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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

 

Published on July 31st, 2020 | by David Marshall

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Episode 114: Horseshoe Crabs

The horseshoe crabs (Xiphosura) are a group of large aquatic arthropods known from the East coast of the USA, and the Southern and Eastern coasts of Asia. Despite their name, they are not actually crabs at all, but are chelicerates (the group containing spiders and scorpions). As a group, the horseshoe crabs possess an extremely long fossil record, reaching as far back as the Ordovician Period, some 480 million years ago. Since that time, they would appear to have undergone very little change, leading the horseshoe crabs to become the archetypal ‘living fossils’.

Joining us for this two-part episode is Dr Russell Bicknell, University of New England, Australia. We discuss what makes a horseshoe crab, before taking questions from our listeners as to all aspects of horseshoe crab ecology and what we can infer from them about other extinct arthropods.

Paper: Bicknell RDC and Pates S (2020) Pictorial Atlas of Fossil and Extant Horseshoe Crabs, With Focus on Xiphosurida. Front. Earth Sci. 8:98.

Horseshoe crabs are named after the shape of their head (prosoma/cephalothorax). Their bodies are roughly divided into three functional units: the head, abdomen (opisthosoma/thoracetron) and the tail spine (telson).
Only four species of horseshoe crab exist today. Pictured are the two species of Tachypleus: T. tridentatus, the Chinese/Japanese horseshoe crab and T. gigas, the Indo-Pacific horseshoe crab.

Image: (A,B) Male T. tridentatus. (A) Dorsal view. (B) Ventral view. (C,D) Male T. gigas. (C) Dorsal view. (D) Ventral view. (E,F) Female T. tridentatus. (E) Dorsal view. (F) Ventral view. (G,H) Female T. gigas. (G) Dorsal view. (H) Ventral view.

That’s it! Those are all the horseshoe crabs, male and female, that you can see alive today.
Pictured are Limulus polyphemus, the American horseshoe crab and Carcinoscorpius rotundicauda, the mangrove horseshoe crab.

Image: (A,B) Male C. rotundicauda. (A) Dorsal view. (B) Ventral view. (C,D) Male L. polyphemus. (C) Ventral view. (D) Dorsal view. (E,F) Female C. rotundicauda. (E) Dorsal view. (F)Ventral view. (G,H) Female L. polyphemus. (G) Ventral view. (H) Dorsal view.

Whilst just four species are alive today, the evolutionary history of the horseshoe crabs reveals several periods, notably the Triassic and Carboniferous when the number of different species, their diversity, was much higher.
Some of the earliest horseshoe crabs, such as Belinurus carterae, are instantly recognisable as horseshoe crabs. This is because there isn’t a huge amount of morphological disparity (differences in shape) between the species, however important differences still exist. Here, it is easy to spot that the abdomen is composed of individual segments. In later species, these would have fused together, functionally forming one big segment we call the thoracetron today.
During the Carboniferous period, a relatively large number of horseshoe crab species are known. The reason for this might be due to horseshoe crabs experimenting with more freshwater environments and living in places where they might stand a better chance of being preserved. It may be due to the fact more Carboniferous rocks were excavated in the search of coal, or it might simply be an actual increase in the number of species alive at that time.

Image: Examples of the Carboniferous horseshoe crab Euproops danae.

Another period during which there was incrased diversity and disparity was the Triassic. Here wonderful forms such as the pick axe-shaped Austrolimulus fletcheri existed.

Image: Austrolimulids from Australia. (A) Austrolimulus fletcheri from the Triassic-aged Beacon Hill Shale, NSW, Australia. (B) Tasmaniolimulus patersoni from the Permian-aged Jackey Shale, Tasmania, Australia. (C) Dubbolimulus peetae from the Triassic-aged Ballimore Formation, NSW, Australia.

