quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Aloestratigrafia

aloestratigrafia

Estudo de unidades estratigráficas definidas por superfícies de descontinuidade que envolvem estas unidades e que permitem o seu mapeamento geológico.

À semelhança das unidades litoestratigráficas, na aloestratigrafia, as unidades são hierarquizadas, distinguindo-se:
alogrupo,
aloformação e
alomembro.
Entretanto, enquanto na litoestratigrafia o critério principal é a identidade litológica ou de associação litológica, na aloestratigrafia pode-se ter rochas de mais de um ambiente, e portanto litologicamente diferenciadas, mas balizadas por superfíceis de não-deposição ou de erosão que as amarram lateralmente.

[Ver Article 58. -Nature of Allostratigraphic Units no site North Ameican Stratigraphic Code - AGI]

Sites de Geologia (Nomenclaturas e Glossários)

http://www.agiweb.org/nacsn/code2.html

http://vsites.unb.br/ig/glossario/index.html

Fácies

Fácies designa-se como o aspecto (face) geral da rocha, caracterizando um tipo ou grupo de rocha em estudo. Os elementos que caracterizam as fácies são: litológicos, como a petrografia, a estrutura, ou a composição química; ou paleontológicos, como é exemplo os fósseis de fácies (ambiente) e os fósseis estratigráficos (idade).

Exemplos de
tipos de fácies...
  • Litofácies
  • Biofácies
  • Microfácies
  • Fácies mineralógica
  • Fácies marinha
  • Fácies vulcânica
  • Fácies sismica
  • Fácies boreias
  • etc...
...que se podem agrupar em três grupos (Classificação de Weller-1960)
  • Tipo I - Fácies petrográficas (baseia-se no aspecto/composição petrográfica)
  • Tipo II - Fácies estratigráficas (com base na sua litologia)
  • Tipo III - Fácies ambientais (definidas com base no ambiente de génese)
A correlação entre as fácies rege-se segundo a Lei de Walther, que enuncia que as fácies que ocorrem em sucessões verticais, reflectem ambientes laterais adjacentes.



Referência:
- ALVARENGA, C.J.S -
http://www.unb.br/ig/glossario/verbete/lei_de_Walther.htm

Métodos estratigráficos



Os métodos estratigráficos, têm grande importância nos estudos da evolução da Terra e podem também ser usados para conhecer e descrever material rochoso de determinada região.

Uma vez aplicados ao estudo das rochas, estes métodos estabelecem a correlações entre unidades estratigráficas, grande vantagem a nível estratigráfico.

Os métodos da estratigráfia podem diversificar-se em químicos, físicos e paleontológicos.

Com base em alguma pesquisa efectuada, farei então uma breve exposição sobre alguns deste métodos:

Métodos físicos:

Depósitos de varvas

Varvas são depósitos sedimentares finos, rítmicos. A sua cor varia entre tons mais claros e mais escuros de acordo com o seu teor de matéria orgânica. A sua ciclicidade indica os períodos sazonais, nois quais as zonas mais claras são as temporadas mais quentes e as mais escuros as temporadas mais frias.

Dendrocronologia

Dendrocronologia é o método quue diz respeito ao crescimento de árvores. Anualmente formam-se anéis de crescimento das árvores. A sua espessura poderá variar, sendo maior em em condições favoráveis; e com os anéis menos espessos, em "piores" condições.

Liquenometria

Método utilizado principalmente em estudo de avanços glaciares. A liquenometria avalia o diâmetro de liquens de grande longevidade.

Tefrocronologia

Método que implica a individualização das camadas de tefra, material piroclástico projectado em erupções vulcânicas que forma uma camada utilizadas como guias em estudos estratigráficos.

Radiocronologia


Chamado de "datação absoluta", é feito pelo de estudo de elementos isótopos, no processo de decaimento radiactivo.

Magnetostratigrafia


Faz o estudo das características magnéticas de rochas de diferentes idades. Sabendo-se que há inversões na polaridade do campo magnético terrestre, ciclicamente.

Resistividade


A resistividade eléctrica dos materiais é uma medida correspondente à reacção que estes têm ao fluxo de corrente eléctrica. As rochas possuem uma alta resistividade. Mas, nem todas correspondem da mesma maneira, podendo tornar-se uma característica que pode diferenciar camadas sem estarem afloradas.

Estratigrafia Sísmica

A estratigrafia sísmica consiste na emissão, recepção e registo de ondas que atravessam o material. Este corresponde de maneira diferente conforme a sua estrutura e constituição. Assim, é possível identificar estruturas constituintes do subsolo.

Termoluminiscência

É a propriedade que os minerais têm ao emitir luz quando expostos a baixa temperatura. Através da comparação da intensidade da radiação nuclear com a da termoluminiscência, pode determinar-se a idade do último aquecimento que o mineral sofreu. Este método é útil para a vulcanologia e arqueologia essencialmente.



