sábado, 7 de maio de 2016

Rinocerontes Negro e Branco...você sabe onde está a diferença?

Com certeza você já visitou algum zoológico e viu aquele animal lindo e enorme que parece vestir uma armadura, não é mesmo? Mas você sabia que existem 5 diferentes espécies de rinoceronte?

As espécies:

Rinoceronte-branco (Ceratotherium simum).
Rinoceronte-negro (Diceros bicornis).
Rinoceronte-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis).
Rinoceronte-de-java (Rhinoceros sondaicus).
Rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) 

Um é preto e outro é branco! Mas isto não é verdade!

Na realidade a história da "cor" é simplesmente um mal entendido. Os holandeses chamavam os rinocerontes de "Weid mond rhino", que significa "Rinoceronte de boca larga", mas os Ingleses traduziram esse nome para "White", por isso que hoje em dia chamamos, erroneamente, de rinoceronte-branco.


  Hora de conhecer as reais diferenças:

A primeira característica que é facilmente visualizada é o formato dos lábios.
Outras características:

Rinoceronte-negro:
  • São menores que os brancos. Um macho adulto pode pesar por volta de 1000kg.
  • Seus lábios pontudos servem para ajudá-lo a se alimentar de arbustos e árvores.
  • Geralmente encontrados em locais com vegetação densa!
  • Mais agressivo e temperamental que o rinoceronte-branco.
  • Animais solitários.

Rinoceronte-branco:
  • São maiores que os negros. Um macho adulto pode pesar por volta de 2500kg.
  • Com a sua boca larga ele consegue se alimentar de grande quantidade de grama.
  • Geralmente encontrados em locais abertos (planícies).
  • Eles possuem uma corcunda logo acima dos ombros, assim como uma dobra de pele nos cotovelos.
  • Animais sociáveis. É comum encontrar grupos de 10-15 rinocerontes.

10 animais híbridos incríveis que existem de verdade

Por Marcus V. Cabral

Parece história de ficção científica: cruzar um golfinho com uma baleia ou um leão com um tigre e ver o que vai dar. Mas é a realidade. Existem várias espécies que foram cruzadas com outras por cientistas ou criadores, o que fez surgir bichos bem diferentes. A maioria desses animais não consegue se reproduzir ou tem problemas para sobreviver, mas alguns deles acabam se revelando mais fortes, dóceis ou sociáveis do que os originais. Conheça 10 desses animais híbridos que existem hoje.

10. Ligre ou Tigreão 
Liger-animais-hibridos
Sabe o que acontece quando você cruza um leão com uma tigresa? O maior felino do mundo. Os Ligres podem ter até 4 metros de comprimento e pesam perto de 1 tonelada, o dobro de um leão. O tamanho gigante pode vir dos hormônios de crescimento dos pais, que se combinam sem controle. O primo do Ligre é o Tigron, cuja mãe é uma leoa e o pai um tigre. Ao contrário do seu primo híbrido, eles são consideravelmente menores que seus pais. As fêmeas Ligre e Tigreão são férteis, o que possibilita a criação de uma terceira espécie de híbridos cruzando as fêmeas de espécies misturadas com leões ou tigres. Bizarro.

9. Cama ou Rama
camas
Certo dia, em Dubai, alguém teve a ideia de cruzar dois animais que nunca se viram antes: um camelo (nativo do norte da África e Ásia) e uma lhama sul-americana, espécies de animais que têm um ancestral comum, há 30 milhões de anos. O resultado foi a Cama, um bicho menor que seus parentes, com o temperamento mais agressivo dos camelos, mas sem a corcova.

8. Wholphin
Baby_wolphin_by_pinhole
O Wholphin é a junção de um golfinho com uma falsa-orca, que é relativamente bem menor do que outros exemplares da espécie protagonista do filme Free Willy. O Wholphin tem características intermediárias entre o pai e a mãe, e é fértil.

7. Zebralo
Zebroid
O Zebralo ou Zégua é fruto do cruzamento de cavalos e zebras. A junção desses dois equinos não surgiu somente de manipulação, ela também acontece no meio natural. O Zebralo é uma espécie de cavalo mais forte, com listras em algumas partes do corpo, como as pernas ou a traseira.

6. Gato Savannah
savannah cat
O Gato Savannah é uma mistura de gato doméstico comum com o Serval, um felino africano selvagem. O cruzamento gerou um gato diferente, com orelhas grandes e marcas nos pelos. Além disso, o  gato geneticamente manipulado pode pesar até 14 quilos e chega a ter 1 metro de comprimento. Todo esse tamanho vem junto com um comportamento dócil e amigável. Quem quiser ter um Gato Savannah como bicho de estimação tem que desembolsar cerca de 40 mil reais.

5. Urso Grolar
Bear_Alaska_(2)
O Urso Grolar, mistura entre o urso polar e o urso marrom, é um tipo de híbrido que pode ser encontrado na natureza. Eles têm características genéticas semelhantes, mas vivem em habitat naturais distantes. Acontece que, com o derretimento do Ártico, os ursos polares estão migrando para o território dos ursos marrons e o resultado disso é que as espécies passaram a cruzar entre si.

4. Beefalo
Zubron
Coitado do Beefalo, até seu nome já diz que ele foi criado para ser um produto (beef = bife). O Beefalo é uma mistura do gado comum com o búfalo. A ideia de cruzar os animais foi para conseguir um animal mais resistente. O resultado deu certo, além da resistência ao frio e calor, o Beefalo também tem teores mais baixos de gordura e colesterol.

