domingo, 7 de agosto de 2011

Uma anta pré-histórica
Oeste da Amazônia pode ter abrigado espécie extinta do herbívoro há 40 mil anos
 

Fóssil de Tapirus rondoniensis 
O território nacional abriga atualmente apenas uma das quatro espécies vivas de anta, a Tapirus terrestris, considerada o maior mamífero terrestre da América do Sul com seus dois metros de comprimento e até 300 quilos. Mas há 40 mil anos, durante a época geológica denominada Pleistoceno Superior, pode ter existido uma forma distinta desse grande herbívoro na porção ocidental da Região Norte, perto da divisa com a Bolívia, onde hoje se situa o estado de Rondônia. Um fóssil de uma nova espécie extinta desse mamífero foi descrito por pesquisadores brasileiros em artigo publicado na edição de fevereiro da revista científica norte-americana Journal of Mammalogy. Oriunda de uma antiga zona de garimpo às margens do rio Madeira, a anta amazônica foi batizada de Tapirus rondoniensis em homenagem à unidade da federação em que seu único exemplar foi encontrado.

Em linhas gerais, a provável nova espécie guardava muitas semelhanças anatômicas com a T. terrestris, comumente denominada anta brasileira, que hoje está presente em quase todo o território nacional e em países vizinhos da América do Sul. “Ela deve ter sido bem parecida com a nossa anta atual”, afirma a paleontóloga Ana Maria Ribeiro, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, uma das autoras do artigo. Mas a sua dentição e o crânio exibem traços primitivos em comum com a T. pinchaque, a menor das espécies vivas de anta e a única a habitar fora de áreas de floresta, mais precisamente na região dos Andes entre a Colômbia, o Equador e o Peru. A T. rondoniensis tinha uma testa mais larga e uma crista menor do que a da anta brasileira e seu segundo dente pré-molar superior apresentava uma cúspide reduzida. “No passado, a anta brasileira e essa nova espécie fóssil devem ter coexistido em certas partes da Amazônia”, diz Elizete Holanda, professora do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), outra responsável pelo trabalho científico.

Compostos por um crânio quase completo e bem preservado do mamífero, os vestígios da nova espécie extinta de anta fazem parte do acervo paleontológico da Universidade Federal de Rondônia (Unir). Os restos do antigo herbívoro foram resgatados por garimpeiros nos anos 1970. Os mineiros estavam à procura de ouro na localidade de Araras, pertencente ao município de Nova Mamoré, na margem direita do rio Madeira. Essa região possui ricos depósitos fósseis de animais vertebrados e também de plantas, que ocorrem em geral numa camada de rochas sedimentares ricas em areia e calcário situada 10 metros abaixo da superfície. Nesse nível também está o ouro que os garimpeiros tanto procuram. Segundo Elizete, que concluiu a graduação na Unir no início da década passada, quando teve o primeiro contato com o crânio da T. rondoniensis, os fósseis que não foram destruídos pelo processo de extração do minério acabaram nas mãos de colecionadores particulares ou na coleção da universidade. Por sorte, o crânio da anta amazônica teve o segundo destino.
O biólogo Mário de Vivo, curador da seção de mamíferos do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), não está convencido de que o fóssil de anta oriundo de Rondônia pertença a uma nova espécie, ainda que extinta, desse herbívoro. Embora as diferenças entre a T. rondoniensis e a T. terrestris sejam reais e possam indicar que se trata de duas formas de anta realmente distintas, o pesquisador pondera que a descrição de apenas um único exemplar da suposta nova espécie não permite uma boa avaliação da variação morfológica presente no crânio da anta rondoniense. Para ele, as diferenças na dentição e no tamanho da crista do antigo herbívoro resgatado nos arredores do rio Madeira podem se dever a variações anatômicas intrínsecas à própria população de T. terrestris. “Não é impossível que o fóssil de Rondônia represente uma nova espécie de anta, mas eu gostaria de ver mais esqueletos com essas características”, pondera De Vivo. Segundo o paleontólogo Jorge Ferigolo, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e também autor do artigo no Journal of Mammalogy, a antiga anta da Amazônia é suficientemente distinta da brasileira. “Pequenos detalhes podem distinguir uma espécie de outra”, afirma Ferigolo.
A classificação taxonômica de seres vivos em famílias, gêneros e espécies é uma atividade sempre sujeita a debates. Consensos demoram a se formar e revisões são frequentes. Além da proposta de que houve uma anta particular da região amazônica num momento da Pré-história nacional, Elizete também defende a ideia de que outra possível espécie extinta desse herbívoro, a T. cristatellus, habitava uma zona de transição entre o Sudeste e o Nordeste mais ou menos nesse mesmo período. Novos exemplares dessa forma de anta, que possuía uma crista sagital muito baixa, foram recentemente encontrados em cavernas da Bahia. Até então, crânios de T. cristatellus – ainda hoje não reconhecida como uma espécie válida por muitos especialistas, que preferem considerá-la como uma variante da anta brasileira – tinham sido achados apenas na região mineira de Lagoa Santa, perto de Belo Horizonte. Se essa hipótese estiver correta, o território nacional pode ter abrigado concomitantemente três espécies diferentes de anta há 40 mil anos: a brasileira, ainda viva, a da Amazônia e a do Sudeste-Nordeste, ambas extintas.


