

Quem vê a Paulista hoje não imagina que por baixo dela existem camadas de argilas vermelhas (Foto: Divulgação)

Você sabia que a cidade de São Paulo está construída sobre uma bacia sedimentar formada na Era Terciária (Períodos Paleógeno e Neógeno)? Pois é, a bacia em questão é de origem flúvio-lacustre, e apresenta solos extremamente variados, com um embasamento rochoso composto de rochas gnáissicas e graníticas.

Nas zonas mais altas da cidade, os solos sedimentares ficaram sujeitos a um intenso processo de intemperismo. Nesses locais, os solos mais superficiais que têm natureza argilosa sofreram laterização, o que deu origem a argilas vermelhas por via da concentração de óxidos de ferro.
Esses solos podem, por exemplo, ser encontrados na Avenida Paulista. Trata-se de solos não saturados com uma importante fração argilosa.
“A primeira camada, devido a mais intensa laterização, apresenta uma macroestrutura muito porosa. O teor de umidade está sensivelmente abaixo do limite de plasticidade, o que corresponde a um índice de consistência superior a 1,0. Num solo argiloso “clássico”, saturado, isso corresponderia a uma consistência relativamente elevada”, explica o Professor Manuel Fernandes, doutor em engenharia civil pela FEUP.

Caráter colapsível

Todavia, a argila vermelha porosa exibe elevada compressibilidade quando carregada à superfície, devido ao elevado índice de vazios conferido pelo intemperismo. 

Esse solo tem caráter colapsível, podendo exibir igualmente grandes deformações induzidas por um aumento brusco do teor de umidade, por exemplo, associado a uma excepcional subida do nível freático, infiltração de água da chuva, ou até a ruptura de adutoras.
“Abaixo da camada de argila porosa encontra-se a camada de argila de consistência rija. Essa camada apresenta granulometria e limites de Atterberg (métodos de avaliação da natureza) parecidos com a camada superior, sendo o contraste em termos de consistência explicado pelo menor índice de vazios. O grau de saturação é também mais elevado (logo também o peso específico) em virtude da maior proximidade em relação ao nível freático”, conta o Professor Catedrático.

Tudo a ver

Mecânica dos solos Vol.1 – conceitos e princípios fundamentais  utiliza linguagem e ilustrações didáticas e diversos exemplos práticos para apresentar os conceitos básicos da área, sem deixar de aprofundar-se em cada tema. 

Também em nossa loja você pode encontrar Mecânica dos solos Vol.2 – introdução a engenharia geotécnica. O livro serve como referência no estudo da teoria e dos métodos de concepção e projeto de obras e estruturas geotécnicas para estudantes e como manual de apoio para profissionais de Engenharia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Contaminação x poluição. Qual a diferença?

poluição agua 1Uma área contaminada, segundo a Cetesb em seu Manual de gerenciamento de águas contaminadas,pode ser definida como um local ou terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação causada pela introdução de quaisquer substâncias ou resíduos que ali foram depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural .


Os poluentes ou contaminantes podem apresentar-se em diversos estados: gases de menor, igual ou maior densidade do que o ar; fase líquida livre, de densidade menor, igual ou maior do que a água; em solução na água subterrânea; ou ainda na forma de sólidos ou semi-sólidos.
Podem-se encontrar no ar, nos solos, rochas, águas superficiais e subterrâneas, materiais de aterro, construções e tubulações enterradas, a partir de onde podem propagar-se por diversas vias, alterando a qualidade das águas, do ar e do solo e causando impactos negativos ou riscos na própria área ou em seus arredores.
Há uma diferença conceitual entre poluição e contaminação, mas, de maneira geral, os dois termos são considerados sinônimos. As explicações de Daniel Nass no artigo “O conceito de Poluição” para a Revista Eletrônica de Ciências da Universidade de São Paulo – campus São Carlos, apresentadas a seguir, ajudam a diferenciar os dois conceitos.
Poluição é uma alteração ecológica provocada pelo ser humano, que prejudica, direta ou indiretamente, sua vida ou seu bem-estar, trazendo danos aos recursos naturais e impedimento a atividades econômicas.
Porém, nem toda alteração ecológica pode ser considerada poluição; por exemplo, o lançamento de uma pequena carga de esgoto doméstico em um rio provoca a diminuição do teor de oxigênio de suas águas, mas se não afetar a vida dos peixes nem a dos seres que lhes servem de alimento, o impacto ambiental provocado pelo esgoto não é considerado poluição.
 A contaminação é a presença, em um ambiente, de seres patogênicos ou substâncias em concentração nociva ao ser humano; no entanto, se não resultar em uma alteração das relações ecológicas, a contaminação não é uma forma de poluição.
poluição ar 1Esta diferenciação é fundamental no caso do ambiente ser a água. Se estivermos falando em contaminação da atmosfera, a diferença entre contaminação e poluição perde importância, visto que ela é o ambiente de onde o ser humano capta oxigênio.
O ar contaminado, seja com gases tóxicos ou partículas microscópicas em suspensão, também não pode ser confinado em um determinado espaço, como o solo e a água. Assim, a contaminação do ar tem conseqüências diretas na vida do homem, devendo ser classificada também como poluição. Já o observado aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera é apenas poluição, visto que este gás não é potencialmente tóxico.
O fator de poluição não precisa agir ativamente sobre o ser vivo, mas de forma indireta retira dele as condições adequadas à sua vida; por exemplo, as alterações ecológicas que provocam a morte dos peixes de um rio que recebe grande quantidade de esgotos não se dão pela ação de uma substância ou ser patogênico letal, mas pelo lançamento de nutrientes em quantidade excessiva.
A expressão “remediação de áreas contaminadas” compreende a recuperação do subsolo e das águas subterrâneas contaminados ou poluídos. Pode significar tanto a limpeza total (clean up) da área como a diminuição do impacto da contaminação a limites aceitáveis.
Apesar da maioria dos textos abordando a Geotecnia Ambiental bem como as legislações e regulamentações ambientais, não se fazerem uma distinção entre poluição e contaminação é importante que o profissional tenha estes conceitos bem definidos, ainda que exista uma incompatibilidade constatada entre os conceitos legais e técnicos, principalmente do conceito poluição.
Tudo a ver
capa geotecniaPara saber mais conceitos relativos ao gerenciamento de áreas contaminadas e às técnicas de remediação mais difundidas adquira o livro Geotecnia Ambiental de Maria Eugenia Gimenez Boscov.
Geotecnia Ambiental traz a primeira contribuição consolidada da Engenharia Geotécnica brasileira às mais contundentes questões ambientais urbanas do momento: lixo urbano e resíduos sólidos em geral.
A contaminação e o transporte de poluentes em solos e barragens de rejeitos são alguns dos temas tratado nesta obra, com preocupação especial pelos aquíferos subterrâneos

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Região de Piracicaba ganhará mapa de solos

12 de agosto de 2016

Elton Alisson | Agência FAPESP – Os agricultores da região de Piracicaba, no interior de São Paulo, poderão contar, nos próximos anos, com informações para auxiliá-los a estimar o potencial de produção de suas lavouras de acordo com o tipo da terra do local onde estão situadas.
Pesquisadores do Departamento de Ciência do Solo da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo um mapa digital de solos (pedológico) que compreenderá 240 mil hectares da região de Piracicaba.

Elaborado no âmbito de um Projeto Temático realizado com apoio da FAPESP e coordenado por José Alexandre Demattê, professor da Esalq-USP, o mapa de solos será disponibilizado gratuitamente na internet após ser concluído.

“Pretendemos desenvolver por meio de geotecnologias [tecnologias para coleta, processamento, análise e disponibilização de informação com referência geográfica] um mapa de solos detalhado de Piracicaba, importante região produtora de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo”, disse Demattê, à Agência FAPESP.
Região de Piracicaba ganhará mapa de solos
Caracterização dos tipos de solo por pesquisadores da Esalq-USP permitirá aos agricultores da região estimar com maior precisão qual a melhor época de plantio e colheita das culturas que produzem ( Imagens: mapas de teor de matéria orgânica (à esquerda) e da capacidade de troca catiônica do solo/Grupo Geotecnologias em Ciência do Solo da Esalq/USP) .

Elaborado no âmbito de um Projeto Temático realizado com apoio da FAPESP e coordenado por José Alexandre Demattê, professor da Esalq-USP, o mapa de solos será disponibilizado gratuitamente na internet após ser concluído.
“Pretendemos desenvolver por meio de geotecnologias [tecnologias para coleta, processamento, análise e disponibilização de informação com referência geográfica] um mapa de solos detalhado de Piracicaba, importante região produtora de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo”, disse Demattê, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, o mapa pedológico visa identificar os tipos de solos existentes em uma determinada área em termos de profundidade, concentração de matéria orgânica, textura, composição química e física, entre outros dados.
Com base nessas informações, o agricultor poderá tomar decisões mais assertivas sobre qual a melhor época de plantio e colheita de uma cultura agrícola em função do tipo de solo, como um latossolo médio-arenoso, que seca rápido, ou argissolo, por exemplo, que, ao contrário do latossolo, armazena muita água.