Métodos químicos:

Teor de flúor nos ossos

Raceminação de aminoácidos

Estes métodos são utilizados através do estudo dos elementos constituintes de organismos, particularmente fósseis, que nos ajudam a estabelecer datações por medições radiométricas.

O conjunto destes métodos dá-nos a possibilidade de estabelecer correlações, fazer correspondência, temporal ou contemporaneidade, entre unidades litológicas mais ou menos afastadas geologicamente.
A auto-correlação trata-se do acompanhamento da continuidade de uma camada ou de uma sequência sedimentar.

Tendo em atenção à possível insuficiência quanto à semelhança de fácies para o estabelecimento de correlação sincronas, as unidades dizem-se sincrónicas quando:

- há continuidade e passagem lateral entre elas;

- as unidades mesmo de fácies diferentes estão enquadradas por outras equivalentes;

- possuem fósseis característicos da mesma idade;

- são da mesma idade segundo determinações radiométricas.



Bibliografia:

VERA TORRES, J. A. (1994) - Estratigrafia, principios e métodos. Ed. Rueda, Madrid

http://geopor.pt/gne/geocabula/faqs/tilito.html

http://www.oceanografia.ufba.br/ftp/Geologia_Marinha/AULA_6%20_Metodos_Datacao.pdf

http://estpal08.blogspot.com/

Fácies

Fácies

Fácies e utilizações

Termo geral para indicar o aspecto da rocha e, assim, caracterizar um tipo ou grupo de rochas em estudo. Sendo utilizado para:

- Caracterização de um tipo de rocha ou de uma associação de rochas, considerando qualquer aspecto genético, composicional, químico ou mineralógico, morfológico, estrutural ou textural distintivo para fins de referência num estudo geológico;
- tambem é usado para dar conotação ao tipo de ambiente onde se forma, onde se formou ou se transformou a rocha: fácies pelágicos; fácies vulcânicos; fácies metamórficos; fácies lacustrinos;
- Outros usos: vários fácies metamórficos (xisto verde, anfibolito, granulito, etc..) para caracterizar o metamorfismo; vários fácies sedimentares (fluvial, lacustrino, marinho, etc..) para caracterizar o ambiente de sedimentação; biofácies - indica aspecto biológico/fossilífero característico de um sedimento podendo, de acordo com o caso, marcar um nível cronoestratigráfico bem definido ou não.


Relacionando com o termo, fácies, temos a Lei de Walther

é o princípio de que as fácies que ocorrem em sucessões verticais concordantes também ocorrem em ambientes lateralmente adjacentes, isto é, numa sucessão vertical, uma passagem gradual entre duas fácies sugere que elas estão associadas, tendo sido geradas em ambientes de deposição lateralmente contíguos, ao passo que, um contacto abrupto ou erosivo pode indicar intervalos de não deposição ou mudanças significativas no ambiente de deposição.


exemplo da Lei de Walther



Sendo através do conhecimento de fácies, e dos termos da lei de Walther, que é possivel definir sequências de fácies. Isto é, é possivel conhecer os ambientes e as transformações ocorridas na crosta terrestre no passado geológico.

Evolução Biológica

Evolução Biológica

A evolução da Terra pode ser representado de um modo muito genérico por um quadro de divisões estratigráficas.

Este é feito com base em unidades geocronológicas, anteriormente estabelecidas: éons, eras, períodos, épocas, andares, etc.

O Pré-Câmbrico e o Fanerozóico são os éons existentes desde a formação da Terra, há cerca de 4600 Ma.

O Pré-Câmbrico divide-se ainda em Hadaico, Arcaico e Proterozóico. No Hadaico deram-se essencialmente trocas químicas que iriam proporcionar vida no planeta. Foi no Arcaico que se deram os primeiros vestígios de vida com estromatólitos.

No Proterozóico, com o aparecimento das primeiras plantas (algas), constituintes de uma fauna típica chamada Fauna de Ediacara, foi ainda dividida em períodos: Paleoproterózoico, Mesoproterózoico e Neoproterózoico.


O aparecimento de icnofósseis fez com que fosse designada um novo éon: Fanerozóico.
Este éon está dividido em 3 eras: Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico.

O Paleozóico é, por sua vez, constituído por 6 períodos que ainda são subdivididos em épocas e andares mas que não vamos aprofundar. O Câmbrico é o primeiro dos 6 períodos e está compreendido entre 542 e 488 Ma. Foi neste período que surgiram os primeiros metazoários com esqueleto externo (trilobites, braquiópodes, equinodermes, moluscos, etc). Com o aparecimento de graptólitos passou a definir-se o período seguinte, Ordovícico, que foi desde os 488 até 444 Ma. Surgiram ainda os primeiros nautilóides. Os períodos seguintes, Silúrico (444 - 416 Ma), Devónico (416 - 359), Carbonífero (359 - 299 Ma) e Pérmico (299 - 251 Ma). Neste espaço de tempo surgiram os primeiros peixes, as primeiras plantas terrestres, os primeiros amonóides e gimnospérmicas, primeiros répteis e holósteos. Deu-se também a extinção de graptolóides nos finais do Silúrico e de graptólitos no Carbonífero. Neste último deu-se uma imensa cobertura vegetal que originou depósitos de carvão, que deram origem ao nome do período. No último período foi dada uma extinção em massa, com o desaparecimento de cerca 90% das espécies existentes, acontecimento também conhecido por ‘Extinção Pérmica’, que marca a passagem para a nova era: Mesozóico.