Artigo científicoHolanda, E.C. et al. New Tapirus species (Mammalia: Perissodactyla: Tapiridae) from the upper Pleistocene of Amazonia, Brazil. Journal of Mammalogy. v. 92, n. 10, p. 111-20. fev. 2011

Viagem espacial em um clique

Publicado em 05/08/2011
Nova ferramenta da Nasa oferece navegação em 3D pelo nosso hábitat cósmico.
Viagem espacial em um clique
Aplicativo 'Eyes on the Solar System' em funcionamento: Sistema Solar visto a partir das imediações da Terra. (foto: reprodução)
Que tal um passeio pelo sistema solar? Aperte os cintos e seja bem-vindo a bordo do Eyes on the Solar System – ferramenta on-line que permite explorar o cosmos no conforto de sua poltrona.
O novo brinquedo é uma nave espacial virtual. Basta ‘embarcar’ – isto é, acessar o site e fazer um breve download – e já estará apto a curtir uma viagem rica em detalhes pelos meandros de nosso sistema solar. A atraente interface 3D, de fácil uso e compreensão, garante uma experiência sideral pra ninguém botar defeito.
Planetas, luas, asteroides, cometas e até mesmo sondas espaciais. Dá pra ver tudo de perto, e em tempo real – você pode saber como anda o sistema solar nesse exato instante. Caso goste da brincadeira, poderá até mesmo viajar no tempo, já que a ferramenta traz visualizações no intervalo de um século (1950 a 2050).
Em linguagem clara e acessível, painéis auxiliares exibem textos que contextualizam a visualização. Há ainda uma série de links, referenciando informações multimídia e dados adicionais acerca dos objetos observados. Para o usuário disposto, será uma verdadeira aula de astronomia. 


Turismo cósmico

Um dos passeios mais bacanas de se fazer é o Comets, asteroids and near-Earth objects (algo como ‘Cometas, asteroides e objetos próximos da Terra’). Com direito a vídeos, animações, fotografias e até narração, acompanha-se a trajetória do 2008 TC3, asteroide que penetrou na atmosfera terrestre em outubro de 2008. O corpo explodiu a 37 km de altitude, e seus fragmentos se espalharam pelo deserto da Núbia, no Sudão.
Outra boa pedida é um passeio em Saturno. E, se tiver tempo, dê um pulinho ali em Urano, onde poderá testemunhar a excentricidade de um planeta cujo plano do equador é praticamente perpendicular ao de sua órbita em torno do Sol.
Vale também conferir as imagens e informações das dezenas de sondas que a Agência Espacial Norte-americana (Nasa) lançou nas últimas décadas. Enfim, entre o Sol e Netuno, são centenas as possíveis paradas desse inusitado turismo espacial.

Aplicativo em expansão

A Nasa lançou o Eyes on the Solar System no final de 2010 – após 18 meses de planejamento e trabalho. Mas, ainda em sua versão beta, permanece recebendo os últimos ajustes e melhoramentos.
“Na verdade, estamos melhorando o aplicativo e adicionando novos conteúdos o tempo todo”, disse à CH On-line Kevin Hussey, gerente de aplicações tecnológicas de visualização do Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato), centro de pesquisa da Nasa em Los Angeles. A equipe brinca que “a ideia ainda está em expansão, exatamente como o universo”.
Em relação a aplicativos do gênero, a Nasa tem um bom histórico: o Cassie (que traz uma visualização privilegiada da sonda Cassini) e o Eyes on the Earth (que nos permite fazer um tour maneiríssimo pelos satélites artificiais que orbitam a Terra).
“Então decidimos elaborar algo semelhante, mas dessa vez para todo o Sistema Solar! Assim nasceu o Eyes on the Solar System”, conta Hussey.

Fácil de usar

O usuário não precisa ser um expert em informática ou astronomia para surfar pelo Sistema Solar. A interface é intuitiva; alguns minutos de uso serão o bastante pra você dominar a missão. “Aliás, é impressionante a velocidade com que a criançada aprende a interagir com a ferramenta”, diz o representante da Nasa.
A física Cláudia Vilega Rodrigues, da Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vê no Eyes on the Solar System um interessante instrumento de aprendizado. “Curiosos podem utilizá-lo para aprender; profissionais podem utilizá-lo para ensinar.”
O astrônomo Francisco Jablonski, também do Inpe, concorda. “No livros, isto é, em papel, normalmente entendemos o sistema solar como planificado, o que não é verdade. É interessante levar ao grande público a visualização tridimensional das órbitas”, diz.
Melhoramentos estão a caminho. Nos próximos meses, a equipe da Nasa pretende incrementar a ferramenta incluindo missões a Marte, Júpiter e Saturno, além de possibilitar a observação de alguns exoplanetas (que estão fora do sistema solar).
De acordo com Hussey, a maior dificuldade até agora tem sido manter a interface simples. “Em um primeiro momento, reconhecemos que os comandos estavam muito complexos. Mas já corrigimos isso. Agora trabalhamos para manter o aplicativo cada vez mais atraente e acessível ao público.”

Henrique KuglerEspecial para a CH On-line/ PR

Biodiversidade

No ano de 2010 comemora-se o Ano Internacional da Biodiversidade.

A biodiversidade é a variedade das formas de vida e dos processos que as relacionam, incluindo todos os organismos vivos, as diferenças genéticas entre eles e as comunidades e ecossistemas em que ocorrem.
A Torre do Tombo associa-se a esta comemoração apresentando alguns documentos.
Veja a descrição destes documentos:
 
Abutre e andorinha. Portugal, Torre do Tombo, Livro das Aves. 1184. Ordem de Cister, Mosteiro de Lorvão, códice 5.
 