3. Mula
Mula_pastando_em_Itaunas
A Mula, cruzamento do jumento com a égua, é o híbrido mais famoso que existe. O animal é comum em fazendas, porque vive mais e é mais obediente do que os cavalos, e também é mais inteligente e rápido do que os jumentos.

2. Javaporco
javaporco
A mistura das espécies do javali e do porco foi feita com o mesmo objetivo do beefalo, melhorar a qualidade da carne do animal para consumo. O problema é que o resultado, o javaporco, é super reprodutivo: a fêmea é capaz de dar à luz a 10 filhotes de uma vez só. E quando chega na fase adulta, o bicho chega a pesar 100kg. Isso virou um problemão, porque os javaporcos só andam em bando e não tem predador natural. Com isso passaram a destruir tudo o que está a sua volta, incluindo áreas de plantações. Em 2013, o Ibama autorizou o abate desses animais, para controlar a população em crescimento desenfreado.

1. Peixe-papagaio-vermelho
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O peixe papagaio-vermelho surgiu do cruzamento do peixe papagaio com o peixe dourado e é um exemplo de como criar animais híbridos pode ser muito cruel. O peixe Papagaio-Vermelho possui deformações na boca, que é muito pequena e, com isso, ele tem dificuldades para se alimentar. Mesmo assim, ele continua sendo produzido, porque a combinação de cores fica bonita e acaba atraindo compradores.

Six new fossil species form 'snapshot' of primates stressed by ancient climate change

May 5, 2016
A left lower jaw of Yunnanadapis folivorus, one of six new fossil species found in southern China. Credit: University of Kansas
In a study to be published this week in the journal Science, researchers describe unearthing a "mother lode" of a half-dozen fossil primate species in southern China. 


These primates eked out an existence just after the Eocene-Oligocene transition, some 34 million years ago. It was a time when drastic cooling made much of Asia inhospitable to primates, slashing their populations and rendering discoveries of such fossils especially rare. 
 
"At the Eocene-Oligocene boundary, because of the rearrangement of Earth's major tectonic plates, you had a rapid drop in temperature and humidity," said K. Christopher Beard, senior curator at the University of Kansas' Biodiversity Institute and co-author of the report. "Primates like it warm and wet, so they faced hard times around the world—to the extent that they went extinct in North America and Europe. Of course, primates somehow survived in Africa and Southern Asia, because we're still around to talk about it." 

Because anthropoid primates—the forerunners of living monkeys, apes and humans— first appeared in Asia, understanding their fate on that continent is key to grasping the arc of early primate and human evolution.
"This has always been an enigma," Beard said. "We had a lot of evidence previously that the earliest anthropoids originated in Asia. At some point, later in the Eocene, these Asian anthropoids got to Africa and started to diversify there. At some point, the geographic focal point of anthropoid evolution—monkeys, apes and humans—shifted from Asia to Africa. But we never understood when and why. Now, we know. The Eocene-Oligocene climate crisis virtually wiped out Asian anthropoids, so the only place they could evolve to become later monkeys, apes and humans was Africa."

http://cdn.phys.org/newman/gfx/news/hires/2016/572b0f57c55ed.jpg
The Eocene-Oligocene transition (EOT) functioned as a critical filtering episode during the evolutionary history of primates. Comparing the composition of the early Oligocene primate faunas from Asia reveals that surviving this …more
The paper is the product of a decade's worth of fieldwork at a site in southern China, where the primates likely sought warmer temperatures. Beard and his colleagues Xijun Ni, Qiang Li and Lüzhou Li of the Chinese Academy of Sciences' Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology describe the six new species from jaw and tooth fragments, which survived the ages due to their tough enamel surfaces and serve as "fingerprints" to identify ancient animals.

"The fossil record usually gives you a snapshot here or there of what ancient life was like. You typically don't get a movie," Beard said. "We have so many primates from the Oligocene at this particular site because it was located far enough to the south that it remained warm enough during that cold, dry time that primates could still survive there. They crowded into the limited space that remained available to them."
Like most of today's primates, the KU researcher said the ancient Chinese primates were tropical tree-dwellers. One of the species, which the research team has named Oligotarsius rarus, was "incredibly similar" to the modern tarsier found today only in the Philippine and Indonesian islands.

http://cdn.phys.org/newman/gfx/news/hires/2016/572b0f69caf77.jpg
Credit: Xijun Ni
"If you look back at the fossil record, we know that tarsiers once lived on mainland Asia, as far north as central China," Beard said. "The fossil teeth described in this paper are nearly identical to those of modern tarsiers. Research shows that modern tarsiers are pretty much living fossils—those things have been doing what they do ever since time immemorial, as far as we can tell."

Beard said that if not for the intense global cooling of the Eocene-Oligocene transition, the main stage of primate evolution may have continued to be in Asia, rather than transitioning to Africa where Homo sapiens eventually emerged. Indeed, the team's findings underscore a vulnerability to climate change shared by all primates.
"This is the flip side of what people are worried about now," he said. "The Eocene-Oligocene transition was the opposite of global warming—the whole world was already warm, then it cooled off. It's kind of a mirror image. The point is that primates then, just like primates today, are more sensitive to a changing climate than other mammals." 

