quinta-feira, 10 de março de 2011

Livro de Geologia

Copie e cole na barra de endereços:

http://www.filesonic.com/file/43462513/Enc_of_Geology.rar

Livro "Encyclopedia of Geology, Five Volume Set"

Pedra que te quero ouro

Venha conhecer as bactérias que transformam pedra em metais valiosos
Por: Teresinha Rodrigues, Museu de Astronomia e Ciências Afins
Publicado em 22/10/1998 | Atualizado em 28/07/2010
Parece mágica, mas é pura química: as bactérias Thiobacillus transformam pedra em metais, como cobre e... ouro! Leia o texto abaixo para conhecê-las melhor!

Há alguns milhões de anos, a Terra era uma bola muito quente girando ao redor do Sol. Com o tempo, o planeta foi se resfriando e os elementos que o formavam foram se arrumando de acordo com seu peso - quem era mais pesado ficou embaixo e quem era mais leve ficou por cima. Nessa época, aconteceram também casamentos entre os elementos que tinham maior afinidade. Assim, alguns átomos de oxigênio, hidrogênio, enxofre e silício se uniram a metais e formaram os minérios (pedras que contêm metais aprisionados). Essas pedras são tão resistentes que, para extrair delas os metais puros, é preciso uma energia tão grande quanto aquela que os aprisionou.

Mas por que obter novamente metais puros? Com o passar do tempo, o homem quis trocar suas armas e seus objetos, antes feitos de pedra e osso, por outros de materiais mais resistentes. Ele resolveu então experimentar derreter pedras e observou que algumas podiam ser moldadas e, depois de secar, ficavam mais resistentes e podiam ser usadas para fazer utensílios como panelas, jóias ou facas.

Olhando bem por onde andava, o homem encontrou alguns metais já soltos das pedras na superfície da Terra e, depois, nas minas que passou a cavar. Bem, se eles estavam ali é porque alguma coisa tratou de soltá-los. Quem teria feito isso? A pergunta só foi respondida pelos cientistas depois de milhares de anos. Eles descobriram que a transfomação de minério em metal puro era um trabalho das bactérias Thiobacillus , que agiam sem ser notadas.

Se você conhece um pouco de biologia, sabe que nós, os animais, retiramos dos alimentos o carbono que precisamos para crescer. Já as bactérias, como os vegetais, retiram o carbono do gás carbônico que existe no ar. Para fixar o gás carbônico, as Thiobacillus precisam de energia - que elas conseguem quando se grudam no minério e começam a realizar reações químicas. Essas reações são tão especiais que afrouxam a ligação do metal com o restante do minério. Com isso, as bactérias conseguem energia e, mesmo sem perceber, facilitam a vida do homem, soltando o metal da pedra e passando-o para a água.

Os metais que as bactérias ajudam a extrair são usados na construção dos mais diferentes objetos que fazem parte do nosso dia-a-dia

Desde as primeiras civilizações, o homem se aproveita do trabalho das bactérias, sobretudo com relação à ação delas sobre os minérios de cobre e de ouro. Durante milhares de anos, os metais extraídos pelas bactérias foram carregados pela água das chuvas e se depositaram em alguma superfície. Quando encontrados, eram trabalhados e transformados em peças úteis. Existem várias formas de extrair cobre e ouro dos minérios, mas as bactérias continuam sendo usadas até hoje.
Conheça a bactéria Thiobacillus , que transforma pedra em metais
As Thiobacillus do nosso tempo não são diferentes das suas antepassadas, só que agora elas recebem uma mãozinha dos engenheiros químicos e biólogos que trabalham na indústria metalúrgica. Elas são procuradas nas próprias minas de onde se extrai o minério e são levadas para o laboratório. Lá, recebem os nutrientes necessários para se reproduzirem.
Quando estão crescidas e bem nutridas, já é hora de trabalhar! Os cientistas as colocam numa solução que contém água, ácido e minério. Aí, a história se repete: elas se grudam no minério, fazem as suas reações químicas e soltam o metal. É a transformação de pedra em líquido contendo o metal que interessa à indústria.

adaptado do artigo de Teresinha Rodrigues,
do Museu de Astronomia e Ciências Afins,
publicado originalmente em CHC 85.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sexta extinção em massa