Três cisnes. Portugal, Torre do Tombo, Ministério do Reino, Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos, n.º 74
  
Pormenor e Carta náutica de João Teixeira Albernaz I. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Cartográfica, n.º 198.

Da Barra da Bertioga á Ilha dos Búzios e enseada da Ubatuba, in Descrição de todo o marítimo da terra de Santa Cruz chamado vulgarmente o Brasil, {21v-22}. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Cartográfica, n.º 162.
Descubra mais na Torre do Tombo…
  • Hienas no Jardim Zoológico. 1938-03-09. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • No Jardim Zoológico. Elefantes. 1938-03-09. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • No Jardim Zoológico. Leões. 1938-03-09. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • No Jardim Zoológico. Ursos. 1938-03-09. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • Hienas no Jardim Zoológico. 1938-03-09. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • A ilha dos ursos no Jardim Zoológico. 1935-11-08. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • Exposição de flores na estufa fria do parque Eduardo VII [...]. 1931-10-26. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • Vários exemplares de periquitos do Jardim Zoológico. 1935-12-10. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal “O Século”, Álbuns fotográficos, n.º 1.
  • Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal. Portugal, Torre do Tombo, Arquivo Burnay, Propriedades, Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal.
  • Acomodação dum estábulo na antiga cavalariça da Tapada da Ajuda.1894/1896. Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Obras Públicas mç. 476.
  • Reparação do chalet de exposições florestais e sua acomodação para o celeiro da Real Tapada da Ajuda. 1894. Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Obras Públicas mç. 480.
  • Construção dum barracão e dois coretos na Tapada da Ajuda onde deve realizar-se a Exposição Agrícola. 1898. Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Obras Públicas mç. 444.
  • D. Afonso V nomeia novamente Pero Martins, morador em Chãs de Regeira de Pontes, Afonso Eanes, morador em Carnide e João Dias, morador em Riba de Aves, para o cargo de guardas do pinhal de Leiria, em substituição de outros, que morreram. 1472-07-27. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Afonso V, liv. 29, fl. 255v.
  • Cartas dos rendimentos do Pinhal de Leiria de 26 Julho a 29 de Novembro de 1800. Portugal, Torre do Tombo, Condes de Linhares mç.18/16.
  • Memória sobre o Pinhal de Leiria, sua produção, fabrico de alcatrão, breu e maneira de melhorar a sua produção. 1806-05-20. Portugal, Torre do Tombo, Condes de Linhares mç. 18/6.
  • Guardas e Couteiros do Pinhal de Leiria.c.a.1723-10-13. Portugal, Torre do Tombo,  Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 15, f.245.
  • Diogo Fernandes, escudeiro e morador na Moreira, termo de Óbidos, é nomeado monteiro-mor das matas reais, do montariado e almoxarifado de Óbidos. 1515-10-22. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 24, fl. 1v.
  • A João Álvares, monteiro real, morador em Vila Pouca, foi dada carta de confirmação de privilégio de monteiro e guardador das matas reais do Botão e Lagares, conforme fora confirmado por carta de D. João II, inserta, e concedido por carta de D. Afonso V, igualmente inserta, dada em Coimbra a 28 de Setembro de 1464. 1496-05-04. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 29, fl. 61v.
  • Aos juízes da vila de Alenquer e a todos os outros oficiais, é participado que Francisco Rodrigues, morador na Atalaia, termo da Aldeia Galega, foi nomeado monteiro e guardador das matas reais da Ota em substituição do pai, Garcia Rodrigues, que faleceu. 1497-04-19. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 30, fl. 108.
  • Projecto de estufas para o Jardim Botânico da Quinta Velha de Queluz. Portugal, Torre do Tombo, Casa Real, Plantas, Almoxarifado de Queluz, pasta 11, n.º 313.
  • Diogo Fernandes, escudeiro e morador na Moreira, termo de Óbidos, é nomeado Monteiro-mor das matas reais, do montariado e almoxarifado de Óbidos. 1515-10-22. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 24, fl. 1v.
  • A João Álvares, monteiro real, morador em Vila Pouca, foi dada carta de confirmação de privilégio de monteiro e guardador das matas reais do Botão e Lagares, conforme fora confirmado por carta de D. João II, inserta, e concedido por carta de D. Afonso V, igualmente inserta, dada em Coimbra a 28 de Setembro de 1464. 1496-05-04. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 29, fl. 61v.
  • Mercê para que as matas do mosteiro de S. Pedro das Águias sejam coutadas como são as reais, sob as penas que se assim guardam. 1510-02-18. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 3, fl. 7v.
  • Aos juízes da vila de Alenquer e a todos os outros oficiais, é participado que Francisco Rodrigues, morador na Atalaia, termo da Aldeia Galega, foi nomeado monteiro e guardador das matas reais da Ota em substituição do pai, Garcia Rodrigues, que faleceu. 1497-04-19. Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 30, fl. 108
  • Antero de Seabra. 1906-1968. As imagens que compõem este arquivo fotográfico registam aspectos das actividades científicas e administrativas em que o Dr. Antero de Seabra esteve envolvido, versando sobre fauna e flora de Portugal e do estrangeiro, aspectos do exterior e do interior do Aquário Vasco da Gama, alfaias agrícolas, embarcações e outros temas congéneres. Portugal, Torre do Tombo, Antero de Seabra.
  • “Colóquio dos simples, e drogas e coisas medicinais da Índia e assim de algumas frutas achadas nela onde se tratam algumas coisas tocantes a medicina prática, e outras coisas boas para saber”, por Garcia de Orta. c. 1563. Portugal, Torre do Tombo, Códices e documentos de proveniência desconhecida, n.º 88.
  • Compensações devidas à Companhia de Moçambique pela posse do Estado de algumas ilhas do Zambeze. 1935-06-24. Portugal, Torre do Tombo, Companhia de Moçambique, nº de ordem 2160, nº 99-AB13.
  • Domínio directo da Companhia de Moçambique sobre terrenos concedidos para aforamento. 1913-05-12. Portugal, Torre do Tombo, Companhia de Moçambique, nº de ordem 2164, nº 325-AF35.
  • Visita dos administradores da Companhia de Moçambique ao Território. Portugal, Torre do Tombo, Companhia de Moçambique, nº de ordem 2164, nº 294-AF4.
  • Arquivo fotográfico da Companhia de Moçambique. 1888/1942. Portugal, Torre do Tombo, Companhia de Moçambique.