More information: "Oligocene primates from China reveal divergence between African and Asian primate evolution," Science, DOI: 10.1126/science.aaf2107
 


Read more at: http://phys.org/news/2016-05-fossil-species-snapshot-primates-stressed.html#jCp

Six new fossil species form 'snapshot' of primates stressed by ancient climate change

May 5, 2016
A left lower jaw of Yunnanadapis folivorus, one of six new fossil species found in southern China. Credit: University of Kansas
In a study to be published this week in the journal Science, researchers describe unearthing a "mother lode" of a half-dozen fossil primate species in southern China.
These primates eked out an existence just after the Eocene-Oligocene transition, some 34 million years ago. It was a time when drastic cooling made much of Asia inhospitable to primates, slashing their populations and rendering discoveries of such fossils especially rare.
"At the Eocene-Oligocene boundary, because of the rearrangement of Earth's major tectonic plates, you had a rapid drop in temperature and humidity," said K. Christopher Beard, senior curator at the University of Kansas' Biodiversity Institute and co-author of the report. "Primates like it warm and wet, so they faced hard times around the world—to the extent that they went extinct in North America and Europe. Of course, primates somehow survived in Africa and Southern Asia, because we're still around to talk about it." Because anthropoid primates—the forerunners of living monkeys, apes and humans— first appeared in Asia, understanding their fate on that continent is key to grasping the arc of early primate and human evolution.
"This has always been an enigma," Beard said. "We had a lot of evidence previously that the earliest anthropoids originated in Asia. At some point, later in the Eocene, these Asian anthropoids got to Africa and started to diversify there. At some point, the geographic focal point of anthropoid evolution—monkeys, apes and humans—shifted from Asia to Africa. But we never understood when and why. Now, we know. The Eocene-Oligocene climate crisis virtually wiped out Asian anthropoids, so the only place they could evolve to become later monkeys, apes and humans was Africa."
The Eocene-Oligocene transition (EOT) functioned as a critical filtering episode during the evolutionary history of primates. Comparing the composition of the early Oligocene primate faunas from Asia reveals that surviving this …more
The paper is the product of a decade's worth of fieldwork at a site in southern China, where the primates likely sought warmer temperatures. Beard and his colleagues Xijun Ni, Qiang Li and Lüzhou Li of the Chinese Academy of Sciences' Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology describe the six new species from jaw and tooth fragments, which survived the ages due to their tough enamel surfaces and serve as "fingerprints" to identify ancient animals.
"The usually gives you a snapshot here or there of what ancient life was like. You typically don't get a movie," Beard said. "We have so many primates from the Oligocene at this particular site because it was located far enough to the south that it remained warm enough during that cold, dry time that primates could still survive there. They crowded into the limited space that remained available to them."
Like most of today's primates, the KU researcher said the ancient Chinese primates were tropical tree-dwellers. One of the species, which the research team has named Oligotarsius rarus, was "incredibly similar" to the modern tarsier found today only in the Philippine and Indonesian islands.
Credit: Xijun Ni
"If you look back at the fossil record, we know that tarsiers once lived on mainland Asia, as far north as central China," Beard said. "The fossil teeth described in this paper are nearly identical to those of modern tarsiers. Research shows that modern tarsiers are pretty much living fossils—those things have been doing what they do ever since time immemorial, as far as we can tell."
Beard said that if not for the intense global cooling of the Eocene-Oligocene transition, the main stage of primate evolution may have continued to be in Asia, rather than transitioning to Africa where Homo sapiens eventually emerged. Indeed, the team's findings underscore a vulnerability to climate change shared by all primates.
"This is the flip side of what people are worried about now," he said. "The Eocene-Oligocene transition was the opposite of global warming—the whole world was already warm, then it cooled off. It's kind of a mirror image. The point is that primates then, just like today, are more sensitive to a changing climate than other mammals."
More information: "Oligocene primates from China reveal divergence between African and Asian primate evolution," Science, DOI: 10.1126/science.aaf2107



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Six new fossil species form 'snapshot' of primates stressed by ancient climate change