3/3/2011
Agência FAPESP – Estima-se que cerca de 4 bilhões de espécies tenham vivido na Terra. Desse total que evoluiu no planeta nos últimos 3,5 bilhões de anos, nada menos do que 99% deixaram de existir.
O número pode impressionar, mas não envolve nada anormal e demonstra como a extinção de espécies é algo comum e equilibrado pela própria especiação, o processo evolutivo pelo qual as espécies se formam. Eventualmente, esse balanço deixa de existir quando as taxas de extinção se elevam. Em alguns momentos, cinco para ser exato, as taxas são tão altas que o episódio se caracteriza como uma extinção em massa.
Após as extinções em massa nos períodos Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo – quando os dinossauros, entre outros, foram extintos –, cientistas apontam que a Terra pode estar se aproximando de um novo episódio do tipo.
Em artigo publicado na edição desta quinta-feira (3/3) da revista Nature, um grupo de cientistas de instituições dos Estados Unidos levanta a questão de uma eventual sexta extinção em massa. O artigo tem entre seus autores o brasileiro Tiago Quental, que durante a produção do estudo estava no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia e desde fevereiro é professor doutor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.
“Paleontólogos caracterizam como extinções em massa os episódios em que a Terra perde mais de três quartos de suas espécies em um intervalo geológico curto, como ocorreu apenas cinco vezes nos últimos 540 milhões de anos. Biólogos agora sugerem que uma sexta extinção em massa possa estar ocorrendo, por conta das perdas de espécies conhecidas nos últimos séculos e milênios”, disseram os autores.

Sexta extinção em massa
Cientistas apontam que taxa de extinção de espécies tem aumentado e que conservação é fundamental para que o homem não seja responsável por uma nova extinção em massa vivida pelo planeta

O estudo analisou como as diferenças entre dados modernos e obtidos a partir de fósseis e a influência de novas informações paleontológicas influenciam o conhecimento a respeito da crise de extinção atual.
“Os resultados confirmam que as taxas de extinção atuais são mais elevadas do que se esperaria a partir [da análise] dos registros fósseis, destacando a importância de medidas efetivas de conservação”, afirmaram. Como exemplo, citam que, nos últimos 500 anos, das 5,5 mil espécies de mamíferos conhecidas pelo menos 80 deixaram de existir.
“Se olharmos para os animais em perigo crítico de extinção – aqueles em que o risco de extinção é de pelo menos 50% em três gerações ou menos – e assumirmos que seu tempo acabará e que eles sumirão em mil anos, por exemplo, isso nos coloca claramente fora do que poderíamos considerar como normal e nos alerta que estamos nos movendo para o domínio da extinção em massa”, disse Anthony Barnosky, curador do Museu de Paleontologia e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, principal autor do estudo.
“Se as espécies atualmente ameaçadas – aquelas classificadas oficialmente como em risco crítico, em risco ou vulneráveis – realmente se extinguirem, e se essa taxa de extinção continuar, a sexta extinção em massa poderá chegar tão cedo quanto de três a 22 séculos”, disse.
Entretanto, segundo os autores do estudo, não é tarde demais para salvar muitas das espécies em risco de modo a que o mundo não ultrapasse o ponto em retorno rumo à nova extinção em massa.
“Ainda temos muita biota da Terra para salvar. É muito importante que direcionemos recursos e legislação para a conservação de espécies se não quisermos nos tornar a espécie cuja atividade causou uma extinção em massa”, afirmou.
O artigo Has the Earth’s sixth mass extinction already arrived? (doi:10.1038/nature09678), de Anthony Barnosky e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
LIVROS GRÁTIS A PARTIR DE 08 DE MARÇO NO BLOG!!!!!!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Nossa herança europeia

Estudo feito no Brasil mostra que vem da Europa a maior contribuição genética para a formação do povo brasileiro. A surpresa foi encontrar esse resultado também no Norte e Nordeste do país, onde o número de pardos e negros supera o de brancos.
Por: Carolina Drago
Publicado em 24/02/2011 | Atualizado em 25/02/2011
Nossa herança europeia
Estudo analisou 40 trechos especiais de DNA de quase mil brasileiros brancos, pardos e negros e constatou que a contribuição genética dos europeus varia de 60,6%, no Nordeste, a 77,7%, no Sul. (foto: Kyu Oh/ Sxc.hu)
A cor da pele já não é um bom indicativo da ascendência dos brasileiros. Um estudo publicado esta semana na revista PLoS One reforça que o segredo para identificar nossos ancestrais está nos genes. E surpreende ao provar que, de Norte a Sul do Brasil, é dos europeus o maior índice de contribuição genética – pelo menos 60% – para a formação do nosso povo.