… e na Biblioteca da Torre do Tombo 
  • História florestal, aquícola e cinegética: colectânea de documentos existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelarias régias. Dir. e selecção C. M. L. Baeta Neves; transc. e rev. provas Maria Teresa Barbosa Acabado. Lisboa: Direcção Geral do Ordenamento e Gestão de Florestas, 1980-1993. 7 v.. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca SV 8576, 8816, 8843, 8889, 8871.
  • CRAWFORD, Michael H- Antropología biológica de los indios americanos. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 425/94 (5).
  • ALMEIDA, António -Os Bosquímanos de Angola. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 53/95.         
  • PINTO, Maria Leonor Rodrigues – Contribuição para o estudo do fomes annosus. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 09/95
  • Sumário das lições de biologia (1890-1891). Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 181/96.        
  • MARTINS, A. Rita – Fluor dans les eax minéro-médicinales et douces (Le) : (Une nouvelle méthode d’investigation biologique). Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 170/96.
  • RUMPHIUS, Georgius Everhardus. De generale lant-beschrijvinge van het ambonse gouvernement… : de ambonsche lant-beschrijvinge. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca SV 160/01.
  • Studia Bibliológica : Quarterly of Bibliology & Bibliophily, PP 119/96 DEP.
  • The Journal of Biological Chemistry. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca PP 13/03 DEP.
  • Brazilian Archives of Biology and Technology: An International Journal. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca PP 4/06 DEP.
  • ENCONTRO INTERNACIONAL DE EVORA, 1980- Convergência de raças e culturas: biologia e sociologia da mestiçagem. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 1516/06.
  • AREDE, João Domingues – Estudos sobre antiguidades dos povos da Terra de Santa Maria da Feira e etnologia e etiologia da região do Caramulo. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca Canedo 10473.
  • BOCQUET, J. P. – Anthropologie et Histoire : un essai de reconstitution de la variation biologique de la population portugaise au XIXe siécle. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca SV 9474.
  • DINIS, Almáquio – As formações naturaes na philosophia biologica. Classificação nova dos deliquentes. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca SEC 4.
  • MUSEU DO DUNDO, (Lunda) – Subsídios para o estudo da Biologia na Lunda. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca SEC 589.
  • BANUELOS, M.- Problemas de mi tiempo y de mi pátria. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca SEC 776 (1-3).
  • Revista Biosofia. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca PP 14/02 DEP.
  • La biométrie débarque dans notre quotidien. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca PP 9/92.
  • LEMOINE, Philippe - “Les nombreuses questions que soulève la biométrie ne sont pas toutes posées”. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca PP 9/92.
  • GOMES, Mário de Azevedo – Monografia do Parque da Pena: estudo dendrológico florestal. Lisboa: [S.n.], 1960. 341 p.. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 899/95.
  • GOMES, António M. de Azevedo – Amostragem. Lisboa: Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, 1961. 36 p. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 600/95.
  • GOMES, António Manuel de Azevedo – Pinhais jardinados: algumas considerações teóricas. Lisboa: Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, 1958. 53 p. Portugal, Torre do Tombo, Biblioteca 584/95.

Memórias da inquisição

Historiadora da Uerj estuda cotidiano dos presos pelo Tribunal do Santo Ofício português do século 16 ao 18. A partir de documentos da época, ela descreve a tensão nos cárceres em más condições, onde os condenados eram espionados.
Por: Saulo Pereira Guimarães
Publicado em 02/08/2011 | Atualizado em 02/08/2011
Memórias da inquisição
Julgamento de Froilán Díaz, confessor de Carlos II, perseguido por realizar exorcismo para libertar o rei espanhol de suposto feitiço. Um dos raros casos de absolvição nos Tribunais do Santo Ofício ibérico. (imagem: Flickr/ El Bibliomata – CC BY 2.0) 
 