May 5, 2016
A left lower jaw of Yunnanadapis folivorus, one of six new fossil species found in southern China. Credit: University of Kansas
In a study to be published this week in the journal Science, researchers describe unearthing a "mother lode" of a half-dozen fossil primate species in southern China.
These primates eked out an existence just after the Eocene-Oligocene transition, some 34 million years ago. It was a time when drastic cooling made much of Asia inhospitable to primates, slashing their populations and rendering discoveries of such fossils especially rare.
"At the Eocene-Oligocene boundary, because of the rearrangement of Earth's major tectonic plates, you had a rapid drop in temperature and humidity," said K. Christopher Beard, senior curator at the University of Kansas' Biodiversity Institute and co-author of the report. "Primates like it warm and wet, so they faced hard times around the world—to the extent that they went extinct in North America and Europe. Of course, primates somehow survived in Africa and Southern Asia, because we're still around to talk about it." Because anthropoid primates—the forerunners of living monkeys, apes and humans— first appeared in Asia, understanding their fate on that continent is key to grasping the arc of early primate and human evolution.
"This has always been an enigma," Beard said. "We had a lot of evidence previously that the earliest anthropoids originated in Asia. At some point, later in the Eocene, these Asian anthropoids got to Africa and started to diversify there. At some point, the geographic focal point of anthropoid evolution—monkeys, apes and humans—shifted from Asia to Africa. But we never understood when and why. Now, we know. The Eocene-Oligocene climate crisis virtually wiped out Asian anthropoids, so the only place they could evolve to become later monkeys, apes and humans was Africa."
The Eocene-Oligocene transition (EOT) functioned as a critical filtering episode during the evolutionary history of primates. Comparing the composition of the early Oligocene primate faunas from Asia reveals that surviving this …more
The paper is the product of a decade's worth of fieldwork at a site in southern China, where the primates likely sought warmer temperatures. Beard and his colleagues Xijun Ni, Qiang Li and Lüzhou Li of the Chinese Academy of Sciences' Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology describe the six new species from jaw and tooth fragments, which survived the ages due to their tough enamel surfaces and serve as "fingerprints" to identify ancient animals.
"The usually gives you a snapshot here or there of what ancient life was like. You typically don't get a movie," Beard said. "We have so many primates from the Oligocene at this particular site because it was located far enough to the south that it remained warm enough during that cold, dry time that primates could still survive there. They crowded into the limited space that remained available to them."
Like most of today's primates, the KU researcher said the ancient Chinese primates were tropical tree-dwellers. One of the species, which the research team has named Oligotarsius rarus, was "incredibly similar" to the modern tarsier found today only in the Philippine and Indonesian islands.
Credit: Xijun Ni
"If you look back at the fossil record, we know that tarsiers once lived on mainland Asia, as far north as central China," Beard said. "The fossil teeth described in this paper are nearly identical to those of modern tarsiers. Research shows that modern tarsiers are pretty much living fossils—those things have been doing what they do ever since time immemorial, as far as we can tell."
Beard said that if not for the intense global cooling of the Eocene-Oligocene transition, the main stage of primate evolution may have continued to be in Asia, rather than transitioning to Africa where Homo sapiens eventually emerged. Indeed, the team's findings underscore a vulnerability to climate change shared by all primates.
"This is the flip side of what people are worried about now," he said. "The Eocene-Oligocene transition was the opposite of global warming—the whole world was already warm, then it cooled off. It's kind of a mirror image. The point is that primates then, just like today, are more sensitive to a changing climate than other mammals."
More information: "Oligocene primates from China reveal divergence between African and Asian primate evolution," Science, DOI: 10.1126/science.aaf2107



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Six new fossil species form 'snapshot' of primates stressed by ancient climate change

May 5, 2016
A left lower jaw of Yunnanadapis folivorus, one of six new fossil species found in southern China. Credit: University of Kansas
In a study to be published this week in the journal Science, researchers describe unearthing a "mother lode" of a half-dozen fossil primate species in southern China.
These primates eked out an existence just after the Eocene-Oligocene transition, some 34 million years ago. It was a time when drastic cooling made much of Asia inhospitable to primates, slashing their populations and rendering discoveries of such fossils especially rare.
"At the Eocene-Oligocene boundary, because of the rearrangement of Earth's major tectonic plates, you had a rapid drop in temperature and humidity," said K. Christopher Beard, senior curator at the University of Kansas' Biodiversity Institute and co-author of the report. "Primates like it warm and wet, so they faced hard times around the world—to the extent that they went extinct in North America and Europe. Of course, primates somehow survived in Africa and Southern Asia, because we're still around to talk about it." Because anthropoid primates—the forerunners of living monkeys, apes and humans— first appeared in Asia, understanding their fate on that continent is key to grasping the arc of early primate and human evolution.
"This has always been an enigma," Beard said. "We had a lot of evidence previously that the earliest anthropoids originated in Asia. At some point, later in the Eocene, these Asian anthropoids got to Africa and started to diversify there. At some point, the geographic focal point of anthropoid evolution—monkeys, apes and humans—shifted from Asia to Africa. But we never understood when and why. Now, we know. The Eocene-Oligocene climate crisis virtually wiped out Asian anthropoids, so the only place they could evolve to become later monkeys, apes and humans was Africa."
The Eocene-Oligocene transition (EOT) functioned as a critical filtering episode during the evolutionary history of primates. Comparing the composition of the early Oligocene primate faunas from Asia reveals that surviving this …more
The paper is the product of a decade's worth of fieldwork at a site in southern China, where the primates likely sought warmer temperatures. Beard and his colleagues Xijun Ni, Qiang Li and Lüzhou Li of the Chinese Academy of Sciences' Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology describe the six new species from jaw and tooth fragments, which survived the ages due to their tough enamel surfaces and serve as "fingerprints" to identify ancient animals.
"The usually gives you a snapshot here or there of what ancient life was like. You typically don't get a movie," Beard said. "We have so many primates from the Oligocene at this particular site because it was located far enough to the south that it remained warm enough during that cold, dry time that primates could still survive there. They crowded into the limited space that remained available to them."
Like most of today's primates, the KU researcher said the ancient Chinese primates were tropical tree-dwellers. One of the species, which the research team has named Oligotarsius rarus, was "incredibly similar" to the modern tarsier found today only in the Philippine and Indonesian islands.
Credit: Xijun Ni
"If you look back at the fossil record, we know that tarsiers once lived on mainland Asia, as far north as central China," Beard said. "The fossil teeth described in this paper are nearly identical to those of modern tarsiers. Research shows that modern tarsiers are pretty much living fossils—those things have been doing what they do ever since time immemorial, as far as we can tell."
Beard said that if not for the intense global cooling of the Eocene-Oligocene transition, the main stage of primate evolution may have continued to be in Asia, rather than transitioning to Africa where Homo sapiens eventually emerged. Indeed, the team's findings underscore a vulnerability to climate change shared by all primates.
"This is the flip side of what people are worried about now," he said. "The Eocene-Oligocene transition was the opposite of global warming—the whole world was already warm, then it cooled off. It's kind of a mirror image. The point is that primates then, just like today, are more sensitive to a changing climate than other mammals."
More information: "Oligocene primates from China reveal divergence between African and Asian primate evolution," Science, DOI: 10.1126/science.aaf2107