Já era de se esperar que a ancestralidade europeia predominasse sobre a africana e a indígena nas regiões Sul e Sudeste do país. O inesperado foi encontrar o mesmo resultado, ainda que com pequenas variações proporcionais, no Norte e no Nordeste, onde o número de pardos e negros sempre superou o de brancos.
Para chegar a essas conclusões, pesquisadores de instituições brasileiras analisaram 40 trechos especiais do DNA, conhecidos como indels, de 934 pessoas, nas quatro regiões mais populosas do país. Os lugares escolhidos para representar cada região foram: Belém (PA), pela região Norte; Ilhéus (BA), pelo Nordeste; Rio de Janeiro (RJ), pelo Sudeste; e Porto Alegre (RS), pela região Sul.
“Usamos o genótipo e um programa de computador (Structure) para estimar os componentes de ancestralidade europeia, africana e indígena dos indivíduos nas quatro regiões geográficas avaliadas”, destacam os autores no artigo.
Com esses recursos, o coordenador do estudo, o geneticista Sergio Danilo Pena, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-colunista da CH On-line, e mais 19 pesquisadores observaram que o maior índice de contribuição europeia está no Sul, onde atingiu 77,7%. No Nordeste está o menor, mas ainda assim significativo: 60,6%.

Os números permitem concluir que a ancestralidade não se reflete necessariamente no aspecto físico, como a cor da pele ou o tipo de cabelo. O caso da Bahia, estado escolhido como amostra do Nordeste, serve como exemplo pontual dessa observação: enquanto lá o número de pardos passa de 62% e o de brancos não chega a 21% (segundo o censo de 2008), a contribuição genética dos europeus é maior que 60%.
Vale destacar que a incompatibilidade entre os aspectos físicos e a origem dos ancestrais de uma população tende a se acentuar à medida que a miscigenação aumenta, como acontece no Brasil. Essa característica tem feito do nosso país um importante modelo para estudos de genética de populações e da relação entre a variabilidade genética de indivíduos de populações miscigenadas e sua reação a drogas específicas.

Um Brasil integrado

O estudo coordenado por Pena constatou que os brasileiros de diferentes regiões são geneticamente muito mais homogêneos do que se esperava, como consequência do predomínio europeu.

“Pelos critérios de cor e raça até hoje usados no censo, tínhamos a visão do Brasil como um mosaico heterogêneo, como se o Sul e o Norte abrigassem dois povos diferentes”, comenta o geneticista. “O estudo vem mostrar que o Brasil é um país muito mais integrado do que pensávamos.”
A homogeneidade brasileira é, portanto, muito maior entre as regiões do que dentro delas, o que valoriza a heterogeneidade individual. Essa conclusão do trabalho indica que características como cor da pele são, na verdade, arbitrárias para categorizar a população. Além disso, promete ampliar a visão que se tem hoje sobre tratamentos médicos, muitas vezes diferenciados com base em critérios físicos.
“Cada pessoa deve ser tratada individualmente, e não como um ‘exemplar de um grupo de cores’”, alerta Pena. O aspecto clínico, no entanto, não é o único afetado por essa descoberta.

Sobre o impacto social da revelação de que a origem do povo brasileiro não é exatamente o que se imaginava, o pesquisador acredita que a reação da sociedade depende sobretudo de como a informação será divulgada. “Essa questão, aliás, chega à própria razão de ser da divulgação científica”, finaliza.

Carolina Drago

Ciência Hoje On-line

terça-feira, 1 de março de 2011

Personagem secundário















Psittacosaurus sp., DE 125 MAA A 121 MAA, ACHADO NA CHINA; ESPÉCIME CONTRABANDEADO DE ORIGEM DESCONHECIDA, HOJE SOB A CUSTÓDIA DO INSTITUTO DE PESQUISAS SENCKENBERG, NA ALEMANHA, ATÉ SER DEVOLVIDO À CHINA




Até 2001, conheciam-se dinossauros emplumados apenas no ramo saurisquiano da árvore desses gigantes, o mesmo das aves. Naquele ano, um fóssil de outro ramo, o dos ornitisquianos, apareceu. Sem muitos dados sobre o Psittacosaurus, os cientistas relutaram em crer que dinossauros tão distantes das aves exibissem estruturas similares a penas. Mas, em 2009, a descoberta de filamentos semelhantes em outro ornitisquiano, o Tianyulong, fez com que muitos mudassem de opinião. Resta a dúvida: essa característica evoluiu de forma independente nos dois ramos ou se deve a um ancestral comum?