Reconstruction of Tasmaniolimulus patersoni.
The Triassic is also host to the famous Vaderlimulus tricki whose pointed head resembles the helmet of Darth Vader. Image: Joschua Knüppe.
Even by the Triassic, species belong to the modern genera Tachypleus (A) and Limulus (E) were known. That is a duration of over 200 million years for these genera!
In the Jurassic, fantastic specimens can be found in the Solnhofen Limestone. These fossils are so well-preserved that they are often shown side by side with modern horseshoe crabs to illustrate how little they have evolved over time, or even to try and disprove evolution.
Examples of the iconic Jurassic-aged Mesolimulus walchi from Germany
It’s true that horseshoe crabs have changed very little in superficial shape over 480 million years and they can still be found on beaches, probably living their lives not too dissimilar to how they have been doing for almost half a billion years!
Throughout their evolutionary history they have survived nearly every mass extinction event, however humans pose perhaps their greatest threat. Horseshoe crabs gathering on the beaches represent a fantastic source of free fertiliser.

Unfortunately, the blood of the horseshoe crab is a vital component of the pharmaceutical industry and live individuals are captured and their blood harvested. This is obviously a traumatic procedure and is having a negative effect on horseshoe crab populations.

Dr Russell Bicknell with a horseshoe crab.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Jean Vannier

"Engarrafamentos" de trilobitas de 480 milhões de anos podem revelar comportamento migratório antigo

Por décadas, os cientistas vêm desenterrando grupos de trilobitas fossilizados - artrópodes duros e blindados que viviam em oceanos antigos - apenas para encontrar as criaturas alinhadas como crianças do jardim de infância bem comportadas a caminho do almoço. Agora, os pesquisadores que estudam fósseis antigos no Marrocos acham que sabem o porquê.
 
Teorias anteriores argumentavam que os fósseis alinhados tinham algo a ver com a morte dos trilobitas - talvez os artrópodes fossem varridos por correntes fortes, ou talvez vários deles entrassem em tocas um após o outro e depois perecessem. Mas para uma equipe de pesquisadores da Europa e Marrocos, essas teorias não se encaixavam.
 
Quando a equipe examinou vários aglomerados de fósseis de trilobitas de 480 milhões de anos do Marrocos (acima), eles notaram que os trilobitas na fila eram na maioria adultos ou semiadultos - nenhum bebê é permitido - e a maioria estava na mesma direção. Se as linhas fossem o resultado de correntes aleatórias, provavelmente haveria uma variedade maior de idades, e alguns dos trilobitas provavelmente estariam voltados para trás. Os pesquisadores também não encontraram sinais típicos de tocas nos sedimentos que cercavam as criaturas.
Tomados em conjunto, esses fatores levaram os pesquisadores a especular que os trilobitas haviam morrido no meio de sua infeliz linha de conga. Os trilobitas podem ter se alinhado para caminhar até locais distantes de acasalamento - como as lagostas espinhosas modernas - ou para escapar de agitações ambientais como tempestades , escrevem os pesquisadores esta semana no Scientific Reports . Em ambos os casos, as criaturas podem ter assumido seu arranjo para reduzir o arrasto, semelhante aos gansos voando em formações em V.
 
Os trilobitas eram cegos, então não podiam ter ficado na fila de vista. Isso significa que eles provavelmente se encontraram e se organizaram usando toque, sinais químicos ou uma mistura de ambos - um comportamento sofisticado para essas criaturas primitivas.
Publicado em:
doi: 10.1126 / science.aaz8951

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Um artrópode cambriano médio com quelíceras e proto-guelras

Resumo

Os queliceratos são um grupo de animais onipresente e específico que tem um efeito ecológico considerável nos ecossistemas terrestres modernos - principalmente como predadores de insetos e também, por exemplo, como decompositores 1 .  

O registro fóssil mostra que os queliceratos se diversificaram no início dos ecossistemas marinhos da era paleozoica, pelo menos no período ordoviciano 2 .  

No entanto, o momento das origens do quelicerato e o tipo de plano corporal que caracterizou os primeiros membros desse grupo permaneceram controversos.  

Embora os megacheiranos 3 , 4 , 5 tenham sido anteriormente interpretados como queliceratos, e os habeliidanos 6 (incluindo Sanctacaris 7 , 8 ) tenham sido sugeridos como pertencentes à sua linhagem de caule imediata, evidência para os apêndices alimentares especializados (quelíceras) que são diagnósticos de faltam os quelicatos. Aqui usamos material fóssil excepcionalmente bem preservado e abundante do meio cambriano Burgess Shale (Marble Canyon, Colúmbia Britânica, Canadá) para mostrar que Mollisonia plenovenatrix sp. nov. possuíam quelículas robustas, mas curtas, que foram colocadas muito anteriormente entre os olhos. Isso sugere que as chelicerae desenvolveram uma função de alimentação especializada desde o início, possivelmente como uma modificação de antenas curtas.  