Os descaminhos da fé levaram às trevas da inquisição. A instituição criada pela Igreja Católica condenou milhares de pessoas durante séculos em nome da intolerância religiosa. Desse período, restaram vestígios importantes para aqueles que desejam compreender melhor o tema.
Foi com base em alguns desses resquícios, mais precisamente em cartas, processos e relatórios, que a historiadora Daniela Buono Calainho, da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), estudou a vida de prisioneiros nos cárceres do Tribunal do Santo Ofício português.
A partir de uma análise detalhada do material, consultando principalmente o Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa – que recentemente disponibilizou parte de seu acervo em formato digital – Calainho vem analisando o cotidiano dos presos – marcado por tortura, espionagem e más condições.
“Inquisidores se reportavam ao inquisidor-geral reclamando de problemas como vazamento de água e pedindo verbas para manutenção das prisões”
Alguns relatos encontrados dão conta, por exemplo, do mau estado das cadeias. “Inquisidores se reportavam ao inquisidor-geral reclamando de problemas como vazamento de água e pedindo verbas para manutenção das prisões”, afirma a pesquisadora.
Nesses ambientes deteriorados, a espionagem era constante. Os processos da época incluem descrições detalhadas do dia a dia dos presos feitas pelos chamados ‘familiares’, funcionários cujas responsabilidades incluíam buscar incorreções na rotina da prisão.
“Existiam orifícios nas celas pelos quais eles vigiavam a vida dos encarcerados”, conta Calainho. Além disso, acrescenta, havia vigilância por parte dos próprios colegas presos. Segundo a historiadora, era comum que eles revelassem condutas inadequadas de seus companheiros, os quais eram por vezes torturados em sessões de inquirição.

De rezas à morte na fogueira

A tortura não era totalmente desmedida, lembra Calainho, sendo sempre acompanhada por médicos. “Eles eram responsáveis por resguardar a vida do torturado, medindo sua resistência”, afirma.
Os médicos também cuidavam da liberação dos condenados a trabalhos forçados que, por razões físicas, ficavam incapacitados de seguir cumprindo a pena. Àqueles que não tinham a mesma sorte, restavam os veredictos implacáveis.
“As condenações iam de penas espirituais, como orações, até a morte na fogueira”
Absolvições eram raras. “As condenações iam de penas espirituais, como orações, até a morte na fogueira”, afirma a historiadora, destacando que o segundo castigo era reservado apenas aos hereges mais graves.
A pena capital – a morte na fogueira – era executada ao final das procissões nas quais os condenados desfilavam. Em Lisboa, os Autos da Fé, como eram chamadas essas cerimônias, aconteciam na atual Praça do Comércio. No entanto, penas espirituais, cárcere perpétuo e trabalhos forçados eram sentenças mais comuns.
Auto de Fé em Lisboa
Auto de Fé em Lisboa. Durante a inquisição, as penas capitais eram executadas nesses grandes eventos em praça pública. (obra reproduzida do livro 'Historia Completa das Inquisições de Italia, Hespanha, e Portugal', de Joseph Lavallée, 1821)
Geralmente associada à Idade Média, a Inquisição foi criada em Roma em 1231 e depois controlada pelos frades dominicanos. Sua versão ibérica – objeto de pesquisa de Calainho – data do século 15. “Os tribunais ibéricos focavam na perseguição aos cristãos-novos, judeus convertidos ao cristianismo suspeitos de manterem suas antigas crenças”, descreve.

A historiadora pesquisa o tema desde o início da década de 1990, quando estava no mestrado, defendido na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na época, debruçou-se sobre a figura do ‘familiar’ na inquisição portuguesa. Já no doutorado, optou por outro enfoque: a perseguição à religiosidade africana pelos Tribunais do Santo Ofício lusitanos.
Os trabalhos resultaram na publicação de dois livros: Os agentes da fé: Familiares da Inquisição portuguesa no Brasil colonial (Edusp, 2006) e Metrópole das mandingas: religiosidade negra e Inquisição portuguesa no Antigo Regime (Garamond, 2008). Os próximos planos incluem a publicação de outro livro com o material analisado sobre os cárceres inquisitoriais.

Saulo Pereira GuimarãesCiência Hoje On-line

Suspiro espacial

Astrônomos encontram moléculas de oxigênio, o gás que respiramos na Terra, no espaço e partem em busca de mais. Eles supõem a presença de muitas outras escondidas em grãos de poeira congelados pelo universo.
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 03/08/2011 | Atualizado em 03/08/2011
Suspiro espacial
Astrônomos encontraram moléculas de oxigênio na região da Nebulosa de Orion. Embora átomos de oxigênio sejam comuns no universo, a presença da molécula (com dois átomos do elemento) nunca havia sido confirmada. (imagem: ESA-Nasa-JPL-Caltech)
Após anos de procura, cientistas das agências espaciais europeia (ESA) e dos Estados Unidos (Nasa) respiram aliviados. Eles encontraram moléculas de oxigênio (O2) em pleno espaço, há cerca de 1.500 anos-luz da Terra, mais precisamente na formação estelar da nebulosa de Orion – a mesma que abriga as estrelas popularmente conhecidas como “três marias”.
A descoberta, possibilitada pelo uso de um telescópio com detecção de raios infravermelhos do Observatório Espacial de Hershel, na Inglaterra, foi publicada no Astrophysical Journal. Pela análise dos comprimentos de onda vindos dessa região do espaço, os pesquisadores identificaram três focos do gás.
O líder da pesquisa, o astrônomo Paul Goldsmith, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, conta que átomos isolados de oxigênio são comuns no espaço, principalmente em regiões mais quentes, por exemplo, ao redor de estrelas de muita massa.