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Mais precisão na datação geológica

Artigo apresenta novo método para definir idade de rochas baseado em isótopos de platina
Por: Fernando Brenha Ribeiro
 
Publicado em 01/11/2005 | Atualizado em 07-05-2016
A idade de meteoritos (como o da imagem, coletado em 1979 na Antártida e identificado como tendo se originado em Marte) poderá ser definida com maior precisão através da análise de um isótopo de platina, método agora aperfeiçoado com a participação de cientistas brasileiros (foto: JPL/Nasa).
Um modelo desenvolvido por pesquisadores brasileiros e italianos deve trazer mais precisão para um recente e promissor método de datação geológica baseado na radiação emitida por certos núcleos do elemento químico platina. Os resultados deverão levar a desdobramentos importantes na determinação das idades de materiais como rochas, minerais e meteoritos. O artigo será publicado em Nuclear Instruments and Methods in Physics Research B .

A determinação da idade de materiais geológicos, como rochas e minerais, bem como daqueles provenientes do sistema solar – por exemplo, meteoritos e rochas lunares trazidos pelas missões do projeto Apollo – é baseada no decaimento de isótopos radioativos de diversos elementos químicos.
 
Os isótopos radioativos são caracterizados por terem núcleos com um excesso de energia que os torna instáveis. Para atingir a estabilidade, esses núcleos desprezam essa energia extra, emitindo radiação eletromagnética (raios gama) ou partículas do tipo alfa (núcleos do elemento químico hélio, ou seja, dois prótons mais dois nêutrons) e beta (elétrons energéticos).
 
O fenômeno pelo qual o núcleo se livra do excesso de energia é denominado decaimento radioativo. Ao decair, com a emissão de partículas, um núcleo sofre modificação em seu número de massa (soma dos prótons e nêutrons) e/ou número atômico (soma dos prótons), transformando-se no núcleo de outro elemento químico.
 
A liberação de energia, no entanto, não ocorre de forma desordenada. Cada núcleo radioativo de um mesmo tipo tem uma probabilidade bem definida de emitir radiação em um intervalo de tempo finito. Essa probabilidade de decaimento pode ser expressa de várias formas. Uma delas é a chamada meia-vida do isótopo radioativo.
 
A meia-vida corresponde ao tempo necessário para que um conjunto contendo inicialmente N o núcleos radioativos de um mesmo tipo tenha sua população reduzida à metade. As meias-vidas dos diferentes isótopos radioativos naturais e artificiais variam por diversas ordens de grandeza. O isótopo do carbono com número de massa 14 ( 14 C) tem, por exemplo, uma meia-vida de 5,7 mil anos, enquanto o isótopo de potássio com número de massa 40 ( 40 K) tem uma meia-vida de 1,275 bilhão de anos.
 
Os isótopos radioativos naturais estão presentes nas rochas e nos minerais em quantidades normalmente muito pequenas e que variam ao longo do tempo à medida que ocorre o decaimento radioativo. Os métodos de determinação de idade fundamentados na radioatividade (ou métodos radiométricos de datação) se baseiam na observação dos efeitos da radioatividade.
 
Alguns desses métodos medem o número de partículas emitidas por unidade de tempo por um elemento radioativo, como o método de datação do 14 C. Outros medem a variação do número de isótopos radioativos e do número dos novos núcleos produzidos pelo seu decaimento ao longo da história do mineral ou da rocha. Um exemplo deste último é o método de datação potássio-argônio (K-Ar). Parte do potássio radioativo ( 40 K) decai, produzindo um núcleo de argônio com número de massa 40. Medindo as quantidades de potássio e de argônio contidos em uma amostra e conhecendo a meia-vida do 40 K, é possível determinar a idade do material.
 
Os diferentes métodos de datação radiométrica podem ser imaginados como relógios usados para marcar o tempo geológico. O pêndulo desse relógio é a meia-vida do isótopo no qual o método se baseia. Se o período do pêndulo é bem conhecido, o passar do tempo é medido com precisão por um relógio. Da mesma forma, se a meia-vida do isótopo é bem conhecida, a idade de uma amostra pode ser determinada com precisão.
 
Recentemente, foi proposto um novo método de datação baseado no decaimento radioativo do isótopo da platina com número de massa 190 ( 190 Pt). Esse isótopo emite uma partícula alfa e se transforma no isótopo do ósmio com número de massa 186. As propriedades químicas da platina e do ósmio permitem considerar o novo método como muito promissor para estudos geocronológicos e geoquímicos realizados em minerais ricos em sulfetos e em alguns tipos de meteoritos.
 
A aplicação do método encontra, no entanto, uma dificuldade fundamental. A meia-vida da 190 Pt não é conhecida com precisão. Diferentes métodos foram usados para determinar essa meia-vida, mas os resultados obtidos até o momento variam entre 240 bilhões e 1 trilhão de anos. O valor adotado atualmente é de 650 bilhões de anos. Meias-vidas assim longas são difíceis de medir, uma vez que o número de decaimentos radioativos que esse isótopo sofre em qualquer intervalo de tempo de observação em laboratório é muito pequeno.
 
Pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), associados a colegas da Universidade de Roma, vêm contribuindo para a obtenção de um valor mais preciso para a meia-vida da 190 Pt. Uma de suas contribuições consiste em uma equação obtida teoricamente para predizer o valor da meia-vida de um isótopo. Um dos parâmetros dessa equação não pode ter seu valor determinado pela teoria que deu origem à equação e deve ser estabelecido a partir de dados experimentais. Por essa razão, o modelo é chamado de semi-empírico.
 
Os autores – os pesquisadores brasileiros Odilon Tavares e Emil Medeiros, do CBPF, e a italiana Maria Letizia Terranova, da Universidade de Roma – usaram valores de meia-vida de outros 18 isótopos da platina, que podem ser descritos pela equação e cuja meia-vida é bem conhecida. Com o parâmetro semi-empírico determinado, a meia-vida da 190 Pt foi calculada em (3,7 ± 0,3) x 10 11 anos, ou seja, 370 bilhões de anos, com um desvio de 30 bilhões de anos para mais ou para menos.
 
Esse valor é comparável com o valor experimental de 320 bilhões de anos – ou seja, (3,2 ± 0,1) x 10 11 – obtido pelos mesmos autores há alguns anos. O resultado é uma contribuição importante para a solução do difícil problema de estabelecer a meia-vida da 190 Pt com a precisão necessária para estudos geocronológicos e geoquímicos.


Fernando Brenha Ribeiro
Departamento de Geofísica,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Impactos visíveis no mar

Poluentes chegam a 200 km ao norte e ao sul da foz do rio Doce, atingem unidades de conservação, alteram equilíbrio ecológico e se acumulam no assoalho marinho
CARLOS FIORAVANTI | ED. 242 | ABRIL 2016
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© GABRIELA BILÓ / ESTADÃO CONTEÚDO
Poluição à vista: os resíduos que vazaram do reservatório de Mariana formam mancha acastanhada na foz do rio Doce
Poluição à vista: os resíduos que vazaram do reservatório de Mariana formam mancha acastanhada na foz do rio Doce.

Em janeiro deste ano, ao sobrevoarem o litoral do Espírito Santo e do sul da Bahia, biólogos, oceanógrafos e técnicos de órgãos ambientais do governo federal reconheceram os borrões escuros na superfície do mar formados pelo acúmulo de resíduos metálicos que vazaram do reservatório da mineradora Samarco em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. A mancha de resíduos, também chamada de pluma, aproximava-se do arquipélago de Abrolhos, uma das principais reservas de vida silvestre marinha da costa brasileira.

Os borrões não eram apenas os indesejados resquícios da extração de minério de ferro de Minas Gerais, mas uma de suas consequências, como se verificou logo depois. Em meio às manchas verde-escuro havia colônias de algas e outros organismos marinhos microscópicos – o fitoplâncton – com dezenas de quilômetros de extensão, muito maiores que as observadas nos anos anteriores, de acordo com as análises de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Outra peculiaridade é que os organismos cresciam e se multiplicavam rapidamente, em decorrência do excesso de ferro dos rejeitos da mineradora de Mariana que se espalham pelo mar a partir da foz do rio Doce, onde chegaram no final de novembro. Desde então, levados continuamente ao mar pelo rio, os resíduos formam uma mancha móvel que oscila ao longo de 200 quilômetros (km) ao norte e ao sul da foz do rio Doce, que alterou o equilíbrio marinho, como indicado pela massa de fitoplâncton, e atingiu pelo menos três unidades de conservação de organismos marinhos.
“As manchas de fitoplâncton são comuns no verão, mas não desse modo”, explica Alex Bastos, professor de oceanografia da Ufes, no final de fevereiro. Análises preliminares indicaram que as colônias de algas são constituídas por organismos que se formam e morrem em poucos dias, mais rapidamente que o habitual. A decomposição acelerada dos organismos consome oxigênio da água do mar, com consequências imprevisíveis sobre as comunidades de organismos marinhos.

Além disso, a diversidade de espécies havia sido reduzida quase à metade. Camilo Dias Júnior, com sua equipe de oceanografia da Ufes, encontrou no máximo 40 espécies de fitoplâncton por amostra analisada; antes da chegada dos resíduos os pesquisadores reconheciam de 50 a 70 espécies. A hipótese dos pesquisadores e técnicos é de que já poderia ter ocorrido uma seleção de variedades mais adaptadas ao excesso de ferro trazido com a descarga dos resíduos no mar.

Nos sobrevoos do litoral do Espírito Santo e da Bahia, Claudio Dupas, coordenador do Núcleo de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental da Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em São Paulo, observou muitos barcos de pesca próximos às manchas de fitoplâncton na foz do rio Doce. Atraídos pela abundância de alimento, o grande número de peixes chamou a atenção dos pescadores.

© GABRIELA BILÓ / ESTADÃO CONTEÚDO
Em Governador Valadares, MG: a lama ocupou o rio Doce em novembro, prejudicando o abastecimento de água para os moradores da cidade
Em Governador Valadares, MG: a lama ocupou o rio Doce em novembro, prejudicando o abastecimento de água para os moradores da cidade.