A cabeça também abrange um par de grandes olhos compostos, seguidos por três pares de longas pernas uniramous e três pares de apêndices mastigatórios robustos e gnobobásicos; esta configuração liga os habeliidans aos euceliceratos (queliceratos 'verdadeiros', excluindo as aranhas do mar).  

O tronco termina em um pigídio de quatro segmentos e possui onze pares de membros idênticos, cada um dos quais composto por três retalhos amplos de exópodes lamelados e os endópodes são reduzidos ou ausentes. Esses retalhos de exópodes sobrepostos se assemelham às brânquias de livros de euchelicerate, embora não possuam o opérculo diagnóstico 9 .  

Além disso, os olhos de M. plenovenatrix foram inervados por três neuropilos ópticos, o que reforça a visão de que um sistema visual complexo tipo malacostracan 10 , 11 pode ter sido plesiomórfico para todos os euartrópodes da coroa. Esses fósseis mostram, assim, que os queliceratos surgiram ao lado dos mandibulados 12 como micropredadores bentônicos, no centro da explosão cambriana.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Por que os escorpiões agora preocupam

Número de casos de envenenamento cresceu 600% em 15 anos
EVERTON LOPES BATISTA | ED. 247 | SETEMBRO 2016

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© EDUARDO CESAR
O escorpião-amarelo, causador da maioria dos acidentes graves
O escorpião-amarelo, causador da maioria dos acidentes graves
Dezenas de caixas de plástico empilhadas do piso ao teto em uma sala climatizada de uma ala nova do biotério do Instituto Butantan abrigam cerca de 5 mil exemplares vivos de Tityus serrulatus, o escorpião-amarelo, a espécie que mais causa envenenamento em pessoas no país. Técnicos e pesquisadores do laboratório de artrópodes transitam entre as caixas com cuidado, mas sem receio, para alimentar os animais com baratas e grilos, retirados diariamente de um estoque de milhares de insetos mantido nas salas ao lado.
Os escorpiões – tanto o amarelo quanto os de outras espécies – são mantidos ali com duas finalidades. A primeira é a produção do soro usado para neutralizar a ação do veneno – ou peçonha—, cada vez mais importante em vista do aumento de quase 600% no número de acidentes e mortes causados por esses animais nos últimos 15 anos. Esse aumento é o resultado da expansão urbana sobre áreas antes ocupadas por matas, do acúmulo de lixo e entulho que atraem insetos que servem de alimento, e da capacidade desses animais de se adaptarem a ambientes variados, de florestas úmidas até desertos. De acordo com os registros do Ministério da Saúde, os escorpiões provocaram a maior parte dos acidentes com animais peçonhentos no país, com 74.598 casos registrados, e causaram mais mortes (119) que as serpentes (107), em 2015 (ver gráfico).
A segunda finalidade é a pesquisa dos efeitos – muitas vezes inesperados – do veneno de escorpiões no organismo humano. “O conhecimento sobre os componentes do veneno e seus efeitos ainda tem lacunas”, afirma a médica Fan Hui Wen, gestora de projetos do Butantan, que acompanha a produção de soro contra picadas de escorpiões. “Algumas espécies estão causando acidentes com manifestações clínicas diferentes das que até agora eram conhecidas.”
Em um estudo publicado neste mês de setembro na revista Toxicon, pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical, de Manaus, apresentaram o provável primeiro registro de um caso de acidente classificado como grave, com espasmos musculares e alterações neurológicas, causado por Tityus silvestris, uma espécie comum na Amazônia, em geral associada a acidentes sem gravidade. Um homem de 39 anos, com problemas no fígado causados por hepatite B – estava à espera de um transplante –, foi picado no cotovelo e no ombro enquanto dormia em sua casa na periferia de Manaus. Três horas depois, chegou ao hospital da Fundação Medicina Tropical relatando apenas dor e parestesia (formigamento) na região da picada, no braço esquerdo.
Em duas horas, porém, o homem apresentou dificuldade para respirar, taquicardia, hipertensão e espasmos musculares. O quadro se agravou. Ele foi internado em uma unidade de terapia intensiva, recebeu soro e outros medicamentos e foi liberado apenas sete dias depois. “Esse caso indica que o quadro clínico pode se complicar independentemente da espécie que causa o envenenamento”, diz o farmacêutico bioquímico Wuelton Marcelo Monteiro, pesquisador da fundação e um dos responsáveis pelo estudo. “Ainda há poucos trabalhos sobre as consequências e a variação dos efeitos dessa espécie de ampla distribuição geográfica na Amazônia.”