A novidade é encontrar moléculas de oxigênio, as mesmas que respiramos na Terra, formadas pela junção de dois átomos do elemento. “O gás oxigênio foi descoberto há mais de 200 anos e só agora pudemos confirmar que essa molécula tão simples existe também no espaço!”, diz Goldsmith sem esconder o entusiasmo.
A novidade é encontrar moléculas de oxigênio,  formadas pela junção de dois átomos do elemento
Em 2007, um grupo de pesquisadores já havia detectado a presença de oxigênio molecular na constelação Ophiuchus com o satélite sueco Odin, mas a observação não pôde ser confirmada. A nova pesquisa, no entanto, traz dados mais concretos e mostra que na região observada há uma parte de molécula de oxigênio (O2) para cada um milhão de moléculas de hidrogênio (H2).
Goldsmith ressalta que essa quantidade é muito aquém da esperada e que não deve ser vista como evidência de vida fora da Terra. “Embora o oxigênio molecular seja o que os humanos e a maioria dos animais respiram, não acho que sua detecção esteja ligada a alguma forma de vida extraterrestre”, afirma.

Da poeira estelar
Os cientistas supõem que o oxigênio encontrado tenha se originado de grãos de poeira congelados. Ao se aproximarem da luz de estrelas novas e mais quentes, esses grãos teriam evaporado, liberando vapor d’água, que teria sido então processado e gerado as moléculas do gás.

Oxigênio no espaço
A análise dos raios infravermelhos revelou três espectros diferentes de oxigênio. (imagem: ESA-Nasa-JPL-Caltech)
Goldsmith conta que essa teoria já era cogitada antes da descoberta e que por isso mesmo ele e sua equipe resolveram procurar pelo oxigênio na região de Orion, onde existem muitas estrelas novas e quentes.  “Sabíamos que a região havia sido atingida por uma onda de calor, possivelmente de uma estrela nova, o que resultaria em altas temperaturas e no derretimento dos grãos de poeira”, afirma.

O astrônomo acredita que exista muito mais oxigênio em outras regiões do espaço escondido nos grãos de poeira congelados e pretende continuar as observações em busca dessas moléculas.
Ele defende que, a partir de agora, a presença das moléculas de oxigênio próximas às estrelas novas deve ser incluída nos modelos estelares e no estudo da formação de novas estrelas.
“Nossa descoberta sugere que a região em torno de estrelas novas pode ser diferente dos demais pontos da galáxia e isso pode afetar a formação de novas estrelas que venham surgir na região”, afirma.

Sofia MoutinhoCiência Hoje On-line

Segredos ocultos em ossos fossilizados

O estudo detalhado da estrutura dos tecidos ósseos de fósseis pode ajudar paleontólogos a compreender como organismos extintos funcionavam. Em sua coluna de julho, Alexander Kellner traça um panorama dessa área de pesquisa. 
 
Por: Alexander Kellner
Publicado em 08/07/2011 | Atualizado em 08/07/2011
Segredos ocultos em ossos fossilizados
Osso fossilizado de dinossauro não identificado. (foto: Flickr/ cobalt123 – CC BY-NC-SA 2.0)
Todos sabem da dificuldade de se estudar animais extintos, particularmente aqueles que não deixaram descendentes.
Muitas das principais perguntas sobre feras como dinossauros, pterossauros (répteis voadores) e ictiossauros (répteis marinhos) – para citar apenas alguns dos grupos mais fascinantes que fazem parte do passado geológico do nosso planeta – estão relacionadas com aspectos de sua vida. Como cresciam e viviam? Eram velozes ou lentos? Os pais cuidavam dos filhotes ou estes eram independentes e pouco tempo depois do seu nascimento já andavam pelo ambiente em busca de alimento?

Na maioria das vezes, questões relacionadas aos aspectos da vida dos animais que fizeram parte do passado geológico do nosso planeta não têm resposta
Na maioria das vezes, esse tipo de indagação, que reina no imaginário das pessoas, não tem resposta. Também pudera: o que o cientista tem em suas mãos, quando falamos de vertebrados fósseis, é um punhado de ossos!

Se a pesquisa desse tipo de material já é difícil pelo fato de ele ser incompleto e desprovido de indícios sobre a morfologia externa da espécie que representa, imaginem quando falamos em aspectos que, de forma geral, poderiam revelar o seu comportamento!
Justamente por se tratarem de ossos, pesquisadores resolveram aplicar uma metodologia não muito usual em um esforço para entender um pouco mais sobre esses vertebrados extintos: a confecção de lâminas delgadas desse material para estudos histológicos – ou paleohistológicos, já que estamos falando de fósseis.
Estudos histológicos procuram entender a anatomia microscópica dos tecidos biológicos. Para tal, são confeccionadas lâminas histológicas onde pedaços do tecido dos organismos são retirados, montados sobre uma placa de vidro e examinados com auxílio de microscópios.

Quando falamos de vertebrados recentes, existe toda uma série de tecidos que podem ser estudados, incluindo músculos e partes de órgãos como coração e pulmão. Em se tratando de vertebrados fósseis, com raras exceções, esse tipo de abordagem fica limitado aos ossos.

Especificidade dos ossos

Os ossos são os elementos de sustentação de um vertebrado. São compostos por um tecido conjuntivo que foi endurecido pela deposição de cálcio e fosfato, que formam o componente mineral dos ossos, chamado hidroxiapatita. Existe nos ossos também matéria orgânica formada por fibras, sobretudo de colágeno, além de vasos sanguíneos.
Nos fósseis, há a perda da matéria orgânica, restando apenas a parte rígida do esqueleto, justamente a hidroxiapatita. Muitas vezes, os poros dos ossos fossilizados são impregnados por outros elementos, como o ferro, devido a um processo chamado de permineralização, que torna o material ainda mais duro.
Os ossos de um ser vivo estão em constante remodelação.
 