O Mesozóico divide-se em Triásico (251 - 200 Ma), Jurássico (200 - 146 Ma) e Cretácico (146 - 66 Ma). Nesta era foram originados os hexacoraliários, os primeiros dinossauros, répteis mamalianos, primeiras aves, rudistas e angiospérmicas. Há uma expansão imensa de amonites. A extinção de dinossauros por um possível embate de um meteorito com a Terra marca o final da era Mesozóica.
O Cenozóico divide-se em Paleogénico, Neogénico e Quaternário, tendo mudado recentemente para apenas os dois primeiros períodos, agrupando o 3º no Neogénico. Foi no primeiro período que se deu o aparecimento dos primeiros primatas, roedores, equídeos, proboscídeos. Surgem os homínideos e há uma diversificação rápida de mamíferos. As faunas e floras estudadas já nas últimas épocas são muito semelhantes às actuais.

Bibliografia:
-
http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93664 (Tempo Geológico) (22.12.08)

Evolução Paleogeográfica e Paleoclimática

Evolução Paleogeográfica e Paleoclimática

Desde a formação da Terra, a estrutura entre continentes e oceanos não foi sempre a mesma.


No éon Pré-Câmbrico formou-se o primeiro supercontinente: Rodínia. Com o começo da era Paleozóico deu-se a abertura dos oceanos Iapetus e Rheic, e constituiu-se a Avalónia. Por volta do período Silúrico deu-se o fecho do oceano Iapetus e formou-se o continente Norte-Atlântico e já no final da era os continentes reuniram-se e formaram a Pangeia. O início da fragmentação do supercontinente deu-se logo no príncipio do Mesozóico. Separaram-se a Austrália, India, Gonduana e Antártida. A Laurásia e a Gonduana afastaram e deu-se a abertura do Golfo da Gasconha e do Atlântico Sul. Esta formação manteve-se até ao Cenozóico, até ao ínicio desta era onde se constituiu o continente Norte-Atlãntico e a abertura do Atlântico Norte. Deu-se ainda a elevação da cadeia montanhosa dos Pirinéus e a separação da Austrália e Antártida. Na primeira metade do Neogénico deu-se a elevação dos Himalaias, a ligação das duas Américas.






Evolução Paleogeográfica da Terra


Com o estudo dos movimentos tectónicos é possivel prever como estará a localização dos continentes e oceanos. Os continentes reunir-se-ão novamente num novo supercontinente. Com este estudo pode-se concluir que a abertura e fecho das placas continentes demora em média 250 Ma.

As figuras seguintes retratam o planeta daqui a 100 Ma e 250 Ma:


(http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93705) - O Mundo daqui a 100 Ma

(http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93705) - O Mundo daqui a 250 Ma



Esta evolução teve também influência nas mudanças climáticas. A obstrução da passagem de correntes marítimas fazia o clima mais frio. Os ciclos de Milankovitch dão outras justificações para as modificações que se verificam na Terra: a excentricidade da órbita terrestre (sendo uma forma elipsóidal mas que tende a variar, a Terra não está sempre à mesma distância do Sol, recebendo mais ou menos energia solar dependentemente disso), a variação do eixo axial da Terra (o eixo tem uma variação entre 22.1º e 24.5º ao que seria um eixo totalmente perpendicular ao plano, assim os pontos não recebem todos a mesma quantidade de energia se variarem esses ângulos), por estes motivos a precessão do planeta também varia.


(http://en.wikipedia.org/wiki/Milankovitch_cycles) - Excentricidade da Orbita da Terra


(http://en.wikipedia.org/wiki/Milankovitch_cycles) - Variação do eixo axial da Terra


(http://en.wikipedia.org/wiki/Milankovitch_cycles) - Movimento de precessão na Terra

Estes factos ajudam na justificação para as mudanças paleoclimáticas. Durante a evolução houve épocas glaciares e inter-glaciares. A figura seguinte mostra as épocas glaciares (zonas azuis) desde a formação da Terra.

(http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93664) - Quadro de divisões estratigráficas - Prof. João Pais

Bibliografia:
- COENRRAADS, R.; KOIVULA, J. – Geológica: las fuerzas dinámicas de la Tierra - Austrália 2007 H.f.ullmann
- VERA TORRES, J. A. - Estratigrafia: Principios y Métodos - Editorial Rueda, Madrid, 1994