Além disso, o agricultor pode ter indicações de locais onde se perde mais terra por erosão, por exemplo, explicou o pesquisador.
“O mapa de solos pode ajudar o agricultor a fazer um planejamento de qual cultura plantar, além de qual a melhor época de plantio e de colheita e, dessa forma, obter maiores ganhos de produtividade”, afirmou Demattê.
“Já para o gestor público, o mapa de solos possibilita avaliar se está subestimando ou superestimando o potencial de produção de uma cultura, como a cana-de-açúcar, em uma determinada região e fazer o manejo de microbacias hidrográficas”, disse.

Carência de informações

Os mapas de solos são utilizados no planejamento de produção de diferentes culturas em países que são grandes produtores agrícolas.
No Brasil, um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo, essa ferramenta tem sido mais usada na plantação de cana-de-açúcar, contou o pesquisador.
“Há uma correlação entre o tipo de solo e a variedade de cana”, explicou. “Há variedades de cana rústica que podem ser plantadas em um solo fraco e tem outras que necessitam de um solo rico em nutrientes e água”, comparou.
Esse tipo de informação, contudo, está restrito hoje apenas às usinas produtoras de açúcar e álcool, afirmou o pesquisador.


“Há uma carência de informações sobre tipos de solo no Brasil, que geralmente são subestimadas pelos produtores agrícolas, mais preocupados hoje com a fertilidade do solo e com a quantidade de adubo que precisarão colocar para aumentar sua produtividade. Mas os tratos químicos e físicos do solo devem ser feitos apenas depois de se conhecer o tipo de solo”, ressaltou.
Segundo ele, a maioria dos agricultores costuma pular a fase do conhecimento do tipo do solo, o que os impede de atingir o máximo de produtividade local, mesmo que apliquem grandes quantidades de fertilizantes.
“Ao colocar uma planta em solo não adequado, o produtor pode usar o máximo de fertilizantes para aumentar sua produtividade que não conseguirá atingir esse objetivo”, afirmou.
“Hoje os produtores gastam muito com análises de solo e aplicação de fertilizantes e sistemas de agricultura de precisão sem saber o tipo de solo em que estão plantando”, ressaltou.

Construção do mapa

Para construir o mapa pedológico, os pesquisadores usarão sensores remotos instalados em satélites, aviões, veículos aéreos não tripulados (VANTs), em campo e em laboratório, para obter o melhor detalhamento da região.

Além disso, farão perfurações em diversos pontos da região a fim de obter dados e, dessa forma, classificar o tipo de solo correlacionando-o com o relevo do local.
Um software, baseado em uma tecnologia denominada “mapeamento digital de solos”, apontará outros lugares com solos semelhantes aos perfurados pelos pesquisadores em função do relevo.
“A ideia é produzir um mapa de solo da região de Piracicaba com nível detalhado [que permite diferenciar os elementos em uma paisagem e ajudar os produtores e gestores a tomar decisões que resultem em ganhos de produtividade]”, disse Demattê. “Apenas 0,1% dos mapas de solo disponíveis no Brasil hoje são detalhados”, comparou.
Além de Piracicaba, o mapa de solos contemplará áreas rurais dos municípios de Águas de São Pedro, Charqueada, Iracemápolis, Mombuca e Rio das Pedras, que unidas somam mais de 240 mil hectares.

A meta, contudo, é, no futuro, replicar as metodologias geotecnológicas para o Estado de São Paulo e, posteriormente, para o país.
“Estamos tentando viabilizar, por meio da Rede Brasileira de Mapeamento Digital de Solos do Brasil, grandes projetos como os que foram feitos na década de 1970, quando foram elaboradas cartas de solo de todo o país”, afirmou.

Os mapas de solos do Brasil elaborados naquela época, contudo, tinham como objetivo conhecer melhor a geologia do país para exploração de minérios e avaliar a aptidão agrícola das terras; são pouco detalhados e com baixa escala, contou o pesquisador.
“Precisamos ter agora mapas de solos voltados para aplicação na agricultura. Os estudos nessa área estão cada vez mais avançados em diversos países, como Israel, Alemanha, França, Estados Unidos, Austrália e China, entre outros”, listou.