Um fator importante é que os ossos de um ser vivo estão em constante remodelação. A deposição do material que forma os ossos é realizada por células denominadas osteoblastos, que são ligados entre si.
À medida que a matriz óssea é depositada, os osteoblastos ficam aprisionados em espaços chamados de lacuna e transformam-se nos osteócitos, que são ligados por pequenos canais (os canalículos), por onde passam os elementos nutritivos necessários para as células ósseas.

Forma-se, assim, o sistema harvesiano, que basicamente consiste em camadas concêntricas (denominadas de lamelas) onde estão os osteócitos ao redor de um vaso sanguíneo.
Enquanto o osso envelhece, partes são danificadas devido a processos diversos. Para evitar que haja o comprometimento de toda a estrutura, entram em ação os osteoclastos – células que ‘destroem’ as regiões envelhecidas ou danificadas dos ossos.

Assim, em um processo denominado remodelação, ocorre a contínua deposição (pelos osteoblastos) e absorção (pelos osteoclastos) da matriz óssea.
Esse mecanismo gera duas diferentes áreas: o osso compacto e o osso esponjoso. A parte mais externa do osso é formada pelo periósteo e a mais interna, por trabéculas, que envolvem a cavidade medular.
Estrutura do osso
O esquema mostra a estrutura básica de um osso. (imagem: reprodução)
As relações entre essas diferentes regiões do osso, como também as suas características histológicas, dependem de vários fatores, incluindo o metabolismo e as condições de alimentação do animal.
Assim, os pesquisadores acreditam que o exame das seções paleohistológicas pode elucidar algumas questões a respeito do que determinado indivíduo passou durante a vida.

Resultados concretos

A maior parte das pesquisas paleohistológicas é focada nos dinossauros. Alguns poucos estudos também têm sido realizados em pterossauros e outros animais.
Em alguns dinossauros carnívoros e em pterossauros de grande porte, a região externa dos ossos é bastante vascularizada, o que sugere crescimento rápido na fase jovem
Com base em estudos paleohistológicos, cientistas puderam determinar que, em alguns dinossauros carnívoros e em pterossauros de grande porte, a região externa dos ossos é bastante vascularizada, o que sugere um crescimento rápido na fase jovem e acentuada diminuição desse processo na fase adulta. Trata-se de animais com um metabolismo endotérmico, isto é, podiam controlar a temperatura do seu corpo.
Esse padrão é tipicamente encontrado nas aves atuais, que comumente têm seu crescimento descrito como limitado – chegam rapidamente ao tamanho adulto e depois praticamente deixam de crescer.
Por outro lado, pode-se verificar que, em outras espécies de dinossauros, os ossos são pouco vascularizados e existem linhas, dispostas de maneira mais cíclica, que sugerem interrupção no crescimento.

Esse tipo de característica histológica foi encontrada em saurópodes (grupo de dinossauros herbívoros que reúne algumas das maiores criaturas que já caminharam sobre a Terra) e é comum nos répteis ditos tradicionais, aos quais se atribui um crescimento contínuo, como é o caso dos jacarés.
Esses animais têm metabolismo ectotérmico, o que significa que eram mais dependentes do meio ambiente no que diz respeito ao controle da temperatura do seu corpo.
Em outras situações, tem-se um espectro mais confuso. Alguns dinossauros, como os prossaurópodes, possuem padrão histológico mais complexo: semelhante aos das aves na fase jovem e mais parecido com o dos répteis tradicionais na fase adulta.
Seções histológicas de Plateosaurus engelhardti
Seções histológicas de fósseis do dinossauro prossaurópode ‘Plateosaurus engelhardti’. A do fêmur (à esquerda) apresenta estrutura fibrolaminar e muita vascularização, padrão consistente com a noção de crescimento rápido (e alto metabolismo) nesse dinossauro. À direita, lâmina histológica de um úmero da mesma espécie, apresentando pouca vascularização e linhas de interrupção de crescimento, o que condiz com formas de baixo metabolismo. Escala equivalente a 1 milímetro. (fotos: Martin Sander/ Science).

Futuro promissor, mas com obstáculos

Os estudos paleohistológicos demonstraram grande potencial para elucidar algumas questões relacionadas aos vertebrados fósseis.
Alguns pesquisadores inclusive já se especializaram no assunto. Entre eles, destacam-se Anusuya Chinsamy, do Museu da África do Sul, na cidade do Cabo, que realizou pesquisas com diversos dinossauros; Kevin Padian, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e Armand de Ricqlès, da Universidade de Paris, na França, que se preocuparam com os pterossauros.
Seção histológica de Coelophysis
Seção histológica de um dinossauro carnívoro do gênero ‘Coelophysis’. Note que o osso é bem vascularizado e possui linhas de interrupção de crescimento. (foto: Kevin Padian).
Merece destaque também Martin Sander, da Universidade de Bonn, na Alemanha, que coordena um grupo – financiado por alguns milhões de Euros – que realiza esse tipo de pesquisa particularmente focado em dinossauros saurópodes.
No Brasil, essa área de pesquisa ainda é bastante incipiente. Talvez o maior destaque caiba a Juliana Sayão, da Universidade Federal de Pernambuco, campus de Santo Antão, que realiza pesquisas paleohistológicas em pterossauros.