Entre as cerca de 160 espécies de escorpião encontradas no Brasil, apenas 10 causam envenenamento em seres humanos. De modo geral, o veneno – formado por proteínas, enzimas, lipídeos, ácidos graxos e sais – age sobre o sistema nervoso, causando dor intensa e dormência muscular no local da picada. Com menor frequência se observam efeitos sistêmicos como vômitos, taquicardia, hipertensão arterial, sudorese intensa, agitação e sonolência. A dificuldade de respirar caracteriza os quadros mais graves, verificados principalmente em crianças. As picadas por Tityus obscurus, comum na região amazônica, podem causar também efeitos neurológicos, com espasmos, tremores e uma sensação de choque elétrico. “Como o veneno escorpiônico pode ser rapidamente absorvido na corrente sanguínea”, diz o pediatra Fábio Bucaretchi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), “as manifestações clínicas indicativas de envenenamento grave se iniciam em geral nas primeiras duas horas após a picada”.
Em um estudo amplo, publicado em 2014 na Toxicon, Bucaretchi e outros pesquisadores examinaram 1.327 casos de acidentes com escorpiões atendidos no Hospital de Clínicas da Unicamp de 1994 a 2011. Nesse levantamento, predominaram os acidentes apenas com reações locais (79,6%) e sistêmicas, com vômitos, sudorese e alterações no ritmo cardíaco (15,1%). A chamada picada seca – sem sinais de envenenamento – respondeu por 3,4% do total de casos analisados, enquanto os casos mais graves, com risco de morte, foram de 1,8%. “Todos os casos graves e o único caso letal ocorreram em crianças com idade menor que 15 anos”, diz Bucaretchi.
A maioria dos acidentes provocados por animais identificados foi atribuída ao escorpião-preto, Tityus bahiensis (27,7%), e ao amarelo (19,5%), normalmente o principal causador de acidentes e, neste estudo, responsável pelas ocorrências mais graves. O escorpião-amarelo inquieta também em razão de sua capacidade de adaptação ao ambiente urbano e ao tipo de reprodução. As fêmeas dessa espécie conseguem se reproduzir sozinhas, sem precisar de machos, por meio de um processo conhecido como partenogênese; cada ninhada pode resultar em até 30 filhotes.
© EDUARDO CESAR
Fêmea de escorpião-amarelo com filhotes após se reproduzir sozinha, por partenogênese
Fêmea de escorpião-amarelo com filhotes após se reproduzir sozinha, por partenogênese
Em laboratório
“Os estudos com a peçonha de Tityus serrulatus ajudam a entender o quadro de envenenamento, direcionam a produção de melhores antivenenos e possibilitam a descoberta de novas drogas terapêuticas”, explica a biomédica Manuela Berto Pucca, contratada como professora em julho deste ano pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Em seu pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCF-RP-USP), ela isolou duas toxinas, chamadas Ts6 e Ts15, do veneno do escorpião-amarelo. Em testes in vitro, as duas toxinas inibiram tanto a proliferação de um grupo de células brancas do sangue, os linfócitos T, quanto a produção de uma citocina – molécula de comunicação do sistema imune – conhecida como interferon-gama. De acordo com esse trabalho, publicado em fevereiro deste ano na Immunology, essa propriedade poderia qualificar as duas toxinas como candidatas a medicamentos contra doenças autoimunes. “Os testes já estão sendo realizados e se apresentaram promissores”, diz ela.
Sob orientação do médico José Elpidio Barbosa, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FM-RP) da USP, Manuela desenvolveu um anticorpo monoclonal humano (produzido a partir de técnicas de clonagem de DNA), que deteve a ação do veneno do escorpião- -amarelo em testes em células e em modelos animais (camundongos). Com base nos resultados, os pesquisadores propuseram o uso do anticorpo como uma alternativa ao soro usado atualmente contra picadas de escorpiões. Segundo ela, uma das principais limitações do novo anticorpo é o custo de produção, estimado em R$ 3 mil por ampola.