Com base nas análises preliminares da qualidade de água e na observação do cenário, a equipe do Ibama elaborou um relatório técnico alertando sobre alterações na qualidade da água, prejudicada com a descarga de resíduos no mar. Com base no documento e no princípio da precaução – para evitar que a população seja prejudicada pelo consumo de peixes contaminados –, no dia 22 de fevereiro um juiz federal de Vitória proibiu por tempo indeterminado a pesca na região da foz do rio Doce. “Assim que saiu a decisão do juiz, o superintendente do Ibama em Vitória, Guanadir Gonçalves, pediu-me para fazer um mapa com a delimitação da área de proibição, que foi para a internet e para os celulares dos fiscais em campo no mesmo dia”, diz Dupas.

Desde janeiro os movimentos da mancha de resíduos podem ser acompanhados por meio de mapas gerados pelo Ibama a partir de imagens de satélites no site governancapelodoce.com.br, mantido pela Samarco. Já o site siscom.ibama.gov.br/mariana contém imagens de satélite de alta resolução de antes e depois do incidente, da barragem à foz. Os mapas indicam que os resíduos já chegaram a 50 km ao sul de Vitória, capital do Espírito Santo, e atingiram três unidades de conservação do ambiente marinho, o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas e uma das principais áreas de desova da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), uma faixa de 37 km de praias conhecida como Reserva Biológica Comboios. “Ainda não é possível avaliar o impacto sobre o ambiente, a vida dos organismos marinhos e dos moradores da região”, diz Dupas.
Desde que vazou da barragem de Fundão, em 5 de novembro, até chegar ao mar, a enorme massa de resíduos da extração de minério de ferro causou uma transformação profunda. Destruiu casas e matas às margens do rio Doce, provocando a morte de 18 pessoas e de toneladas de peixes e outros organismos aquáticos. A bióloga Flávia Bottino participou das expedições do Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental (Giaia) ao longo do rio Doce em novembro e observou uma intensa turbidez da água, que dificultava a penetração da luz e a sobrevivência dos organismos. Os biólogos encontraram camarões de água doce que sobreviveram ao desastre, mas os organismos bentônicos, que viviam no fundo do rio, tinham sido soterrados.

Limites incertos 
 
A alta concentração de partículas sólidas que absorvem calor pode ter causado o aumento da temperatura da água para cerca de 30º Celsius. “A água do rio estava quente”, ela notou. As análises das amostras de água coletadas em dezembro ao longo de um trecho de cerca de 800 km do rio, realizadas nas unidades das universidades de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Federal de São Carlos (UFSCar) em São Carlos e Sorocaba, Estadual Paulista (Unesp) em São Vicente, e na de Brasília (UnB), indicaram concentrações elevadas de manganês, ferro, arsênio e chumbo. As chuvas podem agravar a situação ao lavar as margens dos rios, cobertas de resíduos, e transportá-los ao mar.

Por meio de coletas realizadas com o navio Vital de Oliveira Moura, da Marinha, a equipe da Ufes verificou que 25 km a leste da foz do Rio Doce os resíduos formam uma camada de 1 a 2 centímetros sobre a lama do fundo do mar, a 25 metros de profundidade. “Está havendo um acúmulo rápido do rejeito no assoalho marinho”, diz Bastos, da Ufes, com base em coletas realizadas desde novembro, logo após o rompimento da barragem (ver Pesquisa FAPESP no 239). “Nem nas maiores cheias o acúmulo de sedimentos no rio no fundo do mar foi tão alto.”
042-047_Poluentes_242No início de fevereiro, em uma reunião dos pesquisadores da Ufes com representantes do Ibama, Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Bastos comentou que a concentração de ferro no fundo do mar havia aumentado 20 vezes, em comparação com os níveis de antes do acidente, a de alumínio 10 vezes e a de cromo e manganês, cinco. Outro professor da Ufes, Renato Rodrigues Neto, observou que a vazão do rio passou de 300 metros cúbicos por segundo (m³/s), antes do rompimento da barragem, para cerca de 4.000 m³/s, aumentando a quantidade de lama com resíduos metálicos despejada no mar.
As imagens de satélite indicam que os resíduos metálicos podem ter chegado até o arquipélago de Abrolhos no início de janeiro, embora, ressalta Dupas, ainda não seja possível diferenciar os sedimentos vindos do rio Doce, a cerca de 200 km de distância, dos do rio Caravelas, que deságua na região. Segundo ele, os resultados das análises em andamento devem ser anunciados em abril.

Vários estudos em outras áreas marinhas têm indicado que os resíduos industriais podem ir muito além dos lugares onde foram produzidos, misturar-se com os sedimentos do fundo do mar, aflorando se revolvidos por redes de pesca, ou ser absorvidos por organismos marinhos. Uma equipe do Instituto Oceanográfico (IO) da USP identificou metais pesados (chumbo, cobre e zinco) e compostos orgânicos derivados de petróleo produzidos na zona industrial de Santos e do polo industrial de Cubatão, a 15 km do mar, misturados com a lama do assoalho marinho a uma profundidade de 100 metros e a uma distância de 200 km da costa. Não se pensava que a poluição gerada em terra pudesse chegar tão longe.

Condições ambientais 
 
As conclusões ajudam a pensar o que poderia se passar no litoral do Espírito Santo e dos estados vizinhos, à medida que a lama da mineradora se espalha. “Os eventos, a rigor, não têm conexão à primeira vista”, disse Michel Mahiques, professor de oceanografia do IO-USP que coordenou os estudos em Santos. O vazamento da Samarco em Mariana foi um fenômeno agudo, com uma descarga intensa de resíduos, enquanto Santos e outros, como a baía da Guanabara, são casos crônicos, de décadas de liberação contínua de poluentes. “O fato comum”, ele diz, “é que existem porções do fundo marinho nas quais as condições ambientais permitem a deposição de materiais gerados pela atividade humana, ainda que a grandes distâncias”.