Apesar da contribuição desse tipo de estudo para a obtenção de informações preciosas sobre animais extintos, existe um lado problemático: essa pesquisa é destrutiva. É preciso literalmente serrar parte do esqueleto para a confecção das lâminas.

Por isso, pode-se imaginar a resistência de muitos curadores em permitir que parte de seus preciosos – e muitas vezes únicos – exemplares fósseis seja utilizada nesse tipo de pesquisa.
Como dizem em certa novela exibida atualmente e cuja protagonista é uma paleontóloga: é osso!

Alexander Kellner
Museu Nacional/UFRJ
Academia Brasileira de Ciências

Herança química

05/08/2011
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Nas civilizações antigas são encontrados os primeiros relatos da utilização de plantas para a elaboração de perfumes, medicamentos e outros produtos para fins cosméticos, de alimentação, religioso e funerário, entre outros.
Hoje, com os avanços em pesquisa e desenvolvimento de novos processos para obtenção de substâncias químicas naturais e sintéticas, as indústrias continuam descobrindo novos compostos a partir de muitas das plantas descritas há séculos.

São compostos como terpenos, alcaloides e flavonoides, para utilização in natura ou para o desenvolvimento de novos aromas e fragrâncias, fármacos e outros produtos.
A avaliação foi feita pelos palestrantes do quinto encontro do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química – 2011, que teve como tema “A química doce, amarga e perfumada”, realizado em 3 de agosto no auditório da FAPESP.

De acordo com a professora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cláudia Rezende, que abriu o ciclo de conferências e abordou a “química perfumada”, os primeiros relatos conhecidos sobre a aplicação de aromas na Antiguidade vêm do Egito, onde nos templos existiam laboratórios para produção de unguentos e incensos.

“Apesar de, na época, ainda não existir o processo de destilação, os egípcios produziam um composto macerado, chamado kyphi, à base de ingredientes como menta, açafrão, zimbro, vinho, mel, resina, passas e mirra, que era a receita tanto de um incenso quanto de um perfume e um medicamento”, disse.
Um dos produtos derivados de uma das plantas que compõem esse composto, a Mentha arvensis L., que está sendo alvo de muitas pesquisas na atualidade, é o mentol.
Como o composto orgânico obtido da extração do óleo da planta e de outros óleos essenciais tem alguns efeitos indesejáveis nos produtos em que é aplicado – como odor intenso, gosto amargo e irritar os olhos –, as indústrias fabricantes de aromas e fragrâncias começaram a buscar nos últimos anos novos agentes refrescantes por diferentes rotas para substituí-lo.
Uma das abordagens, segundo Rezende, tem sido a avaliação da refrescância da série de isômeros do mentol, compostos com a mesma fórmula molecular, mas com arranjos atômicos diferentes. Outra alternativa são estudos para o desenvolvimento de mentol sob condições de liberação controlada em fumo. E a terceira via é o desenvolvimento de novas moléculas baseadas em estudos de estrutura e atividade do composto.
“Nos últimos anos, algumas empresas conseguiram sintetizar derivados do mentol, com maior refrescância e sem os efeitos negativos que ele possui, abrindo novas perspectivas para a aplicação do ingrediente”, disse a pesquisadora.
Amarga e doce
Outra substância obtida de planta com relatos de sua utilização na Antiguidade e que derivou uma série de compostos existentes atualmente é o ópio.
Conhecido como a primeira descrição de um sabor amargo na história dos sabores, a partir do composto foi obtido uma série de alcaloides –substâncias básicas derivadas principalmente de plantas –, em grande parte com sabor amargo e com aplicações em setores como a indústria farmacêutica.
“O ópio está presente em várias fases da história. Ele tem não só a morfina, como a codeína, que foi utilizada até os anos 1980 em xarope no Brasil, além da copadeína, da demaína e da heroína. Ele tem cerca de 23 alcaloides”, disse o professor Ângelo da Cunha Pinto, do Instituto de Química da URFRJ, que abordou no evento a “química amarga”.
Outra substância também derivada de um produto natural bem menos amargo do que o ópio tem o Brasil como maior produtor mundial: a cana-de-açúcar. E o país deveria se empenhar em transformá-la em outros produtos, além dos atuais, disse Vitor Ferreira, professor do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“Precisamos investir em pesquisa para desenvolver novas moléculas a partir da sacarose. O Brasil produz quase 5 milhões de toneladas desse dissacarídeo e usa uma parte muito pequena desse volume para produzir outros produtos que não o etanol”, disse.
Segundo Ferreira, alguns dos produtos de química fina nos quais a sacarose pode ser transformada são o ácido cítrico, acetona, butanol e ácido fumárico. “A sacarose é tão importante na química dos carboidratos que tem um nome especial: a sucroquímica, que é a química da sacarose”, disse.
Próximo evento
O próximo evento no Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011, com o tema “Doenças negligenciadas e os desafios no desenvolvimento de novos medicamentos”, será realizado no dia 14 de setembro, a partir das 13h30, no auditório da FAPESP.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, o evento integra as comemorações oficiais do Ano Internacional da Química, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês).

O ciclo é coordenado por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comitê nacional de atividades do AIQ-2011 da SBQ, e por Mariluce Moura, diretora de redação da revista.
Mais informações: www.fapesp.br/eventos/aiq