“Queremos melhorar o antídoto, mas também procuramos por novos medicamentos que possam surgir de moléculas isoladas do veneno”, diz a química Fernanda Portaro, pesquisadora do Butantan. Ela e sua equipe e colegas de outros laboratórios do instituto isolaram e estão caracterizando dois compostos extraídos do veneno: um com ação pró-inflamatória e outro com atividade analgésica. “O veneno dos escorpiões é como uma orquestra executando uma sinfonia, em que cada elemento tem uma função específica, sobre os músculos, o sistema nervoso ou o coração”, afirma a bióloga Daniela Carvalho, da equipe de Fernanda.
Escorpiao_247
Prevenção
Estima-se em 2,5 bilhões o número de pessoas em áreas de risco para escorpiões no mundo e em 1,2 milhão os casos anuais de envenenamento, com 3.500 mortes, causadas essencialmente pela demora em buscar o atendimento médico. “Os casos fatais podem ser evitados quando se busca ajuda médica com urgência e o tratamento é iniciado logo após o acidente”, ressalta Fan Hui Wen, do Butantan.
Depois de apresentar as salas dos escorpiões, ela mostra, em outra sala, a extração feita de modo manual. Cada animal recebe um choque elétrico de baixa intensidade na cauda e, em resposta, solta uma pequena gota esbranquiçada de veneno. É preciso manter uma grande população de escorpiões porque os animais não resistem a mais de cinco extrações induzidas por choque elétrico, explica Denise Candido, bióloga responsável pela extração de venenos dos escorpiões.
Os animais provêm de hospitais (em geral as pessoas os levam após picadas para identificação), de centros de controle de zoonoses ou de expedições dos próprios pesquisadores, e só entram na linha de produção após passarem por uma quarentena, que elimina aqueles com eventuais doenças. Depois, o método usado para produção de soros é o mesmo usado contra picadas de serpentes e aranhas: o veneno é diluído e aplicado nos cavalos da fazenda São Joaquim, no município de Araçariguama. Os 850 cavalos produzem anticorpos contra o veneno, que depois são extraídos de seu sangue para formar o soro, em um processo que leva de seis a oito meses. Segundo Hui, o Ministério da Saúde necessita de 80 mil ampolas de soro antiescorpiônico por ano, produzido no Butantan, no Instituto Vital Brasil, no Rio de Janeiro, e na Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais.
“É muito importante prevenir acidentes, limpando os terrenos que possam abrigar escorpiões e evitando o acúmulo de lixo”, recomenda Bucaretchi, da Unicamp. Os especialistas consideram de baixa eficácia uma estratégia adotada em cidades do interior paulista e noticiada nos últimos meses: a criação de galinhas nos quintais de casas ou em condomínios. A razão é simples: apesar de serem predadores naturais dos artrópodes, as galinhas têm hábitos diurnos e os escorpiões são animais noturnos.
No passado, as soluções eram ainda mais inusitadas. No início da década de 1950, os moradores de Ribeirão Preto, então com uma população de quase 80 mil pessoas (hoje são cerca de 600 mil), usaram dois inseticidas hoje proibidos, o benzeno hexaclorado (BHC) e o diclorodifeniltricloroetano (DDT), para deter uma infestação de escorpiões – cerca de 10 mil foram capturados em banheiros, quartos de dormir, cozinhas e quintais de 1949 a 1951, de acordo com um relato na American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. Havia campanhas em rádios e jornais, palestras em escolas, pontos de coleta espalhados pela cidade e um prêmio, promovido pelo prefeito, para o estudante que coletasse o maior número de escorpiões.
Projetos
1. Estudo das toxinas Ts6 e Ts15 do escorpião Tityus serrulatus como potenciais drogas terapêuticas para o tratamento de doenças autoimunes (nº 2012/12954-6);Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisadora responsável Eliane Candiani Arantes – Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCF-RP) da Universidade de São Paulo 
(USP); Beneficiária Manuela Berto Pucca;Investimento R$ 235.699,44.
2. Análise do potencial tóxico de proteases e peptídeos presentes no veneno do escorpião Tityus serrulatus e do poder neutralizante dos antivenenos comerciais: Aprimorando o conhecimento do veneno e seu mecanismo de ação (nº 2015/15364-3);Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Fernanda Calheta Vieira Portaro – Instituto Butantan; Investimento R$ 97.681,32.
Artigos científicos