Em um estudo anterior no litoral de Santos, seu grupo identificou isótopos de césio 137 originários de explosões atômicas ou de usinas nucleares, nas quais esse tipo de material é gerado. “O césio foi transportado pela atmosfera e aderiu a partículas muito pequenas do fundo do mar”, conta. “Podemos chamar esses casos de teleconexões, em que um evento em um determinado ponto do planeta pode afetar regiões muito distantes.” Segundo ele, os casos clássicos são os acidentes das usinas nucleares de Chernobyl em 1986 e de Fukushima em 2011.
© DANIEL MARENCO / AGÊNCIA O GLOBO
Vila de Mariana devastada pela lama da barragem de Fundão: efeito a mais de 800 km de distância na terra, no rio e no mar
Vila de Mariana devastada pela lama da barragem de Fundão: efeito a mais de 800 km de distância na terra, no rio e no mar.

“Precisamos lançar outro olhar para o potencial de acumulação de material no meio marinho”, comenta Mahiques. Seus estudos indicaram que os poluentes se acumulam principalmente nos cinturões de lama, faixas em geral com 3 a 4 km de largura e dezenas de quilômetros de extensão, na chamada plataforma continental, sobre estruturas antigas de relevo. “Há um efeito a distância. Os sedimentos permanecem em pontos bem distantes da origem. Duzentos quilômetros foi o limite a que chegamos, mas ainda não sabemos se poderiam ir mais longe.” Mahiques argumenta que dois conceitos básicos sobre o funcionamento da plataforma continental deveriam ser revistos. O primeiro é que a quantidade de materiais do continente que chega ao mar seria pequena. O segundo é que os ambientes costeiros retêm a sujeira. “A quantidade não é pequena, nem os estuários são um filtro perfeito dos resíduos gerados no continente.”

Os pesquisadores analisaram 21 amostras de sedimentos coletadas em 2005 e outras, mais recentes, reunidas por meio do navio oceanográfico Alpha Crucis. Os resultados indicaram que os níveis de chumbo, zinco e cobre a 100 metros de profundidade a mais de 100 km da costa eram próximos aos encontrados na baía de Santos, embora mais baixos que os limites mais altos do estuário santista, um ambiente próximo à terra que mistura água de rios e do mar. No estuário, a concentração de chumbo no sedimento marinho variava de 9 miligramas por quilograma (mg/kg) em áreas não contaminadas a 59 mg/kg em amostras do fundo do porto, indicando um aumento de cinco a 10 vezes em comparação com os valores anteriores ao processo de industrialização. Os autores desse trabalho afirmaram que os poluentes industriais misturados com a lama no fundo do mar poderiam facilmente voltar à circulação, como resultado de movimentos intensos da água ou de atividade humana como a dragagem para a ampliação de portos ou a pesca com redes pesadas que revolvem o fundo do mar.

Estudos anteriores de pesquisadores do IO-USP já haviam mostrado que a descarga contínua de esgotos domésticos e de poluentes industriais na baía de Santos era provavelmente uma das causas da reduzida diversidade de organismos marinhos na região, em comparação com áreas menos poluídas.
Em paralelo, uma equipe da Unesp em São Vicente encontrou níveis acima dos permitidos em lei de quatro metais pesados – cádmio, cobre, chumbo e mercúrio – em amostras de água, sedimento e em caranguejos-uçá dos manguezais dos municípios de Cubatão, Bertioga, Iguape, São Vicente e Cananeia. Nas regiões com maior concentração desses metais, os caranguejos apresentavam uma proporção maior de células com alterações genéticas associadas à ocorrência de malformações (ver Pesquisa FAPESP no 225). Estudo de uma equipe da Universidade Federal do Rio Grande publicado em novembro de 2015 associou a contaminação por metal como possível causa da fibropapilomatose, uma doença específica de tartarugas marinhas, caracterizada pela formação de tumores benignos sobre a pele, em tartarugas-verde (Chelonia mydas) de Ubatuba, SP, já que os animais examinados apresentavam um nível acima do normal de cobre, ferro e chumbo, em comparação com animais saudáveis.

“Quando pensarmos em legislação e políticas públicas, para fazer uma projeção do impacto de eventuais acidentes ambientais, temos de olhar mais longe e rever o conceito de área de influência, já que o efeito pode ser muito maior do que o imaginado”, disse Mahiques. Bastos, da Ufes, observou que os danos ambientais podem ser intensos em consequência de pequenas alterações na concentração de metais na água do mar, mesmo que os limites ainda estejam abaixo dos máximos estabelecidos pela legislação ambiental.

Artigos científicos

FIGUEIRA, R.C.L. et al. Distribution of 137Cs, 238Pu and 239 + 240Pu in sediments of the southeastern Brazilian shelf – SW Atlantic margin. Science of the Total Environment. v. 357, p. 146-59. 2006.

MAHIQUES, M.M. et al. Mud depocentres on the continental shelf: a neglected sink for anthropogenic contaminants from the coastal zone. Environmental. Earth Sciences. v. 75, n. 1, p. 44-55. 2016.

SILVA, C.C. da et al. Metal contamination as a possible etiology of fibropapillomatosis in juvenile female green sea turtles Chelonia mydas from the southern Atlantic Ocean. Aquatic Toxicology. v. 170, p. 42-51. 2016.