SILVA, T. L. da. The scorpion problem in Ribeirão Preto, São Paulo, Brazil. Notes on epidemiology and prophylaxisAmerican Journal of Tropical Medicine and Hygiene. 1, n. 3, p. 508-13. 1952.

domingo, 24 de julho de 2016

BSkyB: Micro Monsters with David Attenborough
BBC: O Micromundo dos Artrópodes

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[oficial]


Citação
David Attenborough revela as maravilhosas capacidades de adaptação do grupo mais bem-sucedido de animais do planeta: os artrópodes. Usando técnicas de filmagem de câmeras 3D especiais, ele explora os intrincados e sofisticados comportamentos destas criaturas fascinantes e a complexidade dos ambientes que elas constroem e habitam em um mundo geralmente escondido dos olhos humanos.




Episódio 1 - Conflito

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Citação
Por meio de câmeras especiais, David Atthenborough revela as táticas de ataque e defesa dos artrópodes. O bicho-pau expele uma substância com um cheiro insuportável ao predador; um besouro lança gás quente e componentes químicos em um louva-a-deus para não virar refeição e um inseto faz uma cobertura de formigas mortas para mascarar o seu próprio odor e invadir um formigueiro.

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Código: [Seleccione]
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Episódio 2 - Predadores

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O besouro da família Gyrinidae usa a superfície da água como radar para detectar a sua presa; a vespa-esmeralda utiliza o veneno para controlar a vítima até a sua toca e a aranha Argiope confecciona uma armadilha com a sua poderosa seda e se alimenta até de outros aracnídeos. Neste episódio, David Attenborough revela as estratégias de caça dessas criaturas que, para sobreviver, se alimentam de outros artrópodes.

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Technical Specs
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Episódio 3 - Namoro

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David Attenborough revela como o acasalamento dos artrópodes pode ser complexo, demorado, fascinante e até brutal. Os escorpiões pinças-vermelhas da Tanzânia fazem uma extraordinária dança em seus rituais de acasalamento; os besouros-golias disputam a parceira em uma batalha de forças e a fêmea do louva-a-deus devora a cabeça do macho enquanto é fecundada.

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Technical Specs
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Episódio 4 - Reprodução

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David Attenborough mostra a importância da fase de reprodução dos artrópodes e como isso os transformou na forma de vida animal mais abundante do planeta. A megabunus da classe dos aracnídeos não necessita do macho e gera milhares de clones; o minúsculo macho da aranha-tecedeira precisa depositar o esperma no abdômen da fêmea sem que ela perceba para não ser devorado; a transformação da borboleta que tem sua vida dividida em duas partes; a lagarta que se dedica a comer e crescer e a adulta, destinada à reprodução.

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Technical Specs
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Micro.Monsters.With.David.Attenborough.2013.Ep.4.Reproduction.mp4
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Episódio 5 - Família

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A maioria dos artrópodes abandona os seus filhotes para sobreviver por conta própria, mas a barata-rinoceronte cuida da sua cria nos primeiros 6 meses de vida; um determinado tipo de aranha vive em grupo de até 100 indivíduos do mesmo parentesco, o que favorece a sobrevivência de todos. E as formigas dorylus vivem em uma colônia com mais de 50 milhões de indivíduos e toda a comunidade existe para oferecer suporte a rainha.

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Technical Specs
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Micro.Monsters.With.David.Attenborough.2013.Ep.5.Family.mp4
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Episódio 6 - Colônia

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Citação
David Attenborough mostra a capacidade de alguns artrópodes de viverem em colônia, permitindo que cacem, construam casas e dominem arredores. As abelhas operárias fazem uma dança para mostrar umas às outras uma nova fonte de néctar; as formigas se comunicam lançando e cheirando os feromônios e os cupins constroem castelos com um sistema de ar condicionado para a sobrevivência da rainha.